segunda-feira, novembro 05, 2012

Gotika: arquivos Dezembro 2003

janeiro 02, 2004

Uma canção

How long will it take
Before you see
There is no room for you
Inside of me

Deep in our hearts
We are alone
Deep in our blind hearts
Skin and bone

In many ways
You've lost your dignity
Hey girl, give up
Your hopeless ecstasy

Deep in our hearts
We are alone
Deep in our blind hearts
Skin and bone

Kiss high heaven
Kiss one other
Kiss the earth
And kiss the sea
Everything instead of me
Everything instead of me

Kiss your precious destiny

Deep in our hearts
We are alone
Deep in our blind hearts
Skin and bone
Deep in our hearts
We only know
Deep in our blind hearts
Skin and bone

Bone of contention
Bone of contention
Bone of contention
We only know

Blind Hearts
Clan of Xymox

Publicado por _gotika_ em 12:00 PM | Comentários: (4)


Um filme e uma peça

“O Diário de Bridget Jones”. Ora aqui está um bom exemplo de tudo o que eu não sou, de tudo em que eu não acredito, de tudo o que eu acho estúpido, medíocre e fútil, de tudo o que eu não quero ser quando for grande, de tudo o que, em suma, eu abomino.
É por isso que é bom ver filmes destes. Põe tudo de novo na perspectiva adequada.
Bem, então quando é que repetem “O Senhor dos Anéis”? Desta vez à noite, si vous plais...
Por outro lado, outro dia apanhei por acaso, na SIC, uma peça de Shakespeare. O “Hamlet”. Embora estejamos todos fartos de ouvir pedacinhos da peça, nem que seja o célebre “ser ou não ser”, confesso que nunca tinha visto a peça toda do princípio ao fim por falta de interesse. Desta vez, talvez porque a adaptação fosse excepcional ou a qualidade dos actores fora de série ou outro factor qualquer, fiquei ali agarrada ao enredo, como se não o conhecesse. Shakespeare é complexo e digna-se a várias interpretações. Aqui fica a minha, e vou contar-vos a história à minha maneira.
Hamlet, um príncipe dinamarquês, é visitado pelo fantasma do seu pai, o rei, que lhe conta que foi envenenado pelo irmão e exige vingança. O irmão do rei cometeu o fratricídio por ambicionar o trono e desejar a rainha. O homicida conseguiu de facto tornar-se rei e casar com a mulher do irmão (mãe de Hamlet) que, tudo indica, não conhece a natureza sórdida do novo marido. Hamlet, perturbado, não quer agir sem ter provas de que aquilo que o fantasma lhe contou é verdade. Questiona-se sobre a sua lucidez e a veracidade das palavras do espectro. E se foi um demónio, e não o seu pai, que o visitou para o atormentar? Organiza, portanto, uma peça de teatro em que é representado um drama semelhante ao contado pelo fantasma e manda-o representar em frente à corte. Observa a reacção do tio, o rei. Este fica bastante nervoso. Para Hamlet, é prova suficiente de que é culpado. Contudo, sente ainda problemas de consciência em agir. E se os seus olhos lhe mostram o que ele quer ver? Entretanto, é melhor fingir-se de louco para que o tio não perceba as suas suspeitas. O destino prega-lhe uma partida quando, discutindo com a mãe, acaba por expor os seus pensamentos e matar um conselheiro da corte, pensando tratar-se do tio. Este homem é o pai da amada de Hamlet, Ofélia. Por esta razão, Ofélia enlouquece. Torturado pela culpa, Hamlet profere o célebre discurso “to be or not to be, that’s the question”. Agir, vingar-se, e sofrer as consequências dos seus actos, ou pura e simplesmente deixar tudo como está para não causar mais sofrimento aos outros? Eis a questão. A sua vingança já causou sofrimento à inocente Ofélia. Mais inocentes sofrerão. Por exemplo, a rainha, que parece ignorar que o marido foi assassinado e está feliz com o novo marido. E Hamlet questiona-se se o simples mortal suportaria a tirania, a injustiça, a crueldade deste mundo, sem se vingar, se não tivesse medo da vida que vem depois da morte, da simples hipótese que a morte não seja fim de tudo...?
Não vos conto o final. Digo-vos apenas que as suspeitas de Hamlet se confirmam quando descobre que o tio o deseja condenar à morte. Seja como for, a peça está toda aqui e neste simples pensamento: aceitamos o destino sem nos queixar para sermos recompensados na vida futura, ou fazemos justiça aqui na terra porque não existe Justiça Divina? E onde é que paramos na nossa demanda de justiça, uma demanda terrestre, humana, correndo o risco de ser parcial, imponderada e igualmente injusta?

Publicado por _gotika_ em 07:20 AM | Comentários: (0)


Que noite!

(Yupiiiii!, já tenho internet outra vez!!! Já nem sei como era a vida antes da internet!)

Este fim de ano não foi divertido. Mas foi uma noite para pensar, para pensar muito. Aqui estão algumas reflexões.
Primeiro que tudo, achei as pessoas tristes. Não falo dos góticos mas das pessoas em geral. Não notei verdadeira alegria nos rostos. Estive a ver o fogo de artifício na Praça do Comércio onde, segundo a televisão, estiveram 60 mil pessoas, e notei que a “alegria” era forçada, e alimentada a cerveja. Anda tudo deprimido. Eu, bem, como devem calcular, não tinha (tenho) grandes razões para exultar de alegria. Parece que muita gente está na mesma. Não vamos tapar o sol com a peneira. Há crise e é bem grande.
O fogo de artifício, coitadinho... Vi melhor no Algarve, quando tinha dinheiro para ir para lá, numa daquelas noites quentes na praia... Enfim, acho que já fiz vida de princesinha e aproveitei todos os momentos. (Isto de ir para o Algarve não é de todo gótico, muito menos gostar de praia como eu gosto, mas tecerei mais considerações sobre o assunto lá para o Verão, se ainda andar por cá.)
Deixemos a gente normal e voltemos aos góticos. Vi muita gente que já não via há muito tempo. Inclusive uma senhora muito gótica que, reparei eu, já deve andar nos seus trintas e muitos, quarentas, ali na pista de dança a curtir o som, sem perder a majestade.
O meu primeiro pensamento foi preconceituoso até dizer chega. “Coiso e tal, tão velha, coiso e tal...” Mas isto de sermos cultos obriga-nos, não só a sermos politicamente correctos, como também a sabermos porque o somos. Lembrei-me do que li n’”As Brumas de Avalon” e de repente tudo fez sentido. A Deusa pagã tem três faces: a Virgem, a Mãe, a Velha. As três faces da Mulher. Ou as três fases da vida. Cada fase tem o seu encanto e o seu encanto é diferente. A sociedade que nos rodeia concentra toda a importância na primeira fase, a da mulher jovem, adolescente, viçosa, bonita. Desde há alguns anos, começou-se a dar importância também à segunda fase, a da Mulher-Mãe. Eu ainda sou do tempo em que era uma vergonha uma mulher grávida exibir a barriga nua em público, como agora se vê na praia ou na capa das revistas. No tempo em que a minha mãe andava grávida de mim, por exemplo, as mulheres grávidas usavam uns fatos de banho com folhinho à volta da barriga, mesmo as que andavam de biquini antes da gravidez. Mostrar a barriga grávida era feio. Hoje não. Hoje achamos bonito, terno, respeitável. Vejam como muda a mentalidade e a noção do que é estético num espaço relativo de poucos anos.
Isto tudo a propósito da senhora gótica. Não vou pegar no cliché do que o que importa é ser jovem de espírito porque já todos sabemos isso (ou devíamos saber). Está na hora da sociedade redescobrir o valor dos mais velhos, dos anciãos, como aqueles que podem aconselhar e ajudar os mais novos. Também admito que os mais velhos, a certa altura, deixaram de ser respeitados porque ficaram agarrados a uma moral decrépita que já não fazia sentido, se é que alguma vez fez. Falo da grande década dos conflitos geracionais, os anos 60. Os jovens foram longe demais (e a prova disso é que acabaram por voltar atrás) e os velhos não cederam um milímetro. Espero que tenhamos aprendido alguma coisa dessa experiência e que saibamos aproveitá-la para nosso benefício. Que tentemos aprender com as gerações mais velhas e as gerações mais novas. Que nos esforcemos por tirar partido da sabedoria de uns e da rebeldia de outros.
A senhora muito gótica impõe respeito. Não vos dizia que há uma espécie de hierarquia à vampiro em que os mais velhos não se afrontam? Afinal, não esteve ela no princípio de tudo, não foi uma pioneira, talvez até punk? Não tem uma história muito mais intensa e preenchida que a minha?
Lembrei-me de Viviane, d’”As Brumas de Avalon”, a velha senhora do lago a quem Morgaine está destinada a suceder. Esta anónima é uma espécie de Viviane para mim. Não um modelo, porque gótico que é gótico é suficientemente arrogante para usar os modelos em vez de os seguir, para tirar deles o que acha aproveitável e desprezar o resto, mas uma figura de referência incontornável.

Gostei de a ver. Gostava de a ver mais vezes por lá. Gosto tanto de a ver como aos miúdos que lá aparecem pela primeira vez, demasiado pintados, inseguros, excessivos. Entre a Virgem e a Velha, acho que isso me torna a Mãe. Hmmmm... Acho que temos de readaptar a Deusa pagã para o século XXI. Até porque nos tempos de Viviane e Morgaine toda a gente morria aos 40, 50 anos. Actualmente, aos 30 somos uns jovens com 60 anos (no mínimo) pela frente. O que transtorna, e muito, a nossa velha noção do que é um “ancião”... Naquele tempo, eu já deveria ter uma dúzia de filhos e estar de pés para a cova. Olhem como as coisas mudam.

Há uma particularidade gótica que é não falarmos uns com os outros. Muito menos com estranhos. Por falar em estranhos, aqui fica um encarecido apelo: só porque gostam de me ler, só porque eu tenho ideias estranhas e uma perspectiva diferente, não apareçam por lá! A sério! Nós não gostamos de estranhos. Só porque não vos tratamos mal e vos toleramos não quer dizer que gostemos de vos ver no meio de nós. São um dó de alma! Eu gosto de sair para ver a minha “beautiful people”. Camisas às risquinhas e ténis, poupem-me! O que vão fazer para lá, gente de Deus? Há música muito melhor nas Docas, na 24 de Julho, na casa dos amigos. Olhem, já experimentaram bares de karaoke? Dizem-me que é muito giro. Mas não vão lá para nos ver. Não somos nós a atracção zoológica, é mais ao contrário... Também escusam de se vestir de preto. Não conseguem. A sério, não conseguem. Não é assim tão simples. Mas se tiverem que ir, não se queixem que os góticos são frios. São frios sim senhor, digo-vos eu. Nós nem falamos uns com os outros, porque havemos de falar convosco?
Mas, acima de tudo, não se ponham na pista de dança, parados, feitos semáforos de trânsito. Podem não perceber mas os góticos gostam de facto de música, vão ali por causa da música e gostam mesmo de dançar. Não se limitam a ir abanar a careca para o meio da pista para engatar a boazona da cruz invertida. A boazona da cruz invertida é um extra, a música é que é importante. Vejam se metem isso na cabeça por amor de Deus! Estão a empatar, não percebem? A malta quer dançar e vocês não deixam! A malta precisa de espaço. Vocês estragam o ambiente! Se a malta não dança deixa de ir lá, se deixa de ir lá começam a entrar mais estorvos e a malta ainda deixa de ir mais!... Enfim, perceberam.

Há pessoas que conheço há quase vinte anos e com quem nunca troquei uma palavra. Sinto por eles e elas um carinho estranho, e sei que o sentem também por mim, mas nunca trocámos uma palavra. Acho que é de propósito. Para quê estragar uma bela amizade cúmplice com as palavras que nos podem magoar? Digam o que disserem, os góticos percebem de psicologia. Somos poucos, temos de saber viver uns com os outros e sabemos que as palavras podem magoar muito. (“Words are very unnecessary, they can only do harm”, Depeche Mode) O silêncio, os olhares, dizem tudo. Palavras para quê?
Lembro-me de situações em que encontrei algumas dessas pessoas fora do nosso ambiente natural. Fingimos que não nos conhecemos de lado nenhum. É interessante. Não sei explicar porquê. Procurem a resposta nos livros da Anne Rice. (Será que ela se inspirou nos góticos para criar os vampiros ou foram os góticos que se inspiraram nos vampiros?... Boa questão. Talvez nenhuma das respostas. Nem nenhuma das perguntas. Talvez seja coincidência.) Por outro lado, fora do nosso ambiente natural, e quando houve problema, aí sim nós falámos pela primeira vez, pessoas que se conheciam há anos sem trocar uma palavra, como se fôssemos amigos íntimos, talvez para nunca mais voltar a falar.
Digam lá que não têm inveja? Ah, pois, eu sei que têm. Mas, como eu disse, nós somos poucos e damos valor ao pouco que nos une. Às vezes é mesmo bem pouco, acreditem.

Publicado por _gotika_ em 07:19 AM | Comentários: (3)

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