domingo, 2 de agosto de 2026

The Murder Network / O Médico Assassino Na Paris Nazi (2022)


Fiquei muito surpreendida ao ver este documentário por não ter lembrança de ouvir falar de Marcel Petiot, médico francês, serial killer e psicopata em geral que cometeu dezenas de homicídios, inclusive durante a ocupação nazi. É uma história tão macabra e inacreditável que até me espanta ainda não terem feito um filme de Hollywood a sério sobre ele (embora algumas personagens tenham sido inspiradas neste assassino).
Marcel Petiot é o típico sociopata sádico, narcisista e manipulador, mas ao mesmo tempo carismático e capaz de enganar quem não o conhece bem, a ponto de ter sido eleito presidente da câmara da cidade onde morava e onde já tinha começado a matar.
A ocupação nazi deu-lhe a oportunidade de se fazer passar por membro da Resistência que supostamente ajudaria judeus e outros refugiados a escaparem, só para os assassinar friamente no seu apartamento de Paris. Petiot não fazia isto só para se divertir, uma vez que aproveitava para roubar valores que os fugitivos levavam com eles. Aliás, Petiot também desviou dinheiro da câmara onde foi presidente, revelando uma completa ausência de consciência moral. Roubar, envenenar, e ainda fingir que matava as pessoas ao serviço da Resistência, todo esse discurso mirabolante fazia sentido na sua cabeça e quase que o absolveria em tribunal se as provas contra ele não fossem tão esmagadoras e incontestáveis (matou, inclusive, crianças).
Serial killers há muitos, mas o que mais nos choca em Petiot foi como ele foi capaz de aproveitar a situação em proveito próprio e cometer muitos mais homicídios do que seria provável em tempos normais. Os pobres desgraçados que confiavam nele para fugir aos nazis acabavam desmembrados e enfiados na fornalha do prédio. Entre os nazis e um serial killer, é caso para dizer que para estes tinha mesmo chegado a sua hora. 
Os acontecimentos tornam-se ainda mais caricatos. Uma vez que Marcel Petiot fingia pertencer à Resistência, foi preso pela Gestapo e torturado, mas não revelou nada, nem sobre a (falsa) "rede de fuga" nem sobre os crimes. Por sua vez, a polícia francesa não o apanhou mais cedo precisamente por julgar que algumas actividades suspeitas de Petiot se deviam ao seu (falso) envolvimento na Resistência. Verdadeiramente, um homem capaz de usar as circunstâncias para manipular e ludibriar toda a gente.
Vale muito a pena ver "The Murder Network" para compreender os meandros e os pormenores, mas advirto que o documentário contém cenas muito pesadas.