sábado, novembro 16, 2013

“O Livro dos Espíritos” – Infelicidade

Capítulo “Os deficientes mentais e a loucura”


Qual pode ser o mérito da existência para seres que, como os loucos e os deficientes mentais, não podendo fazer o bem nem o mal, não podem progredir? [pergunta]
– É uma expiação obrigatória pelo abuso que fizeram de certas faculdades; é um tempo de prisão.

A superioridade moral nem sempre está em razão da superioridade intelectual, e os maiores génios podem ter muito para expiar. Daí resulta frequentemente para eles uma existência inferior à que tiveram e causa de sofrimentos. [Allan Kardec]


Porque a loucura leva algumas vezes ao suicídio? [pergunta]
– O Espírito sofre com o constrangimento e a impossibilidade de se manifestar livremente, por isso procura na morte um meio de romper seus laços.
  
Capítulo “Felicidade e infelicidade relativas”


Porque, na sociedade, as classes sofredoras são mais numerosas do que as felizes? [pergunta]
– Nenhuma é perfeitamente feliz, e o que se acredita ser felicidade esconde frequentemente grandes aflições. O sofrimento está por toda a parte. Entretanto, para responder ao vosso pensamento, direi que as classes que chamais de sofredoras são mais numerosas porque a Terra é um lugar de expiação. Quando o homem fizer dela morada do bem e dos bons Espíritos, não será mais infeliz e viverá no paraíso terrestre.

A Terra é um lugar de expiação. Para uns mais do que para outros. Mas volto ao que disse no princípio destes comentários: isto, aqui, não é bom. As próprias lei da natureza o tornam um lugar de crueldade, de dor, de sofrimento, de doença e de morte. Há quem consiga fechar os olhos a isto. Há quem não consiga. Não são loucos os que não fecham os olhos. Do que se fala aqui é o mesmo do que se fala em "Memnoch" de Anne Rice, que lhe chama o "jardim selvagem". Eu chamo-lhe outra coisa.

  
Capítulo “Decepção. Ingratidão. Afeições destruídas”

  
As decepções causadas pela ingratidão e a fragilidade da amizade também não são para o homem de coração uma fonte de amargura? [pergunta]
– Sim, mas já vos ensinámos a lastimar os ingratos e amigos infiéis: eles serão mais infelizes que vós. A ingratidão é filha do egoísmo, e o egoísmo encontrará mais tarde corações insensíveis, como ele mesmo foi. Pensai em todos que fizeram mais o bem do que vós, que valeram muito mais do que vós, e que foram pagos com ingratidão. (…)

Esse pensamento não impede o seu coração de ser magoado; portanto, isso não poderia originar a ideia de que seria mais feliz se fosse menos sensível? [pergunta]
– Sim, se preferir a felicidade do egoísta, que é muito triste! Que ele saiba que os amigos ingratos que o abandonam não são dignos da sua amizade e que se enganou sobre eles; portanto, não deve lamentar sua perda. Mais tarde, encontrará outros que o compreenderão melhor. Lamentai aqueles que têm para convosco um comportamento ingrato que não merecestes, porque terão amarga recompensa, um triste retorno; e também não vos aflijais com isso: é o meio de vos colocar acima deles.

Nunca foi para mim consolação esta espécie de vingança cósmica ("vais pagar o que me fizeste") ou de orgulho encapotado ("sou superior"). Antes me pergunto, como o participante, se não seria melhor ser insensível.
Por outro lado, também não me dou à bondade de lastimar a sorte de quem fez a sua própria cama. Não lastimo nem odeio, esqueço ou faço por esquecer.
A propósito:

 
Capítulo “Natureza das penalidades e prazeres futuros”


Os Espíritos, não podendo esconder os pensamentos uns dos outros e sendo todos os actos da vida conhecidos, significa que o culpado esteja na presença perpétua da sua vítima? [pergunta]
– Isso não pode ser de outro modo, o bom senso o diz.

Essa divulgação de todos os nossos actos condenáveis e a presença constante das vítimas são um castigo para o culpado? [pergunta]
– Maior do que se pensa; mas apenas até que tenha reparado suas faltas, como Espírito ou como homem em novas existências corporais.

Não sei se percebi esta parte. Significa que a vítima permanece junto do culpado (para o castigar com a sua presença) ou que a exposição dos actos não permite que o culpado esqueça a vítima?...
Não me entra na cabeça que a vítima permaneça junto do culpado, neste mundo ou no outro. Concebo que algumas vítimas gostariam de se encarregar da punição do culpado com as suas próprias mãos mas isso não é para mim. Que o culpado vá pagar bem longe e a outras mãos, e de preferência apagado da minha memória.

  
Capítulo “Decepção. Ingratidão. Afeições destruídas”


A falta de simpatia entre os seres que têm de viver juntos não é igualmente uma fonte de desgostos amarga e que envenena toda a existência? [pergunta]
– Muito amarga, de facto; mas é uma dessas infelicidades de que, frequentemente, sois os principais responsáveis. Primeiro, são vossas leis que estão erradas. Porque acreditais que Deus obriga a ficar com aqueles que vos desagradam? E depois, nessas uniões, procurais muitas vezes mais a satisfação do orgulho e da ambição do que a felicidade de uma afeição mútua. Então suportais a consequência de vossos preconceitos.

Mas, nesse caso, não existe quase sempre uma vítima inocente? [pergunta]
– Sim, e é para ela uma dura expiação. Mas a responsabilidade da sua infelicidade recairá sobre quem a causou. Se a luz da verdade já penetrou na sua alma, terá consolação na sua fé no futuro; além disso, à medida que os preconceitos forem enfraquecendo, as causas dessas infelicidades íntimas também desaparecerão.

Parece-me que se fala em especial do casamento ("Porque acreditais que Deus obriga a ficar com aqueles que vos desagradam?"). Há muitas outra combinações, familiares e profissionais, em que as pessoas são obrigadas a viver e a conviver com quem não querem e de quem não gostam. Situações de abuso, não por ambição, longe disso, mas por mera sobrevivência.
A Terra é um lugar de expiação e isto aqui não é bom.






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