terça-feira, 30 de setembro de 2008

Gatos, por Baudelaire




Charles Baudelaire, "Cats"

Fevered lovers and austere thinkers
Love equally, in their ripe season
Cats powerful and gentle, pride of the house
Like them they feel the cold, like them are sedentary

Friends of science and sensuality
They seek the silence and the horror of the shadows
Erebus had taken them for its funeral coursers
Could they to servitude incline their pride.

Dreaming, they take on noble postures
Great sphinxes stretched out in the depths of emptiness
Seeming to fall asleep into an endless dream.

Their fertile loins are full of magic sparks
And nuggets of gold like fine sand
Vaguely bestar their mystic pupils.


(Versão inglesa encontrada por caso na net. Desconheço a versão original.)

domingo, 28 de setembro de 2008

"Os Paraísos Artificiais", de Charles Baudelaire

O que me leva a ler de novo "Os Paraísos Artificiais", de Charles Baudelaire, um tratado sobre o haxixe e o ópio, tanto anos depois de o ter lido sem ficar invulgarmente impressionada? Se calhar a mesma razão que me levou a comprar o livrinho: o desejo de conhecer um paraíso artificial. Duvido mesmo, quando o adquiri, que soubesse que tratava de drogas. Talvez tenha ficado até algo desapontada. Talvez estivesse à espera de uma experiência mística. Um outro tipo de paraíso artificial que vim mais tarde a encontrar numa outra embriaguez que é a Fé.
Mas não recuso que as drogas e as suas promessas sempre exerceram em mim um fascínio tão sobrenatural que parecia conhecê-las já antes de as saber nomear. Muitas bandas góticas se debruçaram também sobre o tema (os Sisters of Mercy em especial), com o mesmo fascínio pelo escapismo fácil destes "paraísos" que não existem sem um respectivo "inferno".
De modo que chego à mesma conclusão que Baudelaire exalta no fim do livro, e que fica aqui para nunca me esquecer, mesmo que o livro acabe por desaparecer da minha colecção:

EMBRIAGAI-VOS

Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais conta. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que esmaga os vossos ombros e vos faz pender para a terra, deveis embriagar-vos sem tréguas.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas embriagai-vos.
E se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto, acordais, já diminuída ou desaparecida a embriaguez, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, a ave, o relógio, vos responderão: "São horas de vos embriagardes! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha."

Nota curiosa: Para os capítulos sobre o ópio, Baudelaire analisa as confissões de outro autor, Thomas de Quincey ("Confessions of an English Opium Eater"). Thomas de Quincey é também o escritor do livro "Do assassínio como uma das belas artes", uma prosa sarcástica e cheia de humor negro cuja leitura também aconselho.

sábado, 27 de setembro de 2008

Christian Death "American Inquisition" 2007


Em termos de formação não conheço banda mais complicada do que os Christian Death pelo que não me vou deter nas substituições ao longo de anos de grande conflito. Quem estiver interessado no historial pode ir consultá-lo aqui.
Por questões de simplicidade, vou reduzir a banda a duas fases: Rozz Williams (vocalista, já desaparecido de entre nós há 10 anos) e Valor (vocalista actual).
Gosto das duas fases mas prefiro a segunda pelo conteúdo das letras, muito mais viradas para a religião, para a política e para a sociedade, e parece que com os anos cada vez prefiro mais a fase Valor. O que não quer dizer que o concerto de Christian Death 1334, em Lisboa, na Caixa Económica Operária, com membros originais e temas da fase Rozz Williams, não tenha sido o melhor que vi nos últimos tempos.
Deixo isto bem claro para o leitor perceber que sou suspeita nas minha simpatia pela fase Valor. Vamos então ao último álbum, "American Inquisition", de 2007.
Talvez o melhor seja dar a palavra ao autor:

I used to believe you could see the Future
Even though you lived in the past

THEN Millions of People Lived by your every Word
And lived their lives waiting for The Blast

YET I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON

Every thousand years or so
They say it’s the end of time
The second coming of Christ
lets change the game
Lets shift the paradigm

From High on the alter box
They preached how the end would be
Once it was the bay of Pigs
Then the Millennium bug
Then Star Wars C’est la Vie

YET I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON
I SURVIVED ARMAGEDDON


in "Surviving Armageddon"

Continua o braço de ferro Valor vs Deus (na figura da religião organizada). Para os apreciadores, isto diz tudo. Os fãs desta fase não se vão desiludir. Este é um álbum a ouvir, agarrar, açambarcar, dar aos amigos. Um digno sucessor de "Sex and Drugs and Jesus Christ", "The Scriptures", "Heretics Alive"... com o toque clássico mas uma sonoridade mais moderna, exactamente como se pretende. Aconselho vivamente.

Outra das minhas preferidas, desta vez sobre a sociedade dormente em que vivemos:

I dreamt I wore a new black suit
Someone played guitar
someone played the flute
They had given me a new haircut
And then they sewed my eyes shut

From a podium a man spoke of things foretold
With words as bleak as I was cold
Voices gathered into a crowd
No one heard me though I screamed out loud

WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER
WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER

Musicians played my favorite songs
It seemed to me things were all wrong
All my friends had dressed in black
I guess I won’t be coming back

WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER
WAKE UP WAKE UP
WAS THE LAST THING I REMEMBER

WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP
WAKE UP

DOMINUS FOBISCUM SPRITUS SANCTI


in "The Last Thing"

Há mais, muito mais para descobrir.
Se em termos melódicos temos o Christian Death clássico, ao mesmo tempo temos outro facto muito curioso. Quem gosta de Marilyn Manson e não conhece Christian Death pode muito bem pensar que esta é uma banda nova inspirada em Marilyn Manson quando, a não ser coincidência (almas gémeas), seria precisamente o contrário.
De modo que também aconselho este álbum a fãs de Marilyn Manson. Mais: a fãs de Marilyn Manson aconselho toda a discografia da fase Valor, e tenho a certeza que não sairão desiludidos (com Christian Death, isto é).

Faixas:

1. "Water Into Wine"
2. "Stop Bleeding On Me"
3. "Narcissus Metamorphosis Of"
4. "Victim X"
5. "To Disappear"
6. "Dexter Said No To Methadone"
7. "Angels And Drugs"
8. "Seduction Thy Destruction"
9. "Worship Along The Nile"
10. "See You In Hell"
11. "Surviving Armageddon"
12. "Last Thing"
13. "XIII"

Formação actual à data do CD, segundo a editora Season Of Mist:

Valor: male vocals, guitars, violin, strings, keyboards
Maitri: female vocals, bass guitar, keyboards
Charles Lannahan: guitars, backing vocals
Nate Hassan: drums

O site oficial também está um espanto, digno de visita, e tem as letras disponíveis: http://www.christiandeath.com/

As frases mais fabulosas de "The Picture of Dorian Gray", por Oscar Wilde

"The tragedy of old age is not that one is old, but that one is young."

As frases mais fabulosas de "The Picture of Dorian Gray", por Oscar Wilde

"To get back my youth I would do anything in the world, except take exercise, get up early, or be respectable."

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Divulgação Animais de Rua

Recebido por email:

Amigos,


Escrevemo-vos mais uma vez para pedir ajuda para os animais protegidos pelo Animais de Rua - Projecto de Esterilização e Protecção de Animais Sem Lar (www.animaisderua.org).

As matilhas e colónias de gatos controladas pelo Animais de Rua não páram de aumentar. É política do Projecto assegurar-se que os animais esterilizados e que continuam a viver na rua sejam alimentados diariamente, mas estamos a ter muita dificuldade para conseguir fornecer alimentação suficiente a tantos animais. A maioria das colónias e matilhas são cuidadas por pessoas sem recursos económicos que, sem a ajuda do Projecto, apenas lhes podem fornecer restos de comida.

É por isso que venho pedir a todos que, na medida das vossas possibilidades, contribuam para a alimentação dos nossos protegidos.Precisamos de ração de cão e de gato, e também de latas de comida para administrar a medicação nos pós-operatórios. Uma vez que estes animais estão na maioria das vezes fragilizados pelas dificuldades da vida nas ruas, preferimos que nos seja fornecida ração de qualidade média, ainda que em menor quantidade (alguns exemplos: Friskies, Pedigree, Purina, Catchow e Dogchow, Continente Premium, Brekies, Nutro, Husse, etc.)

Pedimos também ajuda na divulgação dos cartazes que enviamos abaixo e que contêm alguns dos animais que estão neste momento a cargo do Projecto. Apesar do foco do trabalho do Animais de Rua ser a esterilização em massa de animais em risco e não a adopção de animais, não conseguimos ficar indiferentes aos animais dóceis com que nos cruzamos. Como consequência, e uma vez que o Projecto não dispõe de um abrigo, todas as FATs que colaboram connosco estão lotadas de animais à espera de um lar. Grande parte dos recursos do Projecto estão neste momento a ser consumidos na manutenção destes animais.

Vejam aqui outras formas de ajudar:
http://www.animaisderua.org/ajudar

Contactos:
para entrega de ração: zelia.reis@animaisderua.org (pontos de recolha em Lisboa, Porto, Leça do Balio Gaia, Maia, Valongo e Guimarães)
para outra forma de ajuda: geral@animaisderua.org

Agradecemos toda a ajuda que nos possam dar para conseguirmos chegar a um cada vez maior número de animais!

* Poster 1:
http://www.animaisderua.org/files/cartazes/cartaz_01.pdf
* Poster 2:
http://www.animaisderua.org/files/cartazes/cartaz_02.pdf
* Poster 3:
http://www.animaisderua.org/files/cartazes/cartaz_03.pdf

Muito obrigada!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pórtico 2.0

O Pórtico mudou de sítio. Agora estamos aqui: http://portico2.blogspot.com Obrigada pela compreensão.

Ficam aqui os novos banners do Pórtico com o link actualizado e código para copiar sem terem grande trabalho:


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Mais uma vez, as minhas desculpas pelo incómodo.

As frases mais fabulosas de "The Picture of Dorian Gray", por Oscar Wilde

Had it been merely vanity that had made him do his one good deed? Or the desire for a new sensation, as Lord Henry had hinted, with his mocking laugh? Or that passion to act a part that sometimes makes us do things finer than we are ourselves? Or, perhaps, all these?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

As frases mais fabulosas de "The Picture of Dorian Gray", por Oscar Wilde

"As for being poisoned by a book, there is no such thing as that. Art has no influence upon action. It annihilates the desire to act. It is superbly sterile. The books that the world calls immoral are books that show the world its own shame. That is all."

terça-feira, 23 de setembro de 2008

As frases mais fabulosas de "The Picture of Dorian Gray", por Oscar Wilde

“All crime is vulgar, just as all vulgarity is crime. It is not in you, Dorian, to commit a murder. I am sorry if I hurt your vanity by saying so, but I assure you it is true. Crime belongs exclusively to the lower orders. I don’t blame them in the smallest degree. I should fancy that crime was to them what art is to us, simply a method of procuring extraordinary sensations.”
“A method of procuring sensations? Do you think, then, that a man who has once committed a murder could possibly do the same crime again? Don’t tell me that.”
“Oh! anything becomes a pleasure if one does it too often,” cried Lord Henry, laughing. “That is one of the most important secrets of life. I should fancy, however, that murder is always a mistake. One should never do anything that one cannot talk about after dinner.”