Mostrar mensagens com a etiqueta Submersos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Submersos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 9 de agosto de 2026

Meg 2: The Trench / Meg 2: O Regresso do Tubarão Gigante (2023)

Este filme é tão mau que corre o risco de se tornar um clássico. E como é um filme de tubarões completamente sem sangue também serve para se ver com a criançada em tardes em família ou em convívio de amigos para a galhofa. E acabaram as qualidades do filme.
Vi o primeiro "The Meg" e, apesar da premissa mirabolante, até não desgostei. Megalodontes julgados extintos afinal ainda existem, vivem nas profundezas desconhecidas do oceano, e quando são incomodados saem de lá para comer pessoas. Esta sequela, contudo, coloca a franchise ao nível de Sharknado, e até acho que é de propósito. Se a ficção científica por trás de "The Meg" já é rebuscada, aqui a ciência é completamente atirada às urtigas.
O filme é demasiado longo e pode ser dividido em três partes. Na primeira, encontramos alguns sobreviventes do primeiro filme e conhecemos personagens novas. Uma empresa de pesquisa oceânica capturou uma megalodonte fêmea quando era cria e um dos cientistas acredita que conseguiu amestrá-la. Mas, quando a fêmea entra no cio, destrói a jaula onde a tinham presa e parte em busca de machos. Esta empresa tão cheia de tecnologias de ponta nem se apercebe da fuga.
Segunda parte, os cientistas mergulham em dois submarinos numa investigação às profundezas quando são surpreendidos pela fêmea e pelos machos. A única razão porque não são logo atacados é porque os megalodontes estão demasiado ocupados a acasalar.
Mas aqui vamos esquecer os tubarões durante meia hora. Os submarinos foram sabotados por uma companhia maléfica que opera secretamente no fundo do mar, a 7,5 km de profundidade, para extrair metais raros. Esta empresa maléfica ataca os protagonistas porque... eles são donos do mar? Porque a actividade é ilegal? E como é que a empresa maléfica montou uma base submarina em território de megalodontes sem que estes dessem por isso? Esqueçam lá isso, este filme não é para pensar. Mesmo assim tentei prestar toda a atenção possível e só percebi que este subplot dos vilões malvados não faz sentido, apenas torna o filme longo e chato, e não se perdia nada se tivesse sido cortado. Ainda por cima há a cena interminável em que os personagens têm de caminhar 3 km no leito do mar, só com fatos de mergulho. Ora isto é outro filme, amiguinhos, e igualmente mau, mas apesar de tudo "Underwater" conseguiu transmitir a sensação de perigo e claustrofobia das profundezas. Em "Meg 2: The Trench" nota-se claramente que a cena nem sequer foi filmada debaixo de água (nem sequer numa piscina), muito menos a 7,5 km de profundidade. E depois acontece isto: a certa altura o protagonista tem de nadar sem o fato, mas não faz mal, porque "se ele expulsar o ar do nariz" ainda consegue sobreviver 30 ou 60 segundos. Isto aconteceu. Apenas um minuto depois de uma personagem secundária ter implodido dentro do fato. Ou seja, é esta a ciência da coisa: só os protagonistas conseguem sobreviver sem fato especial a 7,5 km de profundidade. Isto só não é grave porque é muito improvável que qualquer pessoa normal que esteja a ver este filme alguma vez se encontre em situação similar, mas é chato estar a passar estas falsidades científicas aos putos.
Terceira parte. Meia hora depois, finalmente, os personagens principais emergem das profundezas e começa aquilo que nos trouxe aqui: os tubarões. Mas por terem perturbado o habitat, aparentemente, com eles emergem também um polvo gigante e meia dúzia de dinossauros tipo crocodilo/raptor.
Pausa para falar nos dinossauros. Estes bichos são muito parecidos com outros que aparecem em "65", não sei se são da família. O absurdo é que estes dinossauros das profundezas, que nunca de lá saíram durante milhões de anos, são anfíbios, respiram oxigénio, têm patinhas e dentuças e correm que se farta em terra firme. A princípio até questionei a minha sanidade e voltei atrás para tentar perceber se estes bichos tinham mesmo vindo do fundo da fossa submarina. Vieram, e isto não é para pensar.
A última meia hora é que é efectivamente o que a gente queria ver: megalodontes a engolir banhistas na praia como uma baleia engole plâncton, dinossauros a comer os vilões, polvo gigante a fazer coisas de polvo gigante. Uma carnificina, mas sem uma gota de sangue porque isto é para miúdos. Também temos o protagonista a surfar uma onda numa mota de jetski para enfrentar um megalodonte olhos nos olhos com uma lança explosiva improvisada. É isto, é Sharknado, ninguém diga que foi ao engano.
Sobre os efeitos especiais, há partes que convencem e partes ao nível daqueles reels de IA muito chunga e baratucha de 5 euros por mês (e se calhar até são). Dá quase a entender que o orçamento não chegou para tudo. Pessoalmente, lamento a falta de qualidade do polvo e do megalodonte num momento crucial que até podia ter tido mais impacto se o resultado tivesse sido mais realista.
O final, e desculpem lá o spoiler, são os protagonistas na praia, a brindar e a rir, como se não tivessem acabado de ver centenas de pessoas morrer selvaticamente à frente deles, nomeadamente colegas e amigos. Sei que isto é "para crianças" mas não fazia mal um bocadinho mais de sensibilidade. As criancinhas também apreciam.
Entretanto, a fêmea amestrada (?) fica à solta, possivelmente grávida, o que cheira a outra sequela.
Não consegui ver o filme duas vezes, fui logo ler as críticas, e descobri que os filmes são baseados numa série de livros de Steve Alten. Das opiniões que li, os livros são melhores do que os filmes, portanto fica a nota.
Quero só destacar a cena de abertura, que parece outro reel para o Tik Tok: uma animação com dinossauros, um tiranossauro e um megalodonte. Tiranossauros e megalodontes não foram contemporâneos mas isso não interessa nada aqui, o objectivo é dar-nos uma ideia das dimensões do bicho e nisso foi muito eficaz.

11 em 20


terça-feira, 9 de setembro de 2025

Underwater / Submersos (2020)

Não gostei deste filme por várias razões. A principal, as personagens não têm personalidade. Kristen Stewart (a miúda do Twilight) é Norah, investigadora numa base de uma empresa de extracção petrolífera situada algures na Fossa das Marianas (nunca percebi se mesmo no fundo ou muito perto do fundo) onde a profundidade alcança os 10.000km. Nunca sabemos nada de Norah, pelo que depreendo que a intenção era mesmo pensar nela como a miúda do Twilight, com o aliciamento de a vermos várias vezes em roupa interior (muito desportiva, mas é roupa interior).
Mal o filme tinha começado, algo (um tremor de terra ou outra coisa que vai aparecer depois) faz com que a base sofra danos estruturais e fique inundada, inutilizando os meios de fuga. Norah e meia dúzia de sobreviventes decidem descer até uma base antiga mais abaixo (mesmo no fundo, ou ainda não) que vai implicar terem de caminhar pelo leito do mar em fatos especiais. Durante a descida há alguém que implode dentro do fato devido à pressão astronómica da profundidade, o que teria sido bastante perturbador se tivéssemos conhecido a personagem, mas desta forma foi só um momento de choque gratuito e nem sequer conseguimos perceber bem quem morreu.
A segunda razão porque não gostei deste filme foi a grande dificuldade em acompanhar a velocidade alucinante da acção. Desafio qualquer pessoa a ver o filme comigo e a conseguir explicar-me exactamente, a cada momento, o que se passa e porquê. Demorei umas três horas a ver o filme com tanto rewind que tive de fazer nas partes em que a acção me perdeu completamente, e mesmo assim não consegui perceber tudo o que se passava.
A caminho da base, os sobreviventes são atacados por um monstro marinho das profundezas. A terceira razão por que não gostei deste filme é que algumas das cenas com os monstros são decalcadas de "Alien", muito especialmente a do monstro bebé. Uma espécie desconhecida de criaturas marinhas (que podem ou não ter provocado o acidente na base principal, não se percebe o que realmente aconteceu) devia ter sido o ponto alto do filme, mas infelizmente os monstros não foram bem explorados e não são tão assustadores como poderiam ser. Quem esperar ver aqui um "Alien" submarino vai ficar muito desapontado.
Saliento a única cena interessante do filme, que foi a perspectiva de quem está a ser engolido vivo, possível porque o engolido estava dentro do fato. Se não é original, é pelo menos pouco habitual. Tudo o resto neste filme nos dá a sensação de que já vimos semelhante e muito melhor, e que o realizador se limitou a fazer uma cópia mazinha para arrecadar uns trocos.
Nem Kristen Stewart de bikini, suada e a exibir os músculos, salva "Underwater" do completo afundanço. Que desperdício.

11 em 20