domingo, 30 de agosto de 2020

The Doors / The Doors: O Mito de uma Geração (1991)


I am the Lizard King
I can do anything


Seria extremamente improvável, senão mesmo impossível, que eu não gostasse deste filme. “The Doors” é quase um video clip do princípio ao fim com todos os grandes êxitos. Podia tudo o resto falhar: actuação, cenários, guarda-roupa, direcção, enredo, que eu continuaria agarrada ao filme enquanto a música tocasse. O que não é o caso. Este filme é um 20 em 20, redondo e garrafal, e, estranhamente, é muito difícil dizer seja o que for do que é perfeito.
Val Kilmer encarnou Jim Morrison tão visceralmente que a certa altura eu me esquecia de que estava a ver um actor, especialmente nas cenas em palco. E o que me deixou de boca aberta: Val Kilmer, ele próprio, cantou no filme (embora algumas vezes se ouvisse mesmo a voz de Jim Morrison). Eu, que gosto dos Doors desde miúda, não conseguiria distinguir a diferença se não soubesse. De facto, até tive de ir pesquisar à net se as canções não tinham sido dobradas. Não foram inteiramente. Uma coisa é interpretar um ídolo da música, outra coisa é cantar como ele a ponto de conseguir “enganar” um fã. Porque é que não deram um Óscar a este homem? Val Kilmer transformou-se em Jim Morrison, da cara ao corpo à voz. Não é esse o pináculo do trabalho de um actor?
Por razão igualmente estranhíssima, perdi o filme quando saiu e só agora o vi pela primeira vez. Deve ter sido daqueles que ficaram na categoria “tenho de ver”, e depois o tempo foi passando e nunca mais me lembrei. É uma razão estranhíssima porque, embora não goste de tudo dos Doors, gosto bastante de algumas canções. “When the music’s over” “toca” na minha cabeça frequentemente. Do que gosto mais até é da sonoridade, inconfundível, que sempre me transportou para lá, para este tempo e para esta geração que não é a minha.
Eram os anos 60, o movimento hippie, e ao mesmo tempo que os Doors conseguiam apelar a essa multidão, toda paz e amor e LSD, chegavam também a uma outra, toda raiva e inconformação e LSD. A geração que buscava abrir as “portas da percepção” para fora de um mundo em que muitos jovens iam morrer para o Vietname, em que a utopia hippie degenerou em cultos sangrentos como os de Charles Manson, em que os Kennedys e Martin Luther King eram assassinados.
Jim Morrison viveu o mantra “sex, drugs and rock’n’roll” até ao limite e pelo mesmo mantra morreu. Aos 27 anos, live fast, die young, sê um cadáver bonito.
Admira-me sempre muito quando os Doors não são apontados como percursores do movimento gótico. Mas alguma vez haveria o movimento gótico sem os Doors? Alguma vez haveria o movimento punk sem os Doors? Led Zeppelin? Quais Led Zepellin sem os Doors? Alguma vez viram Jim Morrison em palco, vestido de negro da cabeça aos pés, de corpo serpenteante, voz poderosa e ganas de partir tudo? Alguma vez leram a sua poesia?
“The Doors” mostrou-me o homem e a banda que eu sempre adivinhei que Jim Morrison e os Doors tivessem sido, das tímidas origens ao estrelato e aos fãs em histeria, ao fim trágico que só podia ter sido aquele. De certa forma, era este o filme que eu tinha na cabeça ainda antes de o ver. Jim Morrison, Pamela Courson e os Doors como sempre os imaginei.

20 em 20. Perfeito.

domingo, 23 de agosto de 2020

Atlantis (2013–2015)


Atlantis” foi escrito pela mesma gente que criou “Merlin” e, para não destoar, é igualmente mau. Menos mau do que “Merlin” pela única razão de que só durou duas temporadas e foi logo cancelado porque a BBC não quis dar mais pão a malucos. Eu pergunto mesmo como é que deixam estas pessoas escrever para a BBC?... Cunhas, só pode. Tanta incompetência não se explica de outra maneira.
Mesmo assim, custa-me perceber como que é coisas destas acontecem (ou alguém as deixa passar) a um nível profissional, numa cadeia de televisão de prestígio. Os problemas começam logo no primeiro episódio. Jasão é um jovem dos nossos dias que se mete num submarino para investigar o local onde o barco do pai dele naufragou. Aparentemente, Jasão tem dúvidas de que o pai esteja morto, ou algo assim, porque só passámos cinco minutos com isto. Quando estava no fundo do mar, uma luz (portal?) suga-o de repente e Jasão acorda numa praia, nu da silva, que já é uma praia de Atlantis. É a Atlântida, mas até me custa chamar Atlântida àquela cidadezinha perfeitamente banal da Antiga Grécia, a lembrar Creta. Imediatamente, Jasão, vindo dos nossos dias, começa a falar perfeitamente Grego Antigo (é inglês, mas vocês percebem o que quero dizer com isto). O que nem é o pior, porque Jasão sente que finalmente chegou a um local que sempre lhe foi familiar e isto podia ter sido explicado de várias formas. Mas não foi. Jasão mete-se logo em apuros e acaba por ser salvo por dois amigos, Hércules e Pitágoras. Hércules, não sei que piada parva quiseram fazer com o Hércules mitológico, é um bêbedo gabarolas (interpretado por Mark Addy, o rei Robert Baratheon da Guerra dos Tronos, mas não o reconheci). Já Pitágoras é mesmo o Pitágoras, esse mesmo, o do Teorema. Ou, pelo menos, no episódio piloto deram a entender que sim, mas parece que também abandonaram essa ideia (?).
Ora, isto é a típica história do homem do futuro que viaja ao passado, não é? Não. Porque nunca –NUNCA– mais se fala do pormenor de que Jasão veio do futuro. Para todos os efeitos, Jasão podia ter chegado a Atlantis vindo de uma vilarota qualquer, da mesma maneira que Merlin chegou a Camelot. Exactamente da mesma maneira. O que aconteceu é que devem ter achado que a premissa do episódio piloto era demasiado ambiciosa e abandonaram-na. É como se nunca tivesse acontecido. É como se esperassem que os espectadores fossem tão imbecis que nunca mais se lembrassem desse “pormenor”. 
Isto não é escrita profissional, nem em televisão nem em lado nenhum. Estas decisões tomam-se antes de o primeiro episódio ir para o ar. Em caso de dúvida, algumas séries até são visionadas por uma audiência beta que testa os primeiros episódios. Os senhores criadores de “Atlantis” decidiram simplesmente passar-nos um atestado de estupidez.
Eu nem sabia que “Atlantis” era dos mesmos autores. À medida que os episódios se foram passando, no entanto, e o facto de Jasão ser do futuro nunca mais ter sido mencionado, e aquilo começar a ser “três amigos vão em aventuras, derrotam os vilões e voltam para casa”, as semelhanças com “Merlin” saltaram à vista. Fui investigar e pronto, lá está, a explicação. “Atlantis” era para ser uma série como “Merlin”, com episódios só para encher até acontecer alguma coisa ao enredo nos últimos episódios da temporada. O que se justificava se a temporada fosse longa, mas são apenas 12 episódios. Não se justifica o encher de chouriços.
Até porque “Atlantis”, ao contrário de “Merlin” no princípio, até tem um enredo. Jasão, personagem que ficou sempre bidimensional do princípio ao fim, é aparentemente o herdeiro legítimo ao trono de Atlantis. Mas o trono está ocupado por um usurpador, o rei Minos, casado com a rainha Pasífae, madrasta da bonita-boazinha-inteligente-corajosa-e-perfeita-em-todos-os-sentidos princesa Ariadne. Pasífae é má como as cobras e quer matar o marido e a enteada para ficar ela no trono. Jasão e Ariadne apaixonam-se um pelo outro.


Os mitos vão com as urtigas, como já tinha acontecido com “Merlin”. Estes autores estão convencidos de que fazem melhor do que os mitos arturianos e gregos. Não me importava de um bocadinho de mistura, de modo a ser Jasão a matar o Minotauro e a apaixonar-se por Ariadne (em vez de Teseu), mas demais é demais. E demais foi mesmo a história de Medusa, que os próprios autores devem ter achado tão estúpida que não sabiam o que fazer com ela. Medusa, aqui em “Atlantis”, era uma mulher normal que trabalhava no palácio. Mas, quando ela abriu a caixa de Pandora, olhou lá para dentro e transformou-se na Górgona Medusa, a tal com serpentes em vez de cabelos.
Pára tudo! Medusa, uma das três irmãs Górgonas? A Caixa de Pandora, de onde vem o mito ocidental que a última coisa a perder é a esperança? O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Pois, não sei, mas os autores da série acharam que era giro trucidar dois mitos da cultura ocidental ao mesmo tempo. Mas estes são os mesmos autores que acharam giro que Jasão viesse dos nossos dias, no primeiro episódio, para abandonarem a ideia logo a seguir. A ideia de Medusa também deve ser resultado de um fim de tarde no pub, todos a beberem pints e a comerem peixe frito. Na altura, se calhar, pareceu-lhes muito original e interessante. Depois de se meterem no buraco, para agravar um pouco mais, a única solução que encontraram foi matar uma personagem que até era simpática e não merecia aquele fim.
A intriga palaciana não chegou, e os autores transformaram Pasífae numa bruxa com poderes iguais aos de Morgana em ”Merlin”. Foi como estar a ver a mesma série mas com outros personagens. Ariadne, igualmente, como Guinevere e Morgana, não é uma princesa qualquer, mas uma princesa que sabe lutar, cozinhar, fazer curativos, e ainda tem jeito para a governação e a política. Podiam tê-la feito ainda um bocadinho mais perfeita? Mais uma temporada e aposto que Ariadne ia desenvolver poderes mágicos também.
Se calhar o aspecto mais interessante dos episódios filler foram as lutas na arena. Desta vez os autores foram atrás do sucesso de “Spartacus” e nem lá faltou o Batiatus, para não termos dúvidas mesmo nenhumas (o actor John Hannah, a quem reconheci imediatamente a cara odiosa de “Spartacus”, mesmo com a maquilhagem de leproso, aqui na personagem de pai de Jasão). Muitas das aventuras dos três amigos (e de Medusa e Ariadne) eram desculpas para termos Jasão a lutar em jogos vários, na arena, de vida ou de morte. E houve morte, houve sim senhor, e, honra lhe seja feita, em “Atlantis”, como não acontecia em”Merlin”, até temos sangue nas espadas (quando a produção não se esquecia de o pôr lá). Até temos a aparição do Touro de Bronze, uma das formas de execução mais cruéis e horripilantes de que tenho conhecimento. Havia aqui muito a explorar, muito mesmo. Acima de tudo, havia a explorar o desaparecimento da Atlântida, que devia ter sido o enredo final numa série chamada Atlantis… mas não chegámos lá.
Duas temporadas e o enredo continuou em passo de caracol no meio do filler, com muitos sub-plots que não adiantavam nada ao avanço da história, exactamente à “Merlin”, um passo para a frente e dois para trás e tudo na mesma. No final da segunda temporada, que eu já sabia que ia ser a última, pensei que finalmente ia ver o fim da história. Qual não foi a minha surpresa quando percebi que os autores estavam a pensar na renovação, que só agora é que iam pôr o Jasão e os argonautas em busca do Tosão de Ouro! Tiveram tanto tempo. Mas quiseram fazer render o peixe. Desta vez a BBC, ou as audiências, fartaram-se. Acabou mesmo assim, a meio da história. Não considero isto um spoiler porque nunca houve fim para contar. Enfim, mais uma série mal feita e frustrante.
Notei uma ligeira diferença em relação a “Merlin”, mesmo assim. Se “Merlin” andou sempre num registo infanto-juvenil (até ao fim, que foi emocionalmente brutal), “Atlantis” correu mais riscos. Tanto a nível de violência (as passagens com o Touro de Bronze, embora nunca tenha sido usado, foram de facto arrepiantes) como de outro teor. Nos últimos episódios, Pitágoras e Ícaro apaixonam-se. Isso mesmo, o génio e o mito. Até temos um beijo nos lábios, o primeiro beijo nos lábios entre dois homens que vi numa série com este registo juvenil. Não julguei que eles fossem lá, mas parece que os tempo já o permitem. Foi interessante, admito, mas questiono a intenção. Aquela paixão apareceu ali muito depressa, como algo de desesperado para dar interesse à série e pôr as pessoas a falar –e aqui estou eu, a falar da série– mais do que para abordar a homossexualidade. Ou seja, o que podia ter sido bastante inovador pareceu-me mais um sub-plot de encher chouriços enquanto o verdadeiro enredo não se desenredava.
Ícaro chegou à série através do inventor Dédalo, seu pai, e também não esperava que fizessem mesmo a passagem das asas de cera. Ora cá está, a prova de que os mitos não duram milhares de anos se não forem mesmo bons mitos. Por uma vez, os autores seguiram o mito e até tivemos um momento de humor genuíno, graças talvez ao actor Robert Lindsay (Dédalo), que muitos se recordarão da série cómica “A minha família”. Dédalo avisa o filho de que as asas de cera podem derreter ao sol, mas desta vez Ícaro não voa de encontro ao sol, porque, “pai, é de noite”. Gostei, foi giro, e uma abordagem ao clássico que não assassinou o mito como no caso de Medusa. Isto sim, é uma boa adaptação com uma reviravolta inesperada.
Então, se “Merlin” durou cinco longas, aborrecidas, excruciantes temporadas, o que é que aconteceu aqui que a BBC cancelou mesmo a meio? Não tenho a certeza. Terá “Atlantis” sido cancelado porque foi longe demais ao pisar o risco do sexo e da violência no que se pretendia uma série infanto-juvenil, ou, pelo contrário, porque não foi suficientemente longe? Ou porque nunca conseguiu decidir, como o seu antecessor “Merlin”, o que é que queria ser, o que é que queria fazer e a quem se destinava? Ou uma mistura disto tudo?
O grande mistério, para mim, foi o simples facto de as duas séries, na sua totalidade, terem sido exibidas durante sete temporadas antes que alguém se apercebesse da incompetência por detrás delas.
Não recomendo isto a ninguém, excepto talvez os dois últimos episódios, os do beijo e das asas de cera, e em que Pasífae ressuscita dos mortos. Que foi o mesmo que já disse de “Merlin”, só os últimos episódios é que se salvam.

domingo, 16 de agosto de 2020

Spides


Não consigo perceber o que é que na sinopse me levou a ver esta série, mas acho que foi a palavra “droga”. Qualquer coisa sobre um polícia a investigar uma nova droga chamada Blis. Não ajuda muito a captar a atenção do público alvo. “Spides” é a história de uma invasão extraterrestre em que a tal droga permite aos alienígenas apoderarem-se das pessoas e transformá-las em autómatos sem vontade, ou melhor, em zangões de uma colmeia em que o propósito é servir o invasor extraterrestre, uma espécie de insecto. Como se diz a certa altura, “seremos todos um só”.
A ideia não é nova, mas o enredo chega lá de forma diferente, através do tal polícia que começa a investigar uma série de homicídios e raptos relacionados com a tal droga. Alguém chamou à série um policial de ficção científica, e não posso discordar.
Sem saber muito bem o que ia ver, e tendo em conta que “Spides” passou no canal Syfy, a primeira cena deu-me logo vontade de desistir. Pensei que ia ser uma daquelas séries de ficção científica típicas do canal Syfy, com muitos monstros, muitas naves espaciais, muitos cenários extraterrestres, muitos efeitos especiais manhosos, muito cliché e nenhuma substância. Felizmente não sou de desistir facilmente. Mesmo assim, demorou-me uns dois ou três episódios para ficar investida na história e nos personagens. Os personagens são mesmo o grande calcanhar de Aquiles desta série. Nota-se que houve algum esforço para os desenvolver, mas não chegou. São todos clichés bidimensionais, desde a protagonista Young Adult que é muito boazinha e muito corajosa, até ao polícia do departamento de Estupefacientes que perdeu o parceiro e está em risco de tornar-se alcoólico e também drogado, até aos vilões que não podiam ser 100% mais vilões, até à melhor amiga que é mesmo isso e apenas isso, a melhor amiga. Em “Spides” só os vilões ou criminosos é que fumam, e fumam mal, ainda por cima, sempre com um véu de fumo à frente dos olhos para mostrar que fumam e que são vilões.
O curioso é que apesar disto tudo a história começou a cativar-me e dei por mim a ficar cada vez mais interessada de episódio para episódio. A todo o momento esperava que se abrisse um plot hole do tamanho de uma cratera, mas o enredo aguentou-se. O que parecia irrealista num episódio acabava por ser explicado no seguinte. É um daqueles casos em que a paciência é recompensada. Cada episódio me fazia confiar mais na série e deixar-me conduzir para onde o enredo me queria levar sem me ralar muito com os personagens bidimensionais. Afinal, quanto aos personagens bidimensionais, já vi muito, muito pior.
Mas havia algo nesta série que não parecia bater certo. “Spides” passa-se em Berlim e tem qualquer coisa de cheirinho a produção europeia, mas é falado em inglês. Segundo o IMDB, a série foi efectivamente escrita em alemão, mas foi rejeitada e tiveram de a traduzir para a venderem à NBC. Ora, eu acho que se calhar esta série fazia mais sentido em alemão, até para se perceber logo que não ia ser uma série completamente à Hollywood. Se calhar os diálogos até melhoravam porque, a juntar às personagens bidimensionais, os diálogos soam um bocado aos clichés adolescentes de “Os diários do vampiro”. Faltava aqui mais peso, mais profundidade. Não muito, só mais um bocadinho. Uma coisa menos óbvia, ainda mais europeia, só aqui ficava bem a fazer companhia ao cenário de Berlim.
Mesmo assim, nota-se que é um produto europeu na medida em que pisa certos riscos que nunca passariam em Hollywood. Como aquela cena do gajo a ver pornografia com o papel higiénico na mão. Tendo em conta o público alvo jovem e a ligeireza da série, até estou embasbacada que a NBC não tenha censurado. Se calhar não viram ou não perceberam.
“Spides” é daquelas coisas que se vêem bem sem esperar demais, uma série que quis ser ambiciosa mas que soube moderar a ambição para nunca dar passos maiores do que a perna.
Não vou dizer nada sobre o fim, mas parece-me que o objectivo era continuar por mais temporadas. O IMDB não é claro quanto a se a série foi renovada ou se está em aberto, mas admito que até via a continuação. Sempre conseguiram fazer-me interessar pelas personagens. Mas se acabar assim também não acaba mal e não nos deixa aquela sensação de série incompleta. Recomendo, sem grandes expectativas.


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Crítica ao conto "Solstício", de D. D. Maio - por book.serotonin (Instagram)







✨ Opinião: "Solstício" de D. D. Maio ✨ Olá livrólicos! Como estão? Aqui temos mais uma opinião, desta vez trata-se de mais um conto de autora portuguesa D. D. Maio. Este é um conto maravilhoso que nos abre portas a uma reflexão incrível e simplesmente nos deixa viajar pelos tempos de conflito entre crenças e a falta de empatia com o próximo, ao ponto que a vida é mais insignificante que aquilo em que se acredita. Neste conto vemos Eric a sair da pele de imperador para a pele de homem apaixonado, "saiu" da sua crença sem a deixar, respeitando a crença dos que o rodeiam nesta aventura, apesar de inicialmente não as compreender. Ainda marcado pela sua infância, este não deixa que o seu filho passe pelo mesmo, sendo um pai carinho e atento. Eric luta contra preconceitos, luta pelo amor que lhe faz brilhar o olhar. Só nestes pequenos pontos que mencionei é uma personagem incrível, tal como a mulher que ama, também ela é especial. Em pouco mais de 20 mil palavras apaixonei-me pelas personagens, pelo ambiente em que vivem. Senti-me lá por momentos e tal como Eric - senti-me menos só. Aconselho este conto por tantos motivos que já mencionei, é todo um conto cheio de significados. Para mim é difícil entender a realidade de antigamente, e que actualmente dessa e de outras formas ainda persiste, a realidade da intolerância. ✨ Se quiserem adquirir o livro está à venda no site da @bubokpt e também lá encontram o ebook gratuito! 💖 . . . . . . . . . . . . . . #bookserotonin #opiniaoliteraria #review #opinião #bookreview #conto #contos #solstício #ddmaio #booklover #bookishreview #portugueseliterature #portugueseauthor #autoresportugueses #literaturaportuguesa #bubok #bubokpt
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domingo, 9 de agosto de 2020

Beyond (2016–2018)

 

“Beyond” é daquelas séries de que eu não esperava muito, mas admito que esperava que ao menos fizesse sentido. Um rapaz é apanhado num bosque por uma luz intensa e branca (que nos leva logo a pensar em extraterrestres) e fica num coma de que só acorda doze anos depois. Estranhamente, durante esses doze anos os músculos não atrofiaram e não se notam sequelas neurológicas. É como se ele tivesse acordado de uma soneca. Os médicos não conseguem explicar mas os pais estão radiantes. Parece interessante, não parece? E até é, até o mistério começar a ser “explicado”.
Este é daqueles casos em que não sei se os escritores sabiam como a história ia acabar quando começaram a escrever, ou se foram improvisando por ali fora, à “Lost”. Inclino-me mais para esta última hipótese porque de facto a série tem um cheirinho a “Lost”: em todos os episódios aparece mais um mistério, e mais um, e outro, e os episódios vão-se acumulando sem que nada seja devidamente explicado. Até era melhor que não fosse, porque quando há tentativas de explicação a coisa descamba muito.
Parece que, durante o coma, a consciência de Holden (o tal rapaz) foi para um plano de existência diferente a que a série chama O Reino, uma espécie de mundo de Fantasia com templos de abrigo e espectros maléficos. Afinal aquilo da luz branca era só para enganar, não eram encontros imediatos nem Ficheiros Secretos. E até seria fácil de compreender se eles tivessem mantido a versão de Fantasia de O Reino, mas depois meteram água. Quiseram complicar e meter religião à mistura, e afinal O Reino é o Além, a vida depois da morte. Ora, não é que me importasse que o Além fosse uma espécie de Senhor dos Anéis com espectros e super-heróis e cenários de Fantasia, mas não me parece.
E depois havia este outro personagem misterioso que também estava em coma e que dizia a Holden, telepaticamente, para voltar ao Reino e fazer qualquer coisa que nunca se percebeu muito bem, e o Holden até fez isso no final da primeira temporada, mas na segunda temporada parece que afinal ele ainda fez pior e agora os espectros maléficos do Além estão a passar para o nosso mundo para o destruir. Sim, estamos mesmo a falar do Além religioso, afinal não é um mundo de Fantasia, e os espectros não sei o que são, perguntem à série, mas acho que a série também não sabe.
É difícil explicar até que ponto o enredo sobrenatural é mau, medíocre. É preciso ver para crer. Porque em “Lost”, pelo menos, os autores conseguiram manter-nos agarrados temporada após temporada (e eu devo ter sido a única pessoa que gostou do fim), mas aqui a coisa descambou logo passados cinco ou seis episódios.
Do que é que eu gostei nesta série? Exactamente tudo o que não devia ser o mais importante numa série de sobrenatural. Afinal o grande forte de “Beyond” são as personagens e as relações entre elas. Logo no começo, quando Holden acorda, encontra toda a família feliz e unida de que se lembra dos seus tempos de infância. Mas um ou dois episódios mais tarde sabe-se que afinal os pais dele já nem estão juntos, há muitos anos, que o coma do filho acabou por levá-los à separação, que toda aquela cena familiar era uma encenação para que Holden não sofresse um grande choque. O amor dos pais pelo filho que acordou do coma, a ponto de fingirem que nunca se separaram e que nada mudou, é muito humano e algo que nos comove. Holden tem um irmão mais novo, Luke, que era uma criança quando Holden ficou em coma, mas agora é Luke quem tem de ensinar ao irmão mais velho tudo aquilo que ele não aprendeu durante a adolescência. Pode não ser muito original, mas é sempre interessante de ver. E é assim que eles nos agarram nesta série, estratégia telenovela. Mas a parte sobrenatural era efectivamente tão má que a certas alturas preferi que se esquecessem dela e se ficassem pelo drama familiar do rapaz que acorda do coma e tem de se adaptar a um mundo que já não conhece.
Mas a série lá vai cavando buracos onde se enterrar, de buraco em buraco até ao buraco final. Não fiquei surpreendida quando foi cancelada depois da segunda temporada. Fiquei surpreendida por ter sido renovada depois daquela parvoeira do Além e dos espectros maléficos tipo Senhor dos Anéis. No momento em que escrevo esta crítica ainda não vi o último episódio mas já estou a adivinhar que nada disto vai ser resolvido e que os autores da série julgam que vão conseguir renovar mais algumas temporadas se o último episódio acabar noutro mistério por explicar. Se estiver enganada, tenho de escrever um fim diferente para esta crítica. Se tiver razão, volto aqui e acrescento “eu não dizia?”.

Eu não dizia?
Fui procurar à net e encontrei uma curiosidade. “Beyond” foi cancelada pelo canal Freeform que nessa mesma semana decidiu apostar antes em “Siren”. Uma excelente aposta, na minha opinião, e um upgrade de vários níveis acima de “Beyond”.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Patrícia Morais divulga método para escrever um livro em dois meses

Tenho um segredo. Sei que uma certa escritora está a trabalhar na terceira parte da série iniciada em “Sombras” e “Chamas”.
Mas já tive oportunidade de ler um conto de Patrícia Morais, “The Roommate”, e fiquei muito curiosa. Embora o género principal seja o Young Adult, que como sabem não é o meu preferido, a história tem bastante de Sobrenatural/Terror light para me agarrar do princípio ao fim. Do que percebi de “The Roommate” e das outras sinopses, mas também não quero saber mais para não estragar a surpresa, existe uma organização de caçadores de demónios e bruxas (maléficas). Pareceu-me, no bom sentido, sentir influências de “Sobrenatural” e “Harry Potter”, com um ambiente a lembrar “Os Diários do Vampiro”. O conto que eu li promete, e estou à espera do “terceiro capítulo” da série principal para começar a puxar o fio à meada.

Como escrever um livro em dois meses
Para celebrar os 2000 seguidores no Instagram, Patrícia Morais está a fazer um live a revelar o método que utiliza para escrever o primeiro rascunho de livros de ficção. O live já começou, mas basta perguntar à autora e há maneira de acompanhar do princípio.
Parafraseando a Patrícia, eis aqui uma ideia para quem sempre quis escrever uma história e não sabe como começar. Já conheço o método (versões dele) e é utilizado por muitos escritores prolíferos.

Sociedade Autores Portugueses
A Patrícia Morais também andou a fazer uma coisa que eu acho imensamente meritória, traduzir dicas de escrita para português, algo que faz tanta falta por cá. Antes de encontrar as dicas dela, eu tive de as ler em inglês.
Recomendo a todos os interessados nestas coisas da escrita que subscrevam a newsletter da Sociedade Escritores Portugueses para irem recebendo as dicas, as publicações de novos autores em português, e outras informações interessantes. A newsletter é muito fácil de subscrever, basta adicionar o nosso email no formulário no fim desta página: Recursos para escritores
Aproveito para divulgar a Sociedade Autores Portugueses em geral, que tem muito para explorar. Destaco uma série de bloggers interessados em fazer beta reading e/ou críticas.

Livros
Para além destas coisas todas a Patrícia Morais ainda arranja tempo de escrever histórias! A lista completa está na página da autora, mas destaco os dois primeiros livros da série iniciada com “Sombras”, a tal de que falei no início do post:

“Sombras”

Lilly Ashton não podia imaginar vida mais perfeita que a sua, até à terrível noite em que tudo mudou.
A única maneira que encontra para sobreviver à tragédia é fazer o que sempre desejou: ser impulsiva.
Afasta-se de tudo e todos quando se muda para Jillian e decide estudar Folclore e Mitologia, mas depressa se encontra numa corrida para salvar a própria vida, ao descobrir que os monstros que se escondem debaixo da cama existem mesmo.
Para garantir a sua sobrevivência, junta-se a Diabolus Venator, a organização de caçadores de demónios daquela pequena cidade, onde conhece Liam, o misterioso jovem que a enfurece e surpreende todos os dias. Mas nem todos os que lutam com ela têm o mesmo objetivo, e o perigo que enfrenta pode ser maior junto dos que a rodeiam do que na batalha contra os demónios. Num mundo onde as lendas são reais, em quem poderá Lilly confiar?

“Chamas”

Diabolus Venator acaba de vencer uma importante batalha – a guerra está, porém, longe de ter terminado. Lilly e Liam são agora perseguidos por Claudius, sedento de vingança após a morte da mulher.
Louis tenta manter Lilly a salvo do irmão, mas um acidente faz com que reencontre alguns dos seus demónios, ao mesmo tempo que os sentimentos por Lilly se tornam mais intensos.
Enquanto é confrontada com monstros do seu passado e descobertas sobre quem verdadeiramente é, Lilly vê-se obrigada a escolher entre a amizade e o amor. Conseguirá ela salvar quem realmente importa?