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sábado, 22 de fevereiro de 2020

João Moura maltrata animais

O choque! O horror! Ouvi ontem esta notícia e não consigo conter-me de vir aqui falar disto. Geralmente não se dá pontapés em alguém que já está no chão, mas este caso merece todas as farpas que o ferrem (e mais coisas que o f….).
Então não é que o homem fazia criação de galgos e que os tinha num estado que faria chorar de piedade o mais insensível? Oh choque! Oh espanto! Um senhor tão famoso, tão rico, com uma herdade e tudo! Quem diria que um homem que ganha a vida a torturar animais fosse capaz desta brutalidade? Estou chocada, chocada!
Em depoimentos não sei a quem, outra organização que tortura animais como ele, João Moura disse que os “cães estão magros”. É verdade, mas, pelo contrário, o farpilheiro João Moura está gordo.


E com o melhor interesse do senhor em mente, visto que a obesidade não é saudável e provoca morte precoce, sugiro desde já a dieta ideal a aplicar-lhe. Chamo-lhe a dieta “copo de água” e é infalível para perder peso. Um copo de água ao pequeno-almoço, um copo de água ao almoço, um copo de água ao jantar. (Só copos de água, nada mais, nem sequer chá ou café.) À noite não bebe nada para não abusar das calorias. Em dois meses, no máximo, garanto que João Moura ficará em forma como nunca antes. Com alguma sorte, a dieta até acaba antes dos dois meses.
Tudo pela saúde alheia, porque eu sou boazinha.
Podia também receitar uma dieta para ganhar empatia e vergonha na cara, mas neste caso não fariam efeito enquanto houver tanta porcaria gordura a bloquear os neurónios do paciente. Fica pois a dieta de água, a aplicar até fazer efeito definitivo.

https://sicnoticias.pt/pais/2020-02-20-Associacao-divulga-video-dos-caes-do-cavaleiro-Joao-Moura







quarta-feira, 29 de maio de 2019

Parabéns PAN


Há muito tempo que não escrevo aqui sobre política. Muito tempo mesmo.
Durante anos, em artigos “abre-olhos” como alguém lhes chamou, tentei explicar a realidade de pessoas licenciadas a quem não era dada a mais pequena hipótese a não ser que fossem filhos de alguém (fidalgos, é a palavra). Estar à frente do tempo é uma chatice, porque ninguém acreditava. A austeridade veio mudar tudo. Finalmente os abrilistas indignados, que não tinham o menor pejo em explorar os filhos dos outros (como eu, meus amigos, como eu) indignaram-se deveras quando tocou aos filhos deles e os viram emigrar por falta de oportunidades por cá. As pessoas são assim. Só acreditam quando lhes toca a elas. Então indignaram-se. E eu fartei-me de rir. E achei que não valia a pena continuar a escrever porque agora já todos viam. Afinal não era um filme de terror, nem era eu que era maluca, era mesmo a sério. Mas quem é que lhes metia isso na cabeça, a todos os palermas que foram votar no Passos como se não houvesse alternativa ao Sócrates fora do Centrão?
Foi a classe média quem pagou as favas, é claro. Abaixo da média, pouco me tocou. Fui daquelas a quem não podiam roubar mais. (Directamente, isto é, através dos impostos do trabalho, porque a nível de IVA levei por conta como toda a gente, já para não falar dos feriados “abolidos” que trabalhei sem receber como tal.)

Se não querem votar, não votem
Nem queiram imaginar o meu choque quando, ao fim de quatro anos de austeridade, os energúmenos, boçais, iletrados, atrasados mentais deste país ainda foram votar no Passos outra vez. Fiquei assim boquiaberta em frente à televisão, a abanar a cabeça, muda de todo. A malta rica, banqueiros, gente com bons empregos que não sabe o que fazer ao dinheiro, clientelas, esses eu percebo. Mas o povão sacrificado, só mesmo por masoquismo.
A geringonça foi a única coisa boa que saiu disto tudo, quando finalmente se iluminou em suficientes cabeças que o governo não tem de estar só entre “este” ou “aquele”, mas entre mais. Foi o fim dessa instituição putrefacta chamada “voto útil”, que sempre foi o voto mais inútil de todos.
Vamos a ver, nas próximas legislativas, até que ponto esta gente de inteligência rastejante vai conseguir associar dois mais dois e chegar a esta conclusão. Não estou optimista.
Vou mesmo ser do mais politicamente incorrecto que há, e que se lixe: até é melhor que esta gente que nem sabe em quem vota, nem para quê nem porquê, fique antes em casa a ver os programas da manhã em que se telefona para lhes sair 2000 euros. Melhor do que irem votar, se só lá vão fazer merda. Havia uma desculpa para isto noutros tempos, tempos já longínquos, em que as pessoas não iam à escola nem aprendiam a ler porque começavam a trabalhar aos 5 anos. Mas isto já lá vai há tanto tempo. E tantos podiam já ter feito por si próprios e aprendido a ler nos anos de reforma antecipada –que os pôs em casa com 60 anos enquanto a nossa desgraçada geração vai ter de trabalhar até morrer– que não há desculpa para a preguiça. Que se abstenham, sim, em vez de fazerem porcaria. (Justiça lhes seja feita, eles já começaram a perceber que só fazem porcaria. A solução para isto era ler um jornal de vez em quando, mas pensar faz doer o cérebro.)
Eu costumo dizer, menos a brincar do que é democrático, que as pessoas deviam fazer um teste de literacia antes de serem autorizadas a votar. Isto parece mau e fascista e o que lhe queiram chamar, mas da minha perspectiva são estes energúmenos, que por ignorância votam até contra si próprios, que votam também em coisas que decidem a minha vida. Tenho todo o direito de lutar para que a minha vida não seja fodida.

Evolução civilizacional
Mas o que me faz mesmo sair do meu recolhimento político, nestes dias pós-eleitorais, é o crescimento do PAN. Engana-se quem pensa que é um voto de protesto. Aliás, engana-se muita gente que não percebe mesmo porque é que as pessoas estão tão fartas de ver animais abandonados, maltratados, abatidos em condições desumanas. Engana-se quem não percebe que torturar animais por diversão não é tradição, é sadismo. Que a tourada, por exemplo, já devia ter sido abolida há séculos. Que só um sádico pode assistir, impávido e sereno a um horror desses.
Não foi falta de protestos a que os partidos tradicionais fizeram orelhas moucas. Agora admiram-se, mas agora é tarde.
Congratulo-me com o crescimento do PAN, tendo a consciência de que ainda é pouco, muito pouco, para se conseguir mudar as coisas. Mas é um passo mais à frente do que noutros tempos, em que se afogavam ninhadas num balde de plástico em plena rua de Lisboa (como eu vi, impotente). Ainda há muito trabalho, se não para mudar estas mentalidades embrutecidas, pelo menos para as fazer perceber que este comportamento já não é aceitável. Sejamos francos, pessoas destas nunca se vão preocupar com os animais, mas talvez se preocupem com que pensa deles o vizinho do lado.
Esta maior consciencialização de ver o animal como ser senciente e sofredor também tem uma explicação. É um avanço civilizacional da parte de pessoas que têm os meios financeiros para esterilizar animais (em vez de afogar ninhadas). Que têm outros meios de diversão que não torturar animais. Que têm cultura geral suficiente para saberem que torturar animais é coisa de serial killers quando são pequeninos.
As pessoas queixaram-se, queixaram-se, queixaram-se. Aos partidos, aos meios de comunicação, à polícia. Nada foi feito: “Isso não tem importância nenhuma, ninguém quer saber”, “não podemos intervir”, “isso não dá audiências”. E depois alguns intelectuais irritadíssimos porque não conseguem eleger um único deputado nas facções que arrancaram aos partidos de onde vêm, quando um pequeno partido, em apenas dois ciclos eleitorais, já tem um deputado no Parlamento e na Europa, já para não falar na presença nas autarquias.
São casos como este que me fazem pensar que o mundo pode não estar completamente perdido.
Parabéns ao PAN! Parabéns a todos os que votaram no PAN mesmo com pouca esperança de conseguir ir longe. Parabéns ao PAN por tê-los convencido a votar. Que seja o início, que mais vale tarde do que nunca.
Não dou parabéns ao Bloco de Esquerda, que só muito recentemente abriu a pestana e começou a andar por aí no transporte de animais vivos. Vieram atrasados, muito atrasados. Agora, meus amigos, vão ter de correr muito atrás do prejuízo.
Não é um voto de protesto. É um voto de identidade. Os animais, para quem os tem, são família. Quem não percebe isto não percebe nada do que está a acontecer.

Deu-me tanto gozo escrever este post, tanto gozo!


terça-feira, 29 de julho de 2014

Aprovada a lei que criminaliza os maus tratos e abandono de animais de companhia

Da mailing list Animais de Rua:

BOAS NOTÍCIAS!
Aprovada a lei que criminaliza os maus tratos e abandono de animais de companhia

A passada 6ª feira (dia 25 de Julho) foi um dia histórico para o movimento de protecção animal em Portugal: foi aprovada a lei que criminaliza os maus tratos e o abandono de animais de companhia, apesar da abstenção do PCP e das abstenções e votos contra do CDS-PP. É um dia que enche de alegria e esperança todos aqueles que diariamente se batem pela melhoria das condições de vida dos animais em Portugal. A Animais de Rua está muito grata aos deputados Cristóvão Norte e Pedro Delgado Alves, que se bateram bravamente ao longo de largos meses por esta vitória, e a todas as organizações de protecção animal e pessoas individuais que se uniram em prol deste objectivo comum, demonstrando à Assembleia que o reforço da protecção dos animais é uma prioridade para a sociedade portuguesa. Mais uma vez se comprova que, unindo os nossos esforços, não há vitórias impossíveis. É certo que, por ora, apenas os animais de companhia foram contemplados. Mas esta alteração legislativa marca um ponto de viragem na forma como os animais são considerados no nosso ordenamento jurídico, e estamos certos de que muitas outras no mesmo sentido se lhe irão seguir. Contamos consigo ao nosso lado para, juntos, conseguirmos ainda mais vitórias para os nossos amigos animais!
Muito obrigada!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

“O Livro dos Espíritos” – O destino dos animais


Hoje, 4 de Outubro, é o Dia Internacional do Animal.



Capítulo “Os animais e o homem”

Se compararmos o homem e os animais sob o ponto de vista da inteligência, a linha de demarcação parece difícil de se estabelecer, porque alguns animais têm, sob esse aspecto, uma superioridade notória sobre alguns homens. Essa linha pode ser estabelecida de uma maneira precisa? [pergunta]
– Sobre esse ponto os vossos filósofos não estão de acordo em quase nada: uns querem que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem; todos estão errados. O homem é um ser à parte que desce muito baixo algumas vezes, ou que pode elevar-se bem alto. Fisicamente o homem é como os animais, e até menos dotado que muitos deles; a natureza deu aos animais tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência para satisfazer suas necessidades e sua conservação. É verdade que o seu corpo se destrói como o dos animais, mas o seu Espírito tem um destino que somente ele pode compreender, porque apenas o homem é completamente livre. Pobres homens que vos rebaixais além da brutalidade! Não sabeis vos distinguir? Reconhecei o homem pelo sentimento que ele tem da existência de Deus.


E quem diz que os animais não têm o sentimento da existência de Deus, se calhar maior, porque a terem-no será instintivo em vez de pensado e repensado? Quem é que o homem julga que é para saber o que sentem os animais só porque eles não falam (com o homem)?
Só porque eu não te falo de Deus não significa que eu não saiba o que é Deus. Posso achar que tu és demasiado limitado para me ouvires falar de Deus. 
E quanto àquelas pessoas mudas, surdas e cegas, que em tempos eram consideradas brutas como um animal porque não sabiam comunicar com outros humanos? Pode alguém dizer que essas pessoas não sabiam o que era Deus? Porque ninguém lhes ensinou o que era Deus? Nesse caso, igualmente não sabiam o que era o Amor, porque não conheciam a palavra para o Amor? Quem se atreve a insinuar que a espiritualidade tem que ser ensinada e não é inata?
Mais à frente os Espíritos dizem que o animal não conhece Deus. Se Deus nos passasse à frente, "disfarçado" ou invisível, e nós não o reconhecêssemos, quem nos garante que o animal, capaz de pressentir tempestades através de sentidos muito mais apurados que os nossos, não O reconheceria? Quem é o animal mais limitado, afinal?


Os animais têm livre-arbítrio de seus actos? [pergunta]
– Eles não são simples máquinas, como se pode supor; mas a sua liberdade de acção é limitada às suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muito inferiores ao homem, não têm os mesmos deveres. A sua liberdade é restrita aos actos da vida material.

Se os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de acção, há neles um princípio independente da matéria? [pergunta]
– Sim, e que sobrevive ao corpo.

Esse princípio é uma alma semelhante à do homem? [pergunta]
– É também uma alma, se quiserdes, depende do sentido que se dá a essa palavra; mas é inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto há entre a alma do homem e Deus.


Sim! Os animais estão muito mais perto de Deus do que o homem alguma vez poderá estar.
Até por uma questão de lógica: os animais são as perfeitas criaturas, não questionam Deus. Não escrevem posts a duvidar da bondade de Deus. Não perguntam o porquê. Aceitam e existem e sofrem resignadamente. 
Pergunto mesmo: seria isto que Deus queria do Homem também?...


A alma dos animais conserva, após a morte, a sua individualidade e a consciência de si mesma? [pergunta]
– A sua individualidade, sim, mas não a consciência do seu eu. A vida inteligente continua no estado latente.

A alma dos animais tem a escolha de encarnar num animal em vez de outro? [pergunta]
– Não; ela não tem o livre-arbítrio.

A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, estará, depois da morte, na erraticidade, como a do homem? [pergunta]
– É uma espécie de erraticidade, uma vez que não está mais unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e age de acordo com sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma faculdade. A consciência de si mesmo é que constitui o atributo principal do Espírito. O espírito do animal é classificado após a sua morte pelos Espíritos a quem compete essa tarefa e quase imediatamente utilizado; não há tempo de se colocar em relação com outras criaturas.

Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens? [pergunta]
– Sim, por isso, nos mundos superiores, onde os homens são mais avançados, os animais também o são, tendo meios de comunicação mais desenvolvidos; mas são sempre inferiores e submissos ao homem, são para ele servidores inteligentes.

“Servidores inteligentes”: tenho para mim que este Espírito nunca conheceu um gato.


Os animais progridem, como o homem, pela acção da sua vontade ou pela força das coisas? [pergunta]
– Pela força das coisas. É por isso que para eles não há expiação.

Nos mundos superiores, os animais conhecem Deus? [pergunta]
– Não; para eles o homem é um deus, como antigamente os Espíritos foram deuses para os homens.

E como os animais foram deuses para os homens.


Os animais, mesmo os aperfeiçoados nos mundos superiores, são sempre inferiores ao homem. Isso significa que Deus teria criado seres intelectuais perpetuamente destinados à inferioridade, o que parece estar em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que se distingue em todas as suas obras. [pergunta]

Grande pergunta!


– Tudo se encaixa na natureza pelos laços que não podeis ainda compreender, e as coisas mais desiguais na aparência têm pontos de contacto que o homem nunca chegará a compreender na sua condição actual. Ele pode entrevê-los pelo esforço da sua inteligência, mas somente quando essa inteligência tiver adquirido todo o desenvolvimento e estiver livre dos preconceitos do orgulho e da ignorância é que poderá ver claramente a obra de Deus. Enquanto isso não acontece, suas ideias limitadas lhe fazem ver as coisas sob um ponto de vista mesquinho e restrito. Sabei bem que Deus não pode se contradizer e que tudo, na natureza, se harmoniza pelas leis gerais que nunca se afastam da sublime sabedoria do Criador.

Assim, pode-se considerar que a alma teria sido o princípio inteligente dos seres inferiores da Criação? [pergunta]
– Não dissemos que tudo se encadeia na natureza e tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer inteiramente, que o princípio inteligente se elabora, individualiza-se pouco a pouco e ensaia para a vida, como já dissemos. É, de algum modo, um trabalho preparatório, como a germinação, em que o princípio inteligente sofre uma transformação e torna-se Espírito. É então que começa o período de humanização e com ela a consciência do seu futuro, a distinção entre o bem e o mal e a responsabilidade de seus actos. Assim como depois da infância vem a adolescência, depois a juventude e, enfim, a idade adulta. Não há, além disso, nessa origem nada que deva humilhar o homem. Será que os grandes génios se sentirão humilhados por terem sido fetos em formação no seio da sua mãe?
Se alguma coisa deve humilhá-lo é sua inferioridade perante Deus e sua impotência para sondar a profundidade dos seus desígnios e a sabedoria das leis que regem a harmonia do universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa harmonia admirável que faz com que tudo seja solidário na natureza. Acreditar que Deus pudesse fazer alguma coisa sem objectivo e ter criado seres inteligentes sem futuro seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas.

A bondade de Deus! Não blasfememos contra a bondade de Deus que criou seres destinados a milhões e milhões e milhões de reencarnações em que sofrem a dureza dos elementos e a crueldade da natureza, e a crueldade e insensibilidade do homem, sendo maltratados, caçados, abatidos, torturados, comidos, por outros animais e pelo homem. Seres destituídos de inteligência suficiente para se revoltarem ou acusarem, ou sequer compreenderem.
A bondade de Deus.


Esse período de humanização começa na Terra? [pergunta]
– A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana; o período de humanização começa, em geral, nos mundos ainda mais inferiores; entretanto, essa não é uma regra geral, e poderia acontecer que um Espírito, desde o começo da sua humanização, estivesse apto a viver na Terra. Esse caso não é frequente; é, antes, uma excepção.

Capítulo “Metempsicose”

O Espírito que animou o corpo de um homem poderia encarnar num animal? [pergunta]
– Isso seria retroceder e o Espírito não retrocede. O rio não retoma à sua fonte.


Conclusão, os animais têm uma alma que sobrevive à morte. Os seres humanos não reencarnam como animais (não retrocedem). O destino e progressão da alma dos animais é incerto e misterioso, mas existe. Nunca se diz que alguns animais não atinjam a progressão suficiente para serem homens. Talvez isto explique a quantidade de bestas de duas patas que acabaram de sair do animal e são agora humanos (há muito pouco tempo). Enquanto não evoluírem, continuarão a ser bestas, por muito humanos que sejam em aparência. O mundo está cheio deles.
(Talvez não seja exactamente assim que acontece a progressão dos animais, mas era uma boa explicação para o fenómeno.)

Tenho mais a dizer sobre o assunto. Escrevi o parágrafo acima numa intenção meramente crítica e impregnada do sarcasmo habitual. Mas depois pensei melhor sobre o assunto. O que distingue o homem do animal é a consciência moral, isto é, a capacidade de conhecer o Bem e o Mal (o que não é a mesma coisa que conhecer Deus; Deus podia nem existir e continuaríamos a conhecer o Bem e o Mal). O animal não tem esta consciência moral que só o intelecto permite desenvolver, age por instinto, mata e come sem remorso porque nunca questiona o Bem e o Mal dos seus actos. Nem poderia questionar porque o seu intelecto não é a esse nível desenvolvido. Imaginemos, pelo exercício que proporciona, colocar uma alma animal, amoral e instintiva, num corpo humano com um cérebro superior. Teremos um monstro. O que antes era natural e instintivo, mas desculpável pela falta de intelecto, torna-se agora, inteligente mas sem consciência moral, numa criatura capaz de tudo para satisfazer os seus apetites, inclusivamente matar, sem remorsos nem compaixão nem capacidade de sentir empatia. E temos aqui a definição de sociopata. Isto fez-me pensar.
Não me chocaria que o sociopata fosse as primeiras encarnações do animal no homem, mas já não animal porque já homem, e já não necessitando de protecção porque intelectualmente desenvolvido para se defender a si mesmo. Logo, definitivamente já não animal. Mas, sem consciência moral, já inteiramente homem? É uma pergunta que tenho feito a mim mesma e considerado que é perigoso responder-lhe, com ou sem reencarnação.
Mas uma questão pertinente quando se discute a superioridade e/ou inferioridade do homem e do animal.

Seria verdadeira a ideia da metempsicose se ela se definisse como sendo a progressão da alma de um estado inferior a um estado superior em que adquirisse desenvolvimentos que transformassem sua natureza. Porém, é falsa no sentido de transmigração directa do animal para o homem e vice-versa, o que dá ideia de um retrocesso ou de uma fusão (…)
O ponto de partida dos Espíritos é uma dessas questões que se ligam ao princípio das coisas e que estão nos segredos de Deus. Não é permitido ao homem conhecê-lo de maneira absoluta, e ele somente pode fazer a esse respeito suposições, construir sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios Espíritos estão longe de conhecer tudo; sobre o que não sabem podem também ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas.
É assim, por exemplo, que nem todos pensam a mesma coisa a respeito das relações que existem entre o homem e os animais. Segundo alguns, o Espírito só alcança o período de humanidade após ter sido elaborado e individualizado nos diferentes graus dos seres inferiores da Criação; segundo outros, o Espírito do homem teria sempre pertencido à raça humana, sem passar pela experiência animal. (…)
Quanto às relações misteriosas que existem entre os homens e os animais, está aí, nós repetimos, o segredo de Deus, como muitas outras coisas cujo conhecimento actual não importa ao nosso adiantamento e sobre as quais seria inútil insistir.
[Allan Kardec]


Penso que por esta altura já seria muito útil ao nosso adiantamento, quando já alguém disse que o desenvolvimento de uma civilização se pode medir pela maneira como se tratam os animais (posterior a Kardec).
Achei engraçado quando Kardec diz dos Espíritos: "Segundo alguns, o Espírito só alcança o período de humanidade após ter sido elaborado e individualizado nos diferentes graus dos seres inferiores da Criação; segundo outros, o Espírito do homem teria sempre pertencido à raça humana, sem passar pela experiência animal."
Imagino as discussões acaloradas durante essas sessões de espiritismo do século XIX, e ainda não tinham chegado "lá acima" os darwinistas!
Se a teoria de que o homem podia ter evoluído do macaco já fazia impressão a muita gente, esta ideia que defende que as origens do Espírito (mais importante porque ainda de maiores implicações religiosas do que a evolução do corpo) começam numa fase pré-humanização, isto é, que o Espírito já foi menos do que homem, talvez até menos do que animal, era uma ideia que não podia ter muitos amigos.
Esta parte das respostas dos Espíritos não é clara. Insinua-se que o (pré-)espírito do homem animou o animal (ou menor que isso) antes de ser um Espírito humano, mas nunca revela mais do que aquilo que transcrevi.





domingo, 30 de setembro de 2012

Conto cruel do terror quotidiano

É uma rua comprida e muito inclinada. Todos os dias a atravesso. Os carros têm de a descer devagar, de tão inclinada que é. Naquele dia, esta semana, eu ia atravessar quando olhei para cima e vinha um carro a descer, ainda ao longe, mas mais depressa do que é costume, pelo que preferi esperar que passasse. A rua é longa, ainda demorou uns segundos, e fiquei no passeio à espera. Olhei para baixo. Estavam dois pombos a uns metros, a depenicar no passeio. Um pombo e uma pomba. Sei por causa da coloração das penas. E o carro a descer, em longos, longos segundos. Tempo para tudo. O pombo, parvo do pombo, começa a andar para o meio da rua sei lá porquê, como se fosse Deus quem lhe tivesse dito: olha, vais fazer um teste, avança. A pomba ficou no passeio, a depenicar. Eu fiquei a ver. Tempo para tudo.
A besta do carro também viu o pombo. Não podia não ver o pombo. E continuou por ali abaixo, como se nada fosse. Nem sequer abrandou. Não vinha nenhum carro atrás, nem nenhum carro à frente. Nenhuma razão para não abrandar. A besta estava com pressa. Não tive tempo de atravessar e obrigar a besta a parar, porque já ia abaixo do lugar onde eu estava. A besta passou por cima do pombo, puft!, um monte de carne e penas, o que vivia já não vive, matou e andou, e nem sequer abrandou. Nem sequer viu como eu fiquei a olhar, petrificada de raiva, não apenas raiva, mas Ira, a pensar que um de nós não é humano. Ou eu não sou humana ou a besta não é humana. Não podemos ser ambos humanos. É impossível.
Olhei para a pomba. Tinha ficado petrificada também, olhando, de olhos estupefactos, o cadáver. Naquele momento pareceu-me ver na pomba um momento de lucidez que sobrevém aos animais de maneira diferente do que acontece às pessoas, pois não é verbalizável, mas se fosse seria assim: o meu companheiro desfeito no asfalto!
Estava atrasada mas não me consegui mexer. Demorei a recompor-me do que tinha visto. Porque eu não sou da mesma espécie da besta no carro, que nem abrandou. Eu petrifiquei. Não sei quanto tempo, petrifiquei. Os meus olhos na pomba, a uns metros, aterrorizada. Só quando eu saí do meu transe, e me mexi, e dei um passo, ela abriu as asas e levantou voo. Sei lá se naquele momento consciente de que o companheiro não ia atrás dela. Possivelmente não consciente, o que é uma bênção dos seres irracionais.
Quando regressei, à noite, já não sobrava nada da carne e das penas. Havia só uma mancha amarela. Ninguém diria o que aquilo tinha sido.
As bestas que passaram a seguir também não se importaram de ficar com cadáver nos pneus. Passaram, sem abrandar, e continuaram em frente, todas sujas de morte.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

"Gatos que recusam viver sem os donos"

Do site da União Zoófila:




De uma vez por todas, é falso e é profundamente injusto o que se diz sobre os gatos, que não reconhecem ou estabelecem ligação com os donos. Os gatos não só estabelecem ligação com os donos como morrem quando ficam sem eles.
O Roger tinha oito anos quando foi descartado, como se de um objecto sem valia se tratasse. Tinha vivido toda a vida numa casa, mimado, confortável, e depois viu-se num gatil, um sítio estranho, sem a presença do que tinha sido seu dono. O Roger deixou de comer e de se mexer e assim ficou sem que qualquer cuidado ou medicação pudesse fazê-lo recuperar a vontade de ficar vivo. O Roger morreu.
Abandonar um gato adulto, habituado a viver numa casa, num gatil significa muitas vezes a depressão e a morte. É bom que quem o faz fique ciente que condena à morte um amigo e que carregue o peso na consciência.



Para pensar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Actualização - Animais de Loures

Recebido por email:




Olá a todos!

Quase todos vocês conhecem a história dos cães que viviam num barracão, em cima de um amontoado de várias toneladas de ossos, e que foram encaminhados para o canil municipal de Loures.

Graças aos esforços de várias associações de protecção animal e de perticulares, e graças também à ajuda preciosa da seguradora Groupama e da Rede Animadomus, que ofereceram a esterilização, desparasitação e um seguro de saúde gratuito válido por 3 meses a todos estes animais, foi possível já retirar do canil cerca de 60 cães.

No entanto, muitos outros continuam, passado todo este tempo, a viver em jaulas exíguas do canil, sem ver a luz do dia, sem passear, sem afecto e sem acesso a alimentação de qualidade e cuidados de saúde básicos. Muitos deles já morreram nas instalações do canil.

Vimos pedir a todas as pessoas que se sensibilizaram com este caso um último esforço na divulgação destes animais. Só com o esforço de todos será possível mostrar aos animais que restam alguma coisa do mundo para além de solidão, medo e dor, que é tudo o que eles conheceram desde o dia em que nasceram.

Podem ver a actualização da situação de cada um dos animais nesta página:

http://www.animaisderua.org/eventos/animais_loures

As associações e FATs que acolheram animais de Loures precisam também muito de ajuda na alimentação e divulgação para adopção destes cães, para que consigam acolher outros. Caso queira ajudá-las de alguma forma, por favor contacte-nos para o geral@animaisderua.org, ou clique nos nomes das associações, na página acima referida, para aceder aos respectivos sites.

Abaixo segue um filme, produzido pela Wiseguys, sobre os animais do canil de Loures. Seguem também imagens de alguns dos animais que precisam de sair do canil com a máxima urgência, e da Lora, no estado em que estava quando saiu do canil.

Muito obrigada a todos.

A equipa da Animais de Rua



Filme sobre os animais de Loures:

http://vimeo.com/10638946

terça-feira, 9 de março de 2010

Ajuda Urgente para os Animais de Loures!

Do site da associação Animais de Rua:

Ajuda Urgente para os Animais de Loures!

Todos estes animais viviam num terreno ocupado ilegitimamente por uma pessoa que os criava com intuitos dúbios. São 80 cães e estavam alojados em cima de várias toneladas de ossadas de vaca (que era a única alimentação que lhes era fornecida) e de cães mortos. Nasciam, viviam, alimentavam-se, defecavam e urinavam em cima dos ossos que eram ao mesmo tempo a sua única fonte de alimentação. Neste cenário, só os mais fortes sobreviviam. Os que morriam eram também comidos pelos seus companheiros de cativeiro - fenómenos de canibalismo na espécie canina só acontecem em situações extremas como esta. Há imagens da situação em que estes animais se encontravam na secção de Comunicação Social, do nosso website.

Todos estes cães só conheceram sofrimento desde o dia em que nasceram. Cabe-nos a nós dar um final feliz às suas histórias. São quase todos animais muito medrosos, mas que facilmente recuperarão a confiança no ser humano se lhes for dada essa oportunidade. Nenhum deles é agressivo e todos eles se dão muito bem com outros animais. Na curta sessão fotográfica que lhes fizemos (e aproveitamos desde já para agradecer à Wiseguys, que mais uma vez pôs a sua técnica ao serviço dos animais e capturou estas excelentes imagens), todos eles se mostraram meigos e reagiram com agrado à aproximação da voluntária que lhes fez festas.

Como podem ver, são dezenas de animais. Não será possível todos eles conseguirem um lar a não ser que sejam divulgados de forma massiva através de todos os meios disponíveis e que contem com a cooperação de todas as associações de protecção animal e de todas as pessoas que se preocupam com o seu bem estar.

Agradecemos desde já às associações Pé Ante Pata, que já se ofereceu para ajudar na divulgação e encaminhamento para adopção destes animais, e Abrigo da Bicharada, que irá acolher 3 fêmeas.

Pedimos a todas as pessoas e associações que possam acolher algum/alguns destes animais, mesmo que apenas temporariamente, que nos contactem para o geral@animaisderua.org.

Podem também dirigir-se directamente ao canil municipal de Loures.
Contacto do Gabinete Médico Veterinário Municipal - 219 848 210

Relembramos que foram encaminhados 15 cães (5 para cada um) para os canis municipais de Lisboa, Amadora e Vila Franca de Xira. A situação destes animais é ainda mais grave e urgente do que a dos animais que ficaram no canil de Loures, uma vez que não estão a ser alvo de qualquer divulgação já que, inacreditavelmente, estes municípios não permitem a captura de imagens dos animais que albergam..

Seguem abaixo fotografias e descrição de todos os animais que se encontram no canil de Loures.

Recomendamos vivamente a todas as pessoas e associações que decidam acolher algum/alguns destes animais a colocação imediata de uma coleira com alguma forma de identificação visível. Ver aqui, algumas dicas sobre identificação de animais de companhia.

A associação Animais de Rua compromete-se a esterilizar todos os animais que forem retirados do canil de Loures, para o que precisará muito de padrinhos de esterilização que ajudem a fazer face às despesas das cirurgias.

Agradecemos toda a ajuda possível na divulgação deste apelo.

A equipa da Animais de Rua

Mais informação e fotos dos cães resgatados

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Curso de Introdução à Alimentação Vegan-Raw a reverter para esterilização de animais de rua



Recebido por email:

Nos dias 10 e 11 de Outubro irá decorrer na Quinta das Águias, em Paredes de Coura, um curso de Introdução à Alimentação Vegan-Raw (vegana-crudívera), ministrado por Filipa Cardoso, em que parte das receitas obtidas com as inscrições reverterá para a esterilização de animais de rua.

Serão ensinadas várias técnicas culinárias desconhecidas para a maioria de nós e receitas deliciosas e cruelty-free. Os participantes do curso terão oportunidade de assistir e participar na confecção de muitos dos pratos.

É também uma boa oportunidade para ficarem a conhecer a Quinta das Águias, que acolhe, para além de vários cães e gatos, inúmeros animais salvos de serem abatidos para consumo humano: ovelhas, coelhos, galinhas e patos, que vivem na quinta uma existência feliz e tranquila.

Valor da inscrição (inclui estadia e alimentação): 120€
Vagas limitadas

Mais informação: www.animaisderua.org/eventos/organic-vegan-raw

domingo, 28 de junho de 2009

Hoje tive de passar numa estrada... Não gosto nada daquela estrada. Já não é a primeira vez que encontro um gato atropelado. Mas sou obrigada a passar pela estrada. O de hoje ainda estava quente. Devia ter sido há pouco tempo, há muito pouco tempo mesmo. Estava deitado no asfalto, mesmo no meio da via, mas parecia vivo, adormecido e em dores... em dores nas quais morreu. O sangue estava derramado numa poça líquida de cerca de 30cm de largura, e ainda nem tinha coagulado. Os olhos estavam vidrados. Apalpei-lhe a barriga, não mexia. Peguei-lhe pelas patas da frente e coloquei o corpo, respeitosamente, na berma. Fiquei com a mão cheia de sangue. Tirei um lenço da mala e limpei-a. Não custa nada.
Não sei como é que há quem atropele um animal e continue a conduzir. Não sei como há quem volte a passar-lhe por cima até ficar tipo "tapete". São daquelas coisas que me repugnam.
E pronto, era só isto.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Rock Like An Animal


No próximo dia 3 de Julho a ABRA (Associação bracarense amiga dos animais) em colaboração com a Rosavelho Associação (Associação de eventos e espectáculos musicais) iram realizar um concerto com 5 bandas do panorama metal português. São elas Holocausto Canibal, Daemogorgon, Coldfear, Equaleft e Insanus. O objectivo deste concerto tem uma causa nobre, a angariação de fundos para a ABRA. O concerto terá inicio às 20h30 e a entrada será de 4€. Este é o primeiro acto, os próximos actos deste Festival têm ainda data por anunciar.


Mais info em www.myspace.com/rosavelho

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Divulgação Animais de Rua

Recebido por email:

Amigos,


Escrevemo-vos mais uma vez para pedir ajuda para os animais protegidos pelo Animais de Rua - Projecto de Esterilização e Protecção de Animais Sem Lar (www.animaisderua.org).

As matilhas e colónias de gatos controladas pelo Animais de Rua não páram de aumentar. É política do Projecto assegurar-se que os animais esterilizados e que continuam a viver na rua sejam alimentados diariamente, mas estamos a ter muita dificuldade para conseguir fornecer alimentação suficiente a tantos animais. A maioria das colónias e matilhas são cuidadas por pessoas sem recursos económicos que, sem a ajuda do Projecto, apenas lhes podem fornecer restos de comida.

É por isso que venho pedir a todos que, na medida das vossas possibilidades, contribuam para a alimentação dos nossos protegidos.Precisamos de ração de cão e de gato, e também de latas de comida para administrar a medicação nos pós-operatórios. Uma vez que estes animais estão na maioria das vezes fragilizados pelas dificuldades da vida nas ruas, preferimos que nos seja fornecida ração de qualidade média, ainda que em menor quantidade (alguns exemplos: Friskies, Pedigree, Purina, Catchow e Dogchow, Continente Premium, Brekies, Nutro, Husse, etc.)

Pedimos também ajuda na divulgação dos cartazes que enviamos abaixo e que contêm alguns dos animais que estão neste momento a cargo do Projecto. Apesar do foco do trabalho do Animais de Rua ser a esterilização em massa de animais em risco e não a adopção de animais, não conseguimos ficar indiferentes aos animais dóceis com que nos cruzamos. Como consequência, e uma vez que o Projecto não dispõe de um abrigo, todas as FATs que colaboram connosco estão lotadas de animais à espera de um lar. Grande parte dos recursos do Projecto estão neste momento a ser consumidos na manutenção destes animais.

Vejam aqui outras formas de ajudar:
http://www.animaisderua.org/ajudar

Contactos:
para entrega de ração: zelia.reis@animaisderua.org (pontos de recolha em Lisboa, Porto, Leça do Balio Gaia, Maia, Valongo e Guimarães)
para outra forma de ajuda: geral@animaisderua.org

Agradecemos toda a ajuda que nos possam dar para conseguirmos chegar a um cada vez maior número de animais!

* Poster 1:
http://www.animaisderua.org/files/cartazes/cartaz_01.pdf
* Poster 2:
http://www.animaisderua.org/files/cartazes/cartaz_02.pdf
* Poster 3:
http://www.animaisderua.org/files/cartazes/cartaz_03.pdf

Muito obrigada!

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Operação Sara

Vejam as últimas fotos da Sara, já sem pontos

A Sara é uma cadelinha que teve uma doença terrível que lhe afectou os olhos e estes tiveram de ser retirados. Tenho acompanhado a recuperação, contribuí com o que pude, e agora já posso publicar aqui as últimas fotos. O antes e o depois. Nada disto era possível se não houvesse pessoas que amam os animais. Os animais não são objectos nem brinquedos. São uma responsabilidade, são amigos, são família.
Quem não percebe isto nunca viu os olhos de Deus.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

História de uma pomba



Cheia de esperança, a pomba fez um ninho raso no nicho abrigado do portal de uma antiga igreja da velha parte da cidade. Não tem nome mas apraz-me chamar-lhe Eva. Aí, pôs dois ovinhos e deitou-se em cima, esperando. Durante umas duas semanas, sem exagero, vi a bichinha no seu longo aguardar, sobre os ovos, imóvel, como se fizesse parte da pedra daquele portal de Deus. Desconheço se saía para comer ou beber. Só a via à tarde e à noite.



Contra uma cidade que pune com coimas a tradição de dar milho aos pombos (mas hipócrita preserva a tradição bárbara de tortura ao touro no seu mais recente centro comercial), e que os considera uma praga, que gosta mais das suas estátuas e dos seus carros do que dos seus seres vivos, que os espalma debaixo dos pneus como se não tivessem tripas e crias para alimentar, nesta mesma cidade a corajosa Eva pôs dois ovinhos e esperou.
Não sei o que se passou. Ouvi dizer que a Câmara distribui (ou distrubuía) contraceptivo na comida de pombo para manter a sua população estável (ora aí está uma medida válida e humana). Terá sido por isso que não chocaram?
E os dias passaram e a esperançosa mãe abandonou o ninho. Os ovinhos não chocaram. A natureza não vingou na cidade fria como a pedra velha.
Hoje ali estão (dois, que só vi quando Eva se foi), prova de que o ser humano se tornou tão egoísta que merecia o mesmo destino: a fome, o esmagamento, e por fim a extinção.
Não revelo onde estão por medo de vandalismo. Exterminar tudo por onde passa é a especialidade do ser humano.
Vejam-nos apenas, aos dois ovinhos, pelo testemunho da minha lente. Não minto. Estão mesmo ali. A tentativa perdida de uma mãe como outra qualquer.



Mãe Eva, o teu pleito não está esquecido. Humanos até já tentaram exterminar humanos, e não conseguiram. Nem todos os humanos são menos que animais. Nem todos obedecem às leis desumanas do homem.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Música gótica: um bom exemplo [link actualizado]

Amigos, o Fernando chamou-me à atenção que o link não estava a funcionar. Dantes eu usava o alojamento Tripod para este mesmo fim mas parece que já não permite downloads directos.
Agora já funciona mas só vai estar acessível por 7 dias. Depois disso, podem sempre pedir-me para fazer o upload novamente.
Obrigada Fernando! 

LINK CORRECTO

In your breath
I feel the life
Stolen time
Before the end
In your eyes
I see the light
Fading fast
Like soft stars

In my arms
I hold the night
Forget your fear
I am here
As she grows cold
My thoughts are bright
I hold the night
I hold the night

Bright
It's a better way
How the sun does shine and the children play

Blood on my hands
Dust on my heart
Ash on my head
I'm torn apart

Bright
Here I wish to stay
Now this dream is mine
Night becomes day

"Night and Mourning (edit)", Regenerator, álbum "A Cat-Shaped Hole in my Heart", Projekt, 1999

Depois do último périplo pelas memórias da minha experiência particular no movimento gótico, quis graciosamente o destino que numa noite menos feliz desse por mim a ouvir este tema, não de propósito mas nem de propósito!, porque me fez também pensar "olha aqui está um bom exemplo do que é música gótica se o tivesse de dar".
Não é uma canção conhecida de nenhuma banda antiga ou recente. Também não é um clássico como "Alice" (Sisters of Mercy) ou "Reanimator" (Fields of the Nephilim) ou "Hallow Hills" (Bauhaus), do início dos anos 80. Pelo contrário, por ser um produto de 1999 é que a escolhi, como o delta resultante de muitos rios, não ignorando que qualquer dos clássicos é outro bom exemplo, mas um diamante em bruto, forçosamente em estado mais puro e não depurado dos complexos iniciais dos pioneiros. Esta foi uma das razões porque escolhi este tema em vez de outros, e o resto que me ajudem a explicar as musas.
Antes de mais, esta canção tem uma história. Faz parte do CD "A Cat-Shaped Hole in my Heart", com 14 músicas de vários artistas ligados à cena gótica (alguns de bandas originais, como os Black Tape for a Blue Girl, outros de artistas a solo ou parcerias diversas), um projecto de alerta para a realidade da leucemia felina com as receitas a reverter para um abrigo de animais. Todas as músicas são sobre gatos e a maioria um lamento pelos gatos que desapareceram da vida dos donos. Foi por todas estas razões que comprei o CD. Aliás, aconselharia vivamente a toda a gente que perdeu um animal de estimação mas o site original que está no CD já não existe portanto não tenho o link. Mesmo que não fosse sobre gatos, é um excelente CD.
Em cima está o link para download da música de que vos falo em especial (para ouvir, clicar com o botão direito do rato e fazer "save as"), e na Amazon ainda se pode encontrar o CD de vos falo, AQUI (a capa também é muito gira e o artwork interior idem).
Tal como a maioria das canções, esta fala do sofrimento inconformado do dono perante a morte da sua gata. Em meia dúzia de palavras: a gata morreu, ele lamenta-se, e no seu desespero imagina que a gata está num sítio muito melhor. Nada mais simples.
Vou agora explicar porque é que daria esta canção como exemplo de música gótica.

1) Em termos não muito técnicos (só admissíveis a um músico), o recurso descomplexado a todos os meios electrónicos ao dispor. Não ficaria surpreendida se toda a música tivesse sido composta num sintetizador, da caixa de ritmos ao piano. Não sou especialista mas parece-me que não há aqui nenhuma guitarra (o que é chato porque era apenas o que faltava para um exemplo mais que perfeito, mas não se pode ter tudo). Desde o início, a começar pelo conhecido Doktor Avalanche dos Sisters of Mercy, as bandas góticas nunca desprezaram o sintetizador para compensar a falta de elementos ou produzir o som pretendido sem necessitarem de uma orquestra em palco. Contudo, neste caso, embora não me pareça que exista, podia bem haver uma guitarra real ou digitalizada neste tema. O que interessa é ser facilmente transposto para qualquer palco, com os instrumentos reais ou sintetizados (se bem que para os Fields of the Nephilim pudesse ser um problema transportar um orgão de igreja em digressão). Apenas um instrumento é imprescindível: a voz. Nesta canção há uma voz masculina e uma voz feminina e ambas são fundamentais. A música gótica sempre foi um movimento de cantores e divas, possivelmente e exactamente pela ausência de mais instrumentos "reais". Existem, de facto, instrumentais, e instrumentais fabulosos, mas nada que se aproxime da canção gótica quando a voz está presente. Um exemplo do que digo: o famoso "Bela Lugosi's Dead" é em grande parte instrumental mas é inegável que entre ouvi-lo com ou sem a voz de Peter Murphy, nas suas parcas intervenções, a escolha deve ser bastante clara.

2) O tema. O melhor tema da canção gótica é a morte, seja em sentido literal (como neste caso) ou figurativo (quer a morte interior ou sentimental, quer a decadência individual ou social que anuncia o "fim" de qualquer coisa).

3) A letra. Para começar, o trocadilho (muito apreciado no género e também recentemente utilizado pelos Fields of the Nephilim no seu último álbum "Mourning Sun") entre a palavra "morning" (manhã) e "mourning" (luto). "Night and Mourning" é, portanto, a escuridão do luto e a sugestão da luz. A letra nunca fala de um gato, só diz "she" (ela). Podia tratar-se de um amor, de uma mãe, de uma criança. Sem o background do CD, só sabemos ao certo uma coisa: alguém muito importante morreu e o autor tenta, através do artifício narrativo de uma segunda voz, consolar-se com o pensamento de que para esse alguém uma nova vida começou, uma vida luminosa e para sempre longe da dor humana ("how the sun does shine and the children play"), a verdadeira vida do espírito. Liricamente fácil mas eficaz até às lágrimas. Como dizia acima, também é deste lirismo simples (nalguns apenas casos aparentemente simples) e ao mesmo tempo poderoso de que a música gótica se alimenta.

4) O crescendo épico. Musicalmente não necessita de muita explicação nem é exclusivo da música gótica (Wagner que o diga) mas está presente na maioria dos temas, e também neste.

5) O consolo. Na minha humilde opinião, o que distingue a temática gótica das outras correntes de música depressiva (que as há, desde os velhinhos Doors ao mais recente grunge -- e do emo não posso falar porque não tenho paciência para ouvir) é a consolação através da beleza da forma e do conteúdo. Já o tinha dito aqui uma vez. A música gótica pretende ser agradável apesar dos horror dos temas que aborda, da mesma forma que o ser humano tenta contornar a horrível verdade do cemitério com as mais belas esculturas de anjos. Este consolo, ou consolação, se preferirem, apenas aparentemente é cristão. Já o povo Neanderthal cobria as sepulturas de flores e nem temos a certeza se o povo Neanderthal pertence ao genoma humano (?). Aliás, até os elefantes são conhecidos pelos seus estranhos rituais nos "cemitérios" de ossos dos familiares da manada. De modo que, apesar da resolução deste tema em particular ser bastante místico ("foi para um lugar melhor"), não queria estar aqui a analisar demasiado a pré-história da coisa, apenas salientar que não é forçosamente cristã e basta por agora. Voltando à especificidade da temática gótica, ao contrário de outros estilos (como o metal e o grunge) que deixam um amargo vazio no ouvinte, o gótico, escapista na opinião de uns, místico na opinião de outros, tenta preenchê-lo de beleza não só na forma (a música) mas também no conteúdo (o lirismo com que aborda as realidades mais cruéis, como a morte): "Night becomes day".
E esta canção é um exemplo maravilhoso disto tudo.

Se ouvir mais alguma, para a consolação de nós todos, prometo que partilho.