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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Soft Science - "Sand" (2026)

"Sand", quinto álbum dos californianos Soft Science, é uma mistura sedutora de dream pop, post-punk e shoegaze. A cada audição vieram-me à cabeça bandas tão díspares como Cocteau Twins, The Mission, Echo & the Bunnymen ou Faith & the Muse, e uma sensação de arrepio por me parecer que sempre conheci estas canções toda a vida. Não acontece frequentemente.
Entre tantos temas cativantes, recomendo "Sway" e "Thread".

"Sand", the fifth album by the Californians Soft Science, is a seductive blend of dream pop, post-punk and shoegaze. With every listen, bands as different as Cocteau Twins, The Mission, Echo & the Bunnymen or Faith & the Muse came to mind. "Sand" sent shivers down my spine like I've known these songs my entire life. Doesn't happen every day.
Among so many captivating tracks, I recommend "Sway" and "Thread".

softscienceband.bandcamp.com/album/sand

 

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Culatra - "Capítulo Primeiro: 1985-1989 / Sombras e Fantasmas" (Pós-80's label)

Segundo o press release, os Culatra foram "provavelmente a primeira banda portuguesa assumidamente gótica". Com actividade entre 1985 e 1992, nunca chegaram a gravar um disco. Esta colectânea, pela Pós-80's, reúne "os registos raros e inéditos do material gravado entre 1985-1989, provenientes de uma maquete, ensaios e um tema ao vivo no RRV".
Não tenho qualquer lembrança dos Culatra (o que não significa que nunca tenha ouvido falar deles). Estou impressionada com a qualidade desta banda de Lisboa que merecia mais reconhecimento, e lamento que tenham acabado sem deixar discografia. A diferença que o Bandcamp teria feito naquela altura! Nestes registos, finalmente trazidos à luz do dia em 2026, encontro influências do melhor da época: Joy Division, Bauhaus, Sisters of Mercy e outras referências pós-punk incontornáveis. Este é o som que eu recordo do Rock Rendez Vous. A qualidade das gravações é que é fraquinha, como seria de esperar de ensaios, maquetes e música ao vivo.
Para descobrir agora no Bandcamp, já que esta música esperou tanto tempo entre sombras e fantasmas.

According to the press release, Culatra were "probably the first explicitly Portuguese goth band". Even though they were active between 1985 and 1992, a record was never released. This compilation by the Pós-80's label brings together "rare and unreleased recordings from 1985 to 1989, taken from demos, rehearsals, and a live track at the RRV [Rock Rendez Vous]".
I have no recollection of Culatra (which doesn't mean I've never heard of them). I'm impressed by the quality of this Lisbon band, which deserved more recognition, and I regret that they disbanded without leaving a discography. The difference Bandcamp would have made back then! In these recordings, finally brought to light in 2026, I find influences from the best of the era: Joy Division, Bauhaus, Sisters of Mercy, and other inescapable post-punk references. This is the sound I remember from Rock Rendez Vous. The recording quality is weak, as one would expect from rehearsals, demos and live music.
After waiting so long amidst shadows and ghosts, Culatra’s music can finally be discovered on Bandcamp.

 

pos-80s.bandcamp.com/album/cap-tulo-primeiro-1985-1989

  

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Black Rose Burning - "The Fear Machine" (2025)

Original in Pórtico


"The Fear Machine" is the fourth album from New York band Black Rose Burning, following "The Year Of The Scorpion", "The Wheel" and "Ad Astra". While the motto of the lyrics is still Love Won, Love Lost and Outer Space, this time there's a social/political commentary on current events. I especially like "Beautiful Disaster", which I myself would have named American Disaster but maybe that's not a smart idea in nowadays United States.
The album explores a sci-fi concept that has always intrigued vocalist George Grant, the existence of a secret, unseen machine that is powered by people's fear. (It's called inequality, George.)
"The Fear Machine" continues to provide the present-day post-punk loveliness we're used to, along with the charismatic voice of our friend George Grant.

I recommend: "Into The Black", "Beautiful Disaster", "Retro"

https://blackroseburning.bandcamp.com/album/the-fear-machine


terça-feira, 30 de setembro de 2025

Crippling Alcoholism - "Camgirl" (2025)

Original in Pórtico  

This release was recommended by Bandcamp.
Crippling Alcoholism are described with the tags "rock", "goth" and "noise rock", but I don't think it does them justice. In the whole, the sound is more innovative than just a bunch of tags, which is good. The lyrics are both violent and melancholy in an existential way, and even though the music is too harsh for my liking, it has gripped me. I listened to the first couple of singles and I immediately followed the band. 
After hearing the entire album, I'd say that it sounds like it was written by a gansta rapper with goth tendencies (but ashamed of them). Both music and lyrics sound like a very weird mix of Birthday Party, O.Children and Body Count, and a pinch of grunge at times. I would be delighted if Crippling Alcoholism decided to embrace the goth tendencies with a full heart, but, then again, of course I would.
I recommend listening to "Mr. Sentimental" and "LADIES' NIGHT (feat. Luxury Skin)".

https://cripplingalcoholism.bandcamp.com/album/camgirl

 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Lisa Gerrard / Marcello De Francisci − Exaudia

Originalmente publicado no Pórtico


A Deusa cantou.
O álbum “Exaudia” é a colaboração de Lisa Gerrard (vocalização) com o produtor / compositor Marcello De Francisci (música), acabado de lançar em Agosto. O resultado é semelhante aos trabalhos anteriores de Lisa Gerrard a solo.
Peça indispensável no altar dos adoradores da Deusa.


terça-feira, 12 de julho de 2022

London Plane – “Bright Black”

“Bright Black“ é o segundo álbum da banda nova-iorquina London Plane, acabado de lançar em Junho de 2022 (o primeiro é “New York Howl”, de 2018).
Segundo o press release, este é um disco para amantes de Bauhaus, David Bowie, Yeah Yeah Yeahs, XTC, Shriekback, Gary Numan, Wire, Soft Kill, Interpol, Preoccupations, Protomartyr, The Primitives, The KVB, Iggy Pop, The Cramps.
Ora, é exactamente nesta misturada de influências que reside o busílis para mim. Para dizê-lo curto e grosso, há músicas de que gosto muito e músicas de que não gosto mesmo nada. Não posso, por isso, considerar “Bright Black“ um álbum equilibrado que vá agradar a um público em específico do princípio ao fim, da mesma maneira que não conseguiu agradar-me a mim.
Mas nesta misturada há gemas espantosas a descobrir, nomeadamente (seria mesmo preciso dizê-lo?) as que recordam um som mais ao estilo de Bauhaus ou post punk, embora de maneira nenhuma cópias: “Bright Black”, “The Darker You”, “Watch That Madman Go” e “Francesco”.
As outras, nem por isso.

Para ouvir no Bandcamp da banda, AQUI.


“Bright Black“ is the New York band London Plane’s second album, just released in June 2022  (the first was “New York Howl”, from 2018).
According to the press release, this is a record for lovers of Bauhaus, David Bowie, Yeah Yeah Yeahs, XTC, Shriekback, Gary Numan, Wire, Soft Kill, Interpol, Preoccupations, Protomartyr, The Primitives, The KVB, Iggy Pop, The Cramps.
Well, it’s exactly in this amalgamated salad of influences that the problem resides for me. To put it short and simple, some tracks I like a lot and some tracks I don’t like at all. Therefore, I cannot consider “Bright Black“ as a balanced album that manages to please a specific audience from start to finish, the same way it couldn’t please me.
But in the midst of this amalgamated salad there are amazing gems to be discovered, namely (do I really need to say it?) those that recall a more Bauhaus-like post punk type of sound, though not, in any way, copies: “Bright Black”, “The Darker You”, “Watch That Madman Go” and “Francesco”.
The others, not really.

To be listened in London Plane’s Bandcamp, HERE.


terça-feira, 12 de abril de 2022

Gothzilla - um caso sério

Admito que da primeira vez que ouvi o nome Gothzilla pensei que era uma banda de paródia ou que estavam a brincar comigo. Nada mais injusto. É certo que o nome é cómico, e a banda ficaria mais bem servida com outra versão de The Blackest Darkness of the Bottomless Pit of Doom, mas esta malta tem sentido de humor. Gothzilla vende o que apregoa: gótico puro e duro. “Today Is A Good Day To Die” (álbum de estreia “Catharsis”) foi amor à primeira audição. Do mesmo álbum, “Tightwire” e “Temple Of Sound” bastaram-me uma audição ou duas. Desconhecia completamente esta banda escocesa, que apesar do nome leva o rock gótico muito a sério, e procurei a discografia toda. Do segundo álbum, “The Dark Is Rising”, destaco o tema “Edge Of Forever”, e do terceiro, “Auras”, saliento “The Unknown”. Mas o meu tema preferido é sem dúvida “Ilaria”, em que a voz feminina vem dar aquele tom etéreo que tanto mais me agrada quão mais pesada é a composição.
Se tenho algo a apontar à banda é que por vezes resvala um pouco demais (para o meu gosto) para um registo mais metálico a lembrar Paradise Lost. Nunca é uma crítica comparar alguém a Paradise Lost, mas por mim não resvalava nesse sentido.
Com uma obra já significativa, estes escoceses provam que é possível inovar no rock gótico com boas letras e melodias cativantes, originais, sem copiar ninguém.
Gothzilla foi uma banda que me apanhou de surpresa e que merece ser descoberta com urgência.

Para ouvir (e comprar) aqui:
gothzilla.bandcamp.com


domingo, 8 de agosto de 2021

Parzival – “Casta”

Parzival foi mais uma banda que conheci através do Festival Entremuralhas. Confesso, a partir de certa altura, que uma amálgama de preguiça e de falta de tempo me afastou de uma das minhas actividades favoritas: procurar música nova. Durante algum tempo fi-lo ouvindo rádio online (a que hoje chamamos podcasts, mais precisamente) mas acabei por perder o hábito. Isto agora vai mudar com o streaming no Twitch, com DJs ao vivo e chat em tempo real, e a possibilidade de assistir comodamente no smartphone enquanto se faz outras coisas, algo de impensável nos tempos dos podcasts em que era preciso estar ao computador para ouvi-los, e, lá está, nem sempre havia tempo disponível para isso.
Dos Parzival, descobri primeiro o álbum “Urheimat”, talvez mais acessível e dançável. Fui ao Bandcamp deles e ouvi a discografia toda (outro luxo que não havia no meu tempo, em que a gente comprava o disco ou CD a partir de um único tema que passava na rádio e às vezes enfiava um grande barrete). Os álbuns são muito diferentes entre si. Diria que gosto muito de “Urheimat” e “Casta”, mas dos outros nem por isso. Da mesma maneira, pode haver quem tenha uma opinião rigorosamente contrária à minha.
É precisamente de “Casta” que quero falar, um álbum que me surpreendeu pela mistura de influências: música indiana, electrónica, marcial, épica, e direi mesmo operática, tudo isto numa banda dinamarquesa.
Tenho a perfeita consciência de que “Casta” não é para toda a gente. Mas, ao primeiro acorde, eu soube que era mesmo para mim. A música indiana fascina-me, até aquela dos filmes de Bollywood. “Casta” não é exactamente música dançável (embora possa muito bem ser dançada), mas leva o apreciador numa viagem de inúmeras subtilezas que se combinam surpreendentemente bem, uma delícia para o sentido auditivo.
Aconselho a audição imediata e, já agora, a da restante discografia, incluindo o excelente “Urheimat” (esse, sim, para dançar).



domingo, 14 de fevereiro de 2021

A Cat-Shape Hole In My Heart, vários artistas (1999) – requiem pelos ausentes

Um disco de grande beleza pelos nossos amigos felinos ausentes, essas criaturas misteriosas que dignam partilhar connosco as suas vidas efémeras.
O projecto começou quando Sam Rosenthal (fundador de Projekt e Black Tape for a Blue Girl) perdeu a sua gata Vidna devido à leucemia felina e decidiu convidar bandas a integrarem uma compilação que alertasse para essa doença. Os lucros foram, e são ainda, destinados ao Tree House No-Kill Shelter of Chicago, um abrigo para gatos.
Cruzei-me com este disco por acaso (se acreditasse em acasos) quando o encontrei em segunda mão nos anos 2000, ainda na velhinha loja Fata Morgana da avenida Duque de Loulé. Comprei-o logo, mesmo sem conhecer a maioria das bandas. Vinte anos depois, este disco fez-me companhia em alguns dos momentos mais penosos da minha vida: o adeus aos companheiros felinos que estiveram comigo e já não estão. Muitas destas canções fazem-me logo desatar em lágrimas, mas chorar lava a alma.
“A Cat-Shape Hole In My Heart” é um álbum de gótico puro e sublime, um requiem composto por pessoas que passaram pelo mesmo luto destruidor. Um disco obrigatório para góticos que amam gatos. Se ainda não o têm, não imaginam a falta que vos fez.
Não há uma única canção inferior nesta colectânea, mas destaco as minhas preferidas: o desgosto subtil de "Too Far Away" (Area), o comovente "Cayman" (Mira), o devastador "Night and Mourning" (Regenerator), os fantasmagóricos "Galactipus" (Tara Vanflower) e "Felix the Cat" (Collide), o melancólico "In The Snow" com o seu último verso "There’s something that falls apart the instant the light ends" (Dead Leaves Rising), o misterioso "In Dreams Of Mine" (Faith & The Muse).

Há pouco tempo pesquisei e não apenas ainda se encontra à venda o CD em formato físico como agora é possível ouvi-lo e adquiri-lo no Bandcamp do Projekt Records:
projektrecords.bandcamp.com/album/a-cat-shaped-hole-in-my-heart-pay-what-you-wish-1999
Ouçam-no, guardem-no, comprem para os amigos, não emprestem. Um dia vão precisar dele.


domingo, 27 de dezembro de 2020

Siglo XX, ilustres desconhecidos


Os Siglo XX são uma banda belga formada em 1978. Uma banda que só descobri graças, mais uma vez, ao festival Extramuralhas do ano passado. Não posso dizer que nunca tinha ouvido falar deles, porque afinal até tenho um tema dos Siglo XX na compilação “Fuck Yeah Goths Mix One” (2010), mas simplesmente não lhes tinha prestado a atenção que merecem. Desde o Extramuralhas 2019, que lhes descreve o género musical como Coldwave, Gothic Rock, Darkwave e Post-Punk, fui finalmente aprofundar a discografia desta excelente banda. E fiquei perplexa de como é que me passaram ao lado este tempo todo. Mas mais vale tarde do que nunca.
Um dos motivos para isto, suspeito, é que a música dos Siglo XX não é exactamente dançável (pode ser, mas é mais para ouvir do que para dançar, no meu gosto pessoal) e passa muito discretamente no meio de outras bandas do mesmo género. Não é banda em que se repare numa disco ou bar, por exemplo, enquanto se conversa com amigos.
Às vezes os temas lembram-me Joy Division, outras Bauhaus, outras ainda Siouxie and The Banshees, e Sisters of Mercy e Nick Cave do início, e até Dead Can Dance do primeiro álbum. Como é que é possível perdê-los?
Os Siglo XX fazem um som subtil e envolvente, com letras fortes e sombrias, que merecia ser mais conhecido. Recomendo que os vão já descobrir se eles também vos passaram ao lado.

domingo, 13 de novembro de 2016

The Garden of Delight / Merciful Nuns: jardim de delícias

Merciful Nuns

Este é um post há muito devido. Há demasiado tempo que The Garden of Delight e a sua posterior encarnação Merciful Nuns me têm feito as delícias sem que deles tenha falado. Mas não vou contornar a batata quente. O profícuo trabalho de ambos os projectos é "derivativo", como se diz agora quando queremos ser simpáticos. Quem não quer ser simpático poderá chamar-lhe "imitação" de Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy, mas vamos lá mais devagarinho. Há imitação e há homenagem.
Antes de prosseguir vou relatar uma conversa que tive sobre o assunto, aqui há uns anos, com um daqueles ultra fãs de Sisters of Mercy. Conheci-o porque, eu também, era uma ultra fã de Sisters of Mercy. (Entretanto deixei de ser, mas não vem agora ao caso.) Penso que a conversa até não era sobre os Garden of Delight, salvo erro era sobre os Merry Thoughts, mas a questão é exactamente a mesma. Perguntava-lhe:
"Então, o que pensas destas bandas em que o vocalista faz uma voz tão igual ao Andrew Eldritch que quase não se percebe que não é o próprio?"
Ele: "Imitações. Rip-offs. Não interessam."
Eu: "Não sei... Têm boas canções. O estilo pode não ser original mas as canções não são cópias. E pelo menos assumem que são góticos e não fingem que não são. Porque é que não hei-de gostar de bandas que fazem a música que eu gosto de ouvir?"
Ele: "Estilo gótico!... Mas era só isso, no início, o estilo gótico?"
Aqui fiquei sem palavras porque ele já se referia a toda uma envolvente pós-punk que disse muito às pessoas que a viveram. Já não estávamos a falar de música, estávamos a falar de atitudes, rebeldias, tomadas de consciência, posições políticas e filosóficas. Os anos pós-punk, a adolescência. Não quis entrar nesse debate.

Não sou dada a nostalgias, percebo agora que sou mais velha, e nunca consegui ficar agarrada a meia dúzia de bandas preferidas dos anos 80. Nem me bastava! Musicalmente, sou um vampiro. Preciso sempre de mais, e mais, e mais. E devo dizer, depois de mais de metade da minha vida a ouvir música como um vampiro insaciável, que original nem sempre é bom, e certamente não é tudo. Mais vale não original e bom do que original e mau. Nunca assinei um pacto a prometer que sempre ouviria música original, da mesma forma que também não assinei um pacto com as bandas antigas a prometer que não ouviria bandas novas (originais ou não). Tudo isto para dizer que na minha opinião o original, apesar de sempre promissor e bem vindo, está sobrestimado.
Já não tenho preconceitos com bandas derivativas. Sei do que gosto musicalmente, e não vejo nenhuma razão para não ouvir o que gosto. Também não vejo nenhuma razão para que as bandas não dêem aos ouvintes exactamente a experiência que estes lhes pedem, a musical e a outra. A experiência gótica. E nisso, tanto os Garden of Delight como os Merciful Nuns, ambos projectos alemães da autoria do mesmo mentor Artaud Seth, não decepcionam. Isto é rock gótico, isto continua o estilo que Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy iniciaram, isto é o que eu quero ouvir. O conteúdo lírico, inspirado no oculto e no ritualismo, invocando anjos, deuses e demónios, inspirado em Crowley e Lovecraft, e ao mesmo tempo espiritualista, entre a contemplação e a sublimação da morte, também me delicia. (Ouça-se a solução sobrenatural de "In Between Worlds", Merciful Nuns, "she found a way to wander forever in between worlds" e compare-se com "Emma", The Sisters of Mercy*, "to find her lying still and cold and upon my bed", em que a tragédia se esgota na crueza da realidade.) 
Os amantes do sobrenatural vão gostar muito destes prazeres proibidos, tabus, que apenas apelam à alma gótica.

Garden of Delight "The Darkest Hour" 2007

Fica o alerta, quem viu relata que os Merciful Nuns são uma força da natureza ao vivo. Acredito plenamente. Assim me seja dada a oportunidade de testemunhar.



*Pequena adenda: Depois de escrever este post ocorreu-me acrescentar que "Emma" não é um original dos Sisters of Mercy, mas sim dos Hot Chocolate, uma banda soul britânica. Mesmo assim, achei interessante fazer a comparação porque a escolha de uma versão também fala pelo seu intérprete.
(A reboque desta curiosidade, ouvi pela primeira vez o original dos Hot Chocolate, um êxito de 1974. Vale a pena ver o vídeo.)




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Black Dianthus "Bright Side of a Black Hole"



Os que já sabem do que a casa gasta, que muitas vezes aqui critico negativamente livros e filmes (e mais coisas), já também devem saber que quando aqui falo de música é sempre, ou quase sempre, para elogiar. Eis o caso.
Black Dianthus é um projecto português, que me foi dado a conhecer através da Abismo Humano, e que não merece ficar na obscuridade.
Foi uma surpresa deparar-me com um trabalho a este nível de qualidade e inovação no panorama musical alternativo português. As duas primeiras faixas do álbum, devido aos arranjos com vozes guturais (e o próprio lettering do logotipo da banda), podem fazer com que muitas pessoas que não apreciam especialmente o metal se sintam desencorajadas e abandonem a audição. A estas eu incentivo a não desistir perante os dois primeiros temas, "Elysium" e "Over", mas antes a deixar-se deslumbrar pelo épico "Battlefield" (para ouvir alto e forte!) e a de seguida se permitirem arrebatar pelo assombroso e igualmente épico "Strange Flowers". Só para começar. Depois há mais, e mais subtil.
Também eu preferiria uma ainda maior descolagem de um certo "teor metálico" e a passagem completa cá para o meu lado (oh my Goth!) mas este é daqueles casos em que se prova que beber em várias fontes de inspiração dá sempre os melhores resultados.
Aconselho vivamente.

O álbum pode ser ouvido na íntegra e permite download gratuito aqui:

http://abismohumano.bandcamp.com/album/bright-side-of-a-black-hole

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Bauhaus "Go Away White" (2008)


É sempre com muito respeitinho que se toca no primeiro álbum de estúdio desde há 25 anos de uma banda que influenciou toda a música alternativa desde os anos 80 e que com todo o mérito alcançou (porque não dizê-lo assim?...) um lugar no panteão de verdadeiros Deuses do gótico.
E como a reverência acarreta medo, e as experiências de reencontros muitas vezes trazem consigo a mais profunda desilusão, foi com receio que me pus a ouvir "Go Away White", álbum lançado este ano pela formação original dos Bauhaus. Depois da já longa e frutífera carreira a solo de Peter Murphy e das diversas aventuras dos restantes, mais ou menos bem sucedidas, desta reunião era de esperar tudo.
Vou ser franca, curta e incisiva. Fomos muito mimados com os discos precedentes. A originalidade já não mora aqui como nos anos 80. Mas a alma dos Bauhaus renasce das cinzas (afinal mais viva do que "undead") e relembra-nos nitidamente porque é que os Bauhaus são os Bauhaus e nenhuma banda, nem os os seus membros a solo, a conseguiram jamais suplantar. Ouvir este disco dá arrepios, como se tivéssemos acabado de descobrir um álbum inédito dos tempos áureos, uma gravação perdida no sotão e publicada apenas a título póstumo. Nada disso. É mesmo o aqui e o agora.
Ao contrário do que possa parecer pelo título da faixa de abertura, "Too Much 21st Century", nota-se bem o passar dos anos e a sua influência musical em Peter Murphy, Daniel Ash, David J e Kevin Haskins. Às vezes nota-se até demasiado. (Peter Murphy tem-se virado cada vez mais para o mainstream. Devia tê-lo deixado à porta mas deixou-o entrar. À esquina de cada tema encontramos uma suavidade, um acorde, um cliché que não devia lá estar.) O que era uma sonoridade original e desarmante nos anos 80 é agora um fantasma reflectido no espelho das suas próprias singularidades. Bauhaus iguais a eles próprios. Quem esperava que este álbum fosse tão vanguardista como os Bauhaus que conhecemos em "In the Fat Field" não vai encontrar aqui o salto sobre a fasquia que se esperava deles: que fossem de novo a "vanguarda" (e não é inocentemente que escolho esta palavra), 30 anos ou um século à frente. Não, isso não está em "Go Away White". O que está é um conjunto de temas que vai deliciar qualquer verdadeiro amante de Bauhaus, seja da velha guarda ou da nova geração. Este é mesmo um álbum para açambarcar.
Sim, os Bauhaus não foram uma alucinação da nossa desidratação musical. Sim, eles juntos são mesmo geniais. Sim, é pena que tenham anunciado que não vai haver mais nenhum disco nem digressão promocional. Sim, eles vivem! Sim, os Bauhaus estão de volta e estão aqui.


Lista de temas:

1. Too Much 21st Century
2. Adrenalin
3. Undone
4. International Bulletproof Talent
5. Endless Summer of the Damned
6. Saved
7. Mirror Remains
8. Black Stone Heart
9. The Dog's a Vapour
10. Zikir

sábado, 27 de setembro de 2008

Christian Death "American Inquisition" 2007


Em termos de formação não conheço banda mais complicada do que os Christian Death pelo que não me vou deter nas substituições ao longo de anos de grande conflito. Quem estiver interessado no historial pode ir consultá-lo aqui.
Por questões de simplicidade, vou reduzir a banda a duas fases: Rozz Williams (vocalista, já desaparecido de entre nós há 10 anos) e Valor (vocalista actual).
Gosto das duas fases mas prefiro a segunda pelo conteúdo das letras, muito mais viradas para a religião, para a política e para a sociedade, e parece que com os anos cada vez prefiro mais a fase Valor. O que não quer dizer que o concerto de Christian Death 1334, em Lisboa, na Caixa Económica Operária, com membros originais e temas da fase Rozz Williams, não tenha sido o melhor que vi nos últimos tempos.
Deixo isto bem claro para o leitor perceber que sou suspeita nas minha simpatia pela fase Valor. Vamos então ao último álbum, "American Inquisition", de 2007.
Talvez o melhor seja dar a palavra ao autor:

I used to believe you could see the Future
Even though you lived in the past

THEN Millions of People Lived by your every Word
And lived their lives waiting for The Blast

YET I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON

Every thousand years or so
They say it’s the end of time
The second coming of Christ
lets change the game
Lets shift the paradigm

From High on the alter box
They preached how the end would be
Once it was the bay of Pigs
Then the Millennium bug
Then Star Wars C’est la Vie

YET I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON


in "Surviving Armageddon"

Continua o braço de ferro Valor vs Deus (na figura da religião organizada). Para os apreciadores, isto diz tudo. Os fãs desta fase não se vão desiludir. Este é um álbum a ouvir, agarrar, açambarcar, dar aos amigos. Um digno sucessor de "Sex and Drugs and Jesus Christ", "The Scriptures", "Heretics Alive"... com o toque clássico mas uma sonoridade mais moderna, exactamente como se pretende. Aconselho vivamente.

Outra das minhas preferidas, desta vez sobre a sociedade dormente em que vivemos:

I dreamt I wore a new black suit
Someone played guitar
someone played the flute
They had given me a new haircut
And then they sewed my eyes shut

From a podium a man spoke of things foretold
With words as bleak as I was cold
Voices gathered into a crowd
No one heard me though I screamed out loud

WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER
WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER

Musicians played my favorite songs
It seemed to me things were all wrong
All my friends had dressed in black
I guess I won’t be coming back

WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER
WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER

WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP

DOMINUS FOBISCUM SPRITUS SANCTI


in "The Last Thing"

Há mais, muito mais para descobrir.
Se em termos melódicos temos o Christian Death clássico, ao mesmo tempo temos outro facto muito curioso. Quem gosta de Marilyn Manson e não conhece Christian Death pode muito bem pensar que esta é uma banda nova inspirada em Marilyn Manson quando, a não ser coincidência (almas gémeas), seria precisamente o contrário.
De modo que também aconselho este álbum a fãs de Marilyn Manson. Mais: a fãs de Marilyn Manson aconselho toda a discografia da fase Valor, e tenho a certeza que não sairão desiludidos (com Christian Death, isto é).

Faixas:

1. "Water Into Wine"
2. "Stop Bleeding On Me"
3. "Narcissus Metamorphosis Of"
4. "Victim X"
5. "To Disappear"
6. "Dexter Said No To Methadone"
7. "Angels And Drugs"
8. "Seduction Thy Destruction"
9. "Worship Along The Nile"
10. "See You In Hell"
11. "Surviving Armageddon"
12. "Last Thing"
13. "XIII"

Formação actual à data do CD, segundo a editora Season Of Mist:

Valor: male vocals, guitars, violin, strings, keyboards
Maitri: female vocals, bass guitar, keyboards
Charles Lannahan: guitars, backing vocals
Nate Hassan: drums

O site oficial também está um espanto, digno de visita, e tem as letras disponíveis: http://www.christiandeath.com/

quarta-feira, 5 de março de 2008

The Creatures "Anima Animus" (1999)



Esta deve ser a crítica mais atrasada de sempre. Mas é apanágio das senhoras chegarem atrasadas. E podia ser pior, podia dar-me na bolha fazer uma crítica aos Doors. A beleza disto é que como a maior parte das pessoas já ouviram pelo menos os grandes êxitos do disco, "Exterminating Angel" e "2nd Floor", que se confundem com a sonoridade típica e inconfundível de Siouxsie & The Banshees, só me resta falar do resto do álbum como um todo. Álbum esse que só descobri hoje e ainda não consegui parar de ouvir, por isso a crítica destina-se curiosamente às pessoas mais velhas que não sabem que há vida em Siouxsie depois dos Banshees. Diria mesmo mais, contra os fundamentalistas, há mais vida em Siouxsie depois dos Banshees do que em muito do material inicial, mais punk do que outra coisa, mas obviamente isto é apenas a expressão de um gosto pessoal.
Então cá vai a crítica:

Que coisa tão boa!!!

Pronto. Era só isso. Não é preciso dizer mais nada.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

If Lucy Fell: uma banda interessante




Deparei por acaso com o nome desta banda a propósito dos concertos que vão realizar em Leiria (Alfa Bar, 8 de Fevereiro) e Porto (Maus Hábitos, 9 de Fevereiro).
A sonoridade é fresca e descomprometida, e tão depressa me lembra o rock alternativo dos anos 80 como dos 90, ou Rage Against The Machine encontra Mão Morta sem polimento. A ouvir sem preconceitos... e bocejos AQUI.

domingo, 9 de setembro de 2007

Mr. McCoy has returned


Fields of The Nephilim "Mourning Sun" (SPV, 2005, limited edition)

Shroud (Exordium)
Straight To The Light
New Gold Dawn
Requiem XIII 33 (Le Veilleur Silencieux)
Xiberia (Seasons In The Ice Cage)
She
Mourning Sun
In the Year 2525


Adeus imitações. This is the real McCoy. Caindo de propósito no lugar comum de muitas críticas que tenho lido, "classical Nephilim" é o que os fãs podem esperar do quarto álbum de estúdio de uma das bandas que mais influenciou a música gótica (e que esteve, na minha humilde opinião, na origem do estilo gothic metal) desde os áureos anos 80. Qualquer destas canções podia aparecer em "Elizium", digo eu, mas digo mal porque os meus ouvidos já estão habituados a um industrial muito mais pesado do que "Zoon", do projecto de Carl McCoy "The nephilim", esquecendo que entretanto muita música passou debaixo da ponte. Mesmo assim, esperava mais, se calhar porque os fãs são de facto vampiros insaciáveis, principalmente ao nível das letras que, vindas de um McCoy mais velho ou, se preferirem, mais "antigo", tinham obrigação de ser mais densas. Mas vejamos:

Shroud (Exordium)
A abrir o álbum, não me sai da cabeça que o coro de inspiração religiosa na introdução ameaça recomeçar o álbum "Elizium" onde ele acabou, mas depressa se torna não só uma viagem ao passado como ao passado mais que perfeito com riffs a recordarem a aridez de "Dawnrazor".

Straight To The Light
Um épico quase à altura de "Moonchild" e "Psychonaut". Letras a puxar para um misticismo que há muito rodeia o projecto, ou não se chamassem "os campos dos nefilins": We served this world like angels / Been burned both night and day / Now we turn with eyes blazing / Well its time for us to go

New Gold Dawn
Alguns acordes a recordar "Last Exit for the Lost" transformam-se numa canção cheia de ritmo como "Laura" e "For Her Light". A letra, contudo, é fraquinha.

Requiem XIII 33 (Le Veilleur Silencieux)
Uma história de saudade ao ritmo de "At the Gates of Silent Memory".

Xiberia (Seasons In The Ice Cage)
Possivelmente o meu tema preferido, "Xiberia", cuja letra nem começo a entender, simplesmente *sinto* aquela sensação de frio que dela exala, podia ser a evil twin brother de "Summerland". Talvez seja. Parece propositado mas só podemos especular. Assim nascem os mitos.

She
E esta é possivelmente a música que menos gosto, muito pastelosa e romântica, mas que possivelmente agradará a quem prefere o clássico "Celebrate". Passemos rapidamente à frente.

Mourning Sun
Dez minutos e trinta e cinco segundos, prova de que os Fields of the Nephilim continuam a reger-se por algumas regras do metal e pelo desprezo da canção pop de três minutos e meio. O sintetizador faz uma melodia a lembrar o tema do "Exorcista", "Tubular Bells", do senhor Mike Oldfield (esse mesmo), até porque os FOTN sempre alimentaram uma uma raiz cinematográfica de peso. O trocadilho que dá nome ao álbum, entre "sol da manhã" ("morning sun") e "sol de luto" ("mourning sun"), pegando numa conhecida expressão de esperança para lha retirar completamente, gira em torno do tema "the fallen", outro termo usado para designar os anjos rebeldes que desceram à Terra para amar as filhas dos homens e dar origem aos nefilins e se juntaram a Lúcifer durante a rebelião nos Céus de onde foram expulsos.

In the Year 2525
Faixa bónus que só aparece na edição limitada (atenção ao que compram), este tema um pouco a"pop"alhado em termos musicais devido a demasiados yéyés e melodia repetitiva (mais uma vez, a minha humilde opinião), é de algum modo uma surpreendente descida à realidade -- surpreendente para a banda de que se trata -- onde se clarificam preocupações ecológicas e críticas à desumanização tecnológica. Graças a Deus pelo apocalipse: in the year 8510 / God is gonna shake his mighty head / he'll either say "I'm pleased where man has been" / or tear it down and start again

sábado, 11 de agosto de 2007

Marilyn Manson "Eat Me, Drink Me" (2007)



Cada vez que um artista que tenho o prazer de apreciar há muitos anos lança uma novidade sinto um friozinho de medo no estômago. A experiência diz-me que a criatividade se começa a esvair depois do terceiro álbum. E com a constante substituição dos membros mais antigos, Marilyn Manson é cada vez mais o homem a solo e cada vez menos a banda, se alguma dúvida houvesse. Este costuma ser também um sinal de alarme sobejamente conhecido. Às vezes sangue fresco é bom para as bandas; na maioria dos casos, o choque brutal de vedetismo e gerações arrasta-as para o abismo de se tornarem uma banda de covers delas próprias.
Ainda não foi desta com Marilyn Manson mas já se nota o peso da repetição da fórmula, embora inconfundível e brilhante. Ouvintes casuais poderão achar mais do mesmo... mas os fãs não ficarão desapontados.
Por falar em decepção, nos últimos tempos, sempre que pergunto a alguém se gosta de Marilyn Manson, tenho recebido invariavelmente a mesma resposta: "O último álbum não é nada de jeito, pois não?" Sejamos francos, sou fã desde 1996, desde "Beautiful People" e "The Reflefcting God", e "The Golden Age of Grotesque" foi coisa que não ouvi mais do que duas vezes. "Eat Me, Drink Me", pelo contrário, é um álbum que cresce a cada audição.
Aqui não está a crítica verrinosa de um "Antichrist Superstar" nem a raiva política de um "Holy Wood". Em "Eat Me, Drink Me", Manson regressa à dolorosa melancolia dos relacionamentos afectivos. Se em "Mechanical Animals" o envolvimento era superficial, (I'm not in love but I'm gonna fuck you till someone better comes along), aqui o amor é verdadeiro e despedaça a carne e esvazia as veias: Love is a fire. Burns down all that it sees. Burns down everything. ("Just a Car Crash Away"). Manson gosta de álbuns conceptuais e desta vez fê-lo em torno do vampirismo e do canibalismo, metáforas tão eternas como trágicas para o amor que consome tudo até às cinzas.
"If I Was Your Vampire", "Heart-Shaped Glasses" e "You and Me and the Devil Makes 3" ameaçam ser os temas com maior possibilidade de se tornarem clássicos, mas, no todo, este é um álbum que agradará mais às pessoas apaixonadas e ainda mais à beira da ruptura. Por mim, prefiro um "Antichrist" ou um "Holy Wood". Isto do amor já não me diz nada:

So ask your self before you get in,
I know the insurance won't cover this.
Are you the rabbit
Or the headlight,
And is there
Room in your life
For one more breakdown?


("Are You the Rabbit?")




Marilyn Manson volta ao Pavilhão Atlântico de Lisboa a 19 de Novembro.