quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Goth Club Classics

Inspired by DJ Dead Parrot's stream Goth Club Classics, here's my list of club hits circa the early 2000s. I'm missing those that never made it to my music files, but please refresh my memory.
This is my experience, what's yours? 

Alien Sex Fiend - Dead And Buried
Anathema - Fragile Dreams
Bauhaus - Kick In The Eye
Clan of Xymox - Louise 
Corpus Delicti - Saraband
Covenant - Dead Stars
Depeche Mode - Personal Jesus
Die Form - Rain Of Blood
Echo & The Bunnymen - Lips Like Sugar
Fields Of The Nephilim - Moonchild
Front 242 - Headhunter
Heroes Del Silencio - Entre Dos Tierras
Joy Division - Love Will Tear Us Apart
Marilyn Manson - The Beautiful People
Moonspell - Vampiria
New Order - True Faith
Nick Cave & The Bad Seeds - Deanna
Nine Inch Nails - The Perfect Drug
Nitzer Ebb - Join In The Chant
Paradise Lost - Say Just Words
Peter Murphy - Indigo Eyes
Rammstein - Du Hast
Red Lorry Yellow Lorry - Hollow Eyes
Rosetta Stone - Adrenaline
Siouxsie and the Banshees - This Wheel's On Fire
Soft Cell - Sex Dwarf
Suspiria - Glitter
The Chameleons - In Shreds
The Creatures - Exterminating Angel
The Cult - She Sells Sanctuary
The Cure - Burn
The Merry Thoughts - Pale Empress
The Mission - Severina
The Prodigy - Firestarter
The Sisters of Mercy - Lucretia My Reflection
Tiamat - Brighter Than The Sun
Type O Negative - Black No. 1 
Virgin Prunes - Baby Turns Blue
VNV Nation - Darkangel 
Wolfsheim - Once In a Lifetime

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Das Boot / A Odisseia do Submarino 96 (1981, filme)

Com o título português "A Odisseia do Submarino 96" eu nunca teria encontrado este filme, o original (baseado no livro homónimo de Lothar-Günther Buchheim) que deu origem a "Das Boot", uma das melhores séries que já vi na vida. Por sorte consegui ler "u-boat" na sinopse e calculei que fosse o filme original. Mas, mesmo que tivesse conseguido encontrar o filme, sem ter visto a série com toda a certeza não lhe pegava julgando-o mais um filme de guerra chato e comprido. Portanto, é chato ou não é?
Não é chato, é chatíssimo, e não é comprido, é descomunal: três horas e meia. Mas a versão original uncut do director chega às 4 horas e meia (!), o que deu origem a uma mini-série.
O filme não é só comprido, é lento, lento, lento. Tirando a cena inicial num cabaret antes de os marinheiros embarcarem e de uma cena a meio em que desembarcam para receber instruções, o filme inteiro é passado dentro do submarino e a acção é mostrada segundo-a-segundo até já não haver paciência. Eu tentei agarrar-me às passagens que conhecia da série, mas, lamento, após uma hora de filme comecei a desconcentrar-me, liguei a música, pus-me a conversar num chat, e nem mesmo assim o filme andava para a frente.
Por volta do meio do filme tive de parar e ver o resto no dia seguinte. Por esta altura já só queria que o filme acabasse, que eles cumprissem a missão e fossem para casa ser condecorados pelo Fürer ou que se afogassem todos. E então apercebi-me do essencial: mas qual era a missão deles, afinal? O filme não se importa com isso, dá a entender que os mandaram para o mar à maluca para afundar tudo o que aparecesse. O mesmo se passa quando os enviaram para o Mediterrâneo. Porquê? Eu estava na expectativa de que fosse o ouro (como na série), mas mais uma vez nunca nos é dito. Isto é, nunca percebi o que raio eles andavam a fazer de um lado para o outro. O filme não nos informa da estratégia, só se preocupa em mostrar como é que a tripulação manobra o submarino, como vive, come, dorme, como passa o tempo em que não acontece nada (e durante muito tempo não acontece nada). Percebo o objectivo. Queriam fazer-nos sentir o que é estar dentro de um submarino em tempo de guerra. Curiosamente, a série conseguiu fazer isso, e mais e melhor.
O filme vale pelos últimos 10 minutos, num final verdadeiramente épico. Mas estes 10 minutos de acção, para um filme tão lento, foram tão mal filmados que fiquei com aquela sensação irritante de não ter percebido nada do que estava a acontecer. Tive de voltar atrás e ver de novo. Como é que é possível que um filme tão lento, segundo-a-segundo, acabe com uma cena de acção tão apressada que não se percebe o que está a acontecer precisamente no momento mais importante? E, no entanto, li críticas a elogiarem este filme como um dos melhores filmes de guerra de sempre! Ora, eu não recomendaria esta tortura a ninguém, excepto talvez a fanáticos de filmes de guerra e de submarinos em especial, porque há malucos para tudo.
A música da série "Das Boot" é a mesma do filme, mas com muito melhores arranjos, certas passagens da série coincidem, mas com enredo, coisa que o filme não tem, e por aí fora, a série é tão melhor do que o filme que nem há comparação.
O que retirei daqui, do tal final épico, é que muito possivelmente a série pode não ter chegado ao fim se conseguirem espremer mais uma boa temporada até ao fim da história.
Conclusão, série cinco estrelas, filme nem uma.

10 em 20

domingo, 28 de dezembro de 2025

Revival (2025 - ?)

Uma noite, na pequena cidade de Wausau, todas as pessoas falecidas nos últimos 15 dias regressam da sepultura. Estes ressuscitados não são zombies, estão de corpo e mente sãos, e tentam voltar à vida que tinham antes. 
Dito assim, isto parece a sinopse de "Glitch". Tal como "Glitch", a série aborda a reacção dos familiares e da sociedade em geral ao regresso destes "mortos", e existe igualmente uma componente dramática na dinâmica da família da protagonista, da sua irmã e do pai de ambas, o xerife. Segundo li, embora "Glitch" tenha estreado em 2015, as novelas gráficas originais em que "Revival" se baseiam são anteriores.
Gostei muito de "Glitch" como lufada de ar fresco para o tema, mas "Revival" não faz tão bem aquilo a que se propõe. É como se tudo em "Revival" ficasse pelo superficial, desde o mistério, ao drama, à própria reacção da parte da sociedade que teme os "ressuscitados". Existe de facto tal ligeireza propositada, e um humor tipo "Fargo", que às vezes nos faz esquecer que estamos a ver personagens regressadas dos mortos como se isto fosse só um pormenor.
Na verdade, à medida que os sub-enredos se começam a ampliar de episódio para episódio, desde traficantes de droga a nativos americanos expropriados das suas terras, bem como um caso de polícia que aparentemente a protagonista não resolveu bem e que ainda a atormenta, e aos traumas do passado da família da protagonista, e ao líder de um culto fundamentalista que quer destruir os ressuscitados por serem "demónios", parece que o menos importante são mesmo os próprios ressuscitados.
Apesar de tudo, eu estava a gostar. Apreciei principalmente o líder do culto interpretado por Steven Ogg, o Simon de "The Walking Dead", capanga de Negan. Steven Ogg lembra-me o Jack Nicholson de "The Shining", não apenas pelas parecenças físicas como pelo sorriso sinistro, o olhar psicótico e a postura ameaçadora. Isto é um vilão a sério e um actor que sabe meter medo.
Os sub-enredos são tantos que se tornam um pouco difíceis de seguir e de recordar, mas até aqui eu tencionava ver uma segunda vez. O último episódio estragou tudo. Quando se faz uma série com mortos regressados da sepultura é natural esperar uma explicação minimamente plausível dentro do universo ficcional. Qual é a causa ? É sobrenatural, é científica? Sinceramente, não sei, porque o último episódio foi uma banhada sem sentido. "Glitch" deu-nos uma explicação compreensível. Sim, é sobrenatural, não revela tudo, deixa mistérios no ar, mas está de acordo com a essência da série. "Revival" nem pensou no assunto. Não percebi mesmo, de todo, o que aconteceu no último episódio. Nem consegui perceber se era o fim da série ou se ia haver mais temporadas. Aparentemente, querem fazer mais temporadas para desenvolver ou atar as pontas soltas, mas eu não ficaria nada surpreendida se isto fosse cancelado. Honestamente, é o que "Revival" merece.
Depois do último episódio não tive paciência para ver outra vez. É pena, porque Steven Ogg estava a fazer um papelão e porque a premissa merecia ser mais bem abordada.

ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez, se não houver melhor para ver

PARA QUEM GOSTA DE: ficção científica (?), sobrenatural (?), Glitch


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

The Glass Castle / O Castelo de Vidro (2017)

Baseado em pessoas reais, "The Glass Castle" conta a história de Jeannette e seus três irmãos, filhos de pais vagabundos e excêntricos para quem comida na mesa ou água quente ou até mesmo um tecto sobre a cabeça são pormenores de menor importância. A mãe é pintora, egocêntrica e não tem rendimentos, o pai é alcoólico e perde constantemente todos os empregos que consegue arranjar. A família desloca-se pelo país de carro, sempre à procura de uma casa vazia onde se "instalar". Para distrair as crianças destas condições de vida, o pai promete-lhes que o objectivo é encontrar um sítio onde possam construir um castelo completamente de vidro, e até tem os planos de construção.
De início, este modo de vida é muito engraçado para as crianças, até se começarem a aperceber de tudo o que lhes falta, inclusivamente comida, e já adolescentes concebem um plano de poupar dinheiro à escondidas de modo a poderem estudar e construir um futuro.
Jeannette consegue ir para a faculdade e arranja um bom emprego como colunista de jornal, estando igualmente noiva de um analista financeiro. No entanto, algo nesta vida de privilégio a deixa insatisfeita. Algo dentro dela sente falta da liberdade, da espontaneidade, da magia da sua infância.
"The Glass Castle" não é daqueles filmes que retratam pais abusivos e negligentes que maltratam os filhos. Pelo contrário, os pais podem ser excêntricos mas amam os filhos, simplesmente não têm o bom senso de tomar conta deles como devem. Num mundo profissional de fachadas frívolas e artificiais, Jeannette tem de encontrar o equilíbrio entre uma vida estável e a liberdade que perdeu.
"The Glass Castle" é uma história sensível sobre valores e escolhas, sobre superação e perdão, sobre sonhos e realidade e a tentativa de os abraçar sem tirar os pés do chão.
O filme é baseado no livro homónimo. Das críticas que li, o filme branqueia muitas passagens mais pesadas do livro de memórias da própria Jeannette Walls, por exemplo, quando as crianças tinham de procurar comida no lixo e andavam vestidas com roupa em farrapos quando a família até tinha dinheiro para lhes providenciar uma vida melhor e não o fez por negligência. Neste caso, terei mesmo de dizer que houve um terrível abuso feito a estas crianças e que estes pais não o mereceriam ser. Mas o filme não nos mostra isto, fica-se antes no fascínio e no perdão de Jeannette pelos seus pais "hippies" e "libertários".

13 em 20

domingo, 21 de dezembro de 2025

X (2022)

Não posso dizer que este filme me assustou, mas de certeza surpreendeu-me.
Em 1979, um grupo de amigos vai fazer um filme pornográfico para distribuição doméstica com o sugestivo título de "As Filhas do Lavrador". Para tal, arrendam um anexo numa quinta remota. No outro dia estão quase todos mortos.
Este não é um daqueles filmes de sustos e tripas, embora estes também apareçam. O perigo vem de onde menos o esperamos. Nem sequer me vou alargar sobre isto porque o filme não merece spoilers, mas somos frequentemente enganados, no bom sentido, como naquela cena em que uma das protagonistas vai nadar num lago de águas turvas e é perseguida por um jacaré sem sequer se aperceber do risco que correu.
Um dos trunfos de "X" é fazer-nos simpatizar com os personagens, especialmente durante as conversas que estes têm sobre os filmes porno, "só trabalho", como eles dizem, sem nunca transformar a actividade em glamour nem em miserabilismo. Para eles, desde os actores aos realizadores, é só uma plataforma de projecção para filmes a sério, ao mesmo tempo que ganham a vida. Custa-nos ver estas pessoas serem assassinadas, e ainda por cima por quem e porquê.
E é mesmo tudo o que posso dizer. "X" é um filme que deve ser visto sem spoilers.
Curiosidade, uma das protagonistas é Jenna Ortega, a nossa Wednesday, aqui irreconhecível.

13 em 20
 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Planet Terror / Planeta Terror (2007)

Se alguma vez se perguntaram como seria o apocalipse zombie segundo Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, bem, é isto. Mas antes é preciso esclarecer que "Planet Terror" é um filme mau, e que foi feito mau de propósito. O objectivo? Não sei. Talvez fazer o melhor filme mau do género, ou mais correcto ainda, fazer o filme mais mau de todos os filmes maus do género que surgiram nos anos 70 e 80, incluindo efeitos de película riscada, manchada, descolorada.
A história? Uma arma biológica é libertada de um complexo militar, transformando todos os infectados em monstros repugnantes à caça de carne humana. Nem os zombies têm lógica. Alguns infectados não chegaram a morrer, outros foram infectados, morreram e ficaram zombies. Isto é, temos zombies tecnicamente vivos e zombies tecnicamente mortos. A certa altura alguém diz que é necessário atingi-los na cabeça, mas muitos deles não precisam de um tiro na cabeça para morrerem. O que seria um plot hole, aqui é propositado. Isto não é para fazer sentido, é para pôr meia dúzia de personagens-padrão a matar zombies, com muito sangue, muitas tripas, muitos furúnculos, muito pus. O filme pode não meter medo a ninguém mas tentou por tudo enojar o espectador.
O começo até promete, o início da epidemia zombie que é sempre o mais interessante, mas a partir do meio torna-se uma seca de filme de acção comparável ao pior dos filmes do SyFy, pelo que podemos dar os parabéns ao realizador: conseguiu o objectivo.
Voltamos então ao problema maior. Já vi "From Dusk Till Dawn" há muito tempo, e sei que tudo o que sai das mãos de Robert Rodriguez é exagerado ao nível de parecer um desenho animado, mas recordo que gostei do filme. "Planet Terror" faz justiça ao nome e é mesmo um terror de filme no mau sentido. Saliento que o filme está cheio de nomes sonantes (até Bruce Willis, Naveen Andrews, Rose McGowan e o próprio Quentin Tarantino) e que os efeitos especiais pertencem a Greg Nicotero, o génio dos zombies de "The Walking Dead", então, porquê gastar tempo e dinheiro a imitar filmes maus? (Aliás, ressalvo que alguns dos melhores zombies, os mais assustadores, têm definitivamente a assinatura de Nicotero, um verdadeiro desperdício neste filme.)
"Planet Terror" não se leva a sério (penso eu) mas não é uma paródia, não é engraçado, não é inteligente, não é original, não tem ponta por onde se pegue, então, qual é o propósito disto? Não percebo.
Que nota dar a um filme que quis ser propositadamente tão mau que é bom, mas que não o consegue ser?

10 em 20 (embora eu ache que Robert Rodriguez ficaria mais feliz com um 4 ou um 5, mas não conseguiu ser suficientemente mau)


domingo, 14 de dezembro de 2025

Arrival / O Primeiro Encontro (2016)

Na sequência da chegada de gigantescas naves alienígenas à Terra, um grupo de peritos é enviado ao encontro dos extraterrestres para descobrir o que eles pretendem. Entre eles, a linguista Louise Banks, responsável por estabelecer contacto com a espécie a que chamam Heptapódes, que comunica de forma não-fonética. À medida que as tentativas de diálogo fracassam ou progridem a ritmo muito lento e cheio de equívocos, os líderes mundiais vêem-se obrigados a combater o pânico da população e a planear a destruição dos alienígenas mesmo sem provas de que estes sejam hostis. Louise é o único elemento da equipa capaz de interpretar a linguagem dos Heptapódes antes desse ataque aos extraterrestres que pode significar uma retaliação para a Terra.
Em princípio é esta a "história". Mas a "história" não é esta. Louise vive atormentada por memórias e visões de uma filha que nós, os espectadores, julgamos falecida. Mas a "história" também não é esta. Não é possível adiantar mais sem incorrer em spoilers, mas nada é o que parece.
Certos aspectos do filme não vão agradar aos fãs de ficção científica pura e dura porque não são cientificamente credíveis. Os alienígenas dão a Louise o que quase poderíamos chamar um "poder mágico" que só funciona com ela, aparentemente e convenientemente, de modo a que ela consiga compreender a linguagem deles, porque os Heptapódes virão a precisar da ajuda humana daí por 3000 anos. Muitas questões se levantariam aqui: se a espécie é tão evoluída que chegou à Terra sem ser detectada, de que ajuda nossa poderão precisar?... Mas a "história" também não é essa, nem tal é aprofundado. Quem está à espera de uma "Guerra dos Mundos" não a encontrará aqui.
"Arrival" é sobretudo um filme sensível sobre escolhas e perdas, sobre o que significa valer a pena viver apesar do sofrimento, em suma, sobre o que nos torna humanos. A parte pseudo-científica é a desculpa para contar uma história bonita e comovente.

13 em 20 


terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Dark Shadows / Sombras da Escuridão (2012)

Barnabas Collins é um vampiro, vítima da maldição de uma antiga amante, que esteve encarcerado durante 200 anos. Em 1972, finalmente volta a casa para ajudar a família a sair da decadência.
"Dark Shadows" foi uma série/telenovela americana de culto que metia vampiros, bruxas, lobisomens, fantasmas, e tudo o mais. Para uma série tão tresloucada, é de admirar que tenha estado no ar de 1966 a 1971. Não tenho memória de ter passado por cá, mas dos excertos que vi no Youtube só me deu para rir. A série era mesmo muito má, lenta e teatral. O fenómeno é que tenha durado tanto tempo.
Não é o caso de "Dark Shadows" do realizador Tim Burton. Já tinha visto este filme e na altura não gostei. Se calhar esperava uma história melhor, e esqueci que os filmes de Tim Burton são maioritariamente para encher o olho, extravagâncias góticas inesquecíveis com efeitos especiais impressionantes. Ou seja, este é um filme para ver Johnny Depp como um vampiro do século XVIII que não percebe nada do século XX, no ambiente gótico e deslumbrante da mansão de família, e absorver toda a beleza tétrica que Tim Burton consegue trazer para o écran. Como se não bastasse, temos o verdadeiro Alice Cooper ao vivo!
Pessoalmente, lamento que os filmes de Tim Burton sejam mais imagem do que conteúdo. O melhor filme do realizador é mesmo "Edward Scissorhands", que aliava história à cinematografia fenomenal.
"Dark Shadows" enche o olho e tem muitos momentos de humor, mas falta-lhe aqui substância, drama, emoção. É tudo fachada sem nada por trás. Não sei se a culpa é de Tim Burton mas eu gostava de vê-lo outra vez a realizar um filme bonito, como este, que não fosse só imagem mas também conteúdo.

13 em 20


domingo, 7 de dezembro de 2025

We Summon the Darkness / Estranha Escuridão (2019)

Em 1988, três amigas vão assistir a um concerto de heavy metal. Pelo caminho, conhecem três rapazes metaleiros que vão ver a mesma banda e, no fim, decidem continuar a festa na casa de campo de uma delas.
Como pano de fundo, uma série de homicídios de contornos satânicos tem vitimado fãs de metal. Na altura (e isto é verídico), cultos evangélicos acusavam o heavy metal de desencaminhar os jovens para cultos ao diabo.
[Só um momento.

Hahahahahaha!

Peço desculpa. Estou tão farta destes energúmenos culparem a música e os jogos de vídeo pelos actos violentos de alguns miúdos perturbados (como o tiroteio de Columbine) que já não tem graça nenhuma.]
Sendo este um filme de terror, já sabemos que os homicídios vão entrar na história. A parte que me surpreendeu e de que gostei é que desta vez os maus da fita não são os homens. Este vai ser mesmo o único spoiler.
Do que não gostei: as três amigas têm motivos religiosos para cometerem os crimes, mas são umas amadoras que não sabem matar como deve ser. A princípio isto foi divertido, as três amigas a planearem os homicídios como quem combina que roupa levar a uma festa, mas depressa descambou numa certa palhaçada que só prejudicou a mensagem do filme.
Uma vez chegados aqui, o filme deixa de ser tão original e transforma-se num slasher normal, com os caçadores e as presas em papéis invertidos, mas um slasher. O filme é decente e interessante de ver, se o objectivo for apenas o entretenimento. Nada mais a esperar disto.

12 em 20

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Get Out / Foge (2017)

Chris é um homem negro que vai visitar os pais da namorada branca, um neurocirurgião e uma psiquiatra de classe social elevada. A princípio, estes parecem daquelas pessoas demasiado ávidas em provar que não são racistas, cometendo argolada atrás de argolada e não falando de outra coisa, nomeadamente que votariam em Obama outra vez e que conhecem celebridades de raça negra. Tudo isto parece embaraçoso mas inofensivo, até ao momento em que Chris começa a notar coisas estranhas. Por exemplo, os comportamentos da empregada e do jardineiro negros do casal, bem como o de um convidado da família igualmente negro, que não parecem nada normais. Quando Chris se acaba por fartar e decide dar a visita por terminada, descobre que o que se passa ali é muito mais sinistro do que ele poderia imaginar.
As críticas que li, nomeadamente as americanas, incidem em força na questão da raça, da sátira social em relação à raça, e tudo sobre a raça, mas não é isso que me interessa como filme de terror. Como filme de terror, a raça é usada como pretexto, mas o filme funciona porque podia passar-se em muitos outros casos propensos a choques culturais: o namorado pobre que visita os sogros ricos, o namorado rico que visita os sogros pobres, etc. A questão aqui é o perigo do "outro", do "outro desconhecido". Vou dar três exemplos, dois recentes e um clássico. Tirando a questão da raça, "Get Out" não é diferente de "Ready Or Not" (noiva que se vê apanhada nas tradições sanguinárias de uma família rica) ou do fantástico "Midsommar" (turistas apanhados em rituais pagãos), e a nível do clássico recordo "Deliverance" (aventureiros citadinos apanhados por campónios sádicos). Os exemplos nunca mais acabam. O princípio é o mesmo, a vítima incauta que cai na armadilha.
"Get Out" é inteligente porque aproveita um pretexto actual e polémico que baste para dar muito que falar e promover o filme, mas não é propriamente um drama sério sobre as questões raciais na América.
Como filme de terror funciona muito bem e leva-me a repetir o que já disse sobre "Midsommar": se algo parece estar errado é porque está mesmo; nunca se metam a visitar desconhecidos no meio de nenhures, especialmente se dependerem de outros para fugir de lá; nunca se deixem drogar/embebedar/hipnotizar nesta situação. Conselhos para a vida!

13 em 20