Este foi o tal filme que eu perdi entre “The Conjuring” e “The Nun”, mas afinal não perdi grande coisa. “The Conjuring 2” é uma sequela menos interessante do que o original, completamente esquecível e cheia de clichés, para não dizer mesmo cópias. Se “The Conjuring” era um remake fingido de “Amityville”, “The Conjuring 2” é uma imitação pobrezinha de “O Exorcista”. Tudo baseado em factos verídicos, dizem eles.
Falando de Amytiville, é lá que o filme começa. O casal de investigadores do paranormal Ed e Lorraine Warren são chamados à mansão para tentarem corroborar as alegações da família Lutz (os que lá moraram depois dos assassinatos de Ron Defeo) de que a casa estava assombrada. Sobre isto não nos é dada uma resposta, mas, enquanto lá está, Lorraine tem uma visão da Freira Maldita (“The Nun”) e uma premonição da morte de Ed que a faz desejar afastar-se do mundo do paranormal “por uns tempos”.
Entretanto, em Londres, uma mãe divorciada com quatro filhos e dificuldades financeiras (isto é verdadeiro terror!) começa a acreditar nos relatos dos filhos de que algo de sobrenatural se passa na casa: pancadas nas paredes, camas a tremer, objectos que se movem sozinhos. A mais afligida é a filha de 11 anos, Janet, que curiosamente andou a tentar contactar espíritos com uma Ouija Board improvisada (olá Regan de “O Exorcista”!). Janet começa por ser assombrada por um espírito da casa e acaba a levitar no tecto.
E quem é este espírito? Um velho de 72 anos que diz aos miúdos “vão-se embora, a casa é minha” e que muda o canal de televisão para ver a Margaret Thatcher (não inventei, juro, mas é terror do mais assustador!). Isto passa-se durante a primeira hora do filme. Por esta altura eu já me perguntava se isto era uma comédia disfarçada de filme de terror, até porque já não é a primeira vez que me rio com um filme de James Wan. (Será que ele faz de propósito para nos fazer rir? Pelo menos desta vez não apareceu o diabo chifrudo, o que já é um progresso.)
A família pede ajuda à igreja, que pede ajuda aos Warren para irem a Londres investigar o caso. Lorraine não quer ir, devido ao tal aviso, mas acaba por ceder ao sentido de dever para com a família atormentada. Quando lá chegam, a miúda de 11 anos parece estar possuída pelo velho (porcalhão!) que fala pela boca dela com a voz dele. É ele quem nos conta que costumava viver ali antes de morrer e que por isso assombra a família.
De repente, uma reviravolta. Afinal não é o velho que atormenta a família. O velho está sob controlo do demónio Valak que se apresenta na figura da Freira Maldita por motivos que só vamos perceber em “The Nun”. Isto já não é uma série de sequelas, é uma telenovela.
Cada vez percebo menos o apelo dos filmes de James Wan, cada vez mais imitações/decalques dos verdadeiros clássicos. “The Conjuring 2” não teve nada que me fizesse interessar, muito menos ter medo. O fantasma do velho era ridículo. Até a Freira Maldita, olho para ela e só consigo ver o Marilyn Manson com mais maquilhagem. E o filme é enorme, umas duas horas e meia para imitar (mal) “O Exorcista”. Se calhar a culpa é minha. Já vi demasiados filmes de terror de qualidade para me deixar impressionar por esta pobreza de ideias.
Por falar em exorcista, a única cena verdadeiramente empolgante é o exorcismo de emergência que Lorraine Warren (a poderosa Vera Farmiga) tem de improvisar e que conseguiu correr efectivamente com o demónio Valak. Isto é, até à próxima sequela, presumo.
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