terça-feira, maio 31, 2005

Fartura

Cheguei ao Super Bock Super Rock quando tocavam os Audioslave. O melhor momento foi quando Chris Cornell tocou "Black Old Sun" dos Soundgarden. Diria mesmo que foi o melhor momento da minha curta permanência no festival. É que eu não gosto de festivais. Aquela cena de passar por 3 barreiras de controlo faz-me sentir numa prisão de alta segurança e eu não fiz mal nenhum a ninguém. O senhor Marilyn Manson apareceu sem vontade nenhuma de puxar pelo público, embora a maquilhagem estivesse espantosa (as senhoras sabem produzir-se!). Tocou três versões ("Sweet Dreams" dos Eurythmics, "Personal Jesus" dos Depeche Mode e "Tainted Love" dos Soft Cell - estou a dizer porque há gente mais nova que não sabe) e umas coisinhas mais a cair para o álbum "Mechanical Animals". Deus seja louvado, deixou de fora o "Grotesque". Ainda se pensou que ia queimar a bandeira americana depois da primeira canção, "The Love Song", mas lá deve ter achado que afinal a bandeira era cara e precisava dela para concertos posteriores (porque a vida custa a todos) e lá se retirou a bandeira para mostrar um écran onde apareceriam as imagens de Jesus e Hitler, à vez.
A anedota da noite foi quando ele mudou a letra de "Dope Show" para "Drugs, they say, are made in Portugal".
Ganda piada. Se ele soubesse o que tem sido para arranjar melatonina! Portugal já não produz nada, nem drogas. País triste.
Avante. Ainda andou com a mão pelas partes baixas, mas debaixo das calças, e mudou de roupa entre canções para mostrar algum espectáculo, deitou-se para o chão para fazer que estava a sofrer, e prontos, foi assim. Sem emoção nem entrega. Com muitos momentos de silêncio pelo meio das canções. A fazer um sacrifício do caraças.
Picou o ponto.
Eu cá digo que não me apanham mais em festivais. Sempre preferi ver o artista sozinho e num recinto em condições. O que me tem afastado do Marilyn Manson tem sido mesmo o Pavilhão Atlântico, aquela vergonha, mas agora já posso dizer que fiz o meu dever de fan e lá fui ver o homem.
Também comi uma fartura e bebi três copos de meio litro de Super Bock. A fartura estava boa mas soube um bocadinho a cara. (Um euro, chiça! E os churros eram 2 euros cada! Vão roubar para a estrada.)
Não foi a seca que eu pensava mas é preciso mais para me fazer vibrar. Muito, muito mais.

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domingo, maio 29, 2005

Hahaha!

Cadeia de literatura

(Porque estou entediada e não me apetece fazer outra coisa. Já tinha visto este desafio há mais tempo mas a verdade é que tive de pensar na resposta à primeira pergunta.)

P: Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
R: O Evangelho (4 em 1). Penso que se deve preservar a Esperança quando toda a outra filosofia falhar.

P: Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?
R: Eh bien. Resposta desnecessária para quem acompanha este blog. Toda a gente sabe que fiquei completamente apanhadinha pelo vampiro Lestat. Mas há mais. Sou muito infiel.

P: Qual foi o último livro que compraste?
R: "Blood Canticle", da Anne Rice. O último livro que puxei da internet (porque o Emule também tem livros, sabiam?) foi "O Código de Da Vinci", em inglês. Ainda não li. Nem sei se vou ler. Está no disco rígido. O interesse não é assim tanto.

P: Qual o último livro que leste?
R: O "Manual Prático de Vampirismo", de Paulo Coelho. Estava num link no grupo associado a este blog no MSN. Achei uma ganda merda. Não recomendo a ninguém.

P: Que livros estás a ler?
R: Tenho o (bom) hábito de só ler uma coisa de cada vez. Gosto de me embrenhar na história e pensar no que estou a ler 24 horas por dia. É por isso que nunca leio um livro mais do que uma vez. Neste momento, voltei a ler "A Irmandade do Anel". (Aqueles hobbits são um bocadinho parolos. Então o gajo está a ser perseguido pelo Dark Side of the Force, ou lá o que é, e ainda pára para jantar, tomar banho e cantar uma canção?...)

P: Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
R: Para uma ilha deserta só levava um barco para sair de lá. Cinco livros, numa ilha deserta, liam-se num instante. Nem consigo conceber a seca. Não. É mesmo um barco.

P: A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
R: À blogosfera. De onde veio o testemunho, é para lá que torna.

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quinta-feira, maio 26, 2005

Update

É verdade. Esqueci-me de partilhar as boas notícias.
Consegui uma consulta de Apneia do Sono (que não é o meu problema) num dos hospitais referidos. É em...




Setembro...



de...


2006!!!!!!!!!!!!!






Não é fantástico?
O suplemento de melatonina que comprei na farmácia não funciona porque é muito fraco. Graças a Deus amanhã é feriado. A meio da semana começo a perder o controle. Como é do conhecimento dos médicos em geral, por vezes o cansaço físico, em vez de provocar o sono, estimula a mente. Especialmente quando a pessoa está habituada.
Acho que não perdi o controle mais cedo porque nos primeiros meses deste novo emprego não estava habituada ao ritmo e havia desgaste físico. Uma vez habituada, é o diabo. Assim que se apanha a dormir, o cérebro não permite que eu acorde e está tudo lixado. Talvez só um incêndio de grandes proporções me tirasse da cama, se eu me chegasse a aperceber dele.

Mesmo assim, volto a dizer, estou surpreendida com o apoio do meu patrão. E da minha mãe.
Parece que as pessoas só se apercebem de que um caso é sério quando lhes toca no bolso. (Meditação de última hora.)


O que me leva a outro assunto.






Justiça socialista Image hosted by Photobucket.com


IVA 21% !!!!!!!!!!!!!!



Porque é que "hádem" ser os ricos a pagar a crise? Paguem-na TODOS! Do gajo do BMW ao arrumador do BMW, da madame à mulher a dias, do aposentado que vai ao spa ao reformado que vai ao centro de saúde, do administrador da fábrica que tira 5000 mil euros ao desgraçado do operário que tira 300.
Paguem todos!

Nos últimos dias também me apercebi, passada a febre benfiquista, que as pessoas não falam de outra coisa senão no déficit e nos aumentos que se seguem. Parece que estão chocadas, surpreendidas mesmo.
Pensariam as pessoas, questiono-me, que a mudança de governo ia ser o milagre das rosas? (Ok, pergunta estúpida. Sim, pensavam.)
Pensariam que por artes mágicas tudo melhoraria? Pensariam que ia haver distribuição de sopa aos pobres? Como diz o outro, pensariam que há almoços grátis?
Custa-me perceber esta gente que vê nuvens cinzentas e diz "é capaz de fazer sol". Por milagre.
É um povo de fé. Mas fé a mais faz mal à inteligência.



Super Rock

Por último, foi um bom dia. Não é todos os dias que tenho um bom dia. Geralmente os dias são maus. Hoje foi bom.
Continuo a achar que vai ser uma seca esperar pelo Marilyn Manson no domingo. Não gosto de festivais. Mas também não gosto do Pavilhão Atlântico. Tem uma acústica de envergonhar quem desenhou aquilo. Depois do fiasco dos Bauhaus não me apanham lá mais.
Concertos a sério é no Coliseu. De Lisboa! (Mas o do Porto também não é mau.)
Já na Aula Magna é para esquecer.

Onde a conversa foi parar! E não, não me apetece conversar. Vou apanhar uma grande piela.

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terça-feira, maio 24, 2005

Hoje, consegui.

Amanhã, não sei.

Estou particularmente surpreendida pela compreensão demonstrada pelo meu patrão. Ele conhece mais pessoas assim. Que não tiveram um fim muito feliz...

Estou também admiradíssima pelo apoio da minha mãe. Isso, sim, é uma novidade. Parece que ela finalmente percebeu, reconheceu e conformou-se com o facto de que o seu bebé não era tão "perfeitinho" só porque tinha os dedinhos todos. Finalmente começou a perceber a natureza da DSPS e a reconstruir a minha vida nocturna desde a infância. É como se finalmente tivesse percebido o que sempre lhe esteve debaixo do nariz mas nunca quis ver.
De certa maneira, isto tem sido possível porque há cada vez mais casos de depressão e desordens associadas a saírem "do armário" na sociedade de hoje. O que antes não se falava, o que antes era vergonha, é hoje abertamente discutido.
Porque as pessoas disseram "não" e decidiram não se calar.
Porque já não se vai à bruxa porque alguém "lhes fez mal". Porque a sociedade evoluiu. Porque muito boa gente teve de engolir o mito de que as doenças neurológicas não são doenças quando o azar lhes aterrou na família. (Observei muitos casos desses.)

Entretanto, sinto que estou a perder qualidades intelectuais. Consigo aperceber-me da degenerescência que se apodera de mim há medida que os anos passam.
Ontem dei comigo a perguntar-me se isto será o princípio do fim.
A rosa começa em botão, depois floresce e resplandece, e por fim começa a murchar e definha.

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domingo, maio 22, 2005

Na sexta feira a médica de família disse-me que não pode fazer nada por mim.
Tenho de esperar por uma consulta de Patologia do Sono que por acaso se chama Apneia do Sono, nada do que se passa comigo.
Em Lisboa só há três hospitais (que eu eu saiba, e não sei se há mais no resto do país) com consultas de Apneia do Sono (que não é o meu problema). Egas Moniz, Pulido Valente e Santa Maria. Em Santa Maria as marcações estão encerradas porque as vagas estão preenchidas para os próximos três anos(!!!). Vou tentar os outros dois hospitais. Como é costume em Portugal, as listas de espera são infindáveis. O que não é novidade nenhuma.
Perguntei o preço de uma consulta de neurologia num médico particular (medicina do sono). 75 euros a primeira consulta e 65 euros as restantes. Uma loucura!
(Também não é novidade que os médicos especialistas são os primeiros a lucrar com as listas de espera nos hospitais. O que, no mínimo, faz pensar. Ainda há profissionais que de facto se preocupam com os doentes mas a grande maioria atende mal nos hospitais públicos e desfaz-se em simpatias no consultório privado. O que também não é novidade nenhuma. Basta ver as inúmeras reportagens nos telejornais diários.)
Vou ter de recorrer à automedicação.
Vou lutar com todas as minhas forças. Não quero conceber sequer a ideia de não conseguir mas não será por não fazer tudo o que posso enquanto posso.
Ok, o meu cérebro não funciona como deve ser. Às vezes falta serotonina, às vezes tenho ataques de ansiedade (que não se tornam em ataques de pânico porque descobri os médicos certos que me recitaram os ansiolíticos certos), e não durmo às horas "certas".
E não tenho muito dinheiro para procurar os especialistas adequados.
E é assim.
E podia ser muito pior. Pelo menos, ainda estou lúcida. Às vezes.

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quinta-feira, maio 19, 2005

E afinal o que é que o patrão disse?

Nada. Está doente. Faltou.

Eu não percebo nada de karma e religião e essas merdas mas deves ter um anjo da guarda qualquer.

Sim. Um anjo que nos protege de lançar a bomba. Lembra-te disso.

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Arranjei a melatonina. Afinal vende-se nas farmácias como rebuçados. Que giro. Afinal os médicos preferem receitar comprimidos para dormir com efeitos secundários mais que comprovados, a receitar um produto natural cujos efeitos secundários não estão estudados.
Não estão estudados em quê? Coelhos? Sim, como se os hábitos nocturnos de um coelho se assemelhassem aos meus.
Eu SOU a cobaia. O produto é para mim. Eu é que devo testá-lo.

Posso precisar de meter baixa.
E não sei se vai funcionar.

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Um grito na noite

Estava na cama mas não conseguia dormir. Já tomei tantos comprimidos que tenho a boca seca. Até agora foram 6 lorenins.
São 4 da manhã e estive deitada 45 minutos.
Desatei a chorar. Então resolvi vir escrever, para nao estar no escuro a chorar e a pensar que se não há vida após a morte então isto tudo não vale a pena e prefiro morrer já.
Este é o primeiro emprego a sério, o primeiro bom emprego que eu tenho em 4 anos. Entretanto, a doença - porque agora já não tenho o outro nome a dar-lhe - crescia como um monstro nas brumas.

Delayed Sleep Phase Syndrome
Síndrome da Fase de Sono Atrasado

Durante anos me queixei da precaridade do meu emprego. E agora que tenho uma possibilidade, uma verdadeira possibilidade, vejo o meu próprio cérebro trair-me. Vejo-me numa situação desesperada porque este mês, pela primeira vez na vida, fui eu quem teve de pagar as contas.
E vejo-me na iminência de perder ou ter de deixar o melhor emprego que tive em 4 anos. E começo a ver-me doente e incapaz de manter um emprego.
E, sim, isto está a deprimir-me e não é razão para menos.
O meu próprio corpo conspira contra mim.
A minha mãe tem uma pensão de miséria que não lhe permite pagar as contas e depende do meu ordenado. Está muito velha para trabalhar. A família é pobre e só temos dívidas de herança.
Era por isso que chorava e só me apetece chorar. Mais dois comprimidos e sei lá a que horas acordo amanhã.
Penso em não aparecer mais. Só isso, desaparecer.
Penso muito em desaparecer. Não é que eu deseje morrer mas não vejo ajuda da Medicina e não quero viver assim, na miséria, para o resto da vida.
Estou a chorar neste preciso momento.
Pensei que vir aqui escrever ajudasse a desabafar. Não sei se ajuda. Mas pelo menos é o fim de um silêncio em que muita gente tem vivido até aqui, mergulhados em narcóticos e em álcool (que comigo não funciona).
Neste momento não estou a tomar anti-depressivos. Até não tinha razão para estar deprimida. Até agora. Estou a faltar ao trabalho uma vez por semana e, apesar de me estar a ser descontado do ordenado, por muito tolerante que o patrão seja isto não pode continuar assim. Porque isto não é uma gripe que passe em duas semanas. Porque isto não é ecomicamente viável.
Podem perguntar-se porque só escrevo à note, porque não tento dormir e escrever à tarde?
Porque o meu cérebro só funciona a 100% à noite. De dia está zombificado.
Todos os posts que aqui têm lido às 10 da manhã e pensado ingenuamente que eu me tinha levantado cedo foram escritos ANTES de eu me deitar. Essa é a hora em que de facto me apago e vou para a cama de forma natural.
Todos estes anos de precaridade não me deixaram perceber que os meus ciclos de sono estavam a ficar cada vez mais descontrolados.
Nos últimos meses tenho conseguido manter as coisas sob controle, talvez porque o cansaço do dia, a que já não estava habituada, me pusesse a dormir mais cedo. Mas como tudo o que cria habituação, já nem o cansaço do dia faz efeito. E o meu ciclo de sono natural voltou a impor-se, de forma mais violenta do que nunca.
O que é uma pena porque agora tinha tudo para deixar de ser infeliz.
E vejo bem que vou perder tudo.
E só me restam as lágrimas.

Mais dois comprimidos. Mais uma centena de neurónios que se vão.

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Rapariguinha, estás aí?

Claro que estou aqui. Não tenho aparecido porque disseste que querias chorar. Como sabes, eu nunca choro.

O que devo fazer?

Não me perguntes a mim. Eu consegui pôr-te a dormir mais cedo mas não pensei que pudesses dormir tanto. Quando éramos pequenas podíamos estar doentes. Agora parece que não podemos.
Tenho uma desconfiança de que querem enterrar-nos. Lembra-te, eu sou o Instinto. Eu serei a última a deixá-los conseguir.
E não sou eu que vou ter de ver o teu patrão amanhã. Foi para isso que criei o teu programa.
Por mim, mandava-o ir foder-se.


É o que planeio fazer. Acho que o teu programa foi à vida. Demasiados ficheiros corrompidos?

Nem sonhes! Eu dava-lhe um pontapé e uma dentada na cabeça. Lembra-te, sou uma criança, os meus conceitos de bem e de mal são limitados. Posso pensar em tantas outras maneiras de nos vingarmos. E tão mais sofisticadas! Aprendi tanto com os livros que tu lês e os filmes que tu vês! Mas não posso pôr-te a fazer isso. A não ser que a nossa sobrevivência esteja ameaçada, isto é. Aí pôr-te-ei a fazer tudo o que for preciso.

A vida ensinou-me que o karma tem uma maneira de devolver às pessoas aquilo que elas merecem. Não é necessário andar aos pontapés. Basta esperar.

Não sei nada disso, nem de religião e dessas merdas. Tudo isso são add ons. Alguns servem para organizar o sistema operativo e estão bem onde estão.
O meu papel agora é fazer com que o sistema operativo continue a funcionar, nem que seja em modo de segurança.
Não me chames agora.
Recentemente tivemos uma crise, uma verdadeira crise quando a gata desapareceu. Foi o suficiente para me impedir de trabalhar durante uns dias.
Preciso de ir trabalhar AGORA!
Podes ir chorar se quiseres. Mas não te esqueças de mandar algumas pessoas à merda. Se pudesse, comiam-nos vivas. Eu não tenciono deixar.
Aliás, tenho andado a programar uma brincadeira para uma pessoa em especial. Uma daquelas que fazem um homem grande chorar. E já não era a primeira, lembras-te? *risos*
A tua cara séria... Sou eu. Eles sabem que não devem mexer num bomba que não sabem desactivar.
Foda-se, levou-me uma eternidade a montá-la. Não é qualquer mentezinha que a desmonta.
Nós, pelo contrário, nós rebentamos quando é preciso.


Estou assustada. O teu discurso é assustador.

O que esperavas? Passei anos a desenvolver um programa para nos fazer "boazinhas" e "simpáticas" e pensam que podem descartar-nos quando estamos doentes?
Vai lá chorar. Vai lá dormir. Eu nunca durmo. Eu sou o Inconsciente. Amanhã tens o
script pronto. E mais, se for preciso.
A gente também morde. Não tenhas pena deles. Eles não têm pena de ti.
Estou revoltada e muito zangada.


Eu, pelo contrário, estou envergonhada.

POIS NÃO ESTEJAS! COMO SANGUESSUGAS, SÓ TE USAM ENQUANTO TIVERES SANGUE! É O QUE LHES VAIS DIZER!
Não, ainda não. Mas um dia. Porque há pratos que se servem frios. Deixa-os ter fome. *devilish grin*

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Música (depressiva)

E uma vez que não se consegue sair da depressão em duas horas, aproveitei para adicionar:

Virgin Prunes I am God

Publiquei a letra há pouco tempo. Deve ser uma das canções mais depressivas que já ouvi. Tem-me acompanhado bastante nos últimos dias.


Screams For Tina Eleven Eleven

Não faço ideia do que falam mas a música é muito boa.


Talk Talk My Foolish Friend

Na minha opinião, a melhor canção dos Talk Talk de sempre. Mais uma das injustamente desprezadas. O videoclip, no entanto, é muito, muito bom. E, no entanto, a maioria das pessoas só conhece os sucessos do costume.


Zombina and The Skeletones Nobody Likes You When You're Dead

O que esperar de uma banda chamada Zombina and The Skeletones excepto uma boa piada? Esta é a história de uma rapariga que até era gira mas que foi assassinada e agora está morta, muito morta, e muito... cadavérica.

Espero que gostem. Faço isto para vocês, não para mim. Eu já tenho os goodies.


Está aqui.

ATENÇÃO, DISPONHO DE ESPAÇO LIMITADO POR ISSO A MÚSICA SÓ VAI ESTAR DISPONÍVEL ATÉ EU A SUBSTITUIR.

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quarta-feira, maio 18, 2005

Comentário do JesusRocks ao comentário do Klatuu ao comentário do JesusRocks ao artigo "GÓTICO, 1", por Klatuu Nictus

Por Jesusrocks:


Klatuu,
Depois de pensar melhor no assunto, já o meu comentário ao artigo estava na caixa de e-mail da nossa caríssima, surgiu-me uma alternativa. Penso que o termo Dark Metal se adequará melhor aquilo que pretendes referir no teu artigo. O Dark engloba todos esses subgéneros mais sombrios onde se poderá também enquadrar o Black Metal ou o som actual do Ozzy Osbourne, por exemplo, ele que é um dos grandes senhores do Heavy Metal (apesar de eu nem o apreciar assim tanto como vocalista).

Independentemente destas questões acessórias acerca de rótulos e afins, o artigo está excelente e reflecte a ideia que tenho desses movimentos. Continua a escrever que eu gosto.


Memória:

Por Jesusrocks:

Mais um bom artigo sobre as raízes do gótico, desta feita pelo Klatuu. Não posso, no entanto, deixar de discordar com o uso da expressão Black Metal para designar aquilo que deveria ser apenas referido como Heavy Metal, Metal ou apenas Rock. Black Metal define um sub-género que tem origem na Escandinávia na década de '90 e representa apenas uma pequena parte da história do Heavy Metal, sub-género do Rock que tem origem na década de '70, nomeadamente com Black Sabbath e Judas Priest. Curiosamente, as bandas de Metal que mais se aproximam daquilo a que geralmente se entende por gótico nem sequer se enquadram no estilo Black Metal.

Relembro, neste particular, que o termo Gothic Metal, surgiu, se não me falha a memória, pelos media na sequência do lançamento do albúm Gothic dos Paradise Lost em 1991.




Por Klatuu Nictus:

"Caríssima, cola essa cena aí acima e posta no teu blog pra responder ao man! Thanks."

Cá vai:

RESPOSTA A UM COMMENT SOBRE O QUE A GOTIKA PUBLICOU DE MEU NO SEU BLOG

Tens toda a razão *jesusrocks*... eu estava a usar um sentido figurado e a pensar no jogo de influências, ou seja, falava em black metal num sentido mto genérico, do mesmo modo q falei em gótico num sentido mto genérico.
Ou seja, deveria ter escrito «black metal»... pq me estava a referir às tendências mais esotéricas e sombrias dentro do heavy metal reinante... Ficou pouco claro, verifico agora, qd releio... Como sabes os pais do black metal, enquanto subgénero, já estavam fortemente representados nos anos 70 e são, até, um dos rios mais antigos e coerentes dentro do oceano revolto do metal!

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Diário de um ser... nocturno

Consegui deitar-me às 3 da manhã, ontem. O que em princípio é um progresso.
Dormi até às 18 horas de hoje.
Obviamente, não fui trabalhar.

Não sei quantos comprimidos tomei. Não me lembro. Às vezes tomo comprimidos porque não me lembro se já os tomei. Depois de um certo tempo de habituação, as doses têm que ser cada vez mais fortes para funcionarem. Se não me lembro é porque não sinto os efeitos e se não sinto os efeitos vai dar ao mesmo.
Há dias e dias. Os ansiolíticos têm ajudado a reduzir as benzodiazepinas porque em dias de ansiedade a dose de comprimidos para dormir, propriamente ditos, tem que ser maior.

Dói-me a cabeça, tenho frio, não tenho fome e não consigo chorar. Se ao menos conseguisse chorar.

Telefonei à minha médica a perguntar quais os efeitos secundários da melatonina. Melatonina é o que todos os night owls tomam nos Estados Unidos mas parece que há uma tendência para a considerar uma hormona "desconhecida" na União Europeia. A médica não sabia e disse-me para não o fazer.
Logo, vou fazê-lo. Não tenho nada a perder. Não pode ser pior do que os comprimidos para dormir. E não pode ser pior do que acabar a dormir na rua.

Na segunda feira, à hora do almoço, quando todos saíram, eu encostei a cabeça à secretária e tentei dormir. Não dormi mas também não conseguia fazer nada. Estar lá não significa "estar lá". Também tento dormitar nos autocarros mas as pessoas fazem imenso barulho.
Custa-me manter os olhos abertos durante o dia, a verdade é essa. Os meus sonos estão tão trocados que para mim meia noite é meio dia para os anormais que dormem de noite.

Estou a ver que não tenho possibilidades de ter uma vida nesta sociedade. Devia ser abatida.
Sim, abatida, como um animal inútil.

Já não peço desculpa a ninguém. Quero que se fodam todos como eu estou fodida.
Porque ninguém quer saber. Porque todos exigem, exigem, e ninguém quer saber. Quem não se preocupa comigo merece o mesmo tratamento.
Que se fodam.



PS: Obrigada àqueles que me escreveram a relatar o mesmo problema. Neste momento ainda não sei onde se compra melatonina. Farmácia ou ervanária? Vou descobrir. É como vos digo, neste momento não tenho nada a perder. Já nem sei que dia é hoje. Esqueço-mo de cada vez mais coisas. Só espero de não me esquecer de ir ver o Marilyn Manson no dia 29. Espero acordar a horas. Porque já tenho o bilhete.
Merda.

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terça-feira, maio 17, 2005

"Não, é mesmo assim."

Hoje fui tomar café ao sítio do costume, onde já tinha reparado que a senhora atrás do balcão não parava de olhar para mim de forma esquisita, e hoje perguntou-me:

"A menina desculpe, eu andava para lhe perguntar isto há uns tempos mas nunca perguntei... Olha, é hoje que vou perguntar."

"Sim?..."

"A menina anda sempre tão triste. É por alguma razão ou..."

Imediatamente soltei o meu sorriso Pepsodent, isto é, tirei a cara séria e pus uma máscara para a polaroid, e disse estupidamente:

"Não, é mesmo assim."

Uma ou duas horas depois voltei a entrar no mesmo sítio com a mesma cara de enterro.

Porque é que não se vão foder?

Por outro lado, se conhecerem possibilidades de carreira numa casa mortuária para uma mulher que gosta de trabalhar à noite (porque afinal não se morre só de dia), I'm your man. (Mulher, whatever.) Contem comigo para a cara de funeral, com todo o gosto.

Isto é tudo uma questão de não saber aproveitar as pessoas para aquilo que elas nascem. Que idiotice.

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domingo, maio 15, 2005

"GÓTICO, 1", por Klatuu Nictus, e comment de Jesus Rocks

Por Jesusrocks:

Mais um bom artigo sobre as raízes do gótico, desta feita pelo Klatuu. Não posso, no entanto, deixar de discordar com o uso da expressão Black Metal para designar aquilo que deveria ser apenas referido como Heavy Metal, Metal ou apenas Rock. Black Metal define um sub-género que tem origem na Escandinávia na década de '90 e representa apenas uma pequena parte da história do Heavy Metal, sub-género do Rock que tem origem na década de '70, nomeadamente com Black Sabbath e Judas Priest. Curiosamente, as bandas de Metal que mais se aproximam daquilo a que geralmente se entende por gótico nem sequer se enquadram no estilo Black Metal.

Relembro, neste particular, que o termo Gothic Metal, surgiu, se não me falha a memória, pelos media na sequência do lançamento do albúm Gothic dos Paradise Lost em 1991.




Por Klatuu Nictus:

"Caríssima, cola essa cena aí acima e posta no teu blog pra responder ao man! Thanks."

Cá vai:

RESPOSTA A UM COMMENT SOBRE O QUE A GOTIKA PUBLICOU DE MEU NO SEU BLOG

Tens toda a razão *jesusrocks*... eu estava a usar um sentido figurado e a pensar no jogo de influências, ou seja, falava em black metal num sentido mto genérico, do mesmo modo q falei em gótico num sentido mto genérico.
Ou seja, deveria ter escrito «black metal»... pq me estava a referir às tendências mais esotéricas e sombrias dentro do heavy metal reinante... Ficou pouco claro, verifico agora, qd releio... Como sabes os pais do black metal, enquanto subgénero, já estavam fortemente representados nos anos 70 e são, até, um dos rios mais antigos e coerentes dentro do oceano revolto do metal!


Done!

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sexta-feira, maio 13, 2005

Waiting for midnight
Waiting for bad dreams (no silver, no gold)
How can I talk with you
I have no words.
Stranger… I have been here before.
You stretch me sleepless upon my bed
Shut out the cold, kneel and pray
I will go to sleep
Waiting for midnight
Waiting for bad dreams (no silver, no gold)
I have no need for your sweet world
No need for your hell
I have no need for anything
I am God
I know someone happy
I am God
Shut out the cold, kneel and pray
I am God


Virgin Prunes
I am God

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Terapia

Descobri há muito tempo que desabafar para uma parede é o mesmo que consultar um psicológo. Un blog sem comentários serve o mesmo efeito, por isso cá vai:

Estava eu a tentar rearranjar-me e reprogramar-me quando uma das minhas gatas desapareceu. Foram dois dias de agonia sem saber onde ela estava, se tinha sido atropelada, se ia aparecer, enfim, o costume. Vivi tudo com o coração na garganta mas incapaz de reagir. Grande crise, grande fachada de pedra.

Ontem ao fim da tarde descobri-a e consegui trazê-la para casa. Foi um alívio.

Hoje faltei de novo ao emprego. Já consegui deitar-me uma hora mais cedo (às 5), e reduzir os comprimidos, mas simplesmente não me consegui mexer da cama. Queria falar mas não conseguia fazê-lo fora dos sonhos. Estava a sonhar que falava mas os sons não saíam. Estava apagada.
O cansaço acumulado de horas de sono em falta traiu-me.

Sinto-me envergonhada. Tenho vergonha de aparecer de novo no meu emprego. Só me apetece nunca mais voltar. Tenho vergonha de não ser capaz de funcionar. Uma vergonha indescritível que me faz querer desaparecer.
Eu sei que a culpa não é minha. Eu sei que tenho uma situação lixada e que não a escolhi. (Durante os meus anos de desemprego andava a meter-me nos copos mas isso acabou.) Eu sei que a situação se agravou nestes últimos dois anos a um ponto em que me vejo completamente acabada.

Mas começo a ficar farta de pedir desculpa por uma coisa que não faço de propósito.
Não considero isto uma doença, mas podia ser uma doença. Vamos imaginar que é uma doença, visto que é incapacitante e que me impede de funcionar racionalmente durante o dia. O que seria de mim?
Tenho tanto medo. Mas principalmente estou tão envergonhada. Tenho vergonha de não ter conseguido manter a minha carreira, embora a culpa também não seja minha (na minha carreira as pessoas trabalham de graça, sim, trabalham de graça, e eu não me podia dar a esse luxo).
Se as coisas tivessem sido como deviam, primeiro, não tinha deixado a situação agravar-se tanto; segundo, já teria condições de trabalhar mais em casa e não estar dependente de horários de mercearia.
A minha carreira era daquelas que permitia ser-se freelancer. E ainda é, mas o patrão tem mentalidade de merceeiro. Estive a ver os anúncios de emprego. Só há call centers para mim. Como é que os licenciados são recrutados? Eu sei, e toda a gente sabe. Enfim. Não me vou queixar mais.

Tenho vergonha de não conseguir cumprir as minhas obrigações. Tenho vergonha de ter obrigações que, para começar, nem sequer devia ter.

Soy un perdedor
I'm a loser baby
so why don't you kill me?


Não consigo livrar-me desta maldita vergonha. Já não sou capaz de falar com ninguém. Não quero ver ninguém nem ouvir ninguém.

Não consigo reagir. Estou envergonhada.

Tenho vergonha de já não saber se o acento de indescritível se põe no "cri" ou no "ti". Tenho vergonha de já ter sabido, de já ter feito da língua portuguesa a minha profissão, de ter lidado com a nata da intelectualidade e hoje me ver reduzida a um ambiente de oficina onde não há limpeza porque o patrão acha que não é uma prioridade. De vez em quando, eu lavo o chão e limpo a casa de banho. Disso não tenho vergonha. Tenho vergonha de ter de me submeter a isso porque o patrão pode aproveitar-se da situação económica para obrigar os empregados a fazer tudo o que é preciso para manter o emprego.
Mas tenho mais vergonha de já não me lembrar se o acento de indescritível se põe no "cri" ou no "ti". Tantos anos de educação pelo cano abaixo.

No entanto, tenho vergonha de não conseguir cumprir as minhas obrigações. O que parece tão simples para todos é um pesadelo para mim.
Não sei como lidar com isto e penso que desta vez a medicina não me pode ajudar. Acho que estou arrumada. Mais mais do que o medo, o sentimento de hoje é a vergonha. Tanta vergonha!

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quarta-feira, maio 11, 2005

Nostalgia

Quase há um ano descobri "Pavane" de Gabriel Fauré, e sempre quis partilhar. É pena que esta obra prima não seja tão conhecida como devia ser.

O que escrevi sobre o autor:

Gabriel Fauré "Pavane"

Gabriel Fauré nasceu a 12 de Maio de 1845 e morreu a 4 de Novembro de 1924. Foi professor de Maurice Ravel, de quem também falaremos. É considerado um pós romântico.

A versão de "Pavane" que me apaixonou tem acompanhamento coral. Depois de muita pesquisa, e de já ter desistido de encontrar o que procurava, vim a descobrir por acaso que o poema de "Pavane" foi escrito por Robert de Montesquiou-Fezensac.

"Pavane" é uma canção triste, aliás, quase todas as que vou descrever são canções tristes, mas há nesta uma doçura, uma aceitação, uma espécie de outono da vida... E no entanto, por ser tão terna e dolorosa, podia também ser uma canção de amor. Como o original não inclui palavras, cada um pode senti-lo à sua maneira.

Boa sorte para a captura de "Pavane" aqui e aqui.

Mais autores clássicos



Podem fazer download aqui.

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domingo, maio 08, 2005

Lista

Problemas e soluções

. Depressão
Ainda não são precisos comprimidos.

. Ansiedade
É preciso comprimidos. Se calhar devia tomar um por dia. Não custa nada experimentar.

. DSPS
Tenho de arranjar um motivo para ir para a cama.

. Situação económica do país
Aqui não posso fazer nada. Excepto ignorar.

. Problemas de saúde não relacionados com aspectos psicológicos
Estes tratam-se de outra maneira.

Afinal, não haviam tantos problemas. Isto é como desmontar uma bomba.

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Música

Hoje adicionado:

Wasted Youth Maybe We'll Die Young and Wandering

Uma das minhas preferidas e que eu queria partilhar há muito tempo mas tive de cortar a introdução porque o site não permite uploads muito elevados.


Alphaville Sounds like a Melody

Uma velharia dos anos 80. Os Alphaville eram considerados parte do movimento Neo-Romântico.
Tenho ouvido muito esta música nos últimos dias.


The Meteors My Daddy is a Vampire

Música de vampiros.


Está aqui.

ATENÇÃO, DISPONHO DE ESPAÇO LIMITADO POR ISSO A MÚSICA SÓ VAI ESTAR DISPONÍVEL ATÉ EU A SUBSTITUIR.

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Reclusão total. Preciso de tempo para me curar.
Quando é que esse programa está pronto?

Tem havido muitas alterações ao sistema. O ambiente à volta tem sofrido alterações drásticas. Bem, podiam ser mais drásticas. Ainda não é o fim do mundo.

Para ti nunca é o fim do mundo. Quando for o fim do mundo vais ser a primeira a dizer "não é o fim do mundo". E quando é o fim de um mundo corres a esconder-te debaixo da cama.

O fim de um mundo não é o fim do mundo. E pensa-se muito bem na solidão e no escuro. Às vezes uma cabeça pensa melhor do que duas.
É altura de ouvir a voz interior. As vozes externas só atrapalham e confundem. Não é tempo de aprender, nem é tempo de agir, é tempo de curar.


Então a máxima "trata primeiro de ti e depois trata dos outros", é mesmo para ficar no programa?

No programa? Vai ser a base do sistema operativo. É assim que sobrevivemos até agora e é assim que vamos continuar a sobreviver.
As vozes exteriores estão proibidas. Absolutamente proibidas. O sistema está demasiado vulnerável para destruir cavalos de Tróia.


Gosto da tua maneira de programar.

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sábado, maio 07, 2005

O olho do furacão

Ontem reencontrei a criança responsável que eu costumava ser, aquela que não chorava durante uma crise quando todo o mundo desabava à sua volta. A criança sem uma lágrima, o rochedo, a criança que tomava conta de si própria para não preocupar os adultos. A criança que não chorou no primeiro dia de aulas e que tentou animar os meninos que choravam que nem cordeiros na matança. A criança que não chorou no funeral do pai porque toda a gente estava a chorar e ninguém suportava vê-la a chorar também.
A criança sem lágrimas e sem sorrisos. A torre de força.

Senti a tua falta, onde tens andado? Sim, eu sei que a vida não te tem tratado com justiça mas lembra-te de quem tu eras no princípio, antes de dizerem que não eras capaz, antes de os outros te infectarem. Antes do tempo em que não pensavas, em que somente eras. Eu sei que precisas de chorar sozinha. Eu sei que os outros sempre te consideraram muito mais forte do que realmente és e que ficaram decepcionados quando perceberam que tu também precisas de tempo para chorar, e muito justamente.
Mas tu brilhas durante as crises. Tu guardas as lágrimas para tempos menos difíceis. Tu não choras quando vês os outros chorar. É por isso que podes chorar numa festa e ninguém perceber, mas tu choras sempre sozinha.
Não acabou, sabes? Estou tão contente por ver que estás viva! Pensei que tinhas desaparecido para sempre. Tinhas assim tanto medo que os outros dependessem tanto da tua força aparente que os arrastasses contigo para a destruição? Querias assim tanto ser tão responsável por eles que os obrigaste a não contar contigo? Sempre a tomar conta dos outros, mesmo quando parece o contrário. Onde é que foste buscar isso? Tu nem sequer tinhas irmãos mais novos para proteger. Estavas a proteger os crescidos. Meu Deus, estavas a proteger quem devia ter-te protegido. Porque nunca precisaste mesmo de protecção, não foi? Onde foste buscar isso?
E aí estás tu, a escrever o teu diário, a dizer a toda a gente que está tudo bem. Olha o que fizeste. Agora estou eu a chorar. Mas agora não. Mais tarde. Depois da tempestade.
Não te vás embora ainda. O mundo está a desabar. Toma conta disto por mim.



O que disseste ontem foi um momento de clareza na escuridão, o olho do furacão. E olhaste para cima e viste uma rodela de céu azul no meio do cinzento da tempestade. É normal. Mas passa.
Como é que eu poderia morrer completamente se eu sou o que tu eras antes de seres tudo o que és? Eu sou o instinto. Eu sou um animal selvagem. Eu não sei nada do que tu sabes. Eu nem sei porque não choro. Eu não percebo o que se passa à minha volta, mas tu sabes.


Eu sei demais. Eu estou infectada. Tu és pureza intacta. Inata. Sublime. E existes. O que é mais importante, existes.

Ninguém me dá valor. Eu não consigo comunicar com ninguém. Eu estou sozinha. Tu és a ponte. A ponte que permite a comunicação também permite a infecção. Eu sou os anticorpos. Os últimos. Tu deixaste que as palavras chegassem a ti. Foi um erro.

Uma inevitabilidade da aprendizagem. Uma mímica.

Cala-te. Deixaste que as palavras chegassem a ti. Começaste a pensar se os outros não teriam razão. A culpa é toda tua. Não percebeste que isto é uma guerra em que só interessa ficar vivo até ao fim. És uma ameaça. Porque eu sou uma ameaça. Porque nunca me conseguiram explicar. A ti só cabia inventar uma fachada social para mim.

Consegui.

Sim. Conseguiste. Conseguiste muita coisa. Mas a tua força é a minha. Até tu te esqueceste de mim.

Nunca me esqueci. Estiveste escondida debaixo da cama enquanto eu andava a "brincar às pessoas". Estou muito contente por te ver aqui. Lembras-te do fogo? Lembras-te como ficaste admirada porque foste a única pessoa que não ficou estarrecida e correu a buscar um extintor? Lembras-te que ninguém te agradeceu? Eu lembro.
E sim, tens razão, a ponte vai desaparecer no nevoeiro como Avalon entre as brumas.

Eu não sabia.

O quê?

Que os outros faziam isso às pessoas. Aprendi isso contigo. E assustei-me. As pessoas assustaram-me. Tive de me esconder.


Não digas disparates. Tu é que me criaste. Tu sabes que, no fundo, eu é que não existo. Eu sou a tua invenção.
Querida, estou cansada de chorar e a noite não vai ser menos escura do que o dia. Está na hora dos actos extraordinários e fora de série. Só os mais fortes vão sobreviver.

Sabes qual é o teu mal?

Qual?

Pensas demais na sobrevivência. Pensas demais.

Eu encontrei as respostas para ti. E no download vieram vírus de todo o tipo.

Então, temos de formatar o disco e mudar de sistema operativo.

Não é isso que estás aqui a fazer? Eu sou apenas um programa que não tarda a ser apagado.

Graças a Deus. Mas há partes aproveitáveis. E, confessa, pediste para ser apagada. Vamos inventar-te uma nova personalidade. Mas agora preciso de tempo. Estou ocupada. Vai dormir.


Gostei de brincar às pessoas. Temos de fazer isso mais vezes. Quando houver tempo. Isto é apenas o olho do furacão. Um momento de clareza no cinzento da ventania. E este programa deixou de ser operacional. ALT+CTR+DEL. Restart. Vamos reinventar esta merda toda. No time to cry.

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quinta-feira, maio 05, 2005

Errata

No último post de música adicionada, onde se lia "Product of Reason - Active Reception", devia ler-se "Product of Reason - Active Repetition" que, é, sim, o nome da canção. E continua a ser uma das minhas preferidas. Vai ficar por lá mais algum tempo.
Aqui fica o post como deve ser lido:

Hoje adicionado:

The Birthday Party - Death by Drowning

Dedicado ao Goldmundo. A banda de Nick Cave antes dos Bad Seeds.

Product of Reason - Active Repetition

Uma das minhas favoritas.

Adrian Alexis - I want to be a vampire

Para rir.

The Normal - Warm Leatherette

Para dançar.


Está aqui.

ATENÇÃO, DISPONHO DE ESPAÇO LIMITADO POR ISSO A MÚSICA SÓ VAI ESTAR DISPONÍVEL ATÉ EU A SUBSTITUIR.
Estou absolutamente zangada.
Doem-me os olhos. Sinto o sangue palpitar debaixo das pálpebras. Estou cansada mas não conseguiria dormir por mais que tentasse.
E também estou farta de tentar ser normal. A partir de hoje, vou chamar "os anormais que dormem de noite" aos 9 às 5. Porquê? Porque posso. Porque vos odeio. Porque me obrigam a viver numa tortura. O meu cérebro já não pensa quando devia estar a pensar.
Por esta altura só odeia.
Nunca me queiram encontrar de dia. O lobisomem anda à solta.

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Comment ao post "GÓTICO, 1", por Klatuu Nictus

Por Jesusrocks:

Mais um bom artigo sobre as raízes do gótico, desta feita pelo Klatuu. Não posso, no entanto, deixar de discordar com o uso da expressão Black Metal para designar aquilo que deveria ser apenas referido como Heavy Metal, Metal ou apenas Rock. Black Metal define um sub-género que tem origem na Escandinávia na década de '90 e representa apenas uma pequena parte da história do Heavy Metal, sub-género do Rock que tem origem na década de '70, nomeadamente com Black Sabbath e Judas Priest. Curiosamente, as bandas de Metal que mais se aproximam daquilo a que geralmente se entende por gótico nem sequer se enquadram no estilo Black Metal.

Relembro, neste particular, que o termo Gothic Metal, surgiu, se não me falha a memória, pelos media na sequência do lançamento do albúm Gothic dos Paradise Lost em 1991.

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quarta-feira, maio 04, 2005

Hoje estou a trabalhar. Ainda não fui despedida não sei porquê. Devem gostar do meu trabalho.

Foda-se. Estou farta de depender da compreensão alheia quando é o resto da sociedade que não se aguenta de pé a noite toda.
Medricas! Rebanho de ovelhas das 9 às 5. Odeio-vos!
Se fosse lobo, comia-vos. Cambada de Capuchinhos.

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Karma de merda

Hoje não fui trabalhar porque fiquei a dormir até às 20h. Adormeci às 5h, com 6 lorenins. Ontem tive de tomar 8 para adormecer à mesma hora. Quando adormeço volto a ser um bebé. Nada me acorda. Nada nem ninguém pode contar comigo.
Quando acordo e vejo a merda que fiz desato chorar. Sinto-me impotente e incapaz. Não há lugar para os fracos e para os diferentes. Vou ser trucidada.

Nunca consegui dormir de noite. O meu ciclo de sono nada tem a ver com as 24 horas de um dia. O meu organismo rejeita cada vez mais os horários em que a maioria acha normal movimentar-se.
No tempo pré-histórico, alguém tinha de cuidar do fogo e afastar os predadores da tribo adormecida.
Eu sou aquele que vigia.

Tudo sobre o Delayed Sleep Phase Syndrome

Delayed sleep phase syndrome (DSPS) is a fairly common disorder of sleep timing. People with DSPS tend to fall asleep at very late times, and also have difficulty waking up in time for normal work, school, or social needs.

Main Symptoms of DSPS
DSPS causes sleep-onset insomnia. Often, DSP individuals report that they cannot sleep until early morning. Unlike most other insomniacs, however, they fall asleep at about the same time every night, no matter what time they go to bed.
Unless they have another untreated sleep disorder (such as sleep apnea) in addition to DSPS, patients can sleep well, and have a normal need for sleep. Therefore, they find it very difficult to wake up in the morning if they have only slept for a few hours. However, they sleep soundly, wake up spontaneously, and do not feel sleepy again until their next "night," if they are allowed to follow their own late schedule, e.g. sleeping from 4 am to noon.
Symptoms have been present for at least a month, and usually much longer.

What Causes DSPS?
DSPS is believed to be a disorder of the body's timing system - the biological clock. DSP patients have fifficulty falling asleep and difficulty waking because their biological clocks are out of phase with the sleeping and waking times they try to carry out. DSPS is similar to jet lag, but much longer-lasting. It can develop suddenly or gradually.

You probably have heard of a biological clock which governs growth, reproductive cycles, and aging. There are also bodily rhythms, known as circadian rhythms, which are also controlled by a biological clock and which work on a daily time scale. You might have already noticed, in yourself or in others, that sleepiness doesn't just keep increasing as it gets later. Rather, the drive for sleep follows a cycle, and the body is ready for sleep and for wakefulness at different times of the day.
(...)


Posso traduzir se alguém estiver interessado. Também me podem fornecer links para consulta e avanços da Ciência em português (isto é, em Portugal). Era bom saber que os médicos em Portugal conhecem (no mínimo) o fenómeno.

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segunda-feira, maio 02, 2005

"GÓTICO, 1", por Klatuu Nictus

Reproduzido com autorização do autor.

GÓTICO


1




Somente tomando como contexto a «música popular» e os «movimentos juvenis» concernentes - é coerente perguntar: Afinal de onde veio o gótico?

A década de 70 assiste ao declínio do «movimento hippie», degradado por comunidades de fome e promiscuidade, na perda de todo e qualquer horizonte político e isoladas nos seus katmandus artificiais. Deste apocalipse emergem a vadiagem pretensamente operária e orgânica e pretensamente anarquista do punk, bem como a mitologia «hell’s angels» na sua apologia de um individualismo extremo, a pretensa liberdade on the road and keep riding de tribos motorizadas, a violência gratuita, o white power, o black metal. Os The Doors continuam a ser a banda de referência para perceber o evoluir e declínio do «movimento hippie» e os fenómenos de sub-cultura que dele, dialecticamente, emergem. Como uma terceira via entre o punk e o black metal surge o death punk de bandas como Alien Sex Fiend, The Damned, Bauhaus, Siouxsie And The Banshees, Joy Division etc, etc… (mas mesmo estes são precursores... as primeiras bandas a autodenominarem-se góticas foram bandas como The Shroud, Rosetta Stone, London After Midnight, Nosferatu, etc). Mantendo alguma da crueza do punk curto e duro à Ramones e Sex Pistols, o death punk evolui dentro do movimento genérico da new wave, como os The Stranglers, Blondie ou Nina Hagen, mas adopta muito da temática e orquestração do black metal, bastante mais esotérico e sinfónico do que o heavy metal reinante. Mas não se deve procurar apenas os contextos de época, mas sim procurar as raízes mais fundas que alimentaram a originalidade do death punk… E essas raízes as encontramos no lado mais negro do rock progressivo e sinfónico, no psicadelismo negro de Hawkwind, Van Der Graaf Generator, King Crimson, os verdadeiros pais do gótico, a que eu chamo pré-góticos, por analogia literária com os pré-românticos (quem é mais romântico? o pré-romântico William Blake? ou o romântico Byron?).

Este evoluir a partir do punk, por contradição, é o impulso do gótico, e é neste sentido que o podemos considerar um retorno a um certo espiritualismo que tutelava o «movimento hippie»… se este propunha um modelo de sociedade que fosse a negação do capitalismo, se o punk propõe a saída do sistema produtivo, recusando o trabalho e até propondo a destruição sistemática, se os neo-hippies se isolam no retorno atávico a uma economia medieval de artesãos, os góticos vão-se organizar na fantasia de uma sociedade alternativa, paradoxal, fazendo parte do sistema produtivo capitalista e aceitando-o mas refugiando-se na utópica construção de um escol de eleitos, de almas esclarecidas, de uma sub-cultura feita de protocolos e secretismo, esquartejada entre o diurno afã e um qualquer éden nocturno… Recuperação do romantismo, é certo - das épicas luzes do século XIX contra o néon frio e sem alma do século XX - mas rapidamente o «movimento» se fecha sobre si cancerigenamente numa autofagia ultra-romântica de tiques mórbidos e pseudo-abismos da alma. O facto de o gótico nunca ter ascendido a contra-cultura prende-se com o facto de ter sido desde o início sempre mais emblemático do que problemático, como se o texto estivesse certo mas os seus divulgadores apenas permanecessem na contemplação estética da sua luz negra. A ausência de lideranças outras, que não o fluxo e refluxo das bandas na moda e a lá carte, têm roubado ao gótico a manifestação política, social e cultural da sua tremenda energia em potência.

Episódicas tentativas de organização têm surgido de tempos a tempos, de variados quadrantes: neo-românticos, pós-modernistas, neo-pagãos, nietzshianos e esotéricos, mas apenas parecem concordar na mitologia, numa certa reacção à civilização cristã capitalista e nas «torres de marfim». Na década de 90, com a vulgarização contínua e progressiva da internet, alguns góticos da primeira vaga começaram a comunicar e a discutir o declínio anunciado do «movimento» e decidiram agir; movia-os uma responsabilidade para com as novíssimas gerações e a tentativa de devolver o gótico à sua pureza inicial, avassalado que estava por satanismos psicóticos, bruxarias de alcova e sado-masoquismos hospitalares… Formou-se um directório, ao modo das sociedades secretas, com um ideário, programa político e objectivos precisos, mas os combates internos por jurisdição e hierarquia acabaram por fragmentar esta tentativa de estabelecer uma liderança e o directório transformou-se numa hidra abjecta de cabeças em luta, que acabou por degenerar nos satanismos, bruxarias e sado-masoquismos que criticava e pretendia combater… Alguns poucos góticos antigos decidiram continuar o projecto… isolados e malditos, assumiram o estatuto de vampiros.

O resto é, ainda, história contemporânea…

Link, do gótico na música e suas ramificações: http://www.darkwaver.com/subculture/music-map.php#alternative

Link, black metal: http://www.anus.com/metal/about/history.html

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