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terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

The Conjuring 2 / A Evocação (2016)


Este foi o tal filme que eu perdi entre “The Conjuring” e “The Nun”, mas afinal não perdi grande coisa. “The Conjuring 2” é uma sequela menos interessante do que o original, completamente esquecível e cheia de clichés, para não dizer mesmo cópias. Se “The Conjuring” era um remake fingido de “Amityville”, “The Conjuring 2” é uma imitação pobrezinha de “O Exorcista”. Tudo baseado em factos verídicos, dizem eles.
Falando de Amytiville, é lá que o filme começa. O casal de investigadores do paranormal Ed e Lorraine Warren são chamados à mansão para tentarem corroborar as alegações da família Lutz (os que lá moraram depois dos assassinatos de Ron Defeo) de que a casa estava assombrada. Sobre isto não nos é dada uma resposta, mas, enquanto lá está, Lorraine tem uma visão da Freira Maldita (“The Nun”) e uma premonição da morte de Ed que a faz desejar afastar-se do mundo do paranormal “por uns tempos”.
Entretanto, em Londres, uma mãe divorciada com quatro filhos e dificuldades financeiras (isto é verdadeiro terror!) começa a acreditar nos relatos dos filhos de que algo de sobrenatural se passa na casa: pancadas nas paredes, camas a tremer, objectos que se movem sozinhos. A mais afligida é a filha de 11 anos, Janet, que curiosamente andou a tentar contactar espíritos com uma Ouija Board improvisada (olá Regan de “O Exorcista”!). Janet começa por ser assombrada por um espírito da casa e acaba a levitar no tecto.
E quem é este espírito? Um velho de 72 anos que diz aos miúdos “vão-se embora, a casa é minha” e que muda o canal de televisão para ver a Margaret Thatcher (não inventei, juro, mas é terror do mais assustador!). Isto passa-se durante a primeira hora do filme. Por esta altura eu já me perguntava se isto era uma comédia disfarçada de filme de terror, até porque já não é a primeira vez que me rio com um filme de James Wan. (Será que ele faz de propósito para nos fazer rir? Pelo menos desta vez não apareceu o diabo chifrudo, o que já é um progresso.)
A família pede ajuda à igreja, que pede ajuda aos Warren para irem a Londres investigar o caso. Lorraine não quer ir, devido ao tal aviso, mas acaba por ceder ao sentido de dever para com a família atormentada. Quando lá chegam, a miúda de 11 anos parece estar possuída pelo velho (porcalhão!) que fala pela boca dela com a voz dele. É ele quem nos conta que costumava viver ali antes de morrer e que por isso assombra a família.
De repente, uma reviravolta. Afinal não é o velho que atormenta a família. O velho está sob controlo do demónio Valak que se apresenta na figura da Freira Maldita por motivos que só vamos perceber em “The Nun”. Isto já não é uma série de sequelas, é uma telenovela.
Cada vez percebo menos o apelo dos filmes de James Wan, cada vez mais imitações/decalques dos verdadeiros clássicos. “The Conjuring 2” não teve nada que me fizesse interessar, muito menos ter medo. O fantasma do velho era ridículo. Até a Freira Maldita, olho para ela e só consigo ver o Marilyn Manson com mais maquilhagem. E o filme é enorme, umas duas horas e meia para imitar (mal) “O Exorcista”. Se calhar a culpa é minha. Já vi demasiados filmes de terror de qualidade para me deixar impressionar por esta pobreza de ideias.
Por falar em exorcista, a única cena verdadeiramente empolgante é o exorcismo de emergência que Lorraine Warren (a poderosa Vera Farmiga) tem de improvisar e que conseguiu correr efectivamente com o demónio Valak. Isto é, até à próxima sequela, presumo.

12 em 20

 

sexta-feira, 7 de junho de 2024

The Conjuring / A Evocação (2013)


Este filme enganou-me bem enganada e conseguiu mesmo meter-me medo como já não acontecia há muitos anos nem me parece que aconteça tão cedo.
Pensei que era uma prequela de “Annabelle”, a boneca assombrada, e como tudo o que envolve “bonecos assombrados” me lembra “Chucky” não pensei que era para levar a sério. Este foi o meu primeiro engano. O segundo foi que a acção se passa em 1971 e o filme parece mesmo ter sido filmado em 1971 e deixou-me ali um bocadinho confusa se já o tinha visto ou não e se era um clássico e eu o tinha deixado passar.
Afinal até tem um pouco de prequela de “Annabelle”, numa introdução que não tem nada a ver com a história principal e que serve para nos apresentar aos investigadores do paranormal Ed e Lorraine Warren, que existiram mesmo e até estudaram o caso verdadeiro de Amityville. Esta introdução podia bem ter sido cortada porque não faz falta nenhuma, mas também ajuda a estabelecer a natureza séria do filme (e alimenta a série “Annabelle” que já vai no terceiro episódio!).
O filme é efectivamente retro de propósito, desde o guarda-roupa aos penteados, à linguagem, a toda a atmosfera que podia muito bem ser um “Amityvillle” filmado hoje em dia. Só a presença de Vera Farmiga (a Norma Bates de “Bates Motel”) me alertou de que o filme nunca poderia ser de 1971. Parabéns ao realizador James Wan que me enganou bem enganada (porque tenho o hábito de nunca ler nada sobre um filme ou um livro antes de o ver/ler já para não perder este efeito de surpresa).
Vamos então à história principal, muito semelhante a “Amityville”. Um casal com cinco filhas muda-se para uma casa grande e isolada, o sonho da vida deles. Como acontece nestas coisas, não são pessoas de grandes posses e enterraram todas as poupanças na compra da casa, o que significa que não podem simplesmente fugir quando as coisas começam a acontecer.
As coisas começam a acontecer imediatamente. Barulhos, portas a bater, cheiros nauseabundos, algo que puxa os pés de uma das miúdas quando esta está na cama, toda uma sensação de existir uma outra presença na casa. Não é apenas uma presença, são várias. A situação torna-se tão grave e perturbadora que a família passa a dormir na cozinha devido às coisas que acontecem pela casa toda. Em desespero de causa, a mãe decide pedir ajuda a Ed e Lorraine Warren. Os investigadores pesquisam e descobrem que tudo começou com uma suposta bruxa e adoradora de Satanás que viveu na casa e sacrificou o seu próprio recém-nascido ao Diabo, enforcando-se de seguida. Desde aí, a propriedade tornou-se um íman para todo o género de Mal e várias pessoas morreram em circunstâncias inexplicadas, tanto na casa como em seu redor. Por fim, a mãe das miúdas fica possuída, alegadamente pelo espírito da tal bruxa, e necessita de um exorcismo.
Aqui o filme confundiu-me, sinceramente. Lorraine Warren diz que vê uma presença demoníaca na casa, presença essa que também podia ter possuído inicialmente a tal mulher que sacrificou o próprio filho (e que se suicidou de seguida, prova de que não era assim tão “devota” do demonismo). Mas a explicação dos investigadores é que a mãe está possuída pelo fantasma, não pelo demónio. Achei incoerente, não que tenha muita relevância para a acção propriamente dita.
Há duas maneiras de olhar para “The Conjuring”: como uma cópia ou como uma homenagem. O filme vai buscar elementos a “Amityvile”, ao “Exorcista”, a “Poltergeist”, a “The Haunting”, a todos os filmes de possessões e fantasmas e casas assombradas alguma vez feitos, até aos “Pássaros” de Hitchcock, e eu até notei um cheirinho a “The Shining” e tenho a certeza de que não me estou a lembrar de tudo. Quando um realizador apresenta uma coisa tão descarada nunca é uma cópia, é mais uma amálgama. Talvez a originalidade aqui esteja em tentar perceber quantos filmes podiam ser metidos no filme sem que este implodisse. E a verdade é que resulta. Não é um “The Haunting” (o original) nem um “Exorcista”, nada disso, mas assusta eficientemente e tem passagens de arrepiar a sério. Penso que muito desta eficiência se deve ao grande comedimento nos efeitos especiais que nunca parecem histéricos e implausíveis, o que não é costume no mesmo James Wan (igualmente realizador do primeiro “Saw”) que fez “Insidious”, o tal filme que me pôs literalmente às gargalhadas com o diabo chifrudo. James Wan pode ter muitas qualidades mas a subtileza não é uma delas. Por outro lado, muitos dos filmes em que “The Conjuring” se inspira primam pela subtileza, o que pode ter impedido Wan de se deixar levar pela tentação do disparate. Mesmo assim ainda vemos, por instantes apenas, um demónio em cima de um guarda-fato que na minha opinião não devíamos ter visto. Não me queixo da cadeira levitante durante o exorcismo, porque o que é um exorcismo que se preze sem pelo menos uma cama a levitar, certo?
“The Conjuring” é um filme que nos atira com tudo: casa assombrada, fantasmas, demónios, satanismo, bruxas, possessão, exorcismos, investigadores do paranormal, videntes, pássaros a suicidarem-se contra as janelas, caves e forros de parede secretos, família e crianças em apuros, e de certeza não me estou a lembrar de tudo. É difícil dizer se é este o maior trunfo do filme ou a sua maior falha. Com tantos temas no écran é difícil que um deles não assuste alguém, e a verdade é que me meteu medo. Parabéns.
Por outro lado, por esta mesma razão da amálgama, não posso dizer que seja um grande filme. Há momentos em que no meio dos sub-enredos a tensão se perde, o que nunca deve acontecer num filme de terror, e o mais grave é que se perde ainda mais na previsibilidade do final.
Mesmo assim, “The Conjuring” é um filme para se ver com respeito, que oferece o que promete sem recorrer a sustos fáceis e efeitos especiais disparatados.

14 em 20

(Já depois de escrever este artigo andei à procura de uma imagem para o post. Descobri a fotografia do tal “demónio em cima de um guarda-fato”, que afinal é o fantasma da bruxa muito demonizado. Como disse, só vemos isto durante um instante, nem dá para perceber muito bem o que é. Mas se é a bruxa, não faz sentido. A mulher enforcou-se, o que significa que sentiu culpa e remorsos. Não é dada outra razão. Porque há-de andar agora a sua alma penada a possuir pessoas para fazerem o mesmo? Não há motivação e não bate a bota com a perdigota. Tirei um ponto.)