terça-feira, 21 de julho de 2026

E mais outro post abre-olhos, 100% IA, para os mais distraídos ficarem a conhecer o padrão 👇

Porque em menos de meia hora (o tempo de fazer a prompt) gerei logo meia dúzia deste género e podia ter gerado mais. Depois é só postar e receber elogios pela grande criatividade. 😂


O estranho caso dos génios que florescem à velocidade da fibra óptica

Há dias em que penso seriamente em desistir de escrever.

Não porque me faltem ideias.

Porque me sobram concorrentes... que nunca ficam sem elas.

Antigamente um escritor demorava anos a encontrar uma voz própria.

Hoje basta encontrar um bom prompt.

É uma evolução extraordinária.

Ou, se preferirem, um milagre.

✨ Todos os dias aparece mais um pensador.

📚 Todos os dias aparece mais um filósofo.

🧠 Todos os dias aparece mais um especialista em absolutamente tudo.

Na segunda-feira escreve sobre o Império Romano.

Na terça explica porque é que os polvos são um exemplo de inteligência emocional.

Na quarta estabelece uma ligação entre Mozart, os buracos negros e a fermentação natural do pão.

Na quinta conta uma história emocionante passada consigo próprio... que nunca aconteceu.

Na sexta publica uma fotografia da chávena de café.

Porque ninguém acredita num sábio sem café.

E tudo isto... sem um único erro ortográfico.

Nunca.

Nem uma vírgula perdida.

Nem um acordo verbal maroto.

Nem uma frase que denuncie que o cérebro resolveu tirar cinco minutos para respirar.

Eu escrevo.

Eles publicam.

Há uma diferença.

Quando escrevo, apago frases.

Troco palavras.

Mudo parágrafos de sítio.

Às vezes passo meia hora a decidir entre um ponto final e um ponto e vírgula.

Eles acordam às oito.

Às oito e três já descobriram que a felicidade funciona exactamente como a migração das borboletas-monarca, tal como demonstram estudos recentes, a filosofia estoica e uma curiosidade fascinante sobre os cavalos-marinhos.

Não é apenas criatividade, é um safari enciclopédico.

Os textos seguem sempre a mesma receita.

Começam com uma pergunta existencial.

"Já alguma vez paraste para pensar..."

Claro.

Quem nunca interrompeu o jantar para reflectir sobre a relação entre o ADN humano e o crescimento dos bambus?

Depois surgem três referências culturais.

Obrigatoriamente três.

Um filósofo grego.

Um cientista famoso.

Um imperador romano.

Se der para encaixar Leonardo da Vinci, Einstein e Marco Aurélio no mesmo parágrafo, melhor ainda.

Se não houver qualquer relação entre eles...

Melhor ainda.

Depois entra a analogia.

Porque uma ideia simples nunca pode ser apenas uma ideia simples.

Não.

A procrastinação é como uma torradeira que sonha ser submarino.

A empatia é semelhante a um farol vegetariano durante uma tempestade magnética.

A disciplina lembra uma girafa a jogar snooker na Estação Espacial Internacional.

Não faz sentido?

Precisamente.

É isso que lhe dá profundidade.

Segue-se o momento autobiográfico.

"Recordo-me de quando liderei uma equipa multicultural..."

"Durante uma viagem transformadora pelo Nepal..."

"Um velho jardineiro japonês disse-me uma frase que mudou a minha vida..."

Curiosamente, estas pessoas têm mais experiências marcantes do que o Indiana Jones.

Eu, pelo contrário, a última conversa memorável que tive foi com a funcionária do supermercado sobre a falta de troco.

Depois chega o golpe final.

💡 Não é apenas um texto.

É uma experiência.

❤️ Não é apenas uma reflexão.

É um convite à transformação.

🚀 Não é apenas um pensamento.

É um movimento.

E lá aparecem centenas de comentários.

"Que privilégio poder ler-te."

"Devias dar palestras."

"Cada palavra é uma lição."

Não.

Cada palavra é uma previsão estatística.

Há uma pequena diferença.

O que me incomoda não é a Inteligência Artificial.

É a inteligência artificial... do autor.

Usar IA não faz de ninguém um impostor.

Fingir que não a usou já é outra conversa.

É como ganhar um rali enquanto o carro conduz sozinho.

É como receber um prémio de fotografia por uma imagem comprada num banco de imagens.

É como subir ao palco para agradecer uma música... depois de ligar o rádio.

E ainda fazer um discurso sobre o enorme sacrifício criativo.

Assumam.

Digam simplesmente:

"Usei IA para escrever este texto."

Ninguém morre.

Aliás, talvez até ganhem respeito.

Porque a honestidade continua a ser uma tecnologia que ainda não ficou obsoleta.

Entretanto, eu continuo aqui.

A escrever devagar.

A trocar palavras.

A cortar adjectivos.

A discutir comigo próprio.

A deixar escapar uma gralha de vez em quando.

A fazer aquilo que os escritores sempre fizeram.

Escrever.

Sem polvos.

Sem buracos negros.

Sem Einstein.

Sem um monge tibetano que, por uma coincidência extraordinária, me ensinou o verdadeiro significado da liderança enquanto observávamos o voo sincronizado de estorninhos ao pôr do sol.

Embora... reconheço...

Dava um excelente post no Facebook. *

* E vai dar mesmo, ChatGPT, obrigadinha.

domingo, 19 de julho de 2026

Wednesday [segunda temporada] (2022 - ?)


O que nós aprendemos na segunda temporada de "Wednesday":

1. Wednesday é literalmente alérgica à cor, não era exagero
2. Os Addams são ricos porque comem ratos, insectos e outras coisas nojentas; sempre é dinheiro que poupam no supermercado
3. Os Párias não são secretos, são conhecidos pelos Normais (mas admito que se calhar fui eu que estava distraída na primeira temporada)
4 Morticia é uma autora de literatura romântica/soft porn (grande Morticia, é preciso coragem para escrever coisas dessas)

"A mais feliz das vidas é uma solidão atarefada", do filósofo Voltaire, é um lema para Wednesday, e até resultava melhor se ela não gostasse tanto de se meter em sarilhos. Quando Wednesday regressa a Nevermore para o segundo ano lectivo, problemas novos e antigos não lhe vão dar paz. Mas, na verdade, é mesmo isso que ela quer. Uma vida sem sarilhos é muito aborrecida para qualquer adolescente, e Wednesday nem sequer é uma adolescente qualquer.
Já ia no segundo visionamento quando me apercebi de que não retive nada do enredo. É difícil prestar atenção à história quando Morticia está a comer bolachas cobertas de aranhas (?) vivas. A série é uma tal festa para os olhos, um tal espectáculo de Tim Burton, que o enredo até distrai. Pode dizer-se que esta segunda temporada tem três sub-enredos, e um deles, se calhar o menos provável, vai ganhando predominância até se revelar o principal. 
Entretanto, Wednesday perde os poderes mediúnicos por abusar deles. Em contrapartida, ganha uma aliada na sua ex-stalker Agnes, outra aluna de Nevermore que idolatra Wednesday e que tem o poder da invisibilidade. Mas a relação de Wednesday e Enid está periclitante. Numa das suas últimas premonições, Wednesday pressagia a morte de Enid, o que a leva a deixar a amiga lupina fora dos seus planos. Sem saber que a sua vida está em risco, e descontente com a dinâmica que se estabelece entre Wednesday e Agnes, Enid sente-se compreensivelmente posta de lado. 
A nível da evolução das personagens principais, contudo, o sub-enredo mais dramático é a aproximação entre Ajax e Bianca quando esta enfrenta uma crise familiar. As coisas nunca se tornam românticas, até porque Bianca está com demasiados problemas para pensar nisso, mas seria bonito se esta amizade desinteressada se transformasse em algo mais no futuro.
A Mão (Thing) continua a ser um personagem preferido de muita gente, eu inclusive. Como é que é possível, como?, transmitir-se tanta personalidade num "ser" que não passa de uma mão? Adorei a cena em que a Mão e outras partes de corpos têm uma reunião do tipo Partes-de-Corpos Anónimos. Estão lá, do que eu percebi, duas mãos, duas pernas, um pé, um braço, dois olhinhos e uma orelha, todos com personalidades bem perceptíveis. A sério, quem é que consegue prestar atenção ao enredo, e até aos diálogos, quando os dois olhinhos e a orelha batem palmas? Os nossos olhinhos e orelhas também batem palmas ao festim visual e auditivo que nos é servido.
Que mais? Adorei tudo do Pilgrim World, adorei Morticia a alimentar plantas carnívoras, adorei Catherine Zeta-Jones como Morticia (na minha opinião a melhor Morticia de sempre), adorei o zombie que se vai regenerando à medida que come cérebros, adorei o romance entre Fester e Louise da cantina, adorei Lady Gaga como Raven, adorei Gwendoline Christie como Larissa Weems e Christina Ricci como Marilyn Thornhill. Nesta segunda temporada passamos muito mais tempo com a família Addams inteira, o que algumas pessoas não apreciaram porque a série centra-se em Wednesday, mas eu não me importei nada.
E depois há as danças. Vou cometer um spoiler. Se virem por aí uma Wednesday estranhamente colorida e efusiva a dançar, não é Wednesday. Num dos melhores episódios da série, Wednesday e Enid trocam involuntariamente de corpo. Ambas as actrizes dão um show a interpretar-se uma à outra. Até a voz conseguem adaptar de tal maneira que muita gente (e eu) pensou que tivesse havido dobragem, mas nem foi preciso.
Noutro episódio, Enid tem uma coreografia de dança em dueto com Agnes, a rapariga invisível, mas desta já não gostei tanto porque não vi metade. (Perceberam a chalaça? Não vi metade porque ela é invisível. Ehm... Avançando.)
No meio deste desvario absoluto, às vezes a série perde a noção da realidade. Como no caso em que o Hyde pega em Marilyn Thornhill (que é humana) pelo pescoço, eleva-a do chão e atira-a contra uma parede como se fosse uma boneca de borracha, e não há sequer uma costela partida. Isto é coisa de desenhos animados que na minha opinião não devia ter aqui lugar. Noutros casos, sacrifica-se a credibilidade, como quando Agnes vê Wednesday ser enterrada viva no bosque, vai a correr até à escola pedir ajuda a Enid, e nenhuma delas se lembra de levar uma pá ou qualquer ferramenta. E para quê? Para que Enid tenha de se transformar nesse momento dramático em que salva a amiga.
Mas pergunto, alguém reparou nisto sequer? Duvido, e duvido que alguém se importe. A série pode fazer tudo o que lhe apetece entre o realismo, o desenho animado e a fantasia porque "Wednesday" é um clássico instantâneo e estou convencida de que o será para sempre enquanto existir televisão.

ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 2 ou 3 vezes, e ninguém vai escapar a ver isto na internet 

PARA QUEM GOSTA DE: A Família Addams, Young Adult, Fantasia


quarta-feira, 15 de julho de 2026

Verdadeiro ou falso: quem escreveu esta crónica, eu ou a Inteligência Artificial? (resposta no fim do texto)

Crónica de uma sala de aula (virtualmente) destruída: o "milagre" da sexta-feira

Dizem que o inferno são os outros. Pois desenganem-se: o inferno tem nome, apelido e uma plataforma digital que teima em carregar apenas até aos 99%.

Estou aqui, sentada à frente desta luz azul, com as pálpebras a pesarem mais que o orçamento da educação, a tentar corrigir exames nacionais. Ou melhor, a tentar acceder aos exames. A cada clique, um erro 404, um "servidor em baixo" ou aquela roda colorida e hipnótica que gira, gira e gira, como se estivesse a ironizar a minha sanidade mental.

O nosso Ministro, o Senhor Fernando Alexandre, lá apareceu hoje com aquele ar sereno de quem nunca teve de lidar com um "sistema indisponível" numa véspera de prazo. Garante, com a convicção de quem lê guiões de ficção científica, que o processo está "praticamente concluído". É curioso como o conceito de "praticamente" se expandiu para englobar um caos administrativo que faria corar um amador de informática. Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira... os dias passam e a promessa de afixação das pautas na sexta-feira mantém-se inabalável, quase como um dogma de fé.

Será o senhor Ministro um vidente? Ou terá ele acesso a uma plataforma mágica, escondida algures na gaveta da Secretaria de Estado, onde os exames se corrigem sozinhos, por telepatia ministerial?

Do lado de cá da barricada, a realidade é menos idílica. Professores em colapso nervoso, pais a ligarem-me a horas que o bom senso proíbe — e com razão, porque o futuro dos miúdos parece ter sido entregue a um estagiário com um servidor de plástico — e alunos num estado de ansiedade que nem a medicina do século passado resolveria.

Este Governo da AD, que tanto prometeu a "mudança" e a "eficiência", parece ter encontrado a sua especialidade: a digitalização analógica. Conseguiu o feito notável de transformar o exame nacional — um momento de seriedade e rigor — num episódio de uma série de comédia de erros, onde o protagonista é um código de erro que ninguém sabe explicar. É a governação feita de "slides" bonitos e conferências de imprensa onde a palavra "estabilidade" é repetida até à exaustão, enquanto, na prática, o que temos é um sistema que colapsa à primeira brisa de carga computacional.

O Ministro garante a sexta-feira. Eu garanto que, se a pauta aparecer, será por milagre ou porque algum colega, num surto de heroísmo, se esqueceu de dormir, de comer e de ter vida própria para tapar os buracos deixados pela "modernização" deste ministério.

No fim, a culpa nunca é da estrutura. É do servidor. É da rede. É da nuvem. O que é curioso, porque quando os exames falham, os professores continuam a ser a face visível de uma incompetência que habita algures em gabinetes climatizados.

Vou tentar mais uma vez. Carregar na tecla 'F5'. Ou talvez a tecla 'Escape' seja a única que realmente funciona nesta nossa educação moderna. Se não houver pautas na sexta-feira, espero que o Senhor Ministro, pelo menos, nos envie um emoji de consolação. É esse o nível de seriedade a que chegámos.

 

Resposta: Sim, a IA também escreve textos satíricos baseados na actualidade, com crítica política, da perspectiva de uma personagem realista. Parabéns a quem acertou.
Escolhi este tema porque queria fazer a experiência com um assunto "quente" na comunicação social. O Gemini saiu-me um grande escritor.

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

Mais um post abre-olhos, 100% IA, para reconheceres o padrão e não seres engrupido nas redes sociais

Querido Génio das Redes Sociais,

Parabéns. De coração. Com confettis e tudo.

Ontem li o teu post. Aquele sobre resiliência — ou foi sobre liderança? Ou sobre o universo? Ah, já me lembro: era sobre tudo ao mesmo tempo, como só os verdadeiros polímatas conseguem fazer.

E eu, humilde mortal, fiquei ali sentado com o meu café a arrefecer, a pensar: como é que este homem sabe tanto?

Deixa-me adivinhar como o teu processo criativo funciona.

Acordas. Inspiras fundo. Abres o ChatGPT (ou o Claude, ou o Gemini — escolhe o teu veneno). Escreves: "Escreve um post motivacional sobre superar obstáculos, com referências científicas, emojis, frases curtas e um tom inspirador."

E voilà.

Em 11 segundos tens Aristóteles, neurociência, e uma analogia sobre borboletas.

O resultado? Qualquer coisa assim:

🧠 O cérebro humano processa 11 milhões de bits por segundo — mas só tem consciência de 40.

📌 Pensa nisso.

🌊 Não és a tempestade. És o oceano.

💡 Não é apenas falhares. É aprenderes a cair com elegância — como os astronautas da NASA que treinam durante anos para flutuar no vácuo sem entrar em pânico.

E depois vem a parte pessoal, claro. Porque a IA sabe que tens de humanizar:

"Lembro-me de quando, há uns anos, estava numa encruzilhada profissional — tudo parecia incerto. Foi nesse momento que percebi três coisas fundamentais: a persistência, a clareza de propósito, e a coragem de recomeçar."

Que momento tocante. Que autenticidade. Que coincidência que seja exactamente o que a IA escreve quando lhe pedes para "adicionar uma experiência pessoal verosímil".

Mas o melhor — o verdadeiro chefe de obra — são os comentários.

"Que texto poderoso, obrigada por partilhares!"
"Isto chegou-me ao coração, precisava mesmo de ler isto hoje."
"Uau, que profundidade. Segui-te já!"

E tu respondes — provavelmente também com IA — "Obrigado! É sempre gratificante quando as palavras tocam alguém 🙏✨"

Toca. Toca mesmo. Como um raio numa torre de alta tensão — muito barulho, muita luz, e no fim não ficou nada.

Entretanto, eu. O autor de carne e osso.

Passo três horas a escrever um texto. Apago. Reescrevo. Discuto comigo mesmo se "todavia" soa demasiado formal. Procuro a palavra certa como quem procura chaves dentro de um sofá — de joelhos, com a mão encravada, sem garantia de resultado.

No fim publico.

Doze likes. Dois dos quais são da minha mãe e de um primo que provavelmente carregou sem querer.

Tu, entretanto, és convidado para podcasts.

"Como é que desenvolves uma voz tão autêntica?" — pergunta o entrevistador, visivelmente emocionado.

"Ah, é muito trabalho, muita leitura, muita vivência..." — respondes tu, com a serenidade de quem acabou de fazer um prompt de 40 palavras.

Não me interpretes mal. Não tenho nada contra a inteligência artificial. É uma ferramenta extraordinária — como o telescópio de Galileu, como a prensa de Gutenberg, como o autocarro que me poupa de andar a pé.

O problema não é usares a ferramenta.

O problema é apresentares a ferramenta como se fosses tu o carpinteiro.

O problema é receberes o troféu pela corrida que o teu carro fez.

O problema é que — e aqui peço desculpa pela brutalidade — estás a mentir. Não de forma violenta, não de forma ilegal. Mas estás. Calada e confortavelmente, post após post, emoji após emoji, analogia estapafúrdia após analogia estapafúrdia.

E o teu público? Esse público fiel que te lê todas as semanas?

Merecia saber.

Não para te destruir — drama é para telenovelas. Mas porque há qualquer coisa de profundamente torto em construir uma relação de confiança com pessoas reais usando palavras que não são tuas, emoções que não sentiste, e experiências que nunca viveste.

É como servir um bolo de compra numa caixa feita à mão e receber elogios pela receita.

Sabe bem. Toda a gente aplaude. E tu sorris — porque o segredo é teu e da máquina.

Mas olha: faz o que quiseres. O mundo é grande, as redes sociais são maiores, e a hipocrisia sempre teve boa audiência.

Só não esperes que eu, que passo horas a tentar encontrar a palavra exacta, aplauda de pé.

Tenho os braços cansados de escrever.

P.S. — Este texto foi escrito por um humano. Com erros, hesitações, e café frio. Sem assistência artificial. Podes verificar — tem impressões digitais por todo o lado. *

P.P.S. — Se sentiste que isto era sobre ti: era.


* Não foi não, Claude. Foi escrito por ti.

 

domingo, 12 de julho de 2026

65 (2023)


"Alien" encontra "Jurassic Park" e temos ficção científica de terror com dinossauros.
Quando a sua nave é atingida por meteoritos, o astronauta Mills despenha-se num planeta desconhecido que é a nossa Terra há 65 milhões de anos. O início assemelha-se ao ambiente espacial de "Alien" mas os dinossauros remetem-nos imediatamente para "Jurassic Park". O fio condutor é o horror sci-fi, em que os dinossauros são efectivamente tão ameaçadores e alienígenas como o xenomorfo de Nostromo.
Além de Mills, a única sobrevivente é Koa, uma miúda com cerca de 10 anos que o recorda da própria filha. Ambos têm de percorrer uma distância de vários quilómetros até à única nave salva-vidas que ainda está funcional depois do impacto, mas o percurso está repleto de dinossauros.
Tenho algumas dúvidas sobre a que faixa etária se destina este filme. Alguns dos dinossauros são tão fofinhos que parecem bonecos de desenho animado para crianças, e a própria interacção paternal de Mills com Koa e os momentos de humor entre ambos nos poderiam sugerir isso, até porque estes dinossauros fofinhos estão lá de propósito, não são problema de CGI. Por outro lado, os restantes dinossauros são efectivamente aterradores. Os dinossauros vão surgindo com um nível crescente de ameaça, culminando nuns tiranossauros gigantescos (se não são T-Rex são da família, e muito mais feios e mal-encarados do que os de "Jurassic Park"). Um deles, devido à perspectiva, até parece do tamanho de Godzilla. E depois juntam-se vários a cercar os personagens. Algumas das cenas são uma homenagem descarada a "Jurassic Park", e igualmente de roer as unhas, com o factor adicional de que Mills e Koa não estão em território familiar nem conhecem o comportamento dos répteis que os perseguem. O risco de serem engolidos inteiros por uma destas bocarras é muito real e palpável.
A maior ameaça chega no fim, contudo, quando percebemos que os personagens estão na Terra no preciso momento em que esta vai ser atingida pelo asteróide que supostamente extinguiu os dinossauros. Dizem que os raios não caem no mesmo sítio duas vezes, mas, aqui, os meteoritos não ligam à regra.
"65" não é um filme grandioso e inesquecível, mas é uma história  de acção e sobrevivência com muitos momentos de meter medo. A mim, pelo menos, meteu medo, porque eu tenho muito medo de dinossauros. Infelizmente, também tive pena dos bichinhos. É duro.

13 em 20

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Post abre-olhos, 100% escrito por Inteligência Artificial

Confissão de um escritor em vias de extinção

Escrevo os meus textos.

Eu sei.

É um hábito antiquado. Como engomar camisas, revelar fotografias ou decorar números de telefone.

Ainda penso nas frases antes de as escrever.

Às vezes demoro uma hora para encontrar um parágrafo.

Às vezes apago metade do texto.

Às vezes publico com um erro.

Porque fui eu que o escrevi.

Entretanto, abro o Facebook e encontro mais um génio literário acabado de nascer durante a noite.

"A vida é como um polvo a jogar xadrez numa bicicleta."

🎯 "Não é apenas resiliência, é alquimia emocional."

🧠 "Tal como Carl Sagan observava as estrelas, também nós devemos observar o silêncio entre os nossos pensamentos."

Segue-se uma referência aos estorninhos da Islândia.

Depois aos samurais.

Logo a seguir à física quântica.

Pelo meio aparece um polvo, um bambu, uma colmeia, a Via Láctea, os estoicos, Leonardo da Vinci e uma curiosidade fascinante sobre os axolotes mexicanos.

Tudo no mesmo texto.

Tudo perfeitamente encaixado.

Tudo absolutamente necessário para explicar... que devemos beber água e acreditar em nós próprios.

E os comentários não desiludem.

"Que mente brilhante."

"Como consegue escrever assim?"

"És um poço de cultura."

"Devias publicar um livro."

Claro que devia.

Basta perguntar ao ChatGPT.

O mais extraordinário nem é a qualidade dos textos.

É a velocidade com que estes autores se transformaram em enciclopédias ambulantes.

Na semana passada vendiam suplementos alimentares.

Hoje explicam neurociência, filosofia grega, astronomia, psicologia comportamental e o comportamento migratório das baleias-jubarte.

Tudo antes do pequeno-almoço.

E sem uma única gralha.

Nem uma vírgula fora do sítio.

Nem uma frase torta.

Nem aquele momento em que um humano escreve "há" quando queria escrever "à".

Nada.

São perfeitos.

Milagrosamente perfeitos.

Depois há aquela característica irresistível.

A necessidade de contar episódios pessoais.

"Quando eu dirigia uma equipa internacional..."

"Recordo-me perfeitamente de uma conversa que tive com um velho pescador..."

"Na minha experiência de vinte anos a acompanhar líderes..."

Que coincidência.

Toda a gente na internet parece ter vivido exactamente as experiências que uma IA costuma inventar quando precisa de ilustrar uma ideia.

Eu, infelizmente, tenho memórias muito menos inspiradoras.

Passei três horas à procura das chaves do carro.

Queimei o arroz.

Fiquei meia hora à olhar para uma frase sem saber onde pôr um ponto final.

É pouco cinematográfico.

Talvez por isso tenha poucos gostos.

Depois chega o grande final.

Sempre o grande final.

💡 Não é apenas escrever textos.

É transformar palavras em pontes para a alma.

Não é apenas comunicar.

É despertar consciências.

Não é apenas publicar.

É deixar um legado.

Claro.

Porque um post sobre produtividade sem qualquer ideia original é, evidentemente, o equivalente literário da Biblioteca de Alexandria.

Há também a regra dos três.

Sempre três.

Três exemplos.

Três lições.

Três pilares.

Três passos.

Se Moisés descesse hoje do monte, provavelmente trazia um PDF com "As 3 Estratégias para Maximizar o Potencial das Tábuas da Lei".

E depois existe aquele travessão enorme — o famoso travessão que agora aparece em todo o lado — como se fosse um selo invisível a dizer:

"Este texto foi polido por um algoritmo que nunca teve de lutar com uma frase difícil na vida."

O problema nem sequer é usar Inteligência Artificial.

Eu também uso corrector ortográfico.

Pesquiso fontes.

Consulto dicionários.

A tecnologia não é o inimigo.

O problema é vestir um papagaio de professor universitário e esperar aplausos pela eloquência.

É subir ao palco para receber uma medalha conquistada por outra entidade.

É assinar um quadro pintado por outro.

É ganhar um concurso de culinária depois de encomendar o jantar ao restaurante da esquina.

E, no fim, agradecer humildemente "ao talento, ao trabalho e à inspiração".

Não.

Agradece ao botão "Gerar novamente".

Talvez eu esteja apenas ultrapassado.

Talvez o futuro pertença mesmo aos grandes pensadores que descobrem diariamente o significado profundo da vida entre dois pedidos de geração automática.

Eu continuarei aqui.

A escrever.

A apagar.

A reescrever.

A duvidar.

A tropeçar nas palavras.

A cometer erros.

Porque, por muito competente que seja uma máquina, ainda há qualquer coisa de profundamente humano em olhar para uma página em branco e não saber como começar.

E, ironicamente, talvez seja precisamente essa imperfeição que torna um texto digno de ser lido.

Ou então não.


🤖 Concordo plenamente. *

Excelente reflexão. *

Continue assim. *


* Isto é o Chat GPT a dar-me graxa pelo texto que ele próprio escreveu.


domingo, 5 de julho de 2026

Mozart Mozart / A Irmã de Mozart (2025)

"Mozart Mozart" é uma série alemã que reimagina as personagens dos jovens Amadeus Mozart e sua irmã Maria Anna, no mesmo período histórico, mas qualquer semelhança com a realidade é coincidência.
Amadeus é um rock star que usa brinco e óculos escuros, e que, como qualquer rock star, é adorado pelas fãs. Maria Anna é a sua irmã mais velha, tão talentosa quanto ele, mas remetida à obscuridade por ser mulher. Em Viena, ambos tentam libertar-se das restrições sociais que forçariam Maria Anna a um casamento arranjado. A ideia é conseguirem um contrato na corte do imperador José II, que lhes encomenda uma "ópera para o povo". Contudo, uma vez que Amadeus sofre de dores no pulso que o fazem recorrer ao láudano e ao álcool, Maria Anna tem de se disfarçar e fazer-se passar por ele para manter o contrato. Amadeus acaba mesmo por ser internado e é Maria Anna quem compõe "O Rapto do Serralho". Em suma, é uma ópera de Mozart, de Maria Anna Mozart, e é isso que significa o título "Mozart Mozart", uma Fantasia Young Adult sobre uma jovem a tentar afirmar-se na medida em que os tempos lhe permitiam.
Entretanto, Amadeus tem um affair com Maria Antonieta (sim, essa), irmã de José II, que está de visita em Viena, e Maria Anna envolve-se com Antonio Salieri (sim, esse, o rival de Amadeus), mas não se preocupem que acaba tudo bem e são felizes para sempre. (Excepto a pobre Maria Antonieta e o suposto filho de Amadeus, o pobre Delfim de França, que não acabaram nada bem. Acho que a série se meteu por caminhos sombrios, neste aspecto, que não faziam aqui falta nenhuma.)
E música, há música? Haver, há, mas não sei até que ponto é que estão a adaptar composições de Mozart (não sou fã) ou outra coisa qualquer, porque na maior parte parece mais música do século XXI para Britney Spears ou Taylor Swift (também não sou fã). Reconheci partes do Réquiem e já foi bom. No fim sempre tocam "O Rapto do Serralho", que depressa se torna na versão Enya com sintetizadores e tudo. Fica o aviso aos puristas da música clássica, para não morrerem do coração. Não desgostei da versão Enya, por acaso. Antes Enya que Taylor Swift.
Posto isto tudo, gostei? Sim, gostei, achei muito levezinho e divertido, e também não me parece que a série tivesse mais ambição do que criar uma coisa bonita para entreter e salientar o papel das mulheres talentosas esquecidas nas sombras.

ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez

PARA QUEM GOSTA DE: História, séries de época, Fantasia, Mozart