terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Este é um daqueles posts complicados que uma pessoa se arrepende de sequer pensar em escrever, mas vai ter de ser.

Descobri o que a vida é. A vida é a perda consecutiva e sistemática de tudo e mais alguma coisa. Não viemos aqui para acumular ganhos, mas sim para perder tudo. No fim, perde-se a própria vida. Já tinham pensado nisso? Nesta sucessão de perda em perda até à perda final?
Bem, eu pensei. Devia ter três anos quando pensei nisto pela primeira vez. Não pensei nisto bem assim, claro. Deve ter sido por volta dessa altura que percebi o que era a morte, e que tudo e todos iam morrer, e a partir daí nunca mais percebi o que estamos aqui a fazer se só estamos à espera da morte. A parte da perda só percebi agora. Estamos aqui para perder, para aprender a odiar esta Terra a ponto de nunca mais querermos cá voltar. Porque de outra maneira, quem é que queria ir para outro sítio?

Há quem responda a esta argumentação que ela é uma forma de consolação para as pessoas que tiveram o azar de ter má sorte. Estou ciente disso. Admito que sim. É uma hipótese. Que eu tenha muito azar.

Mas não deixa de ser a forma como eu vejo a vida e quanto a isso não há nada a fazer. Facto.

Sabem, no ano passado passei pelo inferno. A pior parte foi ter de aceitar que aquilo que me resta é aquilo que me resta. (Ainda não aceitei.) Mas para aqueles que leram desde aí, posso dizer-vos que agora tenho uma escravidão (trabalho) mais ou menos estável, que posso dar-me ao luxo de acender o aquecedor quando está frio (porque é que pensam que gosto tanto do Verão, duh?!...) porque já há dinheiro para a electricidade, que actualmente já consigo deitar-me todos os dias às 4 da manhã e cada vez mais cedo (um esforço titânico que dura quase há um ano e pelo qual ninguém, NINGUÉM!, pelo menos aqui, me vai dar valor), e que, enfim, estou a sobreviver.

Mas não era só disso que queria falar-vos. Este blog vai fazer três anos. Três anos é muito tempo. Hoje, pela primeira vez desde que o comecei, passou-me pela cabeça deixar de o escrever. Nunca antes tinha pensado nisso, mesmo na altura em que era uma hipótese bastante provável ter de abdicar da internet por não a poder pagar. Pensei sempre em voltar assim que pudesse. Mas hoje não. Hoje foi mais existencialista. (Privilégio de ser rico e não ter de me preocupar em como pagar a internet, talvez. Os ricos sempre tiveram a mente mais livre para a filosofia.)
Não por ter falta do que dizer, nem por sombras. Eu tenho sempre algo que dizer enquanto o mundo não parar de girar e pelo que eu sei ainda não parou.
Digo "existencialista" porque dei por mim a pensar para que é que isto existe. Nesta altura da minha vida, a única coisa que faz sentido é meter-me nos copos e esquecer tudo. Talvez me deva dedicar mais a isso e menos a isto. Vou pensar no assunto. Escrever isto para quê? Já aqui está o suficiente para encher um livro. Se calhar, já chega.

E depois, sinto que no último ano envelheci uns dez. Foi uma coisa abrupta, uma coisa que veio de dentro e não do tempo propriamente dito. O tempo, esse, sinto que se esgota.
Havia uma coisa que eu gostava de fazer antes do fim. Gostava de me apaixonar outra vez. Não falo de arranjar um namorado ou uma namorada, nem sequer é isso. Eu tenho lá vida para isso! Falo de me apaixonar por alguém que também se apaixonasse por mim. Para variar.
Mas isso só me aconteceu duas vezes. Estarei a ser demasiado ambiciosa quando digo "só"? Terá sido a dose permitida aos seres mortais? Mais do que a dose? Não sei. Gostava de me apaixonar outra vez antes do fim.
Durante 12 anos o meu coração esteve fechado. Há razões para isso mas não vêm agora ao caso nem nunca virão porque são demasiado íntimas para partilhar (se calhar até demasiado íntimas para partilhar com uma só alma, quanto mais com tantas!). Terei batido algum recorde? 12 anos em que nem admitia a ideia de me voltar a apaixonar?... Mas isso mudou. Há cerca de dois anos, isso mudou. Um dia acordei e percebi que as feridas estavam saradas. Há cicatrizes. Medonhas cicatrizes. Daquelas que não se vêem. Daquelas que eu não quero que ninguém veja. Só quando estou sozinha comigo própria, sob anestesia, me permito voltar a chorar sobre elas e as suas consequências. Essas lágrimas não são para partilhar com ninguém. E isso também é novo. Durante todos estes anos não voltei a chorar sobre o assunto. Fingi que não era humana? Não, foi pior que isso. A minha alma, ou a parte dela capaz dessas emoções, bateu com a porta e abandonou a humanidade. Pensem nisto como uma sombra. Imaginem durante anos uma pessoa andar por aí sem projectar sombra, porque a sombra se zangou com o mundo e o deixou, e perceberão o que quero dizer. E agora a sombra voltou e já não estava habituada a vê-la.
Mas percebo porque voltou. Durante muito tempo, como Orfeu, estive fechada no mundo das trevas a atravessar o Inferno. Finalmente cheguei a um porto de calma onde me posso dar ao luxo de voltar a sentir-me humana. Durante muito tempo tive trabalhos hercúleos. Tive de ser de pedra, de sal, de gelo. Agora posso voltar a ser mulher. Já não me lembrava da sensação. É uma sombra que volta.

Mas a paixão é uma reacção química e o amor é uma viagem a Paris. Não há outra maneira de dizê-lo, gostava de me apaixonar de novo. Enquanto há tempo. Enquanto o vento está de feição. Algo me diz que este é o último momento de bonança antes da última tenpestade. Há certas coisas que uma pessoa sabe. Este é o tempo. Este ou nenhum.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Gift

Aqui há uns anos atrás (porque este blog já se conta em anos!) falei-vos de alguns temas de música clássica e erudita de que eu gosto. As poucas, pouquíssimas excepções.
Actualmente, que já sei colar mp3 (hehehe!) deixo-vos este presente composto por:

Carl Orff - Carmina Burana (O Fortuna)
Gabriel Fauré - Pavane
Tomaso Albinoni - Adagio
Mozart - Lacrimosa (Requiem)
Tchaikovsky - Lago dos Cisnes
Prokofiev - Romeu e Julieta (Montéquios e Capuletos)
Verdi - Va Pensiero (Coro dos Escravos, in "Nabucco")
Verdi - Dies Irae (Requiem)
Chopin - Marcha Fúnebre
Vivalvi - As Quatro Estações (Verão)
Beethoven - Sonata ao Luar
Samuel Barber - Adagio
Maurice Ravel - Bolero
Bach - Tocata em Ré Menor
Händel - Sarabande

Destes, alguns são apenas escolhas pessoais (e talvez intransmissíveis), mas acho que há aqui material que nenhum gótico pode deixar de ouvir, pelo menos uma vez, a saber: Carl Orff - Carmina Burana (O Fortuna), Mozart - Lacrimosa (Requiem), Chopin - Marcha Fúnebre, Bach - Tocata em Ré Menor, Händel - Sarabande.

Enjoy.

http://s4.quicksharing.com/v/7087033/Gotika_s_Classic_Mix.mp3.html

"You could call me a Goth, I think"

Aqui há uns tempos, o Klatuu fez uma coisa audaciosa que eu jamais pensei fazer também. Publicou escritos antigos.
Eu sempre tive horror a olhar para trás e ler o que escrevi. (É por isso que não vale a pena deixarem-me comentários em posts antigos: eu não os leio.) Já na segunda classe, olhava para as redacções que escrevia na primeira e achava aquilo tudo uma merda. E sempre que olho para trás acho que tudo o que escrevi está uma merda. Mas um dia percebemos que conseguimos ter um estilo quando finalmente olhamos para trás e gostamos do que escrevemos. Pode ser uma merda de estilo, mas é um estilo. Foi isso que aconteceu quando voltei a ler esta carta dirigida ao vampiro Lestat, que não consigo deixar de partilhar de novo. Perceberão porquê. Está sempre actual!!!

(Lestat:) “My longing for the microphone is gone, but I won’t give up the fancy clothes. I can’t give them up. I’m the prisoner of capricious fashion and am actually quite plain tonight. I think nothing of piling on the lace and the diamond cuff links, and I envy Quinn that snappy leather coat he’s wearing. You could call me a Goth, I think” He glanced at me very naturally, as though we were both simple humans. “Don’t they call us snappy antique dresses Goth now, Quinn?”
“I think they do”, I said, trying to catch up.

“Blackwood Farm”, Anne Rice


^§^ . ^§^ . ^§^ . ^§^ . ^§^ ...


Queridíssimo Lestat, ser gótico não está na roupa que se veste. É certo que o visual é muito importante para nós góticos - e não preciso de lhe explicar porque sei que nos compreende perfeitamente - mas não há nada mais blasfemo que uma criatura insegura e solitária começar a vestir-se “assim” para se sentir integrada durante os anos de caça à queca.
Bem sei, Monsieur de Lioncourt, que a sua caça é outra. Quem sou eu para criticar as necessidades alheias?... E compreendo que só no meio de nós a sua estranheza de aparência passe despercebida aos simples mortais, e que isso lhe deva ser muito conveniente.
Mas não esqueça, senhor Lestat, que os verdadeiros góticos - um pouco à semelhança da sua “gente” - também se reconhecem uns aos outros à distância. Parece que estão sempre distraídos, mas garanto-lhe que estão a controlar tudo e mais alguma coisa.
Não serão as rendas e os botões de punho que o salvarão, Lestat de Lioncourt. Está avisado: pode parecer igual a nós para os outros todos, mas nós sabemos quem é quem. Não passará despercebido. O verdadeiro gótico sabe o que é pó de arroz branco e o que é pele. Tenha cuidado. Use o pó de arroz. Não custa nada.
Mas não desista já! Apesar da nossa inegável frieza para com estranhos, nunca o movimento gótico deixou de acolher um irmão espiritual. O caminho é árduo e implica duras provas... Anos e anos de música e noite, de noite e música. Muito dinheiro gasto em roupinha. Muitos acessórios, muitos sapatos, muito verniz. Muitas horas à frente do espelho a pintar a cara e a arranjar o cabelo. Mas tempo é o que não lhe falta, deveras? Insista. Não desista. Uma destas noites alguém falará consigo. Se tiver sorte, talvez até um verdadeiro gótico lhe dirija mais do que três palavras e dois olhares furtivos.
Não espere que lá por ser um verdadeiro vampiro os góticos o acolham de braços abertos. Era só o que faltava. No movimento gótico são todos iguais: brancos e pretos, homens e mulheres, bruxas e vampiros. São muitos anos a bater à porta para entrar. É muito eyeliner.
E lembre-se, senhor “eu sou o vampiro Lestat”, gótico a sério é o Corvo porque está morto. Gótico a sério é o seu amigo Louis, que nunca disse que é gótico e se vai chorando da vida entre duas dentadas.
O tempo só recompensa os perseverantes. E a recompensa também não é nada de jeito. Por isso é que a maioria dos candidatos a gótico acaba por ir parar às Docas.
A recompensa é apenas uma noite atrás da outra. Poucos são os chamados e menos ainda os escolhidos. Só se sente em casa quem está em casa.
Se é a sua casa, entre à vontade e sente-se onde quiser.
O Gótico abraça quem abraça o Gótico.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Reflexos

Fantástica, esta observação:


'I like Weasel,' Ben said. 'I get a feeling there was a lot there once. What happened to him?'
'Oh, there's no story there,' Matt said. 'The bottle got him. It got him a little more each year and now it's got all of him. He won a Silver Star at Anzio in World War II. A cynic might believe his life would have had more meaning if he had died there.'

in "Salem's Lot", Stephen King


Às vezes nem os escritores de "acção" resistem a navegar pela prosa poética. O seguinte não tem nada a ver com a história, ou podia muito bem fazer parte de qualquer outro livro. Sei que vai agradar principalmente ao Goldmundo:

But when fall comes, kicking summer out on its treacherous ass as it always does one day sometime after the midpoint of September, it stays awhile like an old friend that you have missed. It settles in the way an old friend will settle into your favorite chair and take out his pipe and light it and then fill the afternoon with stories of places he has been and things he has done since last he saw you.
It stays on through October and, in rare years, on into November. Day after day the skies are a clear, hard blue, and the clouds that float across them, always west to east, are calm white ships with gray keels. The wind begins to blow by the day, and it is never still. It hurries you along as you walk the roads, crunching the leaves that have fallen in mad and variegated drifts. The wind makes you ache in some place that is deeper than your bones. It may be that it touches something old in the human soul, a chord of race memory that says Migrate or die - migrate or die. Even in your house, behind square walls, the wind beats against the wood and the glass and sends its fleshless pucker against the eaves and sooner or later you have to put down what you were doing and go out and see. And you can stand on your stoop or in your dooryard at midafternoon and watch the cloud shadows rush across Griffen's pasture and up Schoolyard Hill, light and dark, light and dark, like the shutters of the gods being opened and closed. You can see the goldenrod, that most tenacious and pernicious and beauteous of all New England flora, bowing away from the wind like a great and silent congregation. And if there are no cars or planes, and if no one's Uncle John is out in the wood lot west of town banging away at a quail or pheasant; if the only sound is the slow beat of your own heart, you can hear another sound, and that is the sound of life winding down to its cyclic close, waiting for the first winter snow to perform last rites.

in "Salem's Lot",Stephen King


E quanto a mim, eu tenho agora que dormir muito mais do que fazia dantes. É simples. Isso e a primeira citação. Tudo dito.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

O amor é uma viagem a Paris

No meu caso, a viagem de sonho não é exactamente a Paris, preferia o meu tour de France pelo sul, mas utilizo a visita a Paris para que a linguagem seja mais universal.
Há muitas maneiras de ir a Paris. Não é de todo impossível. Há quem vá à boleia, aos trambolhões num autocarro, ou em primeira classe. Há quem esteja disposto a dormir na rua, há quem ache que não vale a pena se não for em grande. Depende do grau de exigência do viajante.
E depois é uma questão de sorte. De oportunidade. De imponderáveis que não dependem de outra coisa senão do destino. Nas palavras da canção de Mike Oldfield, há quem nunca chegue a França. Mesmo quando a viagem está planeada, os bilhetes comprados, as camas reservadas. E de repente, puff! C'est fini. Até há quem morra no caminho.
Há quem nunca chegue a Paris.

Eh bien.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Nick Cave

Nick Cave tem um projecto novo chamado Grinderman.
Podem ouvir a canção de que vou falar Aqui.
Este post não é apenas sobre os Grinderman e como eu acho que pela amostra têm potencial para mais uma série de clássicos. Nick Cave está melhor do que nunca.
A música chama-se "no pussy blues" e é mais uma vez Nick Cave a explicar às mulheres a essência do ser masculino, no seu pior e no seu melhor, como só ele pode fazer. (E também os Violent Femmes, nos seus melhores momentos.)
Às vezes, Nick Cave até compreende as mulheres, se bem que ao de leve. Para compreendeer as mulheres eu aconselharia Miranda Sex Garden. Ou a alma gémea de Nick Cave, PJ Harvey.
O que faz de Nick Cave um homem extraordinário é essa capacidade de descrever as suas necessidades ao sexo oposto (geralmente os homens não têm capacidade verbal para tanto) e fazê-lo com poesia!!! Às vezes chocante por ser tão honesto, mas eu gosto de honestidade. Gosto que um homem me diga "eu preciso de sexo" em vez de andar às voltas e voltinhas e a amuar e a arranjar discussões "around the bush", como se diz em americano e não tem nada a ver com o presidente. Como é maravilhosa uma boa dose de honestidade, principalmente se vem com poesia atrás. Palavras para quê? Gosto muito dele.
Ainda me lembro daqueles 50 euros que custaram o concerto dele no CCB, concerto a que eu não pude ir. Há quem precise de sexo, há quem precise de dinheiro. E depois, como nota fora do contexto, quem é que pensa em sexo quando tem a barriga vazia e o gás está caro para tomar banho todos os dias e...

Onde isto foi parar. Parar é a palavra de ordem. Paremos.

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Para ler com muita, muita atenção

Repito: para ler com muita, muita atenção, e ter em conta que por vezes o autor está a ser sarcástico. É preciso um grande domínio do inglês para perceber por isso não se fiquem pelas entrelinhas. Leiam mesmo com atenção.

Imagem e texto chegou-me através de alguém a quem chegou através de email e que passou para mim. Não conheço a origem da imagem nem do texto mas penso que são ambos pertinentes para este preciso momento da vida do movimento.



"Regardless of individual artists, neo-folk is now so riddled with Nazi undertones it must not be allowed to slip by unchallenged. (Personally, I have a strict editing policy; send me neo-folk records and they go in the bin.) Genuine artists in the neo scene can move sideways into other scenes and be seen to be blameless. The rest can rot.
Everything to do with Nazis is the complete opposite of Goth, which stands for the soppier side of romantic imagery and on its deeper side it’s the rights and dignity and intelligence of the individual. It isn’t something that follows a Master Plan.
Nazism creeps into scenes every few years, sometimes because Nazis themselves are desperately trying to sow the seeds, still unaware their perverted ideals (sic) represent an extreme of humanity; these ideals will only catch on with the barbarically stupid (ensuring its popularity within the skinhead fraternity), but also with Goths (or participants of other scenes) who think themselves ultra-cool, uber-cred, when in fact they are cowards and deserve to be ostracised.
It belongs to people who are essentially dim but think they’re clever. That is how you tell them apart. They will post on forums or even contribute to certain fanzines with low editorial principles, and always end their efforts about how wearing Nazi insignia has got them into trouble, by saying “I guess censorship still lives, eh?” or when suggesting they are only clothes, “still, it’s an interesting point, no?” as though they have sailed single-handedly into new uncharted waters of morality, making points that people need to consider with great time and consideration.
And when they do post on forums, people dread getting involved. The last time I saw it was on a forum was last year where two complete imbeciles, one in the UK and one in Australia, were trying to defend their actions. One had got into trouble for wearing the swastika in school, and claimed as their defence that they didn’t know what it was. If they’re so stupid that by 16 they don’t know what the swastika represents, there’s no hope for them anyway. Then if they didn’t know, why did they put it on? Maybe they sometimes go in wearing an old man’s underwear on their head. “No idea what this is, but it’s an interesting point, no?”
The other was a wanker in this country who had been in trouble in the streets because of his insignia and shirt. “It’s only clothes,” he protested, giving off heroic overtones about the stance he took for personal liberty.
With clothes, it’s perfectly ludicrous. You’re just play-acting your own fantasies of superiority. You think you’re being shocking and decadent by being the one brave enough to pull on a Nazi shirt and wear your little skull and crossbones badge. You think Death In June are whiter than white (oops!) and you can enter the secretive world of neo-folk without a blemish on your character because you’re an explorer, an adventurer.
You’re a total twat, and friends should evaporate to leave you to your own real self-discovery, that you have no worth in a scene, that you have a contempt for others. The association of Nazi imagery is so strong it isn’t just clothes. It is iconic of the worst hatreds and crimes imaginable, and when you pull on the Nazi clothes you’re agreeing with it.
If not, then why is it that when people mention how cool Nazi outfits look, and that the combination of black, red and white just looks great and has nothing to do with the Nazi ethos, that whenever I point out certain horse artillery units of both the British and Canadian armies used exactly the same colour schemes but without looking like neutered monsters, that nobody seems to want to dash off and buy those outfits from army surplus? Hmmmm? And how come they stop answering threads on forums when their arguments shrivel? People try to defend their sick interests by claiming they’re just clothes when they have only one association, of horror and degradation and genocide. They’re not Just Clothes.
If you wear Nazi gear, in any way, without having the guts to declare you are a Nazi, then you are worse than a Nazi. You empathise with them on an unconscious level, but you haven’t the guts to the full way. Anyone sensible loathes the very idea of these people, but at least with genuine Nazi skinheads you now where you stand. Either on their head, or well out of reach, depending on the situation.
Oh, and one other recent example tried to excuse the wearing of a full SS outfit inside Fetish clubs on the grounds that this is understood roleplay between both parties. This can be dealt with quick and easy. This shows a callous disregard for other people, because before parading themselves in public like that, for their own enjoyment, have they stopped to consider they might genuinely upset someone who lost a family member to the Nazi regime? That is nothing more than monumental arrogance (oh, just like the Nazis!)
It isn’t a big problem in the UK, that’s for sure. We have the far right growing because of the asylum issue running out of control; ours will die down again once the problem is stabilised. This sparked a rise in Germany in the late 80’s, but they’ve always had the problem. Hell, they nurtured it until it exploded, and since the war, the wounds have been constantly licked and allowed to fester once more.
In the States, skinhead gangs had the KKK to rely on as their “noble” tradition, and gleefully welcomed Nazi groups as a form of outreach groups of the brotherhood. But the real problem will always be in Germany and Scandinavia, where the Aryan myth and neo-folk draws from the pagan past and satiates the would-be Nazi with their very own primal scream therapy.
At a Treffen event (was it 2002?) some left-wingers attacked the neo-community at some performance. Ironically, the sound of baseball bats against Nazi bones was probably more rhythmical and melodious than the band involved, but when I had people contacting me to see what I thought, it was again noticeable that when I said I thought this was the perfect answer to the problem, the e-mails stopped. Clearly I was being courted as a potential spokesman! Wankers.
Nazis, particularly Himmler, were so into paganism and occult matters to prove their deluded Aryan theories they even invented a Pagan king of their own and claimed he was buried on German soil. They adopted all things Pagan; this cretinous liberation of legends still permeates the neo-folk scene which is something worth being uneasy about because of the way it has grown in size despite being, for the most part, where the singers who can’t sing go to masturbate. Where the old rightwing punks and the grubby, soulless, friendless, charmless “artistes” go to feel sophisticated.
I feel sorry for the genuine Pagan artists who have only their belief in genuine gentle Earth matters and their deities, and care nothing for the Nazi creed. They would be better off moving clearly into the folk scene. Neo-folk clearly implies it is about something else, and simply has too many dodgy associations. Even during the early 90’s there were Pagan fanzines in Germany using imagery that wouldn’t have looked out of place at a Nuremberg rally, and they dress it up by using Scandinavian touches, which is where their true Aryan visual ideal always lurked, and where you can tell if you’re dealing with a hardline Nazi because they’ll get excited mentioning Odin or oak leaves.
It is common sense to realise something disturbing lays beneath the surface when you find band with no songs, with no charisma, attracting people, and it is not acceptable to ignore the problem. If you see people wearing Nazi insignia at Goth clubs, confront them. If you sense friends who are too naïve to know better are being drawn into something you see as being dubious, tell them about it. It isn’t acceptable in the Goth scene, or any scene. Nazis would have Goths strung up, and you owe it to your self-respect not to let these things go by unchallenged. If you don’t, you’re allowing them to get away with thoughts and deeds and aspirations which are fundamentally ugly, which is probably explained quite easily.
The only reason people wanna flirt with Hitler is because nobody sensible wants to flirt with them."

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Música de Hallloween (e não só)

Esta colectânea já vem tarde. Inclui músicas de que tenho falado aqui no blog e que estavam mais actualizadas por altura do Halloween (mas na altura ainda não sabia colar mp3 ;) .

Algumas músicas não estão muito completas e a gravação não é das melhores mas dá para conhecer e apreciar.
Enjoy.

Conteúdo:

??? - Kidneys, Liver, Gallbladder
Adrian Alexis - I want to be a vampire
34 Vampires - Blood In The Mix
Bloody, Dead & Sexy - Bloody Rose
Igor Spectre - Beautiful Dead Little Girl
Zombina and The Skeletones - Nobody Likes You When You're Dead
The Meteors - My Daddy Is A Vampire
New Math - They Walk Among You
Deadbolt - Billy's Dead
Skeletal Family - Trees
45 Grave - Riboflavin Flavored Noncarbonated Polyunsaturated Blood

Link

Última chamada

Tenho andado ausente, a trabalhar num projecto pessoal. Agora quero voltar à vida, se a vida ainda me quiser de volta. (Outro dia dei por mim a pensar se alguns de nós não seremos também demasiado sobrequalificados para esse trabalho em particular, mas essa seria outra história que não para este momento.) Já não tenho muito tempo. Dentro de meia dúzia de anos, estarei morta. Não digo "morta" no sentido literal, porque isso pode ser até mais cedo ou muito mais tarde, mas há uma altura na vida em que o velho cavalo de corrida acusa sinais de ter pela frente a última temporada, e depois, com alguma sorte, pode aspirar a uma vida tranquila de estábulo e manjedoura até ao resto dos seus dias... Mas sejamos francos. Quem nasceu para correr morre quando no dia em que as pernas páram.
Como é que eu vou fazer isto, voltar para a vida? Trago atrás de mim a vergonha como uma sombra... Não foi fácil conformar-me com isso. A maior parte das pessoas finge que quer mesmo tudo o que tem e que está satisfeito. Eu não sou assim. Então como é que se volta para vida com uma sombra de vergonha atrás?
Como é que se volta para a vida quando não se tem a certeza se ainda há lugar... para algo... como eu?

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Pergunta ingénua

Quem é que sabe que programa grátis usar para colar vários mp3 num só? Já tenhos os mp3, só queria colá-los.

Obrigada.