domingo, 26 de abril de 2026
Outlander: Blood of My Blood (2025 - ?)
"Outlander: Blood of My Blood" é uma prequela de "Outlander" e dirigido aos fãs do original. Vinte anos antes de Claire passar pelo Círculo de Pedras e encontrar-se na Escócia do século XVIII, o mesmo aconteceu aos pais dela. Henry e Julia Beauchamp conheceram-se por correspondência durante a Primeira Guerra Mundial, casaram e tiveram uma filha, e decidiram ir passear à Escócia numa viagem romântica a dois. Como se percebe em "Outlander", a capacidade de viajar no tempo através das Pedras parece ser hereditária. Por acidente, Henry e Julia deparam-se com as Pedras e são transportados para o século XVIII, exactamente para o local onde Claire vai chegar mais tarde.
Na última temporada de "Outlander" (isto é, a última que eu vi) questionei-me muito sobre como é que funcionava a viagem no tempo através das Pedras. No início achei que era aleatória ou sobrenatural, isto é, que levava as personagens até ao seu "destino", e também não quero que isto se torne científico (precisamente 200 anos antes) porque estraga o romantismo. Mas é o que acontece em "Outlander: Blood of My Blood", em que Henry e Julia são transportados para o tempo de juventude de muitas personagens mais velhas de "Outlander", como Murtagh e Jocasta. Infelizmente para mim, já não me lembrava das primeiras temporadas de "Outlander" e com certeza perdi muitos pormenores sumarentos destas personagens importantes na família e amigos de Jamie.
Henry e Julia chegam separados e ficam separados durante muito tempo. Estariam a poucos quilómetros de distância, mas isto, no século XVIII, podia significar que duas pessoas nunca mais se encontrassem. Henry chega a acreditar que Julia morreu. Julia está grávida e tem de se sujeitar a ser uma serva na casa do laird para proteger a vida do seu filho.
Entretanto, desenrola-se um novo romance. Ellen MacKenzie, filha solteira de um laird falecido recentemente, apaixona-se por Brian Fraser, filho bastardo de outro nobre. A paixão já seria proibida o bastante porque os irmãos de Ellen a querem casar por aliança com outro clã, mas é pior porque os clãs MacKenzie e Fraser são inimigos. Uma espécie de Romeu e Julieta com muito soft-porn.
Henry e Julia vão conseguir reencontrar-se? Ellen e Brian vão ser forçados a abdicar do amor que os une?
"Outlander: Blood of My Blood" é uma série romântica, como o original, e é só para quem gosta destas coisas. É claro que também há a reconstrução histórica, os sotaques, a música folk e as gaitas-de-foles, as paisagens, os castelos, os trajes de época, que enchem o olho e o ouvido, mas é acima de tudo uma história ultra-romântica, onde o realismo fica em segundo plano, e deve ser vista como tal.
Pessoalmente, achei que o enredo é um pouco apressado e que os acontecimentos são muito mais forçados do que no original, mas quem gosta de "Outlander" não vai sair daqui desiludido. Fiquei surpreendida porque comecei a ver a série julgando que seria uma única temporada (não estava a imaginar enredo para mais, tendo em conta o original) mas vai continuar. Que venham então mais mancebos de kilt e donzelas de espartilho sobre a camisa interior branca, kilt e camisa desapertados por dedos sôfregos durante encontros secretos em casebres de pedra rústica nas colinas verdejantes, e...
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez
PARA QUEM GOSTA DE: Outlander, séries de época, História, romance
domingo, 19 de abril de 2026
Ouija: Origin of Evil / Ouija: Origem do Mal (2016)
[contém alguns spoilers, não revela o final]
Tendo em consideração que achei o primeiro "Ouija" um filme chato, e bem chato, esta prequela deixou-me de boca aberta. Cá está uma das excepções que confirmam a regra.
Em 1967, uma falsa vidente, viúva e em dificuldades económicas, tenta ganhar a vida a fazer "sessões espíritas" com a ajuda das duas filhas menores. Lina, a filha adolescente, sugere que utilizem uma ouija board para compor o número, coisa que a mãe decide experimentar. Mas a filha mais nova, Doris, tem de facto dons mediúnicos. Com a utilização da ouija board, Doris entra em contacto com espíritos maléficos.
Para começar, só o ambiente de época já faz o filme valer a pena. O enredo centra-se no drama da viúva e das filhas órfãs, e eu fiquei tão interessada que estive sempre a torcer para que o filme resultasse. E resulta, em certa medida. E depois acontecem coisas que nos fazem torcer o nariz.
A certa altura isto parece que vai ser uma coisa tipo "O Exorcista". A miúda fica possuída, um padre quer fazer um exorcismo... Mas depois o filme dá uma reviravolta, como se nos provocasse: "pensavam, não pensavam?" Sim, pensávamos. Geralmente estes truques não funcionam muito bem sem ser pela mão de um mestre. Funciona aqui? Já lá vou.
Estava tudo a correr muito bem. Doris, a miúda, protagoniza algumas cenas que nos deixam realmente inquietos. Não digo que metam medo, mas perturbam. Acho que este filme também beneficia do anterior, uma seca tão grande que os espectadores da prequela não estão à espera de serem minimamente perturbados.
Mas depois a coisa complica-se. Afinal a mãe e as filhas estão a viver numa casa assombrada. Doris está a contactar o espírito de um polaco que sobreviveu aos campos de concentração onde havia um médico nazi que fazia experiências com os prisioneiros. Este polaco sobrevive e vai para a América, onde acaba num hospital psiquiátrico onde reconhece o mesmo médico nazi do campo de concentração que continua a fazer experiências nos pacientes. Coincidência do caraças e azar do caraças. Este tal médico nazi fazia as experiências na casa de Doris e os corpos estão enterrados na cave. São os fantasmas destas vítimas que estão a possuir Doris agora. Ok, aceito. Fantasmas injustiçados e vingativos e isso tudo.
Mas pensemos melhor. A família está a viver na casa estes anos todos, a fazer falsas sessões espíritas, e só agora é que os espíritos se manifestam à miúda, que realmente tem poderes psíquicos, por causa de uma ouija board? Não. Não bate certo.
Esta história também está mal contada. O tal médico nazi é mal aproveitado. Aparentemente, são as vítimas que se estão a manifestar, o médico deve ter morrido e foi enterrado noutro sítio. Desperdício de médico nazi. Ainda vi o filme duas vezes para perceber se me tinha escapado alguma coisa, mas não. Afinal, o médico até podia ter sido parente do pai das miúdas, mas também não.
Também não percebi o fantasma malvado. Este fantasma malvado tem olhos simpáticos. Eu até pensei, sinceramente, que se ia revelar um espírito bom que ia ajudar a família. Há aqui qualquer coisa que não bate certo porque qualquer pessoa de Hollywood (ou até eu) sabe fazer um monstro assustador, e este monstro parece um desenho animado para crianças. Deu-me a entender que metade do filme já estava feita para uma coisa e foi "remendada" para outra. Algo de estranho se passou com este filme, o que é de facto o maior mistério de todos.
Mas funciona? Aí é que está o mistério. Funciona. Até ao final, nem me passou pela cabeça que fosse uma prequela. Mas foi exactamente aqui, no final, quando tentaram estabelecer a ligação entre a prequela e o original, que o filme deixou de fazer sentido. Nem que quisesse explicar, não consigo. Vi duas vezes e não percebo o final. Até tentei fazer um esforço para me lembrar do original, mas mesmo assim não chego lá. Tendo em conta a qualidade surpreendente do todo, talvez isto tenha sido um truque mal conseguido.
Depois de ver o filme descobri que foi realizado por Mike Flanagan. Isso explica a qualidade inesperada desta continuação de um filme medíocre, mas não há aqui nada ao nível de um "The Haunting Of Hill House", nem nada que o valha. Mesmo assim, metade do mistério está explicada. O final desastroso é que não está.
Este ainda não foi o filme de terror com ouija boards que eu queria ver, e há muito que explorar com as ouija boards. "Ouija: Origin of Evil" remete o original para um canto obscuro, mas, conhecendo o realizador como conheço, eu diria que algo aqui correu muito mal e não tem a ver com espíritos do outro mundo.
13 em 20 (que podia ter sido muito mais se não fosse o final desastroso)
PS: O "fantasma malvado" é o actor Doug Jones, que eu só fiquei a conhecer como Barão Afanas em "What We Do In The Shadows", mas já foi o Fauno em "Pan's Labyrinth", a criatura aquática em "The Shape of Water", Count Orlok em "Nosferatu" e o Bye Bye Man em "The Bye Bye Man", entre outros, só que estava sempre irreconhecível.
domingo, 12 de abril de 2026
The Last of Us (2023 - ?) [segunda temporada]
Eu nem ia falar mais sobre "The Last of Us", mas gostei muito de um dos episódios.
Se a primeira temporada me decepcionou, da segunda ainda gostei menos. Continuo a achar a miúda embirrante, desmiolada e insuportável, pondo tudo e todos em risco sem pensar duas vezes. Joel faz muita falta. Na falta de Joel, a série enveredou por um romance adolescente em que uma das miúdas pergunta à outra "como é que avalias o meu beijo de 1 a 10?" Oh, pelo amor da santa.
Infectados continuam a ser escassos. Temos um confronto muito tenso com os cabeças-de-fungo logo nos primeiros episódios e fica por aí. Se calhar fomos mal habituados por "The Walking Dead" com zombies em todos os episódios, mas, por outro lado, isto também é uma série de zombies.
Só estou a escrever sobre a segunda temporada porque o sexto episódio, "The Price", é mesmo muito bom. É um episódio dramático e humano que podia estar numa série completamente diferente, mas é bom, mesmo sem Infectados.
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 1 vez
PARA QUEM GOSTA DE: The Walking Dead, zombies, Young Adult, mundos pós-apocalípticos
domingo, 5 de abril de 2026
There's Something In The Barn / Há Alguma Coisa No Celeiro (2023)
Atenção mamãs e papás, avós e avôs! Este pode ser um bom filme de Natal.
Uma família americana muda-se para a Noruega onde espera ter um Natal de sonho, mas os seus usos e costumes irritam os elfos residentes.
Gravei isto por engano, só pelo título e pela sinopse, pensando que era um filme de terror. Percebi logo que não era, mas já estava gravado... Por outro lado, o título não é inocente. "There's Something In The Barn" contém alguns elementos clássicos de filmes de terror adaptados aos filmes natalícios. Como? O que existe no celeiro são elfos (mas parecem-me mais gnomos) que, quando provocados, se transformam numa autêntica horda viking. A família não cumpre as regras e os gnomos estão zangados. Algumas cenas não são aconselháveis a crianças que ainda não percebem que é tudo a fingir. Num filme a sério, estas mortes seriam pavorosas. Claro que aqui é tudo muito suavizado. Depois de muita violência à americana, a moral da história é bonita: é preciso ter respeito mútuo pelas culturas diferentes da nossa. Não apreciei aquela treta de que a família é que é importante porque não gosto de ensinar mentiras às crianças, e é por isso que detesto filmes natalícios. Mas gostei dos gnomos zangados.
Aconselho este filme como introdução das criancinhas ao Terror.
12 em 20 (dentro do género)



