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domingo, 10 de agosto de 2025

47 Meters Down: Uncaged / 47 Metros: Medo Profundo (2019)

Quatro amigas adolescentes decidem mergulhar nas ruínas de uma cidade Maia submersa pela subida do oceano, só para se verem encurraladas e rodeadas de tubarões-brancos.
Este filme vem na sequência de “47 Meters Down” mas a história é completamente diferente. Em comum, apenas duas irmãs, como no original, e mais um pormenorzinho de que falarei à frente. O pai destas duas irmãs é um mergulhador que anda precisamente a preparar as grutas inundadas da cidade Maia, no México, para uma exploração arqueológica. Aliás, ele não é o único, faz parte de uma equipa de mergulhadores (vai ser importante depois). Esta equipa não é muito cuidadosa com o sítio onde deixa o equipamento de mergulho, e as quatro amigas encontram-no na lagoa onde vão nadar. Ao ver o equipamento, uma delas convence as outras a visitarem as ruínas submersas, onde um dos membros da equipa já a tinha levado antes. A ideia é entrarem na primeira câmara e apenas nessa, mas uma vez nas ruínas uma das raparigas assusta-se com um peixe cego que se assanha a ela (sim, o peixe assanha-se*), vai de encontro a uma coluna, a coluna cai, e ao que parece isto causa a abertura de uma nova passagem. Desta nova passagem aparece um tubarão-branco dos grandalhões, mas cego como o peixe, que ao investir contra as raparigas provoca o desabamento da entrada por onde elas vieram. Agora elas estão encurraladas, as botijas de oxigénio estão a esgotar-se, aparecem mais tubarões, e as raparigas têm de descobrir uma outra saída no labirinto que são as ruínas Maias. O pormenor semelhante ao do filme anterior, em que as irmãs acreditavam que os tubarões tinham medo dos very lights (não têm), é que a certa altura as raparigas pensam que os tubarões têm medo de um localizador de mergulho que emite um sinal sonoro e luminoso (mas aparentemente também estão enganadas).
O resto é o que se espera de um filme de tubarões, mas há aqui muita coisa sem pés nem cabeça. Para começar, as raparigas teorizam (têm equipamento de mergulho que lhes permite comunicar, ou permitiria se o equipamento fosse realista…) que os tubarões evoluíram nas grutas e que por isso são cegos. Ora, eu não estava à espera que as raparigas, naquela situação aflitiva, se pusessem a conferenciar sobre a evolução dos tubarões, mas isto não faz sentido nenhum. Mesmo que os tubarões tivessem perdido a visão em centenas de anos (os Maias não são assim tão longínquos), o ecossistema das grutas não tinha alimento que chegasse. Estas ruínas foram escavadas na rocha e serviam de catacumbas (embora os personagens se tenham referido a elas antes como “cidade”). Que tamanho poderiam ter estas catacumbas subterrâneas que permitissem a subsistência e movimentação de tubarões de 6 metros, que exigem tanto espaço? Um campo de futebol, dois, três, quatro? E, mais importante de tudo, como é que a equipa de mergulhadores, que já andava a trabalhar nas grutas há bastante tempo, nunca se apercebeu da presença de tubarões de 6 metros mesmo ali ao lado, e não descobriu antes a passagem que parecia afinal tão fácil de derrubar? Sobre os tubarões propriamente ditos, se eram cegos e caçavam por ouvido e por vibrações na água, porque é que tinham tanta dificuldade em localizar as raparigas que não paravam de gritar a torto e a direito e faziam tanto estardalhaço? Estes pobres tubarões já deviam ter morrido de fome a tentar apanhar os peixes assanhados, que ainda assim eram mais silenciosos.
Como se vê, este é daqueles filmes que criaram um cenário sem preocupações com o realismo só para lá porem as raparigas e os tubarões. O fim, então, é para achar ridículo ou para rir às gargalhadas, o que acontecer primeiro. Filmes de tubarões não precisam de muito enredo mas “47 Meters Down: Uncaged” exagerou um bocadinho. Não há aqui nada para ver excepto tubarões a comer pessoas (mas isso já era de esperar) num cenário delirante. Personagens, enredo, drama, lógica, nada disso pesou em consideração. Mas se querem ver um peixe assanhado, é aqui.
Por último, o CGI dos tubarões é tão mauzinho que não consegui arranjar uma imagem decente para ilustrar o post sem que eles parecessem bonecos de plástico, o que já diz tudo.

* Sim, o peixe assanha-se e grita com a rapariga. Eu nem reparei nisto, pensei que tinha sido ela a gritar, como efectivamente grita, mas depois de ler algumas críticas que salientam este pormenor fui ver de novo e de facto o peixe grita. Já os tubarões estão caladinhos para não fazerem figuras tristes. O grito do peixe lembra-me aquela música dos Trovante: Onde as bruxas dançam, / quando os mochos amam / E as pedras choram. E os peixes gritam.

12 em 20 (mais um ponto porque o peixe grita)

  

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Shark Night 3D / Medo Profundo (2011)


Estava eu aqui a queixar-me no outro dia que os filmes de tubarões parecem todos iguais quando este aparece com uma reviravolta.
Mas não nos entusiasmemos. “Shark Night 3D” é muito mau, incrivelmente mau. Nos primeiros 30 minutos eu estava a pensar que este filme não devia ter sido feito em 1D, nem em 2D e muito menos em 3D.
“Shark Night 3D” começa como todos os outros filmes do género: meia dúzia de adolescentes vão passar um fim-de-semana à casa de campo de uma colega/amiga no Luisiana, à beira de um lago de água salgada, no intuito de beber, fornicar e tomar drogas, mas o lago tem tubarões e um dos jovens é prontamente atacado. Aqui começa logo a estupidez. O rapaz perde um braço mas não podem chamar uma ambulância porque os telemóveis não apanham rede (o que eles já sabiam) e a casa isolada (que é uma casa de família dos pais da rapariga, outra geração, portanto) não tem um telefone fixo? Nem sequer um rádio para as emergências? Custa-me a crer.
De seguida, o rapaz que perdeu o braço decide voltar à água para se vingar do tubarão, porque no bairro dele paga-se “olho por olho”, como se o tubarão fosse um grande gangsta de esquina. Escusado será dizer que o rapaz acaba por perder mais do que um braço...
Como é que os tubarões apareceram no lago, tão longe do mar? Uma das teorias dos adolescentes é que foram transportados para lá por uma inundação num dos últimos furacões. E é aqui que o filme de tubarões se torna numa espécie de “Deliverance” (quem não viu “Deliverance”, filme de 1972 com Jon Voight, Burt Reynolds e Ned Beatty, vá já correr a ver, até por uma questão de cultura geral para além da cinematográfica).
Basicamente, um grupo de pacóvios racistas e ressentidos descobriram nos tubarões uma maneira de se “vingarem” dos miúdos privilegiados da cidade. Pronto, era a reviravolta e eu queria falar de “Deliverance”, mas não há muito mais a dizer.

11 em 20 (porque não mataram o cão, desculpem o spoiler)


terça-feira, 19 de novembro de 2024

Great White / Tubarão Branco (2021)

Confesso que cada vez me custa mais fazer críticas a estes filmes de tubarões porque são todos iguais, iguais, iguais. Antes do princípio já sabemos como vai ser o fim. Esta crítica vai incidir nas originalidades que “Great White” ainda assim consegue trazer.
Um casal de guias turísticos passeiam turistas num hidroavião sobre as paisagens paradisíacas da Austrália. Se há algo de positivo a dizer de “Great White” é o grande aproveitamento da paisagem, quase um anúncio de férias em praias de águas verdes, azuis e translúcidas, vegetação luxuriante e areia branca. Até as filmagens subaquáticas estão muito bem feitas e com grande beleza (tirando as cenas sangrentas, isto é).
Os guias turísticos são contratados para conduzirem um casal a uma enseada deserta e remota que parece um postal turístico… até encontrarem um corpo masculino semi-comido e já sem pernas. O dono do hidroavião descobre que o homem não estava sozinho porque este tem fotografias de outra pessoa no telemóvel. (A primeira cena do filme são estes dois a serem atacados por um enorme tubarão branco, mas não falei nisso aqui.) Imediatamente decide ir à procura do barco onde os dois sinistrados deviam estar, mas comete um erro colossal: tem rádio no avião mas nunca comunica a descoberta do corpo à polícia nem as coordenadas para onde se dirige.
Acaba por encontrar um veleiro naufragado e faz uma amaragem. Depois de inspeccionar o interior do barco descobre o segundo cadáver.
É então que salta das águas o enorme tubarão branco e finca uma dentada no trem de amaragem e afunda o hidroavião! A tripulação tem de fugir para um daqueles salva-vidas de emergência de plástico e borracha antes de conseguir pedir ajuda pelo rádio (o que já devia ter feito ao encontrar o cadáver…). À deriva, dependem da maré e de remos improvisados para chegar a terra. Entretanto, vai-lhes acontecendo o que acontece em filmes de tubarões, especialmente porque estão a ser caçados não por um mas por dois tubarões brancos. (Fui pesquisar e a internet diz que é verdade: os tubarões podem caçar em grupo. Sempre deu para aprender alguma coisa que eu não sabia).
Agora vamos às absurdidades (ainda estou para ver um filme de tubarões sem elas).
Vamos admitir que por sorte o tubarão abocanhou o trem de amaragem no sítio certo e que não foi “esperteza”. Mas a certa altura outro tubarão (ou o mesmo) tem a feliz ideia de virar o salva-vidas, fazendo com que todos os sobreviventes vão parar à água. Boa estratégia, mas naquele cérebro tubarónico não lhe ocorreu fazer o mesmo uma e outra vez até os ter todos na água: refeição fácil e rápida. Da mesma forma, não ocorreu ao tubarão genial que afundou o hidroavião que bastaria uma dentada no salva-vidas para os apanhar a todos.
Sinceramente, tive pena dos tubarões por lhes terem passado um atestado de estupidez. Por falar nisso, os sobreviventes também não são muito espertos ou dois deles não teriam desatado aos murros num salva-vidas periclitante perseguido por tubarões. É uma questão de inteligência selectiva que dá jeito ao enredo.
“Great White” não é um grande filme, tresanda a clichés e a todos os erros convenientes, mas se quiserem ver um tubarão a afundar um hidroavião é aqui.

12 em 20



PS: Muitas espécies de tubarões estão em extinção. Uma das coisas que podemos fazer para travar isto é deixar de comer espécies protegidas, por exemplo, na sopa de barbatana de tubarão. Sim, a sopa é boa, mas o que fazem aos tubarões é horrível. Pescam-nos, cortam-lhes a barbatana e atiram-nos de novo ao mar ainda vivos, sem poderem nadar e sem se poderem defender dos outros predadores que os comem vivos. Vi com os meus olhos num documentário. Fiquei horrorizada. Entre nós o tubarão é chamado cação e entra na caldeirada. Rejeitem. Informem-se. Os tubarões são necessários ao ecossistema marinho como os leões são necessários na savana. Sim, eu sei que os leões são mais fofinhos e é fácil detestar tubarões, mas o princípio é o mesmo.