Este filme é tão mau que corre o risco de se tornar um clássico. E como é um filme de tubarões completamente sem sangue também serve para se ver com a criançada em tardes em família ou em convívio de amigos para a galhofa. E acabaram as qualidades do filme.
Vi o primeiro "The Meg" e, apesar da premissa mirabolante, até não desgostei. Megalodontes julgados extintos afinal ainda existem, vivem nas profundezas desconhecidas do oceano, e quando são incomodados saem de lá para comer pessoas. Esta sequela, contudo, coloca a franchise ao nível de Sharknado, e até acho que é de propósito. Se a ficção científica por trás de "The Meg" já é rebuscada, aqui a ciência é completamente atirada às urtigas.
O filme é demasiado longo e pode ser dividido em três partes. Na primeira, encontramos alguns sobreviventes do primeiro filme e conhecemos personagens novas. Uma empresa de pesquisa oceânica capturou uma megalodonte fêmea quando era cria e um dos cientistas acredita que conseguiu amestrá-la. Mas, quando a fêmea entra no cio, destrói a jaula onde a tinham presa e parte em busca de machos. Esta empresa tão cheia de tecnologias de ponta nem se apercebe da fuga.
Segunda parte, os cientistas mergulham em dois submarinos numa investigação às profundezas quando são surpreendidos pela fêmea e pelos machos. A única razão porque não são logo atacados é porque os megalodontes estão demasiado ocupados a acasalar.
Mas aqui vamos esquecer os tubarões durante meia hora. Os submarinos foram sabotados por uma companhia maléfica que opera secretamente no fundo do mar, a 7,5 km de profundidade, para extrair metais raros. Esta empresa maléfica ataca os protagonistas porque... eles são donos do mar? Porque a actividade é ilegal? E como é que a empresa maléfica montou uma base submarina em território de megalodontes sem que estes dessem por isso? Esqueçam lá isso, este filme não é para pensar. Mesmo assim tentei prestar toda a atenção possível e só percebi que este subplot dos vilões malvados não faz sentido, apenas torna o filme longo e chato, e não se perdia nada se tivesse sido cortado. Ainda por cima há a cena interminável em que os personagens têm de caminhar 3 km no leito do mar, só com fatos de mergulho. Ora isto é outro filme, amiguinhos, e igualmente mau, mas apesar de tudo "Underwater" conseguiu transmitir a sensação de perigo e claustrofobia das profundezas. Em "Meg 2: The Trench" nota-se claramente que a cena nem sequer foi filmada debaixo de água (nem sequer numa piscina), muito menos a 7,5 km de profundidade. E depois acontece isto: a certa altura o protagonista tem de nadar sem o fato, mas não faz mal, porque "se ele expulsar o ar do nariz" ainda consegue sobreviver 30 ou 60 segundos. Isto aconteceu. Apenas um minuto depois de uma personagem secundária ter implodido dentro do fato. Ou seja, é esta a ciência da coisa: só os protagonistas conseguem sobreviver sem fato especial a 7,5 km de profundidade. Isto só não é grave porque é muito improvável que qualquer pessoa normal que esteja a ver este filme alguma vez se encontre em situação similar, mas é chato estar a passar estas falsidades científicas aos putos.
Terceira parte. Meia hora depois, finalmente, os personagens principais emergem das profundezas e começa aquilo que nos trouxe aqui: os tubarões. Mas por terem perturbado o habitat, aparentemente, com eles emergem também um polvo gigante e meia dúzia de dinossauros tipo crocodilo/raptor.
Pausa para falar nos dinossauros. Estes bichos são muito parecidos com outros que aparecem em "65", não sei se são da família. O absurdo é que estes dinossauros das profundezas, que nunca de lá saíram durante milhões de anos, são anfíbios, respiram oxigénio, têm patinhas e dentuças e correm que se farta em terra firme. A princípio até questionei a minha sanidade e voltei atrás para tentar perceber se estes bichos tinham mesmo vindo do fundo da fossa submarina. Vieram, e isto não é para pensar.
A última meia hora é que é efectivamente o que a gente queria ver: megalodontes a engolir banhistas na praia como uma baleia engole plâncton, dinossauros a comer os vilões, polvo gigante a fazer coisas de polvo gigante. Uma carnificina, mas sem uma gota de sangue porque isto é para miúdos. Também temos o protagonista a surfar uma onda numa mota de jetski para enfrentar um megalodonte olhos nos olhos com uma lança explosiva improvisada. É isto, é Sharknado, ninguém diga que foi ao engano.
Sobre os efeitos especiais, há partes que convencem e partes ao nível daqueles reels de IA muito chunga e baratucha de 5 euros por mês (e se calhar até são). Dá quase a entender que o orçamento não chegou para tudo. Pessoalmente, lamento a falta de qualidade do polvo e do megalodonte num momento crucial que até podia ter tido mais impacto se o resultado tivesse sido mais realista.
O final, e desculpem lá o spoiler, são os protagonistas na praia, a brindar e a rir, como se não tivessem acabado de ver centenas de pessoas morrer selvaticamente à frente deles, nomeadamente colegas e amigos. Sei que isto é "para crianças" mas não fazia mal um bocadinho mais de sensibilidade. As criancinhas também apreciam.
Entretanto, a fêmea amestrada (?) fica à solta, possivelmente grávida, o que cheira a outra sequela.
Não consegui ver o filme duas vezes, fui logo ler as críticas, e descobri que os filmes são baseados numa série de livros de Steve Alten. Das opiniões que li, os livros são melhores do que os filmes, portanto fica a nota.
Quero só destacar a cena de abertura, que parece outro reel para o Tik Tok: uma animação com dinossauros, um tiranossauro e um megalodonte. Tiranossauros e megalodontes não foram contemporâneos mas isso não interessa nada aqui, o objectivo é dar-nos uma ideia das dimensões do bicho e nisso foi muito eficaz.
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domingo, 9 de agosto de 2026
Meg 2: The Trench / Meg 2: O Regresso do Tubarão Gigante (2023)
domingo, 12 de julho de 2026
65 (2023)
"Alien" encontra "Jurassic Park" e temos ficção científica de terror com dinossauros.
Quando a sua nave é atingida por meteoritos, o astronauta Mills despenha-se num planeta desconhecido que é a nossa Terra há 65 milhões de anos. O início assemelha-se ao ambiente espacial de "Alien" mas os dinossauros remetem-nos imediatamente para "Jurassic Park". O fio condutor é o horror sci-fi, em que os dinossauros são efectivamente tão ameaçadores e alienígenas como o xenomorfo de Nostromo.
Além de Mills, a única sobrevivente é Koa, uma miúda com cerca de 10 anos que o recorda da própria filha. Ambos têm de percorrer uma distância de vários quilómetros até à única nave salva-vidas que ainda está funcional depois do impacto, mas o percurso está repleto de dinossauros.
Tenho algumas dúvidas sobre a que faixa etária se destina este filme. Alguns dos dinossauros são tão fofinhos que parecem bonecos de desenho animado para crianças, e a própria interacção paternal de Mills com Koa e os momentos de humor entre ambos nos poderiam sugerir isso, até porque estes dinossauros fofinhos estão lá de propósito, não são problema de CGI. Por outro lado, os restantes dinossauros são efectivamente aterradores. Os dinossauros vão surgindo com um nível crescente de ameaça, culminando nuns tiranossauros gigantescos (se não são T-Rex são da família, e muito mais feios e mal-encarados do que os de "Jurassic Park"). Um deles, devido à perspectiva, até parece do tamanho de Godzilla. E depois juntam-se vários a cercar os personagens. Algumas das cenas são uma homenagem descarada a "Jurassic Park", e igualmente de roer as unhas, com o factor adicional de que Mills e Koa não estão em território familiar nem conhecem o comportamento dos répteis que os perseguem. O risco de serem engolidos inteiros por uma destas bocarras é muito real e palpável.
A maior ameaça chega no fim, contudo, quando percebemos que os personagens estão na Terra no preciso momento em que esta vai ser atingida pelo asteróide que supostamente extinguiu os dinossauros. Dizem que os raios não caem no mesmo sítio duas vezes, mas, aqui, os meteoritos não ligam à regra.
"65" não é um filme grandioso e inesquecível, mas é uma história de acção e sobrevivência com muitos momentos de meter medo. A mim, pelo menos, meteu medo, porque eu tenho muito medo de dinossauros. Infelizmente, também tive pena dos bichinhos. É duro.
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