"Mozart Mozart" é uma série alemã que reimagina as personagens dos jovens Amadeus Mozart e sua irmã Maria Anna, no mesmo período histórico, mas qualquer semelhança com a realidade é coincidência.
Amadeus é um rock star que usa brinco e óculos escuros, e que, como qualquer rock star, é adorado pelas fãs. Maria Anna é a sua irmã mais velha, tão talentosa quanto ele, mas remetida à obscuridade por ser mulher. Em Viena, ambos tentam libertar-se das restrições sociais que forçariam Maria Anna a um casamento arranjado. A ideia é conseguirem um contrato na corte do imperador José II, que lhes encomenda uma "ópera para o povo". Contudo, uma vez que Amadeus sofre de dores no pulso que o fazem recorrer ao láudano e ao álcool, Maria Anna tem de se disfarçar e fazer-se passar por ele para manter o contrato. Amadeus acaba mesmo por ser internado e é Maria Anna quem compõe "O Rapto do Serralho". Em suma, é uma ópera de Mozart, de Maria Anna Mozart, e é isso que significa o título "Mozart Mozart", uma Fantasia Young Adult sobre uma jovem a tentar afirmar-se na medida em que os tempos lhe permitiam.
Entretanto, Amadeus tem um affair com Maria Antonieta (sim, essa), irmã de José II, que está de visita em Viena, e Maria Anna envolve-se com Antonio Salieri (sim, esse, o rival de Amadeus), mas não se preocupem que acaba tudo bem e são felizes para sempre. (Excepto a pobre Maria Antonieta e o suposto filho de Amadeus, o pobre Delfim de França, que não acabaram nada bem. Acho que a série se meteu por caminhos sombrios, neste aspecto, que não faziam aqui falta nenhuma.)
E música, há música? Haver, há, mas não sei até que ponto é que estão a adaptar composições de Mozart (não sou fã) ou outra coisa qualquer, porque na maior parte parece mais música do século XXI para Britney Spears ou Taylor Swift (também não sou fã). Reconheci partes do Réquiem e já foi bom. No fim sempre tocam "O Rapto do Serralho", que depressa se torna na versão Enya com sintetizadores e tudo. Fica o aviso aos puristas da música clássica, para não morrerem do coração. Não desgostei da versão Enya, por acaso. Antes Enya que Taylor Swift.
Posto isto tudo, gostei? Sim, gostei, achei muito levezinho e divertido, e também não me parece que a série tivesse mais ambição do que criar uma coisa bonita para entreter e salientar o papel das mulheres talentosas esquecidas nas sombras.
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PARA QUEM GOSTA DE: História, séries de época, Fantasia, Mozart
domingo, 5 de julho de 2026
Mozart Mozart / A Irmã de Mozart (2025)
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