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terça-feira, 21 de outubro de 2025

The Rite / O Ritual (2011)

Já tinha visto este filme mas por alguma razão a crítica ficou por fazer. "The Rite" é um dos filmes de exorcismos mais verosímeis que já vi na vida.
Michael Kovak é filho de um agente mortuário e destinado a herdar o negócio de família quando decide antes entrar num seminário para ter a educação que não consegue pagar. Quase a ponto de ser ordenado padre, desiste por falta de vocação, mas o seu mentor prefere enviá-lo para Roma para tirar um curso sobre exorcismos.
Em Roma, Michael é enviado ao padre Lucas (Anthony Hopkins), um reputado exorcista conhecido pelos seus métodos "pouco ortodoxos". Lucas encontra-se precisamente a exorcizar uma jovem grávida de 16 anos que aparenta sintomas de possessão. Michael é céptico e tem motivos para acreditar que a rapariga foi violada pelo pai e que precisa de um psiquiatra e não de um exorcista, mas nem ele consegue explicar certas capacidades que ela demonstra durante o exorcismo. O padre Lucas explica-lhe que um exorcismo não se resolve de uma só vez, podendo exigir semanas, meses ou anos de sessões antes de libertar o possuído. Aqui não há cabeças a girar nem arremesso de vómito, mas a possuída não deixa de se contorcer e de falar em línguas que desconhece durante o exorcismo.
Assistir a isto abala Michael e a sua fé na ciência, mas não o faz perder o cepticismo, nomeadamente quando o padre Lucas visita a casa de uma criança que tem sonhos com o demónio e Lucas desencanta um sapo da sua mala a quem chama o Diabo, para mostrar à criança que já o "apanhou" e que o miúdo já não deve tornar a ser incomodado por ele.
Michael só fica convencido quando acontece aquilo que um exorcista mais deve temer acima de tudo, ficar possuído também, o que é o caso do padre Lucas. (Eu devo ter sido melhor aluna do que Michael no tal curso de exorcismos porque percebi primeiro do que ele que Lucas estava a demonstrar sinais de possessão.) Digo que é o pior que um exorcista pode temer porque é essa a faceta mais tenebrosa da possessão: não há motivo. Se Anthony Hopkins já é assustador "ao natural", um Anthony Hopkins possuído é aterrador. Aqui nem foram precisos muitos efeitos especiais, bastou alguma maquilhagem e Hopkins fez o resto.
"The Rite" não é daqueles filmes em que as camas levitam e as Bíblias voam pelo ar. O momento mais arrepiante é uma certa conversa entre Michael e o seu pai (seria o seu pai?...). Mas "The Rite" cria a atmosfera sombria e tensa que o filme exige, e recomendo a todos os amantes de exorcismos e de Anthony Hopkins.

16 em 20

 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

The Conjuring 2 / A Evocação (2016)


Este foi o tal filme que eu perdi entre “The Conjuring” e “The Nun”, mas afinal não perdi grande coisa. “The Conjuring 2” é uma sequela menos interessante do que o original, completamente esquecível e cheia de clichés, para não dizer mesmo cópias. Se “The Conjuring” era um remake fingido de “Amityville”, “The Conjuring 2” é uma imitação pobrezinha de “O Exorcista”. Tudo baseado em factos verídicos, dizem eles.
Falando de Amytiville, é lá que o filme começa. O casal de investigadores do paranormal Ed e Lorraine Warren são chamados à mansão para tentarem corroborar as alegações da família Lutz (os que lá moraram depois dos assassinatos de Ron Defeo) de que a casa estava assombrada. Sobre isto não nos é dada uma resposta, mas, enquanto lá está, Lorraine tem uma visão da Freira Maldita (“The Nun”) e uma premonição da morte de Ed que a faz desejar afastar-se do mundo do paranormal “por uns tempos”.
Entretanto, em Londres, uma mãe divorciada com quatro filhos e dificuldades financeiras (isto é verdadeiro terror!) começa a acreditar nos relatos dos filhos de que algo de sobrenatural se passa na casa: pancadas nas paredes, camas a tremer, objectos que se movem sozinhos. A mais afligida é a filha de 11 anos, Janet, que curiosamente andou a tentar contactar espíritos com uma Ouija Board improvisada (olá Regan de “O Exorcista”!). Janet começa por ser assombrada por um espírito da casa e acaba a levitar no tecto.
E quem é este espírito? Um velho de 72 anos que diz aos miúdos “vão-se embora, a casa é minha” e que muda o canal de televisão para ver a Margaret Thatcher (não inventei, juro, mas é terror do mais assustador!). Isto passa-se durante a primeira hora do filme. Por esta altura eu já me perguntava se isto era uma comédia disfarçada de filme de terror, até porque já não é a primeira vez que me rio com um filme de James Wan. (Será que ele faz de propósito para nos fazer rir? Pelo menos desta vez não apareceu o diabo chifrudo, o que já é um progresso.)
A família pede ajuda à igreja, que pede ajuda aos Warren para irem a Londres investigar o caso. Lorraine não quer ir, devido ao tal aviso, mas acaba por ceder ao sentido de dever para com a família atormentada. Quando lá chegam, a miúda de 11 anos parece estar possuída pelo velho (porcalhão!) que fala pela boca dela com a voz dele. É ele quem nos conta que costumava viver ali antes de morrer e que por isso assombra a família.
De repente, uma reviravolta. Afinal não é o velho que atormenta a família. O velho está sob controlo do demónio Valak que se apresenta na figura da Freira Maldita por motivos que só vamos perceber em “The Nun”. Isto já não é uma série de sequelas, é uma telenovela.
Cada vez percebo menos o apelo dos filmes de James Wan, cada vez mais imitações/decalques dos verdadeiros clássicos. “The Conjuring 2” não teve nada que me fizesse interessar, muito menos ter medo. O fantasma do velho era ridículo. Até a Freira Maldita, olho para ela e só consigo ver o Marilyn Manson com mais maquilhagem. E o filme é enorme, umas duas horas e meia para imitar (mal) “O Exorcista”. Se calhar a culpa é minha. Já vi demasiados filmes de terror de qualidade para me deixar impressionar por esta pobreza de ideias.
Por falar em exorcista, a única cena verdadeiramente empolgante é o exorcismo de emergência que Lorraine Warren (a poderosa Vera Farmiga) tem de improvisar e que conseguiu correr efectivamente com o demónio Valak. Isto é, até à próxima sequela, presumo.

12 em 20

 

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Incarnate / A Encarnação do Mal (2016)

“Incarnate” não é o típico filme de exorcistas, é mais uma espécie de “Exorcista na Matrix”. Tentarei explicar. Dr. Ember é um cientista que já conhecemos destroçado, numa cadeira de rodas, após um acidente de automóvel que lhe vitimou a família provocado por um demónio que este quer caçar desalmadamente.
Dr. Ember não acredita em demónios no sentido cristão. Para ele estes são entidades parasitárias que se alimentam do hospedeiro. Da mesma forma, ele não faz exorcismos de “fora para dentro” mas antes de “dentro para fora”, entrando na mente do possuído através de medicação e de um dom especial, e convencendo-o de que tudo o que o demónio lhe está a mostrar é aquilo que o hospedeiro quer ver (a tal “Matrix”) de modo a levar o hospedeiro a rejeitar o parasita. O seu próximo desafio é libertar um jovem rapaz de um desses parasitas que Dr. Ember está convencido ser exactamente aquele que lhe matou a família.
Achei “Incarnate” uma abordagem interessante e original ao tema, sem deixar de ser um filme de possessão e exorcismo, seja lá o que o protagonista lhe queira chamar, com um fim em concordância e tudo.

13 em 20

 

domingo, 24 de dezembro de 2023

SurrealEstate (2021 - ?)

A fórmula de “Sobrenatural” deve ter feito escola porque “SurrealEstate” segue exactamente na mesma linha. A premissa é interessante: Luke Roman é o dono de uma agência imobiliária especializada em vender casas assombradas. Tirando este “pormenor”, a agência utiliza todas as práticas de vendas e eufemismos típicos do negócio. Por exemplo, a uma casa assombrada chamam antes “metafisicamente estigmatizada”. Roman tem uma equipa de peritos que tratam de “limpar” a casa de assombrações ou possessões antes de a venderem a um novo dono, o que permite uma assombração-da-semana como em “Sobrenatural”. O próprio Roman tem o dom, desde infância, de ouvir o mundo do Além.
Tal como em “Sobrenatural”, a par com os casos da semana a temporada tem uma história principal. Roman está obcecado com uma casa em especial, onde a mãe dele, que vivia na casa ao lado, entrou para se queixar das ervas daninhas no jardim e simplesmente desapareceu. Uma das cenas mais interessantes homenageia uma passagem do “Exorcista”, em que Roman é visto a observar a mansão como o padre Karras a chegar a casa de Regan.
Porque é que eu digo que a fórmula é a mesma de “Sobrenatural”? Porque o género é evidentemente Sobrenatural, mas o enredo principal + monstro-da-semana permite que a série explore tudo o que lhe apetecer: o cómico, o dramático, o romântico, e, obviamente, o terror, sem que o terror alguma vez chegue a meter medo. Aqui é tudo sobre as personagens, cativantes e tridimensionais. Eu, pelo menos, consegui sentir empatia por alguns deles.
Penso que, tal como “Sobrenatural”, esta série poderá vir a ter muito para dar se, para além do entretenimento das casas assombradas, as personagens continuarem a ser bem desenvolvidas. Uma boa alternativa para quem tem saudades de “Sobrenatural”.

ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez

PARA QUEM GOSTA DE: “Sobrenatural”, exorcistas, casas assombradas