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domingo, 20 de agosto de 2023

I'll Always Know What You Did Last Summer / Vou Sempre Saber o Que Fizeste no Verão Passado (2006)

[contém spoilers]

Este terceiro “episódio” de “Sei o Que Fizeste no Verão Passado” não é mau de todo tendo em conta o género. Mas a verdade é que eu já não sei o que eles fizeram no verão passado original, muito menos na sequela. Filmes completamente esquecíveis.
Nesta continuação, um grupo de adolescentes no último verão lá da terrinha, antes de irem às vidas deles para a universidade e novos empregos, decide pregar uma partida. Lêem no jornal o que aconteceu antes, e um deles veste-se de assassino, com o gancho e tudo. (Este gancho é mesmo o original, encomendado no Ebay como é moderno, o que vai ser importante mais tarde.) O objectivo é pregar um susto aos visitantes de uma feira de verão. Um dos jovens é o filho do xerife, que é bastante bom com o skate. O assassino mascarado persegue o skater até ao telhado de um prédio, de onde este salta com uma manobra monumental. A amparar-lhe a queda estariam alguns colchões colocados na rua. E, ora bem, a partida era só isto. Mas acontece que alguém retirou os colchões e o desgraçado estatelou-se e morreu.
A princípio o grupo de jovens nem quer acreditar. Era só uma partida. Nenhum deles desviou os colchões nem sabem quem foi. Mas de repente a nova realidade fala mais alto. Todos os adolescentes têm grandes perspectivas fora da cidadezinha e não lhes convém nada verem-se envolvidos num processo judicial em que teriam de provar a sua inocência, ou pelo menos a sua falta de intenção de matar alguém, ainda por cima sendo a vítima o filho do xerife. Afinal, foi um acidente azarado, ou eles assim pensam.
Dentro em breve, começam a aparecer os fatídicos avisos: SEI O QUE FIZESTE NO VERÃO PASSADO. A princípio os jovens pensam que é o xerife que está a vingar a morte do filho, mas depressa descobrem algo mais sinistro. O assassino voltou, embora tenha morrido no segundo filme. Isto significa que agora o assassino é sobrenatural! Tentam matá-lo com facas, tentam matá-lo com tiros… E ele não morre. É uma espécie de Michael Myers (“Halloween”) vingativo. Quando finalmente lhe vêem o rosto, então não é a cara chapada do Freddy Krueger (“Nightmare on Elm Street”)? Ouviram bem: Michael Myers com cara de Freddy Krueger. Pior é impossível.
Tendo tudo isto em consideração, e que agora o assassino é sobrenatural, estou abismada em como não fizeram mais filmes da série. É verdade que já não existe nada de original para explorar, mas isso nunca impediu sequelas atrás de sequelas.
Já era tempo de alguém fazer a versão portuguesa desta saga. “Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes que eu sei o que fizeste no verão passado”. Cenário: Assembleia da República. O enredo seria uma mistura com “Final Destination”, em que os deputados receberiam avisos sinistros para não se aproximarem do parlamento, mas, ainda assim, seriam lá atraídos um a um, para serem chacinados de diversas formas e feitios nos corredores escuros da assembleia deserta à noite. Não vou dizer quem eu escolheria para ser a Final Girl para não parecer tendenciosa.(Sim, tem de haver uma Final Girl. É uma das regras. Mas em alguns casos a Final Girl também morre no final, fazendo jus ao título. Fica à vontade do realizador.) E pronto, foi a minha fantasia cinematográfica para alguém aproveitar.
Em suma, é um filme que se vê bem, sem grandes expectativas, e que agradará a quem conhece os dois primeiros.

12 em 20


domingo, 6 de junho de 2021

The Banshee Cries, de Patrícia Morais

Li este conto ainda na versão original, “The Roommate”, o meu primeiro contacto com o universo sobrenatural de Patrícia Morais. Francamente, gostei, tirando alguns pormenores que salientei à autora como beta reader do conto. Esta segunda versão está muito melhor, sem dúvida, e nota-se a evolução na escrita de história para história.
A protagonista de “The Banshee Cries” é Melissa, uma jovem que já traz consigo um passado traumatizante ligado ao sobrenatural. Na tentativa de recomeçar num local novo, muda de escola a meio do primeiro período. Para seu azar, chega precisamente durante as celebrações do Halloween, que Melissa detesta por lhe recordar tudo o que quer esquecer. Pior ainda, têm acontecido estranhos homicídios no campus, e Melissa descobre que vai ocupar a vaga no quarto (e dormir na cama) de uma rapariga assassinada. E não foi assassinada de qualquer maneira. Descobriram-lhe o cérebro todo picado, como se por agulhas, mas sem qualquer lesão exterior que o explicasse. Arrepiante!
À medida que os homicídios se sucedem, Melissa ouve o grito da banshee, criatura mitológica irlandesa conhecida por anunciar uma morte na família. Quem será o próximo? Estará Melissa realmente em perigo ou tudo não passa da sua imaginação, uma sequela do trauma que viveu?
Algo que me agradou bastante no conto foi a contextualização do Haloween como festa de origens pagãs, o que não costuma acontecer neste tipo de histórias mais viradas para os sustos gratuitos. Melissa conhece um entusiasta do Halloween (cá dos meus) que tenta explicar-lhe que o antigo Samhain não é apenas um “carnaval temático” (aqui estou a citar um amigo), e diz algo em que eu ainda não tinha pensado:

“But that’s what makes it so fun! Life is scary. Why wouldn’t we enjoy and make fun of that fear? Life is trying to make us fear it, and on this day we mock its attempts and say,” he puts his hands on my shoulders and shakes me. “No, not today. Today, I’m not scared of anything you throw at me.”

Bem apanhado. Nunca tinha pensado no Halloween nesta perspectiva.
“The Banshee Cries” é um conto Young Adult escrito em inglês que aconselho a quem gosta do Halloween, do sobrenatural, de banshees e de caçadores de bruxas. Infelizmente, é mesmo o aspecto Young Adult que não me permite gostar mais do conto, embora a história e as personagens revelem maior profundidade do que é costume neste Género. Ainda não o bastante para mim, todavia, que não sou o público-alvo. Será sem dúvida uma boa introdução ao universo começado pela autora no livro “Sombras”.

O conto pode ser adquirido em PDF e epub a partir daqui: patricia-morais.com/en/books/the-banshee-cries



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

“O Livro dos Espíritos” – Halloween

Capítulo “Comemoração dos mortos. Funerais”

Os Espíritos são sensíveis à saudade daqueles que amaram e que ficaram na Terra? [pergunta]
– Muito mais do que podeis supor; se são felizes, essa lembrança aumenta a sua felicidade; se são infelizes, essa lembrança é para eles um alívio.

O dia da comemoração dos mortos tem algo de solene para os Espíritos? Eles se preparam para visitar os que vão orar nas suas sepulturas? [pergunta]
– Os Espíritos atendem ao chamamento do pensamento tanto nesse dia quanto em qualquer outro.

Esse dia é para eles um encontro junto às suas sepulturas? [pergunta]
– Eles estão aí num maior número nesse dia, porque há mais pessoas que os chamam. Mas cada um deles vem apenas pelos amigos e não pela multidão de indiferentes.

Os Espíritos esquecidos, cujos túmulos ninguém visita, também aí comparecem apesar disso? Lamentam não ver nenhum amigo que se lembre deles? [pergunta]
– Que lhes importa a Terra? Eles somente se prendem a ela pelo coração. Se aí não há amor, não há mais nada que retenha o Espírito: tem todo o universo para si.





segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Tradições do Dia de Todos os Santos

À medida que cada vez mais gente adopta tradições alheias na noite de Halloween, tenho-me vindo a aperceber que todos os anos é uma paródia mal feita que envergonharia qualquer norte-americano. Mais vale partir logo do princípio que é apenas mais uma véspera de feriado e deixar de lado as palhaçadas que já não têm graça nenhuma. Aliás, nós, os povos do sul da Europa, temos uma altura específica para as palhaçadas e essa data chama-se Carnaval.
Existem verdadeiras tradições portuguesas que caíram em desuso pela pressa dos tempos modernos. Vou relatar a minha experiência. Recordo-me sempre do dia de Todos os Santos porque recebia uma visita da minha avó que vinha dar "os Santos". "Os Santos" eram geralmente bolos ou quaisquer outras guloseimas que se comiam acompanhadas com jeropiga. Hoje decidi investigar a memória familiar sobre as tradições do Alto Alentejo, de um tempo que já não é o meu e de cujo fantasma apenas persiste a visita da minha avó. Parece que antigamente, no primeiro dia de Novembro, as crianças da aldeia iam de porta em porta a pedir "os santos", que eram sempre guloseimas para comer, mas durante o dia e não na véspera. Não se falava em bruxas. Estas guloseimas podiam ser nozes, passas, marmelos, romãs, e principalmente uma espécie de bolos fintos (levedados) que se faziam para a ocasião, os chamados "bolos dos santos". O dia de Finados, 2 de Novembro, era celebrado com a ida ao cemitério onde se dizia a missa e benzia as sepulturas.
Tudo isto deixou de fazer parte da cultura das cidades. Observei como a vida profissional forçou que a visita ao cemitério passasse para o dia anterior ao dia dos Finados, por ser feriado, mas ainda me lembro dos tempos em que mesmo em Lisboa era uma autêntica romaria, pelo menos até aos anos 80. Depois as pessoas deixaram de ir. A sociedade transformou-se, e esqueceu-de da morte como se tenta a todo o custo esquecer-se da velhice. Os velhos, como os mortos, são agora enfiados num lar, ante-câmara do cemitério, e visitados quando há tempo até ao momento em que são dirigidos à última morada e já ninguém lá volta.
Este materialismo da sociedade, esta cultura do jovem e abandono do velho, este virar de costas à morte é também uma falta de espiritualidade que só pode gerar frutos nefastos. Em princípios do século XXI, voltámos a uma falta de respeito pela dignidade humana que possivelmente nem os nossos antepassados medievais experimentaram. O ser humano só é válido enquanto é jovem e produtivo. A partir dos 40 anos já não é considerado apto para o trabalho e a partir dos sessenta, se adoece e não morre logo, torna-se um longo fardo de mais 30 anos a suportar pelas famílias. Curiosamente, outro dos factores que conduziu a esta situação é de facto o milagroso avanço da medicina que prolonga a vida para uma duração média inédita na História. Estamos mesmo a viver um momento verdadeiramente histórico em que os valores sociais não se conseguiram adaptar ao progresso científico. Vive-se um desequilíbrio entre o que é a vida imaginada e a vida real. Uma alienação perfeitamente formidável e sem precedentes, só comparável a momentos na História em que se quis reconstruir civilizações a partir de pressupostos religiosos ou ideológicos irrealistas (assim de repente lembro-me da cristianização forçada no império romano, do comunismo e do nazismo, mas certamente há mais exemplos). Diz-nos a mesma História que este desequilíbrio não pode durar.
As celebrações do dia de Todos os Santos e dia de Finados, o Halloween ou Samhain, são, como o Natal e a Páscoa, mais uma prova de que a espiritualidade do Homem não é forjada a martelo nem pode ser negada, por muito pervertida que ressurja no decurso dos séculos.

Sabendo que a cultura não volta para trás, não proponho de modo algum o retorno às tradições antigas, mas congratulo-me que cada vez há mais festas de Halloween para as pessoas normais. Acabou-se também a romaria aos locais góticos, qual visita anual ao jardim zoológico. Venha pois, a americanização, e em força!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Halloween

Se não sabem o que fazer na Noite das Bruxas, vão ao Pórtico.
Há para todos os gostos.
A massificação do Halloween é benéfica. Quanto mais opções houver menos as pessoas normais terão tendência a poluir os buracos góticos com a sua presença anual de visita ao jardim zoológico.
Tenho dito.

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Música de Hallloween (e não só)

Esta colectânea já vem tarde. Inclui músicas de que tenho falado aqui no blog e que estavam mais actualizadas por altura do Halloween (mas na altura ainda não sabia colar mp3 ;) .

Algumas músicas não estão muito completas e a gravação não é das melhores mas dá para conhecer e apreciar.
Enjoy.

Conteúdo:

??? - Kidneys, Liver, Gallbladder
Adrian Alexis - I want to be a vampire
34 Vampires - Blood In The Mix
Bloody, Dead & Sexy - Bloody Rose
Igor Spectre - Beautiful Dead Little Girl
Zombina and The Skeletones - Nobody Likes You When You're Dead
The Meteors - My Daddy Is A Vampire
New Math - They Walk Among You
Deadbolt - Billy's Dead
Skeletal Family - Trees
45 Grave - Riboflavin Flavored Noncarbonated Polyunsaturated Blood

Link

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Tonight

... is a special night.