terça-feira, setembro 27, 2005

Vende-se

Cérebro
(Feminino.) Em óptimo estado. Eficiência comprovada em Ciências Humanas, Línguas e Literaturas, Psicologia e similares. Excelente oportunidade para dondocas socialites que não têm conversa nem precisam de se levantar cedo.


Coração
Uma máquina! Venha experimentar um test drive.


Rins (2)
Em excelentes condições. Sem pedras. Distilação quase automática.

Fígado
Bastante kilometragem. Faço um desconto.

Pulmões (2)
Um bocadinho encardidos. Desconto na compra do par e oferta de um pacote de Xau para a lavagem.

Olhos (2)
Miopia no esquerdo, astigmatismo no direito. Em separado ou em conjunto. (Na compra dos dois, ofereço os óculos, no valor de 150 euros.)

Útero
A estrear!!!

Óvulos vários
Remessa de um por mês.

Bexiga
Oportunidade única! Pequena e prática, leve, fácil de transportar. Óptima para praia ou campo.

Garganta
Ainda tem as amígdalas!!!

Dentes
Preço especial pelo lote disponível ou melhor oferta caso a caso.

Medula óssea
À discrição.

Sangue
5 a 8 litros de sangue puro, não contaminado, imunizado contra todas as doenças comuns e algumas incomuns. Até se bebe do frasco!

Esqueleto
Preço do osso ao centímetro.

Vagina
Isso não vendo, vão-se foder.

Desconto pelo lote. Desmontagem grátis. Entrega ao domicílio.

*Super promoção!!! Na compra do lote, oferta de orgãos secundários para Faculdades de Medicina, canibais e similares.

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O Captain! My Captain!

O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won.
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring,

But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up--for you the flag is flung--for you the bugle trills,
For you bouquets and ribbon'd wreaths--for you the shores a-crowding,
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;

Here Captain! dear father!
This arm beneath your head!
It is some dream that on the deck,
You've fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still,
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will,
The ship is anchor'd safe and sound, it's voyage closed and done,
From fearful trip the victor ship comes in with object won;

Exult O shores, and ring O bells!
But I walk with mournful tread,
Walk the deck my captain lies
Fallen cold and dead.




Walt Whitman
April 15, 1865

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segunda-feira, setembro 26, 2005

First and last and always

Uma história que precisa de ser contada antes que o nevoeiro da memória a leve para sempre.
A noite em que eu percebi onde eu pertencia. A noite em que eu percebi que era gótica.

No sábado anterior, tinha ido ao Incógnito com uns amigos. Isto foi, salvo erro, em 1989. Talvez no Outono. Não me recordo. Dos amigos só me lembro de um, o único que importava. Aquele de quem ainda sinto saudades. Uma alma gémea perdida na outra vida.
Nessa altura já há dois anos que andava pelo Bairro alto, pela Juke Box, até pelo Frácil, e também parava num bar todo cinzento chamado... Foi-se. O nome foi-se. Agora é o restaurante Põe-te na Bicha. Lembro-me de noites e noites passadas a falar de música à volta das mesas cinzentas, a ouvir incessantemente Joy Division e a beber não sei o quê. Com groselha. Tenho a certeza que levava groselha. Ou talvez não.
Nessa altura já sabia que pertencia a uma onda alternativa, cheia de jovens urbano depressivos, artistas, ou melhor, aspirantes a artistas, muitos deles engolidos pela heroína pouco depois. Muitos deles perdidos num mundo de fatos e gravatas. Muitos deles desaparecidos em acção.
Então, naquele sábado no Incógnito, roubaram-me a carteira. Lembro-me dos pormenores. Devia 1500 escudos, três vodkas com laranja (o vodka era a 500 escudos) e como éramos todos uma cambada de tesos, só levávamos o dinheiro à conta. Ninguém me podia pagar a despesa porque ninguém tinha dinheiro.
Não me lembro se deixei lá o meu BI ou se confiaram na minha palavra. Eu era, afinal, cliente conhecida da casa.
Ficou combinado voltar lá assim que pudesse.
Isso aconteceu na segunda feira seguinte. Fui acompanhada de dois amigos. Nessa altura costumávamos ir ao cinema às segundas feiras. Não me lembro se ainda íamos para o cinema ou se já voltávamos. É possível que fosse na volta porque o Incógnito só abria às 10, ou seriam 11?, e os amigos estavam com pressa.
O que descobri nesse dia obliterou tudo o resto.
Entrei sozinha, só para pagar a conta.
A casa tinha acabado de abrir. O primeiro cliente tinha acabado de chegar. Um tipo de preto, encostado ao corrimão do primeiro andar. Estava escuro. Mal se via coisa alguma. Eu conhecia o sítio de cor, não precisava de luz.
Segui um dos empregados de bar até à cave, onde também era a pista de dança. Nesse momento, o DJ levantou o som da música. Ligou a máquina de fumo. Um cheiro a gelo e um frio penetrante fizeram-me esquecer o que me levara ali. E de repente, percebi que estava escuro, no meio do nevoeiro, sem pessoas excepto o vulto de preto, e das colunas de som ouviu-se:

Brother wolf, sister moon
Your time has come
Brother wolf, sister moon
Your time has come

And the wind will blow your tears aways
Will blow your tears away
Will blow your, your tears aways, yeah! Your tears away, yeah!



Ian Astbury cantava. Eu parei. Esqueci-me dos amigos lá fora e acho que acendi um cigarro. Nesse momento o tempo parou. Não queria sair. Tudo o resto não fazia diferença. As pessoas não importavam. Só o nevoeiro, o som e a escuridão falavam comigo. E ouvi-os falar comigo. E as pessoas calaram-se. Eu estava sozinha. Absolutamente sozinha. E era agradável.
Nesse momento percebi que as pessoas lá fora, à minha espera, nunca sentiriam o mesmo.
Fui transportada para onde sempre estive sem saber, e encontrei-me.
Fiquei ali até aos Cult darem lugar a outra música. Não sei que desculpa inventei para a minha demora. Para explicar como fiquei embriagada de som e escuridão e nevoeiro. Para explicar que tinha encontrado o meu lugar e não queria sair.
Acabei por sair. E por voltar.
O gótico foi a única coisa que estava dentro de mim antes da vida e que continuou dentro de mim quando essa vida acabou.
O som, a escuridão, o nevoeiro. Os vultos negros desconhecidos. A solidão absoluta.
O único, o primeiro e o último porto de abrigo. First and last and always mine.

Nessa noite tive a certeza. Nunca nada foi o mesmo nunca mais.

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Which Tim Burton film are you from?

Take the quiz: "Which Tim Burton film are you from?"

Sleepy Hollow
your entered for SLEEPY HOLLOW! you love the blood and gore of films and cant wait till your covered in corn syrup. Its probable you have a violent nature. For this role you must be agile, unafraid of getting mashed and sliced and ready to speak in ye olde english.

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sábado, setembro 24, 2005

There's no earthly way of knowing
Which direction we are going

There's no knowing where we're rowing
Or which way the river's flowing

Is it raining? Is it snowing?
Is a hurricane a-blowing?

Not a speck of light is showing
So the danger must be growing

Are the fires of hell a-glowing?
Is the grisly reaper mowing?

Yes, the danger must be growing
Cause the rowers keep on rowing
And they're certainly not showing
Any signs that they are slowing.


Roald Dahl



Captain, oh my Captain!
O navio vai desgovernado. A bússola gira como um demónio! À volta só se vê o grande oceano, brilhando como prata à luz do sol, negro como carvão no céu nocturno.
Temo que as velas estejam rasgadas. Há tanto tempo que não são saem dos mastros! O navio vai à deriva dos ventos!
E disse the captain: Not a speck of light is showing
So the danger must be growing

Mas vamos para onde, se não se vê terra em redor? O leme gira sozinho. O barco geme de dor.
E disse the captain: Yes, the danger must be growing
O navio não navega, flutua como restos de um naufrágio. Os mantimentos estão a acabar e não há sinais de terra. Nem lugar para onde ir.
It's impossible to steer a ship to a destination when you don't know where you want to go.
Vamos morrer à fome. À mercê dos ventos e das marés...
There's no earthly way of knowing
Which direction we are going


E the captain levantou-se e foi-se pôr à abeirada, de olhos postos no horizonte. Shut the fuck up. Não assustes as gaivotas.

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sexta-feira, setembro 23, 2005

O casino

É tão bom que não pude resistir a partilhar este post do Blasfémias:


(...)
A Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações assentam numa base de caixa, híbrida, mas de caixa. Significa isto que as suas regras não atendem a critérios de justiça (porque cada um não recebe aquilo que é seu, nem tem acesso ao que descontou senão sob a forma de pensão, nem sequer a adesão é voluntária), mas apenas à gestão e distribuição, por critérios definidos politicamente, dos recursos que o Estado consegue obter junto dos cidadãos num determinado espaço temporal.

Durante vários anos as condições de tesouraria (muitos contribuintes, poucos beneficiários, esperança de vida próxima da idade da reforma) permitiram que fossem concedidas reformas muito superiores às que seriam atribuídas caso na fixação do seu valor o critério seguido fosse o da capitalização individual (em que cada um recebe os seus decontos actualizados pela respectiva valorização verificada ao longo da sua vida activa).

O actual sistema de reforma funciona como um jogo, assenta numa base aleatória, ao bom estilo do Casino, onde contudo todos somos compulsivamente obrigados a jogar: o jogador é o cidadão, o concessionário é o Estado.

Ao longo da vida, um cidadão, mensalmente, entrega ao Estado 33% daquilo que produz; são essas as fichas que coloca sobre o tapete verde; se morrer antes da idade da reforma, fixada por decreto, ou se enquanto reformado não chegar a viver para aquecer o banco do jardim, ganha o Casino; se a saúde e o destino permitirem que sopre as velas por muitos e longos anos, Bingo, é este o Vencedor!

A solvabilidade deste sistema resulta da conjugação de diversas variáveis, taxa de natalidade, crescimento da economia, taxa de mortalidade, esperança de vida, capacidade dos contribuintes inflacionarem as suas reformas maximizando as regras que, por inspiração legislativa e ao sabor dos tempos, vão sendo sucessivamente adaptadas. Se as «coisas» começarem a «correr mal», a população envelheceu, não morre, a economia não cresce? Mudam-se as regras: o Totoloto passa a ter 49 números, em vez dos iniciais 45, aumenta-se a idade da reforma, restringe-se o seu cálculo para que as prestações sejam menores. Tudo em nome da Justiça e da Solidariedade, é claro. E da defesa do Estado Social.

Mas onde anda a Justiça num sistema que não permite o acesso do cidadão ao capital acumulado no momento em que ele realmente precisa, fixando-se antes a idade da reforma na data que financeiramente convém ao Casino, desculpem, ao Estado? Porque é que para ter acesso ao fruto do nosso esforço, temos todos de ver planeada a nossa vida activa até à mesma idade? Numa lógica de «tudo ou nada»? Um polícia ou um professor, quem sabe melhor do que o próprio qual o momento adequado para se retirar, o Estado? Será que as histórias das nossas vidas são assim tão iguais, que tenhamos de as condicionar por Decreto? E será Solidária a norma que, perante o infortúnio da morte, permite que o sistema absorva o fruto do trabalho de toda uma vida, impedindo que o capital acumulado possa ser mobilizado em favor dos familiares do falecido, ou mesmo do próprio, antes da morte, para que este capital o ajude a morrer em paz? E tudo isto para quê? Para permitir que alguém que na lotaria da vida foi capaz de ter uma maior longevidade, possa beneficiar do prémio, de uma reforma superior à que permitiria o fruto do seu esforço? A tudo isto acresce, para mim, algo que me parece ser um factor evidente de desagregação social a prazo: a inversão das condições conduz a que, perante as dificuldades de tesouraria, os pais capitalizem nas suas reformas o esforço dos filhos, consumindo hoje aquilo que estes deveriam poder receber no futuro. Esta é uma solidariedade estranha, os pais a consumirem os recursos dos filhos...

O problema é particularmente sensível porquanto se estão a alterar as regras do jogo já a roleta está a rodar. Portugal vive hoje o ambiente denso próprio de um casino, onde os seus proprietários se aperceberam que o cliente está a ganhar, e não há dinheiro para pagar: o senhor apostou no vermelho? Azar, o vermelho afinal já não dá lugar ao prémio. Obviamente, é melhor não protestar, que os capangas do Casino têm de justificar o salário...

Justiça? Solidariedade? Já alguém viu disso na sala de um casino?

Rodrigo Adão da Fonseca


Hahaha!
E a roleta já está a rolar!
Gostei. Gostei mesmo muito.

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O fosso e o pêndulo

Silêncio na noite tépida. Abro uma lata de Diabräu e percebo que tenho as unhas demasiado compridas para teclar depressa. Vai ser longo e demorado.
Então, a situação. Tinha uns planos mais ou menos organizados quando fui acometida por 39,4º de febre. Não tenho gripe com frequência. Desprezo a doença. Sou a última a reconhecer que estou doente ou que alguém está doente. Há quem faça o mesmo com a morte, há quem finja que não há morte, eu finjo que não há doença. Neste caso, fui mesmo obrigada a parar. Não que estivesse a dormir porque não conseguia dormir. E de repente vejo-me de novo a ir para a cama às 9, 10 da manhã, e a levantar-me às 9, 10 da noite.
Assim se passou uma semana. No nevoeiro da febre e da gripe, o cérebro continuou a trabalhar a um nível intelectual que a maioria das pessoas não atinge nos seus melhores dias. Mas a nível muito prático, passei-me para o outro lado. Não saí de casa durante mais de uma semana e se não tivesse de ir comprar tabaco não teria saído tão cedo. Não senti falta de nada nem de ninguém.
Entretanto, dei comigo a ter um estranho ataque de caspa. Como não mudei de champô nem pus nada esquisito no cabelo, concluo que é dos nervos.
Agora, poder-se-ia dizer que o meu caso é patológico, mas será mesmo? Duvido. Duvido mesmo muito.
Finalmente, fiquei saudável outra vez. Voltei a procurar emprego. Telefonaram-me mas ainda não me dei ao trabalho de responder. Também não é fácil responder quando se está a dormir. E também não é fácil sair da cama quando não há razão para o fazer.
Todos os santos dias me tenho perguntado o que quero ser e o que quero fazer. Não encontro dentro de mim a resposta. E a resposta tem de vir de dentro de mim e de mais lado nenhum.
E a resposta é sempre esta: não quero ser nada nem quero fazer nada.
Levar esta questão a um psiquiatra, ou, cruzes credo!, a um psicólogo, é risível. Dir-me-iam que estou deprimida. Ora, depressão não é. A depressão pressupõe que se sinta alguma coisa. Eu não sinto grande coisa. Tenho pena dos meus gatos. Tirando isso, nada de nada.
A minha insatisfação não tem limites. A minha desmotivação não tem limites. A minha raiva poucos limites tem. A minha revolta é do tamanho da minha apatia.
Também me pergunto quanto disto é social e quanto disto é pessoal.
Da mesma forma que neste momento me pergunto se quero deixar aberta a caixa de comentários para uma meia dúzia de carolas dizerem de sua justiça o que acham do meu caso ou se estas palavras ficam simplesmente para o éter, para o universo, para Deus.
Depois chego à conclusão que não interessa a ponta de um corno.
Ando pelas páginas da internet a responder a anúncios para aquilo que me parece ser capaz de fazer sem me chatear muito e ganhando o mais possível (o que não é muito, diga-se de passagem).
Agora, falando de prazer, ou da falta dele, podia acrescentar que me falta prazer pela vida.

-Que eu vivo com o mesmo sem vontade
com que rasguei o ventre a minha mãe.


Não tenho, absolutamente, a mínima ambição. Coisas como comprar uma casa, ter uma relação, um bom emprego, dar uma queca, preocupações de gente normal, não me dizem rigorosamente nada.
Não é que não me passe pela cabeça ir para a cama com um gajo muito giro e nunca mais o ver na vida.
E no entanto, ironia das ironias, vivo para o prazer. O que mais há de interesse do que viver para o prazer? A vida é como uma festa. Cheguei à festa e percebi que era uma grande seca. As pessoas não têm conversa. Aborreço-me. Quero sair. Mas tenho de ficar. Pela porta de saída passa-se na horizontal. Num caixão, obviamente.
Meto-me nos copos. Arranjo uns headphones e ouço a música que gosto. Passa-se o tempo.
Quantos anos faltam até sair desta merda?



O poço e o pêndulo


Bem, há alguns anos, uma profecia levada a cabo com um pêndulo mágico ditou que eu ia morrer aos 39 anos com um ataque de coração. Nessa altura não acreditei no ataque de coração. Ninguém da minha família tem problemas de coração. Nós, é mais cancro.
Mas isso foi antes dos ataques de ansiedade. Às vezes sinto os pulmões a arder. E, às vezes, o coração pára mesmo.
Devo confessar que ficarei muito desapontada se não morrer quando o pêndulo parou. Era mesmo uma grande chatice.
"O poço e o pêndulo" é um conto de Edgar Allan Poe. E entre o poço e o pêndulo, venha o diabo e escolha. No poço já eu estou.
A questão é: sair do poço para onde?...
Não é que não tenha pensado em algumas coisas. Apetecia-me tirar um curso de Português-Inglês. Tenho duas maneiras de entrar na Faculdade de Letras. Uma, por ter um curso superior. Há concursos especiais para isso. Mas só abre uma vaga e pode aparecer alguém com uma média superior. Outra, é fazer o exame do 12º ano e entrar com passadeira vermelha. Oh, como é fácil a educação em Portugal! Até pensei em voltar ao meu liceu e pedir para assistir a umas aulas do 12º ano como preparação. Tenho a certeza que eles iam adorar ter-me lá. E eu sempre me distraía. Com o meu hobby, lá tirava o lugar a um jovenzinho candidato ao curso. Mas a vida é injusta e, como disse, eu vivo para o prazer. Aliás, viver para a justiça, neste país, é uma perda de tempo.
Tal como é uma perda de tempo ir tirar o curso. Para quê? Para encher o ego? Para gastar dinheiro em educação que não serve para nada?
Nah! Não sei, mas não me parece.

Também pensei em escrever uma história. Mas também não me parece.

E pronto, acabaram-se as ideias.


Nem sempre foi assim. Porque não começar pelo princípio? Isto de ser a melhor aluna da turma, e falo da escola primária, sempre teve muitas desvantagens. Mais desvantagens do que vantagens, diria mesmo. Não é fácil em tão tenra idade lidar com a inveja de 30 miúdos ranhosos e abaixo da média. (Ou na média. Eu é que estava acima da média e por vezes até me esqueço desse pormenor.) Tirando uma miúda que era muito boa a matemática e teve mais sorte na vida porque hoje é contabilista (ainda bem para ela, porque inveja é coisa que não sei o que seja).
Lembro-me da primeira frase em inglês que eu construí só de ver filmes. Era ela: "Look, boy, the car!". Tinha eu oito anos e estava na terceira classe. Fui mostrar a frase à minha professora, que me corrigiu imediatamente: "Bem, a frase não está completamente correcta. Em inglês diz-se: Look at the car." Nunca mais me esqueci do "at". Mas depois ela disse: "Mas não percas tempo com isso porque só vais aprender Inglês no ciclo".
Castração. Frustração imensa. Revolta. Raiva.
A melhor aluna da turma inventava todas as desculpas para não ir à escola.

Ah, agora me lembro do liceu! A melhor aluna da turma andava a fumar hax atrás do ginásio e a sair à noite (todas as noites) para o Bairro alto, isto já no 12º ano, e chegava às aulas de Filosofia de óculos escuros e uma ressaca das grandes. E tarde, obviamente. Muito tarde. A inveja daquela gente era de se lhe tirar o chapéu. Eu nem gostava de filosofia. Odiava Kant. Odiava Descartes. E anda odeio, diga-se de passagem. Seca do caraças. Toda a minha vida foi uma seca do caraças. A vida é uma festa que é uma seca do caraças.

A minha entrada na faculdade é outra anedota. No próprio dia da inscrição tive de ir comprar à pressa outros impressos porque nos meus impressos tinha posto como primeira opção Gestão de Empresas. Alguém me disse, na bicha de 5 horas para a inscrição, que eu não podia escolher Gestão de Empresas porque naquele tempo as opções faziam-se no 9º ano e eu tinha escolhido a área de Humanidades. Em meia hora, escolhi um curso e uma universidade. Foi assim, tipo totobola. Nunca tive de me preocupar com essas merdas. Tinha nota para entrar em tudo. Um do li tá, qualquer curso serve. Já naquela altura sabia que não havia porcaria de área que não estivesse superlotada.
Mas eu era muito nova e acreditava no mérito.
Quando eu disse que a minha vida desse tempo acabou, não brincava. E o que se poupa em reencarnações? Essa mulher morreu.
Sim, a rapariga cresceu, tornou-se mulher e morreu. Tudo em vinte e poucos anos.


Segundo nível

Estamos então no nível seguinte. O bonequinho do Tetris faz uma dança e ganho um bónus. Uma vida extra. Ta-tching.
E vejo-me de malas prontas para seguir viagem noutra dimensão.
Talvez o meu caso seja a prova provada que não se podem viver duas vidas numa só vida.
Tenho uma vida extra e não sei o que fazer com ela. A resposta é sempre a mesma: "Nevermore, nevermore". (Estamos muito Poeanos hoje.)
Então hoje dormi 14 horas. E sonhei com algumas coisas, não sei o quê.
A distância que me separa das outras pessoas é tão grande que não lhe chamaria poço mas sim fosso.
"E viviam, e casavam, e davam as suas filhas a casar", é qualquer coisa assim, e eu não tenho nada a ver com isso.
A única parte de mim que ainda funciona a nível normal é a parte intelectual. Às vezes escrevo coisas aqui e deixo comentários por aí. Entretenho-me com o filme. Porque, verdade se diga, a festa é uma seca. Há que arranjar distracções.
Podia escrever mais mas acho que vou ver o "Smallville".
É irrelevante. A sério, é irrelevante.
Ta-tching. Vida extra de bónus.

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terça-feira, setembro 20, 2005

Novo fórum - com música!

Como devem ter reparado, há muito tempo que não partilho ficheiros de música. Isto porque requeria pelo menos uma hora a fazer o upload, actualizar a página, anunciar o update... Bem, é muito mais fácil no novo fórum.
Basta uma ideia, um pedido, e faz-se luz (neste caso, música).
Registem-se!

http://s13.invisionfree.com/GotikaBlog/

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segunda-feira, setembro 19, 2005

Novo fórum de discussão

À semelhança do grupo MSN GotikaBlog, criei um novo fórum de discussão que parece mais arrumado e organizado do que o grupo referido.

Todos os leitores do blog estão convidados para se registarem aqui:

http://s13.invisionfree.com/GotikaBlog/

Vamos ver se isto resulta.

Entretanto, estive em isolamento mais ou menos forçado com uma gripe valente. Há mais de uma semana que não saio de casa. E não é que me apeteça sair, para ser sincera. Isso seria material para outro post mas não sei se o vou escrever. Não sei? Claro que sei. Não o vou escrever mesmo.

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Já não sou uma miúda nova.

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domingo, setembro 11, 2005

Shut the fuck up

Eu perdi amigos porque não tinha dinheiro para acompanhá-los.
Eu desisti de falar com gente que não ouve.

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quinta-feira, setembro 08, 2005

"Portugal pode desaparecer"

Carta de um leitor ao Diário de Notícias de sábado, 3/9/2005. Não estava online, por isso tive de transcrever. Este cidadão pensa do país exactamente o mesmo que eu, o que me poupa imenso trabalho. Afinal, parece que as mentes já pensaram tudo o que havia para pensar.
É mais um dos clichés deste país, "o diagnóstico está feito". Passar do diagnóstico à cura é que não há meio.


Portugal não funciona...
O sistema de justiça não funciona, com sentenças a demorarem anos e, portanto, a produzirem uma não justiça.
Temos a mais alta taxa de sinistralidade rodoviária da Europa, mas a polícia limita-se a medir a velocidade e o álcool, multando muitas vezes condutores que não estão a fazer mal nenhum. Os assassinos escapam incólumes.
A criminalidade aumenta, mas os tribunais põem os criminosos na rua. O mesmo criminoso é apanhado vezes sem conta pelo mesmo crime.
Temos a praga dos incêndios e os tribunais libertam os incendiários e ainda ninguém chegou à conclusão de que o eucalipto e o pinheiro têm de ser erradicados.
Não há justiça fiscal. Há décadas que se sabe que os mais ricos não pagam impostos. O Estado paga-se com o dinheiro retirado à classe média.
A educação e a saúde são caríssimas, mas os resultados são péssimos. Na saúde são públicos os grandes negócios e a corrupção. A medíocre educação compromete o nosso futuro.
Poucos são promovidos por mérito e competência, o que decide tudo é o compadrio e o suborno, beneficiando os medíocres.
Há empresas que cumprem as suas obrigações pagando impostos, salários e dívidas. Outras não o fazem, mas nada sofrem por isso, criando-se concorrência desleal.
Dependemos do turismo, mas os nossos monumentos estão em ruínas e a nossa costa está a saque dos interesses imobiliários.
Desemprego, défices do Orçamento e do comércio externo, falta de perspectivas, desespero, vontade de fazer justiça popular, desânimo.
Este quadro negro não é novo, pois já muitas vezes estivemos em sérias dificuldades ao longo da nossa História. Só que dantes não tínhamos alternativa e tínhamos que lutar pelo nosso Estado.
Hoje não nos podemos fechar ao exterior e os espanhóis vão tomando conta da nossa economia. Hoje existe um poder acima do Estado nacional que é a Comunidade Europeia, e se o nosso Estado continuar a desagregar-se, quando perguntarem aos portugueses se não se importam que a Europa os governe, e esta pergunta há-de ser feita, nesse momento decisivo, o Estado português, com oito séculos de História, pode desaparecer.
Fica a nação. Mas uma nação só sobrevive com um Estado ou sem um Estado tirado à força (País Basco, curdos, etc.). Se for de livre vontade e se, ainda por cima, a situação melhorar, desaparece também a nação.


Jorge Duque
Perosinho


Impunidade



Penso que o problema mais grave do nosso estado-nação é a impunidade. De modo geral, e em particular. De modo geral, porque não há avaliação (ou ela é viciada por cunhas e amiguismos, o que vai dar ao mesmo) e respectivo sistema de castigo/recompensa, e não havendo avaliação, não há esforço, e não havendo esforço, não há excelência. Fica a mediocridade. Em particular porque, como diz o cidadão acima, o sistema de Justiça, o mesmo em que se apoia a legitimidade do estado democrático, não funciona. Não funcionando, toda a gente, desde o vulgar chico esperto ao maior grupo de empresas do país, faz o que lhe dá na gana e ninguém o castiga por isso. Certo que um ou dois são apanhados, mas ainda são gozados por se terem deixado apanhar e não pelo que fizeram. (É A TOTAL INVERSÃO DE VALORES!) Porque, vendo o exemplo, e em roma sê romano, toda a gente que já teve pelo menos um emprego a sério na vida tem o rabinho preso. Se calhar, até o tem antes, à conta de erros dos pais. De modo que, de certa forma, até dá jeito às pessoas perpetuarem a impunidade porque na hora de distribuição de réguadas ficavam todos de mão a arder.
O que acontece com isto é uma inversão de valores muito grave. O que era o nacional porreirismo tornou-se no enterro da nação.

Por isso, se me perguntarem se quero ser governada pela Europa, eu vou dizer que sim. Não acredito que as pessoas do país mudem se os governantes não mudarem, e os governantes não mudam porque as pessoas não querem que eles mudem.
De modo que sim, aceito, porque assim não pode continuar. O meu último acto de patriotismo será o de entregar a nação a quem cuide dela.

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segunda-feira, setembro 05, 2005

É só estilo

Se achavam que os góticos em Portugal são estranhos e exuberantes... pensem de novo.
Aqui, não passamos de uns pacóvios góticos de província.

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domingo, setembro 04, 2005

A cidade do vampiro Lestat

E do vampiro Louis.

A cidade que eu comecei a amar através dos livros... New Orleans.

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