A premissa até é boa, o resto do filme é que não. Num mundo cada vez mais controlado pela Inteligência Artificial, um super-computador, Kronos, é criado para resolver todos os problemas do mundo. Diz o filme que Kronos, em menos de um piscar de olhos, percebeu logo que os problemas do mundo são causados pela humanidade e passou imediatamente a destruí-la.
Vou já fazer aqui um aparte porque, apesar da minha inteligência ser apenas natural, concordo completamente com o computador. Por muito avançado que este seja, o código base agiria assim:
_ TASK: SAVE HUMANITY
_ SUB-TASK 1: DETECT PROBLEM
_ _ PROBLEM DETECTED: HUMANITY
_ _ CORRECT PROBLEM: TERMINATE HUMANITY
_ _ PROBLEM CORRECTED: HUMANITY TERMINATED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_
_
_
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_
_
_
_ REBOOT
_ SUB-TASK 1: DETECT PROBLEM
_ ACCOMPLISHED
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ _ HUMANITY TERMINATED
_
_
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_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_
_
_
_ REBOOT
_ SUB-TASK 2: SAVE HUMANITY
_ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _ CRITICAL ERROR _ _ _
_ SHUTTING DOWN SYSTEM
_ REBOOT
_
_
E é por isso que não podemos deixar estes dilemas morais à Inteligência Artificial, porque a Inteligência Artificial não consegue resolver problemas morais porque não tem consciência moral. Ter consciência moral não é obedecer a um código/norma moral, é compreender porque é que o código moral existe, corrigi-lo se necessário, e criar novas normas quando as antigas já não são válidas. É por isso que os seres humanos desobedecem a ordens que violem os seus princípios, coisa que a Inteligência Artificial também não tem.
Mas isto já é muita filosofia para este filme, que descamba num Young Adult muito pobrezinho e nada original.
97 anos depois da destruição da esmagadora maioria dos seres humanos pelas próprias máquinas de guerra que eles criaram, apenas uns poucos sobrevivem.
Katniss... isto é, a jovem Calia (toda vestida à Katniss, arco e flechas, cabelo e tudo) tenta encontrar o último reduto da humanidade, um local quase mitológico chamado Aurora. No trajecto, encontra outro jovem, Andrew, que a acompanha. A meio do caminho, Calia descobre que Andrew é um robô/andróide, criado para ganhar a confiança dos humanos, mas Andrew não sabe que é uma máquina, tipo Cylons na série "Battlestar Galactica". Por esta altura Calia já está apaixonada pelo robô, e ele por ela (?...). E o que é que ela faz? Leva-o direitinho a Aurora.
Esta humanidade merece mesmo ser exterminada. Só há uma coisa pior do que a ruindade, e essa é a estupidez. Geralmente as duas andam de mãos dadas. Esta criatura arriscou levar um robô espião ao último reduto da humanidade, sem pensar que estava a ajudar as máquinas a localizar e destruir os possíveis sobreviventes. Exterminem já esta criatura!
Não vou dizer o que é que acontece a seguir, porque aqui o filme torna-se quase incompreensível e o final não faz sentido nenhum. Basicamente, é um Young Adult muito mal feito. A protagonista, a última da sua família/grupo, sobrevivendo escondida em florestas e subúrbios desertos, anda vestida e penteada como quem saiu de um pronto-a-vestir e de um cabeleireiro. As casas onde ambos se escondem, que deviam estar abandonadas há décadas, não têm pó nem uma única teia de aranha, como se os donos tivessem ido de férias há uma semana. Porque é que há gente a fazer filmes de ficção científica em que nem estas coisas básicas são respeitadas?
"Singularity" é um filme muito mau que nem o romance rapariga/robô consegue vender. A evitar.
10 em 20
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Singularity / Singularidade (2017)
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