quarta-feira, novembro 20, 2013

“O Livro dos Espíritos” – Morte

O tema é a morte. Vou deixar falar os mortos.

Capítulo “Lei da destruição”


Uma vez que a morte deve nos conduzir a uma vida melhor, que nos livra dos males desta, e, por isso, mais deveria ser desejada do que temida, porque o homem tem um horror instintivo que o faz temê-la? [pergunta]
– Já dissemos, o homem deve procurar prolongar a vida para cumprir sua tarefa; eis porque Deus lhe deu o instinto de conservação, que o sustenta nas provas; sem isso, muitas vezes se deixaria levar pelo desencorajamento. A voz secreta que o faz temer a morte lhe diz que ainda pode fazer alguma coisa para o seu adiantamento. Quando um perigo o ameaça, é uma advertência para que aproveite o tempo e a morada que Deus lhe concede. Mas, ingrato! Rende mais vezes graças à sua estrela do que ao seu Criador.

Nunca tinha pensado nisto assim: prolongar a vida para cumprir a tarefa.


Capítulo “Fatalidade”


Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme o sentido que se dá a essa apalavra, ou seja, todos os acontecimentos são predeterminados? Nesse caso, como fica o livre-arbítrio? [pergunta]
– A fatalidade existe apenas na escolha que o Espírito fez ao encarnar e suportar esta ou aquela prova. E da escolha resulta uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição que ele próprio escolheu e em que se acha. Falo das provas de natureza física, porque, quanto às de natureza moral e às tentações, o Espírito, ao conservar o seu livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor para ceder ou resistir. (…)

Há pessoas que parecem ser perseguidas por uma fatalidade, independentemente do seu modo de agir; a infelicidade não é um destino? [pergunta]
– São, talvez, provas que devem suportar e que escolheram. Mas definitivamente não deveis acusar o destino pelo que, frequentemente, é apenas a consequência de vossas próprias faltas. Nos males que vos afligem, esforçai-vos para que vossa consciência seja pura, e já vos sentireis bastante consolados.

O Espírito sabe por antecipação como desencarnará? [pergunta]
– Sabe que o género de vida escolhido o expõe a desencarnar mais de uma maneira do que de outra. Sabe igualmente quais as lutas que terá de enfrentar para evitá-la e, se Deus o permitir, não fracassará.

Há homens que enfrentam os perigos dos combates com a convicção de que a sua hora não chegou; há algum fundamento nessa confiança? [pergunta]
– Frequentemente, o homem tem o pressentimento do seu fim, como pode ter o de que não morrerá ainda. Esse pressentimento vem por meio dos seus protectores*, que querem adverti-lo para estar pronto para partir, ou estimulam sua coragem nos momentos em que é mais necessária. Pode vir ainda pela intuição que tem da existência escolhida, ou da missão que aceitou e sabe que deve cumprir.

* Espíritos protectores que acompanham a existência de cada um de nós. Semelhante à noção de “anjo da guarda”. [Nota minha]


Porque os que pressentem a morte a temem menos que os outros? [pergunta]
– É o homem que teme a morte e não o Espírito; aquele que a pressente pensa mais como Espírito do que como homem: ela a compreende como sua libertação e a espera.

   

Capítulo “Medo da morte”


O medo da morte é para muitas pessoas um motivo de perplexidade; de onde vem esse medo, se têm o futuro diante de si? [pergunta]
– É um erro terem esse medo. Mas o que quereis! Procura-se convencê-las desde crianças de que existe um inferno e um paraíso, e que é mais certo irem para o inferno, porque lhe dizem que ao agirem de acordo com a natureza cometem um pecado mortal para a alma: então, quando se tornam adultas, se têm algum discernimento, não podem admitir isso, e tornam-se ateus ou materialistas. É assim que se conduzem as pessoas a crer que além da vida presente não há mais nada, e as que persistiram nas suas crenças de infância temem esse fogo eterno que deve queimá-las sem destruí-las.
A morte, entretanto, não inspira ao justo nenhum temor, porque, com a fé, tem a certeza do futuro; a esperança lhe faz esperar uma vida melhor, e a caridade que praticou dá-lhe a certeza de que não encontrará no mundo para onde vai nenhum ser do qual deva temer o olhar.




Capítulo “Intuição das penalidades e prazeres futuros”


No momento da morte, qual é o sentimento que domina a maioria dos homens? A dúvida, o medo ou a esperança? [pergunta]
– A dúvida para os descrentes endurecidos, o medo para os culpados, a esperança para os homens de bem.

Quanto a mim, a curiosidade. Uma curiosidade que não será satisfeita se não houver nada para ver. Se houver algo para ver, dúvidas, medos, esperanças (ou desapontamentos), tudo isso é para depois da curiosidade. Prefiro assim. Sem expectativas.


Porque existem descrentes, uma vez que a alma traz ao homem o sentimento das coisas espirituais? [pergunta]
– Existem menos do que se acredita; muitos se fazem espíritos fortes durante a vida por orgulho, mas no momento da morte não são tão fanfarrões.

Muito boa pergunta.

Excelente resposta.


Capítulo “Natureza das penalidades e prazeres futuros”


O laço de simpatia que une os Espíritos da mesma ordem é para eles uma fonte de felicidade? [pergunta]
– A união dos Espíritos que simpatizam com o bem é, para eles, um dos maiores prazeres, porque não temem ver essa união perturbada pelo egoísmo. Eles formam, no mundo espiritual, famílias com o mesmo sentimento, e nisso consiste a felicidade espiritual, assim como na Terra vos agrupais por categorias e sentis um certo prazer quando estais reunidos. A afeição pura e sincera que sentem e da qual são os agentes é uma fonte de felicidade, porque lá não há falsos amigos nem hipócritas.

A minha permanência na Terra já deve ir muito longa porque não há maneira para mim de acreditar nisto.
A não ser que estejamos a falar de Espíritos que já não são seres humanos, em que o homem se transforme noutra coisa superior ao humano, e aí o caso é outro. Se melhor ou pior... É o mesmo que conjecturar sobre extraterrestres. Talvez. Mas já não são humanos, pois não?


Existe para a condição futura do Espírito uma diferença entre aquele que durante a vida temia a morte e outro que a encarava com indiferença e até mesmo alegria? [pergunta]
– A diferença pode ser muito grande; entretanto, acaba frequentemente diante das causas que geram esse medo ou esse desejo. Tanto quem a teme quanto quem a deseja pode estar movido por sentimentos muito diferentes e são esses sentimentos que influem na condição do Espírito. É evidente, por exemplo, naquele que deseja a morte unicamente porque vê nela o fim de suas aflições, revelar-se uma espécie de revolta contra a Providência e contra as provas que deve suportar.

Esta foi a resposta mais próxima à pergunta que ninguém n'"O Livros dos Espíritos" se atreveu a fazer. E a pergunta é esta: o que acontece se alguém quiser sair do jogo? Se alguém olhar para trás do pano, e conhecer as regras, e se fartar das provas ou discordar da perfeição e pedir o fim? O verdadeiro fim. Segundo a resposta (à pergunta que não se fez, quer porque ninguém estava interessado no fim, quer por medo de a fazer), é a "revolta contra a Providência". Compreende-se que haja medo em fazer a pergunta. Pode ser a última pergunta que se faz.






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