terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Groundhog Day / O Feitiço do Tempo (1993)

Custa a acreditar, até a mim, mas só recentemente vi este filme. Até estava convencida de que era com Bruce Willis, mas acho que estou a confundir com "12 Monkeys" (que também ainda não vi). Apesar de não ter visto "Groundhog Day", já tinha ouvido falar muito sobre o filme, que já se tornou parte da cultura geral. Então, o que é que há aqui de tão bom?
Eu diria que é a originalidade. Phil, um meteorologista televisivo, egocêntrico e egoísta, vai fazer a cobertura do Groundhog Day, só para se ver condenado a repetir este dia uma e outra vez, sem que o amanhã nunca chegue e sem que ninguém que o rodeia esteja a passar pela mesma experiência.
O Groundhog Day, 2 de Fevereiro, é uma tradição americana que diz que neste dia a marmota sai da toca e, se conseguir ver a sua sombra, haverá mais 6 semanas de inverno. (Nós também temos um ditado assim: Natal à soalheira, Carnaval à lareira; e vice-versa.)
"Groundhog Day" parece o enredo de um filme de terror, mas curiosamente tenta ser uma comédia. Digo que tenta porque não achei graça nenhuma e até me pergunto que raio de humor as pessoas tinham nos anos 90 que achassem um tipo destes engraçado. A primeira coisa que Phil tenta fazer, quando se apercebe da situação, é obter informações sobre as mulheres que lhe agradam para no dia seguinte (que para ele é o mesmo) as conseguir seduzir melhor, mesmo que tenha de inventar mentiras para as convencer do que "têm em comum". É este o tipo de homem.
Passada esta fase, Phil entra em frustração e até em depressão, tentando suicidar-se de várias maneiras e por várias vezes (continuo sem achar graça nenhuma). A única parte que achei minimamente engraçada é quando ele decide, em desespero de causa, matar a marmota a quem culpa da "maldição". Não resulta.
O que realmente resulta, e é esta a substância do filme, é que à medida que o tempo passa (ou melhor, que Phil vive o mesmo dia vez após vez) ele se vai transformando num homem melhor, mais sensível aos outros, mais generoso, mais sincero. Ou seja, é uma metáfora para quem precisa de se tornar uma pessoa melhor de modo a atingir o que realmente deseja da vida.
"Groundhog Day" não é apenas uma comédia, é uma comédia romântica, e Phil apaixona-se pela produtora do programa, que não lhe liga nenhuma. Vão ser precisos dias, e dias, e dias, e dias, até que finalmente Phil consiga que ela o veja como o novo homem em que ele agora se tornou, de um dia para o outro, na perspectiva dela. E o feitiço fica quebrado.
Como comédia, já disse que não achei graça nenhuma. Como comédia romântica ainda menos: os actores não têm a menor química entre eles, já para não dizer que seria muito improvável que a produtora se perdesse de amores por Phil num único dia (para ela).
Desconheço se este foi o primeiro filme de um loop temporal, mas tudo indica que é o mais famoso e mais citado sempre que a situação se apresenta noutros filmes ou em cenários idênticos, no sentido literal ou figurativo. Só por isso vale a pena ver "Groundhog Day", mas para o meu gosto pessoal está demasiado datado e não tem piada nenhuma, se calhar, talvez, porque entretanto vi derivativos muito melhores.

12 em 20

 

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