Este ódio é recente, muito recente.
Algures em meados de 2025 comecei a encontrar uma série de páginas do Facebook, e aqui no Blogger também, com posts muito bem escritos, muito bem estruturados, em bom português, sem erros ortográficos ou gramaticais, e até com conteúdo opinativo ou humorístico/satírico. Pensei para mim: olha para este talento todo, de onde é que isto saiu que andava escondido?
Acredito que 90% das pessoas, estimativa por baixo, não consiga distinguir um texto escrito por IA de um texto escrito por humanos, que a esmagadora maioria nem imagine que a IA consegue escrever textos, especialmente se forem opinativos ou cómicos, e que só uns 5% saiba o que é uma prompt.
A princípio eu também não sabia, nem me passava pela cabeça que as pessoas pedissem à IA para escrever a opinião delas e fazer um brilharete.
Mas eu ando nisto dos blogues há mesmo muito tempo e comecei a reparar em coisas anómalas. No início, mais do que a qualidade, espantava-me a quantidade. Como alguém que escreve regularmente, tenho a perfeita noção do tempo que as coisas demoram. Algumas destas páginas publicam um bom texto quase todos os dias, um texto que, no mínimo dos mínimos, demora umas duas ou três horas a escrever e corrigir. Pensei, na minha ingenuidade, "esta gente não tem vida". Até não pensei mal, porque nisto dos blogues há sempre alguém, em certas fases da sua vida, a passar por um período de grande criatividade ou, efectivamente, sem nada que fazer.
Mas já era muita gente sem vida.
E a cultura geral em cada texto? Isto era tudo gente que tinha engolido uma enciclopédia ou feito muita, muita, muita pesquisa para um post de 500 palavras sobre um tema que não precisava dessa pesquisa.
Mesmo assim, saltou-me logo à vista que estes textos de diferentes páginas eram tão parecidos, na estrutura e no desenvolvimento da ideia, que pareciam ter sido TODOS escritos pela mesma pessoa. Novamente, pensei que era moda e que andavam a imitar-se uns aos outros.
Mas reparei com mais atenção na estrutura dos textos.
Frases curtas. Muito curtas.
Uma frase por parágrafo.
Um espaço entre parágrafos, como na regra inglesa.
E o travessão, este — travessão de 2 metros que ninguém usa sem ser a IA.
Comecei a desconfiar e fui investigar. Quando se aprende a reconhecer o padrão já não nos escapa. A maioria destes escrevedores de prompts é tão iniciante na escrita (nunca escreveram nada na vida e não conseguiriam escrever aquele texto sozinhos nem que a vida deles dependesse disso) que nem sabe ir ao Word substituir o travessão. Destes, admito, até tenho alguma pena. Pessoas que têm de ir ao ChatGPT para lhes escrever um comentário (sim, existe). Não é genuíno, mas pelo menos esforçam-se. Nestes casos, sempre que têm de escrever alguma coisa sem a IA mostram logo o seu real nível de escrita: os erros ortográficos, o "no qual" como muleta, o desconhecimento completo da pontuação, a vírgula, que, aparece, onde, a, pessoa, respira.
Também não me choca que se use a IA para escrever textos informativos ou técnicos que podiam ter sido copiados da Wikipedia: O pinheiro-manso (Pinus pinea) é uma espécie de pinheiro originária da Europa, mais precisamente da região do Mediterrâneo. Ou: X é o terceiro álbum da banda Y, pela editora Z.
É preguiça? Pode ser preguiça ou pode ser falta de tempo ou de jeito. Se é informativo, o importante é a informação. Prefiro mais informação com IA do que menos informação porque a pessoa não conseguiu escrever uma coisa coerente.
O que me leva aos posts do LinkedIn, aquelas aberrações de textos motivacionais "escritos" por pessoas que estão a ganhar a sua vidinha e que não acreditam no que escrevem mas pagam-lhes para isso. Esse é um universo distópico completamente à parte, o universo em que uns fazem de conta que motivam e outros fazem de conta que são motivados. É tudo falso, já era artificial antes da IA, ninguém quer saber daquela fantochada. No lugar deles fazia o mesmo. Até acho que a melhor utilização da IA é no mercado de trabalho: assim já não temos de fingir sinceridade, a IA finge por nós.
O que me chateia mesmo, o que me tira do sério, são as pessoas que publicam textos de IA e fingem que foram elas que os escreveram. Não, não foram. O que elas escreveram foi a prompt. Depois foi fazer copy/paste. Logo aparecem os leitores, coitados, iludidos, a elogiar: "Você escreve tão bem!", "Invejo o seu talento", "Devia escrever um livro", "Que texto tão inspirado!".
Se me dissessem isto eu tinha vergonha na cara e explicava que não tinha sido eu a escrever: "Eu só fiz a prompt, o texto é IA". Se começasse a acontecer muitas vezes, como acontece, colocava o aviso no texto ou na descrição da página: "Texto gerado por IA".
Mas não só não têm vergonha na cara como agradecem aos iludidos, "obrigado, obrigada", e deixam-nos ficar na ilusão. Ultimamente apareceu um tipo de escrevedor de prompt ainda mais embusteiro. O tipo que até sabe escrever quando quer, mas dá trabalho. "Escrevo com a ajuda da IA às vezes" é o máximo que arrancam dele, e a grande maioria dos leitores não sabe o que é que "ajuda" quer dizer. Ajuda é só uma ajudinha, não é? Não, não é, é o texto todo.
Este espertalhão sabe substituir os travessões por parêntesis e vírgulas onde eles são necessários, sabe reorganizar o texto para não parecer IA, sabe fazer uma prompt em que finge ser uma professora real a queixar-se de um problema real, como eu já fiz aqui para servir de abre-olhos.
Até há quem escreva testemunhos, em páginas de perfis fictícios, fazendo-os passar por acontecimentos reais. Às vezes até são histórias com enredo, personagens e diálogo. E o leitor normal pensa: "Mas uma história não pode ser escrita com IA, pois não? Isso já seria literatura. Um texto tão emocional só pode ser escrito por um ser humano, a IA não consegue escrever tão bem." Consegue sim. Histórias, poesia, linguagem emocional, a IA escreve isso tudo. (Muitas vezes a pedir donativos, cuidado com esses choradinhos. Não passam de cravas digitais.)
Perguntei a um destes espertalhões, em comentários: "Isto é tudo escrito com IA?"
Resposta muito rápida: "Não, só uso corrector de texto e dicionário de sinónimos".
Mas de outra vez deixei-lhe uma boca sobre a IA que utilizou, e bloqueou-me. Era só o que faltava, aparecer ali gente inconveniente a desmascarar que é tudo IA, porque ele quer vender aquilo em livro. Obviamente, há que manter os leitores a pensar que a página é mesmo escrita por um humano, porque quem é que quer comprar a última obra do ChatGPT? É vender gato por lebre. E actualmente já há legislação que obriga o autor a divulgar se a obra é feita com IA, resta saber se pode ser aplicada.
Mas não pensem que a praga da IA são só os espertalhões, os oportunistas do donativo, os oradores motivacionais do LinkedIn e os coitados que não conseguem escrever sozinhos. A coisa já chegou à imprensa de referência e já li crónicas de nomes conhecidos que, sem dúvida nenhuma, saíram do Gemini, do ChatGPT ou do Claude, mas tudo muito bem disfarçado. Claro que não vou citar nomes porque não tenho provas e seria difamação, mas direi apenas que a estrutura é a mesma dos tais posts do Facebook, sem tirar nem pôr, e que não fui a única a reparar. O mais curioso é que nestes casos as pessoas sabem escrever e não precisam da IA para nada. Mas às vezes bate a preguiça, não é? Eu sei, e é preciso entregar trabalho. Mas não é lebre, é gato.
Se escreves posts com IA, e se não és uma pessoa desonesta que quer intrujar os leitores ou uma pessoa vaidosa que gosta de elogios que não merece, pelo menos põe um aviso no texto: "gerado por IA". Queres elogios? Deixa que as pessoas elogiem as tuas prompts. Algumas delas devem ter dado mais trabalho do que daria escrever o texto inteiro.
A IA escreve que se farta, mas não passa de uma sopa de palavras. No fim, aquilo tudo espremido não significa nada, é uma casca oca, não tem alma nem profundidade nem cunho humano. É assim que se identifica a IA: é plástico.
Sim, a imagem que ilustra este post foi gerada por IA, mas eu nunca me fiz passar por cartoonista. É só para as pessoas saberem que também sei fazer prompts e que não estou a dizer isto porque não sei usar a IA. Sei usar e uso, mas nunca para enganar as pessoas. Há uma grande diferença.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
GENTE QUE ODEIO: 5 - escrevedores de prompts de IA que se fazem passar por grandes escritores
terça-feira, 21 de julho de 2026
E mais outro post abre-olhos, 100% IA, para os mais distraídos ficarem a conhecer o padrão 👇
Porque em menos de meia hora (o tempo de fazer a prompt) gerei logo meia dúzia deste género e podia ter gerado mais. Depois é só postar e receber elogios pela grande criatividade. 😂
Há dias em que penso seriamente em desistir de escrever.
Não porque me faltem ideias.
Porque me sobram concorrentes... que nunca ficam sem elas.
Antigamente um escritor demorava anos a encontrar uma voz própria.
Hoje basta encontrar um bom prompt.
É uma evolução extraordinária.
Ou, se preferirem, um milagre.
✨ Todos os dias aparece mais um pensador.
📚 Todos os dias aparece mais um filósofo.
🧠 Todos os dias aparece mais um especialista em absolutamente tudo.
Na segunda-feira escreve sobre o Império Romano.
Na terça explica porque é que os polvos são um exemplo de inteligência emocional.
Na quarta estabelece uma ligação entre Mozart, os buracos negros e a fermentação natural do pão.
Na quinta conta uma história emocionante passada consigo próprio... que nunca aconteceu.
Na sexta publica uma fotografia da chávena de café.
Porque ninguém acredita num sábio sem café.
E tudo isto... sem um único erro ortográfico.
Nunca.
Nem uma vírgula perdida.
Nem um acordo verbal maroto.
Nem uma frase que denuncie que o cérebro resolveu tirar cinco minutos para respirar.
Eu escrevo.
Eles publicam.
Há uma diferença.
Quando escrevo, apago frases.
Troco palavras.
Mudo parágrafos de sítio.
Às vezes passo meia hora a decidir entre um ponto final e um ponto e vírgula.
Eles acordam às oito.
Às oito e três já descobriram que a felicidade funciona exactamente como a migração das borboletas-monarca, tal como demonstram estudos recentes, a filosofia estoica e uma curiosidade fascinante sobre os cavalos-marinhos.
Não é apenas criatividade, é um safari enciclopédico.
Os textos seguem sempre a mesma receita.
Começam com uma pergunta existencial.
"Já alguma vez paraste para pensar..."
Claro.
Quem nunca interrompeu o jantar para reflectir sobre a relação entre o ADN humano e o crescimento dos bambus?
Depois surgem três referências culturais.
Obrigatoriamente três.
Um filósofo grego.
Um cientista famoso.
Um imperador romano.
Se der para encaixar Leonardo da Vinci, Einstein e Marco Aurélio no mesmo parágrafo, melhor ainda.
Se não houver qualquer relação entre eles...
Melhor ainda.
Depois entra a analogia.
Porque uma ideia simples nunca pode ser apenas uma ideia simples.
Não.
A procrastinação é como uma torradeira que sonha ser submarino.
A empatia é semelhante a um farol vegetariano durante uma tempestade magnética.
A disciplina lembra uma girafa a jogar snooker na Estação Espacial Internacional.
Não faz sentido?
Precisamente.
É isso que lhe dá profundidade.
Segue-se o momento autobiográfico.
"Recordo-me de quando liderei uma equipa multicultural..."
"Durante uma viagem transformadora pelo Nepal..."
"Um velho jardineiro japonês disse-me uma frase que mudou a minha vida..."
Curiosamente, estas pessoas têm mais experiências marcantes do que o Indiana Jones.
Eu, pelo contrário, a última conversa memorável que tive foi com a funcionária do supermercado sobre a falta de troco.
Depois chega o golpe final.
💡 Não é apenas um texto.
É uma experiência.
❤️ Não é apenas uma reflexão.
É um convite à transformação.
🚀 Não é apenas um pensamento.
É um movimento.
E lá aparecem centenas de comentários.
"Que privilégio poder ler-te."
"Devias dar palestras."
"Cada palavra é uma lição."
Não.
Cada palavra é uma previsão estatística.
Há uma pequena diferença.
O que me incomoda não é a Inteligência Artificial.
É a inteligência artificial... do autor.
Usar IA não faz de ninguém um impostor.
Fingir que não a usou já é outra conversa.
É como ganhar um rali enquanto o carro conduz sozinho.
É como receber um prémio de fotografia por uma imagem comprada num banco de imagens.
É como subir ao palco para agradecer uma música... depois de ligar o rádio.
E ainda fazer um discurso sobre o enorme sacrifício criativo.
Assumam.
Digam simplesmente:
"Usei IA para escrever este texto."
Ninguém morre.
Aliás, talvez até ganhem respeito.
Porque a honestidade continua a ser uma tecnologia que ainda não ficou obsoleta.
Entretanto, eu continuo aqui.
A escrever devagar.
A trocar palavras.
A cortar adjectivos.
A discutir comigo próprio.
A deixar escapar uma gralha de vez em quando.
A fazer aquilo que os escritores sempre fizeram.
Escrever.
Sem polvos.
Sem buracos negros.
Sem Einstein.
Sem um monge tibetano que, por uma coincidência extraordinária, me ensinou o verdadeiro significado da liderança enquanto observávamos o voo sincronizado de estorninhos ao pôr do sol.
Embora... reconheço...
Dava um excelente post no Facebook. *
* E vai dar mesmo, ChatGPT, obrigadinha.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Verdadeiro ou falso: quem escreveu esta crónica, eu ou a Inteligência Artificial? (resposta no fim do texto)
Dizem que o inferno são os outros. Pois desenganem-se: o inferno tem nome, apelido e uma plataforma digital que teima em carregar apenas até aos 99%.
Estou aqui, sentada à frente desta luz azul, com as pálpebras a pesarem mais que o orçamento da educação, a tentar corrigir exames nacionais. Ou melhor, a tentar acceder aos exames. A cada clique, um erro 404, um "servidor em baixo" ou aquela roda colorida e hipnótica que gira, gira e gira, como se estivesse a ironizar a minha sanidade mental.
O nosso Ministro, o Senhor Fernando Alexandre, lá apareceu hoje com aquele ar sereno de quem nunca teve de lidar com um "sistema indisponível" numa véspera de prazo. Garante, com a convicção de quem lê guiões de ficção científica, que o processo está "praticamente concluído". É curioso como o conceito de "praticamente" se expandiu para englobar um caos administrativo que faria corar um amador de informática. Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira... os dias passam e a promessa de afixação das pautas na sexta-feira mantém-se inabalável, quase como um dogma de fé.
Será o senhor Ministro um vidente? Ou terá ele acesso a uma plataforma mágica, escondida algures na gaveta da Secretaria de Estado, onde os exames se corrigem sozinhos, por telepatia ministerial?
Do lado de cá da barricada, a realidade é menos idílica. Professores em colapso nervoso, pais a ligarem-me a horas que o bom senso proíbe — e com razão, porque o futuro dos miúdos parece ter sido entregue a um estagiário com um servidor de plástico — e alunos num estado de ansiedade que nem a medicina do século passado resolveria.
Este Governo da AD, que tanto prometeu a "mudança" e a "eficiência", parece ter encontrado a sua especialidade: a digitalização analógica. Conseguiu o feito notável de transformar o exame nacional — um momento de seriedade e rigor — num episódio de uma série de comédia de erros, onde o protagonista é um código de erro que ninguém sabe explicar. É a governação feita de "slides" bonitos e conferências de imprensa onde a palavra "estabilidade" é repetida até à exaustão, enquanto, na prática, o que temos é um sistema que colapsa à primeira brisa de carga computacional.
O Ministro garante a sexta-feira. Eu garanto que, se a pauta aparecer, será por milagre ou porque algum colega, num surto de heroísmo, se esqueceu de dormir, de comer e de ter vida própria para tapar os buracos deixados pela "modernização" deste ministério.
No fim, a culpa nunca é da estrutura. É do servidor. É da rede. É da nuvem. O que é curioso, porque quando os exames falham, os professores continuam a ser a face visível de uma incompetência que habita algures em gabinetes climatizados.
Vou tentar mais uma vez. Carregar na tecla 'F5'. Ou talvez a tecla 'Escape' seja a única que realmente funciona nesta nossa educação moderna. Se não houver pautas na sexta-feira, espero que o Senhor Ministro, pelo menos, nos envie um emoji de consolação. É esse o nível de seriedade a que chegámos.
Resposta: Sim, a IA também escreve textos satíricos baseados na
actualidade, com crítica política, da perspectiva de uma personagem
realista. Parabéns a quem acertou.
Escolhi este tema porque
queria fazer a experiência com um assunto "quente" na
comunicação social. O Gemini saiu-me um grande escritor.
terça-feira, 14 de julho de 2026
Mais um post abre-olhos, 100% IA, para reconheceres o padrão e não seres engrupido nas redes sociais
Querido Génio das Redes Sociais,
Parabéns. De coração. Com confettis e tudo.
Ontem li o teu post. Aquele sobre resiliência — ou foi sobre liderança? Ou sobre o universo? Ah, já me lembro: era sobre tudo ao mesmo tempo, como só os verdadeiros polímatas conseguem fazer.
E eu, humilde mortal, fiquei ali sentado com o meu café a arrefecer, a pensar: como é que este homem sabe tanto?
Deixa-me adivinhar como o teu processo criativo funciona.
Acordas. Inspiras fundo. Abres o ChatGPT (ou o Claude, ou o Gemini — escolhe o teu veneno). Escreves: "Escreve um post motivacional sobre superar obstáculos, com referências científicas, emojis, frases curtas e um tom inspirador."
E voilà.
Em 11 segundos tens Aristóteles, neurociência, e uma analogia sobre borboletas.
O resultado? Qualquer coisa assim:
🧠 O cérebro humano processa 11 milhões de bits por segundo — mas só tem consciência de 40.
📌 Pensa nisso.
🌊 Não és a tempestade. És o oceano.
💡 Não é apenas falhares. É aprenderes a cair com elegância — como os astronautas da NASA que treinam durante anos para flutuar no vácuo sem entrar em pânico.
E depois vem a parte pessoal, claro. Porque a IA sabe que tens de humanizar:
"Lembro-me de quando, há uns anos, estava numa encruzilhada profissional — tudo parecia incerto. Foi nesse momento que percebi três coisas fundamentais: a persistência, a clareza de propósito, e a coragem de recomeçar."
Que momento tocante. Que autenticidade. Que coincidência que seja exactamente o que a IA escreve quando lhe pedes para "adicionar uma experiência pessoal verosímil".
Mas o melhor — o verdadeiro chefe de obra — são os comentários.
"Que
texto poderoso, obrigada por partilhares!"
"Isto
chegou-me ao coração, precisava mesmo de ler isto hoje."
"Uau,
que profundidade. Segui-te já!"
E tu respondes — provavelmente também com IA — "Obrigado! É sempre gratificante quando as palavras tocam alguém 🙏✨"
Toca. Toca mesmo. Como um raio numa torre de alta tensão — muito barulho, muita luz, e no fim não ficou nada.
Entretanto, eu. O autor de carne e osso.
Passo três horas a escrever um texto. Apago. Reescrevo. Discuto comigo mesmo se "todavia" soa demasiado formal. Procuro a palavra certa como quem procura chaves dentro de um sofá — de joelhos, com a mão encravada, sem garantia de resultado.
No fim publico.
Doze likes. Dois dos quais são da minha mãe e de um primo que provavelmente carregou sem querer.
Tu, entretanto, és convidado para podcasts.
"Como é que desenvolves uma voz tão autêntica?" — pergunta o entrevistador, visivelmente emocionado.
"Ah, é muito trabalho, muita leitura, muita vivência..." — respondes tu, com a serenidade de quem acabou de fazer um prompt de 40 palavras.
Não me interpretes mal. Não tenho nada contra a inteligência artificial. É uma ferramenta extraordinária — como o telescópio de Galileu, como a prensa de Gutenberg, como o autocarro que me poupa de andar a pé.
O problema não é usares a ferramenta.
O problema é apresentares a ferramenta como se fosses tu o carpinteiro.
O problema é receberes o troféu pela corrida que o teu carro fez.
O problema é que — e aqui peço desculpa pela brutalidade — estás a mentir. Não de forma violenta, não de forma ilegal. Mas estás. Calada e confortavelmente, post após post, emoji após emoji, analogia estapafúrdia após analogia estapafúrdia.
E o teu público? Esse público fiel que te lê todas as semanas?
Merecia saber.
Não para te destruir — drama é para telenovelas. Mas porque há qualquer coisa de profundamente torto em construir uma relação de confiança com pessoas reais usando palavras que não são tuas, emoções que não sentiste, e experiências que nunca viveste.
É como servir um bolo de compra numa caixa feita à mão e receber elogios pela receita.
Sabe bem. Toda a gente aplaude. E tu sorris — porque o segredo é teu e da máquina.
Mas olha: faz o que quiseres. O mundo é grande, as redes sociais são maiores, e a hipocrisia sempre teve boa audiência.
Só não esperes que eu, que passo horas a tentar encontrar a palavra exacta, aplauda de pé.
Tenho os braços cansados de escrever.
P.S. — Este texto foi escrito por um humano. Com erros, hesitações, e café frio. Sem assistência artificial. Podes verificar — tem impressões digitais por todo o lado. *
P.P.S. — Se sentiste que isto era sobre ti: era.
* Não foi não, Claude. Foi escrito por ti.
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Post abre-olhos, 100% escrito por Inteligência Artificial
Confissão de um escritor em vias de extinção
Escrevo os meus textos.
Eu sei.
É um hábito antiquado. Como engomar camisas, revelar fotografias ou decorar números de telefone.
Ainda penso nas frases antes de as escrever.
Às vezes demoro uma hora para encontrar um parágrafo.
Às vezes apago metade do texto.
Às vezes publico com um erro.
Porque fui eu que o escrevi.
Entretanto, abro o Facebook e encontro mais um génio literário acabado de nascer durante a noite.
✨ "A vida é como um polvo a jogar xadrez numa bicicleta."
🎯 "Não é apenas resiliência, é alquimia emocional."
🧠 "Tal como Carl Sagan observava as estrelas, também nós devemos observar o silêncio entre os nossos pensamentos."
Segue-se uma referência aos estorninhos da Islândia.
Depois aos samurais.
Logo a seguir à física quântica.
Pelo meio aparece um polvo, um bambu, uma colmeia, a Via Láctea, os estoicos, Leonardo da Vinci e uma curiosidade fascinante sobre os axolotes mexicanos.
Tudo no mesmo texto.
Tudo perfeitamente encaixado.
Tudo absolutamente necessário para explicar... que devemos beber água e acreditar em nós próprios.
E os comentários não desiludem.
"Que mente brilhante."
"Como consegue escrever assim?"
"És um poço de cultura."
"Devias publicar um livro."
Claro que devia.
Basta perguntar ao ChatGPT.
O mais extraordinário nem é a qualidade dos textos.
É a velocidade com que estes autores se transformaram em enciclopédias ambulantes.
Na semana passada vendiam suplementos alimentares.
Hoje explicam neurociência, filosofia grega, astronomia, psicologia comportamental e o comportamento migratório das baleias-jubarte.
Tudo antes do pequeno-almoço.
E sem uma única gralha.
Nem uma vírgula fora do sítio.
Nem uma frase torta.
Nem aquele momento em que um humano escreve "há" quando queria escrever "à".
Nada.
São perfeitos.
Milagrosamente perfeitos.
Depois há aquela característica irresistível.
A necessidade de contar episódios pessoais.
"Quando eu dirigia uma equipa internacional..."
"Recordo-me perfeitamente de uma conversa que tive com um velho pescador..."
"Na minha experiência de vinte anos a acompanhar líderes..."
Que coincidência.
Toda a gente na internet parece ter vivido exactamente as experiências que uma IA costuma inventar quando precisa de ilustrar uma ideia.
Eu, infelizmente, tenho memórias muito menos inspiradoras.
Passei três horas à procura das chaves do carro.
Queimei o arroz.
Fiquei meia hora à olhar para uma frase sem saber onde pôr um ponto final.
É pouco cinematográfico.
Talvez por isso tenha poucos gostos.
Depois chega o grande final.
Sempre o grande final.
💡 Não é apenas escrever textos.
É transformar palavras em pontes para a alma.
Não é apenas comunicar.
É despertar consciências.
Não é apenas publicar.
É deixar um legado.
Claro.
Porque um post sobre produtividade sem qualquer ideia original é, evidentemente, o equivalente literário da Biblioteca de Alexandria.
Há também a regra dos três.
Sempre três.
Três exemplos.
Três lições.
Três pilares.
Três passos.
Se Moisés descesse hoje do monte, provavelmente trazia um PDF com "As 3 Estratégias para Maximizar o Potencial das Tábuas da Lei".
E depois existe aquele travessão enorme — o famoso travessão que agora aparece em todo o lado — como se fosse um selo invisível a dizer:
"Este texto foi polido por um algoritmo que nunca teve de lutar com uma frase difícil na vida."
O problema nem sequer é usar Inteligência Artificial.
Eu também uso corrector ortográfico.
Pesquiso fontes.
Consulto dicionários.
A tecnologia não é o inimigo.
O problema é vestir um papagaio de professor universitário e esperar aplausos pela eloquência.
É subir ao palco para receber uma medalha conquistada por outra entidade.
É assinar um quadro pintado por outro.
É ganhar um concurso de culinária depois de encomendar o jantar ao restaurante da esquina.
E, no fim, agradecer humildemente "ao talento, ao trabalho e à inspiração".
Não.
Agradece ao botão "Gerar novamente".
Talvez eu esteja apenas ultrapassado.
Talvez o futuro pertença mesmo aos grandes pensadores que descobrem diariamente o significado profundo da vida entre dois pedidos de geração automática.
Eu continuarei aqui.
A escrever.
A apagar.
A reescrever.
A duvidar.
A tropeçar nas palavras.
A cometer erros.
Porque, por muito competente que seja uma máquina, ainda há qualquer coisa de profundamente humano em olhar para uma página em branco e não saber como começar.
E, ironicamente, talvez seja precisamente essa imperfeição que torna um texto digno de ser lido.
Ou então não.
🤖 Concordo plenamente. *
Excelente reflexão. *
Continue assim. *
* Isto é o Chat GPT a dar-me graxa pelo texto que ele próprio escreveu.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Fim dos blogs no Sapo
É com tristeza que tomo conhecimento do fim do alojamento dos blogs no Sapo. Foi lá que comecei, em 2003, porque na altura era tudo muito novo (até a própria broadband na internet era uma coisa recente) e o Sapo fazia menos confusão do que o Blogger. Todavia, não fiquei muito tempo. Devido às frequentes sucessões de dias e dias em que a plataforma estava pura e simplesmente em baixo, e aos bugs recorrentes que ninguém se dava ao trabalho de resolver, mudei-me logo para o Blogger em 2004.
Deixo aqui os motivos invocados pelo Sapo, antes que também este texto seja apagado para todo o sempre:
Porque vai ser encerrado o SAPO Blogs?
Tal como o lema que adotámos, acreditamos que os blogs só fazem sentido "com gente dentro". Com cada vez menos pessoas a virarem-se para os blogs como forma de expressão, a blogosfera foi aos poucos cedendo terreno para as redes sociais, que se tornaram o principal ponto de encontro virtual de ideias e pessoas, com impacto em plataformas como a nossa.
Temos orgulho no lugar que o SAPO Blogs ocupa na história da blogosfera portuguesa e agradecemos a todos os que, em algum ponto destes 23 anos, utilizaram o nosso serviço e contribuíram para o seu desenvolvimento.
Mas o Sapo não vai apenas encerrar (ou "descontinuar", esse neologismo tão fofinho), vai apagar os blogs às pessoas.
Se é verdade que a esmagadora maioria dos bloggers iniciais se mudou para as redes, por outro lado aqueles que ficaram mereciam mais respeito. O que também suscita a questão: se cada vez menos gente escreve, custava-lhes assim tanto deixar os conteúdos online, ou pelo menos dar a opção de que os utilizadores pagassem o alojamento?
É curioso, mas não me surpreende. Algum tempo depois de parar de escrever no Sapo, recebi um email a avisar que o meu blog ia ser apagado por inactividade. Como não queria mesmo ficar lá, deixei que apagassem. Verifico que fiz bem em permitir que apagassem na altura, ou seria apagada AGORA, mas esta experiência demonstrou-me desde logo o pouco respeito do Sapo pelos conteúdos que eram lá publicados.
E também me parece que esta desculpa de que "as pessoas foram para as redes" é conversa da tanga. O conteúdo das redes é para consumo de 30 segundos no máximo, textos curtos, imagens e reels. O conteúdo dos blogs é para quem gosta de artigos e opiniões fundamentados, para ler com tempo. São duas coisas completamente diferentes e até podem ser complementares. (Pessoalmente, até fiquei agradecida quando os trolls que andavam sempre aqui nas caixas de comentários se mudaram todos para as redes.) Os conteúdos produzidos nos blogs, por bloggers dedicados que gostam mesmo do que fazem, diminuíram em quantidade mas aumentaram grandemente em qualidade. Mais uma razão para serem respeitados, se o Sapo soubesse dar valor a quem permaneceu por lá.
Não estou a dizer que o Blogger é perfeito. Nota-se que esta plataforma também não está propriamente a investir em desenvolver novas funcionalidades, e as poucas que introduziu muito recentemente não têm qualquer aplicação útil para mim, mas pelo menos existe e é gratuita. Por enquanto.
Desde a minha experiência com o Sapo, ou talvez ainda antes, comecei a manter um back up manual e regular do blog, não me fiando nos ficheiros de exportação automática. Até cheguei a experimentá-los com blogs de teste e não funcionaram.
Perder 20 anos de posts, e 20 anos é uma vida, custa e dói. Por vezes passa-me pela cabeça que o Blogger pode acabar de um momento para o outro, e só o pensamento magoa. Tenho o back up, sim, mas voltar a publicar 20 anos de blog noutra plataforma é inimaginável.
Deixo aqui a minha solidariedade para com todos os bloggers afectados e os meus votos de boa sorte e de que não desistam por causa disto.
Eu também por cá vou andando, enquanto Blogger quiser, amém.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2025
21 anos do blog Gotika
No início, em Dezembro de 2003, o blog foi alojado no Sapo. Devido a períodos prolongados em que os servidores estavam em baixo e a falta de muitas funcionalidades úteis, mudei-me para o Blogger menos de um ano depois, em Setembro de 2004. Entretanto, o Sapo fez-me o favor de apagar o blog original por inactividade, (Obrigadinha Sapo, aqueles 2MB de ficheiros deviam estar a pesar muito, certo?) Ainda cheguei a publicar aqui muitos dos posts relevantes, mas não todos.
Este blog foi sempre a minha forma preferida de expressão. A princípio publicava posts muito pessoais, até achar que já tinha dito tudo o que queria dizer sobre mim e sobre a sociedade em que vivemos. Durante uns meses quase deixei este espaço às moscas, cheguei a ponderar deixar-me disto, mas resolvi ressuscitá-lo através de críticas de cinema, de televisão e literatura (e música, em muito menor quantidade), em que ainda vou mandando umas bocas à actualidade quando vem a jeito.
Nunca pensei neste blog como maneira de agradar aos leitores. Nesse aspecto, este espaço é muito egoísta. Fico feliz quando me lêem, não me ralo nada que não leiam. Preferia que gostassem do que aqui se escreve, mas ultrapassa-me. Também gostaria de ter mais comentários (actualmente estão abertos a todos) mas fica ao critério dos leitores.
A verdade é que o blog me tem dado muito gozo (e 800.000 visitantes!!!) ao longo de 21 anos. Tenciono ficar por aqui enquanto Blogger quiser. Amém.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Limpeza
É sempre com tristeza que descubro que algumas pessoas desistiram, ou que fecharam o espaço ao público (nova secção Sociedades Secretas) e não me mandaram um convite!
Não gosto muito de fazer esta ronda bloguística. Custou-me eliminar links para blogs que em em tempos acompanhei assiduamente e que foram apagados e de que não resta sequer um vestígio, assim como aconteceu ao meu blog no Sapo.
Esta seria a altura de fazer o que outros fazem e dar um novo visual a este blog. Mas não quero. Gosto como está. Estranho como está. Com os links incoerentes que tem e os que devia ter e não tem porque não os conheço.
Devo dizer, por um lado foi uma maravilha que o Facebook tenha aparecido porque veio separar as águas. O Facebook, toda a gente sabe, é muito melhor para o engate e a cusquice, que era exactamente o que muita gente andava a fazer nos blogs. E na vida. É bom que fiquem e que apareçam só os que querem dizer e não mostrar. Há males que vêm por bem.
Por aqui, vamos estando. Republicando os artigos do blog apagado mais devagarinho conforme impõem as limitações do Blogger. Mas eu sou mais teimosa do que o Blogger.
Sei que não tenho aparecido muito por aqui e não desejo fazer promessas de maior actividade que não consiga cumprir mas posso assegurar que não tenho a mínima intenção de me ir embora.
Se Blogger quiser.
Ámen.
sábado, 22 de maio de 2010
Purga
De todos, os que me doeram mais mandar para lá, para o túmulo, foram os do meu "afilhado blogosférico" Goldmundo, mas ele continua a escrever por aí, logo não está tudo perdido. (Mesmo assim, a madrinha tem vontade de lhe aplicar duas nalgadas! E ele sabe...)
Tive pena de já não ter acesso ao Caccaocino, mas as coisas são como são.
Lamento também a paragem da Grande Loja do Queijo Limiano.
A minha lista de blogs colecciona efectivamente os que leio (ou por onde vou passando quando me dá na real gana, o que pode ser algo diferente). A grande verdade é que considero que a blogosfera começou com um grande "boom", e depois se desfez. Simplesmente desfez-se. Não tenho paciência para pôr os olhos em mais nenhum blog "foto+poema". Aliás, apareçam-me com mais um poema à frente e sou capaz de gritar. (Fiquei pior depois de ler "Só", de António Nobre, supostamente o livro mais triste de Portugal, que de facto é "triste" noutra acepção da palavra e sobre o qual nem me dei ao trabalho de escrever).
Se há pessoas que insistem em ter blogs pessoais, que os tornem realmente pessoais, que não se escondam atrás das palavras de outros. Isso não são blogs pessoais, são blogs de engate, e bastante maus, por sinal. (Já os houve bem bons, pois houve).
A verdade, a verdade, é que tenho andado um pouco arredia da blogosfera. Nos últimos tempos, antes de eu própria "quase desaparecer", só lia os blogs políticos (e esses continuam a existir). Neste tema, saliento o genial blog de escárnio e mal dizer que é, na minha opinião, o melhor da blogosfera portuguesa dentro do género: The Braganza Mothers. Se houvesse um Óscar provavelmente não lho/s dariam, mas era para ele/s que deveria ir.
Acontece que a certa altura fiquei doente, se calhar até fisicamente doente, de ler o passa neste país. Algures pela segunda eleição do Sócrates. E perdi o interesse.
E de que outra forma poderia ser, se tenho 38 anos e a minha vida já não vai a lado nenhum?
Para mim, acabou. É o fim da linha. A partir de agora nada muda, nada se transforma, tudo se perde. As merdas que se passam lá fora já não conseguem despertar em mim sequer um vestígio de emoção. (Bem, às vezes ainda os mando para o caralho, quando os vejo na televisão, mas nem vale a pena vir mandá-los para o caralho aqui. É demasiada perda de tempo. E para dizer novamente a verdade, os conselhos que teria a dar às gerações mais novas são tão sanguinários que ainda me metiam na prisão, e eu gosto do meu cantinho de escravidão aqui mesmo onde estou, obrigada.)
Passaram-se anos, anos!, desde Dezembro de 2003, e hoje em dia só me importam aqui as pessoas que são autênticas, as pessoas que se mostram, as pessoas que não têm medo de se revelar. Tudo o resto é merda igual à merda semelhante. Dou os meus parabéns àqueles (poucos) que continuam a ter coragem de ser autênticos, quer na política, quer no sarcasmo, quer no humor, quer na emoção, quer na escrita, quer na arte, aqueles que são "pessoas" aqui como são "pessoas" lá fora, aqueles que persistem apesar do passar dos anos, aqueles que fazem o que gostam e não se ralam do que pensam deles por isso.
A verdade, a verdade, é que por muitos meses deixei este blog quase abandonado devido a projectos pessoais menos transmissíveis. Se o tempo chegar, talvez esses projectos solitários venham a conhecer a audiência adequada.
Não penseis, por momentos, que estive sem fazer nada! Já devíeis saber, meus caros, que não é assim que funciono.
Resumindo e concluindo, fiquei com muito poucos blogs para ler. Queria conhecer mais. Os das pessoas autênticas, os das pessoas que escrevem com a alma. Eis uma excelente oportunidade de deixarem o link para blogs que escrevem ou que conhecem. A porta está aberta e o momento é agora.





