Mostrar mensagens com a etiqueta nick cave. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nick cave. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

The Death of Bunny Munro (2009), de Nick Cave



Saber que Nick Cave tinha escrito um romance deixou-me naturalmente curiosa, interessada e empolgada. Não é o seu primeiro: “And the Ass Saw the Angel” (publicado em 1989), que eu não li, já está na minha lista para colmatar essa falha.
Comecemos pelo princípio, Nick Cave é um poeta e um letrista extraordinário. Disto, ninguém que conheça o seu trabalho tem qualquer dúvida. Quando deram o Nobel a Bob Dylan, mais do que pensar em Leonard Cohen, eu pensei logo em Nick Cave. Isto só para expressar em que pedestal ponho o homem como poeta que é.
Mas escrever um romance não é a mesma coisa que escrever poesia. E um poeta não é necessariamente um romancista. Tive receio, ao pegar em “The Death of Bunny Munro” que Nick Cave não fosse tão completamente sublime, na prosa, quanto o é na poesia. Não é que as duas coisas se possam comparar linearmente, mas fiquei completamente rendida à escrita de Cave como romancista também. Com algumas críticas, ligeiras, que tenho a fazer ao livro.
Mas antes de ir às críticas, o que mais gostei foi sem dúvida a grande riqueza de imagens, inspiradas e inesperadas, que nos fazem relacionar coisas que aparentemente não teriam qualquer relação. Como, aliás, Nick Cave já nos habituou nas suas letras, pelo que não foi novidade nenhuma. Este romance podia ser uma longa canção, ao estilo de “Jangling Jack”, todo escrito no presente do indicativo, alternando os pontos de vista entre Bunny e o seu filho Bunny Junior, com alguma presença de um narrador quase invisível excepto a um olho treinado. E fico-me por aqui a nível de características técnicas. Vamos então à história e às personagens.
Bunny Munro é um tarado sexual e esta é a sua história. E não exagero a parte da taradice. A princípio nem percebi se Nick Cave estava a querer ser sério ou cómico (ou um misto dos dois) ao caracterizar Bunny, que até lembra as piadas de tarados sexuais que se contavam no liceu. Este é um homem que não pensa noutra coisa senão sexo. Desde o momento em que acorda de manhã ao último pensamento antes de adormecer: vaginas, vaginas, vaginas. Olha para uma mancha na parede e vê nela um par de mamas. Olha para outra mancha e vê um traseiro. (Juro que havia uma piada assim, e até me lembro dela, mas não vou contar.) Bunny não precisa de ver pornografia porque todos os seus pensamentos são pornografia. Actualmente chama-se a isto uma adicção ao sexo e é tratada como qualquer outra adicção. Bunny, inclusive, trabalha em venda de produtos de beleza, o que o leva a casa das clientes para demonstrações personalizadas. O perfeito terreno de caça. Na verdade, até o emprego é um meio para atingir o fim, satisfazer a adicção, de manhã à noite. E Bunny, curiosamente, tem uma carinha laroca e tem sucesso nas suas aventuras. Tirando esta ou outra excepção (a intelectual cinturão negro em Taekwondo que lhe partiu o nariz), fiquei surpreendida com o seu nível de êxito. Mas Bunny é um tipo desprezível. Até podemos achar-lhe alguma graça até sabermos que já recorreu a roofies para se aproveitar de mulheres inconscientes, até o vermos aproveitar-se de uma junkie à beira de uma overdose, até nos enojar como ele rouba algumas jóias a uma cliente velhota e cega. Isto é um sociopata a quem só interessa a sua satisfação pessoal e imediata, sexual ou outra. E nem sequer falei da sua (não-)relação com o pobre do filho, a quem Bunny liga exactamente zero.
Mas isto leva-nos à sua relação com a mulher dele, Libby, cujo suicídio é o acontecimento que dá início à história. Não gostei da personagem Libby porque não me pareceu realista. A história passa-se nos anos 90. Sabemos isto porque o puto de nove anos anda sempre com uma enciclopédia e ninguém tem computadores ou smart phones e os telemóveis ainda são de concha, mas Kylie Minogue e April Lavigne já são estrelas mediáticas. [Rectificação: segundo a Wikipedia a acção passa-se em 2003, mas tudo o que eu acabei de dizer ainda se aplica nesta data.] Libby é uma dona de casa com depressão, casada há 10 anos com Bunny, farta de saber que ele a trai a toda a hora e a torto e a direito com conhecidas e desconhecidas. Pior que tudo, ele apalpou o traseiro à melhor amiga de Libby no dia em que Libby chegou da maternidade com o recém-nascido, quando a amiga estava na casa deles para ajudar com as tarefas domésticas. Pior que isto é difícil. Taradice e ingratidão. E Libby sabe porque a amiga lhe contou o que ele fez. Libby sabe e durante dez anos atura esta situação. Logo no princípio do casamento, Libby ainda vai para casa dos pais, mas volta para o marido. Entretanto Bunny Junior tem nove anos, Libby não procura emprego nem ajuda psiquiátrica, e continua casada com um homem que não a respeita a ela nem a ninguém. Saliento que apesar de todos os seus defeitos Bunny não é daqueles que isola e maltrata a esposa e a impede de sair de casa. Não, isso ele não é. Pelo contrário, ele quase não pára em casa e só não a ignora quando quer sexo com ela também. Deprimida ou não, Libby tem opções. Tem família e amigos que a podem receber, pode tentar arranjar emprego, pode pedir ajuda psiquiátrica. Não faz nada disto. E eu não acredito que uma mulher jovem, nos anos 90, aturasse placidamente um casamento que mulheres de outras décadas --ou por vergonha, ou por estigma social, ou por dependência económica do marido, ou por demasiada idade para arranjar emprego, ou por falta de apoio de família e amigos-- suportariam por falta de opções. Nos anos 60, até mesmo nos anos 70, talvez. Nos anos 80, em Inglaterra, onde se passa a história, já tenho dúvidas. Nos anos 90, nem pensar. Libby não é daquelas esposas sem alternativa que se vêem amarradas a um casamento abusivo. Se Libby não é uma personagem pouco credível, é pior, é burra quem nem uma porta. (A depressão é uma coisa, a burrice é outra). Mas, na verdade, Libby não me merece muito respeito porque eu não acredito nesta personagem. Não acredito que uma mulher jovem, bonita, com o apoio da família, com um filho a crescer naquele ambiente com aquele pai que não lhe liga nenhuma, não se pusesse depressa dali para fora. Acreditaria, sim, se a lassidão de Libby se explicasse por um mal bem mais conhecido do autor desta história: uma dependência de substâncias.
Digo mesmo mais, a obsessão de Bunny por sexo, desde que acorda até que adormece, parece-me muito a vida de um viciado em que tudo se resume a obter a próxima dose. Libby, apaticamente sentada no sofá, parece-me outra "drogada" como ele. Reconheço que a depressão é uma doença incapacitante (estou completamente à vontade para falar de experiência própria), mas custa-me acreditar que uma mãe não tenha feito nada para tentar melhorar a sua vida, tendo um filho de nove anos com um pai com que não se pode contar. Em vez disso, suicida-se.
Os amigos de Bunny também não são melhores. Classe média-baixa xunga, de uma espécie como só existe por aquelas bandas. Piadas xungas, quecas xungas, penteados e roupas xungas, tudo é xunga naquele ambiente.
Salva-se o miúdo, o pobre órfão Bunny Junior, que nos parte o coração porque está convencido de que tem o melhor pai do mundo. Para ele, Bunny é um campeão. É mesmo de ter pena do miúdo quando este fica sozinho com aquele tipo egoísta depois do suicídio da mãe. O miúdo é esperto, e naquela interacção alucinante em que Bunny Junior viaja com o pai enquanto este finge andar a vender cosméticos quando na verdade só pensa onde arranjar a próxima queca, começa a aperceber-se de que o seu pai não é o herói que tinha imaginado. A interacção entre pai e filho, afinal, é o cerne da história e o que nos prende à leitura. A torcer pelo filho, bem entendido, e a desejar de todo o coração que alguém o tire àquele pai.
Não vou contar mais porque já me aproximo do fim, e o fim é uma reviravolta com uma surpresa (ou talvez não, se estivermos com atenção), mas poderei dizer que chegando à última página cada um de nós vai ter de tirar conclusões e, se calhar, pensar na vida.
“The Death of Bunny Munro” é como aquelas viagens em que o mais importante é a jornada e não o destino. Apesar de ter detestado o protagonista, apesar da xungaria da maioria das personagens, incultas e grosseiras, apesar de só ter sentido empatia pelo pobre do puto que não tem culpa de nada, gostei do que li. Gostei principalmente da escrita, das imagens inesperadas, de uma longa “canção” de Nick Cave em forma de romance.
Estou convencida. Quero ler mais de  Nick Cave e espero que ele escreva mais. Só não mais tarados sexuais, por favor. Já chega.
Agora vou mesma à cata de “And the Ass Saw the Angel”.



segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Mars / Marte


[crítica à primeira temporada]

“Marte” é uma série/documentário do canal National Geographic que se distingue pelo formato original. A parte “documentário” é normal, mas a parte “série” não é a dramatização com figurantes silenciosos que estamos habituados a ver nestas coisas. É mesmo uma série, com personagens a sério, com motivações e flashbacks e histórias pessoais. Pode ter sido uma grande aposta da parte do National Geographic, porque se não fosse esta parte “série” eu não estaria de certeza a ver um documentário sobre uma possível colonização de Marte.
A história é esta: no futuro próximo, a primeira missão tripulada dirige-se a Marte na intenção de estabelecer a base de uma colonização humana. Os personagens são mais genéricos do que tridimensionais mas têm os seus momentos de profundidade. Nas partes boas, isto é, quando o perigo espreita, é que a série muda para documentário, o que é tão irritante como eficaz. Enquanto cientistas entrevistados debitam factos e opiniões, o espectador fica ali agarrado ao écran no suspense de saber se a nave explodiu ou não. Não sei se será este o futuro do documentário em geral, e até mesmo se será o formato mais credível, mas a verdade é que a mim apanharam-me de entre um público que geralmente não vê estas coisas. Logo, aposta ganha em termos de audiências.
O que não quer dizer que fiquei deslumbrada com o formato. Passei o primeiro episódio a tentar perceber se ia haver história ou se era só documentário, e se aquilo não era tudo publicidade à SpaceX. A interrupção da dramatização ficcional para aparecer um senhor ou uma senhora a dizer coisas com que não concordo também não ajuda nada.
Porque, com toda a franqueza, faz-me muita confusão como é que alguém pode estar a pensar em gastar milhões com Marte quando existe tanta miséria aqui mesmo, no planeta Terra, quando tanta gente ignorada em países subdesenvolvidos luta pela subsistência mais básica, onde não há comida nem água potável, quando migrantes morrem no Mediterrâneo a tentar fugir da pobreza. Não me entra no miolo.
A ideia desta gente é colonizar Marte como mais um trampolim para a expansão da espécie humana pelo universo afora, não vá acontecer uma extinção em massa por cá (como já aconteceram várias) que nos acabe com a raça. Não passa pela cabeça destes senhores a simples pergunta: e nós somos uma espécie que vale a pena salvar da extinção? Eles acham que sim, mas quanto apostam que esta “salvação” está restrita a quem tiver dinheiro para a pagar? E vale a pena salvar uma espécie que alegremente anda por aí a explorar o espaço enquanto a maior parte dos seus exemplares passa mal no planeta natal? Uma espécie que já deu cabo do planeta natal, que todos os dias extingue um número assustador de outras espécies, que não se importa nada com isso, que vai dar cabo de todos os planetas onde puser as patas?
Há muito tempo que a filosofia e a ficção científica colocam estas questões, mas agora já não é ficção científica. Estão mesmo a pensar pôr uma base na Lua, e de seguida em Marte. Não contentes com a lixarada que já fizeram na Terra, e que não conseguem (ou não querem) resolver, toca de ir fazer lixarada para o espaço e cavar aterros sanitários na Lua. E a mim faz-me confusão, a sério. Antes de pensar em salvar a espécie da extinção, o ser humano devia estar fazer por merecer ser salvo. Por enquanto não merece destino diferente dos dinossauros. Se se extinguir, não se perde nada e o universo agradece.
Voltando à primeira temporada da série, “Marte” são apenas seis episódios em que os pioneiros da colonização do planeta vermelho passam por bastantes maus bocados. Aprendi muita coisa, apesar dos pedaços “série” estarem constantemente a ser interrompidos e os pedaços “documentário” me alienarem um pouco. Por exemplo, não sabia que uma viagem até Marte são apenas 7 meses. Julguei que era muito mais. Também gostei de ver a parte em que o astronauta desmaia colado ao tecto. Só não sei até que ponto é que é tudo credível. Será mesmo assim que qualquer pessoa pode abrir uma porta (escotilha?) de uma base num planeta sem atmosfera, sem que haja protocolos de segurança confirmados por pelo menos dois responsáveis? Cheira-me que não, ou é optimismo a mais. Ou talvez a parte “documentário” quisesse que a parte “série” mostrasse o que acontece sem esses protocolos de segurança? Talvez. Mas eu continuo a achar que os dois formatos deviam permanecer separados. Preferia que não houvesse documentário nenhum e que fosse só série, para que os personagens evoluíssem e se tornassem de carne e osso em vez de ficarem nesta coisa que não é carne nem peixe.
Seja como for, o melhor momento do programa é a canção de Nick Cave e Warren Ellis, “Mars Theme”, uma pequena maravilha a descobrir. Fãs de Nick Cave, atenção.



sábado, 20 de abril de 2019

O proibido



Transgression is fundamental to the artistic imagination, because the imagination deals with the forbidden.
 



Nick Cave, in Thoughts on Modern Rock Music




quinta-feira, 24 de abril de 2008

Palhaçada

Nick Cave, Coliseu de Lisboa, 21.4.2008




Algo me dizia que este seria o meu primeiro e último concerto de Nick Cave. Muito provavelmente sê-lo-à de facto, mas não pelas razões que tanto temia. Afinal havia piores motivos para ter medo.
Este não é o meu Nick Cave. Este não é o Nick Cave que conheço há 20 anos das k7s, dos discos, dos CDs, do mp3. Ao ouvir neste preciso momento "I Let Love In" (tema tocado no concerto) chego a duvidar ter estado na presença da mesma banda.
Passo a explicar. Começo por falar no concerto em si. Como já é tradição com eventos que começam às 21h, não vi a primeira banda (uns tais Dave Graney & The Lurid Yellow Mist) e ia perdendo tudo da primeira canção. Caramba, há muito tempo que não via o Coliseu de Lisboa tão apinhado! O que me leva à constatação de que com os anos a sala parece ter encolhido, o palco parece ter descido ou as pessoas parecem maiores. Algo se passa porque da plateia mal se vê a careca de quem está a tocar. A única solução é chegar cedo e arranjar lugar nas bancadas laterais mais próximas que sempre foi de onde ainda guardo as melhores memórias das cuecas da Björk lá para os tempos dos Sugarcubes.
Depois, o que raio era aquela luz toda a iluminar a plateia? Ainda se o público tivesse estilo, mas palavras de honra, para banda alternativa, onde estava o alternativo do público? Sim, eu sei que era segunda-feira e a malta veio do trabalho, mas sejamos francos, e é provável que esta piada só seja percebida pelas pessoas de Lisboa, mas deixá-lo, parecia uma festa daquelas temáticas no Santiago Alquimista onde se acaba sempre a ouvir o mesmo.
Por falar em festa, Nick Clown & the Ball Seeds lá a fizeram em grande! Até houve "sing along"! O pior não foi o "sing along" e os pseudo insultos à plateia. O pior é que de 20 anos de canções não percebo como é que nunca tinha ouvido aquela (nada de jeito, por sinal) e o facto de os insultos serem pseudo -- como tudo o resto foi pseudo. E que tal se o "sing along" tivesse sido em "Deanna"? Ou Nick Cave teria muito medo que não conhecessem? Pelo sim pelo não, é mais seguro apostar em "Right Red Hand" porque toda a gente já ouviu, nos Ficheiros Secretos ou noutro lado qualquer. "Mercy Seat"? É melhor não, é muito pesado, apesar de ter sido uma das canções mais gritadas. Havia mais por onde escolher, desde os Birthday Party, mas também não quero ser fundamentalista.
O que raio foi aquilo?! Não, não estou a implicar com o bigode e a careca. Ironia é beleza. O que me está de facto a incomodar é que Nick Cave não é daqueles autores que já não têm um álbum novo há vinte anos e vão enchendo chouriços com versões de Primal Scream. (Se não foi Primal Scream não sei o que foi, mas Nick Cave também não sabia por isso estamos iguais, e se pelos Bad Seeds a canção também não é nada de jeito -- mais uma para a lista! -- o original não pode ser melhor.) O que me incomoda é que Nick Cave acaba de lançar dois álbuns novos, um com os Bad Seeds outro com o projecto Grinderman, qual deles o melhor porque são mais duas obras primas a juntar às outras, e de entre um menu novo e antigo tão recheado preferiu tocar o mais pop.
Mas também não é por isso que saí deste concerto desconsolada. Não sei se foi sempre assim ou é uma fase (diga quem o viu ao vivo antes), o que de facto me desapontou foi a falta de vontade de interpretar correctamente o seu próprio repertório. "What do you want to hear?", perguntava, e ouvia-se "O'Malley", "Lovely Creature", os resultados sangrentos de "Murder Ballads". Lá saiu "Stagger Lee", mas com tão pouca convicção que preferi ter levado o álbum e uns headphones. Exactamente. Melhor no álbum. Já que estamos em ano de olímpicos, diria mesmo que a nota técnica é 10 (excelente voz, excelentes músicos, excelente espectáculo) mas a nota artística fica pelas ruas da amargura.

Porque quando se canta

Well I've been bound and gagged and I've been terrorized
And I've been castrated and I've been lobotomized


é preciso uma certa solenidade. Talvez seja defeito meu, sei lá, mas pareceu-me que Nick Cave tem tanto medo de ser teatral que acaba por cair na palhaçada.
Nem "Tupelo" saiu como deve ser. E transformar "Tupelo" numa coisinha sem sal não é trabalho fácil. Parabéns Nick. Nenhuma banda de covers deste mundo o faria tão genialmente.

[intimismo]
O que é que eu queria ouvir Nick? A tua alma. E parece que a tua alma fica no estúdio onde está protegida bem longe dos olhares e se enrosca segura entre as capas dos CDs. Compreendo. Não gosto mas compreendo.
[/intimismo]


A única coisa de jeito que Nick Cave disse foi afinal sobre uma das melhores canções do último álbum "Dig Lazarus Dig", "We Call Upon The Author", algo como "todas as respostas às vossas dúvidas existenciais estão aqui". Sempre na brincadeira. Não havia necessidade de gozar tanto consigo próprio. Digo eu. Mais uma vez, pode ser defeito no receptor.
Chegando aos encores, já não sabia se queria que Nick Cave se fosse embora ou se voltasse de novo e salvasse a noite com um bocadinho de alma. Só um bocadinho. Um niquinho de alma.
Não vi nada.

[intimismo]
Contudo, este concerto não foi uma completa perda de tempo. Pelo contrário, sempre me questionei, abismada, onde se inspiraria Nick Cave para escrever o que escreve. Depois de quase duas horas de observação e intuição feminina, se a vida afectiva do homem é tão desastrada como a interpretação dos seus próprios poemas... mais um mistério desvendado. E sobre isto não digo mais nada. (E não lhe digam que fui eu que disse porque nego tudo!)
[/intimismo]


Adeus Nick. Foi um prazer ver-te. Maior prazer é ouvir-te e é o que farei daqui em diante.




Ficam algumas fotografias tiradas com a minha máquina de fazer telefonemas, já com prévias desculpas pela má qualidade mas até agora não tive tempo de comprar melhor por isso vamos atribuir a imagem desfocada a... erm... opções artísticas...
(Também há uns vídeos mas ainda não consegui vê-los no computador. Aceita-se ajuda.)














quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Nick Cave

Nick Cave tem um projecto novo chamado Grinderman.
Podem ouvir a canção de que vou falar Aqui.
Este post não é apenas sobre os Grinderman e como eu acho que pela amostra têm potencial para mais uma série de clássicos. Nick Cave está melhor do que nunca.
A música chama-se "no pussy blues" e é mais uma vez Nick Cave a explicar às mulheres a essência do ser masculino, no seu pior e no seu melhor, como só ele pode fazer. (E também os Violent Femmes, nos seus melhores momentos.)
Às vezes, Nick Cave até compreende as mulheres, se bem que ao de leve. Para compreendeer as mulheres eu aconselharia Miranda Sex Garden. Ou a alma gémea de Nick Cave, PJ Harvey.
O que faz de Nick Cave um homem extraordinário é essa capacidade de descrever as suas necessidades ao sexo oposto (geralmente os homens não têm capacidade verbal para tanto) e fazê-lo com poesia!!! Às vezes chocante por ser tão honesto, mas eu gosto de honestidade. Gosto que um homem me diga "eu preciso de sexo" em vez de andar às voltas e voltinhas e a amuar e a arranjar discussões "around the bush", como se diz em americano e não tem nada a ver com o presidente. Como é maravilhosa uma boa dose de honestidade, principalmente se vem com poesia atrás. Palavras para quê? Gosto muito dele.
Ainda me lembro daqueles 50 euros que custaram o concerto dele no CCB, concerto a que eu não pude ir. Há quem precise de sexo, há quem precise de dinheiro. E depois, como nota fora do contexto, quem é que pensa em sexo quando tem a barriga vazia e o gás está caro para tomar banho todos os dias e...

Onde isto foi parar. Parar é a palavra de ordem. Paremos.