Theo, um banqueiro rico e reformado, a sua mulher Susanna e a filha de 6 anos vão passar férias num alojamento temporário no País de Gales. Para começar, a casa que os espera é muito moderna, não tem aspecto de lugar pitoresco no campo. Mais tarde eles interrogam-se, quem é que sugeriu este sítio, Theo ou Susanna?
Theo e Susanna estão em crise. Susanna é muito mais nova do que Theo e é actriz de profissão, e Theo não consegue conter os ciúmes, incluindo bisbilhotar-lhe o telemóvel, o tablet e o portátil. Mas a Theo pesa também um passado trágico. A sua primeira mulher afogou-se na banheira por ter tomado comprimidos para dormir e Theo foi julgado, e absolvido, como suspeito de homicídio. Uma série de pesadelos leva-o a pensar que precisam de mudar de ares e passar tempo de qualidade juntos para que as coisas melhorem.
Assim que chegam ao local, Theo e Susanna reparam que a casa parece muito maior por dentro do que por fora. Isto é uma ilusão comum, mas logo na primeira noite é-nos revelado que não é uma ilusão. Esta casa labiríntica manipula o espaço e o tempo e torna realidade os demónios que já existem na cabeça dos personagens. Resta saber o que está reservado à família.
Fiquei completamente agarrada a este filme que tem influências óbvias de "The Shining" e de H. P. Lovecraft. Uma casa que não tem ângulos rectos não pode ser boa.
(A minha casa é assim, não deve ter um único ângulo recto. Causa tonturas.)
À medida que ia conhecendo as personagens, principalmente a menina, cada vez me afligia mais. Não queria que isto se tornasse "The Shining", mas ao mesmo tempo até queria. O grande problema de "You Should Have Left" é que, ao contrário do que fazem Stephen King e Lovecraft, não abraçou o terror que sugeria. Não era necessário que o fim fosse semelhante a "The Shining" para nos perturbar, mas acho que o filme nunca quis realmente ir tão longe. Como amante de terror, tenho a lamentar, mas "You Should Have Left" vale muito bem pelos primeiros dois terços do filme, e especialmente por aquela parte em que Theo foge com a filha de noite, no escuro e no frio. Eu fiquei arrepiada várias vezes durante este filme e isto já não me acontece com frequência.
13 em 20 (que podia ter sido mais se o fim não ficasse aquém da premissa)
domingo, 4 de outubro de 2026
You Should Have Left / Deviam Ter Saído (2020)
domingo, 20 de outubro de 2024
Pet Sematary, de Stephen King / Pet Sematary (1989) / Pet Sematary (2019)
[contém spoilers]
Obviamente, não li “Pet Sematary” para saber a história. Já conheço a história de trás para a frente e de frente para trás. O que me despertou a curiosidade em finalmente pegar no livro foram as discrepâncias entre as duas adaptações cinematográficas (1989 e 2019).
Para começar, não sou de modo algum imparcial. Considero “Pet Sematary” um dos melhores “contos de fadas” do século XX, uma história que atinge e provoca o âmago da humanidade desde que o homem é homem: a morte, o luto, o desejo de imortalidade e o pavor do fim. Acima de tudo, o nosso pavor de perder os mais queridos, impotentes e revoltados, sabendo que cada morte é um bocadinho de nós que morre com eles. Chamei-lhe “conto de fadas”, embora negro, porque todos os contos de fadas começaram por ser histórias de terror no tempo deles, adaptados e suavizados, como todos os mitos, aos valores e sensibilidades das sociedades que vieram depois. Não é pois de estranhar que o remake de “Pet Sematary” difira tanto do original, em especial no que toca a Church, o gato.
“Pet Sematary”, o livro, foi publicado em 1983 e a primeira adaptação é de 1989. Também não é de estranhar que a primeira adaptação seja a mais fiel ao original, se bem que ela própria já suavizada ao gosto da altura: o original é muito mais brutal. Se eu tenho razão, e se o conto de fadas se perpetuar como um mito, é de esperar sucessivas adaptações no futuro.
Tendo tudo isto em conta, vou começar por alguns pontos do livro que foram autênticos choques para mim, que só tinha visto os filmes.
Norma
Para meu espanto e choque, Norma, a mulher de Jud Crandall, está viva no livro! Juro que quando ouvi Jud a referir-se à esposa, “que estava em casa”, julguei que o velho estava cheché e que continuava a falar com a mulher depois de morta, especialmente uma mulher chamada Norma. Mas não, Norma está mesmo viva no livro, embora seja igualmente velhota e sofra de artrite e do coração. No entanto, Norma morre de AVC logo no início, quase a seguir a Church. Isto quase não é um spoiler porque Norma quase não tem papel. Se calhar só se queria dizer com isto que Jud resistiu à tentação de enterrar a mulher no cemitério Micmac. Há uma cena muito estranha no fim do remake em que Norma fala por outra personagem e diz a Jud que espera por ele no Inferno por causa do que ele lhe fez. Sinceramente, fiquei a pensar que Jud a tinha ressuscitado dos mortos também. Afinal era algo bem mais banal e duvido que seja mesmo Norma a dizer no filme uma versão suavizada do que disse no livro. Fiquei na dúvida se não era o demónio do bosque a falar por ela. Uma senhora tão decente não diria/faria as coisas que disse que fez. Seja como for, compreendo que os dois filmes tenham excluído o pequeno papel de Norma.
Church (Winston Churchill), o gato
O que se passa com o gato no original deixou-me tão mal disposta que se não soubesse o fim acho que punha o livro de lado sem pensar duas vezes. Não me refiro ao atropelamento e à ressurreição nem nada disso. Refiro-me à maneira como o pobre animal foi vítima de maus-tratos injustificáveis. Ao contrário do que vemos nos filmes, Church não regressa imediatamente maléfico como um demónio do inferno. Church volta desengonçado e apático, “sem graça felina” nas palavras de Louis Creed, e, claro, com o cheiro nauseabundo do cemitério Micmac. Por esta razão Ellie Creed, a filha de 6 anos de Louis, começa logo por correr com ele da cama, onde ele costumava dormir com ela. Isto acontece depois de Ellie ter chorado baba e ranho só de pensar que ele podia morrer, o seu querido gato de estimação, um dos motivos que levam Jud e Louis a trazê-lo de volta. A partir do momento em que ele regressa é ignorado por toda a família e maltratado por Louis, que o põe na rua com uma vassoura (!) todas as noites porque tem nojo de lhe tocar (Louis diz que Church já não é um animal mas a “imitação de um gato”). Pôr o gato na rua todas as noites outra vez, depois de este já ter sido atropelado na estrada, é ilógico e cruel. Até Rachel Creed, que queria tanto mandá-lo esterilizar para ele não sair de casa (pressuposto errado, porque mesmo um gato esterilizado continua a fazer tudo o que estava habituado a fazer antes), não parece nada preocupada que o gato ande na rua a noite toda com os camiões a passarem na estrada a grande velocidade. Cage, o bebé de dois anos, puxa-lhe o rabo. Deixa lá, Gage, a tua hora está próxima! Entretanto, Church desenvolve o hábito de trazer para casa ratos e pássaros semi-comidos, esventrados (no estado selvagem os felinos comem primeiro as vísceras), depositando-os perto de Louis. Louis fica tão furioso que começa a dar pontapés ao gato e a atirar-lhe coisas com força. Exactamente assim: pontapés e maus-tratos. As oferendas são para ti, Louis, sua besta! A minha gata, que está muito viva e não veio do cemitério Micmac, mas que é muito mazinha, tinha-te arrancado a cara! Louis racionaliza estes maus-tratos com a “perversidade” da caça de Church, que supostamente antes não caçava tanto, mas, a ser verdade, eu explico o fenómeno com o facto de Church dormir com Ellie em vez de andar a noite toda no bosque. A princípio Church foge e esconde-se mas, a certa altura, com a continuação dos maus-tratos, começa a assanhar-se a sério, e já não era sem tempo. Fiquei chocada, chocada! Que mal é que o animalzinho fez? Foi vítima de negligência dos donos que o deixavam sair de casa, especialmente com uma estrada assassina à porta; foi atropelado e ressuscitado; foi rejeitado por Ellie; foi vítima de maus-tratos e pontapés; é assassinado pelo dono no fim. Chiça! É o suficiente para odiar a família toda.
Não vou ser como aquele leitor enfurecido que mandou uma carta a Stephen King a dizer-lhe que ia para o inferno porque um dos seus personagens matou um cão a pontapé, sei a diferença entre ficção e realidade, mas percebo perfeitamente que a adaptação de 2019 tenha lido a sensibilidade da época e que a morte de Church seria intolerável nos dias de hoje. No entanto, nos anos 80, à data do livro, os animais de companhia ainda não eram vistos como membros da família mas como objectos utilitários e descartáveis. Os filmes tentaram justificar o livro tornando Church maléfico desde que regressa, mas no original Church só se torna efectivamente malévolo e perigoso quando Gage regressa também. O poder do demónio dos bosques que domina o cemitério Micmac age por meio de ambos.
Justiça feita a Zelda
Ao contrário dos filmes, que apresentam Zelda como um monstro, um demónio à espreita dentro de um armário, o livro retrata a irmã de Rachel com mais lógica e veracidade, uma jovem vítima de uma doença terminal e atrozmente dolorosa, de quem Louis Creed diz que estaria já “clinicamente demente” no final. Zelda torna-se uma doente vingativa, que faz chichi na cama de propósito e que torna a vida de Rachel e da mãe de ambas num inferno. Rachel está sozinha com Zelda quando esta morre e corre para a rua a gritar histericamente “Zelda morreu!”, mas Rachel está a rir e a não a chorar. Este alívio, compreensível numa criança de oito anos, transforma-se em culpa e Rachel desenvolve uma verdadeira fobia à morte, não apenas um medo racional mas uma fobia incapacitante. Ao mesmo tempo, Rachel tem tanto medo de vir a ter a mesma doença da irmã que em criança imagina que Zelda virá “buscá-la” em forma de fantasma. O livro é muito mais explícito em demonstrar que estes medos e visões só existem na cabeça de Rachel, não são manifestações da força maligna do bosque.
Livro vs filmes
É difícil dizer isto mas os filmes conseguiram criar imagens mais assustadoras e icónicas do que o original. Por exemplo, fiquei muito desapontada porque no livro não existe a frase “the cemetery is the place where the dead talk, don’t go to the place where the dead walk”. Jud Crandall conta a Louis Creed os episódios do cão Spot e do soldado ressuscitado, mas os relatos não são tão arrepiantes como as cenas do filme de 1989. Por um lado é normal: há casos em que aquilo que nos entra pelos olhos é mais aterrador do que a nossa imaginação poderia conceber (mas nem sempre).
Aproveito para falar do zombie Timothy, o soldado ressuscitado pelo pai uns 15 dias depois de morrer. Timothy não é um zombie como os imaginamos agora (e como o filme de 1989 o apresenta, um autêntico zombie de “The Walking Dead”). Também ele regressa desengonçado e cambaleante, e passa os dias e as noites a andar de um lado para outro, aterrorizando os habitantes da cidade. Quando quatro homens, incluindo Jud, se dirigem a casa do pai dele para “tratar do assunto”, Timothy revela segredos pecaminosos e criminais dos homens que o vão confrontar, segredos que ninguém poderia saber, o que é mais consentâneo com alguém possuído por um demónio. Sinceramente, prefiro a versão do filme.
Da mesma forma, prefiro a versão do filme de 2019, em que não é Gage que morre. No livro, ao regressar, Gage também fala e diz coisas obscenas, coisas sexuais que uma criança de dois anos nem sabe que existem. Sempre achei que Gage como assassino maléfico era uma ideia rebuscada. Sim, um bebé assassino causa mais choque, mas torna-se absurdo (antes de morrer Gage só conseguia dizer “daddy”, e mal). Por outro lado, a “possessão” de Timothy e Gage, no livro, aprofunda melhor a influência da força maligna que está na base do poder do cemitério Micmac. (Parece que é um Wendigo, um mito americano que desconheço e de que só ouvi falar nos episódios de “Sobrenatural”, e também não foi “Pet Sematary” que me esclareceu.)
O que nos leva ao estado mental de Louis Creed quando decide lá enterrar o filho, muito mais perceptível no livro. Louis Creed não é apenas um homem destroçado e em luto, é alguém tresloucado que se sente compelido a fazer algo que sabe que está errado, e no entanto racionaliza e defende a lógica das suas escolhas como a única coisa que pode fazer. A certa altura, ao desenterrar Gage no cemitério, já está tão descontrolado que admite que agora ninguém o conseguiria deter, e se aparecesse alguém Louis simplesmente o mataria com uma pazada na cabeça. Inclusive decide tratar a ressurreição do filho como uma experiência: “se ele vier mau, eu mato-o e pronto”. Assim mesmo, com toda a frieza. Louis Creed está igualmente possuído pela atracção e pelo poder do ser maligno da floresta, algo que não se nota tanto nos filmes mas que é muito claro no livro. Nesta altura Louis Creed recordou-me de Jack Torrance de “The Shining” (do mesmo autor) só que enlouquecido para salvar a família e não para a matar com um machado. Novamente prefiro a abordagem dos filmes, que conseguiram humanizá-lo. Por exemplo, aquela cena do filme de 1989 em que Louis abraça pela última vez o Gage ressuscitado já depois de morto e desata a chorar, não existe no livro. No livro, Louis mata o filho com a mesma frieza clínica com que tinha matado Church, como a aberrações ou experiências falhadas, sem qualquer vestígio de emoção.
“Pet Sematary”, o livro
Como disse no início, este é um conto de fadas negro que até respeita a “regra das três vezes” dos contos de fadas: primeiro veio o gato; segundo veio o miúdo; terceiro veio a mãe. Já li algumas coisas de Stephen King mas, para o meu gosto pessoal, este foi de longe o melhor livro que ele já escreveu. No entanto tenho algumas picuinhices a apontar.
Por exemplo, demasiados pormenores. Não era mesmo preciso saber tudo o que é dito sobre um funeral americano (desde o embalsamamento ao tipo de sepultura). O tio de Louis Creed era um agente funerário e Louis faz questão de relatar o processo todo só para percebermos que é muito difícil roubar uma campa que leva cimento por cima, algo que, no meu conhecimento, não acontece por cá (pelo menos nas campas não perpétuas em que o corpo é exumado alguns anos depois e os ossos são enfiados numa gaveta). Também há muita palha em relação à família de Rachel, aos colegas de Louis na universidade onde ele trabalha, até às histórias passadas dos habitantes da cidade. É boa palha mas é palha, e não se perdia nada se tivesse sido cortada.
Outra coisa de que não gostei, depois de ler dois livros de não-ficção de Stephen King (“Danse Macabre” e “On Writing”), é a voz dele nesta história. Porque é mesmo a voz dele que reconhecemos em Louis Creed. Stephen King veio de uma família trabalhadora na América, não exactamente pobres mas aquilo a que chamaríamos “remediados” (a mãe dele criou os dois filhos sozinha), e parece-me que Stephen King quer recuperar a linguagem dessa América de classe média/baixa. O que acontece é que temos um professor e académico como King a querer falar como um canalizador, o que soa falso e forçado. Pior ainda, não é apenas Louis Creed que se expressa assim em pensamentos (Louis Creed veio de um background semelhante ao de King) mas também Steve, outro colega médico, acaba a soar desta maneira. Talvez, entretanto, esta voz de académico a tentar fingir que é um canalizador, um homem do povo, tenha desaparecido da obra de King. Li coisas mais recentes dele e já não notei esta voz embirrante, mas talvez tenha de ler mais alguma coisa para tirar as dúvidas.
Recomendo a leitura de “Pet Sematary” a toda a gente que gostou da história. Há aqui muitos pormenores sobre a natureza maléfica e a extensão do poder do cemitério Micmac que os filmes apenas tocam ao de leve. No entanto, devido à natureza brutal da história (mais do que nos filmes) não é um livro que me apeteça ler duas vezes.
terça-feira, 15 de outubro de 2024
Doctor Sleep (2019)
Este filme interessou-me muito porque segue a vida de Dan Torrance, o miúdo que todos conhecemos de “The Shining”. Ele e a mãe são os sobreviventes dos acontecimentos horríficos do hotel Overlook onde o pai de Dan morreu depois de ter tentado matar a família por estar possuído pelos espíritos maléficos do hotel.
Ainda em miúdo, Dan tem uma conversa com o fantasma de Dick Hallorann, o cozinheiro do Overlook a quem Dan enviou um SOS psíquico em vão. Dan decide esconder os seus poderes psíquicos, talvez devido ao trauma.
Não admira que já adulto Dan seja um homem deprimido e perturbado, que se refugia no alcoolismo. Um dia decide deixar o álcool e vai trabalhar como auxiliar de um lar de idosos. O lar tem uma gata que parece saber sempre quem vai morrer a seguir, deitando-se aos pés da cama do moribundo. Dan segue-a e descobre que tem um dom para tranquilizar os doentes terminais, o que lhe vale a alcunha de Doctor Sleep.
Esta vida “pacata”, na “clandestinidade”, é interrompida quando Dan recebe um apelo psíquico da uma rapariguinha chamada Abra, alguém com poderes psíquicos iguais aos dele. Abra assistiu, em sonhos, ao homicídio de um rapazinho por um grupo de vampiros. Digo “vampiros” no sentido lato, uma vez que não bebem sangue mas alimentam-se das almas das vítimas, especialmente do medo e da dor.
Relutantemente, Dan aceita conhecer Adra mas aconselha-a a esconder os seus dons uma vez que este grupo de vampiros quase imortais tem poderes únicos. Se ela os viu, eles também a “viram”, o que não só a coloca em risco como também à família dela.
Este ninho de vampiros, saliento, é deveras assustador. Por exemplo, guardam o “resto” das almas não consumidas em recipientes que mantêm para emergências e preferem exactamente as almas das pessoas que têm poderes psíquicos, como Dan ou Abra.
Num último encontro com o fantasma de Dick Hallorann, este diz-lhe que é seu dever ajudar a miúda, e Dan concorda. Mas para derrotar estes vampiros poderosos Dan tem um trunfo: voltar ao Overlook, onde todos os espíritos famintos os aguardam. Foi bom ver o Overloook outra vez, embora não seja o Overlook de Stanley Kubrick. Este é um hotel abandonado, fechado e decrépito, uma sombra da sua glória (e ameaça) passada. Saliento a conversa que Dan tem com o barman fantasmagórico, que tudo indica ser o próprio Jack Torrance que ficou preso para sempre no Overlook.
Confesso que esperava mais de “Doctor Sleep” (e de Dan Torrance) e que o final me deixou desiludida e até um pouco triste. Não queria daqui uma saga, mas Dan Torrance tinha um “shining” extraordinário capaz de chamar Dick Hallorann à distância (a ponto de o próprio Dan preferir esconder as suas capacidades), e não vi esses imensos poderes psíquicos aqui.
“Doctor Sleep” é um filme de nostalgia, principalmente, com algumas imagens do original “The Shining” e tudo, com um argumento sólido que se sustenta por si só, mas para um sucessor de “The Shining” penso que todos queríamos mais.
15 em 20
terça-feira, 25 de junho de 2024
Color Out Of Space / A Cor Vinda do Espaço (2019)
Ver este filme é sempre compará-lo ao clássico de H. P. Lovecraft, uma das poucas histórias do mestre que realmente me meteu medo. Conseguirá o filme fazer o mesmo?
A resposta, infelizmente, é não. Se calhar porque eu já sabia a história, se calhar porque Lovecraft vai criando todo um ambiente que se adensa e nos sufoca a ponto de acreditarmos na narração, se calhar porque o horror parte de pequenos indícios até chegar às revelações aterradoras.
A história é basicamente a mesma, se bem que nos dias de hoje: um meteorito cai em frente a uma quinta e coisas estranhas começam a acontecer. De seguida, o meteorito é absorvido pelo terreno, poluindo a terra e as águas.
Tentou-se fazer um terror moderno: o pai e a mãe que vão perdendo a cabeça, os animais que desaparecem ou, pior, os automóveis que não pegam e não deixam os protagonistas fugir quando é preciso.
O que me meteu mesmo medo, no original, foi o poço. O poço é um vampiro que seduz as pessoas e animais a lançarem-se nele sem que tenham vontade própria. Isto assustou-me, admito.
Aqui penso que a questão do poço foi subaproveitada. O filme focou-se mais na loucura do pai, tipo “The Shining”, e num horror gore desnecessário que toda a gente já viu.
Aconselho a todos a ler o original, datado e tudo, antes de ver este filme. O conto é mesmo muito mais assustador! Em suma, não desgostei, mas o mestre é o mestre.
Uma última nota: a rapariga da casa pratica Wicca com o Necronomicon. Durante anos julguei que o Necronomicon fosse um livro a sério. Não é. Não caiam na esparrela.
14 em 20
domingo, 10 de dezembro de 2023
The Haunting of Hill House (2018)
“The Haunting of Hill House” é uma série baseada no romance homónimo de Shirley Jackson de 1959. Seria difícil não gostar da série porque “The Haunting” é um dos meus filmes de terror preferidos de todos os tempos (o de 1963, não o de 1999 que não interessa nada). Não li o livro e não consigo avaliar qual é a melhor adaptação, mas deduzo que a narrativa televisiva não possa ser igual à cinematográfica.
Na verdade a série devia antes chamar-se “The Hauting of the Family Crain” porque a assombração persegue esta família durante décadas. Um dos personagens até diz que “a casa considera a família uma refeição inacabada” (ipsis verbis).
A acção passa-se no início dos anos 90, mas todo o ambiente foi pensado para dar uma ideia de intemporaralidade: podia ser nos anos 60, 70 ou 80. A família Crain compra a Mansão de Hill House, na sequência da morte da última herdeira dos Hill, no intuito de a reabilitar e voltar a vender o mais depressa possível para poderem então construir a casa dos seus sonhos. Nunca é dito mas está implícito que Olivia Crain, a mãe, é arquitecta (foi ela quem desenhou esta casa de sonho) e que Hugh, o pai, é o mestre-de-obras. Os Crain têm cinco filhos: Steve, Shirley, Theodora, e os gémeos Nell e Luke. (Só isto é um terror: cinco filhos!) A casa tem uns 100 anos e foi construída à vontade dos Hill a imitar um edifício vitoriano, algo entre um castelo e uma abadia, um verdadeiro horror estético de estilos e gostos duvidosos por dentro e por fora. Mas a casa é grande, espaçosa, ideal para uma família abastada com apetência por residências retro e uma grande sala de bailes, por isso os Crain pretendem passar lá apenas uns dois meses para a remodelar e pôr no mercado. Estes planos vão por água abaixo quando Hugh descobre um problema de bolor negro desde o terceiro andar até à cave (bem-vindos ao meu inferno, família Crain).
Hugh não desiste (até porque empatou todo o dinheiro na casa), mesmo quando coisas suspeitas começam a acontecer. Nell e Luke queixam-se de ser assombrados durante a noite mas ninguém os leva a sério. Mais grave ainda, Olivia começa a agir de forma estranha e a ter enxaquecas e sonhos muito vívidos em que fala com antigos habitantes da casa.
Quem se lembra de “The Haunting” de 1963 vai reconhecer alguns elementos que fizeram deste um grande filme de terror e que têm sido inclusivamente utilizados em filmes posteriores:
O casal Dudley, os caseiros que vivem na extremidade da propriedade e se recusam terminantemente a permanecer na casa de noite. É Clara Dudley quem diz, e repete, o aviso que ninguém ali deve ficar “in the night, in the dark” que nos arrepiou em “The Haunting”.
Os cães a ladrar que os miúdos ouvem à noite mas nunca se vêem.
A escadaria de ferro forjado em espiral na biblioteca.
As pancadas nas paredes e nas portas.
A cena em que alguém aperta a mão de uma das irmãs adormecida, que esta julga ser a irmã mais nova, mas não está ninguém na cama.
O berçário, chamado em “The Haunting” “o coração da casa” e aqui apelidado antes de “estômago” – bem apanhado!
A intenção, desta vez expressa pelo pai, de queimar a casa e salgar o terreno.
Todas estas passagens se encontram em “The Haunting”, mas “The Haunting of Hill House” não é apenas uma série de terror com assombrações e sustos e quem esperar isso vai ficar desapontado. Pelo contrário, existe uma componente dramática muito forte que me recorda outra grande série, “Six Feet Under” (se não viram deviam ver urgentemente!), sobre os problemas de uma família dona de uma agência funerária (uma das irmãs, Shirley, também é agente mortuária). E se há drama nesta família! Olivia, a mãe, suicidou-se em Hill House, atirando-se do patamar superior das icónicas escadas de ferro. O pai, Hugh, nunca quis explicar exactamente o sucedido, embora tenha perdido a custódia das crianças que cresceram com a tia materna. Steve julga que a mãe enlouqueceu e que o pai é culpado de não lhe ter prestado os cuidados devidos. Shirley tornou-se uma controladora ao extremo. Theodora tem o dom de captar vibrações sobrenaturais com o toque e anda sempre de luvas para o evitar. Luke tornou-se toxicodependente. Nell também tem problemas psicológicos, terrores nocturnos e provavelmente stress pós-traumático. Tudo remete para a casa embora ninguém lá more há mais de 20 anos. Hill House continua a assombrar os Crain, apesar das vidas normais que eles tentam levar. Como disse o pai, “uma refeição inacabada”.
A primeira a sucumbir ao apelo da casa é Nell, que se “suicida” nas escadas de ferro da mansão abandonada e vazia. (Peço desculpa pelo spoiler, mas é o que provoca todo o desenlace; ademais, acontece logo nos primeiros episódios e não é exactamente um suicídio…) Gosto tanto do drama desta série que um dos meus episódios preferidos é quando toda a família se junta para o velório e tem uma discussão “das antigas”, com toda a gente a apontar as culpas uns dos outros, a falar nas costas uns dos outros, a atirar à cara quanto dinheiro uns devem aos outros, etc, tudo sem qualquer necessidade de assombrações. É delicioso.
Mas isto é “The Haunting of Hill House” e não fica por aqui, evidentemente. O terror está apenas a começar.
A série tem as incontornáveis influências de clássicos como “Amityville” (o original) e “The Shining”, embora neste último caso seja mais ao contrário (Stephen King chegou a escrever sobre o livro de Shirley Jackson).
Não posso revelar qual é a verdadeira assombração da casa, mas começa tudo com um quarto fechado que ninguém consegue abrir. É de arrepiar os ossinhos. Adorei o puxador em forma de leão e o efeito especial dos créditos de abertura.
Curiosamente, tal como em “American Horror Story: Hotel”, quem morre na casa fica lá para sempre como fantasma. Algumas pessoas, por vários motivos, decidem morrer na casa de propósito por essa razão. Pergunto-me se a ideia também está no livro original? Tenciono ler o mais depressa possível. “The Haunting of Hill House” é uma série a não perder pelos amantes de terror.
ESTA SÉRIE MERECE SER VISTA: 2 vezes
PARA QUEM GOSTA DE: Six Feet Under, Amityville, The Shining, casas assombradas
domingo, 29 de agosto de 2021
Eyes Wide Shut / De Olhos Bem Fechados (1999)

Tinha uma imagem melhor para este post, mas mostrava mamilos. O Blogger está armado em Facebook e censurou.
Estava a ver este filme há meia hora quando comecei a olhar para o relógio. Meia hora depois parei a gravação e percebi, para minha angústia, que não ia sequer a meio. Escusado será dizer que este foi um dos filmes mais chatos, daqueles considerados sérios e candidatos a Óscares e blá blá blá, que tive o desprazer de ver na vida.
A certa altura lembrei-me de que é um filme de Stanley Kubrick, de quem nunca fui fã, e que o nome me lembrava uma experiência ainda mais penosa. É claro, o insuportável “2001 - Odisseia no Espaço”, um filme que tentei ver duas vezes e em ambos os casos comecei a beber e acabei a dormir à mesa. (“2001 - Odisseia no Espaço” é considerado por um vasto número de espectadores, eu incluída, como o filme mais chato alguma vez produzido.) Mas desta vez percebi o motivo das minhas experiências gémeas com “2001”, um filme que eu devia comprar para ver nas noites de insónia. Da mesma forma, ao tentar sobreviver à seca de “Eyes Wide Shut”, pensei em beber qualquer coisinha. Infelizmente não me dava jeito beber na altura, ou teria provavelmente acabado a dormir também. Está explicado o efeito tiro e queda de “2001”.
Isto também explica a grande bezana que eu e alguns amigos apanhámos quando nos reunimos em casa de alguém para ver “The Shining”, e acabámos a rebolar-nos a rir. Mas neste caso foi injusto. “The Shining” é um grande filme.
Sei perfeitamente que todos os fãs do grande Stanley Kubrick me estão a rogar pragas neste momento e a chamar-me de ignorante para baixo, mas consolem-se no facto de que o (mau) gosto não se discute. E sim, notei a cinematografia, o contraste e aproveitamento da iluminação, é tudo muito giro, mas nem só de técnica se faz um filme.
Então vamos lá à história. Ou melhor, à não-história, porque tudo espremido não fica muito. Um casal jovem, rico, que tem tudo, mesmo tudo, está em crise por tédio. Já não sabem o que hão-de fazer para não se aborrecerem. (Isto é o problema de ter dinheiro a mais e imaginação a menos, ou, dá Deus nozes a quem não tem dentes.) Na noite seguinte a um baile de Natal na casa de um cliente rico do marido (médico de profissão), em que a esposa flirta descaradamente com um gajo qualquer que a tenta seduzir e o marido faz o mesmo com duas fulanas que o querem levar para a cama, o casal mata o tédio como pode a fumar ganzas. Com a pedrada, começam a discutir o que se passou no baile, falam de ciúmes e da falta deles, e a esposa acaba por confessar que uma vez teve a fantasia de dormir com um oficial da Marinha (o que nunca aconteceu).
Foi o bastante para o médico ficar roído de ciúmes e aproveitar uma visita ao domicílio que o tirou de casa para andar pela rua a meter-se em sarilhos. Acaba numa orgia privada, para gente muito rica e influente que esconde a cara com máscaras, onde é “detectado” como “intruso” e ameaçado de morte antes de ser expulso. Aqui o filme toma contornos de thriller. Ser ameaçado de morte não é brincadeira. No dia seguinte, o médico tenta visitar o amigo que o informou da festa, e descobre que este foi levado do hotel onde se hospedava por dois “capangas” bem vestidos. Uma mulher da festa aparece morta na morgue. Obcecado, e por esta altura com razão, o médico dirige-se à mansão onde a festa se realizou, só para receber um bilhete num envelope que o ameaça novamente para parar de fazer perguntas ou algo lhe acontece e à sua família.
Não percebi, sinceramente, como é que por esta altura ele não foi directamente à polícia, que é o que uma pessoa faz quando nos ameaçam de morte, especialmente por escrito, e especialmente quando nos ameaçam a família também. Sociedade secreta que se dane, nem que lá estivesse o próprio presidente dos Estados Unidos, isto é grave, e além de ir à polícia o médico devia ter ido também aos jornais se tinha assim tanto medo.
Só que isto não acontece porque o filme não é um thriller. Numa reviravolta muito anti-climática, o tal cliente rico do médico chama-o a sua casa e explica-lhe que tudo o que viu foi a fingir, era tudo teatro, ninguém matou ninguém, tudo o que lhe disseram foi para o assustar. Enfim, não se passa nada. “E a mulher, quem era a mulher da festa?”, pergunta o médico, todo desvairado como se ela fosse muito importante, embora só tenham trocado meia dúzia de palavras. “Era uma prostituta”. (Ai, não me digas! E eu a pensar que todas aquelas gajas boas ali estavam por gostar de ir para a cama com homens de meia-idade carecas e barrigudos!)
Então, foi mesmo tudo a fingir ou era a sério? Nunca saberemos, porque o filme também não se interessa mais pelo assunto. Acaba com o marido a chorar baba e ranho a pedir perdão à mulher, apesar de não ter feito nada. Pois é, durante isto tudo a única coisa que ele fez foi o mesmo que os espectadores: assistir a uma orgia. Se eu fosse a mulher dele tinha-me chateado por ele não me ter levado também. Há quem não saiba mesmo divertir-se a dois.
Quando o filme apareceu, pelas imagens e sinopse, sempre pensei que isto ia ser uma história de swingers com sado-maso levezinho à mistura. Afinal nem isso. É apenas uma história que não é história, um estudo sobre um casal em crise que já não sabe o que fazer para se livrar do tédio.
E as actuações, valha-me Deus! Que direcção de actores mais atroz. Se eu não conhecesse a Nicole Kidman e o Tom Cruise de outros Carnavais teria concluído que são péssimos actores. (Não são.) Até parece que alguém disse à Kidman: fala o mais devagar… que conseguires… para vermos quando é que… os espectadores começam… a sair da sala. O mesmo deve ter sido dito a Tom Cruise, com certeza, que também se esforçou por falar devagar, mas não conseguiu tão “bem” como a Nicole. Se não acreditam, vejam/ouçam por vós próprios.
A grande cena do filme é mesmo a orgia, isso nem discuto, e não estou a ser irónica: aquele segmento do início, com o “sacerdote” e as “bacantes”, em que tanto a coreografia como o som podiam ter saído de um vídeo de uma banda gótica, pode explicar alguns fascínios que tenho encontrado por este filme. Se calhar o que o realizador queria mesmo era fazer um filme todo assim, porno-chique, mas a reputação não o deixou.
13 em 20 (menos 1 ponto pela seca, mais 2 pela orgia)
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Event Horizon / O Enigma do Horizonte (1997)
Este é daqueles que se vi não me lembro. Personagens genéricas e uma ameaça que fica sempre inexplicada parecem ser os ingredientes perfeitos para causar amnésia cinematográfica.
Até o enredo é mais ou menos igual a tantos outros do género: uma equipa de socorro é enviada em busca da nave de exploração espacial Event Horizon, seguindo um sinal que esta envia de algures em órbita de Saturno. Assim que vemos o aspecto da nave Event Horizon percebemos logo que isto vai ser um filme de terror inspirado no “Alien”. Meu dito meu feito, o filme não é exactamente subtil. Até a equipa de socorro nos recorda as tripulações dos vários “Aliens”, o tipo de pessoas que está ali porque é um emprego como outro qualquer e no fundo o que queriam era uma reforma antecipada. Gostei das cenas em que quase todos os membros da equipa fumam uma cigarrada antes de entrarem nos tanques de stasis (?). É datado, mas é giro. Também gostei de terem explicado o conceito de FTL (velocidade Faster Than Light) que implica causar uma “dobra” no contínuo espaço-tempo. Tudo ficção científica, bem entendido, mas como era 1997 ainda se deram ao trabalho de explicar. Actualmente a ficção científica usa o termo FTL a torto e a direito e pessoas como eu, que não conhecem estes termos nem sabem o que significam, ficam ali à nora a tentar perceber a acção, ou desistem. O que me leva a esta reflexão: uma ficção científica que não se dirija a um nicho muito específico de conhecedores devia ter em conta uma audiência mais interessada na história e personagens e menos nos aspectos científicos. Quanto mais a ficção científica se dirige a um nicho, mais aliena o público leigo.
Mas voltando ao filme. As coisas começam a acontecer como é previsível neste género horror sci-fi. A Event Horizon é uma nave fantasma, toda a sua tripulação está morta, alguns corpos andam mesmo ali a vogar nos corredores devido à ausência de gravidade. Enquanto exploram a nave, os membros da equipa da socorro começam a ter alucinações estranhas com pessoas que lhe são caras, algumas já falecidas. Resolvendo que se passa algo de anormal e perigoso, decidem ir-se embora, mas aqui entra em cena o cientista louco/malvado (Sam Neill). Acontece que foi ele quem desenhou a nave, dotando-a de um mecanismo capaz de criar o seu próprio buraco negro de modo a viajar no espaço mais depressa. Mas aparentemente a Event Horizon visitou outra dimensão e não regressou sozinha. Trouxe consigo forças maléficas que querem apossar-se dos recém-chegados. Que forças maléficas são estas e para onde querem levar a nave de volta? Para o inferno. Não, não é uma forma de dizer. O filme quer-nos convencer de que a nave foi ao inferno e voltou. (É tranquilizador saber que algures na infinitude do espaço, até do outro lado de um buraco negro, ainda se aplicam as regras da nossa civilização judaico-cristã.)
As tais forças maléficas apoderam-se da mente do cientista (ou será que ele já era assim?) e a partir daqui este faz o papel de sabotar a fuga dos outros. O resto do filme é a tripulação da nave de socorro a lutar pela vida.
“Event Horizon” não prima pela originalidade mas enche o olho em termos de efeitos especiais e cenários. É o tipo de filme que se via no grande écran (quando ainda havia grande écran, mas já em extinção) a comer pipocas. Uma crítica que li chamou-lhe uma espécie de “Shining via Aliens”, e é de facto uma descrição muito apta. Durante quase todo o filme me recordei de “The Shining”, especialmente na cena em que um dos tanques de stasis se enche de sangue, explode, e jorra sangue por todo o lado, como o célebre elevador do hotel Overlook. Fiquei foi sem perceber se o tanque aconteceu mesmo ou se foi outra alucinação. Na verdade, fiquei sem perceber grande coisa excepto que o inferno é muito mau e pode estar do outro lado de um buraco negro, e que o Génesis bíblico tinha razão: o homem não deve querer saber tanto como Deus ou será castigado. Mas acho que até já estou a tirar conclusões a mais por mim própria e a tornar o filme mais interessante do que é. “Event Horizon” aposta principalmente no espectáculo, com muitos cenários, muitas explosões, muito sangue e afins, mas na verdade é um filme vazio que não deixa lembranças.
14 em 20






