Theo, um banqueiro rico e reformado, a sua mulher Susanna e a filha de 6 anos vão passar férias num alojamento temporário no País de Gales. Para começar, a casa que os espera é muito moderna, não tem aspecto de lugar pitoresco no campo. Mais tarde eles interrogam-se, quem é que sugeriu este sítio, Theo ou Susanna?
Theo e Susanna estão em crise. Susanna é muito mais nova do que Theo e é actriz de profissão, e Theo não consegue conter os ciúmes, incluindo bisbilhotar-lhe o telemóvel, o tablet e o portátil. Mas a Theo pesa também um passado trágico. A sua primeira mulher afogou-se na banheira por ter tomado comprimidos para dormir e Theo foi julgado, e absolvido, como suspeito de homicídio. Uma série de pesadelos leva-o a pensar que precisam de mudar de ares e passar tempo de qualidade juntos para que as coisas melhorem.
Assim que chegam ao local, Theo e Susanna reparam que a casa parece muito maior por dentro do que por fora. Isto é uma ilusão comum, mas logo na primeira noite é-nos revelado que não é uma ilusão. Esta casa labiríntica manipula o espaço e o tempo e torna realidade os demónios que já existem na cabeça dos personagens. Resta saber o que está reservado à família.
Fiquei completamente agarrada a este filme que tem influências óbvias de "The Shining" e de H. P. Lovecraft. Uma casa que não tem ângulos rectos não pode ser boa.
(A minha casa é assim, não deve ter um único ângulo recto. Causa tonturas.)
À medida que ia conhecendo as personagens, principalmente a menina, cada vez me ia afligindo mais. Não queria que isto se tornasse "The Shining", mas ao mesmo tempo até queria. O grande problema de "You Should Have Left" é que, ao contrário do que fazem Stephen King e Lovecraft, não abraçou o terror que sugeria. Não era necessário que o fim fosse semelhante a "The Shining" para nos perturbar, mas acho que o filme nunca quis realmente ir tão longe. Como amante de terror, tenho a lamentar, mas "You Should Have Left" vale muito bem pelos primeiros dois terços do filme, e especialmente por aquela parte em que Theo foge com a filha de noite, no escuro e no frio. Eu fiquei arrepiada várias vezes durante este filme e isto já não me acontece com frequência.
13 em 20 (que podia ter sido mais se o fim não ficasse aquém da premissa)
domingo, 4 de outubro de 2026
You Should Have Left / Deviam Ter Saído (2020)
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