domingo, outubro 20, 2013

“O Livro dos Espíritos” – Amizade. Simpatia. Amor.

Capítulo “Separação da alma e do corpo”


O Espírito encontra imediatamente aqueles que conheceu na Terra e que desencarnaram antes dele? [pergunta]
– Sim, e de acordo com a afeição que havia entre eles, muitas vezes vêm recebê-lo na volta ao mundo dos Espíritos e o ajudam a se desprender das faixas da matéria. Assim como reencontra também muitos que havia perdido de vista durante a sua permanência na Terra. Vê os que estão na erraticidade, como também vai visitar os que estão encarnados.


Capítulo “Relações após a morte”


Como os homens que se conheceram na Terra se reconhecem no mundo dos Espíritos? [pergunta]
– Nós vemos a nossa vida passada e a lemos como num livro; ao ver o passado dos nossos amigos e inimigos, vemos a sua existência da vida à morte.

Os nossos parentes e amigos vêm algumas vezes ao nosso encontro quando deixamos a Terra? [pergunta]
– Sim, eles vêm ao encontro da alma que estimam. Felicitam-na como no retorno de uma viagem, se ela escapou dos perigos do caminho, e a ajudam a se despojar dos laços corporais. É a concessão de uma graça para os bons Espíritos quando aqueles que amam vêm ao seu encontro, enquanto o infame, o mau, se sente isolado ou é apenas rodeado por Espíritos semelhantes a ele: é uma punição.

Mais vale só do que mal acompanhado. Aqueles que não me acompanharam aqui, escusam também de me aparecer lá.
Quanto a ficar rodeada de Espíritos semelhantes… não acredito muito neles, maus ou bons. Até agora conheci muito poucos, e muito pouco semelhantes.
(Mas lá está, não me posso esquecer: é uma expiação. Não posso, em bom senso, descartar a hipótese de que tenha havido quem me amou, algures, mas não tenha sido autorizado a acompanhar-me aqui, no cárcere. Posso, mesmo assim, preparar-me para o pior dos cenários. Nem podia ser de outra maneira. Cada um espera o que está habituado.)

Os parentes e amigos sempre se reúnem depois da morte? [pergunta]
– Isso depende da sua elevação e do caminho que seguem para o seu adiantamento. Se um deles é mais avançado e marcha mais rápido do que o outro, não poderão permanecer juntos. Podem-se ver algumas vezes, mas somente estarão para sempre reunidos quando marcharem lado a lado, ou quando atingirem a igualdade na perfeição. Além disso, a impossibilidade de ver os seus parentes e amigos é, algumas vezes, uma punição.

E começa aqui na Terra.
Nem todos os Espíritos (nós, os vivos) andamos por aí carentes agarrados à primeira coisa que se encontra só para mostrar ao mundo que se tem alguém.
Eu acho triste. Tenho até pena.
O pior foi que por vezes alguns destes Espíritos (encarnadíssimos) tentaram agarrar-se a mim, enquanto precisaram, dando a parecer que era verdadeira amizade o que os movia. Apesar das decepções anteriores, acredito que devemos sempre abrir a porta, sem desconfiança, esperando o melhor. Mas uma vez fechada a porta, não se torna a abrir.

A parte que transcrevo a seguir não vai agradar aos românticos que procuram a alma gémea, mas cá vai mesmo assim:


Capítulo “Relações de simpatia e antipatia entre os Espíritos. Metades eternas.”

As almas que devem unir-se estão predestinadas a essa união desde a origem e cada um de nós tem, em alguma parte do universo, sua metade à qual um dia fatalmente se unirá? [pergunta]
– Não, não existe união particular e fatal entre duas almas. A união existe entre todos os Espíritos, mas em diferentes graus, de acordo coma categoria que ocupam, ou seja, de acordo com a perfeição que adquiriram: quanto mais perfeitos, mais unidos. Da discórdia nascem todos os males humanos; da concórdia resulta a felicidade completa.

Dois Espíritos perfeitamente simpáticos*, uma vez reunidos, o serão pela eternidade, ou podem se separar e se unir a outros? [pergunta]
– Todos os Espíritos são unidos entre si. Falo daqueles que atingiram a perfeição. Nas esferas inferiores, quando um Espírito se eleva já não tem a mesma simpatia por aqueles que deixou para trás.

* Na linguagem da época, “simpático” deve ser entendido como “semelhante, mutuamente agradável” [Nota minha]

A identidade necessária para a simpatia perfeita consiste apenas na semelhança de pensamentos ou sentimentos, ou ainda na uniformidade dos conhecimentos adquiridos? [pergunta]
– Na igualdade dos graus de elevação.


Não existe um alma gémea porque alguns Espíritos são mais rápidos a evoluir para graus de elevação superiores. É curioso como o mesmo pode acontecer já aqui na Terra, em menos de meia dúzia de anos.


Capítulo “Simpatias e antipatias terrenas”

Dois seres que se conhecem e se amam podem se encontrar em outra existência corporal e se reconhecer? [pergunta]
– Reconhecer-se, não; mas podem sentir-se atraídos um pelo outro. Frequentemente, as ligações íntimas fundadas numa afeição sincera não têm outra causa. Dois seres aproximam-se um do outro por consequências casuais em aparência, mas que são de facto a atracção de dois Espíritos que se procuram na multidão.

Não seria mais agradável para eles reconhecerem-se? [pergunta]
– Nem sempre; a lembrança das existências passadas teria inconvenientes maiores do que podeis imaginar. Após a morte, se reconhecerão, saberão o tempo que passaram juntos.

A simpatia vem sempre de um conhecimento anterior? [pergunta]
– Não. Dois Espíritos que se compreendem procuram-se naturalmente, sem que necessariamente se tenham conhecido em encarnações passadas.

De onde vem a repulsa instintiva que se tem por certas pessoas, à primeira vista? [pergunta]
– Espíritos antipáticos* que se adivinham e se reconhecem sem se falar.

* Da mesma forma, deve-se entender “antipáticos” como “dissemelhantes, desagradáveis um ao outro”. [Nota minha]

Muitas vezes travamos conhecimento com alguém que nos parece termos conhecido a vida toda. Segundo a doutrina dos Espíritos, pode não ser fruto de uma experiência em comum noutra reencarnação.


Capítulo “Transmissão oculta do pensamento”
Porque duas pessoas perfeitamente acordadas têm muitas vezes, instantaneamente, a mesma ideia? [pergunta]
– São dois Espíritos simpáticos que se comunicam e vêem reciprocamente os seus respectivos pensamentos, até mesmo quando o corpo não dorme.

Existe, entre os Espíritos que se encontram, uma comunicação de pensamentos que faz com que duas pessoas se vejam e se compreendam, sem ter necessidade dos sinais exteriores da linguagem. Pode-se dizer que falam a linguagem dos Espíritos. [Allan Kardec]


"Falam a linguagem dos Espíritos". Afinal, um final romântico.






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