Porque em menos de meia hora (o tempo de fazer a prompt) gerei logo meia dúzia deste género e podia ter gerado mais. Depois é só postar e
receber elogios pela grande criatividade. 😂
O estranho caso dos génios que
florescem à velocidade da fibra óptica
Há dias em
que penso seriamente em desistir de escrever.
Não porque
me faltem ideias.
Porque me
sobram concorrentes... que nunca ficam sem elas.
Antigamente
um escritor demorava anos a encontrar uma voz própria.
Hoje basta
encontrar um bom prompt.
É uma
evolução extraordinária.
Ou, se
preferirem, um milagre.
✨ Todos
os dias aparece mais um pensador.
📚 Todos
os dias aparece mais um filósofo.
🧠 Todos
os dias aparece mais um especialista em absolutamente tudo.
Na
segunda-feira escreve sobre o Império Romano.
Na terça
explica porque é que os polvos são um exemplo de inteligência
emocional.
Na quarta
estabelece uma ligação entre Mozart, os buracos negros e a
fermentação natural do pão.
Na quinta
conta uma história emocionante passada consigo próprio... que nunca
aconteceu.
Na sexta
publica uma fotografia da chávena de café.
Porque
ninguém acredita num sábio sem café.
E tudo
isto... sem um único erro ortográfico.
Nunca.
Nem uma
vírgula perdida.
Nem um
acordo verbal maroto.
Nem uma
frase que denuncie que o cérebro resolveu tirar cinco minutos para
respirar.
Eu escrevo.
Eles
publicam.
Há uma
diferença.
Quando
escrevo, apago frases.
Troco
palavras.
Mudo
parágrafos de sítio.
Às vezes
passo meia hora a decidir entre um ponto final e um ponto e vírgula.
Eles
acordam às oito.
Às oito e
três já descobriram que a felicidade funciona exactamente como a
migração das borboletas-monarca, tal como demonstram estudos
recentes, a filosofia estoica e uma curiosidade fascinante sobre os
cavalos-marinhos.
Não é
apenas criatividade, é um safari enciclopédico.
Os textos
seguem sempre a mesma receita.
Começam
com uma pergunta existencial.
"Já
alguma vez paraste para pensar..."
Claro.
Quem nunca
interrompeu o jantar para reflectir sobre a relação entre o ADN
humano e o crescimento dos bambus?
Depois
surgem três referências culturais.
Obrigatoriamente
três.
Um filósofo
grego.
Um
cientista famoso.
Um
imperador romano.
Se der para
encaixar Leonardo da Vinci, Einstein e Marco Aurélio no mesmo
parágrafo, melhor ainda.
Se não
houver qualquer relação entre eles...
Melhor
ainda.
Depois
entra a analogia.
Porque uma
ideia simples nunca pode ser apenas uma ideia simples.
Não.
A
procrastinação é como uma torradeira que sonha ser submarino.
A empatia é
semelhante a um farol vegetariano durante uma tempestade magnética.
A
disciplina lembra uma girafa a jogar snooker na Estação Espacial
Internacional.
Não faz
sentido?
Precisamente.
É isso que
lhe dá profundidade.
Segue-se o
momento autobiográfico.
"Recordo-me
de quando liderei uma equipa multicultural..."
"Durante
uma viagem transformadora pelo Nepal..."
"Um
velho jardineiro japonês disse-me uma frase que mudou a minha
vida..."
Curiosamente,
estas pessoas têm mais experiências marcantes do que o Indiana
Jones.
Eu, pelo
contrário, a última conversa memorável que tive foi com a
funcionária do supermercado sobre a falta de troco.
Depois
chega o golpe final.
💡 Não é
apenas um texto.
É uma
experiência.
❤️ Não
é apenas uma reflexão.
É um
convite à transformação.
🚀 Não é
apenas um pensamento.
É um
movimento.
E lá
aparecem centenas de comentários.
"Que
privilégio poder ler-te."
"Devias
dar palestras."
"Cada
palavra é uma lição."
Não.
Cada
palavra é uma previsão estatística.
Há uma
pequena diferença.
O que me
incomoda não é a Inteligência Artificial.
É a
inteligência artificial... do autor.
Usar IA não
faz de ninguém um impostor.
Fingir que
não a usou já é outra conversa.
É como
ganhar um rali enquanto o carro conduz sozinho.
É como
receber um prémio de fotografia por uma imagem comprada num banco de
imagens.
É como
subir ao palco para agradecer uma música... depois de ligar o rádio.
E ainda
fazer um discurso sobre o enorme sacrifício criativo.
Assumam.
Digam
simplesmente:
"Usei
IA para escrever este texto."
Ninguém
morre.
Aliás,
talvez até ganhem respeito.
Porque a
honestidade continua a ser uma tecnologia que ainda não ficou
obsoleta.
Entretanto,
eu continuo aqui.
A escrever
devagar.
A trocar
palavras.
A cortar
adjectivos.
A discutir
comigo próprio.
A deixar
escapar uma gralha de vez em quando.
A fazer
aquilo que os escritores sempre fizeram.
Escrever.
Sem polvos.
Sem buracos
negros.
Sem
Einstein.
Sem um
monge tibetano que, por uma coincidência extraordinária, me ensinou
o verdadeiro significado da liderança enquanto observávamos o voo
sincronizado de estorninhos ao pôr do sol.
Embora...
reconheço...
Dava um
excelente post no Facebook. *
* E vai dar
mesmo, ChatGPT, obrigadinha.