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quinta-feira, 10 de março de 2016

The X-Files, versão 2016: Eu não quero acreditar!

 

Eu não quero acreditar que foram exumar o cadáver dos Ficheiros Secretos ao altar incensado onde repousava em paz e sossego para toda a eternidade dos séculos e séculos... para isto!
Deixem-me dizer-vos: fui uma grande fã da série e nunca perdi um único episódio! E nem sequer me considero uma das maiores fãs da série. Havia fanáticos, na altura, que assobiavam o tema dos X-Files, fanáticos que usavam boné dos X-Files! Nunca fui dessas fanáticas, mas nunca perdi um episódio. Tive pelo menos duas bandas sonoras da série e do filme, em CD!, que ainda ouço hoje em dia. A minha experiência com os Ficheiros Secretos foi sentida e visceral, consumida com avidez cerebral e emocional, e por fim integrada nos arquivos do inconsciente activo onde sempre permanecerá como a memória difusa e vaga de algo que marcou e que passou.
Dentro deste tipo de ficção (sobrenatural, horror, fantástico) esta foi simplesmente a série mais importante dos anos 90, uma série que influenciou tudo o que vimos depois, desde "Lost" a "Sobrenatural", desde "Fringe" ao recente "iZombie", e a toda a miríade de séries e filmes, mais ou menos sérios, que despontaram das raízes de conteúdo, estilo e narrativa que "The X-Files" lançou. Mais ou menos subtil, a influência ramificou-se e nunca mais nada seria mesmo.
O primeiro filme ("The X-Files: Fight the Future", 1998) foi bom e no espírito da série. O segundo filme ("The X Files: I Want to Believe", 2008) estragou tudo. Como muitos outros fãs, senti-me defraudada e ludibriada em tudo o que me tinha sido dado a entender dos universos de Mulder e Scully, e não houve nada que me tenha irritado mais do que a revelação de que Mulder e Scully tiveram um filho, e que o tiveram por meios absolutamente naturais (afinal, tinham uma espécie de caso que "nós" nunca vimos), quando tudo na série nos levou a pensar que aquela gravidez era alienígena, e muito mais interessante que o fosse! O segundo filme, assim, abriu um problema muito maior: por que raio é que Scully deu o miúdo para adopção?! Mesmo que fosse um miúdo meio-alien, que raio de solução era essa?! E o Mulder, afinal, o pai biológico, não tinha nada a dizer sobre o assunto? Na minha opinião, grande asneirada da parte do filme.
Gozei aqui com o filme de 2008, e preferi esquecer que alguma vez tinha visto aquilo. O affair, a gravidez normal, a adopção. Nada daquilo fazia sentido. Melhor recordar a grandiosidade dos X-Files quando eram a vanguarda do género.

(Para quem se preocupa com o puto, esta mini-série continua a telenovela. Agora eles estão arrependidos de terem dado o puto para adopção e sentam-se de mão dada a pensar onde ele está. Como se não fossem o Mulder e a Scully, que até extraterrestres encontram se quiserem!... Vão lá procurar os puto e deixem-se de lamúrias, vocês dois!)

Até tremi quando ouvi rumores de que iam fazer uma mini-série. Esta mini-série, de que tratamos aqui. Sinto sempre estes tremores, este frio na barriga, quando me dizem que vão ressuscitar uma grande série ou fazer um remake de um grande filme. Soa-me sempre a vil metal, e a ideia de Chris Carter estar metido nisto ainda me aborreceu mais. Mas, no reverso da moeda, Chris Carter, metido nisto, foi motivo mais do que suficiente para dar o benefício da dúvida. Assim, dei.
E não quero acreditar no que vi! Sei que não estou a avisar os verdadeiros fãs dos X-Files porque esses, como eu, já viram obsessivamente estes seis novos episódios de 2016. Se tivesse de os avisar previamente, diria apenas: "preparem-se, porque é muito mau!" 
Porque é que é mau? Porque só uma grande história, um grande motivo, um grande enredo, justificaria arrancar esta série mítica do túmulo. É verdade que os zombies estão na moda, mas não era preciso fazer regressar os X-Files em versão zombie: ultrapassada, sem ideias, sem interesse, um cadáver que devia ter ficado em repouso. Só a grandeza justificaria o regresso dos X-Files, não esta paródia (?) sem sentido a que assistimos.
Não vou criticar o trabalho de Duchovny e Anderson, mas nem eles me convenceram. Como se nem eles estivessem grandemente convencidos do que estavam a fazer. Li por aí que ele parecia o mesmo personagem de "Californication" mas não posso comentar porque não vi. O que me parece, sem dúvida, é que Anderson ainda não tinha tirado a pele da Bedelia du Maurier de "Hannibal". Não acredito naquela Scully sofisticada, de saia travada e cheia de maquilhagem. O estilo da Scully era clean. Isto, para quem não sabe, significava, nos anos 90, maquilhagem que mal se notava. Não acredito nesta Scully que de repente tem medo do passar dos anos. Não é a minha Scully.
Mas voltemos ao enredo.
No primeiro episódio, contra tudo o que sabemos, Mulder decide deixar de acreditar numa conspiração alienígena! Depois de tudo o que ele viu, decide fingir que não viu nada?... Não se percebe nem é nada típico de Mulder. O Cigarette Smoking Man (que afinal não morreu) regressa ainda mais malévolo, ainda mais repulsivo, e ainda e sempre viciado. Uma das melhores ideias desta mini-série. Não podiam ser X-Files sem o Cigarette Smoking Man.

Não, isto não é a minha raiva à mini-série. Isto é o Mulder a pisar o poster dos X-Files! Não dá mesmo para acreditar!

No segundo episódio, o FBI reabre os Ficheiros Secretos e Mulder e Scully voltam a trabalhar juntos, também não se percebe muito bem porquê.
No terceiro episódio... Bem, o terceiro episódio foi engraçado. Uma paródia, mas engraçado. Gostei do Lagartomem, uma espécie de réptil que foi mordido por um homem e todas as luas cheias se transformava em ser humano. A experiência é bastante traumatizante para o pobre Lagartomem que só queria voltar a ser lagarto, o que é compreensível.
No quarto episódio... Não sei. Desliguei. Isto é, continuei a ver, mas, como naqueles episódios realmente interessantes dos Ficheiros Secretos como os conhecíamos, aconteceu-me um raro fenómeno de dissociação televisiva em que continuei a ver sem ver nada. Fui abduzida. O corpo ficou na cadeira em frente à televisão mas a mente já não estava lá. Só voltei a mim no último episódio, quando em matéria de 15 minutos acontece uma catástrofe pouco convincente (que não revelarei) e vi cenas de carros parados na auto-estrada e toda a gente a tentar fugir ao mesmo tempo sem conseguir ir a lado nenhum. Acordei, porque de repente julguei que estava a ver "The Walking Dead". E pensei:
Definitivamente, se era para trazer de volta os Ficheiros Secretos tinha de ser em grande, tinha de ser épico, tinha de ser superior a tudo o que existe agora como em tempos foi superior a tudo o que havia na altura! Tinha que ser para tornar os Ficheiros Secretos novamente na série preferida dos fãs, a série pela qual se anseia a semana toda, a série que provoca arrepios de antecipação e medo. Não era para fazer episódios a lembrar o "Sobrenatural", nem o "Fringe", nem o "Lost" (aquelas cenas fora da narrativa, de flashback, ou flashforward, ou sonho, ou fantasia, nem percebi) e muito menos a lembrar "The Walking Dead", e inferior! Tinha de ser superior, imensamente superior, ou mais valia não fazerem nada. Até o episódio do Lagartomem, que foi engraçado, não superou as melhores paródias de "Sobrenatural".
E para quê? Por nostalgia? Não. Por mais um punhado de dólares.

O que dizer mais quando o melhor episódio desta série de seis é uma paródia? É o melhor que podemos esperar dos novos Ficheiros Secretos? Comédia?

Não havia uma ideia suficientemente forte para trazer de volta os Ficheiros Secretos e pela estima que tenho à série original desejo sinceramente que a ressurreição fique por aqui. Entretanto, tenciono esquecer-me de tudo o que vi nestes episódios e não deixar que me poluam a recordação de uma das maiores séries de todos os tempos que foi The X-Files.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Game of Thrones / A Guerra dos Tronos (segunda parte)

(continuação da primeira parte)


*** CONTÉM SPOILERS, REVELA O FIM DA TEMPORADA***

As irmãs Stark
No primeiro episódio da série, Ned Stark encontra uma ninhada de lobos deixados órfãos por uma loba morta por um veado. O símbolo da casa Stark é o lobo, e existem seis crias, como os seis filhos de Stark. É uma ideia interessante que cada uma das crias venha a ficar interligada ao destino de cada um dos seus donos. O próprio encontro é um presságio da destruição da casa Stark pela casa Baratheon, cujo símbolo é o veado. Ao sacrificar o lobo de Sansa a pedido da família real, Stark prenuncia que Sansa será “sacrificada”, embora não em sentido literal (ou ainda não, a ver vamos). Arya, a filha rebelde, consegue fazer com que o seu lobo fuja à morte para nunca mais ser encontrado, como ela própria desaparece sem deixar rasto.
Sansa, muito diferente da irmã aguerrida, é uma jovem doce e ingénua que se vê prisioneira de gente sem escrúpulos enquanto assiste à morte do pai, à derrota do irmão e ao assassinato da mãe. Sozinha e sem ajuda, é, nas palavras de Lord Baelish, uma vítima, uma mera “espectadora” dos acontecimentos. Uma personagem assim passiva podia não cativar a simpatia dos espectadores, mas tem-lhe conquistado fãs a dignidade e a inteligência com que tenta sobreviver e aprender a jogar um jogo para que nunca foi preparada e para o qual não tem nenhum jeito. Sansa poderá ser a mais inteligente dos Stark e não é difícil que uma pessoa normal se identifique com ela.
Duvido que os autores tenham feito de propósito mas Sansa é um bom exemplo das leis do karma. Se acontecesse na vida real, não seria por acaso que conseguisse escapar a um tirano psicopata só para cair nas mãos de outro. Na vida real, seria expiação. Na história talvez seja apenas um grande azar, e ninguém queria ver mais desgraças acontecerem à pobre Sansa. Espera-se ansiosamente que esteja viva.


Arya Stark nem parece irmã de Sansa. Tem sido uma das minhas personagens preferidas desde que era apenas uma maria-rapaz que não gostava de bordar. Nem toda a gente aprecia ver uma menina inocente transformar-se numa verdadeira assassina movida a ódio e stress pós-traumático, mas não perdeu a minha simpatia. Parte de mim desejava (e ainda deseja) que o seu treinamento em artes mágicas, ou marciais, ou seja lá o que for que é aquele culto dos mortos onde ela foi admitida, a transforme numa ninja implacável. Infelizmente, muitos dos alvos na lista de Arya já morreram, mas haverá sempre mais.
Não gostei da morte de The Hound, que achei francamente descabida. The Hound e Brienne de Tarth discutem sobre qual deles tem mais direito de proteger Arya, que não quer a protecção de ninguém, e enquanto esta se afasta, sem intervir (o que não é nada característico da personagem, esconder-se enquanto outros decidem o seu destino), os dois preferem partir para a estupidez em vez de conversar (os personagens da Guerra dos Tronos preferem sempre partir para a estupidez) e The Hound fica ferido de morte, aparentemente. Grande pequena cabra que é, Arya rouba-lhe o dinheiro e vai-se embora. Mas compreendo a Arya. Depois de tudo o que viu, percebendo que só pode contar consigo própria, não é de lhe estranhar o egoísmo. Até porque Arya ainda não tem idade para reagir de outra maneira. Não é por nada que se diz daquela idade que é a idade do fanatismo, e sempre pensei que a história ia evoluir no sentido em que ela amadureceria naquela espécie de mosteiro onde aprenderia a ter paciência.
Não percebi o que aconteceu a Arya na casa do Faceless God. Ninguém percebeu! Se transgrediu alguma regra, ela não sabia dessa regra, nem ela nem nós! Espero bem que Arya não esteja morta e que os autores arranjem uma boa explicação para o que lhe aconteceu. Para estúpido e absurdo já nos basta “Under the Dome”! Até agora Guerra dos Tronos não caiu na tentação de escavar buracos em que se enterrar. Espero bem que não seja a primeira vez porque aquilo não fez sentido nenhum.


Uma aventura... Na Terra dos Mortos
Não gosto desta aventura infanto-juvenil em que o Bran se meteu com os outros dois adolescentes ainda em idade púbere, mais o Hodor, e mais o lobo. Parece uma aventura dos Cinco. Bran e o outro miúdo vidente decidem que têm de ir procurar uma árvore mágica, e lá vão eles, mesmo sem saberem porquê. Nada me irrita mais do que quando personagens fazem coisas sem saberem porquê. No fim da aventura, Bran encontra um homem muito velho que vive num subterrâneo debaixo das raízes de uma árvore e que promete ensinar-lhe muitas coisas. Aventura infanto-juvenil.
Ficámos a saber, contudo, que Bran tem o poder de possuir um animal com o poder da mente, e de possuir o próprio Hodor (cujo intelecto também não é superior a um animal), o que nos dá uma pista muito importante para o futuro. Se Bran consegue possuir um animal, não conseguirá também controlar dragões? (Os tais dragões de quem já nem a mãe deles dá conta?...)
Por outro lado, adoro o Hodor! Não é um personagem muito original, já vi semelhante não sei onde, mas às vezes invejo os Hodors e gostava de passar um ano sem dizer outra palavra senão “hodor”. A toda a gente, responder “hodor”, e um grande “hodor” para eles todos.
Espero que não matem o Hodor porque não sou a única fã. Da maneira que as coisas vão de mal a pior em Westeros até já há quem pense nisto:

Hodor ao Trono de Ferro!


Renly Baratheon e a rainha Margaery
Tinha muita pinta, o Rei Gay, mas infelizmente não há muito para dizer sobre ele tão depressa morreu vítima de magia negra da Red Witch. Já quanto à rainha Margaery, assim que a vi, e que a ouvi dizer “Eu quero ser a rainha!” tive logo o negro pressentimento de que vamos assistir outra vez à execução de Ana Bolena!


(Nathalie Dormer interpretou Ana Bolena nos “Tudors”, e até parece que o tempo não passou por ela. Pelo contrário, até parece mais nova e ainda mais linda! A actriz deve ser muito corajosa para se meter em duas destas seguidas!) Danadinhos para a maldade como são os autores, não vão repetir uma decapitação. Vão arranjar muito pior e mais chocante. No fim da quinta temporada, a rainha Margaery e o irmão Loras já foram parar aos calabouços da Inquisição lá da terra. O prognóstico é arrepiante.

Stannis, a Red Witch e o Senhor da Luz
Não apenas está Westeros cheio de psicopatas sádicos, como ainda há fanáticos religiosos por todo o lado. Nunca se pense que os autores se inspiram noutra coisa senão na realidade. Obviamente, estes fanáticos do Senhor da Luz, que adoram um só deus e queimam na fogueira os hereges, são inspirados sabemos muito bem em quem. Não é muito de estranhar que os tenham feito os mais odiosos. A série pode ter falhado em alguns desenvolvimentos, mas não falhou neste, e retrata muito bem o crescimento e implantação deste fanatismo levado a tal extremo que se até se pode ver nele a face do Mal. Melisandre, a sacerdotisa, usa uma mistura de religião e magia negra para meter na cabeça de Stannis que é o destino dele ser rei, o escolhido do Senhor da Luz.


Tudo termina de forma horrífica, quando Stannis queima viva a sua única filha, uma criança, na fogueira, em sacrifício ao Senhor da Luz, com a complacência da mãe da menina que só se arrepende tarde demais. Foi a cena mais chocante da Guerra dos Tronos, e uma das cenas mais chocantes que alguma vez se viu em televisão. Eu não gosto muito de ir comparar com os livros, mas tendo em conta a natureza da cena fui investigar e parece que isto não acontece no original. O que nos diz que os autores da série não olharão a meios para produzir efeitos chocantes. Desta vez, parece-me, foram longe demais. O que não significa que o personagem Stannis não tenha sido bem estruturado. Já se sabia que era um homem duro, capaz de tudo para atingir os seus fins, e que já tinha assassinado o irmão Renly, e que já tinha tentado sacrificar na fogueira um filho bastardo do Rei Robert (sobrinho de Stannis) que nem tinha nada a ver com a história, e que já tinha queimado na fogueira alguns parentes. Não é descabido que sacrifique a própria filha, a quem declarava amar, mas é mesmo por amar a sua filha que o sacrifício é valioso. Este vai ser o personagem mais odiado de todos os personagens odiados. Tentei imaginar que castigo merecia um homem que queima na fogueira a sua própria filha pela ambição de conquistar um trono, mas não consigo imaginar castigo suficiente que possa ser infligido por mãos humanas. Este é um castigo para Deus.
O sacrifício não resulta. Metade do exército deserta e Stannis é vergonhosamente derrotado. Sobrevive ao campo de batalha, apenas para ser encurralado por Briene de Tarth que jurou vingar a morte de Renly. No último segundo, não vemos que Stannis morreu. Há a teoria que Brienne não o matou porque o seu código de honra não lhe permitiria matar um homem ferido e indefeso (Brienne é a nobreza em pessoa). Por mim, espero que a Brienne tenha mandado a honra às urtigas e que apague a cara deste sujeito da Guerra dos Tronos.
Quanto à puta da Red Witch, Melisandre, pode morrer depois de ressuscitar o Jon Snow. Vai-me dar ainda mais gozo do que ver o Joffrey morrer, e só espero que não morra tão depressa como o Joffrey morreu.

Os Lannister
Tyrion matou o Lannister errado. Tywin, o patriarca, era um pai duríssimo, e pior ainda para o filho anão, que não considerava digno do nome de família, mas era um homem rijo que inspirava respeito. Os próprios inimigos o admitiam. Épica cena em que Tywin dá um sermão ao filho Jaime sobre o legado da família ao mesmo tempo que esfola um veado. É esse o seu legado, o homem que faz coisas, o homem que consegue coisas. (Grande interpretação de Charles Dance!)


Novamente o simbolismo do veado: Tywin Lannister consegue “eviscerar” a casa Baratheon e colocar os seus netos no trono. Com o desaparecimento de Tywin, um homem que sabia governar, o trono caiu nas mãos da víbora Cersei.
Cersei é uma sociopata funcional. (Para quem não sabe, e estas coisas deviam ser mais divulgadas, não existe diferença nenhuma entre os termos sociopata e psicopata. Os psiquiatras preferem usar ‘sociopata’ para não se confundir com psicótico, que, isso sim, é uma coisa completamente diferente. Também existe a tendência de chamar sociopata aos psicopatas menos óbvios, isto é, funcionais.) A maior parte dos sociopatas que nos rodeiam não são serial killers nem andam por aí a esfolar pessoas. São os sociopatas funcionais. Muitas vezes nem sabemos que são sociopatas se não lidarmos com eles intimamente. Outro mito é o de que os sociopatas/psicopatas são sempre muito inteligentes. Nem sempre, especialmente quando o narcisismo é tão grande que se sentem invencíveis. Cersei é uma víbora, mas uma víbora que serpenteia sem outro rumo excepto as vinganças mesquinhas que lhe ocorrem no momento. O que é que passou pela cabeça daquela cabra estúpida, só porque não gostava muito da nora, para dar poder à Inquisição lá do sítio sem pensar nas consequências? Às vezes os sociopatas lixam-se assim, excesso de confiança. O narcisismo pode provocar-lhes delírios de grandeza e invencibilidade. Com tantos telhados de vidro, a imbecil não pensou que ao dar poder a fanáticos religiosos estes se voltariam contra ela também! O que nos deu imenso gozo! Infelizmente, deixaram-na escapar! Os estúpidos dos fanáticos tiveram-na na mão e deixaram-na escapar! Ou felizmente, porque assim vamos assistir à vingança terrível com que Cersei vai atrás deles, e talvez Margaery e Loras se safem no processo?...


Joffrey, o tirano adolescente, é o psicopata sádico e disfuncional. Ao contrário do psicopata funcional, que aprendeu a passar despercebido em sociedade, o psicopata disfuncional dá logo nas vistas. Na vida real, sádicos descontrolados como Joffrey e Ramsey estariam na prisão. Joffrey não é apenas “mau” e “cruel”. Joffrey é mau e cruel sem razão e por prazer (os psicopatas não sentem empatia). Recordou-me sempre de Calígula, e de outros imperadores romanos loucos e fruto da consanguinidade. Nenhuma cena da Guerra dos Tronos me deu mais prazer do que a morte deste monstro que há muito tempo precisava de ser degolado. É sempre lindo quando os maus se matam uns aos outros. Fiquei um pouco desapontada com Cersei, porque tive esperança de que tivesse sido ela a envenená-lo ao reconhecer o monstro que tinha parido (ela própria admite a desilusão), mas, definitivamente, Cersei é incapaz de fazer algo de bom. Ou de inteligente.
Quanto a Jaime, o irmão-amante, demorei algumas temporadas a chegar a uma conclusão quanto a ele. Afinal, foi ele quem empurrou Bran da janela abaixo logo no primeiro episódio. Se lhe faltava compaixão, antes do cativeiro, e se regressou modificado, não deu para perceber. Mas Jaime revelou-se um homem intrinsecamente bom, apenas péssimo a escolher a quem amar. Alguma vez abrirá os olhos e conseguirá ver a irmã como ela realmente é? Será cego até ao fim?


Chegamos, finalmente, ao melhor.
Tyrion Lannister é uma das melhores personagens que tivemos tido o prazer de conhecer nos tempos recentes. Tyrion é tudo o que as outras personagens não são: profundo, complexo, interessante, imprevisível. Naquele vazio que são as personagens de Westeros e arredores, matar Tyrion seria uma perda irreparável. Não sei se mais alguém reparou, mas sendo inteligente, sem dúvida que é, Tyrion não precisa de ser um génio. Basta-lhe ser mais inteligente do que os outros todos, o que não é difícil. Não há ali nenhuma outra personagem que tenha o mesmo número de neurónios. (Deve ser solitário!) Tyrion impôs-se sem ser um sex  symbol, sem ser particularmente bonitinho, sem ser completamente bonzinho, sem aceitar nenhuma moral senão a sua.


Mas ainda não é, e não sei alguma vez será, a personagem que transcende os motivos mesquinhos de todas as personagens nesta história: inveja, sexo, ambição, cobardia, vingança. Todas as personagens são muito limitadas. Em tantas (porque são imensas!) nenhuma consegue transcender o mais básico da condição humana. Isto diz muito dos autores, não das personagens. Ninguém cria o que não consegue conceber.

O Rei dos Anões conhece a Mãe dos Dragões!
Já aqui me queixei muito da primeira temporada, mas vou queixar-me mais um bocadinho. Durante os três primeiros episódios, sempre que a Daenerys e o irmão dela apareciam eu não tinha ideia de quem eles eram! Só aí a meio da temporada percebi que tinham alguma relação com o Rei Louco, mas só na quinta temporada é que ficou claro que eram filhos do Rei Louco (até aí, permaneci na dúvida se seriam sobrinhos ou filhos e como é que tinham escapado). E durante duas temporadas, não consegui chegar a uma conclusão quanto ao que pensar de Daenerys. Que obsessão é aquela em reconquistar o trono de Westeros onde já não vive desde infância? De onde lhe vem a vontade de libertar os escravos? Será bondade, ou estratégia, visto que não tem mais ninguém a apoiá-la? Será um complexo de Spartacus? As motivações não estão explicadas.


Quando Robb Stark foi assassinado não tive alternativa senão começar a torcer por ela, mas Daenerys, como governante, é muito impreparada. Ela própria admite, o que prova que não é idiota: “Como é que eu quero reconquistar Westeros se nem consigo manter a ordem em Slaver’s Bay?”. É então que decide ficar por Mereen e governar. Mas Daenerys comete erros de quem não sabe nada de História. Ao retirar aos senhores de Slaver’s Bay o negócio dos escravos, esquece que está a arruinar a economia se esta não for substituída por comércio e outros sectores. Um bom governante sabe distinguir os amigos dos inimigos. Daenerys não faz a mais pequena ideia de quem são os seus aliados, culminando em atirar um dos “suspeitos” aos dragões, o que não podia ser mais contraproducente porque podia estar a vitimar um aliado. Além disso, ninguém gosta de tiranos. Em desespero de causa, Daenerys até pede conselhos à pobre Missandei, uma ex-escrava, que tem de lhe dizer, muito encavacada, que não é competente para a aconselhar (esta sim, tem neurónios!).
Adorei o episódio em que Tyrion chega a Mereen e dá a Daenerys uma tareia de inteligência tão grande que ela fica com o cérebro todo negro.


Diz ele, o que já me tinha passado pela cabeça tantas vezes: “Daenerys, mulher, porque é que tu queres voltar para Westeros? As coisas estão tão más, em Westeros, que até eu e o Varys, os dois homens mais inteligentes dos sete reinos, já nos pirámos de lá para vir aqui para o deserto no meio de nenhures. A sério, mulher, arranja uma vida! Já és rainha de Mereen, já moras no topo desta pirâmide toda fixe, vais voltar para quê? Olha que até os espectadores já estão tão desiludidos com Westeros que metade deles já está a torcer pelo exército dos mortos-vivos, e a outra metade pelo Hodor, e em Westeros ninguém te apoia!” Foi um êxtase! Felizmente, Daenerys não é burra nem louca como o pai dela, e aceita Tyrion como conselheiro.
No fim da temporada, um momento de loucura mirabolante. Encurralada pelos Filhos da Hárpia nos grandes jogos de Mereen, e sem o Spartacus e companhia para lhe safar o pêlo (mas tudo aquilo cheirava a Spartacus, outra série de sucesso, porque não aproveitar?), Daenerys salta para cima do dragão e vai com ele, pelos ares, sem saber para onde.

 Never Ending Story meets Jurassic Park

Agora ela já pode pôr no Facebook: “lol! nem sabem o que aconteceu a mimzinha! Tipo, eu não sei montar dragões nem nada, lol!, mas deu-me na cabeça e montei, e agora estou aqui no meio do nada e o meu fofinho não quer voltar para casa! LOL, estou tão perdida! Assim que voltar, vou comprar-lhe uma coleira com GPS! ;-) E vejam lá, nem sequer bebi nada! Nem um shot! Isto sou eu sóbria, nem queiram saber quando estou bêbeda, lol!”. Mas ela safa-se. Pode muito bem ser a única personagem a chegar viva ao fim disto tudo.
Até porque Daenerys não pode ser humana! Os seres humanos não são imunes ao fogo. Não me admirava nada que fosse um híbrido de extraterrestre, e que um dia destes mude de pele e a gente lhe veja o corpo de lagarto por baixo daquela aparência humana, como em “V”. Continuo sem saber muito bem o que pensar sobre ela. Ainda não estou convencida.
Os dragões são medonhos, parecem uma coisa saída do Parque Jurássico! Mas a mamã deles acha-os amorosos, o que é que se há-de-fazer?

Previsões para o futuro
Jon Snow vai ser ressuscitado!
Todos os maus vão morrer e vão ser substituídos por outra remessa de maus, ainda piores do que os primeiros.
O grande final vai ser o confronto entre o exército dos mortos e os dragões, controlados por Bran, a quem o velho do subterrâneo vai ensinar muitas coisas.
Jon Snow vai conquistar o Trono de Ferro e casar com a Daenerys, vão ter filhos lindos e vão viver felizes para sempre. (Esta teoria não é minha.)
Tyrion, Bronn e Jaime vão fugir para uma terra quente no fim do mundo e passar o resto da vida na borga! Era bom que levassem a Sansa com eles, que afinal é a esposa de Tyrion e as coisas entre eles até estavam a correr bem, e já era tempo de a desgraçada se divertir um bocadinho também! (Esta teoria é minha.)



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Game of Thrones / A Guerra dos Tronos (primeira parte)


Sei que já cheguei tarde a esta série, só depois de terminar a quinta temporada, mas é como se diz, às vezes mais vale tarde do que nunca. Quando estreou, não tive disposição mental para uma imitação do “Senhor dos Anéis”. O poster promocional com o actor que interpretou Boromir (em cima) foi contraproducente e transmitiu-me a ideia de “imitação” que a série até não é, mas foi o que passou. Devo dizer que não sou fã de fantasia. Também não sou fã de dragões “só porque sim”, e quando tomei conhecimento de que havia dragões à mistura ainda tive menos vontade de ver. Os leitores mais “idosos” lembrar-se-ão do filme infanto-juvenil (mais infantil do que juvenil) “The Never Ending Story”. (Lembram-se? O dragão branquinho, felpudo, fofinho? O príncipe e a princesa? A música do Limahl?) Pois, estas coisas pesam para toda a vida e aventuras com dragões lembram-me toda essa fase da puberdade com o Limahl e os Duran Duran e aquilo a que tínhamos acesso nos telediscos da altura (incluindo o teledisco do Limahl com a princesa e o dragão, porque não me lembro de alguma vez ter conseguido ver o filme todo). Hoje temos nostalgia, mas garanto que a vida antes do gótico não é nada de que tenha saudades.
Já me dispersei. Falava de quê? Pois, a Guerra dos Tronos. Nunca, como este, um título em português deve ter sido mais feliz do que o título original. Porque também o título me dissuadiu de ver. “Game of Thrones” lembrou-se de outros divertimentos de que também não sou fã, Dungeons & Dragons, Magic the Gathering (?) e jogos que tais, coisas de que nunca gostei e de que nunca senti o apelo. A minha ideia da série era uma fantasia bastante adolescente e vazia, e nunca ninguém me disse o contrário.
Está explicado porque deixei passar cinco temporadas sem uma única espreitadela. Só muito recentemente comecei a ouvir rumores que me despertaram a curiosidade a ponto de dar uma hipótese à história. Comecei a reparar no guarda roupa, que é um espanto, e a ponderar a longevidade da série, que não podia ter durado tanto sem motivo, e… Oh, quem é que eu quero enganar?! Foram os white walkers, claro que foram! Um artigo por aí na net, uma imagem, e eu que tinha de saber quem eles eram! Desde o primeiro episódio, desde a primeira cena, fiquei logo agarrada por causa dos white walkers! Bastavam os white walkers e os gajos da Muralha, nem era preciso mais história nenhuma, e já bastava para me viciar!
Mas já lá vamos aos pormenores.

O sadismo está na moda?
A série não me desiludiu. Esperava uma guerra dos tronos e é uma guerra dos tronos. Longa, sangrenta e implacável. Nesse aspecto, não fui ao engano. Mas, por outro lado, considerando o sucesso da série, e que é baseada em livros e não somente num argumento televisivo, esperava mais complexidade do enredo. Não li os livros, e do que vejo da série também não tenciono ler (se os livros são melhores a série já os estragou para mim), pelo que não posso comparar diferenças e este comentário vai ser só sobre a série. (O que não importa, porque uma adaptação deve ser uma obra completa em si própria, e se não o for não é uma boa adaptação, e até me irrita um bocadinho quando leio comentários de pessoas que teimam em cruzar as histórias dos livros e dos filmes/séries como se fossem o mesmo enredo. Não é!)
Tenho ouvido dizer que a história é complicada. Não, a história é muito simples: há um trono e todos o querem, ponto final. Dizer que a história é complicada é uma crítica à má gestão dos personagens, (propositada, eu sei, mas não a torna boa por ser propositada), alguns que caem ali de pára-quedas nem sabemos de onde, outros que são mal apresentados ou caracterizados, outros que morrem ou desaparecem tão cedo que nem percebemos o que é andaram lá a fazer. Posso dizer que cheguei ao fim da primeira temporada, a mais confusa de todas, sem perceber muito bem que Theon Greyjoy não era um dos filhos do Stark, e, se não era, porque é que parecia que era. E ainda hoje, após cinco temporadas, se me perguntarem assim de repente quantos filhos tem/teve o patriarca Stark, não consigo responder sem pensar um bocadinho e se calhar esqueço-me de um ou outro. Muitos filhos, muitas personagens, muitas referências a outras personagens, presentes e passadas, todas despejadas no primeiro episódio. Coitada desta espectadora, quem é julgou que eu (alguém?) era capaz de associar tantas caras a tantos nomes? A primeira temporada foi toda assim e só na segunda comecei a perceber quem era quem.
O maior problema desta série, efectivamente, são as personagens. Quase em todos os episódios morre uma personagem principal. Aqueles espectadores que gostam de se agarrar a uma personagem preferida (ou odiada) não vão ser nada felizes a ver esta série. Eu não sou desses espectadores. Podiam morrer todos, mesmo todos, e eu ainda ia querer saber quem é que vai ficar no Trono de Ferro. É claro que com o desenrolar da acção vão aparecendo favoritos e menos favoritos, mas para mim é sempre a história que importa. O que me aborrece, na maneira como os personagens principais vão morrendo (o que até se percebe, numa série que retrata uma guerra, desde que as mortes não sejam completamente descabidas), é que cada vez que morre uma personagem fundamental à acção a história leva uma guinada súbita, o espectador é atingido por um camião na auto-estrada, anda ali às aranhas e já não sabe onde é que está a história e para onde é que deve olhar agora que chegou a um beco sem saída. Convém, para o espectador não se perder, que algumas personagens chave sirvam de coluna dorsal à acção e não desapareçam! Até se pode contar uma história desta maneira, até podem morrer todos na sexta temporada e isto acabar na décima temporada com um elenco completamente novo! Mas é uma boa maneira de contar uma história? Na minha opinião, não é. Na minha opinião, é uma péssima maneira de contar uma história. Felizmente, não me afecta muito. Nunca fui de perder o interesse numa história porque Fulano ou Fulana morreu. Que seja o Rei dos Mortos Vivos a sentar-se no Trono de Ferro, eu quero saber o FIM!
Agora vou falar do que realmente detesto nesta série. Nesta e noutras semelhantes porque tem sido uma tendência que só serve para me estragar o prazer televisivo. O sadismo desta série, como o sadismo dos Tudors, como o sadismo de Spartacus, como o sadismo de Hannibal, atinge limites insuportáveis. Tem sido uma tendência, e talvez uma tendência que atraia algum público (quem, pergunto-me?, e estremeço) mas afasta outro. A mim, estraga-me completamente a série. Gostava de poder ver outra vez, como faço em casos semelhantes de séries com muitos personagens, mas não posso porque os níveis de violência gratuita e sadismo já fizeram com que me custasse ver uma vez, quanto mais duas! É a minha experiência como espectadora que está a ser prejudicada. De onde é que vem esta ideia de que os espectadores querem ver tortura e violência injustificada (porn torture, como lhe chamam)? Não sei, porque sem dúvida a série seria tão ou mais apreciada se as horrendas perversidades não fossem acentuadas como se a série tivesse sido feita para psicopatas. Desde quando é que o sadismo está na moda?
Houve um pouco de tudo. O que me costuma indignar mais é a violência gratuita para com animais (quem é que quer ver alguém a decapitar um cavalo sem razão nenhuma, pergunto-me?!), mas desta vez conseguiram ultrapassar todos os níveis do horrível quando queimaram viva uma menina na fogueira, por ordem do próprio pai, enquanto ele assistia impávido. Que monstro quer ver isto, e com tantos pormenores e com tanto requinte? Até onde vai o mau gosto? Estamos a fazer televisão para psicopatas porquê? Não nos bastam os reais, os que existem e têm prazer em divulgar os horrores que praticam?
Não era minha intenção dar um tom tão sério a este artigo, mas acho que é algo para pensar a sério e sem brincadeiras. Será mesmo o sadismo que aumenta as audiências? Ou a audiência submete-se ao sadismo porque gosta da história mas preferia não ver meninas queimadas vivas na fogueira? O que é que tudo isto diz das audiências? Deixo as perguntas.

A partir daqui, vai haver spoilers. Quem ainda não viu até à quinta temporada devia parar e voltar mais tarde. Este artigo ainda cá vai estar, se Blogger quiser!


*** CONTÉM SPOILERS, REVELA O FIM DA TEMPORADA***


Os white walkers e a Muralha
Por onde hei-de começar? Que tal pelo princípio? Não era o que esperava ver de uma série conotada com “fantasia” que a primeira cena do primeiro episódio fosse uma cena de zombies.


Era mesmo a última coisa que esperava ver. Obviamente, fiquei viciada. Como referi acima, bastava este enredo para fazer a história e está tudo dito! Afinal, o terror é que o meu género. Assim que este elemento entra numa história, francamente, tudo passa para segundo plano. Qualquer personagem que apareça é secundário porque numa história de terror o personagem principal é sempre o monstro.
Tem sido um prazer assistir, temporada após temporada, ao aproximar do exército dos mortos. Da maneira que as coisas vão em Westeros, já há muito boa gente a torcer para que os white walkers desçam por ali abaixo e comam aqueles psicopatas todos. Há ali alguém que se aproveite? É verdade que ainda não se percebeu exactamente o que é que eles querem, mas tendo em conta que não comem bebés e que ressuscitam os mortos, não são eles a mostrar mais misericórdia naquele mundo impiedoso?
E depois, há os cavalos. Desde a primeira vez que vi os cavalos zombie até me estremece o coração de ternura e antecipação quando sei que vão aparecer. Por todos os outros que são atingidos por lanças e decapitados e queimados, (e pelos dois cavalinhos devorados por walkers no Walking Dead), já era altura de ver isto:


Isto é que eu nunca tinha visto, e desculpem lá, enternece-me o coração. Quem é que são os monstros, afinal?
Mas esta não é uma história de terror e (infelizmente) temos de falar das pessoas. Desde o primeiro episódio, nunca me entrou na cabeça o conceito da Muralha. Que sentido é que faz que os guardiões da Muralha sejam compostos, na sua maioria, por criminosos arrastados para lá contra a sua vontade e obrigados a fazer um voto de castidade? É um motim à espera de acontecer. Perguntem ao Capitão Flint de "Velas Negras". E como é que tão poucos se tentam escapar para lá da Muralha? Morte por morte, que morram livres. Passou-me logo pela cabeça assim que percebi o sistema de recrutamento. Obviamente, passou pela cabeça do Mance Rayder também, e talvez de muitos outros. Só faria sentido se entretanto os reis de Westeros tivessem deixado de acreditar na ameaça dos walkers (parece que o Inverno deles não chega todos os anos) e negligenciassem a guarda da Muralha, como me parece que fazem, mas a série não o explica convenientemente logo na primeira temporada e o espectador tem que adivinhar. Ora, era muito mais proveitoso não gastarem tantos minutos a decapitar cavalos e aproveitarem para os dedicar, em vez disso, a explicar a mentalidade de Westeros, de que o espectador nada sabe. Enquanto o espectador adivinha e não adivinha, vai-se considerando que aquela gente toda é muito estúpida por entregar a derradeira defesa dos Reinos a um bando de condenados! Motim à espera de acontecer, como acontece mesmo no Craster, e como acontece quando matam uma das personagens mais amadas da série, e talvez o único homem entre eles com os neurónios suficientes para fazer a diferença.


Ah, mas está Jon Snow mesmo morto? E permanecerá morto? Desta vez os fãs não estão a aceitar de ânimo leve e já existem várias teorias. Melisandre, a Red Witch, que acaba de chegar à Muralha, pode ressuscitá-lo (já outro antes dele foi ressuscitado pela mesma Fé no Senhor da Luz, várias vezes) e depois o próprio Jon Snow pode matar a puta de merda que merece uma morte bem lenta e dolorosa, se o Davos não a apanhar primeiro quando descobrir o que ela fez à princesa Shireen.
Outra teoria, os walkers estavam muito interessados nele da última vez que o observaram...
Eu tenho a minha teoria, de que o destino de cada uma das crianças Stark está interligado ao dos direwolves que adoptaram (seis lobos, seis crianças), e o que acontece aos lobos prenuncia o que vai acontecer ao seu dono. Não se viu que tivessem matado o Ghost!


Muitos espectadores estão muito preocupados com o Ghost. Eu também estou mais preocupada com o Ghost do que com outro personagem qualquer, sinceramente, mas seria muito bom que o Jon Snow não tivesse morrido mesmo e que o esperasse um destino muito maior do que aquela Muralha idiota e inútil que não vai servir para nada sem ele.


Antes de encerrar a Muralha, mais alguém reparou que o Samwell Tarly é uma homenagem descarada ao Samwise Gamgee do "Senhor dos Anéis"? A devoção do escritor manifesta-se. Este Sam é exactamente o contrário do outro. Quando o outro era inculto, este é erudito. Quando o outro era valente, este declara-se cobarde. Mas não é, e sabemos que não é. As únicas semelhanças entre eles não são o nome e a abundância de carnes. Samwell Tarly é o Sam que decide "abandonar" o seu "Frodo" porque sabe que não o pode carregar e não o consegue defender, mas é também o Sam que reconhece que deve partir para servir o bem maior, porque este Sam, desde pequeno, queria ser um Gandalf.
O Sam da Guerra dos Tronos conquistou-me mais respeito, pelas suas limitações e inteligência, do que o Sam do Senhor dos Anéis. Respeito e simpatia. Não queria que este morresse, mas o futuro não parece risonho.

Os Starks
Inteligência é coisa que não abunda na família Stark. A ideia com que fiquei deles, na primeira temporada, é de que eram uns nobres feudais e provincianos, contentes lá na terrinha deles e ignorantes de tudo o que se passava no mundo lá fora. Ned Stark não fazia ideia no que se ia meter ao aceitar ser Hand of the King do Rei Robert. Típica história do camarada de armas que não vê o amigo há 17 anos, quando andaram na tropa, e entretanto o amigo transformou-se num homem execrável mas o camarada continua a ver o amigo de que se lembrava de outrora. Até aqui, tudo desculpado, mas o que se passou na viagem devia ter-lhe aberto os olhos. Uma briga entre a sua filha Arya, um miúdo camponês e Joffrey, o príncipe herdeiro, faz com que o lobo de Arya ataque o filho de Robert. Sem consequências, mas Cersei, a víbora, exige que Ned Stark mate o lobo. Arya já tinha libertado o lobo, mas Cersei não se importa. Ainda havia o lobo de Sansa, irmã de Arya, que matasse esse. Ora, foi neste momento, precisamente neste momento, que Ned Stark devia ter percebido que estava a lidar com gente cruel e tirânica. Mais um neurónio naquele cérebro e teria ficado tão "doente" que não podia, de maneira nenhuma, aceitar o convite do Rei, ou qualquer desculpa que servisse. Em vez disso, matou o lobo da filha, ainda uma cria. E logo aqui, para mim, ficou "marcado". Não foi só a injustiça de tudo isto, não foi só o Rei (ou a rainha) ter mandado matar o miúdo camponês que não fez nada, foi a cegueira, a falta de inteligência de Stark na sua aceitação de que era assim que devia ser e que matar o lobo de Sansa era uma prova de lealdade.
Não lhe serviu de lição, e já em King's Landing continuou a meter o nariz no que não devia, e quando finalmente contribuiu involuntariamente para apressar a morte do Rei Robert ainda não tinha percebido como as coisas funcionavam e apareceu com um papel assinado pelo rei para depor a rainha da sua posição de regente. Teimosia, orgulho, ingenuidade. Não lhe correu bem.


Mas aqui, no final da primeira temporada, percebeu-se que as personagens não eram tão bidimensionais como pareciam. Sempre pensei que Ned Stark ia ser orgulhoso e teimoso até ao fim, e não retiraria as acusações, e não pediria misericórdia. No último momento, despontou-lhe mais um neurónio e pediu desculpa. Não lhe adiantou de nada, mas serviu para se perceber que os personagens podiam evoluir e que a história ia demorar tempo a desenvolver-se.
Entretanto, em mais uma pérola da estupidez Stark, Catelyn Stark decide prender o primeiro Lannister que encontra para o acusar de tentar matar o seu filho Bran. Nunca passou por aquela cabeça tentar descobrir primeiro qual dos Lannisters o tinha feito. Estava ali à mão o anão, vamos acusar o anão! Com esta medida, consegue começar uma guerra, não vinga o que fizeram ao Bran porque prendeu um inocente, e felizmente Tyrion consegue escapar. Serviu isto tudo para nos mostrar o material genético dos herdeiros dos Stark. (E Catelyn ainda conseguiu fazer coisas mais estúpidas do que o papel dela em "Resurrection".)
Começada a guerra para vingar Ned Stark, o princípio até é auspicioso para o seu filho Robb, aclamado Rei no Norte. Robb reúne um exército e avança para Sul sem nunca perder uma batalha. A série não é muito eficaz a mostrar a passagem do tempo mas é-nos dito que a campanha militar já durava há um ano quando Robb comete os erros fatais que não podia cometer. As tropas já não estavam tão motivadas como de início e os senhores vassalos estão desejosos de voltar para casa. Robb sabe disto, mas insiste. Numa disputa com um dos nobres acerca do refém Jaime Lannister, comete um erro ainda maior e acaba por perder uma parte importante do seu exército. Não contente com isso, ainda quebra um acordo com o nobre que lhe permitiria passagem para Sul, quando já não tem condições de continuar e vencer. O que Robb devia ter feito, para mitigar os erros, seria recuar e aquartelar-se no norte, onde os inimigos teriam dificuldade em atacá-lo, e daí pensar numa estratégia diferente enquanto ainda tinha vantagem. Mas os Stark não sabem quando desistir!


Entre o excesso de confiança, o sentido de dever, e a noção equivocada de que venceriam porque lutavam por uma causa justa, perderam aliados, perderam a vantagem, meteram-se na boca do lobo e perderam o norte. Certo que sofreram uma traição vil, mas, por causa deles, os Greyjoy, primeiro, e os Bolton, depois, ficaram à solta para aterrorizar as pessoas humildes que os Stark deviam ter protegido. Se tivessem pensado nas pessoas. Se tivessem pensado. Mas os Stark nunca pensam muito e quando pensam raramente acertam.
Mesmo assim, eu simpatizava com eles, e quando lhes aconteceu o que aconteceu na casa do velho Walder Frey (quase tão velho como o Setrakian de "The Strain", mas não tanto, porque Walder Frey, embora igualmente sinistro, não tem gotas de elixir vampírico para os olhos), fiquei sem saber por quem torcer. Muitos espectadores devem ter odiado a série neste momento.

Then Greyjoy e os outros da terra dele
De Theon Greyjoy não se sabia quase nada até decidir que era uma boa ideia trair o amigo Robb para tentar ganhar as boas graças de um pai que o despreza e a quem não via desde infância. Afinal, Theon Greyjoy era um refém na casa dos Stark desde a última guerra. Ah! Então era isso que ele era! Porque nunca se percebeu da parte dos Stark que o tratassem como menos do que um filho, o que torna a traição ainda mais grave e imperdoável.
O homem vem de uma terra onde adoram o Deus Afogado (Kthuhlu?) e tem a espinha dorsal de uma alforreca. O pai diz-lhe que tem de mudar de roupa, ele muda. O marinheiro diz-lhe que tem de mandar, ele manda. Alguém lhe sugere tomar Winterfell nas costas de Robb, ele segue o conselho. Um dos seus homens diz que ele tem de matar, ele mata. Quando as coisas lhe correm mal e o psicopata Ramsey lhe diz que agora tem que ser Reek, ele é Reek.


Mas quando Sansa pediu ajuda à alforreca, a alforreca não ajudou. Não há redenção que o salve. Este gajo precisa de morrer. Não matou os dois miúdos Stark porque não os apanhou. Em vez disso, matou dois órfãos. Nada o redime, nada. Com alguma sorte, Sansa Stark podia usá-lo como saco de treino para apunhalar alguém no pescoço e talvez o que resta desta carcaça ainda servisse para alguma coisa. As vítimas costumam causar-me compaixão mas este gajo só me causa asco. Merece tudo o que lhe aconteceu, já pagou o karma do que fez, pode bem ser despachado. E quanto àquela gente da ilha dele, os Greyjoy e os Iron Men, também não trouxeram nada de interessante à história. Que se afoguem todos e desapareçam da Guerra dos Tronos.


(continua na segunda parte deste artigo)


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hannibal


Mas que raio, quem é este Will Graham?! De onde saiu este fulano?! Onde está o Hannibal? Porque é que desde a primeira temporada temos de levar com este Will Graham como personagem principal quando a **** da série se chama Hannibal?
Bem, parece que este tal de Will Graham foi o tipo que prendeu (?) Hannibal Lecter, nos livros, de que supostamente a série é uma adaptação passada nos nossos dias, com um Hannibal Lecter muito mais novo. Por esta altura, com tantas modificações à história original, até os fans que leram os livros se estão a sentir um bocado perdidos.

Custou-me, a sério, custou-me muito, aceitar este novo actor como Hannibal. A interpretação mítica de Anthony Hopkins não é algo que se esqueça. Mas chegando à terceira temporada da série já estou habituada, e até fascinada com este novo Hannibal, um Hannibal em liberdade e no activo como nunca o tinha visto. Muitos parabéns ao Mads Mikkelsen: não tinha um trabalho fácil pela frente tendo que competir com o fantasma de Anthony Hopkins mas conseguiu brilhantemente encarnar o canibal (se não o mesmo um outro, tão convincente, tão intimidante, tão real como o dos filmes).
Infelizmente, a participação de Hannibal, nas três temporadas, têm sido subaproveitada. É disso que me queixo.
Quem me diria que ao assistir à primeira temporada de uma série sobre Hannibal Canibal eu haveria de bocejar e quase adormecer à mesa? A série tem conquistado prémios merecidíssimos (a beleza com que se filma o horror é arrepiante), mas a primeira temporada fez-me sono. Demasiado uso de sonhos, imaginações, e mais tarde até de alucinações (quando Will tem uma meningite ou algo semelhante), e convenhamos, uma pessoa chega do trabalho, cansada, e a certa altura já não percebe se o que está a ver é mesmo real ou um sonho ou o raio que o parta! Começo-me a perder na narrativa, a bocejar incontrolavelmente, a desinteressar-me do que o tal Will anda a fazer. Mas quem são aqueles serials killers, afinal?! Então e o Hannibal está ali para quê, só para dar nome à série?
E a primeira temporada lá vai indo assim, as cenas repugnantes a única coisa a conseguir abrir-me os olhos quase a fechar-se. Na segunda série, porém, abri os olhos.
Finalmente, quando eu já perdia a esperança, Hannibal entra em cena. E quando Hannibal entra em cena, Hannibal “devora” a cena. Todos os outros personagens desaparecem e finalmente temos Hannibal Show!

 Convincente, intimidante, aterrador, e bom como o milho. (Mas se alguém perguntar eu não disse isto.)

No final da segunda temporada, Hannibal foge para a Europa com a psiquiatra dele, Bedelia Du Maurier, a nossa grande Gillian Anderson. [É interessante, e gratificante, assistir a como a Gillian cresce como actriz de papel em papel desde a Scully dos X-Files. O carisma da grande senhora que actualmente enche o écran nem se adivinhava nesses dias, apesar do poder da personagem, e da série, e do mito.]
Todo o período passado em Itália é o meu preferido. Nem percebo porque é que alguns fans se queixam de falta de acção. Falta de acção?! O que mais houve foi acção. Bedelia demasiado aterrorizada para tentar fugir, Bedelia que não se atreve a comer nada que tenha carne, mas alimentada a ostras (segundo alguém diz, na série, as ostras dão melhor sabor à carne), Bedelia que se livra de dar a Hannibal o confesso gosto de a provar. Comportam-se, ambos, como marido e mulher num casamento de conveniência da alta sociedade. Um par de tios! Conveniente para ele, que não gosta de solidão, aterrador para ela, que sabe que vai acabar na mesma travessa onde Hannibal vai servindo os convidados que aceitam o jantar. Se calhar vejo ali o que outros não vêem, e gostei particularmente da cena em que Hannibal mata um comensal durante a sobremesa. A expressão de tia incomodada na cara de Bedelia, impagável!
“Aníbal, que aborrecido, estragar-me a refeição desta maneira!”
“Desculpe, Bedelia, fui impulsivo, admito!”
“Ora, Aníbal, seja honesto que já é crescidinho!... Estava a pensar em matar o homem assim que trouxe o picador de gelo para a mesa!”
“É verdade. Peço desculpa, Bedelia, não torna a acontecer. Que tal a sobremesa?”
“Estragada, o que é que espera?... Sinceramente, Aníbal, começo a ficar farta desta situação. Se ao menos o Aníbal ficasse farto também, mas o Aníbal nunca fica farto… E poupe-me a graçola que de que pondera fartar-se de mim, porque estou farta das suas ironias também. Olhe, coma-me de uma vez ou deixe-me comer descansada, é o farta que eu já estou!”
Mas Hannibal não quer estar sozinho, deve ser a sua maior fraqueza, e acaba por não comer a companhia.

 Aníbal, caríssimo, quer comer-me de que maneira, exactamente?

De regresso à América, Hannibal entrega-se. Pensei que era o fim da temporada, e talvez até da série, visto que existe a perspectiva de que ninguém a quer continuar, apesar dos prémios. (!!!)
Não, subitamente, voltamos ao tal fulano, ao tal Will Graham, super-profiler, a investigar serial killers medíocres. Bem diz o Chilton, a Hannibal, mais ou menos que “você vai ter sempre o seu nicho, mas tem que ver, a sua sofisticação, a sua erudição, não é apelativa a um público tão vasto”. O público identifica-se mais com a brutalidade de um serial killer que massacra famílias. Não alcança o requinte artístico de Lecter. E talvez seja por isto que a série não vai ser continuada...
Mais dois episódios e já estou a bocejar e a adormecer. Porque é que não deixam o Graham ficar lá com a família e os cães? Qual é o interesse em mostrar serial killers medíocres, ao nível de “Mentes Criminosas”, quando a série tem ali uma diamante, e nem sequer em bruto, um diamante polido e cintilante na coroa de um dos maiores monstros de sempre? A quem é que interessa ver o tipo bronco que mata famílias, quando lá está o Lecter, atrás do vidro? Os livros? Já inventaram tanta coisa que não está nos livros que os livros não são desculpa. Porque é que o Hannibal tenta comer o cérebro de Will, o que é que aconteceu ao célebre: “O mundo é um lugar menos interessante sem si, Clarice”? Não devia ser um lugar mais interessante com o Will, também, se o Hannibal gosta tanto dele que se entrega para que Will o visite?... Ou, pelo contrário, o Hannibal está tão farto do Will como eu estou? Está tudo doido?... Will diz que sente falta dos cães, mas não vai sentir falta de Hannibal. É curioso, porque quando o maluco foi para a Europa atrás de Hannibal, a única coisa de que senti falta neste personagem foi precisamente dos cães. (Já somos dois, Will.) Não sei quem é que pensou que este personagem ia ser interessante. Numa outra série de profilers, onde não houvesse um Hannibal, talvez. E por falar em Europa, quem era aquela senhora japonesa que aparece durante alguns episódios e desaparece outra vez sem ser explicada? Sei, vagamente, dos fóruns da série, que é alguém relacionado com alguém da criadagem da família Lecter. Quem é que pensou que não era preciso explicar quem ela era? Por falar em família, o que é que aconteceu a Misha, irmã do Hannibal, que ele não matou mas comeu? Quem era o prisioneiro na casa dos Lecter?...
Em vez disto tudo, andamos a ver um serial killer que mata famílias. Não compreendo estas opções, não compreendo. Compreendo uma tentativa de criar cenas perturbadoras, do mais perturbador que já vi na vida, e se calhar este enredo psicológico não se presta tanto ao torture porn que é o resto da série? O mesmo torture porn que vai matar a série, ao que parece? Como é que diz o ditado? Dar pérolas a porcos, em vez de bolotas? Tinham tudo para fazer uma grande série! Tudo! Mas não fazem, não porque não podem, não porque não sabem, mas porque não querem, e não se percebe as opções.
A melhor opinião que já ouvi foi a do fan que sugere que Thomas Harris devia escrever outro livro. Afinal, esta série já é outro livro que só de longe se aproxima dos originais. Não acredito que venhamos a ver a Clarice aqui. Nesta versão, o Hannibal era capaz de a comer também. E lá ficava o mundo um lugar menos interessante. Como o Hannibal atrás das grades. Bocejo.