sexta-feira, julho 07, 2006

Nota sobre o mundial, a selecção e a alienação

Compreendo aqueles que se preocupam com a alienação do povo através do futebol. Mas não me parece que venha mal ao mundo por ver um jogo, ou vários, e no meu caso não vi mais porque não tenho tv cabo, pois gosto bastante de asistir à luta entre selecções. Não só a portuguesa nem a brasileira nem a que está mais perto. Gosto bastante da Holanda. Emociono-me com a República Checa. Torci pelos suiços.
O mal está no exagero, na incapacidade de não perceber que aquilo é só um jogo, uma distracção como qualquer outra. Ver o jogo é como ir a um concerto rock, ou ir à praia, ou no caso dos góticos, ir curtir a depressão para o bar que der mais jeito.
Enquanto o futebol alegrar alguém, é bom sinal. É sinal de que a miséria ainda não está generalizada. Porque sim, há miséria em Portugal, e as bandeiras que devíamos estar a pôr nas janelas, como sugeriu um outro blogger que aprecio, deveriam ser bandeiras negras da fome, se o povo não fosse pobre mas envergonhado.

Também já o ando aqui a dizer há dois anos e tal. É preciso vencer a vergonha. É preciso auto-estima. Não uma auto-estima delirante, à Sócrates e seu séquito, que é um optimismo irrealista, mas uma auto-estima que derive do auto conhecimento, do admitir as falhas e as qualidades, do gostar de nós como somos. Isto tanto é verdade no campo individual como no campo colectivo. Já dizia o outro, a nação precisa de um psicólogo. Urgentemente.

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10 Comentários:

Blogger Necare disse...

Isto já não vai lá com psicólogos... no mínimo choques eléctricos e internamento.

7/7/06 12:16  
Blogger Craven disse...

A nação precisa de acção. Os políticos só ascendem a esse cargo porque são mentirosos e não se pode subir na politica, se for por outro meio que não a mentira. Dentro dos próprios partidos, os mais mentirosos é que progridem. Os capazes são afastados. Isso explica muita coisa...
Cada um, e aí concordo contigo, deve fazer os seus esforços pessoais ao invès de ficar à espera que façam algo por si.
Wilhelm Reich, tem um tratado muito interessante sobre este assunto.

^^^Craven^^^

7/7/06 13:33  
Blogger ebola disse...

Não são só os políticos, é o povo que se tiver oportunidade de enganar o estado, fá-lo-á sem hesitação. A diferença é que os políticos aparecem todos os dias nos jornais, enquanto que o "gajo da pastelaria que regista dois bolos em cada dez que vende" só é visto por quem lá vai, e ainda por cima com olhos de inveja por não poder fazer o que ele faz.
O pior é que a reacção do povo é sempre provocada por sentimentos a meu ver errados, a irritação das pessoas quanto à fuga aos impostos, por exemplo, não é uma insurreição pelo roubo feito ao estado (ou seja a todos nós) mas porque foi um “grande” que o fez, "porque o pequeno não o pode fazer" ou "se fizesse seria logo apanhado".

Fomos, somos e seremos sempre um povo de trapaceiros e intrujas.

7/7/06 15:07  
Blogger ronaldo ichi disse...

Aqui no Brasil,onde a seleção brasileira é exageradamente cultuada, o povo se perde desesperadamente na torcida.

Tudo para esquecer que as eleições estão próximas e nenhum candidato vale o voto. Tudo para esquecer a corrupção e que nenhum politico envolvido foi processado ou preso. E principalmente para não se envolver em nada que diz respeito á civilidade.

Torcer desesperadamente para uma seleção futebol, que joga mal por sinal, é bem mais fácil.

Contudo, também gosto da Copa. Também torcia pelo Felipão na seleção Portuguesa.

8/7/06 16:39  
Blogger caledonia-bay disse...

Em relação aos problemas de Portugal penso que a população ficou seriamente traumatizado com os muitos anos das denuncias feitas por informadores na epoca do Estado Novo. Em consequência as pessoas estão relutantes de denunciar casos flagrantes de negligencia e corrupção mesmo quando praticados pela classe governativa. É que estas traumas levam um tempinho para sarar.

Apreciei a sua preocupação com o povo e a sua aparente cobardia.

8/7/06 18:15  
Blogger icy-mind disse...

Não gosto de futebol e nems equer vi um jogo do princípio ao fim, fui vendo aos bocadinhos.
Acho que não vão ser as bandeirinhas ou o futebol a unir uma nação. Lembro-me da altura do Euro 2004, as bandeirinhas em quase todas as casas. Tenho pena que as pessoas só se unam por motivos (não sei se é esta a palavra) levianos. A união de que todos dizem gostar muito devia começar logo de pequenos, o sentido de justiça, o brio em ser quem se é e a procura p'la perfeição igualmente. Mas parece que tem tudo vergonha de se queixar do que REALMENTE interessa.
BAHHH!!!

9/7/06 18:35  
Blogger Vampiria disse...

A luta de nações no tempo dos descobrimentos é o que me faz lembrar a primeira vista um mundial... assisti a todos os jogos de portugal, torci no ultimo jogo pela Itália, e torci antes de portugal pela alemanha, por razões que só a lingua justifica... torci, porque torcendo e acreditando sinto me mais eu, crendo em quem crê em si e no seu esforço, auto estima é tmb isto - torcer porque lhe dá esperança, por muito parca que seja.

11/7/06 12:30  
Blogger gotika disse...

Necare:

"no mínimo choques eléctricos e internamento."

lol!
Bem, choque tecnológico já temos. Imagina lá que agora até há um email de graça para cada português e, imagina!, um portal de emprego na internet! O admirável progresso deste país nunca deixa de me surpreender!
Estou ansiosa por ter o meu email gotika@socrates.com . Ainda não tens? Precisas de um choque.
Por isso é bom saber que o governo vai na boa direcção. Choques eléctricos, choques electrónicos, é tudo a mesma coisa.

12/7/06 02:33  
Blogger gotika disse...

ronaldo ichi:

Aqui é a mesma coisa. Vê-se bem de que país saiu o Brasil.

12/7/06 02:36  
Blogger gotika disse...

caledonia-bay:

"Em relação aos problemas de Portugal penso que a população ficou seriamente traumatizado com os muitos anos das denuncias feitas por informadores na epoca do Estado Novo. Em consequência as pessoas estão relutantes de denunciar casos flagrantes de negligencia e corrupção mesmo quando praticados pela classe governativa. É que estas traumas levam um tempinho para sarar."

Não deixas de ter razão, mas exagerou-se para o outro lado porque até dava jeito. É a tal história da sardinha. Há uma diferença entre chibar o pecadilho do vizinho e acreditar em valores morais e incentivá-los. Mas parece que se perdeu a distinção entre as duas coisas, não?

12/7/06 02:38  

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