quinta-feira, novembro 27, 2008

Que tipo de gótico és tu? (mais um para a colecção)






You Scored as Old School Goth

There's not many goths of your kind at this time, what a shame. Old School Goths are the originals, the firsts and in my personal opinion one of the coolests.


Old School Goth
78%
Gothic Rocker
75%
Romantic Goth
75%
Medieval Goth
68%
Victorian Goth
68%
Poser
55%
Deathrocker
53%
Cyber Goth
33%


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quarta-feira, novembro 26, 2008

Optimismo

Um casal, vivendo em grande miséria, tinha uma garrafa de champanhe razoável no frigorífico. Às vezes o marido tentava a esposa a abri-la mas esta dizia sempre: "Não! Vamos esperar que uma coisa boa aconteça!" Mas nada bom acontecia. Pelo contrário, tudo piorava cada vez mais.
Até que um dia o marido chega a casa e encontra a mulher sentada à mesa com o espumante à frente, e logo lhe brilharam os olhos, ao perguntar:
- Aconteceu alguma coisa boa?!
- Sim. Abri a garrafa e estou a beber o champanhe.


Mudar de vida

Dois abutres, como boas aves necrófagas, estavam à espera de encontrar uma carcaça para comer mas todos os animais estavam de boa saúde e saltavam e corriam pelos campos. Pousados no ramo de uma árvore seca, os abutres, pacientes, esperaram, esperaram, esperaram. Dias a fio, esperaram. E nada morria. E os abutres cheios de fome.
A certa altura diz um deles:
- Foda-se isto! Vou matar qualquer coisa!

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sábado, novembro 22, 2008

Venham mais cinco

The cracks appear along the wall wall wall wall wall
See the people stoop back, once stood tall tall tall tall tall
I see the buildings crumble see the empires fall
But I see no more and I don't recall

Because I see
Nothing but the good things
Because I see
Nothing but the good things
Because I see
Nothing but the good things
Nothing but the good good good
Nothing but the good things

Well nothing ventured nothing lost
Count the changes count the cost
A reformation so uncertain
Keep your station draw the curtain

Because out there the snipers work the ridges
Building bombs and blowing bridges
Out there on a darkened road
The lines are dead and the cars explode

But in here
There's nothing but the good things
In here
Nothing but the good things
In here
Nothing but the good things
Nothing but the good good good good good
Nothing but the good things

I see a green sea a pleasant land land land land land
Nothing mean or underhand
On the fence or in the sand
Well I take no chances and I take no stand

Against the wall
Against the wire
Against the fall
Against the fire
Against the sale
Against the hire
They say the profits high
But I know the cost is higher

Still I see
Nothing but the good things
Still I see
Nothing but the good things
Still I see here see do talk see
Nothing but the good things
Nothing but the good good good good good
Nothing but the good things
Nothing but the good things
Nothing but the good good good good things
No!


"Good Things", The Sisters of Mercy




Foi há 5 anos por esta altura que comecei a congeminar este blog. O Sitemeter, registado a 18 de Dezembro de 2003, foi uma das últimas coisas a adicionar à página inicialmente alojada no Sapo.
Nessa altura éramos meia dúzia de gatos a blogar. A maioria dos blogs pertenciam a uma elite que já tinha internet de banda larga desde que ela era demasiado cara para o comum cidadão (40, 50 euros) e dedicavam-se principalmente à política (Abruptos e afins).
Eu, por outro lado, tencionava criar um espaço em que falasse das coisas sob uma perspectiva gótica. Claro que na altura não sabia que era isto que acabaria por fazer. Queria apenas fazer um blog pessoal, um cantinho virtual só para mim, que não esperava que fosse lido de todo.
Acontece que foi lido, cada vez mais lido, e neste diário pessoal fui expondo a minha alma, talvez demais, até um ponto em que as circunstâncias da minha vida se tornaram demasiado... difíceis para serem partilhadas por estranhos, e foi necessário retrair-me, como uma concha que se fecha para proteger as membranas sensíveis onde crescem as pérolas mais preciosas.
Nestes cinco anos a minha vida, a minha mente, a minha alma, foram implacavelmente destruídas por desgostos irreparáveis que me tornaram mais silenciosa e reservada.
Por isso mesmo, nunca imaginei que este blog durasse tanto tempo. E no entanto aqui estamos.
Conheci muita gente interessante, e até alguns heróis. Fiz amigos preciosos.
E com os cabelos brancos virtuais chegaram também dois afilhados, a Ribeira Negra e a Psiquê, que muito fazem babar esta madrinha. (Não podia deixar passar este quinto aniversário sem vos lembrar.)


Um país em ruínas
Nestes cinco anos, observei daqui, também, o último estertor da morte (previsível) de um país arruinado e, com uma perversa satisfação, o despertar dos tansos que foram os últimos a saber que o Titanic se estava a afundar quando já tinham água pelo pescoço. Ainda hoje me fazem rir, porque merecem e não fizeram nada quando podiam fazer... porque estavam demasiado distraídos com o futebol e a telenovela. Chamavam-me maluca quando dizia que estava a passar mal e a passar frio. E só não disse que passava fome porque de verdade não sei. Acontece-me perder o apetite quando tenho a alma agoniada.
Durante estes últimos 5 anos assisti ao maior desastre desde o desvio de fundos cavaquista. Durão Barroso abandonou o mandato de primeiro-ministro, trocando a lealdade à nação pelo vil metal e o estatuto de Bruxelas. Continuo a ter dúvidas de que se possa censurá-lo. Qual o português que não o faria? A circunstância de o exemplo vir de cima é apenas a prova de que ninguém acredita neste ex-país, nem os seus mais altos representantes. E depois veio a desgraça. Santana Lopes primeiro-ministro, um homem que pode ser muito boa pessoa (não sei se é mas pode muito bem ser) mas que não tem capacidade de gerir algo mais que um night club (e com muitos assistentes a ajudar).
Foi assim que uma maioria de eleitores iludidos elegeram democraticamente a maior corja de mentirosos, vigaristas, incompetentes e medíocres, e ainda por cima o governo que mais atenta contra a liberdade de expressão desde o Estado Novo (o que é obra). Logo a seguir, o mesmo povo estúpido e analfabeto elege um presidente da República ché-ché, que fala na terceira pessoa como os jogadores de futebol como se ele próprio não acreditasse que o PR não é outro senão ele, que devia estar já num centro de dia a jogar ao dominó, enquanto Manuel Alegre (que não ganhou por pouco) vai acabando por fazer oficiosamente o papel que o eleito não faz.
Quanto à famosa crise, que deve ser a crise dos ricos, só gostava que me informassem quando acabou a última e começou esta porque, para os pobres, não deixou de haver crise desde o final dos anos 80 (quando secaram os fundos, nos bolsos do PSD).
É o caos. O Titanic já não se afunda. Assentou no fundo do mar entre os limos.


Um mundo à espera de Obama
Nestes cinco anos também assistimos à guerra do petróleo da família Bush, mais conhecida por invasão do Iraque, a qual muitos países europeus apoiaram em troca do envio de um punhado de homens (os yankees que se fodam por lá desde que a gorda e preguiçosa Europa assista ao filme no conforto do sofá), desviando recursos preciosos da verdadeira ameaça no Afeganistão onde até parece que os talibans, possivelmente os mais odiosos fundamentalistas do mundo, não sofreram nenhuma derrota.
Há poucos dias, a propósito da pergunta "o que acham que vai mudar com Obama" no obscuro Dark Forum, comecei a pensar a sério no assunto.
E eis os factos, absolutamente formidáveis: em menos de um ano, Barack Obama passou de obscuro desconhecido a herói mundial com um apoio superior a 80% na maioria dos países do mundo. Repito: do mundo! É por isso que este é de facto, não apenas por ser presidente dos Estados Unidos, o homem mais poderoso do planeta. Tem dito o Arrebenta (não sei as fontes em que se informa) que Obama é mais um peão de Bildeberg. Até pode bem ser, por agora e porque lhe deu jeito (é conhecido como usou o partido Democrata para chegar onde chegou), mas se há homem que consiga abocanhar Bildeberg como um doberman a estralhaçar um caniche, é este o homem. Pela nossa saúdinha, é bom que seja. Se não for, Deus nos acuda.
Obama é a grande incógnita. Sem ele, é o abismo. Com ele, sabe-se lá.


Cinco anos de gótico
Mas basta do mundo que este é um blog pessoal. Quando comecei, éramos, como disse, meia dúzia de gatos pingados. Havia dois blogs assumidamente góticos de grande importância: Vampiria (que ainda existe, olá Vampiria!) e o Merdas Góticas, da 69eyeliner, há muito apagado (o que é uma pena). Nestes cinco anos temos assistido a uma explosão do movimento gótico na internet, não apenas em blogs pessoais como nos sites de amigos (Hi5, My Space), em fóruns, portais, associações... Até começa a ser demais, na minha opinião, mas sei que é uma questão de moda e que o equilíbrio não demorará a ser atingido.
Contudo, considero que o meu username "gotika" deixou de fazer sentido uma vez que tanta gente saiu do armário e se assumiu. O nome do blog não. Este continua a ser o "Gotika: diário pessoal do terror quotidiano" que sempre foi. O mundo pelos meus olhos.
Mas já era altura de arranjar um nome próprio em vez de um adjectivo.
Foi difícil, muito difícil. Toda a vida fui conhecida como "Fulana, a gótica", e se alguma vez tive uma alcunha, era essa. Mas nesta nova realidade sou apenas mais uma e o username tornou-se arrogante, ai de mim!
O meu novo username, como poderão ver no fim do post, fruto de uma daquelas centelhas de inspiração irrepetíveis em que tudo faz sentido, é o meu novo nome.
Não foi por acaso que escolhi um furacão, e em especial o furacão que dizimou New Orleans. Destruição. Ruína. Morte. Fúria. Crueldade. Violência. Desespero. Destino. Derrota. Desastre. Uma alma.
Enquanto eu tiver ligação à internet e enquanto me der na real gana, vou ficar, mais ou menos por aqui. Nothing ventured, nothing lost.

Obrigada a todos os que me lêem... pela vossa santa paciência. De mim já sabem o que esperar. Continuarei sempre a falar de todas as coisas lindas e maravilhosas da vida.
Because I see
Nothing but the good things

Bem hajam e obrigada por estes cinco anos!

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quinta-feira, novembro 20, 2008

Ser-(se) gótico, mas acima de tudo ser-"se"

Dedicado a todas as flores do mal ainda em botão

A adolescência é uma das fases mais interessantes da vida. Há quem diga que é a fase da descoberta mas eu discordo. Para alguns de nós (os felizardos) é apenas a primeira. Outras se lhes seguem.
Tem-me surgido muito a questão do que diria a um adolescente que podia ser meu filho sobre o gótico. Diria isto:
Não te deves preocupar com o que és, neste momento, mas apenas em ser. Um dia olhas para trás, dá-se um clique, e percebes o que és, o que foste, e até o que vais ser. Como diria o título daquele livro lamechas, "vai onde te leva o coração". Vai onde a alma te mandar ir. Sem vergonha, sem preocupações. Eu sei que dizer isto a alguém na idade em que se está a definir como pessoa merecia-me já um par de estalos mas alguém tem de o dizer de vez em quando.
Tenho para mim que só existem verdadeiros góticos a partir dos 25 anos, ou mais tarde ainda. Os estados depressivos são típicos da adolescência, o que torna todos os adolescentes numa espécie de góticos passageiros, mesmo os que fingem e não admitem. O gótico é aquele que vive permanentemente nesse estado de adolescência... desde a infância até à morte.
Mas quem ainda não fez 20 anos não se deve preocupar com essas idades longínquas. De forma alguma! Neste momento deves ser, sentir, estar. Pisar o chão que te dá mais conforto. Um dia chegarás a casa.
Boa viagem!

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quinta-feira, novembro 13, 2008

O que não se viu na televisão

Paulo Portas acusa Vitor Constâncio Governador do Banco de Portugal de ter fracassado enquanto regulador



É triste quando se tem que procurar na internet o que não passou na televisão gratuita para o pobre não ouvir. Não é que não interesse. É que mesmo que interesse o pobre está mergulhado em telenovelas e futebóis.
Paulo Portas diz tudo o que há a dizer e ninguém viu senão uns segundos. O vídeo foi posto online pelo CDS-PP. Só assim consegui ver. Apesar de durar 34 minutos vale muito a pena ver no mínimo os dez minutos finais. Quando tem de ser um partido político a mostrar o que a comunicação social devia fazer e não faz, não admira que se chegue a isto.

E já que estamos nisto, não se perde nada ver também mais esta:

Francisco Louçã: "BPN era um governo sombra do PSD"

Tem havido alguma agitação nas televisões esta semana. Os jornalistas revoltam-se... mas têm que piar muito baixinho. São ovos atirados a Lurdes Rodrigues, é Manuel Alegre a fazer o papel de Presidente da República (na questão da avaliação dos professores e no voto contra o escandaloso Código do Trabalho) na ausência factual do presidente eleito. Repararam? Eu reparei. Gostava que reparassem também, daí este apontamentozinho.
De resto, continuem a ler o Braganza Mothers que aquilo está muito bom.

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Muito depois do cemitério, já escurecia sobre a cidade, vi uma maravilha. Contra um céu carregado de chuva que brilhava na sua radiância alaranjada, uma montanha polvilhada de estrelas de luz, como uma árvore de natal, e ao longe sabia que cada uma delas era uma janela, muitas janelas em muitas casas, e em cada casa uma pequena amostra de alegria. Eram rios, rios de luz a descer as encostas, como um caminho de fadas tirado de um conto para crianças em que as serras estão perfumadas de flores e fontes e árvores milenares. Perante tanta beleza, pensei em ti. Que uma dessas casas devia ser a nossa, e que um dia nos encontraríamos, de mãos dadas, à chegada.
Mas era apenas a miragem de uma alma sonâmbula. Ao perto, as casas eram feias, grotescas. A terra, até a terra do chão, era negra e suja. Não havia caminhos de fadas mas estradas asfaltadas, pretas, cheias de rastos de borracha malcheirosa. Deixei de pensar em ti. Não te quero ali. Deixei de pensar em mim. Não nos quero assim.

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quarta-feira, novembro 12, 2008

A jantarada

Hoje tive o sonho mais peculiar. Estava a organizar uma jantarada para góticos mais velhos e apareceu gente suficiente para encher uma mesa de restaurante. Vamos por partes. Não era um meeting mas uma jantarada à antiga. Por góticos "mais velhos" não consigo definir um limite mínimo em concreto, apenas uma vaga noção da "velha guarda", de pessoas que poderiam ter estado fisicamente no Rock Rendez Vous, por exemplo. Surpreendeu-me ver tanta gente aparecer porque não os conhecia de lado nenhum. Mas estavam todos de preto, não há cá confusões.
A sobremesa era tarte de pastel de nata.

Foi um sonho engraçado. Obrigado por aparecerem. Havemos de fazer isto mais vezes. Tendo em conta a comezaina até saiu barato. Peço desculpa aos putos mais novos não terem sido convidados para o sonho. Na volta os velhotes só queriam estar em paz a recordar memórias antigas. :)

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terça-feira, novembro 11, 2008

É doloroso ter sono de dia e não ter sono de noite. Os meus dias de vigília forçada arrastam-se como um pesadelo. E ninguém quer saber.
Ninguém quer saber.
E ninguém percebe.
Imagine o leitor normal, cujos ritmos de sono estão ajustados ao funcionamento da sociedade, que subitamente tudo se invertia. Perto da meia noite, uma hora, duas horas, começava normalmente a ter sono. Mas não podia ir dormir antes das 7 da manhã. Uma noite até passava. Agora imagine viver assim o resto de toda a sua vida. Sim, começava a doer. Sim, a sua cabeça deixaria de funcionar e o seu cérebro transformava-se em papa. Sentença perpétua.
Não sei se fui criada assim se é uma deficiência genética: mais um erro de Deus. Muitas vezes, ao pensar nisto, encontro nesta uma das melhores razões para morrer.
E ninguém, ninguém, percebe.

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sexta-feira, novembro 07, 2008

Revista Abismo Humano

 

E com isto tudo esquecia-me de anunciar que saiu em Setembro a primeira edição da revista Abismo Humano, também em formato webzine que pode ser visto AQUI (clicar na capa da revista para visualizar as páginas). A Abismo Humano pretende ser uma revista trimestral e é uma produção da Humanarte mas conta com vários colaboradores "livres".
Neste primeiro número há um artigo meu que foi originalmente publicado neste blog sem a mínima pretensão de ir parar a lugares mais longínquos. Para recordar:

The Prophecy (saga)



Mais informação:

Humanarte
Fórum Abismo Humano

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quinta-feira, novembro 06, 2008

"My name is Earl"


"My Name is Earl" é uma divertida série cuja segunda época está actualmente a passar na RTP2 sem o destaque que merece. Trata-se da história de um homem que se dedicava a todo o tipo de esquema e velhacaria até ao dia em que "viu a luz" e descobriu o karma. A partir daí tenta emendar todos os erros anteriores, escritos numa célebre lista que guarda no bolso da camisa.
Passado num universo de trailer trash (as pessoas mais pobres e incultas da América), esta é uma série inteligente que aborda os temas mais sérios da existência com um sentido de humor fino e particular.
Absolutamente imperdível. Passa na RTP2 a horários erráticos, podendo começar a qualquer momento entre as 20h20 e as 20h45.

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quarta-feira, novembro 05, 2008

Precisamos de um Obama


O que aconteceu na América a 4 de Novembro é a promessa de uma viragem histórica a caminho da esperança e da paz a que o mundo inteiro não ficou indiferente. É minha opinião que quem limita este facto histórico à cor da pele de Barack Obama, o novo presidente dos Estados Unidos, não está a perceber de todo a importância do fenómeno. Barack não ganhou por ser branco ou preto ou mulato. Barack ganhou porque se atreveu a fazer um discurso de esperança por um mundo melhor, ignorando a real politic que é característica do próprio partido que o apoiou e descolando-se da tacanhez virada para dentro que caracterizou os últimos presidentes americanos, dirigindo-se até, no seu discurso de vitória, aos estrangeiros que o viam nos locais mais esquecidos do mundo. Espero que se refira a África (continente do seu pai), e à Ásia (onde a miséria e a exploração também grassam a todos os níveis), de que ninguém quer saber. Não sou egoísta ao ponto de me preocupar com a Europa que já tem mais do que idade e riqueza abundante para não precisar de ajuda (embora goste de se encostar quando toca a mandar os americanos para a guerra e os americanos tenham vindo a aceitar o encosto em troca do silêncio). Se isto acabar e Obama pedir responsabilidades à Europa, pode não ser bom para nós mas é bom para o mundo e já devia ter sido feito há muito tempo.
Com a saída do presidente George W. Bush, abandonamos uma era que por pouco se tornava uma das mais negras da História a seguir à guerra fria. Perante grandes ameaças, Bush fez grandes asneiras, norteadas pela ignorância e pelos interesses petrolíferos sob a capa de combate ao terrorismo. Por pouco, por muito pouco, isto não descambava num conflito global e terminal de que ainda não estamos salvos (mas parece que os iranianos, graças a Allah, não são tão suicidas como parecem). Bush conseguiu até pôr os europeus a considerarem seriamente a necessidade de um exército inteiramente europeu que protegesse os valores europeus do fundamentalismo religioso americano. Bush foi o pior presidente que a América já teve até hoje, e o mundo caiu nas trevas.
Mesmo assim, não foi por isso que Barack ganhou. O mesmo tentou John Kerry em 2004, há apenas quatro anos, já depois dos actos mais desastrados da administração Bush, e sem sucesso.
Barack ganhou o mundo com um discurso de confiança, esperança e fé, em vez do discurso de guerra e dinheiro. Mobilizou e trouxe esperança às pessoas de todo o mundo. E o mundo agradece-lhe.
Seja o que for que se passe a partir daqui, quer Obama se revele como prometeu ou se torne uma desilusão, podemos tirar lições para o nosso pequeno país. É melhor enterrar o discurso sebastianista como mito tipicamente português. Não é. O mundo aderiu a Obama como se um D. Sebastião se tratasse. Deixemos de ser arrogantes e derrotistas. Aqui também é possível. Não precisamos de um mito. Precisamos de um líder carismático, confiante, que calque com força suficiente para deixar pegadas na História. Enterre-se o mito. O que precisamos é de um Obama.
Um Obama que com a sua verticalidade dê um chuto nos ninhos de corrupção dos partidos com assento parlamentar, especialmente esses irmãos gémeos do Inferno PS e PSD, que comem bancos e choram migalhas a dar aos pobres, um Obama que tire as pessoas de casa e as ponha a votar no dia das eleições. Um Obama que faça ecoar por Portugal o clamor que agora se ouve pelo mundo.
As eleições são já para o ano. Agora só faltam tomates.


A importância do nome

Ainda sobre Barack Obama, um apontamento que me parece interessante. Curiosa, fui à procura do significado de Barack, nome próprio, e eis o que encontrei na Wikipedia:

In modern Arabic, the name Barack (Arabic: بارك ) pronounced ba'-rak, means "he who is blessed" or simply "blessed". A more common form in most Arabic-speaking countries is the passive Mubarak.

The usage of the root B-R-K as a male name meaning "blessing" occurs in the Ancient Semitic Sabean (barqac), in Palmyrene (baraq), and in Punic (Barcas, as surname of Hamilcar), and as a Divine name in Assyrian Ramman-Birqu and Gibil-Birqu[1], and personal Biblical name Barukh or Baruch (which is also the modern Hebrew cognate; see Book of Baruch for an instance of the name). "Barack" and "Baruch" are equivalent to "Benedict" (Latin Benedictus).

Não é uma coincidência agradável que o significado do nome Barack seja o mesmo do Papa Joseph Ratzinger, chamado de Bento XVI, em inglês também "Benedict". E não é agradável porque este é um mau Papa, um Papa que está a fechar as portas das igrejas que João Paulo II abriu. Um Papa que está a retirar cada vez mais cristianismo ao catolicismo. Um Papa de má memória.

Que Barack seja de facto bendito.

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segunda-feira, novembro 03, 2008

Profetas

O Dragão também já disse tudo:


Cassandras ao desbarato

Perguntado sobre o que de mais injusto lavra no país, o cidadão avulso não hesita: a Justiça; inquirido sobre o que de mais desgovernado, impestenejante, dispara: o Governo; interrogado sobre o que de mais errático, grosseiro e analfabeto, nem vacila : a Educação. E o restante vai pela mesma tabela... O mais doente? A Saúde. O mais mentiroso? A Informação. O mais vulgar e rasteiro? As Elites. O mais delapidador? A Economia & Finanças. O mais imundo? A Asae.

É todo um país virado do avesso. A berrar pelas costuras. Mas o mais sintomático é que não estamos perante mero paleio de táxista. O problema é que a realidade escorreu e liquefez-se num sórdido charco de absurdo cada vez mais alucinante. Já não são apenas simples verbos delirantes que vão ao volante de táxis: são Cassandras. À realidade, os politólogos, pantósofos e analistas lambuzam-na, quando não estão de pata alçada nela; eles, todavia, os outrora tresloucados motolálios, doravante chocalhantes de lucidez, proferem-na.
Ressalta uma, entre muitas evidências: Não foi só a completa noção de higiene mental básica que o país perdeu; foi a inteira noção de ridículo.

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Tradições do Dia de Todos os Santos

À medida que cada vez mais gente adopta tradições alheias na noite de Halloween, tenho-me vindo a aperceber que todos os anos é uma paródia mal feita que envergonharia qualquer norte-americano. Mais vale partir logo do princípio que é apenas mais uma véspera de feriado e deixar de lado as palhaçadas que já não têm graça nenhuma. Aliás, nós, os povos do sul da Europa, temos uma altura específica para as palhaçadas e essa data chama-se Carnaval.
Existem verdadeiras tradições portuguesas que caíram em desuso pela pressa dos tempos modernos. Vou relatar a minha experiência. Recordo-me sempre do dia de Todos os Santos porque recebia uma visita da minha avó que vinha dar "os Santos". "Os Santos" eram geralmente bolos ou quaisquer outras guloseimas que se comiam acompanhadas com jeropiga. Hoje decidi investigar a memória familiar sobre as tradições do Alto Alentejo, de um tempo que já não é o meu e de cujo fantasma apenas persiste a visita da minha avó. Parece que antigamente, no primeiro dia de Novembro, as crianças da aldeia iam de porta em porta a pedir "os santos", que eram sempre guloseimas para comer, mas durante o dia e não na véspera. Não se falava em bruxas. Estas guloseimas podiam ser nozes, passas, marmelos, romãs, e principalmente uma espécie de bolos fintos (levedados) que se faziam para a ocasião, os chamados "bolos dos santos". O dia de Finados, 2 de Novembro, era celebrado com a ida ao cemitério onde se dizia a missa e benzia as sepulturas.
Tudo isto deixou de fazer parte da cultura das cidades. Observei como a vida profissional forçou que a visita ao cemitério passasse para o dia anterior ao dia dos Finados, por ser feriado, mas ainda me lembro dos tempos em que mesmo em Lisboa era uma autêntica romaria, pelo menos até aos anos 80. Depois as pessoas deixaram de ir. A sociedade transformou-se, e esqueceu-de da morte como se tenta a todo o custo esquecer-se da velhice. Os velhos, como os mortos, são agora enfiados num lar, ante-câmara do cemitério, e visitados quando há tempo até ao momento em que são dirigidos à última morada e já ninguém lá volta.
Este materialismo da sociedade, esta cultura do jovem e abandono do velho, este virar de costas à morte é também uma falta de espiritualidade que só pode gerar frutos nefastos. Em princípios do século XXI, voltámos a uma falta de respeito pela dignidade humana que possivelmente nem os nossos antepassados medievais experimentaram. O ser humano só é válido enquanto é jovem e produtivo. A partir dos 40 anos já não é considerado apto para o trabalho e a partir dos sessenta, se adoece e não morre logo, torna-se um longo fardo de mais 30 anos a suportar pelas famílias. Curiosamente, outro dos factores que conduziu a esta situação é de facto o milagroso avanço da medicina que prolonga a vida para uma duração média inédita na História. Estamos mesmo a viver um momento verdadeiramente histórico em que os valores sociais não se conseguiram adaptar ao progresso científico. Vive-se um desequilíbrio entre o que é a vida imaginada e a vida real. Uma alienação perfeitamente formidável e sem precedentes, só comparável a momentos na História em que se quis reconstruir civilizações a partir de pressupostos religiosos ou ideológicos irrealistas (assim de repente lembro-me da cristianização forçada no império romano, do comunismo e do nazismo, mas certamente há mais exemplos). Diz-nos a mesma História que este desequilíbrio não pode durar.
As celebrações do dia de Todos os Santos e dia de Finados, o Halloween ou Samhain, são, como o Natal e a Páscoa, mais uma prova de que a espiritualidade do Homem não é forjada a martelo nem pode ser negada, por muito pervertida que ressurja no decurso dos séculos.

Sabendo que a cultura não volta para trás, não proponho de modo algum o retorno às tradições antigas, mas congratulo-me que cada vez há mais festas de Halloween para as pessoas normais. Acabou-se também a romaria aos locais góticos, qual visita anual ao jardim zoológico. Venha pois, a americanização, e em força!

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