terça-feira, maio 30, 2006

A machadada final

E foi a machadada final no mérito. Pais a avaliar professores. Pais ignorantes, iliterados, quase analfabetos, sem educação e sem maneiras, que tudo o que precisam de fazer para ser pais é dar uma queca, a avaliar profissionais que no mínimo tiveram que tirar um curso para exercer a profissão.
É o fim, é mesmo o fim.

Ouvir a ministra da Educação dizer sem um pingo de vergonha uma barbaridades destas, que a "distribuição das melhores turmas aos melhores professores" é uma má medida, é cuspir na cara dos bons alunos e premiar os piores. Já agora, porque não realiza de uma vez por todas o sonho da burrocracia?

Que se dêem as notas ao contrário. Que passem os burros. Que chumbem os bons alunos.

É imperativo, é urgente, é necessário!!! mandar óvulos para Espanha! Óvulos para Espanha já e em força! E não só para Espanha, para a Europa toda! Pela educação das nossas crianças, pô-las fora de Portugal já!

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23 Comentários:

Blogger Musgo disse...

É que a Ministra na Educação nunca deve ter estado na pele de "boa aluna" engolida viva pela turma, pelos professores, pela escola e seja lá pelo que for.

31/5/06 00:41  
Blogger gotika disse...

Se calhar tens razão, Musgo. Olha que pode estar aí a explicação...

E o que isso diz dos nossos governantes até mete medo.
É fugir daqui o mais depressa possível. Quem pode, fuja! Fuja!

31/5/06 03:13  
Blogger Necare disse...

Claro que não esteve, deve ter frequentado o Colégio das Doroteias, ou um Luso-Qualquer Coisa. A avaliação dos professores (atenção que também há muitos que não valem nada) só vai aumentar a indisciplina, porque se o pai é chamado à atenção que o seu Francisquinho se porta mal, ameaça o professor que faz queixa dele.

(P.S. Ó Gotika, olha que eu sou muito macho.)

31/5/06 10:12  
Blogger ebola disse...

Uma avaliação correcta deve sempre incluir toda a gente envolvida, não sei os moldes dessa avaliação, nem tão pouco em que matérias poderão os pais avaliar, concerteza não será uma avaliação técnica, e terá que haver limites, como é obvio um pai que nunca vai à escola não sabe nada sobre os professores logo não tem dados nenhuns sobre o assunto.
Vou-me informar mais e se for oportuno direi mais qualquer coisa.

31/5/06 14:32  
Blogger S. disse...

ò ebola não digas disparates. Isto é uma aberração total. Há pais drogados, pais idiotas, fascistas, imbecis. Há pais que não vivem sequer com os filhos. Há pais que não os conhecem. Há pais que são amigos dos professores dos filhos. outros são inimigos. Em terras pequenas, há cumplicidades, relações de dependência social que tornam iniável qualquer avaliação séria. A mãe que é mulher-a-dias da professora vai dizer o quê? E com que conhecimento? E os pais que fazem dos filhos máquinas de tirar 19, se por acaso o rebento não tiver 19, a culpa é de quem? E porque é que é só nas escolas? O que dirias, ó ebola, dos médicos avaliados pelos doentes, dos juízes avaliados pelos utentes, do chefe das finanças avaliados pelos contribuintes, os agentes da brigada de trânsito avaliados pelos automobilistas? mas tu não te enxergas? Não vês o tamanho deste disparate? Não percebes que o objectivo é o mesmo de sempre: culpabilizar os professores pelos males da nção. É que há décadas q PS / PSD andam a prometer maravilhas com base em sucessivas reformas educativas. Falhou tudo, graças a idiotas como Roberto Carneiro, João de Deus Pinheiro, Ana Benavente, Diamantino Durão, Oliveira Martins, Frausto da Silva, Augusto Santos Silva, Maria do Carmo Seabra, David Justino, Marçal Grilo, Manuela Ferreira Leite, entre outros. Os resultados estão à vista. De quem é a culpa? Dos profs, claro

31/5/06 17:04  
Blogger Vítor Neves Fernandes disse...

É imperativo, é urgente, é necessário!!! mandar óvulos para Espanha! Óvulos para Espanha já e em força! E não só para Espanha, para a Europa toda! Pela educação das nossas crianças, pô-las fora de Portugal já!

Amiga, não é isso o que temos feito, não só num passado recente, não só para a Europa, ao longo da nossa mui nobre história? Embora, reconheço, com efeitos bastante mais nefastos (subversivos, até) do que o desejado.

Agora a sério: Há uns anos atrás li um artigo (julgo que na Forbes) com o título "O porquê do Brasil não ser tão rico como os Estados Unidos", no qual, na opinião dos brasileiros, as razões evocadas para explicarem o título do artigo íam desde a normal «herança burocrática portuguesa» à mais ressentida «herança cultural portuguesa» onde, entre muitas qualidades herdadas dos portugueses, os brasileiros destacam o ócio.

Agora algo totalmente diferente:

This Be The Verse

They fuck you up, your mum and dad.
They may not mean to, but they do.
They fill you with the faults they had
And add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
By fools in old-style hats and coats,
Who half the time were soppy-stern
And half at one another's throats.

Man hands on misery to man.
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
And don't have any kids yourself.


Philip Larkin

31/5/06 19:34  
Blogger Goldmundo disse...

Vocês são um bando de optimistas incorrigível. No ponto em que estamos, professores a avaliar estudantes dá quase sempre mau resultado também.

31/5/06 19:40  
Blogger gotika disse...

Mil perdões, Necare. *blushes*

31/5/06 22:52  
Blogger que deus me acuda disse...

Ignoro em que termos a Ministra prevê a intervenção dos pais na avaliação, mas, infelizmente tudo o que temos vindo a conhecer dela — e da sua equipa, com destaque para um tal de Valter Lemos — faz prever o pior. A mais rasteira demagogia. O abaixamento — se possível — do estatuto dos professores, da sua autoridade e, consequentemente, das suas condições para ensinar.
Já agora, vem ao caso interrogarmo-nos por que é que este Governo tem feito dos professores do básico e do secundário sacos de boxe, mas não toca nas universidades, onde a situação é cada vez mais vergonhosa, à pala da indiscutível e amada autonomia.

1/6/06 00:15  
Blogger ebola disse...

S, ninguém na sociedade deve ser intocável, e todos na sociedade devem estar envolvidos, mantenho a opinião que a avaliação pelos pais poderá ser positiva desde que não seja a nivel técnico por razões óbvias e desde que seja limitada a quem acompanha a vida escolar dos filhos (facilmente verificada pela presença em reuniões de pais). Mais uma coisa também há professores drogados, e também existem alguns bem mais incultos que certas donas de casa...

1/6/06 09:12  
Blogger AngelToes disse...

Muito sinceramente acho que deve haver uma avaliação de professores. Como em todas as profissões, há o trigo e o joio e há que separá-los.
Eu, como contratada há 12 anos, sou anualmente avaliada pelos meus pares, com todos os perigos que isso acarreta, nomeadamente nas questões de relações interpessoais que muitas vezes são puramente "cutâneas". Há riscos, há arriscos, há petiscos...
Deve haver uma avaliação, mas feita por pares! Um engenheiro não é avaliado por um médico, um economista não é avaliado por um pedreiro! Um professor não é avaliado por um pai! Agora imaginem um juiz a ser avaliado pelo recluso que ele condenou ou um advogado a ser avaliado por um réu que ele defendeu e ilibou!... Ou um mau médico a ser avaliado por ter curado uma constipaçãozeca a um hipocondríaco e um excelente médico por não ter curado um cancro em fase terminal!
Outra questão aborda o papel dos pais na Escola. Os pais de hoje são ausentes, demitiram-se do seu papel educativo e formacional. Quem tem que educar e formar os meninos em primeira instância são os pais e não os professores, muito menos os do Ensino Secundário que é o meu caso. Se @ menin@, ao lado da mãe/pai, está habituado a pôr os pés no banco da frente do comboio, então é claro que achará um desplante que a prof de Inglês não o permita dentro da sala de aula. E o pai e a mãe também! Quantas vezes já me apresentaram reclamações deste tipo durante os meus 12 anos de ensino...! Ou porque a mãe (mesmo tendo uma formação superior!) até permite o uso do charrito pois "está na idade certa, não é quando tiver 40 anos!" que ele vai entrar charrado na aula... Muito bem, se a mãe acha que o seu rebento deve ter uma vivência mais abrangente, deve também formá-lo no sentido de que há os factores "espaço" e "tempo", e deve formar o seu educando no sentido de saber gerir o "quando" e o "onde" PONTO FINAL.
Mas há muito mais... Por ora posso apenas agradecer à Fátima Bonifácio!

1/6/06 10:05  
Blogger ebola disse...

Esse sistema de avaliação pelos proprios professores é altamente tendencioso, "scratch my back and i'll scratch yours", e poderá, pelas razões que referiste angeltoes, ser bem mais perigoso para vocês que ensinam que propriamente o peso que a avaliação dos pais terá.
A avaliação de um médico ou de outro qualquer profissional pode e deve ser feita por qualquer um, basta pedir o livro de reclamações, se as pessoas não o fazem deviam faze-lo, eu não abdico do direito que tenho de dizer bem ou mal do serviço que me prestam.

1/6/06 10:35  
Blogger AngelToes disse...

Só o dos professores?!... Então e os magistrados e os engenheiros?!.. Não percebo. Ah pois! Eles têm uma Ordem. A Ordem controla. A Ordem põe tudo em Ordem! Para quem vê de fora para dentro... (quem coça mais costas do que as Ordens? Quem alguma vez viu um médico testemunhar contra um colega? Eu não.)
Anyway, também há "livros de reclamações"...! nas escolas. E não te esqueças de uma coisa, ebola, a tua reclamação no centro de saúde não muge nem tuge em relação à carreira do médico em questão. No caso que a Ministra pretende implementar vai condicionar a progressão na carreira. Professores com má avaliação por parte dos pais, não progridem. Não faz sentido. Os meninos queixam-se aos pais, e os pais vão avaliar terceiros por imposta pessoa, com informação já filtrada e por uns binóculos ao contrário. Nem sequer é uma avaliação científica, daí eu defender aquela feita pelos pares.
Este ano tenho um caso pessoal engraçado. Um menino de uma turma não foi à bola comigo. No primeiro período só fez porcaria e instigou parte da turma a acompanhá-lo nesse comportamento, boicotando sistematicamente as aulas, ou tentando pelo menos. Se a avaliação fosse feita pelos pais nesse final de 1.º período, eu tinha um chumbo redondo. Tenho mais 4 turmas onde não há problemas. Hipoteticamente, a minha avaliação seria Muito Boa, Suficiente ou Insuficiente? Provavelmente Suficiente, se aplicássemos uma fórmula de cálculo aritmético. E tudo por causa de um aluno, e dos pais dos restantes alunos da turma que me avaliavam tendo em conta o que o seu próprio filho filtrou daquilo que um terceiro fez. Versão dos pais no 3.º período: a professora deu a volta. Não! A turma modificou-se. A professora é a mesma das outras 4 turmas.

1/6/06 11:49  
Blogger ebola disse...

Compreendo aonde queres chegar, mas de tudo o que li até agora nada me indicou o peso da avaliação dos pais no "bolo geral" da avaliação dos professores, nem tão pouco como será feita a avaliação, se vai requerer justificação ou não, para filtrar situações como a que referiste, "leva insuficiente porque o meu filho diz que...".
A meu ver o peso da avaliação deve ser pequeno, mas deve sempre existir, se bem tratada essa avaliação pode ser um feedback bom e bastante util para os professores que gostem de evoluir (não falo em carreira mas em métodos de ensino e como pessoas).
Quanto aos livros de reclamações, se eu não escrever tenho a certeza absoluta que não terá repercursões.

1/6/06 14:33  
Blogger AngelToes disse...

Comecei por dizer lá em cima que sou a favor de uma avaliação. Mas não nestes moldes.
E o que sugeres, relativamente a uma avaliação para obter feedback dos pais, já é posto em prática actualmente e há alguns (muitos) anos. Ao longo do ano lectivo e do processo ensino-aprendizagem existe já esse esforço para obter feedback por parte dos pais. Todos os períodos há 1-2 reuniões entre todos os professores da turma e o representante dos Pais, e com a presença dos delegado e sub-delegado da turma. Todas as semanas o Director de Turma (DT)tem uma hora destinada à recepção de pais, quer física quer telefonicamente. Além dessas, todos os períodos o DT convoca os pais para os esclarecer sobre as notas e outras questões. Até qualquer professor pode receber um pai se assim for combinado. Ainda este ano houve uma reunião - os professores do Conselho de Turma e os pais (mãe e pai) de um aluno - que foi convocada a pedido dos pais. Eu, por acaso, fui a única a não comparecer à reunião porque foi realizada numa hora em que eu estava com outra turma. Deixei o meu relatório do desempenho do referido aluno no processo de ensino-aprendizagem até à altura. E durante uma hora trocaram impressões com os dois pais do aluno.
A qualquer altura os pais podem tentar entrar em contacto com o DT, um professor, ou quem quer que seja. Podem até enviar uma comunicação pelo próprio filho. No secundário já não há cadernetas, mas no básico é para isso que elas servem, de meio de comunicação, se a vontade ou a possibilidade de se deslocar à Escola não for a melhor. Muitas vezes, os pais nem ligam ao DT, nem às comunicações sejam elas quais forem, muitas vezes chegam ao final do ano e desculpam as suas ausências nas reuniões com o trabalho. Existe um artigo no Código do Trabalho que permite ausentarem-se do emprego para assistir a reuniões na Escola do seu Educando (Subsecção XI, art.º 225, alínea f)).
Bom, mas de volta à realidade. A dura realidade é esta: salvo cada vez mais raríssimas excepções, os pais demitiram-se da sua função de pais, agora são meros progenitores. São pais demissos e ausentes.
Ebola disse: "A meu ver o peso da avaliação deve ser pequeno, mas deve sempre existir, se bem tratada essa avaliação pode ser um feedback bom e bastante util para os professores que gostem de evoluir (não falo em carreira mas em métodos de ensino e como pessoas)."
Sem dúvida. Eu gosto de evoluir e faço tudo o que estiver ao meu alcance para evoluir e me actualizar no que respeita métodos* de ensino e como pessoa. É valioso qualquer feedback, seja de alunos ou de pais. Mas não misturemos as águas, por favor! Para além de progredir como pessoa e como professora, quero progredir também na carreira mediante as provas científicas e pedagógicas do meu desempenho. Não porque sou "muito porreira" ou porque sou "tia" ou porque sou "gó"!

* o método de Ensino não depende exclusivamente do professor que está dentro da sala de aula. Há um currículo que vem do Ministério da Educação, orientações gerais de gestão do programa, e de método de ensino a aplicar.
Quando nós eramos alunos, muitas vezes tivemos que repetir à exaustão exercícios de gramática; hoje a gramática é um bicho-papão (para os senhores visionários e todo-poderosos que fazem os currículos). Quem não sabe a gramática e não compreende a estrutura de uma língua, por exemplo, nunca vai conseguir aprender a dominar a língua; limitar-se-à a repetir frases que aprendeu de cor ao verdadeiro estilo papagaio.

1/6/06 20:42  
Blogger gotika disse...

As universidades são a primeira amostra da selva que é o resto.

1/6/06 22:12  
Blogger ebola disse...

"Para além de progredir como pessoa e como professora, quero progredir também na carreira mediante as provas científicas e pedagógicas do meu desempenho."

Reconheço a minha ignorância neste ponto sei que são avaliados nessa área não sei é como, se não te importares podes explicar?
Deves de certeza saber que nem todos são como tu, nem todos por iniciativa própria querem evoluir, raios, estamos num país onde maior parte das pessoas só se revolta quando o "conformismo" está ameaçado, e mesmo assim é com o objectivo de o restituir outra vez, nunca evoluir.

2/6/06 09:12  
Blogger AngelToes disse...

O método até agora vigente não é o melhor. Daí eu, desde o princípio desta discussão, defender uma avaliação séria dos professores que permita aos bons progredir e impedir os maus de avançar na carreira, isto vendo as coisas de uma perspectiva maniqueísta do sistema. Mas essa avaliação não pode nunca ser através dos pais!
Como funciona essa progressão? Há dois casos distintos. O professor efectivo no final de 4-5 anos elabora um documento de reflexão crítica sobre o seu desempenho da actividade docente que é avaliado pelo Conselho Executivo da sua Escola. Deve também ir acumulando créditos obtidos através da frequência de acções de formação (contínua ou não). Balelas!
O professor contratado todos os anos elabora o seu documento de reflexão crítica sobre o seu desempenho da actividade docente que é avaliado pelo Conselho Executivo da Escola onde está nesse ano. Balelas!
Há uma ressalva que deve ser feita. Há dois tipos de "agentes" de Ensino: os professores que já estão na carreira (vulgo efectivos) e os que estão em pré-carreira (contratados). Logo aqui o Ministério faz uma distinção ridícula: se for um professor que pertença a um quadro de Escola ou de Zona Pedagógica (uma área mais abrangente) esses professores são chamados de "docentes"; se for um contratado (todos os anos renova um contrato, se tiver sorte!) então é um "indíviduo qualificado profissionalmente para o Ensino". Falo a nível de terminologia mas é revelador do desrespeito que vem de cima, do topo da pirâmide para as bases. E a diferença entre ser-se um professor efectivo ou contratado muitas vezes é uma questão de sorte ou azar! Quantas pessoas com graduação profissional bem inferior à minha já estão nos quadros! Mas a lei permite-o. Esta questão também dava pano para mangas!
O meu caso é este: tenho uma licenciatura científica conferida pela Universidade de Lisboa. No final da licenciatura, ou ficava como estava ou optava por várias áreas de pós-graduação. Fiz provas de acesso para Tradução e fui admitida. Optei pela Especialização no Ensino porque aos sete anos quando apanhava os miúdos da minha rua me punha com um quadro de três pernas a ensinar-lhes as letras e as contas. Fiz mais dois anos na faculdade a especializar-me no Ensino. Mais tarde deixei um Mestrado a meio porque não conseguia compatibilizar os seminários e trabalhos com a carga lectiva na Escola. De salientar que quando entrei para o curso na FLUL a média era de 17 valores e havia o famoso numerus clausus. Sim, num curso de Línguas, imaginem! (leia-se a ironia).
Ponto da situação:
Há doze anos que no final do ano lectivo, não sei o que me espera!
Há doze anos que o subsídio de férias fica guardado para ser usado em Setembro (não estou colocada, logo não recebo dinheirinho) e Outubro (apesar de estar colocada, só recebo o vencimento no final do mês)! Logo: férias? Em casa e sem grandes avarias.
Há doze anos que não sei que nível de Ensino me vai calhar (Básico ou Secundário?), que anos lectivos me vão calhar (7.º, 8.º, 9.º, 10.º, 11.º 12.º?), que disciplina irei leccionar (Inglês ou Alemão?)! Logo: não posso adiantar trabalho.
Há doze anos que caio de paraquedas numa Escola quando o ano lectivo já se iniciou, quando não tive oportunidade de planificar atempada e reflectidamente as minhas aulas de acordo com o programa do que me calha nesse ano!
Há doze anos que os programas sofrem reformas e contra-reformas e para-reformas e pseudo-reformas!
Há doze anos que não sei qual será o novo manual adoptado pela escola onde vou parar pois nem sei qual é a escola!
Há doze anos que planifico aulas de uma semana para a outra! E que as volto a planificar quando vou conhecendo a turma aos poucos e adaptando os conteúdos de acordo com o organismo vivo chamado "turma" que está à minha frente!
Há doze anos que me são atribuídos os "restos" nos quais os efectivos não querem pegar porque são turmas fraquinhas, turmas problemáticas, turmas que exigem um trabalho continuado e aplicado e acompanhamento pedagógico acrescido! E se a lei o permite, então que fiquem para os contratados!
Há doze anos que os meus horários não lembram ao diabo: de manhã, de tarde e de noite! Muitas vezes cheios de buracos que não permitem trabalharmos concentradamente num determinado assunto porque não há condições físicas (gabinetes de trabalho) para os professores. Ou moramos junto à Escola e vamos a casa, ou então ficamos na fila de espera para usar um dos 3 computadores disponíveis para os 150 professores!
Há doze anos que o mês de Agosto é rico em depressão por não saber o que me irá acontecer no mês seguinte e no ano lectivo seguinte. Será que vou ser colocada? Será que fico relativamente perto de casa? Será que vou ter um horário completo? Ou será que vou ter um horário incompleto e recebo cerca de 200 euros mensais? Será que há vagas? Será que há turmas suficientes?
Bom: há doze anos que sou contratada! Segundo o Código do Trabalho, isso dava para quantas vezes o funcionário passar aos quadros da empresa?!... Deixa cá ver: doze contratos anuais, a dividir por três... é fácil ver que o Estado é o primeiro a desrespeitar a lei.
Pelo bem do Ensino Público em Portugal, isto tem que mudar mas não é pela avaliação dos professores que se começa. E nem é porque os professores vão ser avaliados pelos pais ou por quem quer que seja! Começa pelo respeito e pela redignificação da profissão, começando pelo topo, pelos senhores lá de cima. Antes de pensarmos em avaliar o professor, devemos pensar em avaliar o político! E estes têm sido sempre iguais, só mudam as caras! Vai para 20 anos!
Não adianta colocarmos uma coroa num dente sem eliminarmos por completo a cárie que já chega à raiz!

2/6/06 18:02  
Blogger ebola disse...

Compreendo a (tua) revolta neste caso, entendo que não seja a maneira de começar a resolver o problema, muitas coisas estão mal na educação, tanto no sistema como no sindicato que vos defende. Cada vez mais os sindicatos são contra o sistema e não a favor dos trabalhadores e isto, por muito penoso que seja ouvir, mina qualquer esperança que um trabalhador tenha de ver reconhecida ou melhorada a sua vida porofissional.
É caricata a categorização entre professores de quadro e os contratados, logo a partida uma distinção dessa dá uma indicação clara do (des)respeito que existe, mais, em qualquer trabalho as tarefas complicadas (neste caso turmas problemáticas) são sempre dadas a quem tem mais experiência e não a alguém que apareceu "ontem" é tão óbvio que senão for feito revela não estupidez nem burrice mas uma intencionalidade ilegal.
Resumindo, continuo a pensar que não seja uma má medida (depende dos moldes), entendo agora que o "timing" não é o correcto, que existem coisas muito mais importantes por onde começar.
Angeltoes, obrigado pelo esclarecimento.;)

5/6/06 09:02  
Blogger gotika disse...

Angeltoes, a avaliação dos políticos chama-se eleições.

...

7/6/06 22:34  
Blogger Klatuu o embuçado disse...

A debandada para Espanha começou há muito... Primeiro pelas veladas mas não inconfessadas medidas do Estado Espanhol em atrair os Portugueses fronteiriços... para as quais a TV espanhola, muito tem contribuido.
Depois, a inclusão da Língua Portuguesa no currículo escolar espanhol foi um inteligente pau de dois bicos... muito jovem licenciado, que nunca poderá vir a ser professor de Português aqui... foi aceite, com extrema facilidade e simpatia, no sistema educativo de Espanha... mas já para lá se deslocam licenciados de outras áreas... Depois, ainda, a maioria dos Portugueses que lá vão tirar cursos, por lá ficam.
Ainda temos a questão do IVA... o pequeno comércio nacional está-se a deslocar para Espanha... E não nos esqueçamos das mamãs que vão ter os bébés a Espanha... e os naturalizam Espanhóis!!

No fundo, é normal, mera consequência do «IBERISMO» de quem nos governa!

8/6/06 15:46  
Blogger Klatuu o embuçado disse...

P. S. Ainda bem que estes temas também te preocupam...

8/6/06 15:47  
Blogger AngelToes disse...

Gotika disse: «Angeltoes, a avaliação dos políticos chama-se eleições.»
Discordo. Para alguns (demasiados!), "eleições" significa abstenção entre outras coisas ainda menos dignas. Os poucos (aos quais me orgulho de pertencer) que votam, não derrotam as percentagens abstencionistas. Ao contrário de avaliar os políticos, as eleições avaliam o nosso povinho e a nossa mentalidade de povinho. A avaliação dos políticos não é, definitivamente, a entremeada bipartidária a que temos vindo a assistir desde a nossa "revoluçãozinha".

P(ost) S(criptum): desculpem o interregno e a demora mas ando em avaliações (hehehe), as de final de ano lectivo, claro! Os exames nacionais não tardam.

9/6/06 17:08  

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