domingo, 13 de setembro de 2026
Domino Day (2024)
Domino Day, barista jovem e sexy, tem poderes que não controla e uma necessidade diária de se alimentar da energia vital de seres humanos. Domino usa uma app para marcar encontros com vítimas potenciais, mas um deles filmou-a e ameaça denunciá-la.
Um coven de bruxas detecta a magia de Domino e começa a segui-la para tentar avaliar que perigo ela representa. Não surpreendentemente, descobrem que Domino não é apenas uma bruxa, mas também uma Lamia. Isto significa que o conselho de Anciãos das bruxas e magos vai querer matá-la, uma vez que uma Lamia pode expor todas as criaturas mágicas. Mas as bruxas do coven compreendem o dilema em que ela se encontra e planeiam protegê-la, mesmo que isso signifique arriscar a sua magia e as próprias vidas por desobedecerem aos Anciãos.
"Domino Day" é uma série inglesa muito básica de Young Adult, Sobrenatural e Fantasia Urbana que promete um pouquinho mais do que dá (mas só um pouquinho porque também não promete muito). O world building não vai longe, mas também não precisa de ir porque assenta num imaginário já estabelecido por abundante ficção anterior. O enredo é super familiar, já o vimos muitas vezes, e não aquece nem arrefece.
Mas chateou-me um bocadinho que Domino não saiba que é vampira. Foi preciso o coven explicar-lhe que ela é uma Lamia (espécie de demónio da mitologia grega que mais tarde passou a ser associado ao vampirismo, especialmente o vampirismo feminino e sedutor). Compreendo que nem toda a gente seja fanática por vampiros como eu sou, mas é impossível acreditar que Domino se sentisse compelida a sugar pessoas e nunca lhe tivesse passado a ideia pela cabeça. Isto foi fraquinho e faz a personagem parecer burra. Teria sido evitado se fosse a própria Domino a procurar ajuda para o seu "problema", até porque ela sabe que tem um problema e não consegue resolvê-lo. Não teria elevado muito o nível da série, mas pelo menos não parecia tão parvo.
Aconselho "Domino Day" como entretenimento ligeiro para quem gostou de "Os Diários do Vampiro", "Charmed" ou "Lost Girl". Vê-se bem, não é muito bom nem muito mau, não mete medo nem sangue e não há vítimas mortais (excepto os maus, mas os maus estão lá mesmo para isso).
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez
PARA QUEM GOSTA DE: vampiros, bruxas, sobrenatural, Young Adult, The Vampire Diaries, Charmed, Lost Girl, Harry Potter, Buffy The Vampire Slayer, etc
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Servant (2019 - 2023)
[contém alguns spoilers]
"Servant" é uma série excepcional que combina terror, thriller psicológico, mistério, comentário social e humor. Porque o enredo vive do suspense não vou poder aprofundá-lo como merece, mas aconselho a toda a gente que gosta do género que veja a série sem spoilers absolutamente nenhuns para maior impacto.
Spoilers
Dorothy e Sean Turner são um casal de classe alta que perdeu um bebé de poucos meses. Dorothy ficou em tal depressão que Sean e o irmão dela, Julian, por sugestão de uma terapeuta, substituem o bebé por um boneco Reborn (um boneco bastante realista). Só que Dorothy não recupera do choque e, em estado de negação, começa mesmo a acreditar que o boneco é o seu filho. Sean e Julian não querem contrariá-la e agem como se o boneco fosse um bebé de verdade. Isto cria um ambiente de casa de doidos, especialmente quando Dorothy, sem que Sean se oponha, contrata uma ama de 18 anos. Leanne, a ama, é daquelas raparigas religiosas de província que não conhecem nada do mundo e cheiram a sabão azul e branco porque até o sabonete seria considerado demasiada vaidade (ou assim imagino que ela cheire). Mas quando Leanne chega, o boneco transforma-se num bebé a sério. Mais do que isso, quando ela está presente o bebé existe, quando ela se afasta o bebé volta a ser um boneco.
Dorothy não se apercebe disto porque sempre acreditou que o boneco fosse o bebé, mas Sean e Julian partem do princípio de que Leanne trouxe uma criança com ela, possivelmente sua. Quando vêm a saber que Leanne cresceu num culto, a Igreja dos Santos Menores, e um tio misterioso vem à procura dela, ainda mais se convencem de que isto tudo é um esquema para fazer chantagem e extorquir dinheiro. O pior é quando Sean, primeiro, e Julian, depois, se apegam também ao novo bebé e já não o querem deixar ir embora.
Mas não é um esquema. Leanne é aquilo a que eu chamo uma bruxa genuína. Não falo de senhoras que lêem o Tarot, percebem de astrologia e têm um gato. Falo de uma bruxa de verdade com poderes de verdade, como se percebe depressa em poucos episódios. O culto é cristão, mas os membros do culto têm muito boas razões para serem crentes. Gostei muito deste "cruzamento" entre os poderes sobrenaturais que geralmente são associados com bruxaria e o zelo cristão de um outro tipo de sobrenaturalidade que não vou revelar.
Agora o comentário social. Dorothy, jornalista televisiva, Sean, Chef de renome, e Julian, com dinheiro de família, vivem num mundo de luxo e privilégio em que tudo pode ser comprado. Neste mundo artificialmente perfeito, trocar um bebé por um boneco parece-lhes aceitável para que a perda não lhes afecte o conforto absoluto. Lidar com a dor não é uma opção. Até pode parecer que os Turner nem sequer estão de luto, que são tão superficiais que vivem numa bolha de ilusão, mas é mais do que isso. Eles não vivem apenas numa ilusão, eles transformaram a ilusão em realidade e a realidade é que se tornou uma ilusão, como um pesadelo que se dissipa à luz do dia. Se existe drama, todas as personagens fingem que não o vivem, e é isto que mais nos choca em "Servant". Será Leanne uma força do bem que os vem obrigar a ser humanos, ou uma força do mal que os vem castigar?
"Servant" é uma produção de M. Night Shyamalan, mas não foi escrito por ele. M. Night Shyamalan tem sido um realizador com grandes sucessos e grandes flops, mas voltou a cair nas minhas boas graças com "The Visit" (20 em 20), que me deixou de cabelos em pé de tão arrepiada. Mesmo assim, não quis pronunciar-me antes de ver a série toda e posso assegurar: "Servant" não desilude.
Agora o humor. No meio desta situação de pesadelo, Julian e Sean, principalmente, protagonizam momentos tão absurdos que quase nos fazem rir. Quase. Julian tem sempre disposição para provar os vinhos vintage na colecção de Sean. Sean é um Chef tão meticuloso que passa o dia a cozinhar e até o pequeno-almoço é gourmet. Na segunda temporada, por exemplo, quando julgam que o bebé foi raptado, decidem distribuir pizzas para que os suspeitos lhes abram a porta. É tudo a fingir, mas nem mesmo assim Sean consegue entregar uma pizza menos do que perfeita. Aliás, aviso já, ver Sean cozinhar abre o apetite. Excepto quando nos repugna, como daquela vez em que faz doce de grilo. Mas que é gourmet, sim é.
"Servant" também é uma série gourmet, daquelas que só se vêem raramente na vida.
Certas semelhanças recordam-me "Shining Vale", série posterior, mas "Shining Vale" era claramente mais voltado para a comédia.
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 2 vezes
PARA QUEM GOSTA DE: terror, thriller, mistério, sobrenatural, Shining Vale
domingo, 15 de junho de 2025
From (2022 - ?) [terceira temporada]
Scott McCord ("Victor") e Simon Webster ("Ethan") no restaurante
Já que esta temporada se tem baseado em visões e pressentimentos a cair do céu aos trambolhões, eu também tenho o mau pressentimento de que esta série vai ser cancelada.
"From" é aquele enredo da vila cheia de monstros que aparecem à noite e de onde as pessoas não conseguem escapar. Uma vez que a história assenta no mistério e no suspense, não posso revelar mais nada porque quase tudo é um spoiler. Ainda assim, esta terceira temporada deixou-me muito preocupada com o futuro da série. "From" tem criado mistérios atrás de mistérios, à semelhança de "Lost", e agora parece-me que começaram a tentar dar respostas que não estão a fazer grande sentido. Em suma, como em "Lost", tenho o pressentimento de que estão a improvisar de episódio para episódio e de que isto não vai acabar bem (se acabar, isto é). *
A qualidade da série também decaiu imenso, a começar pelo ritmo. O primeiro episódio é uma porcaria evitável. Na sequência de um nevão imprevisto, a vila fica em risco de passar fome. Aqui descobrimos que a comida que eles têm são duas vacas e uma dúzia de ovelhas e cabras e galinhas, e que as "colheitas" são uma horta. Considerando que eles têm um restaurante (!) e que comem bem todos os dias, como é que estes animais e esta horta alimentam uma centena de habitantes, com restaurante e tudo? Onde é que está o trigo/milho/centeio para fazer as empadas que eles servem no restaurante? Isto era algo em que um espectador nem pensava se não tivessem feito disto um caso tão grave, até porque naquele sítio as coisas aparecem um bocado por magia. Esta falta de alimentos, que se resolveu com a descoberta de batatas e vegetais a nascerem em estado selvagem perto da vila, lembrou-me os piores momentos de "Under The Dome". "From" não precisava disto.
O segundo episódio é quase completamente dedicado ao funeral de uma só pessoa que até nem era assim tão importante. Daqui depreendi que estavam a encher chouriços porque tinham muito tempo para desenvolver a história. Mas de repente parece que isto mudou porque os últimos episódios da temporada são apressados, com personagens a terem visões e revelações a torto e a direito para tentar explicar os tais mistérios (mas sem explicar nada).
A série também começou a recorrer a truques baixos de filme de terror mal feito e ignorante, do qual destaco a inclusão do Tarot. Quero deixar aqui muito claro que não é assim que se consulta o Tarot e que o Tarot não é uma ouija board para invocar espíritos maléficos, não é assim que funciona. Isto é tão ignorante como dizer que "as bruxas são más". Por falar em ignorância, também me parece que a pseudo-ciência em que eles se baseiam não deve ter ponta por onde se pegue e que por isso nunca vai ser explicada.
Mas não quero ser demasiado dura com a série. Como produto, no todo, serve de entretenimento e continua a ter momentos bastante arrepiantes. Saliento dois actores, um deles o jovem Simon Webster e o mais crescido Scott McCord como "criança grande", que se calhar têm feito um papelão melhor do que a série merece, aliás, como quase todos os actores. Se falhar, a culpa não é deles. É um prazer ver "From" só por causa dos personagens.
O problema aqui é que isto começa a parecer uma salada de momentos arrepiantes sem que nada dê sinais de encaixar, e, pior, que as próprias respostas também não encaixem. Eu ficaria muito desapontada se a série fosse cancelada porque detesto histórias incompletas. Prefiro um mau fim a não ter fim nenhum. Mas começo a ter o pressentimento de que isto não vai longe, quer acabe ou continue.
"Spoiler"
A minha parte preferida foi o leão. Toda a gente conhece o leão da Metro Goldwyn Mayer, mas se calhar nunca o tínhamos visto em 3D e de perfil. Tendo em conta que esta é uma série em que pessoas são literalmente comidas, fiquei muito sobressaltada, logo no crédito de abertura, quando a "câmara" avançou para o leão, e nós com ela. Obviamente que o leão foi animado por Inteligência Artificial, mas confesso que me causou um pequeno susto a abrir uma série deste tipo. Se fosse uma série levezinha não me tinha assustado, e de facto passei a adorar o leão em 3D. Se nunca viram, sei que vão adorar também.
* Já depois de escrever este artigo, li por aí que a quarta e última temporada já foi renovada. Ao menos isso.
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez
PARA QUEM GOSTA DE: Lost, mistério, terror, sobrenatural
domingo, 11 de agosto de 2024
From (2022 - ?)
Há algum tempo disse aqui que tenho tido a sorte de andar a ver algumas séries de terror excelentes, mas são do tipo de enredos em que o terror “acontece aos outros” (o que não é menos interessante). “From” é uma série verdadeiramente assustadora que nos podia acontecer a nós. Também não é o género de medo que nos assalta à noite no escuro, mas depois de cada episódio dou por mim a pensar “Chiça, ainda bem que não sou eu que estou lá!” Desde as primeiras temporadas de “The Walking Dead” que nada me assustava tanto. *
(* E mesmo assim não tinha medo ao ver os episódios de “The Walking Dead”, mas depois tinha pesadelos em que estava fechada numa casa como as da série, e na companhia de estranhos, ainda por cima, completamente cercada por zombies. É claro que isto tem explicações psicanalíticas profundas em que não vou entrar aqui.)
A história de “From” é arrepiante. Uma vila aparentemente normal onde quem entra já não sai de lá. Mas isto não é tudo.
A série começa com uma família em viagem de lazer que encontra uma árvore atravessada na estrada, seguida de um bando de corvos que rodeiam a auto-caravana. Com o caminho impedido, a família decide voltar para trás e procurar a auto-estrada. Vão parar à vila, onde os residentes estão precisamente a terminar um funeral. Pedem direcções para a auto-estrada e o xerife diz-lhes: “Sigam em frente e verão”. O que eles vêem é que por muitas voltas que dêem vão sempre parar à mesma vila. Ainda estão na estrada quando colidem com outro automóvel.
Aqui começa a parte verdadeiramente arrepiante. Os residentes fazem tudo para levar os sinistrados para o interior das casas, explicando que depois do pôr-do-sol monstros saem da floresta e que o único sítio seguro é dentro de casa, onde estão protegidos por um talismã pendurado à porta que impede os monstros de entrar. É claro que os recém-chegados não acreditam em nada disto, até que os monstros realmente aparecem.
Os monstros parecem humanos, passeiam-se pelas ruas desertas, sorriem e batem às portas e às janelas, tentando aliciar os residentes a deixarem-nos entrar. Só que quando entram, estas entidades de aparência humana transformam-se mesmo em monstros que devoram todos os que encontram até ao tutano. A série não se importa de nos mostrar as vítimas com as costelas abertas e vazias, todos os órgãos consumidos.
Os monstros não são os únicos terrores à solta. Um dos grandes perigos é quando as pessoas perdem a sanidade e os deixam entrar. Os residentes mantêm as cortinas corridas a noite toda para não se deixarem iludir.
Episódio a episódio, vamos descobrindo outros mistérios. Por exemplo, as pessoas que foram parar à vila não vieram pelo mesmo percurso nem do mesmo sítio. Pelo contrário, encontraram a árvore atravessada na estrada em vários pontos do país, mas todos encontraram a árvore e os corvos e nunca mais conseguiram sair dali. Jim, o pai da família recém-chegada, descobre que apesar de haver electricidade os fios não estão ligados a nada, que nem sequer são fios eléctricos, apenas cabos de plástico sem nada por dentro. Então, o que é que abastece a vila? Jim é engenheiro e um dos outros sinistrados no acidente do mesmo dia, Jade, é um perito de informática que acabou de vender a sua start-up por milhões de dólares e se preparava para viver a vida à grande. Inconformados, decidem construir uma antena de rádio tentando comunicar com o exterior. Uma voz responde-lhes, mas se calhar não era a voz que pretendiam.
Não vou entrar em mais mistérios, que se adensam de temporada para temporada. Muitos residentes têm teorias: foram parar a um lugar fora do tempo e do espaço, estão na caixa de Schrödinger e são eles o gato; estão a ser alvo de uma experiência militar ou alienígena; e, inevitavelmente, há quem receie que estejam todos mortos no Purgatório ou no Inferno.
Se estas teorias parecem familiares é porque muito de “From” recorda a ilha de “Lost”. Só falta aparecer o “monstro do fumo”, carinhosamente apelidado de Smokey pelos fãs. A sirene que acompanhava Smokey, pelo menos, já por lá apitou.
Mas “From” não é “Lost”. Se “Lost” era misterioso, filosófico, (pseudo)científico, “From" é puro terror. E o terror e os mistérios aumentam de temporada para temporada sem que nos seja dada uma única resposta, pelo contrário, cada mistério traz outros atrás. Isto também não é coincidência. A série foi criada por muitos nomes ligados a “Lost” e até tem um dos seus protagonistas (não direi quem, descubram-no).
O que me leva à segunda razão que me faz ter medo de “From”. Devo ser a única pessoa do mundo que gostou do final de “Lost” (não fui, mas quase) mas admito que a série da ilha nunca nos deu respostas verdadeiramente convincentes a coisa nenhuma. Temo, sinceramente, que “From” esteja igualmente a escavar buracos uns atrás dos outros (um dos quais literal) e que o enredo se torne igualmente tão rebuscado e retorcido que não haja maneira de o endireitar.
Por enquanto é demasiado cedo para dizer. Estou completamente embrenhada na série pelo que ela é e as respostas podem vir depois. Mas que venham, desta vez.
Uma última nota para a música de abertura, uma versão dos Pixies de “Que Sera, Sera” que a princípio detestei mas que acabou por se entranhar. Espero que o significado não seja tão óbvio como a letra da canção, que se pode aplicar a toda a gente em qualquer lado e a vila de “From” é tudo menos “qualquer lado”.
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 2 vezes
PARA QUEM GOSTA DE: Lost, The Twilight Zone, The Outer Limits, mistério, terror, zombies, sobrenatural
domingo, 14 de novembro de 2021
Sanctuary / Santuário (2008–2011)
Uma série semelhante a “The X-Files”, “Sobrenatural” e “Fringe” só podia correr bem, não? Não. Foi um desastre. Nota-se que é um desastre quando de temporada para temporada os protagonistas vão desaparecendo (fugindo a sete pés). Nota-se quando o primeiro genérico era tão semelhante ao de “X-Files” que na segunda temporada tiveram de mudá-lo para uma cantiga horrorosa que podia ter ido à Eurovisão. Por alguma razão alguém acreditou na primeira e segunda temporadas de 13 episódios e encomendou uma terceira, com 20. A quarta temporada já volta a ter apenas 13 e já são demais.
A única coisa boa desta série é mesmo a protagonista, Amanda Tapping, que alguns leitores reconhecerão como o anjo Naomi de “Sobrenatural” (sim, aquela que torturou Castiel e acabou a mandar no Céu na falta de “pessoal”) ou num papel ainda mais insignificante nas duas primeiras temporadas de “Travelers”. (Grande despromoção, há que dizê-lo, que a actriz até nem merecia.)
Amanda Tapping faz o papel de Helen Magnus, uma benfeitora que cria um santuário para todos os seres anómalos (e não “anormais”, como as legendas começaram a chamá-los) que existem escondidos no mundo. Helen Magnus é uma mistura de “caçadora” e cientista. Mas ela própria tem um segredo, a sua longevidade. Porventura o mais interessante da série toda é que Helen Magnus e um grupo de amigos cientistas, no século XIX, descobriram os últimos vestígios de Sangue Puro de vampiro, raça já extinta, que em tempos escravizou a humanidade. Este Sangue Puro causa efeitos diferentes em cada um dos cientistas que se submeteram à experiência. (Porque é que os efeitos são diferentes? É melhor não fazer perguntas difíceis.)
Nem vou criticar que esta série meta Jack the Ripper, Dr. Jekyll e Mr. Hyde, Nicola Tesla, Sherlock Holmes (ou melhor, o discreto Watson) e o Homem Invisível. (Sim, leram bem, o Homem Invisível.) Tinha tudo para ser uma grande série. Excepto enredo.
A cada episódio eu tinha a sensação de já ter visto aquela história noutro lado. Algumas histórias eram o filme “Aliens” ou “The Thing”, outras os “X-Files”, outras talvez histórias de ficção científica que eu não vi nem quero ver. Há um episódio, por exemplo, todo “inspirado” em “Queen of the Damned”, e a gente já sabe que a Akasha não era exactamente boa pessoa. Acho que de todos os enredos pilhados aqui e ali este é o que eu menos consigo perdoar.
O mais ridículo mesmo (lá está a mania com o Júlio Verne) foi a Terra Oca, onde existe uma civilização muito mais avançada do que a nossa e completamente secreta. Mas isto não fica por aqui. Se pensam que é o núcleo da Terra que provoca terramotos e maremotos, desenganem-se. O que existe no fundo do mar é uma gigantesca aranha, meio-animal meio-entidade cósmica (até lhe chamam Kali, a deusa indiana) que de vez em quando acorda e faz das suas.
Por esta altura eu já não sabia se havia de rir ou chorar.
É verdade que a série é “antiga” (2008), mas para todos os efeitos é uma série americana (e não daquelas séries europeias escritas em cima do joelho de episódio para episódio), e já não se esperava algo tão mauzinho em 2008.
Às vezes vejo séries por serem más, muito más, para não perder a perspectiva do que é realmente muito mau. É o caso de “Santuário”. Mas quem quiser entretenimento sem ter de pensar muito (ou nada) com Fantasia Urbana, ficção científica duvidosa, uma aranha gigante, e uma história de vampiros mal desenvolvida, faça favor. Ah, também há um lobisomem, uma sereia e um Abominável Homem das Neves. Não falta aqui nada. Até tem coisas a mais.



