Quanto ao caso Freeport, calma lá convosco! Não é por um fulano vir dizer, num dvd manhoso, que um gajo recebeu luvas, que o gajo recebeu mesmo.
Eu também podia vir para aqui contar aquela história de como me encontrei certa noite numa esquina escura com o Histérico, o tal que fez uma licenciatura em part time porque é muito esperto e quem disser o contrário é por "inveja, e ciúmes" (...) "do sucesso do país!!!", ambos de volta de uma máquina de tabaco, e ele me pediu 50 cêntimos para um maço de mata ratos. Aflitinho da silva, sem fumar há não sei quantas horas, aproveitei-me logo ali e disse-lhe: "pá, até te dou os 50 cêntimos mas em troca vais alterar aquela lei do tabaco ridícula, para não estarmos aqui os dois a viver numa hipocrisia desmedida, e vais permitir que se estabeleçam salas só para fumadores de onde os não fumadores sejam corridos a pontapé!". E aflitinho da silva ele dizia "sim, "sim", e eu enfatizava: "Mas proibidos mesmo!", e ele "sim, sim", e eu: "E um grande pontapé do cú daquele gajo sinistro da saúde, o Francisco George, que só de o ver até fico doente!". E tudo isto em troca de 50 cêntimos. E podia vir para aqui dizê-lo, e é tudo mentira. Isto do diz-que-disse não interessa nada. Interessava era que a justiça funcionasse e não fosse preciso a vergonha, depois do escândalo que foi o caso Maddie, que mais uma vez o nome da nação fosse achincalhado lá fora, perante toda a Europa, e ainda me perguntam porque é que eu sou europeísta. Sou europeísta porque é preciso vir a justiça de um país europeu, neste caso a Inglaterra, pôr a descoberto o que a portuguesa enterrou sem lhe cheirar a nada, neste cadáver putrefacto em que este caso será, porventura, apenas a primeira larva a aparecer à superfície da carne podre, por excesso de bichos a mexer dentro da pele já carcomida, e o país se torne lá fora a anedota que as pessoas inteligentes já sabem que é... cá dentro. Não sei se é falta de inteligência ou uma terrível doença: a falta de cheiro.
Eu bem que tinha a sensação de que o ano de 2009 ia ser muito divertido mas não o imaginava mais do que a melhor britcom. Allô allô? Fala o primo do filho do tio?
Ele é o palhaço do Banco de Portugal, todos os dias a levar nos cornos do CDS (vai-te a ele Portas!), é o outro, o conselheiro de Estado, a desdizer o que disse o outro velhote vice-presidente do Palhaço (estará tão mal de saúde ou será a consciência, porque já ninguém acredita em nada do que dizem, porque onde não há culpados também não há inocentes), são os inteligentes bloggers deste país ainda a acreditarem no Pai Natal ou a fazerem que acreditam (onde não há culpados também não há inocentes), é a comédia do BPP e do BPN e do BCP, onde também não há culpados, só pessoas de bem, e as ameaças do costume com a crise. Crise, qual crise? A única crise que há de facto é a falta de vergonha. Corja de governantes e corja de ingovernáveis. Onde não há culpados também não há inocentes.
Para mais considerações sobre o cadáver, remeto para o post sobre o livro "A Morte de Portugal", de Miguel Real, onde está tudo dito e redito.
Agora é tempo de rir. Riamos pois que é tempo disso!
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de maio de 2008
Da desigualdade

Ruínas de Pompeia, Jardim dos Fugitivos
É por estas e outras que falar sobre Portugal me põe doente mas as putas das Musas não param de me gritar na cabeça que tenho de o fazer. Ainda ninguém pegou nisto como deve ser. Calhou-me a mim a fava. Pois cá vai.
Segundo o Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia com dados de 2004, Portugal é o país da Europa onde existe mais desigualdade.
Somos mesmo tão bons, mas tão bons, que até superamos a desigualdade dos grandes Estados Unidos of fucking A, toma lá yankee! O Governo, por outro lado, já veio desmentir, todo contente, porque entretanto, em 2006, já fomos ultrapassados pela Letónia, país que não anda a mamar fundos de Bruxelas há vinte e tal anos (como nós). Ah, já podemos ficar descansados. Continuamos a bater os Estados Unidos e não somos os últimos da Europa! Somos geniais!
Mas em Portugal a desigualdade não é apenas económica. Antes fosse. Em Portugal a desigualdade existe também perante a Lei. Os ricos e poderosos fumam no Casino e no avião fretado, os pobres fumam na rua como os cães. (Eu já vos tinha dito, quando comecei a roer o osso, que Leis Secas nunca são para todos.) Isto, meus amigos, é apenas a face visível, ridícula, desprezível do enorme cancro que se chama Justiça. Não é a desigualdade económica que gera injustiça. Aqui é ao contrário. É a falta de Justiça que gera todas as desigualdades. Aprendei isto ou permanecei cegos.
Perguntava hoje um leitor indignado, no jornal gratuito "Global":
«José Sócrates lamentou, pedindo-nos desculpa, ter fumado no avião que o levou à Venezuela, dizendo que "não sabia estar a violar a lei". Não sabia que há uma lei que proíbe fumar em locais fechados, em transportes públicos, incluindo aviões? Mas o mais surpreendente foi a TAP defender a atitude do PM e de outros elementos do seu séquito de viagem, os quais também prevaricaram, fumando, afirmando que "num voo não comercial as regras competem a quem o frete". Para mim, esta defesa é deveras leviana e caricata: então eu posso fretar uma aeronave e nela transportar, por exemplo, armamento e droga?»
Caro amigo, infelizmente não acredito que me esteja a ler mas tenho pena. Pois caro amigo, se é rico e poderoso pode levar armas, pode levar drogas, pode levar miúdos em orgias pedófilas, pode levar tudo o que quiser! No estrangeiro também, e se for suficientemente rico e poderoso pode levar Maddies mortas em bagageiras de carro com cheiro a cadáver e nada lhe acontece, ou transportar presos para Guantanamo em voos ilegais com destino a tortura e execução sumária, só porque é rico e poderoso. A única diferença é que aqui é à descarada. Porque isto só veio a público porque toda a gente se está a cagar para um cigarrito. Houvessem armas, drogas, prostituição, já o chibo se calava muito caladinho antes que lhe fizessem a folha também porque quem tem cu tem medo. Aqui é à fartazana! É o regabofe! Ele é miúdos da Casa Pia, ele é sacos azuis, ele é fundos mamados directamente para os bolsos de indemnizações milionárias, e nada lhes acontece! Nem Roma, em todo o seu esplendor, conheceu tamanha impunidade! É o deboche, é a orgia, é o bacanal! Borbulha o Vesúvio, lança os seus vapores pestilentos e ninguém se mexe! São os últimos dias de Pompeia!
Quando me perguntam o que acho dos motins de Paris, é muito simples: ainda deviam ser mais!
Aqui não há motins porque o ar envenenado já matou tudo. O cheiro do cigarrito até disfarça o fedor a morte. Fume-se então, que o Vesúvio já tudo empesta.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Cães grandes e homens pequenos
Começa a faltar paciência para isto. Foi proibir o fumo, foi proibir as colheres de pau (tão úteis para dar disciplina às crianças desobedientes), foram os piercings, agora são os cães. Os cães perigosos. Admito que estou a ficar preocupada. Sou muito mais perigosa do que qualquer cão. Não mordo. Escrevo. Mas sou capaz de ficar ofendida se alguém me mandar executar um dia destes devido ao perigo que ponho para os outros seres humanos (principalmente às quartas feiras à noite, depois do "Dexter"). Sei lá, quem vos garante?... Posso ser um serial killer disfarçado de gótica.
Começa também a faltar a paciência para falar disto, tal são tão repetitivas estas medidas ridículas ladradas por um governo de pinchers que as palavras começam a escassear, até para um "animal feroz" como eu, mas vou tentar.
Proibida importação e reprodução de cães perigosos
O Governo vai proibir a importação, criação e reprodução de cães de sete raças consideradas perigosas e de todos aqueles que resultem do cruzamento de animais destas raças ou com outras espécies. A notícia é avançada pela TSF e abranges as raças Pit bull, Rottweiler, Cão de fila brasileiro, Dogue argentino, Staffordshire terrier americano, Staffordshire bull terrier e Toza inu.
Cães perigosos: lutas de morte
Animais são utilizados para ameaçar, assaltar e divertir. Lutas são organizadas por classes altas e baixas e ocorrem um pouco por todo o país. Só em Sintra, GNR apreendeu 30 cães usados em combates
Porto: câmara vai despejar donos de cães perigosos
Também estão previstas multas nos Bairros Municipais
Quem continuar a ter cães «perigosos» ou «potencialmente perigosos» dentro das habitações municipais será alvo de despejo. A proposta foi, esta terça-feira, aprovada em reunião da Câmara do Porto, por unanimidade. A regra já existia, mas não previa a possibilidade de despejo.
Cães cada vez mais ilegais
Criadores das denominadas «raças perigosas» criticam novas medidas. Garantem que polícia não entra nos bairros onde há mercado paralelo destes animais. «É o caminho mais fácil e uma medida extrema». Associações falam em aumento da taxa de abandono
O Governo escolher «o caminho mais fácil e optou por uma medida extrema», afirmou ao PortugalDiário Hugo Ramos, presidente do Rottweiler Clube de Portugal. Para este amante da canicultura a justificação para a proibição de importar ou criar estes animais é óbvia: «Dava muito trabalho» fiscalizar a lei que aprovaram em 2007.
«Até porque», acusa, «fizeram uma lei que não estava regulamentada e, por isso, não era cumprida». «Estamos à espera há meses que o Governo, através da Direcção-geral de Veterinária, determinasse quem e em que termos podia criar os animais». Nada foi feito.
(...)
Animais vão ser abandonados
Já esta tarde, a associação ANIMAL alertou para um possível aumento do abandono de cães que poderá resultar da proibição da importação, reprodução e criação de cães de sete raças consideradas perigosas considerada pelo Governo.
«Quem vai pagar a factura são os animais que serão abandonados pois as pessoas vão querer furtar-se a estas condições entregando-os aos canis e gatis municipais. As pessoas não vão querer pagar pelas esterilizações», comentou à agência Lusa o presidente da associação de defesa dos direitos dos animais, Miguel Moutinho.
«Uma medida destas, imposta sem qualquer preparação, vai gerar uma reacção que vitimará os animais», acrescentou.
Quem me conhece sabe que nada no mundo me transtorna mais do que a malvadez contra os animais, de todas as vítimas aquelas que menos capacidade têm de defesa. Gente que maltrata animais é gente sádica e cobarde e é por isso que não gosto de gente que não gosta de animais. Gente sádica e cobarde só não tortura gente do seu tamanho porque mete o rabinho entre as pernas e mija-se todo. Gente que não gosta de animais não gosta de ninguém, nem de si próprio.
É o caso deste governo que na falta de tamanho para deixar obra grande e nacional na Justiça, na Educação, na Saúde, vai fazendo de mau pai de família a quem já nem o mais pequeno pirralho tem respeito.
Não vou fazer um post sobre a crueldade para com animais mas aproveito para divulgar uma medida, essa sim meritória, da sociedade civil, a petição online e em papel da Associação Animal, "Pelo Fim dos Crimes Sem Castigo" e para definir penas a aplicar às bestas que maltratam os animais ou que os mantêm para fins tenebrosos, com o propósito de levar o assunto à Assembleia da República e fazer de facto alguma coisa de jeito.
Isso sim, é de homem, e a petição pode ser assinada aqui.

Proibir não é apenas o caminho mais fácil, como já disse gente que há-de enterrar os ossos destes pinchers, é também o melhor caminho para demonstrar como são pequeninas as ideias deste governo cheio de tiques proibicionistas a que hoje, no "Metro", José Júdice apelidou de "abelhudismo".
Eu chamo-lhe pior. Como diria aquela entrevistada anónima do post anterior, "Os deputados estão na Assembleia da República a pensar em coisas destas? Está a brincar, não está?". Não está. O (des)governo está de facto sentado a pensar em coisas importantes para a nação como fazer cafés só para não fumadores (mas sem direito à escolha), proibir (sem direito à escolha) confecções artesanais de valor cultural inestimável como os pastéis de bacalhau da D. Alzira com que esta alimentou desde sempre a família, proibir os piercings nos filhos (dos outros), e até nos manda saber quais são os cães que se podem ter.
Não há palavras para descrever o ridículo desta lei/proposta/bosta que há-de ir com as telhas tão depressa como esta raça de anões que agora roça o traseiro, qual cão sarnoso, pelos gabinetes da assembleia.
É melhor não lhes dar ideias senão proibem também o pastor alemão, o podengo alentejano (em tempos mais felizes --ou mais optimistas-- tive um bichinho desses, rafeiro mas igualmente mau como as cobras e que pesava tanto como eu), o cão de fila açoreano, e, last but not least, essa besta impressionante e muito nossa que é o lindo Serra da Estrela. Tenho a impressão que esta gente nem sequer sabe o que é um Serra da Estrela, fechados como estão nos seus apartamentos assépticos onde só penetram os micróbios do ar condicionado (que eles não vêem e cujas alergias não dão notícias tão bombásticas). Se vissem um Serra da Estrela correr para eles a abanar o rabo eram capazes de gritar "leão!" e borrar-se todos. Em dias de lua cheia, tenho aqui uma gata que os esgatanhava todos caso eu deixasse (mas não é preciso porque para isso estou cá eu com o meu polegar oponível, cérebro de homo sapiens sapiens, e arma na mão: o voto).
Mas como esta gente chegou à definição de "cães perigosos" é para mim um mistério insondável. Mais um daqueles momentos de queixo caído a tentar imaginar a tortuosa tentativa de raciocínio destes frutos da consanguinidade. Mas afinal, não lhes foi difícil. São os cães da moda que aparecem nos jornais. Tocar nos donos não, que é gente muito, mas muito perigosa, e a malta do governo é tudo gente muito pequena como o Francisco George Director-Nacional da Saúde. Livra! Na volta até era preciso comprar balas para as pistolas dos polícias! Olha a despesa que não era! É de génio, sim senhor! Proibir meia dúzia de raças de cães. E claro, os criminosos, que é tudo gente que respeita o código penal, vão logo fazer o que os senhores querem. A correr e a saltar.
Actualmente pergunto-me que outra medida de génio estará na forja para sair e distrair a malta do verdadeiro abismo em que mergulha vertiginosamente enquanto vai cantando e rindo e vendo a bola. Será o quê? Proibir as ratas, que as há bem grandes e activas em todo o lado e toda a gente sabe que as ratas são perigosas?
-- E o texto ia tão bem, era mesmo preciso esta brejeirice?--
Definir o tamanho do cabelo por motivos de higiene pública? Proibir outra cor de verniz que não rosa? Agora não tenho dúvidas de que haverá infinitos ataques à inteligência mais mediana daqui até ao fim do mandato até que todos os wannabe ditadores tenham decretado a sua regrazinha. E cada vez menos gente lhes ligará porque toda a gente sabe o que acontece aos "paizinhos" que proibem tudo.
Desobediência geral. Até apetece entrar num café a fumar, com um piercing na língua, passeando um casal de rotweillers a acasalar. Palavra de honra, apetece ou não apetece? Ah pois apetece!
Neste caso, as boas notícias são também as más. Enquanto nos cai o coração aos pés porque em vez de governar o país os deputados andam entretidos a contar detritos fecais caninos na calçada e a apagar beatas acesas com a língua, quais dementes malcheirosos, é que estas regrazinhas de caca não são nada que não se anule em três dias assim que os traseiros sarnosos forem devidamente corridos da coisa pública.
Voltando ao assunto do fim de mandato, que isso sim é sério. Sei que até já se fala por aí de uma revolução armada. Obviamente, uma revolução, neste momento, não seria legítima nem produtiva. Mudar as moscas? Para isso, em 2009, basta votar no PSD.
Ainda não estão esgotadas todas as vias democráticas. O que é preciso fazer é uma revolução de mentalidades e acabar com o voto (in)útil. É preciso, em 2009, votar, mas votar em força e em peso, e votar em tudo menos no centrão. Votar em tudo desde o PCTP-MRPP à POUS, no Bloco, no CDS, até no PNR se a revolta for muita, ou um partido novo qualquer, tudo menos PS ou PSD. Obrigar os partidos a mexer-se começa no povo que o elege. Se os partidos são estagnados é porque o povo fede.
E se o povo fede é mais grave. Já fedeu muito nestes últimos trinta anos. Porque os homens são como os cães. Há homens grandes, que dão novos mundos ao mundo, e homens pequenos que proibem colheres de pau. Se o povo fede de podre, é tempo de homens pequenos.
Não digo eu, mas a História, que os homens pequenos são os mais perigosos de todos. Ou se lhes põe o açaimo a tempo ou devoram tudo o que encontram pela frente.
Agora basta. Enterro o osso. Já devo ter esgotado o tema durante uns largos meses para a frente em que será servido mais do mesmo.
Vou ali dar uma volta por motivos pessoais. Acordem-me quando começar a revolução.
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domingo, 16 de março de 2008
Desobediência
When the Nazis came for the communists,
I remained silent;
I was not a communist.
When they locked up the social democrats,
I remained silent;
I was not a social democrat.
When they came for the trade unionists,
I did not speak out;
I was not a trade unionist.
When they came for the Jews,
I remained silent;
I wasn't a Jew.
When they came for me,
there was no one left to speak out.
Eu juro que não sou eu que invento estas coisas. Antes fosse eu, que estivesse em casa sem fazer nada, a pensar em assuntos deprimentes para falar no blog. Infelizmente, eles não faltam. E esta hoje até me fez cair o queixo. Tabaco? Ainda se compreende. Obesidade, matar os gordos à fome? Tem a sua lógica. Agora o governo meter-se em assuntos que só dizem respeito a pais e filhos, como proibir piercings a jovens menores de idade e piercings na língua a toda a gente?! Mas esta gente ensandeceu de vez? "Come a sopa ou eu chamo a ASAE"? Quem disse bem foi uma entrevistada anónima que respondeu ao jornalista da RTP1: "Os deputados estão na Assembleia da República a pensar em coisas destas?! Não acredito. Está a brincar comigo, não está?" Pois a rapariga tem toda a razão. Isto é coisa para os Apanhados ou para o Gato Fedorento, ou para a criatura sinistra que é o Director Geral de Saúde, Francisco George, que pelos vistos tem mais corja igual lá enfiada no gabinete bolorento onde, à semelhança do que acontecia no bunker de Hitler, é proibido fumar.

Não, este não é o sinistro Francisco George, Director-Geral da Saúde e meu ódio de estimação. Este é o Lizard Man, que é um gajo porreiro. Francisco George é bem mais sinistro. Muito mais sinistro ainda do que o deputado que fala "axim" e quer proibir o piercing na língua. Balha-nos Deus, e no pénis e no clítoris, podem facher-se? Ou é chó uma questão de tempo antes que também chejam proibidos, chenor deputado? Por caucha da chaúdinha, pois então. Deus nos dê chaúdinha que hospitais já não há.
Eu própria gostava de tratar da saúdinha a estes senhores, que não sei se vão ser corridos assim que houver eleições porque o lobby do jogging parece uma hidra de sete cabeças que aparecem em todo o lado. Acho que se tivesse filhos menores era amanhã mesmo que os levava a uma loja de piercings e os mandava tatuar de alto a baixo. Se já fosse proibido, melhor ainda.
Porque aquilo de que eu quero falar é de desobediência. Tenho andado caladinha porque há muito bar por aí onde se desobedece à Lei do Tabaco. Às vezes, melhor que roer o osso, é enterrá-lo em sítio secreto. No que a lei é injusta, a sociedade restabelece a justiça. Há efectivamente, neste momento, bares para fumadores e não fumadores. De resto é como tudo. Quem não gosta do ambiente ou da música dá meia volta e sai. Escolha não falta. E assim é que deve ser.
Esta dos piercings, contudo, lembra-me a minha adolescência: "Tu não te metas na droga! Tu não me apareças grávida em casa! Tu não te vistas que nem uma viúva!"
De facto, podia ter dado em pior, mas não deu porque eu nunca fui desobediente. Para dizer a verdade, e este post é uma desculpa para escrever mais uma página do diário que se vai fazendo neste horror de sociedade absurda, desde a mais tenra infância que eu nunca compreendi o conceito dialéctico OBEDIÊNCIA / DESOBEDIÊNCIA. Ambas as palavras eram para mim chinês. De modo que não podia ser uma coisa que desconhecia completamente. Agora se me falarem no conceito RESPEITO / DESPREZO, é outra conversa. Ainda antes de conhecer as palavras já me regia por ele. E era basicamente assim: mandavam-me fazer alguma coisa cuja lógica ou importância eu não compreendia... estava tudo lixado! Pelo contrário, desconfiada que nem uma raposa (e com razões para isso), a proibição era para mim, ao invés da maioria das crianças que julgam que um prazer lhes está a ser negado, uma suspeição de que andavam a esconder-me algo para me tramar. Por exemplo, nunca ouvir dizer de mim "esta criança é desobediente". Ouvi, sim, muitas vezes, "fala mais baixo que ela está a ouvir". Ela, eu. Que se ouvisse demais era um problema. Eu até os compreendo. Explicar conceitos complicados a uma criança que não sabia ler nem escrever podia ser um bico de obra. Azar, eu até queria aprender a ler mas não me deixaram para "não me aborrecer na escola".
Tantos anos passados e quem tinha razão era eu. E já nessa altura as pessoas que lidavam comigo sabiam que se eu achasse que tinha razão não se fazia nada de mim. "Não venhas tarde para casa ou levas tareia." As tareias que eu levei! Mas a verdade é que a proibição sem lógica só me causava desprezo. Hoje, como dantes, só me causa desprezo.
Havia pessoas que não lidavam comigo muito frequentemente e ficavam sideradas com as minhas perguntas incómodas. "Criança reguila", ouvi também muitas vezes. Tinha um especial prazer em demonstrar-lhes que não era "reguila", estava simplesmente a ignorá-los. É assim um bocado como hoje, quando voto em Paulo Portas porque o respeito sem ele me mandar fazer nada, e porque não voto em ninguém do PS ou do PSD porque me dão vómitos. Pena o Manuel Alegre (que ninguém o cala mas não faz nada) não ter o golpe de asa para dar um chuto no partido. Olha, pena eu, a reguila, não ter estômago para a política. Dizem que aquilo é pior do que a aula de anatomia na morgue. E realmente cheira mal.
Esta coisa da obediência é-me, portanto, ainda hoje estranha, se bem que compreenda o conceito. Obedece-se para manter a ordem social. Não me passa pela cabeça, por exemplo, desobedecer a um polícia. Mais depressa fazia o que ele diz porque tenho pena que os agentes da ordem sejam tão mal pagos e desprezados, quanto mais ainda terem cidadãos a contrariá-los. Pois é, até já tenho pena da polícia, e nisto incluo a Polícia Judiciária que passou uma vergonha mundial com o caso Maddie. É de ter pena. Muitas vezes obedeço por essa razão, a pena. Claro que isto não é obediência. É protocolo de misericórdia. "Sim, senhor agente. Tem toda a razão, senhor agente".
Mas há uma altura em que já nem a obediência chega para manter a ordem. É a hora do lobo. Ou da raposa. A noite está escura e não há luar. Ouvem-se lá ao longe os caçadores a conspirar. (Ouvem-nos?)
Depois vêm falar de "mal difuso" e de "perigo de perder a coesão nacional", quando os deputados estão na Assembleia da República, como disse a anónima, não a fazer leis para o desenvolvimento do país mas tão só a meter-se na vida de pais e filhos?!
É a consanguinidade. Coitados, pensam que governar o país é a mesma coisa que ser pai de família. Deviam pensar mais onde andam os filhos deles antes de se meterem na vida dos outros. Pelo que conheço da corja com quem andei na faculdade, são os piores. E a pior notícia é que são esses meninos do papá as cobras do futuro. Esses não têm piercings na língua... só onde não se vê. Nem fumam, só snifam coca. Same old, same old. Sepulcros caiados por fora e cheios de podre por dentro. Tais pais, tais filhos.
Quando se chega a esta situação em que criaturas desprezíveis nos querem roubar a liberdade, só resta uma solução. Desobediência. Mas com jeitinho, que isto é um jogo perigoso. Eu prefiro chamar-lhe resistência.
Estou a pensar fazer um piercing no umbigo.
I remained silent;
I was not a communist.
When they locked up the social democrats,
I remained silent;
I was not a social democrat.
When they came for the trade unionists,
I did not speak out;
I was not a trade unionist.
When they came for the Jews,
I remained silent;
I wasn't a Jew.
When they came for me,
there was no one left to speak out.
Eu juro que não sou eu que invento estas coisas. Antes fosse eu, que estivesse em casa sem fazer nada, a pensar em assuntos deprimentes para falar no blog. Infelizmente, eles não faltam. E esta hoje até me fez cair o queixo. Tabaco? Ainda se compreende. Obesidade, matar os gordos à fome? Tem a sua lógica. Agora o governo meter-se em assuntos que só dizem respeito a pais e filhos, como proibir piercings a jovens menores de idade e piercings na língua a toda a gente?! Mas esta gente ensandeceu de vez? "Come a sopa ou eu chamo a ASAE"? Quem disse bem foi uma entrevistada anónima que respondeu ao jornalista da RTP1: "Os deputados estão na Assembleia da República a pensar em coisas destas?! Não acredito. Está a brincar comigo, não está?" Pois a rapariga tem toda a razão. Isto é coisa para os Apanhados ou para o Gato Fedorento, ou para a criatura sinistra que é o Director Geral de Saúde, Francisco George, que pelos vistos tem mais corja igual lá enfiada no gabinete bolorento onde, à semelhança do que acontecia no bunker de Hitler, é proibido fumar.

Não, este não é o sinistro Francisco George, Director-Geral da Saúde e meu ódio de estimação. Este é o Lizard Man, que é um gajo porreiro. Francisco George é bem mais sinistro. Muito mais sinistro ainda do que o deputado que fala "axim" e quer proibir o piercing na língua. Balha-nos Deus, e no pénis e no clítoris, podem facher-se? Ou é chó uma questão de tempo antes que também chejam proibidos, chenor deputado? Por caucha da chaúdinha, pois então. Deus nos dê chaúdinha que hospitais já não há.
Eu própria gostava de tratar da saúdinha a estes senhores, que não sei se vão ser corridos assim que houver eleições porque o lobby do jogging parece uma hidra de sete cabeças que aparecem em todo o lado. Acho que se tivesse filhos menores era amanhã mesmo que os levava a uma loja de piercings e os mandava tatuar de alto a baixo. Se já fosse proibido, melhor ainda.
Porque aquilo de que eu quero falar é de desobediência. Tenho andado caladinha porque há muito bar por aí onde se desobedece à Lei do Tabaco. Às vezes, melhor que roer o osso, é enterrá-lo em sítio secreto. No que a lei é injusta, a sociedade restabelece a justiça. Há efectivamente, neste momento, bares para fumadores e não fumadores. De resto é como tudo. Quem não gosta do ambiente ou da música dá meia volta e sai. Escolha não falta. E assim é que deve ser.
Esta dos piercings, contudo, lembra-me a minha adolescência: "Tu não te metas na droga! Tu não me apareças grávida em casa! Tu não te vistas que nem uma viúva!"
De facto, podia ter dado em pior, mas não deu porque eu nunca fui desobediente. Para dizer a verdade, e este post é uma desculpa para escrever mais uma página do diário que se vai fazendo neste horror de sociedade absurda, desde a mais tenra infância que eu nunca compreendi o conceito dialéctico OBEDIÊNCIA / DESOBEDIÊNCIA. Ambas as palavras eram para mim chinês. De modo que não podia ser uma coisa que desconhecia completamente. Agora se me falarem no conceito RESPEITO / DESPREZO, é outra conversa. Ainda antes de conhecer as palavras já me regia por ele. E era basicamente assim: mandavam-me fazer alguma coisa cuja lógica ou importância eu não compreendia... estava tudo lixado! Pelo contrário, desconfiada que nem uma raposa (e com razões para isso), a proibição era para mim, ao invés da maioria das crianças que julgam que um prazer lhes está a ser negado, uma suspeição de que andavam a esconder-me algo para me tramar. Por exemplo, nunca ouvir dizer de mim "esta criança é desobediente". Ouvi, sim, muitas vezes, "fala mais baixo que ela está a ouvir". Ela, eu. Que se ouvisse demais era um problema. Eu até os compreendo. Explicar conceitos complicados a uma criança que não sabia ler nem escrever podia ser um bico de obra. Azar, eu até queria aprender a ler mas não me deixaram para "não me aborrecer na escola".
Tantos anos passados e quem tinha razão era eu. E já nessa altura as pessoas que lidavam comigo sabiam que se eu achasse que tinha razão não se fazia nada de mim. "Não venhas tarde para casa ou levas tareia." As tareias que eu levei! Mas a verdade é que a proibição sem lógica só me causava desprezo. Hoje, como dantes, só me causa desprezo.
Havia pessoas que não lidavam comigo muito frequentemente e ficavam sideradas com as minhas perguntas incómodas. "Criança reguila", ouvi também muitas vezes. Tinha um especial prazer em demonstrar-lhes que não era "reguila", estava simplesmente a ignorá-los. É assim um bocado como hoje, quando voto em Paulo Portas porque o respeito sem ele me mandar fazer nada, e porque não voto em ninguém do PS ou do PSD porque me dão vómitos. Pena o Manuel Alegre (que ninguém o cala mas não faz nada) não ter o golpe de asa para dar um chuto no partido. Olha, pena eu, a reguila, não ter estômago para a política. Dizem que aquilo é pior do que a aula de anatomia na morgue. E realmente cheira mal.
Esta coisa da obediência é-me, portanto, ainda hoje estranha, se bem que compreenda o conceito. Obedece-se para manter a ordem social. Não me passa pela cabeça, por exemplo, desobedecer a um polícia. Mais depressa fazia o que ele diz porque tenho pena que os agentes da ordem sejam tão mal pagos e desprezados, quanto mais ainda terem cidadãos a contrariá-los. Pois é, até já tenho pena da polícia, e nisto incluo a Polícia Judiciária que passou uma vergonha mundial com o caso Maddie. É de ter pena. Muitas vezes obedeço por essa razão, a pena. Claro que isto não é obediência. É protocolo de misericórdia. "Sim, senhor agente. Tem toda a razão, senhor agente".
Mas há uma altura em que já nem a obediência chega para manter a ordem. É a hora do lobo. Ou da raposa. A noite está escura e não há luar. Ouvem-se lá ao longe os caçadores a conspirar. (Ouvem-nos?)
Depois vêm falar de "mal difuso" e de "perigo de perder a coesão nacional", quando os deputados estão na Assembleia da República, como disse a anónima, não a fazer leis para o desenvolvimento do país mas tão só a meter-se na vida de pais e filhos?!
É a consanguinidade. Coitados, pensam que governar o país é a mesma coisa que ser pai de família. Deviam pensar mais onde andam os filhos deles antes de se meterem na vida dos outros. Pelo que conheço da corja com quem andei na faculdade, são os piores. E a pior notícia é que são esses meninos do papá as cobras do futuro. Esses não têm piercings na língua... só onde não se vê. Nem fumam, só snifam coca. Same old, same old. Sepulcros caiados por fora e cheios de podre por dentro. Tais pais, tais filhos.
Quando se chega a esta situação em que criaturas desprezíveis nos querem roubar a liberdade, só resta uma solução. Desobediência. Mas com jeitinho, que isto é um jogo perigoso. Eu prefiro chamar-lhe resistência.
Estou a pensar fazer um piercing no umbigo.
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sábado, 23 de fevereiro de 2008
Clube gótico precisa-se!
Estes sempre foram à audiência privada no gabinete da criatura sinistra e saíram de lá ainda mais broncos do que entraram. Cambada de azeiteiros! Discotecas pimba!
Clubes precisam-se! Se os góticos se tivessem organizado em clube com entrada restrita, não tinha acontecido uma das páginas mais negras da existência do nosso movimento nacional, entre 2005 e fins de 2007, a que só agora se viu o fim. Quem está por dentro sabe do que estou a falar.
Acabava-se assim também com a entrada da mirones e figuras indesejáveis que não sabem portar-se à altura.
Cada vez mais, sou por um clube.
Tabaco: Associação Nacional discorda de ideia de transformar discotecas em associações recreativas
Lisboa, 21 Fev (Lusa) - O presidente da Associação Nacional de Discotecas, Francisco Tadeu, discordou hoje da ideia de transformar discotecas em associações recreativas sem fins lucrativos para contornar a Lei do Tabaco, avançada quarta-feira por outra associação representativa do sector.
"Quem abre um negócio deste tipo visa sempre o lucro e, no caso das discotecas, não faz sentido transformar estes estabelecimentos em associações sem fins lucrativos", disse Francisco Tadeu.
O presidente da Associação Nacional de Discotecas comentava assim a ideia lançada quarta-feira pela Associação de Bares e Discotecas da Zona Histórica do Porto (ABZHP) de que é possível contornar a Lei do Tabaco, transformando bares e discotecas em associações culturais e recreativas sem fins lucrativos.
Segundo António Fonseca, presidente da ABZHP, as associações recreativas e culturais são espaços privados, reservados a sócios, sendo a Lei do Tabaco omissa relativamente à proibição de fumar nesses locais.
A ABZHP propõe assim que a par da mudança de estatuto, as discotecas e bares criem dois espaços distintos: o bar, que estará fisicamente separado dos restantes espaços e onde será expressamente proibido fumar, e a sala de convívio, onde os sócios poderão fumar e onde não haverá funcionários.
Para Francisco Tadeu, da Associação Nacional de Discotecas (AND), a existência de um bar numa colectividade recreativa serve em regra para apoio financeiro às actividades dessa associação, uma realidade que não poderá ser transposta para as discotecas.
O responsável disse à agência Lusa que as discotecas que pertencem à AND têm aplicado as regras previstas para os restaurantes, que já possibilitam a criação de um espaço, com 30 a 40 por cento da área total,destinado a fumadores.
Apesar de globalmente se terem registado quebras de clientes na ordem do 30 por cento desde a entrada em vigor da Lei do Tabaco, a 01 de Janeiro, Francisco Tadeu sublinha ainda que algumas discotecas livres de fumo registaram um aumento de 20 por cento na procura.
CFF/PL
Lusa/Fim
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-02-21 10:40:01
Clubes precisam-se! Se os góticos se tivessem organizado em clube com entrada restrita, não tinha acontecido uma das páginas mais negras da existência do nosso movimento nacional, entre 2005 e fins de 2007, a que só agora se viu o fim. Quem está por dentro sabe do que estou a falar.
Acabava-se assim também com a entrada da mirones e figuras indesejáveis que não sabem portar-se à altura.
Cada vez mais, sou por um clube.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Tenho medo dos americanos
Neste momento estou a rebolar-me de riso. Através do Dragoscópio descobri que alguns legisladores americanos, do Mississipi, já se adiantaram à nossa doméstica teoria da conspiração e se preparam para considerar uma lei que proibe restaurantes de servir comida a clientes obesos sob pena de inspectores de saúde lhes tirarem a licença. Aliás, aconselho vivamente a leitura do post original do Dragão, AQUI.
Se isto custa a acreditar nada como uma busca pela internet para confirmar. O fundamentalismo americano é de facto inacreditável. (Lá proibirem a posse de armas que lhes mata crianças nas escolas, isso é que não lhes passa pela cabeça, vá-se lá saber porquê!)
Desta vez, eu sou toda a favor. Venha de lá a lei americana. É esteticamente ofensivo para a minha saúde psicológica ver tantos gordos na rua. Mulheres gordas, então, com as banhas da barriga a sair para fora das calças, deviam ser submetidas a uma operação cirúrgica de emergência, a realizar em qualquer clínica espanhola comparticipada pelo Estado português, para remoção completa do estômago. Homens gordos deviam ser por sua vez esterilizados para que não produzam descendência caso tenham a sorte de embebedar alguma gaja cheia de necessidades.
A proposta de lei do Mississipi vai também de encontro à minha cura milagrosa. Para combater a obesidade, proibir de vez a comida. Pelo menos em restaurantes, em que cidadãos saudáveis não têm que ser incomodados pela inestética obesidade dos gordos. Para começar. Logo chegará a vez dos supermercados onde já é proibida a venda de álcool a pessoas "nitidamente embriagadas".
Como não obesa, tenho todo o direito a ser poupada a visões confrangedoras. Podiam adicionar a isto os deficientes, os deformados e os atrasados mentais que me tiram o apetite. Já agora, os feios também podiam ir de vez no pacote. Que volte a eugenia!
Se isto custa a acreditar nada como uma busca pela internet para confirmar. O fundamentalismo americano é de facto inacreditável. (Lá proibirem a posse de armas que lhes mata crianças nas escolas, isso é que não lhes passa pela cabeça, vá-se lá saber porquê!)
Desta vez, eu sou toda a favor. Venha de lá a lei americana. É esteticamente ofensivo para a minha saúde psicológica ver tantos gordos na rua. Mulheres gordas, então, com as banhas da barriga a sair para fora das calças, deviam ser submetidas a uma operação cirúrgica de emergência, a realizar em qualquer clínica espanhola comparticipada pelo Estado português, para remoção completa do estômago. Homens gordos deviam ser por sua vez esterilizados para que não produzam descendência caso tenham a sorte de embebedar alguma gaja cheia de necessidades.
A proposta de lei do Mississipi vai também de encontro à minha cura milagrosa. Para combater a obesidade, proibir de vez a comida. Pelo menos em restaurantes, em que cidadãos saudáveis não têm que ser incomodados pela inestética obesidade dos gordos. Para começar. Logo chegará a vez dos supermercados onde já é proibida a venda de álcool a pessoas "nitidamente embriagadas".
Como não obesa, tenho todo o direito a ser poupada a visões confrangedoras. Podiam adicionar a isto os deficientes, os deformados e os atrasados mentais que me tiram o apetite. Já agora, os feios também podiam ir de vez no pacote. Que volte a eugenia!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
A saúde ou a morte!
Esta é muito fácil de concluir, mesmo sem investigação, mas aqui vai para todos os cidadãos incautos e mais amigos do seu próprio bolso do que do seu semelhante que, tal como os alemães na década de 30, votaram nos nazis porque não pensaram no que viria a seguir:
É para tomar e embrulhar. Primeiro os fumadores, a seguir os gordos, e quando não houver dinheiro para sustentar os velhos venha de lá a eutanásia para os que insistem em viver.
Não digam que não foram avisados.
Quanto aos gordos, coitados, próximas vítimas, há esperança! Conheço a cura. Basicamente, é proibir a comida e beber apenas água até perder os kilos desejados. Infalível. Resultados garantidos em menos de um mês. A saúde ou a morte!
Saúde: Cidadãos saudáveis saem mais caros aos Estados do que obesos e fumadores
Londres, 05 Fev (Lusa) - Combater a obesidade e o tabagismo pode salvar vidas mas não poupa dinheiro, revelaram hoje investigadores, assinalando que acaba por sair mais caro cuidar de uma cidadão saudável que viva muitos anos.
Ou seja, o estudo holandês - publicado no boletim da Biblioteca Pública da Ciência Médica - mostra que, se uma pessoa viver mais anos, torna-se mais dispendiosa para o Estado.
No âmbito do estudo foram criados modelos para simular a longevidade de três grupos: os saudáveis, os obesos e os fumadores.
Os investigadores concluiram que, entre os 20 e os 56 anos, os obesos são o grupo que mais caro sai ao Estado. Porém, como os obesos e os fumadores morrem geralmente mais cedo, acabam por ser menos "pesados" para os Governos do que os cidadãos saudáveis, que vivem mais anos.
Por exemplo, se um fumador contrair cancro do pulmão, ele morre dentro de pouco tempo, enquanto se viver muitos anos pode vir a sofrer de Alzheimer, doença de "longo prazo" que fica mais cara ao sistema.
As conclusões contrariam o discurso político de que a obesidade iria custar milhões de euros aos Estados nos próximos anos mas, mesmo assim, a Associação Internacional para o Estudo da Obesidade defende que a doença deve continuar a ser combatida pela sua gravidade, ainda que possa não ter o impacto económico que se imaginava.
© 2008
2008-02-05 00:15:01
É para tomar e embrulhar. Primeiro os fumadores, a seguir os gordos, e quando não houver dinheiro para sustentar os velhos venha de lá a eutanásia para os que insistem em viver.
Não digam que não foram avisados.
Quanto aos gordos, coitados, próximas vítimas, há esperança! Conheço a cura. Basicamente, é proibir a comida e beber apenas água até perder os kilos desejados. Infalível. Resultados garantidos em menos de um mês. A saúde ou a morte!
domingo, 27 de janeiro de 2008
Estado das coisas
Farta já de roer o osso, que quanto mais se mastiga mais enjoa, este argumento "no meu corpo mando eu", que utilizo no último post relativo ao mesmo assunto, também foi usado vezes sem conta para defender o direito ao aborto, como o Goldmundo não podia deixar de reparar. Com a diferença óbvia de que no meu argumento não se coloca em causa a vida por nascer dentro do corpo materno.
Mas não é por acaso que os pensamentos se cruzam. Se votei sim à liberalização do aborto foi tão só para acabar com a hipocrisia. Fim de conversa.
Mas o gene humano da hipocrisia ainda não foi totalmente isolado e estudado. Quase um ano depois, a mesma sociedade que legaliza a morte de nascituros a pedido das mães (e paga pelo Estado) é a mesma sociedade que quer ostracizar o tabaco em nome da vida. Não me admirava nada que amanhã o Estado preferisse pagar abortos do que xaropes para o catarro do fumador. Não me entra na cabeça mas não me espanta.
A pior forma de hipocrisia é aquela que é cega. Como a hipocrisia americana, de onde todo o fanatismo foi importado, e a estupidez também.
Mas nem só de miséria humana se fizeram os últimos dias. É com grande alívio que retiro este banner do fundo da página.

"Do Portugal Profundo" já não é arguido. O processo movido contra o autor do blog por José Sócrates enquanto cidadão e primeiro-ministro foi arquivado. Dir-me-ia mais reconciliada com a Justiça se não tivesse demorado meses. Segundo António B. Caldeira: «O motivo da "queixa do cidadão José Sócrates e primeiro-ministro enquanto tal", que finalmente posso revelar, foi a minha referência ao "centro governamental de comando e controlo dos media"». Sabemos todos que não foi por isso que o autor do blog foi processado mas sim por ter insistido nas nebulosas qualificações de um primeiro-ministro que não tem vergonha de querer parecer mais do que é. E durante tempo a mais foi calado pela Justiça, que não funciona. Que não se mexe. Que arquiva. Que não tem meios para investigar.
Tirar à Justiça os meios de investigação, eis a melhor arma até hoje descoberta contra a democracia moderna.
Apesar de tudo isto, congratulo-me com o tardio arquivamento deste triste processo pela parte que toca ao autor do blog. Não fico, todavia, mais descansada quanto à nossa liberdade de expressão.
A liberdade é uma coisa que se perde mais um pouco todos os dias.
Mas não é por acaso que os pensamentos se cruzam. Se votei sim à liberalização do aborto foi tão só para acabar com a hipocrisia. Fim de conversa.
Mas o gene humano da hipocrisia ainda não foi totalmente isolado e estudado. Quase um ano depois, a mesma sociedade que legaliza a morte de nascituros a pedido das mães (e paga pelo Estado) é a mesma sociedade que quer ostracizar o tabaco em nome da vida. Não me admirava nada que amanhã o Estado preferisse pagar abortos do que xaropes para o catarro do fumador. Não me entra na cabeça mas não me espanta.
A pior forma de hipocrisia é aquela que é cega. Como a hipocrisia americana, de onde todo o fanatismo foi importado, e a estupidez também.
Mas nem só de miséria humana se fizeram os últimos dias. É com grande alívio que retiro este banner do fundo da página.
"Do Portugal Profundo" já não é arguido. O processo movido contra o autor do blog por José Sócrates enquanto cidadão e primeiro-ministro foi arquivado. Dir-me-ia mais reconciliada com a Justiça se não tivesse demorado meses. Segundo António B. Caldeira: «O motivo da "queixa do cidadão José Sócrates e primeiro-ministro enquanto tal", que finalmente posso revelar, foi a minha referência ao "centro governamental de comando e controlo dos media"». Sabemos todos que não foi por isso que o autor do blog foi processado mas sim por ter insistido nas nebulosas qualificações de um primeiro-ministro que não tem vergonha de querer parecer mais do que é. E durante tempo a mais foi calado pela Justiça, que não funciona. Que não se mexe. Que arquiva. Que não tem meios para investigar.
Tirar à Justiça os meios de investigação, eis a melhor arma até hoje descoberta contra a democracia moderna.
Apesar de tudo isto, congratulo-me com o tardio arquivamento deste triste processo pela parte que toca ao autor do blog. Não fico, todavia, mais descansada quanto à nossa liberdade de expressão.
A liberdade é uma coisa que se perde mais um pouco todos os dias.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Eu Sou Deus

"O espírito da lei é proibir", dizia este nazi a quem só falta uma luneta em vez de óculos, no "Prós e Contras" da última segunda feira. Proibir, pois, diz esta sinistra criatura que eu desconhecia completamente, mas que como Director Geral de Saúde se deve mover nos interstícios mais tenebrosos do poder, aqueles em que não se vota nem a quem se vê a verdadeira cara excepto em raras ocasiões como estas. Francisco George, de seu nome, quer proibir. Se não houver espaço para fumadores está tudo bem para ele e não é preciso fiscalizar. Não sou eu que digo, é ele. Logo, não há espaço na cabeça desta criatura monstruosa para gente como eu. Como não lhe chamar nazi?
Alguma coisa já conseguiu, pelo menos lembro-me do seu nome o suficiente para o procurar na net. Lembro-me também como fugiu à argumentação de José Sá Fernandes e do presidente do Casino Estoril. Pois, sim, mas não, mas sim, mas não... Dava o dito por não dito, contorcia-se, retorcia-se, um perfeito réptil do diz que não disse sem dizer nada. Intelecto zero, manha tudo.
A certa altura, e foi isso que me chocou mais, começou a convocar todos os argumentistas do contrário a irem ao seu gabinete "debater mais", e lá se falava em estabelecer protocolos de excepção, a Associação Nacional de Discotecas de bolinha bem baixa não fosse Von Smallerhausen mudar de ideias, mas tudo nestes gabinetes à porta fechada, os arranjinhos, as cunhas para os obedientes e os poderosos, à maneira portuguesa, "se não falares muito arranjo-te qualquer coisa", um nojo em directo.
Em directo, continuava-se a debater o sexo dos anjos, se o tabaco mata ou não mata, porque há quem goste de virar o disco e tocar o mesmo porque não sabe outra canção. Uma das pessoas mais inteligentes presentes na sala, quer se concorde ou não, o tal presidente do casino cujo nome não recordo nem o conhecia de lado nenhum (surpreendeu-me) a certa altura faz a proposta "irreverente", disse ele, de deixar os donos dos estabelecimentos mais pequenos decidirem se é um local para fumadores ou não fumadores. "Não! Não! Não!", gritou um dos fundamentalistas da plateia, porque isso de deixar as pessoas decidirem é perigoso, veja-se o que aconteceu em Espanha, onde toda a gente permitiu o fumo.
Mas afinal a lei não está a ser tão bem aceite pela população? Do que têm medo, estes senhores? Da ganância dos donos dos restaurantes que até comiam um cancro se isso lhes rendesse 15 euros?
Dar liberdade aos fumadores e não fumadores de organizarem espaços só para eles? Claro que não. Qualquer dia, se as pessoas tiverem de pensar na escolha, até começam a pensar noutras coisas, e pensar é perigoso.
Este senhor, o da fotografia, o que convidava toda a gente para o gabinete dele, é perigoso. Foi com gente assim que se teceu o Terceiro Reich. Não gostam da comparação? Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.
Não sei que mais este osso dá para roer, mas que tem exposto toda a podridão de uma sociedade, isso tem. Desde os nazis aos bufos, desde os fumadores amochados aos não fumadores gozões. Uma sociedade incapaz de reagir. Em coma. Qual cancro? Aqui está tudo morto.
Lembro-me de um filme sobre os últimos dias de Hitler, não sei se o recente "Der Untergang / A Queda, Hitler e o Fim do Terceiro Reich" se outro mais antigo, ou ambos, em que Eva Braun e a secretária do Fuhrer saíam do bunker às escondidas para ir fumar e tinham de fugir à pressa para dentro quando caíam as bombas sobre Berlim. Toda uma corte a fingir que não fumava. Hitler era vegetariano e não tolerava o fumo. E não tolerava muito mais coisas, como todos sabemos, nomeadamente a existência de certas outras pessoas. No momento em que souberam que estava morto, todos estes lacaios se juntaram numa sala, puxaram dos cigarros e desataram a fumar. É histórico.
Acho que se não fumasse começava hoje só para mostrar que em mim mando eu. O meu corpo é o meu templo, dizem alguns fundamentalistas anti tabaco. Eu acrescento: o meu templo, o meu reino, o meu universo. Aqui dentro, Eu Sou Deus.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Má vida
Sou fumadora. Quando não estou a fumar estou a roer as unhas, ou o osso. E este tem dado para roer, roer, e parece-me que ainda falta muito para chegar ao tutano.
Como sou utilizadora de transportes públicos, passo (perco) horas e horas da minha vida a observar os outros na sua vidinha, mas disso não me queixo porque me dá um especial prazer (podia dar-me para pior). Estava eu à espera de um daqueles autocarros que só passam duas vezes por dia, à frente de um cafézinho/taberna que já conheço muito bem, a fumar o meu cigarrinho, quando reparo num velhote que saiu do café de propósito para fumar o dele, duas vezes. Deve ter sido a primeira vez na vida que o proibem de fumar, pensei, mas com todo o civismo lá vinha para a rua quando lhe dava para o vício entre os copos e o jogo de futebol. Depois vi outra cena muito triste, mesmo muito triste. Um dos frequentadores do café, também velhote, gordo, vermelho e tão cheio de vinho que até cambaleava, saiu e gozou, mas muito a sério, numa autêntica perseguição: "Merda de tabaco! Eu quero saúde!" Diz o roto ao nu. Diz a cirrose ao cancro. Pois aquela grande besta está convencida que fumar faz mais mal do que ser obeso e alcoólico. Se querem que vos diga, o fumador parecia mais saudável, mas as aparências iludem e é provável que estejam ambos igualmente de pés para a cova.
O que me fez impressão foi a atitude "eu agora sou melhor do que tu". Já aqui disse que o fanatismo me faz mal aos nervos. Quando morrer, quero ter na minha lápide: "Aqui jaz, vítima de ira".
Mas queriam fanatismo à americana, na Europa? Pois cá vai.
Aqui está o outro extremo do fanatismo. Eu ainda sou do tempo em que se fumava no trabalho e agora percebo que não era uma boa prática, nem para fumadores nem para não fumadores. Demasiada gente a fumar em pouco espaço muitas horas por dia. O trabalho já é um castigo, não há necessidade de o tornar ainda mais penoso. (Digo o mesmo dos ares condicionados que também hão-de ir à vida quando se provar que estão na base de alergias como a minha. Por enquanto não, que o negócio prospera e ainda não inventaram pior.)
Quanto à situação dos empregados de bares e discotecas e a sua exposição ao fumo, o caso é mais delicado. Há uma etiqueta da noite que distingue um barman de um empregado de café. Trabalhar na noite dá prestígio no meio. Nem sequer é só para quem gosta; é para quem dá "estilo" à casa. Não é por acaso que os empregados de bar são jovens. Há vantagens bastante cobiçadas naquela idade em que toda a gente quer ser visto. Não penso que seja profissão para se ter toda a vida. A exposição aos altos decibéis de alguns locais de diversão também pode provocar danos permanentes. Eu, melómana, que não concebo uma vida de surdez, fujo do barulho excessivo como os não fumadores fogem do fumo. Mas profissões de risco há muitas e as suas compensações são várias. É tudo uma questão de prioridades.
Há que ser muito claros numa coisa. A má vida não se chama assim por acaso. Quando a má vida for saudável inventam-se outras formas de má vida. Acabar com a má vida, como querem os puritanos, nunca vai acontecer. Que o diga Jeová que destruiu Sodoma e Gomorra. Louco é o homem que tenta o que Deus não conseguiu.
A propósito, eu assinei a petição online pelo direito de escolha. Não sei se servirá para alguma coisa mas como foi difícil encontrá-la aqui fica o link:
http://www.bardali.com/adn/adn.html
Se for preciso assinar em papel, também o faço.
Como sou utilizadora de transportes públicos, passo (perco) horas e horas da minha vida a observar os outros na sua vidinha, mas disso não me queixo porque me dá um especial prazer (podia dar-me para pior). Estava eu à espera de um daqueles autocarros que só passam duas vezes por dia, à frente de um cafézinho/taberna que já conheço muito bem, a fumar o meu cigarrinho, quando reparo num velhote que saiu do café de propósito para fumar o dele, duas vezes. Deve ter sido a primeira vez na vida que o proibem de fumar, pensei, mas com todo o civismo lá vinha para a rua quando lhe dava para o vício entre os copos e o jogo de futebol. Depois vi outra cena muito triste, mesmo muito triste. Um dos frequentadores do café, também velhote, gordo, vermelho e tão cheio de vinho que até cambaleava, saiu e gozou, mas muito a sério, numa autêntica perseguição: "Merda de tabaco! Eu quero saúde!" Diz o roto ao nu. Diz a cirrose ao cancro. Pois aquela grande besta está convencida que fumar faz mais mal do que ser obeso e alcoólico. Se querem que vos diga, o fumador parecia mais saudável, mas as aparências iludem e é provável que estejam ambos igualmente de pés para a cova.
O que me fez impressão foi a atitude "eu agora sou melhor do que tu". Já aqui disse que o fanatismo me faz mal aos nervos. Quando morrer, quero ter na minha lápide: "Aqui jaz, vítima de ira".
Mas queriam fanatismo à americana, na Europa? Pois cá vai.
Despedidos por não fumar
2008/01/10 | 22:11
Patrão disse que empregados interferiam com «tranquilidade» do grupo
O proprietário de uma pequena empresa de tecnologia na cidade de Buesum, na Alemanha, foi processado por ter demitido três funcionários não-fumadores para os substituir por fumadores.
Segundo noticia o jornal alemão Hamburger Morgenpost, os funcionários, que já trabalhavam na empresa há cerca de dois anos e meio, foram despedidos depois de terem solicitado a criação de uma zona específica para não fumadores na empresa.
O dono não gostou do pedido, considerou que os três funcionários estavam a «interferir com a tranquilidade» do grupo e decidiu substituí-los por três fumadores, com a justificação de que estes «se adaptariam melhor». Está agora a responder em tribunal por despedimento sem justa causa.
Em declaração ao mesmo jornal alemão, o dono da empresa, que tem dez funcionários, considera que a proibição de fumar um ataque à liberdade individual. «Não posso preocupar-me com os problemáticos. Estamos sempre ao telefone e é mais fácil trabalhar enquanto fumamos», disse.
Aqui está o outro extremo do fanatismo. Eu ainda sou do tempo em que se fumava no trabalho e agora percebo que não era uma boa prática, nem para fumadores nem para não fumadores. Demasiada gente a fumar em pouco espaço muitas horas por dia. O trabalho já é um castigo, não há necessidade de o tornar ainda mais penoso. (Digo o mesmo dos ares condicionados que também hão-de ir à vida quando se provar que estão na base de alergias como a minha. Por enquanto não, que o negócio prospera e ainda não inventaram pior.)
Quanto à situação dos empregados de bares e discotecas e a sua exposição ao fumo, o caso é mais delicado. Há uma etiqueta da noite que distingue um barman de um empregado de café. Trabalhar na noite dá prestígio no meio. Nem sequer é só para quem gosta; é para quem dá "estilo" à casa. Não é por acaso que os empregados de bar são jovens. Há vantagens bastante cobiçadas naquela idade em que toda a gente quer ser visto. Não penso que seja profissão para se ter toda a vida. A exposição aos altos decibéis de alguns locais de diversão também pode provocar danos permanentes. Eu, melómana, que não concebo uma vida de surdez, fujo do barulho excessivo como os não fumadores fogem do fumo. Mas profissões de risco há muitas e as suas compensações são várias. É tudo uma questão de prioridades.
Há que ser muito claros numa coisa. A má vida não se chama assim por acaso. Quando a má vida for saudável inventam-se outras formas de má vida. Acabar com a má vida, como querem os puritanos, nunca vai acontecer. Que o diga Jeová que destruiu Sodoma e Gomorra. Louco é o homem que tenta o que Deus não conseguiu.
A propósito, eu assinei a petição online pelo direito de escolha. Não sei se servirá para alguma coisa mas como foi difícil encontrá-la aqui fica o link:
http://www.bardali.com/adn/adn.html
Se for preciso assinar em papel, também o faço.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Romance com a morte
Aqui começa a mais bela história sobre o tabaco jamais contada.
Havia nicotina nos espermatozóides que me conceberam. A minha mãe, felizmente para mim, não fumava. Não porque não tivesse tentado mas não conseguiu porque não gostava. Isto de fumar não é para quem quer, é para quem gosta. Ela só queria ter estilo e ser aceite. Ficou-se pelo caminho. E nunca foi aceite nem nunca teve estilo (mas essa história não merece ser contada por ser demasiado banal).
Nasci. Nasci numa casa de fumador, num tempo em que as crianças andavam sozinhas na rua e descalças, e nenhum mal lhes vinha por isso.
Tempo de liberdade.
Desde que conheci o meu pai, conheci-o com um cigarro na boca. Naquela altura não gostava do cheiro. Há odores e paladares subtis que escapam aos sentidos mal desenvolvidos de uma criança, como o sabor suave de uma cenoura cozida.
Aquele cheiro era agressivo mas cresci com ele e habituei-me a ele. Aquele era o cheiro de que o pai estava em casa, à mesa, a fumar SG Filtro. E quando o pai estava em casa, à mesa, a fumar SG Filtro, nada me podia fazer mal.
Mais tarde, o pai começou também a beber. Aguardente, era o que ele bebia. E começou a beber muito, e também o cheiro da aguardente se tornou repulsivo. Ainda hoje a aguardente me cheira a morte.
O meu pai chegava a casa, de um clube privado onde se jogava à sueca até altas horas da noite, sentava-se à mesa a ler livros científicos e tomava um Rophinol para dormir. Esses eram os bons tempos.
Quando tinha sono ia para a cama e dormia como um anjo.
Não foi o cigarro que o matou, mas a aguardente. Cancro no pâncreas. Bem, cientificamente, pode-se dizer que foram as duas coisas, mais o Rophinol. Mais uma vida de prazeres até ao fim dos seus dias.
O meu pai teve tuberculose e foi mandado para o Caramulo curar-se, uns vinte anos antes de eu nascer, e a tuberculose não o matou. Irmão de sete ou oito irmãos, fora os que morreram em crianças, nem mais tarde uma operação que lhe tirou parte do estômago lhe deu sumiço.
Aos 75 anos, finalmente, chegou-lhe o cancro. Demorou uns seis meses. Ninguém sabia quanto tempo tinha de vida. Não houve quimioterapia nem radiações nem hospitais. Mas nesse tempo havia tempo para cuidar dos moribundos. O meu pai morreu na cama dele, no mesmo quarto em que eu durmo agora, com um enfermeiro que lhe vinha dar cada vez mais injecções de morfina. Dois ou três dias antes de morrer, sem dores mas em plena posse das suas faculdades, o meu pai deixou de fumar. Foi também nessa altura que entrou no pré-coma em que passou as últimas horas de vida. Morreu na cama, na cama dele, junto dos familiares, como deve ser, depois de uma vida bem vivida.
Ò morte, qual é o teu triunfo?
Invejo o meu pai por ter vivido num tempo em que se fumava, em que se tomava Rophinol, em que se bebia aguardente até cair, em que se morria fisicamente antes de se perder a razão, em que nos deixavam partir no tempo devido. Só queria da vida ter a sorte que ele teve e morrer suavemente na minha cama, com alguém que eu amo a segurar-me a mão e um enfermeiro a dar-me injecções de morfina. Morrer antes de me esquecer de quem sou, lúcida e consciente, uma jovem de 75 anos.
O meu pai nem sabe a sorte que teve. Mas eu sei. E não estou disposta a deixar de fumar senão dois ou três dias antes de morrer, na minha cama, com os meus amigos de volta. Nesse dia não me vai apetecer fumar, nem comer, nem beber, mas simplesmente partir, para Deus, onde pertenço. Assim seja.
Havia nicotina nos espermatozóides que me conceberam. A minha mãe, felizmente para mim, não fumava. Não porque não tivesse tentado mas não conseguiu porque não gostava. Isto de fumar não é para quem quer, é para quem gosta. Ela só queria ter estilo e ser aceite. Ficou-se pelo caminho. E nunca foi aceite nem nunca teve estilo (mas essa história não merece ser contada por ser demasiado banal).
Nasci. Nasci numa casa de fumador, num tempo em que as crianças andavam sozinhas na rua e descalças, e nenhum mal lhes vinha por isso.
Tempo de liberdade.
Desde que conheci o meu pai, conheci-o com um cigarro na boca. Naquela altura não gostava do cheiro. Há odores e paladares subtis que escapam aos sentidos mal desenvolvidos de uma criança, como o sabor suave de uma cenoura cozida.
Aquele cheiro era agressivo mas cresci com ele e habituei-me a ele. Aquele era o cheiro de que o pai estava em casa, à mesa, a fumar SG Filtro. E quando o pai estava em casa, à mesa, a fumar SG Filtro, nada me podia fazer mal.
Mais tarde, o pai começou também a beber. Aguardente, era o que ele bebia. E começou a beber muito, e também o cheiro da aguardente se tornou repulsivo. Ainda hoje a aguardente me cheira a morte.
O meu pai chegava a casa, de um clube privado onde se jogava à sueca até altas horas da noite, sentava-se à mesa a ler livros científicos e tomava um Rophinol para dormir. Esses eram os bons tempos.
Quando tinha sono ia para a cama e dormia como um anjo.
Não foi o cigarro que o matou, mas a aguardente. Cancro no pâncreas. Bem, cientificamente, pode-se dizer que foram as duas coisas, mais o Rophinol. Mais uma vida de prazeres até ao fim dos seus dias.
O meu pai teve tuberculose e foi mandado para o Caramulo curar-se, uns vinte anos antes de eu nascer, e a tuberculose não o matou. Irmão de sete ou oito irmãos, fora os que morreram em crianças, nem mais tarde uma operação que lhe tirou parte do estômago lhe deu sumiço.
Aos 75 anos, finalmente, chegou-lhe o cancro. Demorou uns seis meses. Ninguém sabia quanto tempo tinha de vida. Não houve quimioterapia nem radiações nem hospitais. Mas nesse tempo havia tempo para cuidar dos moribundos. O meu pai morreu na cama dele, no mesmo quarto em que eu durmo agora, com um enfermeiro que lhe vinha dar cada vez mais injecções de morfina. Dois ou três dias antes de morrer, sem dores mas em plena posse das suas faculdades, o meu pai deixou de fumar. Foi também nessa altura que entrou no pré-coma em que passou as últimas horas de vida. Morreu na cama, na cama dele, junto dos familiares, como deve ser, depois de uma vida bem vivida.
Ò morte, qual é o teu triunfo?
Invejo o meu pai por ter vivido num tempo em que se fumava, em que se tomava Rophinol, em que se bebia aguardente até cair, em que se morria fisicamente antes de se perder a razão, em que nos deixavam partir no tempo devido. Só queria da vida ter a sorte que ele teve e morrer suavemente na minha cama, com alguém que eu amo a segurar-me a mão e um enfermeiro a dar-me injecções de morfina. Morrer antes de me esquecer de quem sou, lúcida e consciente, uma jovem de 75 anos.
O meu pai nem sabe a sorte que teve. Mas eu sei. E não estou disposta a deixar de fumar senão dois ou três dias antes de morrer, na minha cama, com os meus amigos de volta. Nesse dia não me vai apetecer fumar, nem comer, nem beber, mas simplesmente partir, para Deus, onde pertenço. Assim seja.
Ser profeta é ser mais alto
Mais umas dentadas. Eu bem queria largar o osso, até porque os não fumadores fundamentalistas já começam a prejudicar a minha saúde (todos os fanáticos me fazem mal aos nervos) e depois só lá vai com a benza (enquanto não a proibirem também) mas o prato está cada vez mais suculento.
Queriam ir atrás de manias americanas? Pois tomem lá o extremismo e embrulhem:
Esta dos cinco metros é moda americana. Eu adicionaria uma tradição europeia e medieval aplicada aos leprosos: que fosse obrigatório que os fumadores de cigarro acesso circulassem pela rua com uma sineta ao pescoço para as pessoas saudáveis poderem fugir a tempo.
O que é que eu vos dizia?
Depois não digam que não foram avisados. Não se calem! Lutem pelo direito à escolha!
E o que querem os fumadores? É muito simples.
No trabalho: Salas para fumadores. Fechadas. Com janelas.
Na diversão: Cafés, restaurantes e bares para fumadores.
É de louvar o exemplo cívico que os fumadores têm dado desde que a lei entrou em vigor, cumprindo-a escrupulosamente, às vezes a pensar mais na multa dos outros que a sua desobediência propositada acartaria. Ao contrário do que dizem os fundamentalistas, afinal os fumadores não são o bando de energúmenos egoístas que se pintavam.
Já os não fumadores, por outro lado, tenho-o lido em vários sítios e sentido na pele a discriminação, têm demonstrado, desde as mais elegantes prosas de jornal ao mais jocoso comentário de rua, que pouco se importam com o incómodo que estão a causar. Pelo contrário, até gozam. E como não sou só eu que vejo isto, começo a achar a tendência preocupante. Coisas de Terceiro Reich, já o disse, afectam-me os nervos.
Mas não se iludam, não fumadores. Como muitos de vocês (os mais inteligentes) já perceberam, se eu fosse a vós punha as barbas de molho. Isto começa com o tabaco mas não pára por aí. Depressa chega à salsicha, ao sal, à gordura, ao exercício compulsivo. Se esta liga de doentes com cancro leva a melhor, não tarda que a associação de doentes de cancro do fígado nos queira salvar a todos de beber álcool. De seguida, a associação de hipertensos proíbe-nos de comer sal, gorduras e beber café. Se pensam que exagero, reparem de onde se importou a moda e pensem na América, o país mais hipócrita do mundo, que proíbe o fumo individual mas se recusa a admitir que as suas emissões de CO2 podem condenar a humanidade inteira. Quanto mais penso na América mais lamento o que vejo na Europa. É triste.
Queriam ir atrás de manias americanas? Pois tomem lá o extremismo e embrulhem:
Associação apela ao fim do tabaco em casas e carros
A União Humanitária dos Doentes com Cancro (UHDC) quer que seja proibido fumar em qualquer local, desde que estejam presentes menores ou não fumadores.
De acordo com Luís Filipe Soares, presidente da UHDC, «se está provado cientificamente que fumar prejudica gravemente a saúde de quem fuma e a dos que o rodeiam, não pode haver nenhum argumento para justificar que um fumador possa fumar junto de um não fumador».
Alargar a proibição de fumar
Congratulando-se com a «generalizada boa aceitação» da nova Lei do Tabaco, a UHDC diz acreditar que, depois de consolidada a actual Lei do Tabaco em toda a União Europeia, a referida lei irá mais longe.
A UHDC refere alguns exemplos que, segundo esta associação, serão abrangidos no futuro pela lei do Tabaco. Assim, a UHDC diz que «um dia» será proibido fumar em casa ou no carro, desde que o fumador esteja na presença de não fumador ou de menores. Mesmo ao ar livre, esta associação acredita que será proibido fumar na presença de menores ou a menos de cinco metros de outras pessoas.
Esta dos cinco metros é moda americana. Eu adicionaria uma tradição europeia e medieval aplicada aos leprosos: que fosse obrigatório que os fumadores de cigarro acesso circulassem pela rua com uma sineta ao pescoço para as pessoas saudáveis poderem fugir a tempo.
O que é que eu vos dizia?
ACORDEM!
ELES QUEREM ILEGALIZAR!
ELES QUEREM ILEGALIZAR!
Depois não digam que não foram avisados. Não se calem! Lutem pelo direito à escolha!
E o que querem os fumadores? É muito simples.
No trabalho: Salas para fumadores. Fechadas. Com janelas.
Na diversão: Cafés, restaurantes e bares para fumadores.
É de louvar o exemplo cívico que os fumadores têm dado desde que a lei entrou em vigor, cumprindo-a escrupulosamente, às vezes a pensar mais na multa dos outros que a sua desobediência propositada acartaria. Ao contrário do que dizem os fundamentalistas, afinal os fumadores não são o bando de energúmenos egoístas que se pintavam.
Já os não fumadores, por outro lado, tenho-o lido em vários sítios e sentido na pele a discriminação, têm demonstrado, desde as mais elegantes prosas de jornal ao mais jocoso comentário de rua, que pouco se importam com o incómodo que estão a causar. Pelo contrário, até gozam. E como não sou só eu que vejo isto, começo a achar a tendência preocupante. Coisas de Terceiro Reich, já o disse, afectam-me os nervos.
Mas não se iludam, não fumadores. Como muitos de vocês (os mais inteligentes) já perceberam, se eu fosse a vós punha as barbas de molho. Isto começa com o tabaco mas não pára por aí. Depressa chega à salsicha, ao sal, à gordura, ao exercício compulsivo. Se esta liga de doentes com cancro leva a melhor, não tarda que a associação de doentes de cancro do fígado nos queira salvar a todos de beber álcool. De seguida, a associação de hipertensos proíbe-nos de comer sal, gorduras e beber café. Se pensam que exagero, reparem de onde se importou a moda e pensem na América, o país mais hipócrita do mundo, que proíbe o fumo individual mas se recusa a admitir que as suas emissões de CO2 podem condenar a humanidade inteira. Quanto mais penso na América mais lamento o que vejo na Europa. É triste.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Os uns e os outros
Ainda não me cansei de morder o osso mas há muito tempo que não me davam um tão bom onde afiar os dentes.
Claro que isto da lei da interdição total é só para os pobres. Logo um ou dois dias depois do Ano Novo ouvi um rico falar muito bem da sala de fumo do Gambrinus, restaurante fino de Lisboa, já totalmente equipado e preparado para receber a classe que pode pagar os seus vícios.
Alguém já viu os administradores das grandes empresas a fumar no passeio? E os deputados, acaso sentados nas escadarias de São Bento, fazendo a pausa? E no entanto, não é totalmente proibido fumar nos locais de trabalho? E na Assembleia da República?
Como há fumadores, põe-se a questão: onde é que eles fumam? Além do Casino, claro está. (Por acaso já li onde é que os deputados fumam, mas não é na rua.)
A quem esta lei afecta são os pequenos restaurantes e cafés onde só vai quem quer. Sobre restaurantes e cafés, acrescente-se, nos últimos quinze anos, mais coisa menos coisa, deixaram de ser o espaço de lazer e confraternização dos tempos do Bocage, passando pelos de Pessoa, e que deliciosamente ainda tive a sorte de saborear. Cafés onde se ia passar a tarde, onde não corriam connosco à hora do almoço, onde se podia ler, escrever e estudar, e até namorar. É curioso que foi mesmo a propósito desta lei que apanhei o peixe pela boca quando ouvi o dono de uma tasca comentar: "Se calhar até é bom. As pessoas já não fumam, vão-se embora mais depressa". Foi este clima pestilento de ganância que transformou os cafés e restaurantes em fábricas de chouriços que há muito tempo não frequento excepto por razões de força maior.
Mesmo assim, quando se pensava que esta lei vinha dar hipótese de finalmente separar as águas, fumadores para um lado, não fumadores para outro, como devia ser, com cafés e restaurantes diferenciados, vem apenas penalizar os pequenos espaços.
E se nos casinos se pode fumar, o que dizer de clubes privados? Em baixo, nos comentários, levantei a questão dos clubes de charutos e cachimbo. Um clube é um espaço privado só para sócios, não um espaço público. Em Portugal não existe (ou perdeu-se) esse tipo de associativismo, mas sinto cada vez mais falta dele por razões que nem têm a ver com esta lei. Entrada só para sócios. Fim de muitos problemas.
Continuo a não saber a resposta. Afinal, se eu decidir fazer da minha casa um clube de fumo é ilegal porque se junta muita gente a fumar?... O que é um espaço "público"? Um lugar onde entra toda a gente? E desde quando é que nos bares (uns mais do que outros) entra toda a gente? Se me proibirem de entrar na Kapital por não gostarem dos meus sapatos posso chamar a polícia e forçar o meu direito de entrada? Não, devido ao velho "direito de admissão". Logo, se eu decidir fazer um bar só para fumadores e proibir a entrada de não fumadores, ou vice versa, não estou a exercer o "direito de admissão"? A nova lei sobrepõe-se ao direito de admissão e ao direito dos clubes privados? Aceitam-se respostas.
Por último, os trabalhadores a quem esta lei afecta. Como sempre, os do costume. Os que têm pouco tempo para fazer pausas, os que não têm gabinetes, os que trabalham em grandes estruturas (prédios, centros comerciais, escolas, hospitais) de onde se demora muito tempo a sair para vir à rua. Isso é fundamentalismo, sim. Trabalhei num sítio que considero equilibrado. Havia uma cantina e espaço de convívio com uma sala à parte, totalmente isolada por vidro, onde se entrava, se fechava a porta e se fumava. Curiosamente, era também a única sala onde as janelas estavam abertas e se respirava o ar não viciado pelos ares condicionados. Nunca ninguém se queixou nem tinha de quê. Havia espaço para todos sem prejudicar ninguém nem o expulsar para a rua, de pé, de castigo, o que é altamente vexatório e toma contornos de perseguição porque é desnecessário.
Excepto, é claro, nos restaurantes finos e casinos, onde a saúde dos empregados já não parece ser tão importante porque servem a realeza. O fumoir foi sempre coisa de rico. As orgias de álcool e droga dos loucos anos 20 também. A criadagem fuma no estábulo e droga-se na sargeta. Agora percebe-se melhor quem é rico e quem não é. Uma lei, uma luz, um abismo.
Entretanto, neste mesmo Portugal de jantares de lagosta no Gambrinus e altas fumaradas no Casino do Estoril, Governo paga aumento das pensões (miseráveis) em 14 prestações, não vão os reformados perder a cabeça e gastar os cêntimos todos de uma vez, sei lá, num maço de cigarros.
Afinal, ele pode fumar no casino
2008/01/07 | 17:30 || Cláudia Lima da Costa
Inspector-geral da ASAE foi apanhado a fumar depois da entrada em vigor da nova lei, mas Casino explica que António Nunes estava numa zona de fumadores.
(...)
«Os conselheiros consideraram que é perfeitamente possível que nos casinos se possa fumar», disse Francisco George. Para o director-geral de Saúde, a lei é clara e não precisa de regulamentos nem de quaisquer outros procedimentos. Já Mário Assis Ferreira, considerou «equilibrada e não fundamentalista» a aplicação conjunta das leis do tabaco e jogo.
Claro que isto da lei da interdição total é só para os pobres. Logo um ou dois dias depois do Ano Novo ouvi um rico falar muito bem da sala de fumo do Gambrinus, restaurante fino de Lisboa, já totalmente equipado e preparado para receber a classe que pode pagar os seus vícios.
Alguém já viu os administradores das grandes empresas a fumar no passeio? E os deputados, acaso sentados nas escadarias de São Bento, fazendo a pausa? E no entanto, não é totalmente proibido fumar nos locais de trabalho? E na Assembleia da República?
Como há fumadores, põe-se a questão: onde é que eles fumam? Além do Casino, claro está. (Por acaso já li onde é que os deputados fumam, mas não é na rua.)
A quem esta lei afecta são os pequenos restaurantes e cafés onde só vai quem quer. Sobre restaurantes e cafés, acrescente-se, nos últimos quinze anos, mais coisa menos coisa, deixaram de ser o espaço de lazer e confraternização dos tempos do Bocage, passando pelos de Pessoa, e que deliciosamente ainda tive a sorte de saborear. Cafés onde se ia passar a tarde, onde não corriam connosco à hora do almoço, onde se podia ler, escrever e estudar, e até namorar. É curioso que foi mesmo a propósito desta lei que apanhei o peixe pela boca quando ouvi o dono de uma tasca comentar: "Se calhar até é bom. As pessoas já não fumam, vão-se embora mais depressa". Foi este clima pestilento de ganância que transformou os cafés e restaurantes em fábricas de chouriços que há muito tempo não frequento excepto por razões de força maior.
Mesmo assim, quando se pensava que esta lei vinha dar hipótese de finalmente separar as águas, fumadores para um lado, não fumadores para outro, como devia ser, com cafés e restaurantes diferenciados, vem apenas penalizar os pequenos espaços.
E se nos casinos se pode fumar, o que dizer de clubes privados? Em baixo, nos comentários, levantei a questão dos clubes de charutos e cachimbo. Um clube é um espaço privado só para sócios, não um espaço público. Em Portugal não existe (ou perdeu-se) esse tipo de associativismo, mas sinto cada vez mais falta dele por razões que nem têm a ver com esta lei. Entrada só para sócios. Fim de muitos problemas.
Continuo a não saber a resposta. Afinal, se eu decidir fazer da minha casa um clube de fumo é ilegal porque se junta muita gente a fumar?... O que é um espaço "público"? Um lugar onde entra toda a gente? E desde quando é que nos bares (uns mais do que outros) entra toda a gente? Se me proibirem de entrar na Kapital por não gostarem dos meus sapatos posso chamar a polícia e forçar o meu direito de entrada? Não, devido ao velho "direito de admissão". Logo, se eu decidir fazer um bar só para fumadores e proibir a entrada de não fumadores, ou vice versa, não estou a exercer o "direito de admissão"? A nova lei sobrepõe-se ao direito de admissão e ao direito dos clubes privados? Aceitam-se respostas.
Por último, os trabalhadores a quem esta lei afecta. Como sempre, os do costume. Os que têm pouco tempo para fazer pausas, os que não têm gabinetes, os que trabalham em grandes estruturas (prédios, centros comerciais, escolas, hospitais) de onde se demora muito tempo a sair para vir à rua. Isso é fundamentalismo, sim. Trabalhei num sítio que considero equilibrado. Havia uma cantina e espaço de convívio com uma sala à parte, totalmente isolada por vidro, onde se entrava, se fechava a porta e se fumava. Curiosamente, era também a única sala onde as janelas estavam abertas e se respirava o ar não viciado pelos ares condicionados. Nunca ninguém se queixou nem tinha de quê. Havia espaço para todos sem prejudicar ninguém nem o expulsar para a rua, de pé, de castigo, o que é altamente vexatório e toma contornos de perseguição porque é desnecessário.
Excepto, é claro, nos restaurantes finos e casinos, onde a saúde dos empregados já não parece ser tão importante porque servem a realeza. O fumoir foi sempre coisa de rico. As orgias de álcool e droga dos loucos anos 20 também. A criadagem fuma no estábulo e droga-se na sargeta. Agora percebe-se melhor quem é rico e quem não é. Uma lei, uma luz, um abismo.
Entretanto, neste mesmo Portugal de jantares de lagosta no Gambrinus e altas fumaradas no Casino do Estoril, Governo paga aumento das pensões (miseráveis) em 14 prestações, não vão os reformados perder a cabeça e gastar os cêntimos todos de uma vez, sei lá, num maço de cigarros.
domingo, 6 de janeiro de 2008
Direito de escolha
A minha raiva com esta Lei Anti-Tabaco não é a lei propriamente dita mas o espírito que a orienta. O meu post anterior sobre o assunto foi cómico mas este será sério. A coisa levantou questões tão graves que nem sei por onde começar.
Talvez por isto. O povo é ignorante, muito ignorante. A dona de um cafézinho aqui do bairro decidiu que o café dela (aí uns 20m2, se tanto) vai ser para fumadores. Foi daí, comprou o dístico azul e disse "aqui fuma-se". Totalmente ignorante da lei, não sabe que não lhe foi dado direito de escolha. Nem sabe que a qualquer momento lhe pode entrar um gajo pela loja adentro e multar à vontade. É assim a ignorância. É por isto também que o povo não se revolta quando é preciso. E a mim o que revolta é a ignorância.
Voltemos à lei do tabaco, sem esquecer o pormenor da ignorância. Esta lei lembra-me a proibição de dar milho aos pombos. Caso não saibam, caros leitores, é proibido e punido com coima, em Lisboa, o hábito inofensivo e milenar de alimentar os pombos no jardim. Desculpa: os excrementos estragam as estátuas. De modo que qualquer estátua é mais importante do que as criaturas vivas. É a mesma mentalidade que quase nos proíbe de deslocarmos os nossos animais nos transportes públicos. É a mentalidade paranóica do medo da morte e da higiene e da supremacia do ser humano que é veiculada a toda a hora como se pode ver pela histeria da gripe das aves. Nunca ninguém parou de dar comida aos pombos, mas às escondidas, porque aqui na rua há um bufo. Um bufo que ameaça vingar-se dos vizinhos chamando a polícia. Esta história caricata não é do tempo da PIDE e de Salazar, mas dos nossos dias, do nosso recém chegado 2008. A raça humana é o homem lobo do homem.
Esta lei, como as anteriores, é mais uma lei proibicionista e nazi (porque vexatória) que não dá hipótese de escolha aos donos dos estabelecimentos (ao contrário do que a minha ignorante vizinha pensa). Daqui até à proibição de fumar em nossa própria casa, o nosso espaço privado, vai um passinho. É isso mesmo que eu estou a dizer, meus amigos. Adivinha-se o caminho: a ilegalização do tabaco.
Se os meus amigos pensavam que me importa fumar na rua, mesmo em relação aos bares, tirem o cavalinho da chuva. Pelo contrário, não vejo a obrigatoriedade de ir fumar para a rua como um problema mas como uma oportunidade. Vou fazer amigos novos e inesperados.
A mim preocupa-me algo de mais perigoso. Cada vez que uma substância é ilegalizada nascem fortunas! Foi assim com o ópio, com a cocaína, com o haxixe, com o próprio álcool nos Estados Unidos durante a Lei Seca, e será assim com o tabaco. Países produtores e canais distribuidores têm todo o interesse em ver o tabaco ilegalizado. O tráfico compensa. A única razão porque hesitam é porque o tabaco não é, no fim de contas, tão viciante como as outras drogas. Estou a comparar a dependência da nicotina à dependência da heroína e mesmo do álcool. Qualquer fumador, com força de vontade, larga o tabaco de um dia para o outro. E mesmo que tenha recaídas, e compre um cigarro no mercado negro, esse cigarro não lhe incapacita os sentidos como as drogas alucinatórias e não aparece no emprego incapaz de trabalhar. Se existir dependência, depois do desmame, esta é psicológica, como a do jogo, a da internet, a do sexo, e outras mais graves como a auto-mutilação.
Se o mercado não percebesse isso, há muito que o tabaco estava proibido. Se a tendência for proibicionista, nada nos garante que o álcool não seja de venda proibida, como já é a pessoas "nitidamente embriagadas" ou que aparentem distúrbios "psicológicos". Leiam o cartaz quando estiverem no supermercado. Já nos dizem qual é o nível de embriaguez socialmente consentida. O que tem a ver o nível de embriaguez com a harmonia social e a saúde dos restantes cidadãos ainda estou para perceber. Estamos a falar de pessoas notoriamente embriagadas que já não se aguentam de pé e que não têm equilíbrio suficiente para entrar num carro sem ajuda quanto mais de o conduzir e que não oferecem perigo nenhum para a sociedade a não ser a ofensa inestética de um vómito. Mas que é proibido, é.
Em muitos países, também o suicídio foi proibido (e punido com pena de morte!) durante séculos e séculos de influência da igreja.
A tendência proibicionista também já começou com as benzodiazepinas ao volante. As benzodiazepinas, altamente viciantes, são outra substância que dava um grande jeito ilegalizar (e por sua vez substituir por pior). Actualmente estão ao preço da chuva e o número de viciados é aliciante.
No tempo da guerra, até o café e os chocolates forneceram uma excelente oportunidade de negócio para o mercado negro.
É tudo isto que a Lei do Tabaco traz ao de cimo, lembrando-nos de que nos Estados Unidos se chegou ao extremo de proibir o tabaco a uns tantos metros de qualquer casa habitada, e que temos de pensar se queremos uma sociedade em que o Estado se sobrepõe ao livre arbítrio ou se queremos uma sociedade equilibrada em que o direito de escolha é sagrado. Eu voto pela segunda.
Talvez por isto. O povo é ignorante, muito ignorante. A dona de um cafézinho aqui do bairro decidiu que o café dela (aí uns 20m2, se tanto) vai ser para fumadores. Foi daí, comprou o dístico azul e disse "aqui fuma-se". Totalmente ignorante da lei, não sabe que não lhe foi dado direito de escolha. Nem sabe que a qualquer momento lhe pode entrar um gajo pela loja adentro e multar à vontade. É assim a ignorância. É por isto também que o povo não se revolta quando é preciso. E a mim o que revolta é a ignorância.
Voltemos à lei do tabaco, sem esquecer o pormenor da ignorância. Esta lei lembra-me a proibição de dar milho aos pombos. Caso não saibam, caros leitores, é proibido e punido com coima, em Lisboa, o hábito inofensivo e milenar de alimentar os pombos no jardim. Desculpa: os excrementos estragam as estátuas. De modo que qualquer estátua é mais importante do que as criaturas vivas. É a mesma mentalidade que quase nos proíbe de deslocarmos os nossos animais nos transportes públicos. É a mentalidade paranóica do medo da morte e da higiene e da supremacia do ser humano que é veiculada a toda a hora como se pode ver pela histeria da gripe das aves. Nunca ninguém parou de dar comida aos pombos, mas às escondidas, porque aqui na rua há um bufo. Um bufo que ameaça vingar-se dos vizinhos chamando a polícia. Esta história caricata não é do tempo da PIDE e de Salazar, mas dos nossos dias, do nosso recém chegado 2008. A raça humana é o homem lobo do homem.
Esta lei, como as anteriores, é mais uma lei proibicionista e nazi (porque vexatória) que não dá hipótese de escolha aos donos dos estabelecimentos (ao contrário do que a minha ignorante vizinha pensa). Daqui até à proibição de fumar em nossa própria casa, o nosso espaço privado, vai um passinho. É isso mesmo que eu estou a dizer, meus amigos. Adivinha-se o caminho: a ilegalização do tabaco.
Se os meus amigos pensavam que me importa fumar na rua, mesmo em relação aos bares, tirem o cavalinho da chuva. Pelo contrário, não vejo a obrigatoriedade de ir fumar para a rua como um problema mas como uma oportunidade. Vou fazer amigos novos e inesperados.
A mim preocupa-me algo de mais perigoso. Cada vez que uma substância é ilegalizada nascem fortunas! Foi assim com o ópio, com a cocaína, com o haxixe, com o próprio álcool nos Estados Unidos durante a Lei Seca, e será assim com o tabaco. Países produtores e canais distribuidores têm todo o interesse em ver o tabaco ilegalizado. O tráfico compensa. A única razão porque hesitam é porque o tabaco não é, no fim de contas, tão viciante como as outras drogas. Estou a comparar a dependência da nicotina à dependência da heroína e mesmo do álcool. Qualquer fumador, com força de vontade, larga o tabaco de um dia para o outro. E mesmo que tenha recaídas, e compre um cigarro no mercado negro, esse cigarro não lhe incapacita os sentidos como as drogas alucinatórias e não aparece no emprego incapaz de trabalhar. Se existir dependência, depois do desmame, esta é psicológica, como a do jogo, a da internet, a do sexo, e outras mais graves como a auto-mutilação.
Se o mercado não percebesse isso, há muito que o tabaco estava proibido. Se a tendência for proibicionista, nada nos garante que o álcool não seja de venda proibida, como já é a pessoas "nitidamente embriagadas" ou que aparentem distúrbios "psicológicos". Leiam o cartaz quando estiverem no supermercado. Já nos dizem qual é o nível de embriaguez socialmente consentida. O que tem a ver o nível de embriaguez com a harmonia social e a saúde dos restantes cidadãos ainda estou para perceber. Estamos a falar de pessoas notoriamente embriagadas que já não se aguentam de pé e que não têm equilíbrio suficiente para entrar num carro sem ajuda quanto mais de o conduzir e que não oferecem perigo nenhum para a sociedade a não ser a ofensa inestética de um vómito. Mas que é proibido, é.
Em muitos países, também o suicídio foi proibido (e punido com pena de morte!) durante séculos e séculos de influência da igreja.
A tendência proibicionista também já começou com as benzodiazepinas ao volante. As benzodiazepinas, altamente viciantes, são outra substância que dava um grande jeito ilegalizar (e por sua vez substituir por pior). Actualmente estão ao preço da chuva e o número de viciados é aliciante.
No tempo da guerra, até o café e os chocolates forneceram uma excelente oportunidade de negócio para o mercado negro.
É tudo isto que a Lei do Tabaco traz ao de cimo, lembrando-nos de que nos Estados Unidos se chegou ao extremo de proibir o tabaco a uns tantos metros de qualquer casa habitada, e que temos de pensar se queremos uma sociedade em que o Estado se sobrepõe ao livre arbítrio ou se queremos uma sociedade equilibrada em que o direito de escolha é sagrado. Eu voto pela segunda.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Quem tem medo da morte não merece estar vivo
Os não-fumadores estão a começar a meter-me raiva.
Estão dois drogados a dar um chuto num casebre abandonado. Entra outro e acende um cigarro.
- Ò dá de frosques, não podes fumar aqui que é um espaço público! Queres-te matar mata-te lá fora, ò malcheiroso!
Já há muito tempo que os não-fumadores se estão a esticar. Não falo de espaços fechados. Falo das caras de enjoo nas filas para o autocarro, as velhas a tossir a fingir que têm bronquite, e outras que tais que um dia se me apanham do avesso ainda ficam sem dentes que a paciência tem limites e eu sou do signo Touro que vai enchendo até rebentar.
Já há muito tempo que é proibido fumar nos espaços onde trabalho. Restaurantes e cafés, cinemas e teatros, com a crise que está, todas as razões para não pôr lá os pés são boas razões. E sejamos francos. Malta dos cafés e dos restaurantes já não querem lá os clientes a fazer sala à volta da bica. Querem é servir sopas, sandes, pregos no prato ao balcão, fechar às 6 da tarde que ala que se faz tarde, e pôr a gente toda a andar depois de consumir.
Para ir conversar com amigos restam os bares. Esta é que é a razão da minha raiva. Ninguém deixa de sair à noite por causa do fumo. Quem quer saúde vai ao ginásio. Ò meus amigos, os bares são para a má vida! Não se ponham a pau e ainda nos proibem de beber álcool! O quê, riem? Foi assim que Al Capone fez fortuna. Lei Seca.
Quem vai a um bar e não fuma, e possivelmente não bebe, vai ao bar para quê? *bate na testa* Que burra que eu sou! Vai ao engate! E não se esquece de levar preservativo, por causa das doenças. Conheci um homem assim, daqueles que não andam nos transportes públicos por causa dos germes. Há de facto uma doença, uma doença mental que não tem cura. Como se não bastasse já a percentagem de tarados na noite lisboeta, só cá nos faltam os health freaks!
Até já estava a ficar muito zangada com as perspectivas desta invasão de gajos tarados, quando o presidente da ASAE, uma das entidades que irá fiscalizar a aplicação da lei que proibe o fumo em espaços fechados de utilização pública, foi fotografado pelo Diário de Notícias (DN) a fumar uma cigarrilha no Casino do Estoril às 02.30 da manhã do dia 01 de Janeiro.
A mim lembra-me aquela "mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo" ou ainda aquela "faz o que eu digo, não faças o que eu faço". Isto da leis é o para o Zé Povinho, até porque diz o figurão: "Em explicações ao DN, António Nunes considerou que a nova lei «não proíbe expressamente o tabaco nos casinos e nas salas de jogos», justificando com a existência de um conflito de interesses com a lei do jogo, que contudo, não faz qualquer referência ao consumo de tabaco."
E o charuto, pode meter-se na boca? Chupar no cachimbo, pode-se? Se calhar a lei é omissa. Agora já sei que posso fumar no Casino. É bem. Probir aqueles jogadores viciados de fumar ainda lhes curava o vício... de jogar. E isso não pode ser. Olha o dinheirinho que se perde. Isto há espaços públicos, para o Zé Enrabado, e espaços finos, para a elite!
Entretanto, estava um casal a foder a um canto de uma discoteca, no escurinho. Quando se vêm, ambos acendem um cigarro. O segurança, que estava a topar tudo, chega-se ao pé deles e diz:
- Amigos, aqui não se pode fo... fumar.
Estão dois drogados a dar um chuto num casebre abandonado. Entra outro e acende um cigarro.
- Ò dá de frosques, não podes fumar aqui que é um espaço público! Queres-te matar mata-te lá fora, ò malcheiroso!
Já há muito tempo que os não-fumadores se estão a esticar. Não falo de espaços fechados. Falo das caras de enjoo nas filas para o autocarro, as velhas a tossir a fingir que têm bronquite, e outras que tais que um dia se me apanham do avesso ainda ficam sem dentes que a paciência tem limites e eu sou do signo Touro que vai enchendo até rebentar.
Já há muito tempo que é proibido fumar nos espaços onde trabalho. Restaurantes e cafés, cinemas e teatros, com a crise que está, todas as razões para não pôr lá os pés são boas razões. E sejamos francos. Malta dos cafés e dos restaurantes já não querem lá os clientes a fazer sala à volta da bica. Querem é servir sopas, sandes, pregos no prato ao balcão, fechar às 6 da tarde que ala que se faz tarde, e pôr a gente toda a andar depois de consumir.
Para ir conversar com amigos restam os bares. Esta é que é a razão da minha raiva. Ninguém deixa de sair à noite por causa do fumo. Quem quer saúde vai ao ginásio. Ò meus amigos, os bares são para a má vida! Não se ponham a pau e ainda nos proibem de beber álcool! O quê, riem? Foi assim que Al Capone fez fortuna. Lei Seca.
Quem vai a um bar e não fuma, e possivelmente não bebe, vai ao bar para quê? *bate na testa* Que burra que eu sou! Vai ao engate! E não se esquece de levar preservativo, por causa das doenças. Conheci um homem assim, daqueles que não andam nos transportes públicos por causa dos germes. Há de facto uma doença, uma doença mental que não tem cura. Como se não bastasse já a percentagem de tarados na noite lisboeta, só cá nos faltam os health freaks!
Até já estava a ficar muito zangada com as perspectivas desta invasão de gajos tarados, quando o presidente da ASAE, uma das entidades que irá fiscalizar a aplicação da lei que proibe o fumo em espaços fechados de utilização pública, foi fotografado pelo Diário de Notícias (DN) a fumar uma cigarrilha no Casino do Estoril às 02.30 da manhã do dia 01 de Janeiro.
A mim lembra-me aquela "mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo" ou ainda aquela "faz o que eu digo, não faças o que eu faço". Isto da leis é o para o Zé Povinho, até porque diz o figurão: "Em explicações ao DN, António Nunes considerou que a nova lei «não proíbe expressamente o tabaco nos casinos e nas salas de jogos», justificando com a existência de um conflito de interesses com a lei do jogo, que contudo, não faz qualquer referência ao consumo de tabaco."
E o charuto, pode meter-se na boca? Chupar no cachimbo, pode-se? Se calhar a lei é omissa. Agora já sei que posso fumar no Casino. É bem. Probir aqueles jogadores viciados de fumar ainda lhes curava o vício... de jogar. E isso não pode ser. Olha o dinheirinho que se perde. Isto há espaços públicos, para o Zé Enrabado, e espaços finos, para a elite!
Entretanto, estava um casal a foder a um canto de uma discoteca, no escurinho. Quando se vêm, ambos acendem um cigarro. O segurança, que estava a topar tudo, chega-se ao pé deles e diz:
- Amigos, aqui não se pode fo... fumar.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Porque apoio Paulo Portas
Hoje, dois em um:
É A GUERRA!
Mas há mais. A 23 de Maio:
Há mais. Elas que venham. Assim até é fácil. Tenho a papinha toda feita.
Mais notícias aqui.
Educação: Portas protesta contra "sistema de ensino de faz-de-conta"
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, protestou hoje contra a ausência de penalização dos erros ortográficos na prova de aferição de português, considerando que se vive "um sistema de ensino faz-de-conta".
"Através da comunicação social, o país tomou hoje conhecimento de que nas provas de aferição na disciplina de Português os erros de Português, de ortografia, não contam para efeitos de classificação. Gostava de deixar muito claro o protesto do CDS por este facto", afirmou Paulo Portas, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa.
O Diário de Notícias noticia hoje que os "erros de ortografia não contam para a avaliação", escrevendo que "erros de construção frásica, grafia ou de uso de convenções não são para descontar" nas referidas provas, informação entretanto desmentida "liminarmente" pelo Ministério da Educação.
O Gabinete de Avaliação Educacional justificou a ausência de penalização de erros ortográficos na parte das provas de aferição dedicada à interpretação de texto com a necessidade de avaliar separadamente diferentes competências da língua e traçar estratégias distintas.
"Já sabíamos que as provas de aferição não contam para a avaliação do aluno, agora ficámos a saber que os erros de português numa prova de português não contam para a classificação do aluno", criticou Portas.
"Estamos num sistema de ensino faz-de-conta, e isso do ponto de vista do CDS é inaceitável", acrescentou.
Para o líder do CDS-PP, "há verbos proibidos" entre os "ideólogos do Ministério da Educação".
"O verbo estudar é disfarçado, o verbo examinar é disfarçado, o verbo passar é disfarçado, o verbo chumbar desapareceu e agora errar também é indiferente", criticou Portas, garantindo que o CDS irá questionar o Ministério da Educação sobre esta matéria.
"Não é para isto que o contribuinte paga o sistema educativo", acrescentou.
Lusa
Impostos: Portas critica Estado por "entrar em casa das famílias sem bater à porta"
O líder do CDS-PP, Paulo Portas, criticou hoje a obrigatoriedade de as doações acima dos 500 euros terem de ser declaradas ao Fisco, acusando o Estado de querer "entrar em casa das famílias sem bater à porta".
"Eu não aceito que o Estado, através da administração fiscal, se ache no direito de, sem bater à porta, entrar na casa das famílias e ingerir na gestão financeira das famílias", criticou Paulo Portas, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa.
Devido às alterações introduzidas em 2006 ao Imposto de Selo, todos os contribuintes que façam doações superiores a 500 euros estão obrigados a pagar imposto de selo, entregando ao Fisco o modelo 1 do Imposto de Selo na altura da doação.
As doações entre pais e filhos, marido e mulher e avós e netos estão isentas do pagamento desse imposto, mas todos os contribuintes que façam doações superiores a 500 euros têm a obrigação de o declarar ao Fisco, sob pena de serem multados.
A confusão nesta matéria surgiu depois do primeiro-ministro ter dito no Parlamento, em Janeiro, que "não existem doações entre pais e filhos, nem entre cônjuges", sugerindo que as mesadas que os pais dão aos filhos não têm de ser declaradas às Finanças.
"Fizemos a pergunta pertinente ao primeiro-ministro e lembrar-se-ão, os que assistiram ao debate, que o primeiro-ministro dizia que era fantasia nossa. Afinal, o primeiro-ministro não estava exactamente dentro do assunto", referiu Portas.
Depois de um requerimento feito por duas deputadas socialistas ao Ministério das Finanças a pedir esclarecimentos sobre este assunto, o gabinete de Teixeira dos Santos reafirmou segunda-feira a obrigação de declaração em situações de doações superiores a 500 euros entre pais e filhos, mas esclareceu que as mesadas decorrem do dever do poder paternal e não são por isso consideradas doações para efeitos fiscais.
No entanto, o líder do CDS-PP deu alguns exemplos de situações que implicam a declaração de uma doação ao Fisco, e que classificou de "absurdas".
"Por exemplo, um pai que dá um prémio a um filho porque ele passou de ano (...), um avô que paga alguns dos estudos do seu neto (...), um presente de casamento", enumerou.
"Para os socialistas o Estado pode entrar em casa das pessoas, para nós o Estado fica à porta, e isso é uma separação absolutamente fundamental", defendeu Paulo Portas.
O líder do CDS-PP salientou que foi por influência do seu partido que terminou o imposto sucessório entre cônjuges, descendentes e ascendentes.
"Essa foi uma das marcas que o CDS conseguiu levar para o Estado, maior respeito pela família", disse.
"O Estado que se meta na sua vida e deixe a vida das famílias tranquilas", aconselhou Portas, garantindo que o CDS irá questionar o Ministério das Finanças sobre este tema.
Lusa
É A GUERRA!
Mas há mais. A 23 de Maio:
Tabaco: CDS-PP quer possibilidade de haver espaços para fumadores
O CDS-PP propôs hoje, no início da discussão na especialidade da Lei do Tabaco, que possam existir espaços classificados como para fumadores e outros para não-fumadores, à semelhança do que acontece em Espanha.
"Queremos a possibilidade de existirem espaços para fumadores e para não-fumadores (.) Não podemos atentar contra o direito de iniciativa privada de quem quer ter um espaço para fumadores", defendeu o deputado do CDS-PP Hélder Amaral, em declarações aos jornalistas no Parlamento.
"Deve caber a cada cidadão a escolha de ir a um restaurante para fumadores ou não-fumadores", acrescentou.
O deputado do CDS-PP considerou que esta alteração tornaria a lei "equilibrada, que protege direitos dos fumadores e não fumadores", salientando que é este o modelo legislativo em Espanha.
A proposta de lei do tabaco, aprovada na generalidade pela Assembleia da República a 03 de Maio, com os votos favoráveis do PS, do PSD e do CDS-PP, proíbe totalmente o fumo em restaurantes e bares com menos de 100 metros quadrados, permitindo a criação de um espaço para fumadores - nunca superior a 30 por cento da área total - nos estabelecimentos de maior dimensão.
O CDS-PP quer ainda que, em estabelecimentos onde o espaço de fumadores e não fumadores seja comum (com dimensão superior a 150 metros quadrados), seja atribuída uma quota de 50 por centro a cada uma das categorias.
"É do mais elementar bom senso que o espaço entre fumadores e não fumadores seja equilibrado", defendeu, considerando que, se tal não acontecer, os bares, restaurantes e discotecas situados perto da fronteira com Espanha poderão ser prejudicados.
O CDS-PP quer ainda uma redução das coimas para os infractores particulares, situando-as entre os 10 e os 150 euros.
A proposta de lei aprovada na generalidade prevê para quem insistir em fumar nos locais proibidos contra-ordenações que poderão ser punidas com coimas entre os 50 e os mil euros para o fumador.
O diploma começou a ser hoje discutido na especialidade, num grupo de trabalho a funcionar junto da Comissão parlamentar de Saúde.
Contactada pela Lusa, a presidente desta comissão, a socialista Maria Belém, disse esperar que a votação da lei na especialidade possa ocorrer a 20 de Junho.
Lusa
Há mais. Elas que venham. Assim até é fácil. Tenho a papinha toda feita.
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