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quarta-feira, 6 de março de 2013

Gotika: arquivos Abril 2004

abril 02, 2004

O meu afilhado nasceu!

Não vou explicar a extensão deste “afilhadanço”, apenas que fui eu que dei a ideia e que fico contente por ver que ele escreve!
Ele escreve de uma maneira que é só dele e de mais ninguém e eu achei que não devia escrever para a gaveta, ou pior, não escrever sequer.
Hoje ele já tem tudo a funcionar, tudo certinho, faltam lá visitantes.
Por isso, se puderem, dêem um saltinho a esta Ribeira Negra.

Sou a madrinha. Babada!

Publicado por _gotika_ em 10:17 PM | Comentários: (7)


Armand, a hárpia

E pronto, vamos lá cascar outra vez no vampiro Armand.
(Ao mesmo tempo, aproveitando para cascar em todos os “vampiros Armands” que por aí há, e não são poucos! Por isso, se alguém estiver a ler e enfiar a carapuça...)

À segunda vez que Anne Rice (na figura de Lestat) associa a personagem de Armand a uma hárpia, confesso que me despertou a curiosidade e tive de ir pesquisar. Em toda a galeria de monstros da antiguidade não me lembrava exactamente do que era a hárpia.
E era então um monstro com tronco de mulher, asas, pés de abutre, longas garras e face pálida e esfomeada. Originalmente a hárpia era um símbolo da Justiça, uma criatura criada pelos deuses para atormentar os malfeitores, mas degenerou numa criatura maléfica por si só. Na “Odisseia” de Homero, as hárpias eram ventos que arrastavam os marinheiros para longe. Na Idade Média, a hárpia transformou-se no símbolo da ganância e do diabo, e a ideia prevaleceu. Na língua inglesa, significa uma pessoa vil, implacável e extorcionista. Enfim, só palavras meigas.
Cá está ela, a hárpia:



Por outro lado, a figura delicada de Armand lembra um anjo de Caravaggio. Aposto tudo que era neste que Anne Rice estava a pensar, e pelo que vi nos sites dedicados às vampire chronicles, não sou a única:

(São Mateus e o Anjo)

Temos então um lobo na pele de cordeiro, o que por si só é muitíssimo perigoso. Pela altura de “A Rainha dos Malditos”, Armand já tem um largo cadastro no sentido exacto da palavra.
É engraçado que uma vez li na Boa Estrela algo que me deixou os cabelos em pé e que quis transcrever aqui mas depois o tempo passou e... O que interessa é que se aplica agora. Entre várias medidas para ter sucesso na vida, uma delas era: “Tente descobrir o que as pessoas vão querer antes de elas descobrirem o que querem. Fazer alianças multiplica o poder. Faça com que as outras pessoas o ajudem e colaborem, unindo-se em direcção ao mesmo alvo”. Eu chamo a isto “manipulação”, mas de um ponto de vista muito realista, sim, isto funciona. Lembro-me de ter pensado que se para ter sucesso na vida tivesse de seguir aqueles 50 conselhos - como é que a Boa Estrela publica um artigo tão pouco edificante ainda não percebi - nunca teria sucesso porque prezo muito a minha consciência. É que eu tenho uma, e pesa-me.
Agora, que a manipulação e o intriguismo resultam, se resultam!
Não sei se o vampiro Armand lê a Boa Estrela, ou talvez tenha nascido ensinado. Todos nascemos com um dom especial.
Pois o dom de Armand é o poder. Mudam as circunstâncias, mudam os ideais, mas Armand tem o dom de “ficar sempre do lado certo”. Qualquer político devia ver em Armand uma inspiração.
Mais do que o intriguista que separa os amigos para seu proveito, Armand é sempre e toda a vida o líder do coven dos vampiros “civilizados”. Como o consegue? Quase por artes mágicas, torna-se na personificação da lei em vigor no momento - o Estado, podemos assim dizer - e chama a si os que temem viver na insegurança. Lestat não faz parte de coisa nenhuma e Louis está sempre tão ocupado a ter pena de si próprio que nem se apercebe que existe um mundo além do seu umbigo. Armand deseja os dois porque possivelmente tem uma certa inveja de não precisarem de quem lhes diga o que fazer. A liberdade é um conceito que Armand não compreende. Na sua ânsia de sobreviver, não se terá esquecido de viver? Que existência triste.
Quando Lestat foi criado, Armand tinha um coven de vampiros que viviam debaixo do cemitério e se dedicavam ao satanismo. Isto porque alguém lhes disse que era assim que deviam fazer, e alguém estipulou as regras que seguiam há séculos. Por ignorância, Lestat acaba por mostrar aos vampiros da altura que havia alternativa. E isso destruiu o pequeno mundo de Armand. O que fazer agora? Os vampiros revoltavam-se, queriam ser livres.
Primeiro, ainda destruiu uns quantos. Depois pensou duas vezes, deitou fora as suas roupas medievais, transformou-se num cavalheiro do século XVIII e voltou a liderar o coven do Teatro dos Vampiros - onde estavam os sobreviventes... de ele próprio.
Virar a casaca! Esse magnífico dom que já transformou maoístas em sociais-democratas! Pois...
Primeiro, Armand tenta seduzir Lestat para o seu grupinho de “discípulos de Armand” ... Mas Lestat nunca acreditou muito nele. Talvez porque antes de o seduzir, Armand o quis incinerar numa pira de fogo? Pormenores.
Por altura do encontro com Louis, o nosso Armand era o dono e senhor do Teatro dos Vampiros. Tinha também um escravo humano, uma espécie de guloseima fora das refeições, que matou num instante quando conheceu Louis. Afinal, este não era importante. Louis foi importante por uns tempos, mas depois também perdeu o interesse. Então já lhe podia dizer a verdade. Antes não era conveniente.
Depois da “fase Louis”, Armand não perdeu muito tempo a encontrar outra vítima. Lembram-se do jornalista que entrevista Brad Pitt em “Entrevista com o Vampiro”? Chama-se Daniel Molloy e também é uma criatura adorável. Ainda era humano e já me inspirava arrepios. Dele só se vê cobardia: tem medo de Louis e tem medo da morte, e tem medo de Armand quando este o começa a perseguir. O que quer dele o vampiro? Aprender sobre o século XX. Sente-se desactualizado, está a perder o poder. Durante anos leva a cabo o seu assédio de hárpia esfomeada até que Daniel confessa que está apaixonado pelo Mal. O Mal que há em Armand. E Daniel quer ser também o Mal. Ser um vampiro. Ser imortal. Nunca questiona a ética desse seu desejo.
É de facto uma bela amostra de ser humano, não haja dúvida!
Por fim lá consegue o que deseja, e o entrevistador do vampiro torna-se vampiro também. “A minha herança de Louis”, diz Armand.
Este prepara tudo para um grande coven onde, como não podia deixar de ser, ele é que manda. Mas também não teve o melhor dos resultados...

Apesar de tudo, reconheço que a hárpia tem os seus encantos. Armand não faz vítimas ao acaso. Senta-se e espera que as pessoas que desejam morrer cheguem até ele. Essa parte é amorosa!
Ainda não li o livro todo dedicado ao vampiro Armand (mas já cá o tenho, yes!) e já algo me diz que ainda me vou arrepender desta maledicência. Com certeza tanta perversidade e falta de moral tem uma origem. Nas entrelinhas quase que se adivinha: na sua adolescência como humano, Armand foi vendido a um bordel onde terá sofrido os calvários deste mundo e do outro. Ainda vamos chegar à conclusão que Armand é uma espécie de “menino da Casa Pia”...
Será desculpa suficiente?

Publicado por _gotika_ em 10:00 PM | Comentários: (2)

sábado, 22 de novembro de 2008

Venham mais cinco

The cracks appear along the wall wall wall wall wall
See the people stoop back, once stood tall tall tall tall tall
I see the buildings crumble see the empires fall
But I see no more and I don't recall

Because I see
Nothing but the good things
Because I see
Nothing but the good things
Because I see
Nothing but the good things
Nothing but the good good good
Nothing but the good things

Well nothing ventured nothing lost
Count the changes count the cost
A reformation so uncertain
Keep your station draw the curtain

Because out there the snipers work the ridges
Building bombs and blowing bridges
Out there on a darkened road
The lines are dead and the cars explode

But in here
There's nothing but the good things
In here
Nothing but the good things
In here
Nothing but the good things
Nothing but the good good good good good
Nothing but the good things

I see a green sea a pleasant land land land land land
Nothing mean or underhand
On the fence or in the sand
Well I take no chances and I take no stand

Against the wall
Against the wire
Against the fall
Against the fire
Against the sale
Against the hire
They say the profits high
But I know the cost is higher

Still I see
Nothing but the good things
Still I see
Nothing but the good things
Still I see here see do talk see
Nothing but the good things
Nothing but the good good good good good
Nothing but the good things
Nothing but the good things
Nothing but the good good good good things
No!


"Good Things", The Sisters of Mercy




Foi há 5 anos por esta altura que comecei a congeminar este blog. O Sitemeter, registado a 18 de Dezembro de 2003, foi uma das últimas coisas a adicionar à página inicialmente alojada no Sapo.
Nessa altura éramos meia dúzia de gatos a blogar. A maioria dos blogs pertenciam a uma elite que já tinha internet de banda larga desde que ela era demasiado cara para o comum cidadão (40, 50 euros) e dedicavam-se principalmente à política (Abruptos e afins).
Eu, por outro lado, tencionava criar um espaço em que falasse das coisas sob uma perspectiva gótica. Claro que na altura não sabia que era isto que acabaria por fazer. Queria apenas fazer um blog pessoal, um cantinho virtual só para mim, que não esperava que fosse lido de todo.
Acontece que foi lido, cada vez mais lido, e neste diário pessoal fui expondo a minha alma, talvez demais, até um ponto em que as circunstâncias da minha vida se tornaram demasiado... difíceis para serem partilhadas por estranhos, e foi necessário retrair-me, como uma concha que se fecha para proteger as membranas sensíveis onde crescem as pérolas mais preciosas.
Nestes cinco anos a minha vida, a minha mente, a minha alma, foram implacavelmente destruídas por desgostos irreparáveis que me tornaram mais silenciosa e reservada.
Por isso mesmo, nunca imaginei que este blog durasse tanto tempo. E no entanto aqui estamos.
Conheci muita gente interessante, e até alguns heróis. Fiz amigos preciosos.
E com os cabelos brancos virtuais chegaram também dois afilhados, a Ribeira Negra e a Psiquê, que muito fazem babar esta madrinha. (Não podia deixar passar este quinto aniversário sem vos lembrar.)


Um país em ruínas
Nestes cinco anos, observei daqui, também, o último estertor da morte (previsível) de um país arruinado e, com uma perversa satisfação, o despertar dos tansos que foram os últimos a saber que o Titanic se estava a afundar quando já tinham água pelo pescoço. Ainda hoje me fazem rir, porque merecem e não fizeram nada quando podiam fazer... porque estavam demasiado distraídos com o futebol e a telenovela. Chamavam-me maluca quando dizia que estava a passar mal e a passar frio. E só não disse que passava fome porque de verdade não sei. Acontece-me perder o apetite quando tenho a alma agoniada.
Durante estes últimos 5 anos assisti ao maior desastre desde o desvio de fundos cavaquista. Durão Barroso abandonou o mandato de primeiro-ministro, trocando a lealdade à nação pelo vil metal e o estatuto de Bruxelas. Continuo a ter dúvidas de que se possa censurá-lo. Qual o português que não o faria? A circunstância de o exemplo vir de cima é apenas a prova de que ninguém acredita neste ex-país, nem os seus mais altos representantes. E depois veio a desgraça. Santana Lopes primeiro-ministro, um homem que pode ser muito boa pessoa (não sei se é mas pode muito bem ser) mas que não tem capacidade de gerir algo mais que um night club (e com muitos assistentes a ajudar).
Foi assim que uma maioria de eleitores iludidos elegeram democraticamente a maior corja de mentirosos, vigaristas, incompetentes e medíocres, e ainda por cima o governo que mais atenta contra a liberdade de expressão desde o Estado Novo (o que é obra). Logo a seguir, o mesmo povo estúpido e analfabeto elege um presidente da República ché-ché, que fala na terceira pessoa como os jogadores de futebol como se ele próprio não acreditasse que o PR não é outro senão ele, que devia estar já num centro de dia a jogar ao dominó, enquanto Manuel Alegre (que não ganhou por pouco) vai acabando por fazer oficiosamente o papel que o eleito não faz.
Quanto à famosa crise, que deve ser a crise dos ricos, só gostava que me informassem quando acabou a última e começou esta porque, para os pobres, não deixou de haver crise desde o final dos anos 80 (quando secaram os fundos, nos bolsos do PSD).
É o caos. O Titanic já não se afunda. Assentou no fundo do mar entre os limos.


Um mundo à espera de Obama
Nestes cinco anos também assistimos à guerra do petróleo da família Bush, mais conhecida por invasão do Iraque, a qual muitos países europeus apoiaram em troca do envio de um punhado de homens (os yankees que se fodam por lá desde que a gorda e preguiçosa Europa assista ao filme no conforto do sofá), desviando recursos preciosos da verdadeira ameaça no Afeganistão onde até parece que os talibans, possivelmente os mais odiosos fundamentalistas do mundo, não sofreram nenhuma derrota.
Há poucos dias, a propósito da pergunta "o que acham que vai mudar com Obama" no obscuro Dark Forum, comecei a pensar a sério no assunto.
E eis os factos, absolutamente formidáveis: em menos de um ano, Barack Obama passou de obscuro desconhecido a herói mundial com um apoio superior a 80% na maioria dos países do mundo. Repito: do mundo! É por isso que este é de facto, não apenas por ser presidente dos Estados Unidos, o homem mais poderoso do planeta. Tem dito o Arrebenta (não sei as fontes em que se informa) que Obama é mais um peão de Bildeberg. Até pode bem ser, por agora e porque lhe deu jeito (é conhecido como usou o partido Democrata para chegar onde chegou), mas se há homem que consiga abocanhar Bildeberg como um doberman a estralhaçar um caniche, é este o homem. Pela nossa saúdinha, é bom que seja. Se não for, Deus nos acuda.
Obama é a grande incógnita. Sem ele, é o abismo. Com ele, sabe-se lá.


Cinco anos de gótico
Mas basta do mundo que este é um blog pessoal. Quando comecei, éramos, como disse, meia dúzia de gatos pingados. Havia dois blogs assumidamente góticos de grande importância: Vampiria (que ainda existe, olá Vampiria!) e o Merdas Góticas, da 69eyeliner, há muito apagado (o que é uma pena). Nestes cinco anos temos assistido a uma explosão do movimento gótico na internet, não apenas em blogs pessoais como nos sites de amigos (Hi5, My Space), em fóruns, portais, associações... Até começa a ser demais, na minha opinião, mas sei que é uma questão de moda e que o equilíbrio não demorará a ser atingido.
Contudo, considero que o meu username "gotika" deixou de fazer sentido uma vez que tanta gente saiu do armário e se assumiu. O nome do blog não. Este continua a ser o "Gotika: diário pessoal do terror quotidiano" que sempre foi. O mundo pelos meus olhos.
Mas já era altura de arranjar um nome próprio em vez de um adjectivo.
Foi difícil, muito difícil. Toda a vida fui conhecida como "Fulana, a gótica", e se alguma vez tive uma alcunha, era essa. Mas nesta nova realidade sou apenas mais uma e o username tornou-se arrogante, ai de mim!
O meu novo username, como poderão ver no fim do post, fruto de uma daquelas centelhas de inspiração irrepetíveis em que tudo faz sentido, é o meu novo nome.
Não foi por acaso que escolhi um furacão, e em especial o furacão que dizimou New Orleans. Destruição. Ruína. Morte. Fúria. Crueldade. Violência. Desespero. Destino. Derrota. Desastre. Uma alma.
Enquanto eu tiver ligação à internet e enquanto me der na real gana, vou ficar, mais ou menos por aqui. Nothing ventured, nothing lost.

Obrigada a todos os que me lêem... pela vossa santa paciência. De mim já sabem o que esperar. Continuarei sempre a falar de todas as coisas lindas e maravilhosas da vida.
Because I see
Nothing but the good things

Bem hajam e obrigada por estes cinco anos!

sábado, 30 de julho de 2005

"Goldmundo's Code" ou "O Código de Goldmundo"

Está no comentário do post Atlântida, os nefilins, os merovíngios, a Europa, Jesus e o "sangreal", Leviathan e outras conspirações , mas eu decidi pô-lo aqui porque não guardo os comentários e a resposta está deveras genial.

O "nosso" (salvo seja) Goldmundo, saiu-se com esta:

Tenho a maior desconfiança dos argumentos baseados em semelhanças fonéticas.

Por exemplo:

A tradição atlante hoje em dia é essencialmente representada pelos Sisters of Mercy, na realidade os Six-stars of mer-sea, as seis estrelas do mar. A dupla invocação do mar em francês/inglês remete simultaneamente para as linhas merovíngias e arturianas, e relaciona-se com a misteriosa presença templária em Tomar, ou Two-Mar (dois mares, ou duplo-mar); A Six-Star é, na realidade, a estrela de seis pontas (signo de salomão, que vem de salmão, o prato preferido dos reis atlantes). Muito recentemente, uma terrível e oculta rebelião das forças negras levou à cisão nos S.M. (iniciais de Sacra Majestas, signo inequívoco) e à criação dos Mission (aliás Mis + Sion, ou ou Mistery of Sion, como foi veladamente referido nas recentes obras de Dan Brown), forças essas que revelaram a sua verdadeira identidade com a posterior e blasfema designação Mission UK - que significa Uber Kristos, ou Super-Cristo). Tudo isto é, evidentemente, a repetição do velho mito da revolta contra os Mais Velhos, ou os Elder, simbolizados por Eldrich (Eld + Rich, ou Elder + Reich = "Império dos Mais Velhos"), cujo rasto se traça na Bíblia embora o Vaticano o tenha conseguido ocultar de todos menos de mim.

A chave do segredo está, para quem seja digno dela, no poema, de inspiração babilónica, "So, the Ark over the Europe", uma referência inequívoca à Arca da Aliança. Alguns góticos (claramente, os "divinos", raiz "god", ou os "bons", raíz "good")sabem disso, e ouvem esse poema no disorder (= Dies Order, a Ordem Divina)


É de génio. Admitam. É de génio.

sábado, 12 de fevereiro de 2005

Porco à moda do Goldmundo

Porque não é toda a gente que consegue escrever assim e que de facto assim o escreve, aqui fica a transcrição, por sua vez já transcrita no blog homenageado, do que se escreveu na Ribeira Negra a propósito do Tapornumporco.

Tapor

Devo ao nome improvável de Aloïsio Montoya (com quem polemizei amargamente em Paris no rescaldo da segundo colóquio Sternberg sobre os desaparecidos manuscritos warburguianos) a última zanga com a inquieta Isabel Torrijo, e o primeiro encontro com a minha obsessão pelos espelhos quebrados de Coimbra. Cismava o sábio de Siracusa (tive nas mãos a edição veneziana da sua Hepteromachia Philoctaica, na obscura loja de Sesimbra a que me atraíra um vistoso e inútil catálogo de José Cebola) que huius in adventum iam nunc et Caspia regna responsis horrent divum, e no entanto nunca vislumbrei tão nitidamente o horror do familiar conceito de biblioteca como naquela tarde em que, procurando sonolentamente na net não sei que versos esquecidos do gongórico Canotillo - talvez o sublime soneto Se tu, magra Heritrópia, sempre foste - encontrei a denominação obscena do impostor repetidamente associada a um blog coimbrão que se murmurava ser mantido por muitos para ser, apenas, as faces incompletas do Único.



Desviei-me por um instante - nunca o lamentarei o suficiente - da doce música do autor da Cariátide Justíssima para contemplar a ligação que o acaso permitira ao plagiador de von Sttautfeld para com a desconhecida sigla TAPOR. Recordo-me, como num sonho, de percorrer textos impossíveis assinados por Dervixe (julguei reconhecer o estilo do meu amigo Luciano de Freitas) e comentários de Mangas que apenas pareceriam espontâneos a quem não conhecesse profundamente as catorze regras que sustentam o I Ching. Recuei perante o gnóstico cinismo de Manolete. Assombrei-me junto às imagens barrocas de Mefistófeles. Lembrei-me então de que, na terceira conjunção dos mistérios órficos, TAPOR era o nome secreto do deus estilhaçado, pronunciado apenas pela boca da mais jovem das sacerdotisas. (.......................)



Em Nova Delhi, num Setembro feito de nevoeiro e de remorsos, quis vislumbrar a esguia silhueta de Automotora. Garantiram-me nesse ano, em Buenos Aires, que o neto de Pedro Hernandez fora desafiado por Grunfo no coração do Barrio Limpio, depois de uma noite ineteira de jogo e de complacência. A própria Isabel Torrijo (....................)



A simplicidade é a marca maior do labirinto, o inacabado a marca das mãos unicamente humanas. Com as mesmas letras de TAPOR tu dizes TRAPO e TROPA, e com isso o infeliz Humberto Segovia morreu acreditando que encontrara Coimbra, quando afinal só cruzara a insidiosa Toledo. A palavra PARTO evocava desagradáveis reminiscências a Leopoldo Fugavilla, e o chileno desistiu da busca a um passo do que poderia ter sido a nossa glória e a sua maldição. Coube-me a mim, humilde funcionário da Segunda Repartición de Pesos y Medidas da Provincia de Guardanapos, adivinhar a verdade escondida na PORTA férrea. Nos trinta anos seguintes continuei a carimbar os sobrescritos e a copiar diligentemente os relatórios quotidianos de Laura Tyniosa. Pesa-me agora, que vou morrer, não partilhar o segredo dos espelhos. Compreendi o TAPOR, e quem sabe tu poderás (...............)

Posted by: Goldmundo