A premissa até é boa, o resto do filme é que não. Num mundo cada vez mais controlado pela Inteligência Artificial, um super-computador, Kronos, é criado para resolver todos os problemas do mundo. Diz o filme que Kronos, em menos de um piscar de olhos, percebeu logo que os problemas do mundo são causados pela humanidade e passou imediatamente a destruí-la.
Vou já fazer aqui um aparte porque, apesar da minha inteligência ser apenas natural, concordo completamente com o computador. Por muito avançado que este seja, o código base agiria assim:
_ TASK: SAVE HUMANITY
_ SUB-TASK 1: DETECT PROBLEM
_ _ PROBLEM DETECTED: HUMANITY
_ _ CORRECT PROBLEM: TERMINATE HUMANITY
_ _ PROBLEM CORRECTED: HUMANITY TERMINATED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_
_
_
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_
_
_
_ REBOOT
_ SUB-TASK 1: DETECT PROBLEM
_ ACCOMPLISHED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_
_
_
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_
_
_
_ REBOOT
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_ REBOOT
_
_
E é por isso que não podemos deixar estes dilemas morais à Inteligência Artificial, porque a Inteligência Artificial não consegue resolver problemas morais porque não tem consciência moral. Ter consciência moral não é obedecer a um código/norma moral, é compreender porque é que o código moral existe, corrigi-lo se necessário, e criar novas normas quando as antigas já não são válidas. É por isso que os seres humanos desobedecem a ordens que violem os seus princípios, coisa que a Inteligência Artificial também não tem.
Mas isto já é muita filosofia para este filme, que descamba num Young Adult muito pobrezinho e nada original.
97 anos depois da destruição da esmagadora maioria dos seres humanos pelas próprias máquinas de guerra que eles criaram, apenas uns poucos sobrevivem.
Katniss... isto é, a jovem Calia (toda vestida à Katniss, arco e flechas, cabelo e tudo) tenta encontrar o último reduto da humanidade, um local quase mitológico chamado Aurora. No trajecto, encontra outro jovem, Andrew, que a acompanha. A meio do caminho, Calia descobre que Andrew é um robô/andróide, criado para ganhar a confiança dos humanos, mas Andrew não sabe que é uma máquina, tipo Cylons na série "Battlestar Galactica". Por esta altura Calia já está apaixonada pelo robô, e ele por ela (?...). E o que é que ela faz? Leva-o direitinho a Aurora.
Esta humanidade merece mesmo ser exterminada. Só há uma coisa pior do que a ruindade, e essa é a estupidez. Geralmente as duas andam de mãos dadas. Esta criatura arriscou levar um robô espião ao último reduto da humanidade, sem pensar que estava a ajudar as máquinas a localizar e destruir os possíveis sobreviventes. Exterminem já esta criatura!
Não vou dizer o que é que acontece a seguir, porque aqui o filme torna-se quase incompreensível e o final não faz sentido nenhum. Basicamente, é um Young Adult muito mal feito. A protagonista, a última da sua família/grupo, sobrevivendo escondida em florestas e subúrbios desertos, anda vestida e penteada como quem saiu de um pronto-a-vestir e de um cabeleireiro. As casas onde ambos se escondem, que deviam estar abandonadas há décadas, não têm pó nem uma única teia de aranha, como se os donos tivessem ido de férias há uma semana. Porque é que há gente a fazer filmes de ficção científica em que nem estas coisas básicas são respeitadas?
"Singularity" é um filme muito mau que nem o romance rapariga/robô consegue vender. A evitar.
10 em 20
Gotika
Diário pessoal do terror quotidiano.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Singularity / Singularidade (2017)
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
💜Canções preferidas, álbuns relevantes e descoberta de 2025 / 2025: favourite songs, relevant albums, discovery💜
Há alguns anos que tenho feito esta lista mentalmente, mas, em 2025, para não chegar ao fim do ano e não me lembrar de nada, fui mais esperta e comecei a tomar nota de potenciais canções preferidas desde Janeiro.
A meio do ano apercebi-me de que devia também ter anotado lançamentos relevantes, aqueles que até podem não incluir uma das minhas canções preferidas mas que merecem atenção e audição.
Este ano recebi uma média de 10 lançamentos por dia nas áreas do gótico, post-punk, darkwave e afins, o que dá uma brutalidade de cerca de 3600 álbuns, singles, EPs e remixes, e ouvi tudo, em muitos casos mais do que uma vez. Mas acontece que sou muito esquisita e selectiva, o que também significa que estas escolhas são, na minha opinião, o melhor do melhor.
Esta é uma lista de canções preferidas de 2025 unicamente segundo o meu gosto pessoal. Se falhou alguma coisa importante, é possível que eu não esteja na mailing list. Por favor deixem em comentários.
For several years now I've been making this list mentally, but, in 2025, I got smarter and I've written down potential favourite songs since January, so I wouldn't forget all about them by the end of the year.
Midway through the year, I realised that I should have also noted down relevant releases, the kind that may not include any of my favourite songs but that do deserve attention and a listen.
This year I received an average of 10 releases a day in the goth, post-punk, darkwave and similar genres, which amounts to a brutality of 3600 or so albums, singles, EPs and remixes, and I've listened to everything, in many cases more than once. The thing is, I’m very picky and selective, which means these choices are, in my opinion, the best of the best.
This is a list of my favourite songs of 2025, based solely on my personal taste. If I've missed anything important, it's very possible that I'm not on that mailing list. Please let me know in the comments.
Canção preferida de 2025 / Favourite song of 2025
💥Valisia Odell - An Arabian Tale💥
Esta canção apanhou-me de surpresa e foi paixão instantânea. Obrigada à malta do Festival Entremuralhas/Extramuralhas por ter trazido Valisia Odell. Já não é a primeira vez que só conheço uma banda porque vem ao festival de Leiria.👍
This song took me by surprise and it was an immediate infatuation. Thank you guys from Festival Entremuralhas/Extramuralhas for bringing Valisia Odell. It's not the first time I've only discovered a band because they have brought them to Leiria's festival.👍
Outras canções preferidas de 2025 / Other favourite songs of 2025
Black Angel - LUXX
Black Rose Burning - Into The Black
Bootblacks - Leipzig (feat. Oskar Carls [VIAGRA BOYS])
Corpus Delicti - Crash
Creux Lies - Apocalypto
Date at Midnight - Useless Love
Echoberyl - Morgana
Gothzilla - DES PER ATE
Long Night - Ghost
Octavian Winters - Hermine
Peter Murphy - The Artroom Wonder
Pink Turns Blue - Stay For The Night
Rosa Crux - 1335
Rosetta Stone - Connect The Dots
Talk To Her – PLD
The Chameleons - Saviours Are A Dangerous Thing
The Red Moon Macabre - Black Chiffon Melee *
The Red Moon Macabre - Carmilla *
* É muito difícil escolher lançamentos de The Red Moon Macabre porque o projecto tem sido tão prolífico que eu perdi a conta por volta dos 20 álbuns em 3 anos (mas já vai em mais). Tentando ser justa, escolhi uma canção de Janeiro e outra de Novembro. Aproveito para destacar o álbum "Shelley's Monster" (que inclui "Carmilla"), uma homenagem em rock gótico à literatura de terror do século XIX. Está aqui quase tudo: Carmilla, Frankenstein, a Mulher de Branco, Jekyll And Hyde, Varney, Dorian Gray (Drácula não precisa de estar porque The Red Moon Macabre já lhe dedicou vários temas).
* It's very difficult to choose releases from The Red Moon Macabre because the project has been so prolific that I've lost count around the 20 albums in 3 years (but meanwhile it became a lot more). In an attempt to be fair, I chose one song from January and another from November. I'll take this opportunity to highlight the album "Shelley's Monster" (which includes "Carmilla"), a goth rock homage to 19th century horror literature. Almost everything is here: Carmilla, Frankenstein, the Woman in White, Jekyll and Hyde, Varney, Dorian Gray (no need to include Dracula since The Red Moon Macabre already have several songs about him).
Álbuns relevantes / Relevant albums
Black Rose Burning - The Fear Machine
Bootblacks - Paradise
Corpus Delicti - Liminal
Merciful Nuns - FINISTERE
Peter Murphy - Silver Shade
Pink Turns Blue - Black Swan
Red Lorry Yellow Lorry - Strange Kind Of Paradise
Rosetta Stone - Dose Makes The Poison
Talk To Her - Pleasure Loss Desire
The Chameleons - Arctic Moon
The Red Moon Macabre - Shelley's Monster
ULTRA SUNN - The Beast In You
Valisia Odell - Shadow of a Dream
Descoberta de 2025 / Discovery of 2025
Lung Overcoat *
* Lung Overcoat foi uma banda efémera que deixou apenas meia dúzia de canções arrepiantemente boas que só/finalmente descobri em 2025.
* Lung Overcoat was an ephemeral band that only released half a dozen chillingly good songs that I only/finally discovered in 2025.
domingo, 4 de janeiro de 2026
The Walking Dead: Dead City (2023 - ?) [segunda temporada]
Continuam as aventuras de Maggie e Negan em Nova Iorque. No continente, a federação autoritária Nova Babilónia pretende invadir Manhattan para obter a produção de metano. Em Manhattan, os líderes do gangue mais poderoso querem que Negan chefie a defesa contra Nova Babilónia. Maggie é recrutada à força por Nova Babilónia para lutar contra Manhattan.
Como já aqui disse algures, de todas as spin-offs de "The Walking Dead" esta era aquela que acreditava menos que pudesse resultar, porque Maggie e Negan juntos prenunciava que se matavam um ao outro no primeiro episódio, mas enganei-me. Continuo a preferir "Daryl Dixon" por várias razões, mas "Dead City" surpreendeu-me. A primeira temporada foi muito boa, principalmente a nível do world building. Nunca tínhamos visto Nova Iorque depois do apocalipse zombie e a série deu-nos uma imagem muito nítida da devastação e abandono. A nível dramático também fiquei agradavelmente impressionada. A relação de Maggie e Negan tornou-se mais complexa, mais densa, mais imprevisível, e tudo de modo natural, sem ser forçado. Conhecendo a história entre os dois, isto não é pouca proeza!
Esta segunda temporada não é tão boa como a primeira mas a premissa continua a ser sólida. Num mundo pós-apocalíptico em que vale a lei do mais forte, tanto Nova Babilónia (que quer restaurar o país ao que era dantes) como os líderes dos gangues de Nova Iorque, quase todos, são vilões implacáveis. Ambos os lados são malvados e só estamos a torcer para que morram depressa. Nova Babilónia é uma federação que agrega várias comunidades obrigadas a "agregar-se". Para esta guerra pelo metano, recrutam pessoas à força e enforcam os "desertores" a torto e a direito, até num mundo em que a mão-de-obra não é exactamente abundante e em que as pessoas são necessárias para produzir comida. Os vilões de Nova Iorque também são maus como as cobras. Sabendo quem era Negan, querem obrigá-lo a ser o mesmo líder sanguinário do passado e até lhe arranjam uma nova Lucille. Negan recusa, mas os seus captores ameaçam-lhe a família, esposa e filho. Maggie, do outro lado, também é forçada a colaborar para poupar a sua comunidade.
O maior problema desta temporada é que os vilões são efectivamente de banda-desenhada, são maus porque sim. Isto é a spin-off a cair nos mesmos erros da série original, outra vez, depois de uma primeira temporada mais promissora. Na mesma senda, se a primeira temporada conseguiu humanizar Negan (como nem a série principal conseguiu), aqui esse desenvolvimento de personagem está comprometido. Negan aceita assumir o papel de líder brutal e impiedoso para salvar a família mas, quando finalmente eles estão perto, de um momento para o outro, decide que afinal ele é "mau para eles" (e com razão) e manda-os embora. Até compreendo o que se queria conseguir, mas isto foi demasiado abrupto e mal vendido.
Maggie também muda de ideias de um instante para o outro de forma a roçar o implausível e a recordar "Fear The Walking Dead". De igual modo, Hershel, filho de Maggie e Glenn, é um adolescente "naquela idade" rebelde, mas o que ele faz aqui já entra no campo da burrice. Crianças e adolescentes a agir estupidamente foi outro dos problemas da série original. Uma vez é normal; sempre é demais. A própria Maggie, como mãe, está a ser muito mole. O puto ainda tem idade de levar umas estampilhas e até as merece. É agora ou nunca, e Maggie até sabe disso porque teve um pai muito sábio mas muito rígido e isso só lhe fez bem.
Em suma, as personagens estão a começar a agir ao contrário das suas personalidades estabelecidas e isso é um grande problema em termos de coerência e até de narrativa. Negan não podia ter mandado embora a mulher e o filho porque tudo o que ele fez nesta temporada foi na tentativa de voltar para eles. Maggie não tinha razões para ficar em Manhattan tanto tempo quando já poderia ter regressado a casa. Reduzir a inteligência e manipular as motivações dos personagens consoante interessa às reviravoltas do enredo é um insulto para os personagens e para os espectadores. "Dead City" está neste momento perigoso em que ainda não escorregou totalmente por ali abaixo mas ameaça derrapar. Seria pena, porque isto até estava a correr bem. Tendo em conta o nível de qualidade a que "The Walking Dead" caiu, "Dead City" foi uma boa surpresa e eu não queria que acabasse mal.
Quanto aos momentos positivos, a segunda temporada continua a apostar no world building. Os militares de Nova Babilónia vestem-se a lembrar um western ou um exército dos tempos da Guerra da Independência, um dos vilões de Manhattan parece um aristocrata do século XIX e outro parece um personagem de "A Guerra dos Tronos". Isto é demasiada Fantasia, e muito conveniente para fazer "bons bonecos", mas consegue ser engraçado. Afinal, pelo menos que o apocalipse zombie sirva para que as pessoas mandem a moda às urtigas e se vistam como bem lhes apetece. Se todos os problemas de "Dead City" fossem estes!
Outra coisa de que gostei. O Central Park está transformado num matagal tipo selva e cheio de zombies e animais selvagens que fugiram do jardim zoológico. Isto é aproveitado e até podia ser mais, mas compreendo que não o tenham feito. As pessoas que gostam destas séries estão aqui pelos zombies, não é para ver animais a atacar pessoas e pessoas a matar animais.
Também aprendemos que as melhores iguarias de Nova Iorque são baratas, ratazanas e cobras (?). Foi muito bem apanhado, sim senhor.
E só desta vez reparei que a Estátua da Liberdade não está apenas danificada por causa dos bombardeamentos, também ela parece um bocadinho zombificada. Óptimo pormenor do genérico.
O último episódio tem momentos muito tensos que só não são convincentes porque já sabemos que vai haver mais temporadas. Eu esperava outro desenvolvimento de Maggie e Negan, mas não fiquei insatisfeita porque a ideia principal foi lá parar também.
"Dead City" ainda se recomenda pelo world bulding, pelos cenários de uma Nova Iorque deserta e em ruínas, e pelos zombies. (Esqueci-me de falar nos combates de zombies, que acabaram por ser mais interessantes do que pareciam.) Mas "Dead City" está no estado periclitante de uma spin-off a ficar sem ideias e a tentar encher chouriços. Neste momento, uma terceira temporada poderá ser muito boa ou muito má. Há muito tempo que não dizia isto de um produto "The Walking Dead", mas a esperança não está perdida. Mesmo assim, cenário por cenário, continuo a preferir "Daryl Dixon".
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez
PARA QUEM GOSTA DE: The Walking Dead, zombies
Nota: Estava a ver isto no AMC e fiquei chocada com a quantidade de anúncios de sites de apostas online e produtos de barbear dirigidos a um público jovem e masculino. Sinto-me discriminada. Onde é que estão os anúncios aos champôs, aos cremes, aos detergentes? Há donas de casa a ver isto que querem conhecer o novo detergente da louça 1000 vezes mais desengordurante e tão eficaz como Lucille. Não me lembro de "Daryl Dixon" ter anúncios tão dirigidos ao público masculino, o que significa que Daryl Dixon é encarado pelo mundo da publicidade como um sex symbol masculino, mas Negan será encarado como um action figure só apreciado por homens? Mas Maggie não é também um exemplo de mulher durona? Serei a única mulher a ver isto? Agora fiquei com problemas existenciais que não sei resolver. Quem sou eu? Onde pertenço? Serei normal? Se não sou normal, o que sou? Serei real? Será que existo? Quero anúncios para mim, se faz favor.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Goth Club Classics
Inspired by DJ Dead Parrot's stream Goth Club Classics, here's my list of club hits circa the early 2000s. I'm missing those that never made it to my music files, but please refresh my memory.
This is my experience, what's yours?
Alien Sex Fiend - Dead And Buried
Anathema - Fragile Dreams
Bauhaus - Kick In The Eye
Clan of Xymox - Louise
Corpus Delicti - Saraband
Covenant - Dead Stars
Depeche Mode - Personal Jesus
Die Form - Rain Of Blood
Echo & The Bunnymen - Lips Like Sugar
Fields Of The Nephilim - Moonchild
Front 242 - Headhunter
Heroes Del Silencio - Entre Dos Tierras
Joy Division - Love Will Tear Us Apart
Marilyn Manson - The Beautiful People
Moonspell - Vampiria
New Order - True Faith
Nick Cave & The Bad Seeds - Deanna
Nine Inch Nails - The Perfect Drug
Nitzer Ebb - Join In The Chant
Paradise Lost - Say Just Words
Peter Murphy - Indigo Eyes
Rammstein - Du Hast
Red Lorry Yellow Lorry - Hollow Eyes
Rosetta Stone - Adrenaline
Siouxsie and the Banshees - This Wheel's On Fire
Soft Cell - Sex Dwarf
Suspiria - Glitter
The Chameleons - In Shreds
The Creatures - Exterminating Angel
The Cult - She Sells Sanctuary
The Cure - Burn
The Merry Thoughts - Pale Empress
The Mission - Severina
The Prodigy - Firestarter
The Sisters of Mercy - Lucretia My Reflection
Tiamat - Brighter Than The Sun
Type O Negative - Black No. 1
Virgin Prunes - Baby Turns Blue
VNV Nation - Darkangel
Wolfsheim - Once In a Lifetime
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Das Boot / A Odisseia do Submarino 96 (1981, filme)
Com o título português "A Odisseia do Submarino 96" eu nunca teria encontrado este filme, o original (baseado no livro homónimo de Lothar-Günther Buchheim) que deu origem a "Das Boot", uma das melhores séries que já vi na vida. Por sorte consegui ler "u-boat" na sinopse e calculei que fosse o filme original. Mas, mesmo que tivesse conseguido encontrar o filme, sem ter visto a série com toda a certeza não lhe pegava julgando-o mais um filme de guerra chato e comprido. Portanto, é chato ou não é?
Não é chato, é chatíssimo, e não é comprido, é descomunal: três horas e meia. Mas a versão original uncut do director chega às 4 horas e meia (!), o que deu origem a uma mini-série.
O filme não é só comprido, é lento, lento, lento. Tirando a cena inicial num cabaret antes de os marinheiros embarcarem e de uma cena a meio em que desembarcam para receber instruções, o filme inteiro é passado dentro do submarino e a acção é mostrada segundo-a-segundo até já não haver paciência. Eu tentei agarrar-me às passagens que conhecia da série, mas, lamento, após uma hora de filme comecei a desconcentrar-me, liguei a música, pus-me a conversar num chat, e nem mesmo assim o filme andava para a frente.
Por volta do meio do filme tive de parar e ver o resto no dia seguinte. Por esta altura já só queria que o filme acabasse, que eles cumprissem a missão e fossem para casa ser condecorados pelo Fürer ou que se afogassem todos. E então apercebi-me do essencial: mas qual era a missão deles, afinal? O filme não se importa com isso, dá a entender que os mandaram para o mar à maluca para afundar tudo o que aparecesse. O mesmo se passa quando os enviaram para o Mediterrâneo. Porquê? Eu estava na expectativa de que fosse o ouro (como na série), mas mais uma vez nunca nos é dito. Isto é, nunca percebi o que raio eles andavam a fazer de um lado para o outro. O filme não nos informa da estratégia, só se preocupa em mostrar como é que a tripulação manobra o submarino, como vive, come, dorme, como passa o tempo em que não acontece nada (e durante muito tempo não acontece nada). Percebo o objectivo. Queriam fazer-nos sentir o que é estar dentro de um submarino em tempo de guerra. Curiosamente, a série conseguiu fazer isso, e mais e melhor.
O filme vale pelos últimos 10 minutos, num final verdadeiramente épico. Mas estes 10 minutos de acção, para um filme tão lento, foram tão mal filmados que fiquei com aquela sensação irritante de não ter percebido nada do que estava a acontecer. Tive de voltar atrás e ver de novo. Como é que é possível que um filme tão lento, segundo-a-segundo, acabe com uma cena de acção tão apressada que não se percebe o que está a acontecer precisamente no momento mais importante? E, no entanto, li críticas a elogiarem este filme como um dos melhores filmes de guerra de sempre! Ora, eu não recomendaria esta tortura a ninguém, excepto talvez a fanáticos de filmes de guerra e de submarinos em especial, porque há malucos para tudo.
A música da série "Das Boot" é a mesma do filme, mas com muito melhores arranjos, certas passagens da série coincidem, mas com enredo, coisa que o filme não tem, e por aí fora, a série é tão melhor do que o filme que nem há comparação.
O que retirei daqui, do tal final épico, é que muito possivelmente a série pode não ter chegado ao fim se conseguirem espremer mais uma boa temporada até ao fim da história.
Conclusão, série cinco estrelas, filme nem uma.
10 em 20
domingo, 28 de dezembro de 2025
Revival (2025 - ?)
Uma noite, na pequena cidade de Wausau, todas as pessoas falecidas nos últimos 15 dias regressam da sepultura. Estes ressuscitados não são zombies, estão de corpo e mente sãos, e tentam voltar à vida que tinham antes.
Dito assim, isto parece a sinopse de "Glitch". Tal como "Glitch", a série aborda a reacção dos familiares e da sociedade em geral ao regresso destes "mortos", e existe igualmente uma componente dramática na dinâmica da família da protagonista, da sua irmã e do pai de ambas, o xerife. Segundo li, embora "Glitch" tenha estreado em 2015, as novelas gráficas originais em que "Revival" se baseiam são anteriores.
Gostei muito de "Glitch" como lufada de ar fresco para o tema, mas "Revival" não faz tão bem aquilo a que se propõe. É como se tudo em "Revival" ficasse pelo superficial, desde o mistério, ao drama, à própria reacção da parte da sociedade que teme os "ressuscitados". Existe de facto tal ligeireza propositada, e um humor tipo "Fargo", que às vezes nos faz esquecer que estamos a ver personagens regressadas dos mortos como se isto fosse só um pormenor.
Na verdade, à medida que os sub-enredos se começam a ampliar de episódio para episódio, desde traficantes de droga a nativos americanos expropriados das suas terras, bem como um caso de polícia que aparentemente a protagonista não resolveu bem e que ainda a atormenta, e aos traumas do passado da família da protagonista, e ao líder de um culto fundamentalista que quer destruir os ressuscitados por serem "demónios", parece que o menos importante são mesmo os próprios ressuscitados.
Apesar de tudo, eu estava a gostar. Apreciei principalmente o líder do culto interpretado por Steven Ogg, o Simon de "The Walking Dead", capanga de Negan. Steven Ogg lembra-me o Jack Nicholson de "The Shining", não apenas pelas parecenças físicas como pelo sorriso sinistro, o olhar psicótico e a postura ameaçadora. Isto é um vilão a sério e um actor que sabe meter medo.
Os sub-enredos são tantos que se tornam um pouco difíceis de seguir e de recordar, mas até aqui eu tencionava ver uma segunda vez. O último episódio estragou tudo. Quando se faz uma série com mortos regressados da sepultura é natural esperar uma explicação minimamente plausível dentro do universo ficcional. Qual é a causa ? É sobrenatural, é científica? Sinceramente, não sei, porque o último episódio foi uma banhada sem sentido. "Glitch" deu-nos uma explicação compreensível. Sim, é sobrenatural, não revela tudo, deixa mistérios no ar, mas está de acordo com a essência da série. "Revival" nem pensou no assunto. Não percebi mesmo, de todo, o que aconteceu no último episódio. Nem consegui perceber se era o fim da série ou se ia haver mais temporadas. Aparentemente, querem fazer mais temporadas para desenvolver ou atar as pontas soltas, mas eu não ficaria nada surpreendida se isto fosse cancelado. Honestamente, é o que "Revival" merece.
Depois do último episódio não tive paciência para ver outra vez. É pena, porque Steven Ogg estava a fazer um papelão e porque a premissa merecia ser mais bem abordada.
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez, se não houver melhor para ver
PARA QUEM GOSTA DE: ficção científica (?), sobrenatural (?), Glitch
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
The Glass Castle / O Castelo de Vidro (2017)
Baseado em pessoas reais, "The Glass Castle" conta a história de Jeannette e seus três irmãos, filhos de pais vagabundos e excêntricos para quem comida na mesa ou água quente ou até mesmo um tecto sobre a cabeça são pormenores de menor importância. A mãe é pintora, egocêntrica e não tem rendimentos, o pai é alcoólico e perde constantemente todos os empregos que consegue arranjar. A família desloca-se pelo país de carro, sempre à procura de uma casa vazia onde se "instalar". Para distrair as crianças destas condições de vida, o pai promete-lhes que o objectivo é encontrar um sítio onde possam construir um castelo completamente de vidro, e até tem os planos de construção.
De início, este modo de vida é muito engraçado para as crianças, até se começarem a aperceber de tudo o que lhes falta, inclusivamente comida, e já adolescentes concebem um plano de poupar dinheiro à escondidas de modo a poderem estudar e construir um futuro.
Jeannette consegue ir para a faculdade e arranja um bom emprego como colunista de jornal, estando igualmente noiva de um analista financeiro. No entanto, algo nesta vida de privilégio a deixa insatisfeita. Algo dentro dela sente falta da liberdade, da espontaneidade, da magia da sua infância.
"The Glass Castle" não é daqueles filmes que retratam pais abusivos e negligentes que maltratam os filhos. Pelo contrário, os pais podem ser excêntricos mas amam os filhos, simplesmente não têm o bom senso de tomar conta deles como devem. Num mundo profissional de fachadas frívolas e artificiais, Jeannette tem de encontrar o equilíbrio entre uma vida estável e a liberdade que perdeu.
"The Glass Castle" é uma história sensível sobre valores e escolhas, sobre superação e perdão, sobre sonhos e realidade e a tentativa de os abraçar sem tirar os pés do chão.
O filme é baseado no livro homónimo. Das críticas que li, o filme branqueia muitas passagens mais pesadas do livro de memórias da própria Jeannette Walls, por exemplo, quando as crianças tinham de procurar comida no lixo e andavam vestidas com roupa em farrapos quando a família até tinha dinheiro para lhes providenciar uma vida melhor e não o fez por negligência. Neste caso, terei mesmo de dizer que houve um terrível abuso feito a estas crianças e que estes pais não o mereceriam ser. Mas o filme não nos mostra isto, fica-se antes no fascínio e no perdão de Jeannette pelos seus pais "hippies" e "libertários".
13 em 20
domingo, 21 de dezembro de 2025
X (2022)
Não posso dizer que este filme me assustou, mas de certeza surpreendeu-me.
Em 1979, um grupo de amigos vai fazer um filme pornográfico para distribuição doméstica com o sugestivo título de "As Filhas do Lavrador". Para tal, arrendam um anexo numa quinta remota. No outro dia estão quase todos mortos.
Este não é um daqueles filmes de sustos e tripas, embora estes também apareçam. O perigo vem de onde menos o esperamos. Nem sequer me vou alargar sobre isto porque o filme não merece spoilers, mas somos frequentemente enganados, no bom sentido, como naquela cena em que uma das protagonistas vai nadar num lago de águas turvas e é perseguida por um jacaré sem sequer se aperceber do risco que correu.
Um dos trunfos de "X" é fazer-nos simpatizar com os personagens, especialmente durante as conversas que estes têm sobre os filmes porno, "só trabalho", como eles dizem, sem nunca transformar a actividade em glamour nem em miserabilismo. Para eles, desde os actores aos realizadores, é só uma plataforma de projecção para filmes a sério, ao mesmo tempo que ganham a vida. Custa-nos ver estas pessoas serem assassinadas, e ainda por cima por quem e porquê.
E é mesmo tudo o que posso dizer. "X" é um filme que deve ser visto sem spoilers.
Curiosidade, uma das protagonistas é Jenna Ortega, a nossa Wednesday, aqui irreconhecível.
13 em 20
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Planet Terror / Planeta Terror (2007)
Se alguma vez se perguntaram como seria o apocalipse zombie segundo Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, bem, é isto. Mas antes é preciso esclarecer que "Planet Terror" é um filme mau, e que foi feito mau de propósito. O objectivo? Não sei. Talvez fazer o melhor filme mau do género, ou mais correcto ainda, fazer o filme mais mau de todos os filmes maus do género que surgiram nos anos 70 e 80, incluindo efeitos de película riscada, manchada, descolorada.
A história? Uma arma biológica é libertada de um complexo militar, transformando todos os infectados em monstros repugnantes à caça de carne humana. Nem os zombies têm lógica. Alguns infectados não chegaram a morrer, outros foram infectados, morreram e ficaram zombies. Isto é, temos zombies tecnicamente vivos e zombies tecnicamente mortos. A certa altura alguém diz que é necessário atingi-los na cabeça, mas muitos deles não precisam de um tiro na cabeça para morrerem. O que seria um plot hole, aqui é propositado. Isto não é para fazer sentido, é para pôr meia dúzia de personagens-padrão a matar zombies, com muito sangue, muitas tripas, muitos furúnculos, muito pus. O filme pode não meter medo a ninguém mas tentou por tudo enojar o espectador.
O começo até promete, o início da epidemia zombie que é sempre o mais interessante, mas a partir do meio torna-se uma seca de filme de acção comparável ao pior dos filmes do SyFy, pelo que podemos dar os parabéns ao realizador: conseguiu o objectivo.
Voltamos então ao problema maior. Já vi "From Dusk Till Dawn" há muito tempo, e sei que tudo o que sai das mãos de Robert Rodriguez é exagerado ao nível de parecer um desenho animado, mas recordo que gostei do filme. "Planet Terror" faz justiça ao nome e é mesmo um terror de filme no mau sentido. Saliento que o filme está cheio de nomes sonantes (até Bruce Willis, Naveen Andrews, Rose McGowan e o próprio Quentin Tarantino) e que os efeitos especiais pertencem a Greg Nicotero, o génio dos zombies de "The Walking Dead", então, porquê gastar tempo e dinheiro a imitar filmes maus? (Aliás, ressalvo que alguns dos melhores zombies, os mais assustadores, têm definitivamente a assinatura de Nicotero, um verdadeiro desperdício neste filme.)
"Planet Terror" não se leva a sério (penso eu) mas não é uma paródia, não é engraçado, não é inteligente, não é original, não tem ponta por onde se pegue, então, qual é o propósito disto? Não percebo.
Que nota dar a um filme que quis ser propositadamente tão mau que é bom, mas que não o consegue ser?
10 em 20 (embora eu ache que Robert Rodriguez ficaria mais feliz com um 4 ou um 5, mas não conseguiu ser suficientemente mau)
domingo, 14 de dezembro de 2025
Arrival / O Primeiro Encontro (2016)
Na sequência da chegada de gigantescas naves alienígenas à Terra, um grupo de peritos é enviado ao encontro dos extraterrestres para descobrir o que eles pretendem. Entre eles, a linguista Louise Banks, responsável por estabelecer contacto com a espécie a que chamam Heptapódes, que comunica de forma não-fonética. À medida que as tentativas de diálogo fracassam ou progridem a ritmo muito lento e cheio de equívocos, os líderes mundiais vêem-se obrigados a combater o pânico da população e a planear a destruição dos alienígenas mesmo sem provas de que estes sejam hostis. Louise é o único elemento da equipa capaz de interpretar a linguagem dos Heptapódes antes desse ataque aos extraterrestres que pode significar uma retaliação para a Terra.
Em princípio é esta a "história". Mas a "história" não é esta. Louise vive atormentada por memórias e visões de uma filha que nós, os espectadores, julgamos falecida. Mas a "história" também não é esta. Não é possível adiantar mais sem incorrer em spoilers, mas nada é o que parece.
Certos aspectos do filme não vão agradar aos fãs de ficção científica pura e dura porque não são cientificamente credíveis. Os alienígenas dão a Louise o que quase poderíamos chamar um "poder mágico" que só funciona com ela, aparentemente e convenientemente, de modo a que ela consiga compreender a linguagem deles, porque os Heptapódes virão a precisar da ajuda humana daí por 3000 anos. Muitas questões se levantariam aqui: se a espécie é tão evoluída que chegou à Terra sem ser detectada, de que ajuda nossa poderão precisar?... Mas a "história" também não é essa, nem tal é aprofundado. Quem está à espera de uma "Guerra dos Mundos" não a encontrará aqui.
"Arrival" é sobretudo um filme sensível sobre escolhas e perdas, sobre o que significa valer a pena viver apesar do sofrimento, em suma, sobre o que nos torna humanos. A parte pseudo-científica é a desculpa para contar uma história bonita e comovente.
13 em 20



