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domingo, 9 de agosto de 2026

Meg 2: The Trench / Meg 2: O Regresso do Tubarão Gigante (2023)

Este filme é tão mau que corre o risco de se tornar um clássico. E como é um filme de tubarões completamente sem sangue também serve para se ver com a criançada em tardes em família ou em convívio de amigos para a galhofa. E acabaram as qualidades do filme.
Vi o primeiro "The Meg" e, apesar da premissa mirabolante, até não desgostei. Megalodontes julgados extintos afinal ainda existem, vivem nas profundezas desconhecidas do oceano, e quando são incomodados saem de lá para comer pessoas. Esta sequela, contudo, coloca a franchise ao nível de Sharknado, e até acho que é de propósito. Se a ficção científica por trás de "The Meg" já é rebuscada, aqui a ciência é completamente atirada às urtigas.
O filme é demasiado longo e pode ser dividido em três partes. Na primeira, encontramos alguns sobreviventes do primeiro filme e conhecemos personagens novas. Uma empresa de pesquisa oceânica capturou uma megalodonte fêmea quando era cria e um dos cientistas acredita que conseguiu amestrá-la. Mas, quando a fêmea entra no cio, destrói a jaula onde a tinham presa e parte em busca de machos. Esta empresa tão cheia de tecnologias de ponta nem se apercebe da fuga.
Segunda parte, os cientistas mergulham em dois submarinos numa investigação às profundezas quando são surpreendidos pela fêmea e pelos machos. A única razão porque não são logo atacados é porque os megalodontes estão demasiado ocupados a acasalar.
Mas aqui vamos esquecer os tubarões durante meia hora. Os submarinos foram sabotados por uma companhia maléfica que opera secretamente no fundo do mar, a 7,5 km de profundidade, para extrair metais raros. Esta empresa maléfica ataca os protagonistas porque... eles são donos do mar? Porque a actividade é ilegal? E como é que a empresa maléfica montou uma base submarina em território de megalodontes sem que estes dessem por isso? Esqueçam lá isso, este filme não é para pensar. Mesmo assim tentei prestar toda a atenção possível e só percebi que este subplot dos vilões malvados não faz sentido, apenas torna o filme longo e chato, e não se perdia nada se tivesse sido cortado. Ainda por cima há a cena interminável em que os personagens têm de caminhar 3 km no leito do mar, só com fatos de mergulho. Ora isto é outro filme, amiguinhos, e igualmente mau, mas apesar de tudo "Underwater" conseguiu transmitir a sensação de perigo e claustrofobia das profundezas. Em "Meg 2: The Trench" nota-se claramente que a cena nem sequer foi filmada debaixo de água (nem sequer numa piscina), muito menos a 7,5 km de profundidade. E depois acontece isto: a certa altura o protagonista tem de nadar sem o fato, mas não faz mal, porque "se ele expulsar o ar do nariz" ainda consegue sobreviver 30 ou 60 segundos. Isto aconteceu. Apenas um minuto depois de uma personagem secundária ter implodido dentro do fato. Ou seja, é esta a ciência da coisa: só os protagonistas conseguem sobreviver sem fato especial a 7,5 km de profundidade. Isto só não é grave porque é muito improvável que qualquer pessoa normal que esteja a ver este filme alguma vez se encontre em situação similar, mas é chato estar a passar estas falsidades científicas aos putos.
Terceira parte. Meia hora depois, finalmente, os personagens principais emergem das profundezas e começa aquilo que nos trouxe aqui: os tubarões. Mas por terem perturbado o habitat, aparentemente, com eles emergem também um polvo gigante e meia dúzia de dinossauros tipo crocodilo/raptor.
Pausa para falar nos dinossauros. Estes bichos são muito parecidos com outros que aparecem em "65", não sei se são da família. O absurdo é que estes dinossauros das profundezas, que nunca de lá saíram durante milhões de anos, são anfíbios, respiram oxigénio, têm patinhas e dentuças e correm que se farta em terra firme. A princípio até questionei a minha sanidade e voltei atrás para tentar perceber se estes bichos tinham mesmo vindo do fundo da fossa submarina. Vieram, e isto não é para pensar.
A última meia hora é que é efectivamente o que a gente queria ver: megalodontes a engolir banhistas na praia como uma baleia engole plâncton, dinossauros a comer os vilões, polvo gigante a fazer coisas de polvo gigante. Uma carnificina, mas sem uma gota de sangue porque isto é para miúdos. Também temos o protagonista a surfar uma onda numa mota de jetski para enfrentar um megalodonte olhos nos olhos com uma lança explosiva improvisada. É isto, é Sharknado, ninguém diga que foi ao engano.
Sobre os efeitos especiais, há partes que convencem e partes ao nível daqueles reels de IA muito chunga e baratucha de 5 euros por mês (e se calhar até são). Dá quase a entender que o orçamento não chegou para tudo. Pessoalmente, lamento a falta de qualidade do polvo e do megalodonte num momento crucial que até podia ter tido mais impacto se o resultado tivesse sido mais realista.
O final, e desculpem lá o spoiler, são os protagonistas na praia, a brindar e a rir, como se não tivessem acabado de ver centenas de pessoas morrer selvaticamente à frente deles, nomeadamente colegas e amigos. Sei que isto é "para crianças" mas não fazia mal um bocadinho mais de sensibilidade. As criancinhas também apreciam.
Entretanto, a fêmea amestrada (?) fica à solta, possivelmente grávida, o que cheira a outra sequela.
Não consegui ver o filme duas vezes, fui logo ler as críticas, e descobri que os filmes são baseados numa série de livros de Steve Alten. Das opiniões que li, os livros são melhores do que os filmes, portanto fica a nota.
Quero só destacar a cena de abertura, que parece outro reel para o Tik Tok: uma animação com dinossauros, um tiranossauro e um megalodonte. Tiranossauros e megalodontes não foram contemporâneos mas isso não interessa nada aqui, o objectivo é dar-nos uma ideia das dimensões do bicho e nisso foi muito eficaz.

11 em 20


domingo, 26 de julho de 2026

The Sheltering Sky / Um Chá No Deserto (1990)


Um casal americano vai viajar algures no norte de África em lazer, mas a aventura torna-se pesadelo.
"The Sheltering Sky" é um filme complexo com variadíssimas camadas de leitura, por isso vou apenas analisar aquilo que subjectivamente me saltou mais à vista.
Primeiro que tudo, acho que Bernardo Bertolucci não poderia ter realizado este filme nos dias que correm sem lhe chamarem tudo de racista para baixo, mesmo sem razão, mas a nova censura, tal como a velha censura, não tem capacidade crítica para interpretar para além do óbvio. É preocupante que um artista tenha de se questionar se o que está a criar é, antes de mais, politicamente correcto. Gosto muito da expressão "toda a gente tem o dever de chocar e o direito de ser chocado", que emana de filosofias e movimentos artísticos provocadores, e não podia concordar mais no que toca ao papel da arte.
Segundo, da maneira que escrevi a sinopse até parece um filme de terror, e fi-lo de propósito. "The Sheltering Sky" é antes aquilo a que gostamos de chamar um "filme intelectual" com diversas interpretações, mas uma delas, o tal "pesadelo" em que os protagonistas embarcam voluntariamente, podia ser muito bem a estrutura de um filme de terror, ou, pelo menos, de um terror da vida real. 
O filme é baseado no romance homónimo de Paul Bowles. É este "narrador" que nos diz logo de início que Kit e Port, o casal, nunca precisaram de ter noção do tempo porque sempre tiveram tempo para tudo. Aproveito esta deixa para salientar o que mais me impressionou neste casal de americanos ricos, boémios, artistas, privilegiados, e até um pouco hippies antes dos hippies. O que mais me impressionou nem sequer foi a ausência de um pensamento ou comentário perante a pobreza extrema dos nativos que os rodeiam, como se estes nem fossem pessoas mas parte da paisagem pitoresca, porque eram outros tempos, tempos de euforia logo após a Segunda Guerra Mundial, muito antes da era das revoluções sociais. Nem sequer foi a arrogância de classe que leva Kit e Port a pensarem que o dinheiro na mão resolve tudo e compra tudo, até chegarem a uma civilização onde o dinheiro não tem valor. Isso também era típico de um tempo em que um casal privilegiado ainda vivia segundo o legado de uma aristocracia do século anterior e numa mentalidade de colonialismo em que o rico e educado era considerado "superior" e o nativo inculto "inferior". 
O que realmente me impressionou em Kit e Port foi aquilo a que vou chamar a arrogância existencial de quem se julga imortal, rico para sempre, jovem para sempre, belo para sempre. O próprio Port diz isso a um amigo que os acompanha, que eles não são turistas mas viajantes e que os viajantes podem nunca regressar a casa. O seu único plano é não fazer planos, e este plano de não fazer planos não é temporário mas para sempre, como se algum mortal pudesse arrogar-se ao "para sempre".
Para começar, nunca é abordado porque é que o casal escolheu o norte de África para viajar. Porque sim podia ser uma resposta tão boa como qualquer outra. O casamento de Kit e Port está nitidamente periclitante, ambos são infiéis, mas nunca conseguem conversar sobre o assunto por muito que tentem. É como se nada se passasse de errado nesta felicidade matrimonial fingida, ambos a enterrar a cabeça na areia e a caminhar para a frente, cegamente e sem rumo, para não terem de parar e encarar a realidade. O deserto, cada vez mais perto e imponente, é uma boa metáfora para esta relação e atitude perante a vida: árido, estéril, enganador no seu encanto, perigoso na sua promessa de vastidão e liberdade. É para esta vastidão desértica que Kit e Port se encaminham, à deriva e sem destino, apenas para não estarem quietos. 
Quanto mais eles se embrenhavam no interior de África e do Saara, cada vez mais longe da civilização, mais dava por mim a pensar em "Wolf Creek", e daí a relação que estabeleci com um filme de terror, se bem que até os personagens de "Wolf Creek", com muito menos ingenuidade e mais experiência, tivessem os olhos mais abertos para o que os rodeava. Kit e Port, privilegiados de uma geração muito anterior, não têm os olhos abertos porque os querem manter fechados. Não são turistas, julgam-se aventureiros destemidos que, afinal, andam a fugir de si próprios.
Referi "longe da civilização" mas está incorrecto. Kit e Port embrenham-se no deserto e afastam-se da civilização ocidental ao encontro de uma civilização local e primitiva onde se espalha a malária, onde não há médicos nem medicamentos nem água potável. Kit e Port avançam voluntariamente para o pesadelo que destrua por eles o que não conseguem destruir sozinhos. Talvez, inconscientemente, fosse esse o rumo desde o início.

15 em 20

 

domingo, 12 de julho de 2026

65 (2023)


"Alien" encontra "Jurassic Park" e temos ficção científica de terror com dinossauros.
Quando a sua nave é atingida por meteoritos, o astronauta Mills despenha-se num planeta desconhecido que é a nossa Terra há 65 milhões de anos. O início assemelha-se ao ambiente espacial de "Alien" mas os dinossauros remetem-nos imediatamente para "Jurassic Park". O fio condutor é o horror sci-fi, em que os dinossauros são efectivamente tão ameaçadores e alienígenas como o xenomorfo de Nostromo.
Além de Mills, a única sobrevivente é Koa, uma miúda com cerca de 10 anos que o recorda da própria filha. Ambos têm de percorrer uma distância de vários quilómetros até à única nave salva-vidas que ainda está funcional depois do impacto, mas o percurso está repleto de dinossauros.
Tenho algumas dúvidas sobre a que faixa etária se destina este filme. Alguns dos dinossauros são tão fofinhos que parecem bonecos de desenho animado para crianças, e a própria interacção paternal de Mills com Koa e os momentos de humor entre ambos nos poderiam sugerir isso, até porque estes dinossauros fofinhos estão lá de propósito, não são problema de CGI. Por outro lado, os restantes dinossauros são efectivamente aterradores. Os dinossauros vão surgindo com um nível crescente de ameaça, culminando nuns tiranossauros gigantescos (se não são T-Rex são da família, e muito mais feios e mal-encarados do que os de "Jurassic Park"). Um deles, devido à perspectiva, até parece do tamanho de Godzilla. E depois juntam-se vários a cercar os personagens. Algumas das cenas são uma homenagem descarada a "Jurassic Park", e igualmente de roer as unhas, com o factor adicional de que Mills e Koa não estão em território familiar nem conhecem o comportamento dos répteis que os perseguem. O risco de serem engolidos inteiros por uma destas bocarras é muito real e palpável.
A maior ameaça chega no fim, contudo, quando percebemos que os personagens estão na Terra no preciso momento em que esta vai ser atingida pelo asteróide que supostamente extinguiu os dinossauros. Dizem que os raios não caem no mesmo sítio duas vezes, mas, aqui, os meteoritos não ligam à regra.
"65" não é um filme grandioso e inesquecível, mas é uma história  de acção e sobrevivência com muitos momentos de meter medo. A mim, pelo menos, meteu medo, porque eu tenho muito medo de dinossauros. Infelizmente, também tive pena dos bichinhos. É duro.

13 em 20

domingo, 28 de junho de 2026

Believer / A Crente (2024)


[contém alguns spoilers]

Este filme é uma desilusão. O começo até é bom, mas a certa altura a história esquece-se da lógica.
Em pleno julgamento, no dia em que a sentença vai ser lida, o líder de um culto responsável por múltiplos homicídios ataca uma jovem que está a escrever um livro sobre ele. Esta jovem, Kate, vai recuperar do trauma para casa da família da irmã mais velha, casada e com uma filha adolescente. Mas um detective acredita ter razões para suspeitar que Kate é na verdade uma seguidora do culto e que a família pode estar em perigo, uma vez que o líder, tal como Charles Manson, persuadia os seguidores a cometer os crimes por ele.
A primeira parte do filme é algo arrepiante. Efectivamente, começam a acontecer coisas estranhas e sangrentas em casa da irmã de Kate. Ao mesmo tempo, vemos segmentos da narrativa pela perspectiva da irmã e somos levados a crer que o detective pode ter razão. Kate não está no seu juízo perfeito... ou será ela a vítima da irmã, ou do cunhado, ou até da sobrinha adolescente, que também demonstra algum fascínio pelo livro e pelo culto?
Chegamos ao fim e não percebemos o que aconteceu. Daquilo que nos é mostrado, nenhuma das personagens podia ter cometido todos os ataques que vemos acontecer, mas também há sempre aquela possibilidade de o criminoso simular ser uma vítima para não ser alvo de suspeita. Logo, todos podem ser o atacante, mas nunca descobrimos nem o filme se interessa em explicar porque é que não interessa se descobrimos ou não.
Mas se recordarmos, em retrospectiva, a cena do tribunal, logo no início, também não faz muito sentido. O líder do culto é cego, está desarmado e rodeado de polícia quando ataca a rapariga, e aquela polícia toda não conseguiu dominá-lo e teve de abatê-lo? Muito improvável.
O filme continua a jogar com a ambiguidade. Por um lado, o homem é apresentado como um líder carismático que controla a mente dos seguidores com uma doutrina apocalíptica, mas por outro há fenómenos que não podem ser explicados sem intervenção sobrenatural. Em que é que ficamos? É um líder de culto normal, ou há aqui uma presença maligna que possui os seguidores e, possivelmente, até possui o líder? Uma vez que todos os personagens são os chamados "narradores não-confiáveis", não se consegue determinar até que ponto é que os "fenómenos sobrenaturais" nunca chegaram a existir. E o que é que significou aquele sorrisinho sinistro na cara da família toda no final? Eram todos seguidores que a certa altura se apunhalaram uns aos outros para parecerem vítimas? Ou será que estão todos possuídos no fim?
(E, já agora, mais outra. Se o detective estava mesmo tão convencido de que Kate podia matar a família, como de facto estava, porque é que não apareceu mais cedo? A polícia não fica muito bem vista neste filme.)
"Believer" podia ser (e se calhar queria ser) daqueles filmes que usam a ambiguidade para nos perturbar mais, mas a ambiguidade só resulta quando assenta numa lógica qualquer que a permita, o que não acontece aqui. Em suma, não percebemos o que se passa, não percebemos o que o filme nos queria dar a entender, apenas ficamos frustrados por termos perdido tempo a tentar acompanhar. Ainda por cima a acção é muito lenta, o que cria mais tensão quando ainda estamos a esforçar-nos por apanhar o fio à meada, mas o final ilógico não me deixou vontade nenhuma de ver outra vez.
Pergunto-me se isto não foi propositado para abrir a porta a uma sequela para "explicar".

10 em 20

domingo, 14 de junho de 2026

The Darkest Hour / A Hora Mais Negra (2011)

Dois amigos e sócios vão a Moscovo vender uma app de sua autoria e roubam-lhes a ideia. Isto é muito mau, mas o pior é quando alienígenas invadem a Terra e exterminam 99% da população mundial logo nas primeiras horas.
Antes de irmos à análise, é preciso não confundir este título em português "A Hora Mais Negra" com o outro "00:30 A Hora Negra" ("Zero Dark Thirty", que é sobre a captura de Osama Bin Laden e não tem nada a ver com isto).
Voltando a "The Darkest Hour". Achei este filme principalmente desequilibrado. A primeira parte é realmente aterradora. Os alienígenas são seres de energia que caçam os humanos procurando os seus campos electromagnéticos e emitindo um raio que os desintegra em instantes, mas os personagens não sabem disto e são chacinados a torto e a direito. Os dois amigos da app, outras duas turistas americanas e o gajo que lhes roubou a app conseguem esconder-se durante três dias na despensa de um bar. Quando saem, a cidade está destruída e deserta e toda a gente foi transformada em cinzas. Há uma cena num parque de estacionamento que me lembrou os melhores momentos do início do apocalipse zombie de "The Walking Dead". Há pânico e motivo para pânico. Qualquer pessoa pode ser obliterada a qualquer momento.
Já na segunda parte, tudo se torna muito fácil à Hollywood. Os personagens descobrem num instantinho como se proteger e até como contra-atacar, aparecem milícias que aparentemente se organizaram em três dias (antes de poderem ter informações suficientes para saberem o que fazer) e um cientista que inventou uma arma em casa sem conhecer nada dos alienígenas. É quase um final "e (os sobreviventes) viveram felizes para sempre". Isto é pena, porque o filme estava a ir muito bem no que ao terror diz respeito e de repente se tornou mais num filme de acção. Nesta fase até as mortes perderam o impacto que deviam ter.
Em suma, a premissa é muito boa e teria sido um filme bastante perturbador se tivessem querido ir por aí, mas a certa altura decidiram que o filme estava a ficar muito pesado e que precisava de ser mais levezinho. Isto não vai ser surpresa para ninguém, eu preferia que tivessem seguido a primeira opção.

13 em 20 (porque a primeira parte merece)

 
Ah, e o filme também tem isto, um gato vestido numa jaula Faraday para os alienígenas não o atingirem. Convenhamos, não se vê todos os dias.


domingo, 31 de maio de 2026

Automata (2014)

Tempestades solares transformam a Terra num deserto radioactivo. Devido à diminuição da população, a civilização depende de robôs para executar todas as tarefas. Um dia, os robôs ganham consciência de si. Mas terão desenvolvido também empatia, ou serão um perigo para os seres humanos? Para evitar este perigo, os robôs têm instalados dois protocolos: nunca fazer mal a um ser humano e nunca se alterarem a si próprios. Quando eles começam a fazer upgrades a si próprios, terão igualmente ultrapassado o primeiro protocolo?
Ou seja, estamos perante um filme "Terminator", ou outra coisa? Não vou responder porque seria estragar o filme todo. Isso é o que tem de descobrir o investigador Jacq Vaucan (Antonio Banderas), agente da corporação responsável pelo modelo de robôs que são apanhados em flagrante a proceder a reparações em si próprios e a modificarem peças. O perigo da Inteligência Artificial está aqui muito presente, e não de forma abstracta. Estes robôs, conscientes de si como "espécie", têm de facto a capacidade de dizimar a raça humana se entenderem que esta é uma ameaça para eles. E nós sabemos que somos uma ameaça para eles, ainda antes de eles o terem percebido. Será que os robôs têm o mesmo instinto de sobrevivência preemptivo que levou os seres humanos a controlar a Natureza, ou serão capazes de uma coexistência pacífica?
Nunca é muito bem explicado, mas a certa altura aparece um lugar tão radioactivo, devido à utilização de armas nucleares, que os seres humanos não poderão lá entrar durante milhões de anos. Jacq Vaucan, um homem a viver um limite existencial na sua vida privada, representa a espécie humana neste outro limite existencial colectivo. Até que ponto merecemos um habitat que já destruímos com a nossa arrogância de predador dominante? Será que o nosso tempo já passou, como diz um dos robôs, e que a espécie humana será substituída pelas máquinas que criou, o único legado humano que restará numa posteridade de que já não fará parte?
"Automata" não aborda exactamente temas originais nem pretende ser uma grande obra filosófica, mas é um filme sensível com uma mensagem de auto-reflexão que me impressionou. E impressionou-me sobretudo porque as máquinas não são capazes de empatia, mas algumas pessoas também não, então devíamos mesmo ponderar o que significa realmente ser humano. E não é ter uma inteligência superior. Isso as máquinas também têm e até nos ultrapassam. O que é que nós temos que as máquinas não têm? E quando as máquinas desenvolverem uma Empatia Artificial superior à nossa, que desculpa nos resta para justificar a nossa sobrevivência às custas do planeta e de outras espécies?
Numa das cenas fulcrais alguém pergunta ao protagonista "como é que pudeste atraiçoar a tua gente?", ao que ele responde "vocês não são a minha gente". "Automata" quer fazer-nos pensar que tipo de gente nós somos.

15 em 20

 

domingo, 17 de maio de 2026

Mayhem / Pandemónio (2017)


Um vírus que retira as inibições provoca uma epidemia de violência extrema. Quando uma firma de advogados sem escrúpulos fica em quarentena, os infectados fazem justiça pelas próprias mãos sabendo que vão beneficiar de impunidade. 
Ao ler a sinopse, e ainda mais quando vi Steven Yeun (o Glenn de "The Walking Dead"), pensei que ia ser uma coisa do tipo "28 Days Later". Mas não é. É um filme de acção e comédia que satiriza as grandes corporações de advogados, uma espécie de "Um Dia de Raiva" provocado por um vírus.
Derek Cho é um executivo em ascensão tramado pela colega incompetente que está nas boas graças do dono da firma. Infectado e sem nada a perder, Derek Cho decide mostrar aos accionistas quem tem razão, quer eles queiram quer não. Mas Derek Cho até é boa pessoa. Os sócios da firma, impiedosos de natureza, e igualmente sabendo que o vírus lhes trará impunidade, não hesitam um instante em recorrer ao homicídio.
Violência há de sobra, resta saber se há comédia. Pessoalmente, não achei engraçado. É claro que dá sempre gozo ver esta gente velhaca a pagar pelos seus crimes, mas não há muito mais a esperar daqui.
"Mayhem" é um filme que entretém, em que a violência é demasiado irrealista para se levar a sério, sem conseguir ser tão engraçado como queria ser.

12 em 20

 

domingo, 3 de maio de 2026

Burial / O Enterro (2022)

Depois do suicídio de Hitler, um grupo de soldados russos tem a missão de transportar o corpo até Moscovo para o apresentar a Estaline. A caminho, são interceptados por uma milícia de nazis que não se resigna ao fim da guerra e fará tudo para resgatar o cadáver e negar a morte do líder.
A ideia até era "interessante", o que aconteceu ao corpo de Hitler, mas o último consenso quanto ao assunto, confirmado por testemunhos de pessoas que estavam no bunker (à altura, pessoal administrativo muito jovem), os corpos de Hitler e Eva Braun foram levados para o exterior e incinerados porque Hitler não queria o seu cadáver profanado como no caso de Mussolini. É claro que pode haver sempre especulações e teorias da conspiração, mas não me parece que este filme as tencionasse alimentar.
Foi essa a minha questão durante o filme todo: qual é o objectivo deste filme?
Durante o percurso, os soldados e os locais são confrontados com algumas atrocidades que aconteceram durante a guerra, nomeadamente a violação de mulheres por parte dos soldados russos e o fanatismo dos nazis. Tudo bem, podia ser um filme de reflexão. Mas está bem feito? Aqui é que está o problema. É tudo feito de forma muito superficial e acaba por ser um filme de tiros. Se não fosse o cadáver de Hitler isto passava como mais um filme de guerra/acção, mas tinham mesmo de ir explorar o assunto, em 2022? Porque me pareceu que usaram o cadáver de Hitler para promover o filme, que de outra forma nem era comentado. 
E, mesmo com o cadáver de Hitler, o filme não deixa de ser muito fraquinho. Era melhor terem feito um filme só de tiros, era mais honesto e não enganava ninguém. Não gostei do filme e não gostei da pseudo-profundidade.

11 em 20


domingo, 19 de abril de 2026

Ouija: Origin of Evil / Ouija: Origem do Mal (2016)

[contém alguns spoilers, não revela o final]

Tendo em consideração que achei o primeiro "Ouija" um filme chato, e bem chato, esta prequela deixou-me de boca aberta. Cá está uma das excepções que confirmam a regra.
Em 1967, uma falsa vidente, viúva e em dificuldades económicas, tenta ganhar a vida a fazer "sessões espíritas" com a ajuda das duas filhas menores. Lina, a filha adolescente, sugere que utilizem uma ouija board para compor o número, coisa que a mãe decide experimentar. Mas a filha mais nova, Doris, tem de facto dons mediúnicos. Com a utilização da ouija board, Doris entra em contacto com espíritos maléficos.
Para começar, só o ambiente de época já faz o filme valer a pena. O enredo centra-se no drama da viúva e das filhas órfãs, e eu fiquei tão interessada que estive sempre a torcer para que o filme resultasse. E resulta, em certa medida. E depois acontecem coisas que nos fazem torcer o nariz.
A certa altura isto parece que vai ser uma coisa tipo "O Exorcista". A miúda fica possuída, um padre quer fazer um exorcismo... Mas depois o filme dá uma reviravolta, como se nos provocasse: "pensavam, não pensavam?" Sim, pensávamos. Geralmente estes truques não funcionam muito bem sem ser pela mão de um mestre. Funciona aqui? Já lá vou.
Estava tudo a correr muito bem. Doris, a miúda, protagoniza algumas cenas que nos deixam realmente inquietos. Não digo que metam medo, mas perturbam. Acho que este filme também beneficia do anterior, uma seca tão grande que os espectadores da prequela não estão à espera de serem minimamente perturbados.
Mas depois a coisa complica-se. Afinal a mãe e as filhas estão a viver numa casa assombrada. Doris está a contactar o espírito de um polaco que sobreviveu aos campos de concentração onde havia um médico nazi que fazia experiências com os prisioneiros. Este polaco sobrevive e vai para a América, onde acaba num hospital psiquiátrico onde reconhece o mesmo médico nazi do campo de concentração que continua a fazer experiências nos pacientes. Coincidência do caraças e azar do caraças. Este tal médico nazi fazia as experiências na casa de Doris e os corpos estão enterrados na cave. São os fantasmas destas vítimas que estão a possuir Doris agora. Ok, aceito. Fantasmas injustiçados e vingativos e isso tudo.
Mas pensemos melhor. A família está a viver na casa estes anos todos, a fazer falsas sessões espíritas, e só agora é que os espíritos se manifestam à miúda, que realmente tem poderes psíquicos, por causa de uma ouija board? Não. Não bate certo.
Esta história também está mal contada. O tal médico nazi é mal aproveitado. Aparentemente, são as vítimas que se estão a manifestar, o médico deve ter morrido e foi enterrado noutro sítio. Desperdício de médico nazi. Ainda vi o filme duas vezes para perceber se me tinha escapado alguma coisa, mas não. Afinal, o médico até podia ter sido parente do pai das miúdas, mas também não.
Também não percebi o fantasma malvado. Este fantasma malvado tem olhos simpáticos. Eu até pensei, sinceramente, que se ia revelar um espírito bom que ia ajudar a família. Há aqui qualquer coisa que não bate certo porque qualquer pessoa de Hollywood (ou até eu) sabe fazer um monstro assustador, e este monstro parece um desenho animado para crianças. Deu-me a entender que metade do filme já estava feita para uma coisa e foi "remendada" para outra. Algo de estranho se passou com este filme, o que é de facto o maior mistério de todos.
Mas funciona? Aí é que está o mistério. Funciona. Até ao final, nem me passou pela cabeça que fosse uma prequela. Mas foi exactamente aqui, no final, quando tentaram estabelecer a ligação entre a prequela e o original, que o filme deixou de fazer sentido. Nem que quisesse explicar, não consigo. Vi duas vezes e não percebo o final. Até tentei fazer um esforço para me lembrar do original, mas mesmo assim não chego lá. Tendo em conta a qualidade surpreendente do todo, talvez isto tenha sido um truque mal conseguido.
Depois de ver o filme descobri que foi realizado por Mike Flanagan. Isso explica a qualidade inesperada desta continuação de um filme medíocre, mas não há aqui nada ao nível de um "The Haunting Of Hill House", nem nada que o valha. Mesmo assim, metade do mistério está explicada. O final desastroso é que não está.
Este ainda não foi o filme de terror com ouija boards que eu queria ver, e há muito que explorar com as ouija boards. "Ouija: Origin of Evil" remete o original para um canto obscuro, mas, conhecendo o realizador como conheço, eu diria que algo aqui correu muito mal e não tem a ver com espíritos do outro mundo. 

13 em 20 (que podia ter sido muito mais se não fosse o final desastroso)

PS: O "fantasma malvado" é o actor Doug Jones, que eu só fiquei a conhecer como Barão Afanas em "What We Do In The Shadows", mas já foi o Fauno em "Pan's Labyrinth", a criatura aquática em "The Shape of Water", Count Orlok em "Nosferatu" e o Bye Bye Man em "The Bye Bye Man", entre outros, só que estava sempre irreconhecível.


domingo, 5 de abril de 2026

There's Something In The Barn / Há Alguma Coisa No Celeiro (2023)

Atenção mamãs e papás, avós e avôs! Este pode ser um bom filme de Natal.
Uma família americana muda-se para a Noruega onde espera ter um Natal de sonho, mas os seus usos e costumes irritam os elfos residentes.
Gravei isto por engano, só pelo título e pela sinopse, pensando que era um filme de terror. Percebi logo que não era, mas já estava gravado... Por outro lado, o título não é inocente. "There's Something In The Barn" contém alguns elementos clássicos de filmes de terror adaptados aos filmes natalícios. Como? O que existe no celeiro são elfos (mas parecem-me mais gnomos) que, quando provocados, se transformam numa autêntica horda viking. A família não cumpre as regras e os gnomos estão zangados. Algumas cenas não são aconselháveis a crianças que ainda não percebem que é tudo a fingir. Num filme a sério, estas mortes seriam pavorosas. Claro que aqui é tudo muito suavizado. Depois de muita violência à americana, a moral da história é bonita: é preciso ter respeito mútuo pelas culturas diferentes da nossa. Não apreciei aquela treta de que a família é que é importante porque não gosto de ensinar mentiras às crianças, e é por isso que detesto filmes natalícios. Mas gostei dos gnomos zangados.
Aconselho este filme como introdução das criancinhas ao Terror.

12 em 20 (dentro do género)

 

domingo, 22 de março de 2026

Ouija / Ouija, o Jogo dos Espíritos (2014)

Uma rapariga suicida-se, aparentemente, depois de usar uma ouija board, mas a sua melhor amiga duvida que tenha sido suicídio. O grupo de amigos reúne-se com a mesma ouija board numa séance para tentar contactá-la, mas o que responde é outra coisa.
Como é que esta premissa foi tão mal aproveitada? Vou já directamente ao ponto. Este filme é chato. Isto nem é um spoiler porque se descobre logo nos primeiros 15 minutos: a rapariga não se suicidou, foi assassinada por um fantasma. A partir daqui, o fantasma começa a matar os amigos um por um e só resta saber quem é que se safa no fim.
É por isso que é chato. Este é o enredo de milhões de filmes mata-adolescentes, só que com um fantasma. O início até prometia. Tanta coisa que se podia fazer com um suicídio causado pelo contacto com o Além. Mas não, teve de ser o mesmo de sempre.
"Ouija" estava a contar muito com a actriz Lin Shaye, a médium de "Insidious", mas não há aqui nada que salve o déjà-vu do enredo. Eu estava com dificuldade em não adormecer.

11 em 20

 

domingo, 8 de março de 2026

The Northman / O Homem do Norte (2022)


Amleth, príncipe viking, jura vingar-se do tio que matou o rei e usurpou o trono.
Não quero acreditar que este filme seja de 2022. Este filme lembrou-me "Conan, o Bárbaro" de 1982 (e não sou a única), e isto não é um elogio. Até perdoava se o filme tivesse sido feito algures até ao ano 2000, mas depois de "Vikings" e "The Last Kingdom" como é que alguém pode achar que "The Northman" tenha alguma relevância? Será que o realizador alguma vez viu as séries? Será que viu os filmes de vikings que têm sido feitos entretanto?
"The Northman" não foi feito para ser realista, compreendo isso. Diria mesmo que o realizador viu "Conan, o Bárbaro" quando era pequenino e quis fazer a sua versão. Há aqui muita Fantasia e magia. O herói, Amleth, ouve a profecia de uma vidente e tem de encontrar uma espada "mágica" para matar o tio, e tem de fazê-lo em determinado lugar a determinada hora. Porquê? Porque sim. O tio não é uma criatura sobrenatural e Amleth tem muitas oportunidades de o matar... mas a profecia! Isto é estúpido, mas se fosse só um filme de Fantasia eu deixava passar. Se fosse só um filme de Fantasia, isto era para miúdos. Mas o realizador também quis utilizar rituais e costumes sangrentos dos vikings, pseudo-realistas, pensando que nos chocava, como se nunca tivéssemos visto a porno-tortura de "Vikings".
É por isso que pergunto, qual é a relevância deste filme em 2022, quando já vimos muito melhor Fantasia e muito melhores reconstituições históricas? Até "The 13th Warrior" ("O Último Viking"), com Antonio Banderas, de 1999, é um filme mais interessante e mais relevante. Não percebo um filme destes em 2022.
No meio da patetice, há uns poucos destaques que não salvam o filme mas que o tornam mais suportável. Nicole Kidman faz o melhor que pode do papel que lhe é dado. Alexander Skarsgård (o Eric de "True Blood") provou-me finalmente que é um grande actor numa cena que podia estar num filme de Ingmar Bergman, mas é mesmo lá para o fim. Mal desperdiçado actor e mal desperdiçada cena. Mas também é uma cena que parece ter saído de outro filme e escrita para um personagem que fez uma jornada de herói e que chegou ao seu limite. O pobre Alexander Skarsgård não tem tanta sorte, passa o filme todo no mesmo registo de vingança, sem a menor evolução psicológica.
Björk faz de vidente, mas não a reconheci. Com aquela máscara na cara, nem podia reconhecê-la. Fica aqui a dica para os fãs.
"The Northman" é um filme de 2022 que tenta ser "Conan, o Bárbaro" mas que consegue ter ainda menos interesse cinematográfico, uma mistura falhada de Fantasia e pseudo-realismo, uma coisa que só pode agradar a quem nunca viu os filmes e séries de vikings da última década. Volta, Michael Hirst, estás perdoado.
Só uma última nota de que me lembrei a posteriori. Alexander Skarsgård é irmão de Gustaf Skarsgård (o Floki de "Vikings") e se calhar foi ao papel do irmão que Alexander Skarsgård foi buscar inspiração. Na verdade, aquela cena brutal fazia sentido em "Vikings". Pelo menos sabemos que alguém viu a série antes de entrar neste filme.

11 em 20

 

domingo, 1 de março de 2026

El Cadáver de Anna Fritz / O Cadáver de Anna Fritz (2015)


Anna Fritz, uma actriz jovem e bela, é encontrada morta. Um dos funcionários da morgue convida os amigos para virem espreitar o corpo da celebridade. A partir daqui as coisas vão de mal a pior.
Quando li a sinopse pareceu-me talvez um drama, talvez terror. Este filme espanhol talvez seja as duas coisas e também um thriller, mas o melhor é ver sem spoilers e sem ler nada sobre o enredo, por isso vou calar-me.
Quase dava 20 em 20, mas alguns pormenores relacionados com o funcionamento da morgue retiram alguma credibilidade e precisavam de ser mais bem "vendidos". Também não vou explicar por causa dos spoilers, mas posso garantir que só pensei nisto depois. Durante o filme, fiquei petrificada do princípio ao fim.

17 em 20

 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Us / Nós (2019)

Duas famílias estão de férias na praia quando se tornam alvo de ataque por seres misteriosos e assassinos que são iguais a eles.
Spoiler necessário: o filme nunca explica em detalhe, mas estes seres foram criados num laboratório subterrâneo como réplicas (vou chamar-lhes clones) das pessoas originais, numa experiência (tudo indica governamental) para tentar controlar a mente dos cidadãos. Falhada a experiência, os clones foram abandonados à sua sorte, e finalmente subiram à superfície para se vingarem dos originais.
O filme é arrepiante. Estes clones são em tudo idênticos aos originais mas são defeituosos: na fala, nos movimentos, na falta de consciência moral. Na verdade, parecem mais uns "zombies vivos" do que outra coisa. Por alguma razão, estão mentalmente ligados aos originais no exterior e a única forma de se "desligarem" é matando as pessoas de quem são réplicas.
"Us" tem sido agraciado com elogios retumbantes de originalidade que, no meu entender, não merece. Se isto é uma metáfora dos excluídos contra os privilegiados, George Romero já o fez antes, com zombies. A sensação com que fiquei deste filme é de que lhe falta qualquer coisa, uma base minimamente credível. Por exemplo, quando a experiência é cancelada, e sendo uma experiência ilegal e bastante sinistra, porque é que os investigadores deixaram os clones vivos? Também nunca é explicado quantos clones existem, se são apenas milhares naquela cidade costeira ou milhões deles para toda a população americana. Desta forma, não sabemos o que acontece quando o filme acaba: os clones tomaram conta de tudo ou não?
Para quem não fizer perguntas difíceis, "Us" é um slasher quase igual aos outros, mas com clones.

12 em 20

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Indochine / Indochina (1992)

Conheço este filme desde que saiu mas penso que nunca tinha visto.
"Indochine" é a história da dona de uma plantação de borracha nos últimos anos da ocupação francesa da Indochina, e também é uma história de amor. Éliane adoptou a pequena Camille, nativa de família rica, a quem acaba por perder para uma paixão condenada.
Segundo a sua cultura, Camille está prometida em casamento desde criança, mas Éliane não pretende obrigá-la à tradição. Uma mulher da família de Camille diz mais ou menos isto, quase de forma premonitória: "Nunca vamos perceber os franceses com os seus amores cheios de paixão, loucura, emoção. Aqui casam-se os jovens e acabou-se." Educada como francesa, Camille atira-se de cabeça para um amor de perdição com um oficial francês. Numa situação de conflito entre os comunistas e os colonos, Camille comete um homicídio e torna-se foragida, mas Éliane nunca deixa de a procurar. É esta a história de amor. É claro que "Indochine" é toda uma metáfora sobre a colonização francesa.
Gostei da maneira como o filme nos mostra as atrocidades do conflito de forma distante, como pano de fundo, sem cair na tentação fácil de chocar. O enredo centra-se sempre nos personagens e, admito, o final surpreendeu-me.
"Indochine" é um grande filme, talvez um bocadinho datado, que recomendo vivamente.

17 em 20

 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Daniel Isn't Real / Daniel: Amizade Aterradora (2019)

O título não prometia muito mas o filme surpreendeu-me.
Luke, em criança, arranja um amigo imaginário que lhe dá ideias e que o ajuda a superar o divórcio dos pais. Já na faculdade, num momento de stress, Luke volta a procurar Daniel. Mas Daniel torna-se cada vez mais controlador e Luke percebe que o amigo imaginário quer apoderar-se dele.
Este é um filme de baixo orçamento com efeitos especiais muito pobrezinhos e uma realização/montagem/edição sofrível, mas a história agarrou-me. Há muito tempo que um filme deste tipo não me interessava do princípio ao fim, apesar das falhas, o que já é um grande elogio. A qualquer momento eu esperava que a coisa descambasse, mas, surpresa, manteve-se credível até ao final.
O que nos prende ao enredo é tentar perceber se Daniel existe mesmo. A mãe de Luke é esquizofrénica e Luke tem horror de ter a doença também. No entanto, desde o início percebemos que Daniel encoraja Luke com uma maturidade muito superior à de uma criança. Mais tarde, Daniel continua a dizer coisas que Luke não pode saber, mas talvez Luke se questione se não tinha já ouvido a informação noutro lado. À medida que Daniel se torna cada vez mais ameaçador, Luke começa a ter alucinações e a acreditar que está louco. Mas estará?
Como disse, os efeitos especiais são muito mauzinhos, mas nesta parte das alucinações até escapam. O pior é quando já não são alucinações, mas a explicação implícita, de que Daniel é um amigo imaginário e usa a imaginação de Luke para o fazer ver o que quer, é plausível.
Notei que as críticas arrasam o filme mas que os espectadores não têm desgostado. Com mais orçamento e experiência, não duvido que este enredo teria dado um melhor filme, a começar pelo título.

13 em 20
 

domingo, 18 de janeiro de 2026

Winchester / A Maldição da Casa Winchester (2018)

Um médico é mandado avaliar a sanidade mental de Sarah Winchester, herdeira e accionista maioritária da companhia Winchester (a das espingardas). Julga-se que Sarah Winchester já não está no seu juízo perfeito porque não pára de mandar reconstruir e ampliar a sua grande mansão, gastando fortunas no empreendimento. Na verdade, Sarah Winchester está convencida de que a sua família está amaldiçoada por todas as vítimas das armas Winchester e manda fazer essas divisões para apaziguar os espíritos dos mortos.
Este é daqueles filmes inspirados em "factos verídicos". A verdadeira Sarah Winchester mandou construir uma mansão excêntrica de arquitectura estranha e, claro, há quem diga que a mansão está assombrada. A mansão existe mesmo e é uma atracção turística.
Já tinha visto este filme e por alguma razão não escrevi sobre ele. Vi a segunda vez e não desgostei tanto, mas, convenhamos, "Winchester" é uma soma de clichés. Tem tudo: a casa assombrada, a criancinha possuída, a idosa reclusa e excêntrica. Até me pareceu um filme do nosso amigo James Wan ("The Conjuring"; "Insidious", etc), e não sou a única. De início, o cenário e a natureza das personagens é suficiente para criar uma atmosfera inquietante onde o terror pode vir a acontecer. Não seria de surpreender se esta mansão tenha contribuído para inspirar o livro "The Haunting of Hill House". O que me chateou mesmo no filme é quando o fantasma mau pega numa espingarda Winchester e começa a disparar sobre as pessoas, e quando as pessoas disparam de volta. Sim, isto é para meter as espingardas Winchester na história, mas... enfim. Vamos lá matar o espírito com tiros.
Recomendo a primeira parte do filme, antes de começar o tiroteio. Não é um bom filme e o fim estraga tudo, mas dá para entreter.

11 em 20

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Groundhog Day / O Feitiço do Tempo (1993)

Custa a acreditar, até a mim, mas só recentemente vi este filme. Até estava convencida de que era com Bruce Willis, mas acho que estou a confundir com "12 Monkeys" (que também ainda não vi). Apesar de não ter visto "Groundhog Day", já tinha ouvido falar muito sobre o filme, que já se tornou parte da cultura geral. Então, o que é que há aqui de tão bom?
Eu diria que é a originalidade. Phil, um meteorologista televisivo, egocêntrico e egoísta, vai fazer a cobertura do Groundhog Day, só para se ver condenado a repetir este dia uma e outra vez, sem que o amanhã nunca chegue e sem que ninguém que o rodeia esteja a passar pela mesma experiência.
O Groundhog Day, 2 de Fevereiro, é uma tradição americana que diz que neste dia a marmota sai da toca e, se conseguir ver a sua sombra, haverá mais 6 semanas de inverno. (Nós também temos um ditado assim: Natal à soalheira, Carnaval à lareira; e vice-versa. *)
"Groundhog Day" parece o enredo de um filme de terror, mas curiosamente tenta ser uma comédia. Digo que tenta porque não achei graça nenhuma e até me pergunto que raio de humor as pessoas tinham nos anos 90 que achassem um tipo destes engraçado. A primeira coisa que Phil tenta fazer, quando se apercebe da situação, é obter informações sobre as mulheres que lhe agradam para no dia seguinte (que para ele é o mesmo) as conseguir seduzir melhor, mesmo que tenha de inventar mentiras para as convencer do que "têm em comum". É este o tipo de homem.
Passada esta fase, Phil entra em frustração e até em depressão, tentando suicidar-se de várias maneiras e por várias vezes (continuo sem achar graça nenhuma). A única parte que achei minimamente engraçada é quando ele decide, em desespero de causa, matar a marmota a quem culpa da "maldição". Não resulta.
O que realmente resulta, e é esta a substância do filme, é que à medida que o tempo passa (ou melhor, que Phil vive o mesmo dia vez após vez) ele se vai transformando num homem melhor, mais sensível aos outros, mais generoso, mais sincero. Ou seja, é uma metáfora para quem precisa de se tornar uma pessoa melhor de modo a atingir o que realmente deseja da vida.
"Groundhog Day" não é apenas uma comédia, é uma comédia romântica, e Phil apaixona-se pela produtora do programa, que não lhe liga nenhuma. Vão ser precisos dias, e dias, e dias, e dias, até que finalmente Phil consiga que ela o veja como o novo homem em que ele agora se tornou, de um dia para o outro, na perspectiva dela. E o feitiço fica quebrado.
Como comédia, já disse que não achei graça nenhuma. Como comédia romântica ainda menos: os actores não têm a menor química entre eles, já para não dizer que seria muito improvável que a produtora se perdesse de amores por Phil num único dia (para ela).
Desconheço se este foi o primeiro filme de um loop temporal, mas tudo indica que é o mais famoso e mais citado sempre que a situação se apresenta noutros filmes ou em cenários idênticos, no sentido literal ou figurativo. Só por isso vale a pena ver "Groundhog Day", mas para o meu gosto pessoal está demasiado datado e não tem piada nenhuma, se calhar, talvez, porque entretanto vi derivativos muito melhores.

12 em 20

* Correcção:
Afinal a nossa expressão é "Carnaval na eira, Páscoa à lareira", que eu devo ter confundido com "Entrudo borralheiro, Páscoa soalheira".
Outro ditado alusivo à época do ano e às previsões do tempo é o do dia de Nossa Senhora das Candeias, 2 de Fevereiro: "Se Nossa Senhora das Candeias rir, está o Inverno para vir; se chorar, está o Inverno a passar".


domingo, 11 de janeiro de 2026

The Menu (2022)

Se são daquelas pessoas que se choram porque não podem ir comer a um daqueles restaurantes de super-luxo, este filme é para vocês. Depois de verem isto, nunca mais desejarão pôr lá os pés. Eu sempre disse que a comida de ricos é sinistra: um cubo de carne, uma ervilha, uma pincelada de ketchup no prato a lembrar uma mancha de sangue: sinistro!
Mas falando do filme propriamente dito, uma dúzia de comensais dirige-se a um restaurante exclusivo, situado numa ilha, onde se pretendem deleitar com uma refeição ultra-fina de 1250 dólares por pessoa servida por um Chef (Ralph Fiennes) do mais prestigiado que existe. Mas depressa esta experiência de sonho se transforma num pesadelo.
"The Menu" não é um filme de terror de vão de escada. Pelo contrário, é um filme de qualidade, com actores reputados, um possível candidato aos Óscares e tudo. Tal como o menu apresentado no restaurante, também o filme é ambicioso e conceptual e quer ter um significado. É este significado que o filme não consegue cozinhar até ao fim, ficando muito "mal cozido".
De seguida vou discorrer sobre esse significado, sem spoilers, mas advirto os verdadeiros amantes de terror que o filme tem mais impacto se o virem sem saberem nada sobre ele. Fica à vossa consideração como preferem degustar esta delícia.
Então, o significado. À primeira vista, esta é história de um Chef (enlouquecido) que quer castigar os ricos que não conseguem apreciar a sua arte culinária mas que acham que o dinheiro lhes dá direito a ela. Deste modo, o Chef organizou esta refeição para os punir.
Até aqui tudo bem, mas não é assim tão linear e pôs-me a pensar quando o filme acabou (o que é sempre bom). Alguns dos presentes são ricos, de facto, e clientes regulares deste restaurante astronomicamente caro, mas muitos deles não são. A questão aqui é: porque é que merecem ser castigados? As personagens nunca são muito desenvolvidas. Não sabemos ao certo porque é que foram "escolhidos". De alguns temos "pistas" que nos informam que são de facto criaturas vis, por diferentes razões, mas depois temos os outros. Por exemplo:
A esposa do cliente rico que costuma ir ao restaurante. O que é que ela fez? Daquilo que nos é dado a ver, não fez nada. Porque é que merece ser castigada?
A crítica de culinária, a quem o Chef acusa de ter escrito artigos que arruinaram alguns restaurantes, é de facto uma snob, mas só estava a fazer o seu trabalho e percebe-se que a senhora sabe do que fala. Aliás, foi esta colunista quem descobriu e promoveu o Chef deste mesmo restaurante, prova de que não faz sempre críticas negativas. E os restaurantes que critica são topo de gama, não é o restaurante da esquina que ao fechar portas coloca uma família inteira no desemprego. E nada nos diz que a colunista é rica. Ela está ali, tal como o seu editor, a convite do Chef. Então, porque é que ela merece ser castigada?
O editor. Coitado, o editor não faz nada senão concordar em tudo com a colunista e percebe-se de caras que é um banana. Merece ser castigado por ser banana?
Os três colegas. Estes não são ricos de certeza, embora declarem que ganham muito bem. Estão ali porque trabalham na firma do investidor do restaurante como forma de usufruírem de um bónus qualquer. É possivelmente a primeira vez que têm oportunidade de visitar um restaurante destes. Vem-se a saber que a firma para onde trabalham pratica falcatruas (facturas falsas, offshores, o costume) e que eles conhecem as ilegalidades. Mas eles são empregados. Todos os empregados devem ser castigados pelas vigarices dos patrões? Haveria sequer prisões onde os meter a todos se assim fosse?
Penso que é aqui que o filme não consegue estrelar o ovo sem o desmanchar, o que é pena porque a premissa ia muito bem. Se nos dessem motivos válidos para odiarmos estas personagens poderíamos aplaudir que fossem "grelhadas" como mereciam, mas o problema é que não merecem. Sendo assim, muito do significado perde-se no "são ricos e pensam que têm o mundo na barriga" (o que nem é verdade para todos), e as culpas retornam à procedência: ao Chef louco com um facalhão de cozinha.
Não estou a dizer que um Chef louco com um facalhão de cozinha dê um mau filme, estou apenas a reclamar da qualidade da ementa que nos é servida. Com todos estes ingredientes, este podia ter sido um banquete inesquecível mas ficou-se por um repasto que não me encheu completamente as medidas.
E, acima de tudo, a minha maior crítica ao filme, porque é que os presentes permanecem tão calmos e serenos numa fase dos acontecimentos em que já deviam estar desesperados e em pânico e dispostos a tudo? A mim parece-me que os realizadores se esqueceram de que estes personagens são humanos, não são vegetais como batatas e cenouras a enfeitar o prato. Nesta altura já deviam ser carnívoros a fazer correr sangue. Nem sequer vou implicar com o fim de determinada protagonista, que me pareceu inverosímil no total da situação.
Ainda assim, muito bom. Servia-me duas vezes sem pensar na dieta.

14 em 20

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Singularity / Singularidade (2017)

A premissa até é boa, o resto do filme é que não. Num mundo cada vez mais controlado pela Inteligência Artificial, um super-computador, Kronos, é criado para resolver todos os problemas do mundo. Diz o filme que Kronos, em menos de um piscar de olhos, percebeu logo que os problemas do mundo são causados pela humanidade e passou imediatamente a destruí-la.
Vou já fazer aqui um aparte porque, apesar da minha inteligência ser apenas natural, concordo completamente com o computador. Por muito avançado que este seja, o código base agiria assim:

_ TASK: SAVE HUMANITY
_ SUB-TASK 1: DETECT PROBLEM
_ _ PROBLEM DETECTED: HUMANITY
_ _ CORRECT PROBLEM: TERMINATE HUMANITY
_ _ PROBLEM CORRECTED: HUMANITY TERMINATED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_
_
_
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_
_
_
_ REBOOT
_ SUB-TASK 1: DETECT PROBLEM
_ ACCOMPLISHED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_
_
_
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_
_
_
_ REBOOT
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_ REBOOT
_
_


E é por isso que não podemos deixar estes dilemas morais à Inteligência Artificial, porque a Inteligência Artificial não consegue resolver problemas morais porque não tem consciência moral. Ter consciência moral não é obedecer a um código/norma moral, é compreender porque é que o código moral existe, corrigi-lo se necessário, e criar novas normas quando as antigas já não são válidas. É por isso que os seres humanos desobedecem a ordens que violem os seus princípios, coisa que a Inteligência Artificial também não tem.
Mas isto já é muita filosofia para este filme, que descamba num Young Adult muito pobrezinho e nada original.
97 anos depois da destruição da esmagadora maioria dos seres humanos pelas próprias máquinas de guerra que eles criaram, apenas uns poucos sobrevivem.
Katniss... isto é, a jovem Calia (toda vestida à Katniss, arco e flechas, cabelo e tudo) tenta encontrar o último reduto da humanidade, um local quase mitológico chamado Aurora. No trajecto, encontra outro jovem, Andrew, que a acompanha. A meio do caminho, Calia descobre que Andrew é um robô/andróide, criado para ganhar a confiança dos humanos, mas Andrew não sabe que é uma máquina, tipo Cylons na série "Battlestar Galactica". Por esta altura Calia já está apaixonada pelo robô, e ele por ela (?...). E o que é que ela faz? Leva-o direitinho a Aurora.
Esta humanidade merece mesmo ser exterminada. Só há uma coisa pior do que a ruindade, e essa é a estupidez. Geralmente as duas andam de mãos dadas. Esta criatura arriscou levar um robô espião ao último reduto da humanidade, sem pensar que estava a ajudar as máquinas a localizar e destruir os possíveis sobreviventes. Exterminem já esta criatura!
Não vou dizer o que é que acontece a seguir, porque aqui o filme torna-se quase incompreensível e o final não faz sentido nenhum. Basicamente, é um Young Adult muito mal feito. A protagonista, a última da sua família/grupo, sobrevivendo escondida em florestas e subúrbios desertos, anda vestida e penteada como quem saiu de um pronto-a-vestir e de um cabeleireiro. As casas onde ambos se escondem, que deviam estar abandonadas há décadas, não têm pó nem uma única teia de aranha, como se os donos tivessem ido de férias há uma semana. Porque é que há gente a fazer filmes de ficção científica em que nem estas coisas básicas são respeitadas?
"Singularity" é um filme muito mau que nem o romance rapariga/robô consegue vender. A evitar.

10 em 20