domingo, 20 de setembro de 2026

The Pope's Exorcist / O Exorcista do Vaticano (2023)


Sinceramente, não consigo dizer se já tinha visto este filme ou se são tantos os clichés que já os vi todos noutro sítio. Uma vez que "The Pope's Exorcist" é tão recente, muito provavelmente é a segunda hipótese.
O enredo é familiar. Uma mãe viúva muda-se com os filhos para uma abadia em Espanha, herança do marido, tentando remodelá-la e vendê-la. Durante as obras, os trabalhadores abrem um espaço selado na cave, o que dá azo à possessão. O puto mais novo é possuído. O padre Amorth, exorcista do Vaticano, é chamado pelo jovem padre Esquibel e juntos procedem ao exorcismo. O demónio resiste com obscenidades, ameaças, levitação, mobília a voar, pessoas atiradas contra a parede, etc, o costume.
Este padre Amorth é um exorcista durão e muito experiente. Logo de início, é chamado a exorcizar um outro jovem de uma família italiana modesta. Dizem-lhe que o rapaz está possuído porque começou a falar inglês, língua que nunca tinha falado, e Amorth pergunta: eles têm televisão? Eu já tinha visto esta cena, ou num filme ou numa série. Obviamente, Amorth depreende que não existe possessão nenhuma e que o jovem é mentalmente transtornado e que aprendeu a falar inglês com a televisão, mas faz o exorcismo à mesma porque "às vezes as pessoas só precisam de atenção e de conversa" e resolve a situação. Este primeiro exorcismo "placebo" leva-nos a perceber que o caso do miúdo da abadia é mesmo sério e fidedigno.
Ora, "The Pope's Exorcist" lembrou-me especialmente de "The Rite", mas com Russell Crowe em vez de Anthony Hopkins e um exorcista que deve muito àquele protagonista detective (?) de Dan Brown que eu conheço mal porque não é o meu género de ficção. A diferença é que "The Rite" é um filme de exorcismos como deve ser, daqueles que nos perturbam, e "The Pope's Exorcist" nem sequer tenta. O enredo é batido, os personagens são os mesmos do Exorcista original, desde a mãe viúva à dupla de padres experiente e novato, e os efeitos especiais são iguais (excepto quando se tornam piores, mas já lá vou). A princípio até estava a levar o enredo a sério até ao momento em que o demónio possessor começa a falar, e aqui comecei a questionar-me se isto queria ser de facto um filme de terror. O demónio parece mais o Gollum de "O Senhor dos Anéis" com sotaque britânico, falta de fôlego, falta de originalidade e, acima de tudo, falta de perigo. Principalmente quando descobrem que o demónio é Asmodeus, rei do inferno, era de esperar mais.
Mas isto até faz sentido porque afinal o problema maior não é a possessão em si, mas o facto de a abadia albergar nada mais nada menos do que um portal para o inferno que os tais homens das obras desselaram. Isto é supostamente um grande segredo do Vaticano há séculos, mas por alguma razão o Vaticano esqueceu-se do segredo e deixou a abadia entrar no mercado imobiliário. Pelo final do filme sabemos que existem mais 199 portais para o inferno e que o padre Amorth tem de os procurar a todos. Isto também era o enredo de "Evil", mas em "Evil" era um segredo do inferno que o Vaticano tinha de desvendar.
Em suma, só alguém que não conhece este género de enredos poderá encontrar alguma coisa interessante nesta manta de retalhos copiados e re-copiados de melhores fontes. O que me confirmou que o filme era mau, no entanto, foram mesmo os efeitos especiais do tal portal, entre os quais um poço de sangue e lava (?). Já é costume que os filmes de terror recorram aos efeitos especiais quando não têm substância com que aterrorizar, mas aqui é tudo tão demasiadamente exagerado que me pergunto se isto foi mesmo feito para ser terror, ou apenas terror-light, ou apenas entretenimento. 
Mesmo assim, até estava disposta a dar o desconto. O que me chateou a sério foi quando Amorth e Esquibel concluem que os mentores da inquisição estavam possuídos por demónios, isto é, que a Inquisição foi invenção do Diabo. Podem dizer "é só ficção", mas este tipo de ideias, tal como outra já utilizada, de que Hitler também estaria possuído, não fazem sentido nos dias de hoje, nem sequer na ficção. 
Tudo espremido, "The Pope's Exorcist" não deita nada de jeito.

11 em 20

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