terça-feira, 11 de junho de 2024
The Final Destination / ou melhor, Final Destination 4 (2009)
Não admira que eu tenha perdido este filme, confundindo-o com o primeiro porque os realizadores quiseram ser espertos e não lhe puseram o 4 à frente.
A história é a mesma. Desta vez durante uma corrida de automóveis, alguém tem uma premonição de um terrível acidente que vai matar centenas do público a assistir nas bancadas. Como sempre, o histerismo da pessoa que tem a visão faz com que meia dúzia de espectadores saiam do recinto, mesmo a tempo de sobreviver. Como sempre, estes sobreviventes estão agora na lista da Morte e os acidentes bizarros começam a acontecer.
Ao contrário de “Final Destination 3”, aqui os protagonistas estão muito mais às cegas. A confusão do acidente foi tão grande que nem sequer sabem qual é a ordem das mortes. No entanto, sem se perceber porquê, também têm a ideia de interromper o ciclo salvando um dos próximos da lista.
Houve aqui uma coisa que não percebi (e não posso explicar melhor porque seria um grande spoiler), mas há uma cena em que os protagonistas lêem num jornal que um automóvel descontrolado entrou pela montra de um café adentro e matou três pessoas. Mas isto só acontece muito mais tarde. Será que este “jornal” foi outra premonição em que ninguém reparou? Custa-me a crer, considerando a importância das visões nestes filmes. Alguém que me explique, por favor.
“Final Destination 4” (recuso-me a chamar-lhe outra coisa) é uma cópia pouco inspirada dos filmes anteriores e de todos o menos interessante. Talvez seja também o mais pretensioso, não querendo incluir-se no lote de 1 a 4.
O que podemos esperar daqui são os acidentes bem orquestrados: a torneira que começa a pingar, a água que entra numa máquina e provoca um curto-circuito, a máquina que se move em virtude disso e bate noutra coisa, que por sua vez toca noutra coisa… e a morte acontece de onde menos se espera. Neste aspecto “Final Destination 4” promete e cumpre. Nada de original, mas aconselho a todos os amantes da série.
13 em 20
domingo, 9 de junho de 2024
Final Destination 3 / O Último Destino 3 (2006)
Depois deste filme, ninguém me apanha numa montanha-russa nunca mais!
Confesso, nunca fui grande fã, mas uma vez fui à Feira Popular (quando ainda existia a saudosa Feira Popular em Lisboa!) com um namorado que me convenceu a experimentar com a lengalenga “se nunca experimentaste como é que sabes que não gostas, etc”. A montanha-russa tinha um loop. Eu percebi logo que não ia gostar do loop. Mas as coisas que uma pessoa faz por amor.. ou para manter a relação. DETESTEI O LOOP. Não vomitei, não gritei, não entrei em pânico nem nada, mas detestei a sensação. Do resto até gostei, mas estar de cabeça para baixo, não! Ainda não tínhamos acabado a viagem e eu já lhe estava a dizer: “Nunca mais! Nunca mais! Nunca mais!”
E ainda não tinha visto este filme.
Como a minha histórinha pretende demonstrar, “Final Destination 3” é sobre uma rapariga que tem uma premonição de um desastre horripilante ao entrar na montanha-russa, causando com que algumas pessoas saiam a tempo. Estes sobreviventes começam depois a morrer um por um em acidentes super-bizarros.
Outra para a minha lista de NUNCA MAIS: nunca me apanharão numa daquelas máquinas de bronzear, até porque nunca as considerei saudáveis e são uma boa maneira de convidar um cancro de pele. Mas depois deste filme, nunca mesmo!
Um dos sobreviventes descobre uma notícia sobre o desastre do voo 180 (primeiro filme) e está convencido de que conseguem interromper a cadeia de mortes se forem capazes de salvar um que seja. Mas será que a Morte abandona a lista assim tão depressa? Ou deixa esse para mais tarde?
Tenho de dar os parabéns a este filme porque nos conseguiu fazer interessar pelos personagens antes de eles começarem a morrer. Começa a ser cada vez mais raro e há que dar o devido crédito.
O mais interessante nos filmes “Final Destination” é a sua componente existencial. Todos sabemos qual vai ser o nosso Último Destino. Uma das personagens diz que desde a premonição sente algo sempre com ela. Muitos de nós sentem também. É uma razão para aproveitar mais a vida. Ou não.
Não recomendo a pessoas sensíveis.
14 em 20 (a cena da premonição na montanha-russa é mesmo de arrepiar)
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
Final Destination 5 / O Último Destino 5 (2011)
Confesso que sou fã desta saga, nem que seja pela metáfora: no fim, a morte chega para todos, com ou sem premonições. Ver estes filmes ajuda a pôr as coisas em perspectiva em apenas 90 minutos.
Penso que perdi o quarto filme, mas vamos lá ao quinto. Desta vez a premonição é sobre a queda de uma ponte. Como sempre, algumas pessoas são salvas devido ao visionário que as arranca dali. Parece uma sorte mas depressa estas pessoas começam a morrer em acidentes absurdos e horripilantes pela ordem em que foram salvas.
Como perdi o quarto filme, não sei se esta ideia foi introduzida nesta sequela ou nas anteriores: é dito aos sobreviventes que para “enganarem” a Morte têm de matar alguém que “morra por eles” de modo a restabelecer o equilíbrio. Um dos sobreviventes está disposto a tudo para escapar, inclusive o homicídio. Mas a Morte, afinal, não se deixa enganar.
Teria preferido que as mortes fossem mais realistas. Quanto mais absurdas menos impacto têm, na minha opinião, e transformam a tensão em paródia. Como a ginasta. Ninguém morre assim, muito menos uma ginasta habituada a cair “bem” quando há problemas nos aparelhos de ginástica. Bastava ter caído “mal” e partido o pescoço, por exemplo, não era preciso aquela monstruosidade toda. Mais realismo e teria sido muito melhor.
Como já vamos no quinto filme e não quero revelar spoilers, ficamos por aqui.
No final tentaram fazer uma coisa engraçada com o primeiro filme. O que até resulta, se alguém ainda se lembrar do primeiro filme. Alguém se lembra?
13 em 20
domingo, 20 de agosto de 2023
I'll Always Know What You Did Last Summer / Vou Sempre Saber o Que Fizeste no Verão Passado (2006)
Este terceiro “episódio” de “Sei o Que Fizeste no Verão Passado” não é mau de todo tendo em conta o género. Mas a verdade é que eu já não sei o que eles fizeram no verão passado original, muito menos na sequela. Filmes completamente esquecíveis.
Nesta continuação, um grupo de adolescentes no último verão lá da terrinha, antes de irem às vidas deles para a universidade e novos empregos, decide pregar uma partida. Lêem no jornal o que aconteceu antes, e um deles veste-se de assassino, com o gancho e tudo. (Este gancho é mesmo o original, encomendado no Ebay como é moderno, o que vai ser importante mais tarde.) O objectivo é pregar um susto aos visitantes de uma feira de verão. Um dos jovens é o filho do xerife, que é bastante bom com o skate. O assassino mascarado persegue o skater até ao telhado de um prédio, de onde este salta com uma manobra monumental. A amparar-lhe a queda estariam alguns colchões colocados na rua. E, ora bem, a partida era só isto. Mas acontece que alguém retirou os colchões e o desgraçado estatelou-se e morreu.
A princípio o grupo de jovens nem quer acreditar. Era só uma partida. Nenhum deles desviou os colchões nem sabem quem foi. Mas de repente a nova realidade fala mais alto. Todos os adolescentes têm grandes perspectivas fora da cidadezinha e não lhes convém nada verem-se envolvidos num processo judicial em que teriam de provar a sua inocência, ou pelo menos a sua falta de intenção de matar alguém, ainda por cima sendo a vítima o filho do xerife. Afinal, foi um acidente azarado, ou eles assim pensam.
Dentro em breve, começam a aparecer os fatídicos avisos: SEI O QUE FIZESTE NO VERÃO PASSADO. A princípio os jovens pensam que é o xerife que está a vingar a morte do filho, mas depressa descobrem algo mais sinistro. O assassino voltou, embora tenha morrido no segundo filme. Isto significa que agora o assassino é sobrenatural! Tentam matá-lo com facas, tentam matá-lo com tiros… E ele não morre. É uma espécie de Michael Myers (“Halloween”) vingativo. Quando finalmente lhe vêem o rosto, então não é a cara chapada do Freddy Krueger (“Nightmare on Elm Street”)? Ouviram bem: Michael Myers com cara de Freddy Krueger. Pior é impossível.
Tendo tudo isto em consideração, e que agora o assassino é sobrenatural, estou abismada em como não fizeram mais filmes da série. É verdade que já não existe nada de original para explorar, mas isso nunca impediu sequelas atrás de sequelas.
Já era tempo de alguém fazer a versão portuguesa desta saga. “Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes que eu sei o que fizeste no verão passado”. Cenário: Assembleia da República. O enredo seria uma mistura com “Final Destination”, em que os deputados receberiam avisos sinistros para não se aproximarem do parlamento, mas, ainda assim, seriam lá atraídos um a um, para serem chacinados de diversas formas e feitios nos corredores escuros da assembleia deserta à noite. Não vou dizer quem eu escolheria para ser a Final Girl para não parecer tendenciosa.(Sim, tem de haver uma Final Girl. É uma das regras. Mas em alguns casos a Final Girl também morre no final, fazendo jus ao título. Fica à vontade do realizador.) E pronto, foi a minha fantasia cinematográfica para alguém aproveitar.
Em suma, é um filme que se vê bem, sem grandes expectativas, e que agradará a quem conhece os dois primeiros.
12 em 20
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Final Destination 2 / O Último Destino 2 (2003)
Não é todos os dias que podemos dizer que uma sequela é melhor do que o original. É precisamente o caso com O Último Destino 2. Neste, já não encontramos as falhas de lógica que prejudicaram o primeiro filme. Tudo é surpreendente e faz sentido. Mas conseguirão enganar a morte?
Nesta sequela, uma jovem tem a visão de um sangrento choque em cadeia. Petrificada, já não consegue prosseguir viagem, e assiste ao concretizar da sua visão: acidente na estrada, mortos e feridos. A primeira surpresa acontece logo com os amigos que a acompanham no carro. Julgamos que vão ser eles a ser perseguidos pela Morte quando subitamente um camião os cilindra a todos ainda no local do acidente. (Eu não esperava isto, confesso). Chega-se depois à conclusão de que desta vez a Morte está a corrigir o seu desígnio em ordem contrária: do último que devia morrer ao primeiro. O que torna a jovem da visão a última vítima.
Desta vez aparece também o cangalheiro sinistro, mas pelo menos já nos dizem que ele “sabe muito destas coisas”. Isto torna-o mais do que um cangalheiro e o personagem faz mais sentido do que fazia no primeiro filme.
O Último Destino 2 vê-se muito melhor do que o original. Se calhar ajuda a interpretação de A.J. Cook (que conhecemos de “Mentes Criminosas”, aqui tão nova e rechonchuda, no bom sentido, que me custou reconhecê-la). As mortes continuam a ser rebuscadas, mas não tão delirantes, o que só reforça a credibilidade.
Apesar de achar que este filme é melhor do que o primeiro, acabo por dar-lhe a mesma nota porque o princípio da série sempre tinha o ponto da originalidade.
14 em 20
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Final Destination / O Último Destino (2000)
(crítica ao primeiro filme da série “Final Destination”)
Este filme podia ter sido muito melhor do que é. Tendo em conta o género, a princípio quase nos convence de que vai ser um filme de qualidade. Mas depois começa o disparate.
Um jovem em viagem de finalistas tem um sonho/visão em que o avião em que vai viajar se vai despenhar. Já dentro do avião, entra em pânico, gera-se uma comoção, e a tripulação acaba por expulsar toda a gente que está de pé nesse momento. O avião descola e explode em minutos. A seguir ao desastre, a professora e alunos que foram expulsos do avião começam a morrer, um a um, em acidentes bizarros.
A sequência do desastre do avião é aterradora. Só por ela já vale a pena ver o filme. (Mas previno que pode fazer muita gente pensar duas vezes antes de entrar novamente num avião.)
A seguir à tragédia, o filme é sério e sóbrio. Os personagens reagem como pessoas normais nestas circunstâncias. Começamos a ficar convencidos de que estamos a ver um filme que nos vai marcar para sempre. E lá potencial ele tem.
A primeira morte está muito bem feita. Até nos fazem acreditar, durante longos segundos, que o personagem tem alguma hipótese de se safar.
E depois começa o disparate. O tal jovem das visões sabe da morte do amigo e deduz, sem mais nem ontem, que se ele morreu todos os que escaparam ao acidente de avião vão morrer também. Não há qualquer lógica a substanciar esta conclusão. Não há sequer ninguém que conteste que pode ter sido apenas uma coincidência. O filme tem tanta pressa em chegar lá que toma um atalho desnecessário e evitável. Bastava que só se começasse a desconfiar que não era coincidência à segunda morte. Assim já fazia sentido. (Curiosamente, já vi “O Último Destino” 2 e 3 e em ambas as sequelas esta questão foi tratada com a lógica devida. Só começaram a suspeitar que eram “perseguidos” quando tal se tornou óbvio.) Infelizmente, é aqui que o filme começa a derrapar. E nunca mais pára.
O tal jovem e outra sobrevivente decidem entrar na morgue à socapa, porque ele quer ver corpo do amigo para perceber se podia ter “antevisto” o perigo. Ora, isto é gente de 17 ou 18 anos, não são miúdos da primária. Já deviam ter tino para não andarem a arrombar morgues se, afinal, até podiam ver o corpo durante o funeral. Mas a este arrombamento idiota segue-se uma cena ainda mais idiota, em que aparece um sinistro cangalheiro a avisá-los de que “a Morte tem um desígnio”. Eles enganaram esse desígnio por acaso mas a Morte não os vai deixar escapar. As palavras e o comportamento do cangalheiro são tão estranhos que ficamos a pensar que esta é uma qualquer figura sobrenatural ligada à “maldição”, ou até a própria Morte. Se calhar era isso que o argumentista queria explicar mais tarde, mas não houve tempo no filme (?) e o cangalheiro aparece ali como uma personagem absurda. Nunca mais o vemos.
A seguir, uma série de mortes, cada uma mais rebuscada e implausível do que a outra. Admito que são imaginativas, mas tão delirantes que nos lembram de que afinal é só um filme. E ao lembrarem-nos de que é só um filme arrancam-nos dele, onde nos tinham conseguido submergir com o bom início. Nunca mais conseguimos levar o filme a sério. O que é pena, porque a ideia é boa e tinha potencial para meter medo.
Mas depois pensei melhor e cheguei à conclusão de que foi feito assim de propósito. Este é um daqueles filmes a que chamam essa coisa odiosa de “filmes para adolescentes”, como se os adolescente não fossem capazes de apreciar um filme sério e sombrio. Para não assustar muito os “meninos”, o filme torna-se disparatado para os tranquilizar de que nada daquilo é realidade.
Confesso que até achei estranho que um filme deste tipo tenha posto os personagens a trocar diálogos existenciais sobre a brevidade da vida e a inevitabilidade da morte. Tudo muito levezinho, mas as questões filosóficas não deixam de ser abordadas. Um ponto extra por isso.
O final é fraquinho. Seis meses depois de tudo acalmar, a Morte volta ao ataque. O próprio filme admite que deixou pontas soltas que não chegou a explicar, mas a maior de todas é esta: o que andou a fazer a Morte durante seis meses? Foi de férias?
Ressalvo, no entanto, que este não era o fim original. Antes deste, tentaram fazer não apenas um mas dois finais que foram rejeitados pela público-teste por serem demasiado pesados. Este final não era o que os criadores do filme tinham em mente. Foi o final que “passou” nos testes de audiência. Melhor que o filme tivesse acabado cinco minutos mais cedo.
Em suma, se Final Destination tivesse mantido o tom sério do início e se as mortes não desafiassem a credibilidade, este podia ter sido um excelente filme. Mesmo assim recomendo a todos os apreciadores de terror, nem que seja pelo conceito e pelas influências futuras no género. Quem ainda não viu pode contar com uma hora e quarenta minutos de entretenimento.
E sempre tiramos do filme esta pérola de sabedoria prática: beber vodka de uma caneca é muito perigoso. Pela garrafa é que é.
Curiosidade: Já no fim do filme, quando os protagonistas estão em Paris, vê-se em background um cantor de rua. Este ilustre desconhecido, que nem sequer é mencionado nos créditos, é nem mais nem menos do que Alessandro Juliani, o bem conhecido Tenente Felix Gaeta de Battlestar Galactica.
14 em 20






