segunda-feira, janeiro 14, 2013

Gotika: arquivos Fevereiro 2004

fevereiro 18, 2004

No Top 25 do Blogómetro



Finalmente!
E sem falar de sexo!
Agora já posso começar a falar de política.

Publicado por _gotika_ em 06:53 AM | Comentários: (5)


Os vampiros também não prestam

Lestat é o vampiro protagonista dos livros de Anne Rice. Em “The Tale of The Body Thief”, Lestat entra no corpo de um jovem mortal falecido, perdendo os seus poderes vampíricos mas ganhando, em contrapartida, a possibilidade de se aproximar mais dos humanos que conhece ou já conhecia. E desenrola-se uma história verdadeiramente humana.
Volta a sentir na pele todas as nossas limitações, relata-nos o que sente, e como se arrepende amargamente da experiência. Nos seus dois séculos de vida, já não se lembrava da sua juventude na forma humana.
A forma como Lestat descreve as suas paixões por Gretchen, mulher, e David, homem, não implica nenhum problema de consciência. Simplesmente sente. Não há nada a explicar. Quando se tenta aproximar de David, este recusa a aproximação com muita mágoa. Diz Lestat:

I knew I was to blame for this. I knew it, and that it was useless to say apologetic words. I also sensed something else. I was an evil being, and even when I was in this body, David could sense that evil. He could sense the powerful vampiric greed. It was an old evil, brooding and terrible. Gretchen hadn’t sense it. I had deceived her with this warm and smiling body. But when David looked at me, he saw that blond blue-eyed devil demon whom he knew very well.

E depois um maravilhoso momento gótico que não resisto a transcrever:

I said nothing. I merely looked out over the sea. Give me back my body. Let me be that devil, I thought. Take me away from this paltry brand of desire and this weakness. Take me back into the dark heavens where I belong. And it seemed suddenly that my loneliness and my misery were as terrible as they had been before this experiment (…)

Em resposta a estes pensamentos, David responde que o ama, e que tem medo desse amor. É que David é um velho de 74 anos e sente-se esse velho. É-lhe inconcebível tocar num corpo mais jovem, mesmo habitado por um vampiro de 200 anos, porque o recorda da sua juventude perdida e nada poderá ser mais doloroso do que voltar a uma vida passada e recordar o vigor, a alegria desses dias. David prefere viver com dignidade os dias que lhe restam, assumindo completamente a sua condição de mortal no fim do seu tempo (David tem uma doença fatal).

Lestat, no fundo não passa de um ser infeliz que passa a vida a meter-se em confusões para se distrair do tédio da existência. Esta troca de corpo, por exemplo, é precedida por uma tentativa falhada de suicídio. Mas Lestat não quer de facto morrer. Simplesmente está farto da vida. Mal amado por Louis e Claudia, que dizem amá-lo mas mostram absolutamente o contrário, encontra no seu amigo mortal, David, a verdadeira amizade. Claudia já morreu mas ainda o atormenta. Louis (o mesmo de “Entrevista com o Vampiro”) não lhe perdoa as extravagâncias, condena-o por gostar demasiado de si próprio e não quer assumir que o ama e que precisa dele. Na hora de desespero, todos os outros vampiros lhe voltam as costas. Menos David. E o cão.

Do cão, diz Lestat:

After all, the old cliché was true. This great hunk of dog flesh was my only friend! Did Satan have a dog when they hurled him down into hell? Well, the dog would probably have gone with him, that much I knew.

Uma lição para Lestat?

Publicado por _gotika_ em 04:52 AM | Comentários: (0)

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