sábado, 28 de janeiro de 2017

Andrew Eldritch prometeu novo álbum se Trump fosse eleito

Já não é exactamente uma notícia fresquinha, mas pode ser que a eleição de Donald Trump ainda nos dê uma alegria (?????...). Exactamente! Como diz o título, Andrew Eldritch prometeu que os Sisters of Mercy lançariam um novo álbum se Donald Trump fosse eleito. Será?...
Eu cá esperava sentada, mas sei que os Sisters of Mercy têm suficiente trabalho não publicado para um novo álbum da qualidade dos anteriores (já ouvi, é excelente!). Os novos temas têm sido tocados nas muitas digressões desde "Vision Thing", embora a banda se recuse a editar por considerar que actualmente a música não produz lucro que compense o custo.

Um bom artigo sobre o assunto no Side Line:

(By Mandy Coldrun) Many people have been perturbed by the fact that the Sisters of Mercy band is not in the business of recording albums anymore. The last recording ever done by this group in a real studio happened sometime in the 90s. 25 years down the line, the group still sings but won’t release an album whatsoever. The reason why they chose to go radio silence – no one knows. Even their fans know nothing as to why this group has never released an album even though they command the attention of the world wherever they go.

Speculations on whether or not they may release an album this time round
No one understands the reason behind this group going on strike against their record label. It is actually hard to get them recording an album, despite their fans complaining about it. It has actually come to a point where people can bet about it, and those who say that the group won’t release an album in the next couple of years will always win.Waiting for this band to release an album is like betting against the odds of a slot machine random number generator. You will always lose money when you say this group will finally record an album.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

SOLSTÍCIO


Sempre quis escrever uma história de Natal.
Isto pode surpreender os leitores que me têm acompanhado por aqui porque já não é a primeira vez que eu digo, e repito, ODEIO O NATAL. Odeio o Natal com uma paixão que nem o Mr Scrooge do Dickens conseguiria igualar!
Deve ser por isso, porque tudo o que se odeia com paixão é uma paixão também, que sempre quis escrever uma história de Natal.

Mas já lá vamos, porque entretanto lembrei-me de que me esqueci de vos contar, ou não encontrei uma boa oportunidade de o fazer antes, que tenho andado a escrever. Sim, todo este tempo em que tenho andado  "desaparecida" aqui do blog, tenho andado a escrever. Histórias. Romances. Narrativa. Chegou a um ponto em que tive de arranjar um pseudónimo para a minha outra escrita, como poderão ver na capa que alguém sugeriu que eu fizesse para este conto de que vos vou falar.
E como não me apetece falar da minha escrita toda agora (isso será, talvez, ou talvez não, matéria para outro post), vamos lá ao conto.

Sempre quis escrever sobre o Natal. Escrever ficção sobre o Natal, para dessa forma "transformada", "segura", "distanciada", expressar a minha ambivalência sobre esta altura do ano que paira no horizonte imediato.
Porque é assim, e toda minha vida me custou a compreender, até ao dia em que se fez luz: odeio o Natal mas celebro o fim de ano, e agora sei porquê. Já não tento explicar, agora que sei porquê, mas consegui fazer melhor. Consegui criar a partir do que era para mim uma época do ano temível e temida. Não mudei de ideias, mas integrei-as.

Solstício é um conto em que personagens do meu universo celebram a noite mais longa do ano, esta noite que propositadamente escolhi para vos oferecer esta história.
Ainda pensei publicá-la aqui, capítulo a capítulo, mas não acho que este seja o lugar mais indicado para ela e criei-lhe outro lar. (E com fundo branco e letras pretas, para ajudar à leitura.)

Solstício pode ser lido, integralmente, aqui.

Quem preferir, e tiver conta, pode ler no Wattpad, uma plataforma que permite ler no telemóvel, também offline.


Deixo-vos com uma citação, melhor compreendida no contexto:

E Eric voltou a baixar os olhos, uma sombra de amarga inveja a endurecê-los. Era sempre assim, por aquela altura do ano. Todos tinham uma família, todos tinham quem os esperasse. Todos, excepto uma outra, a sua antiga serva, tão infeliz, a que só no seu abrigo encontrara o primeiro lar que tinha conhecido. Reena, pobre Reena, como estaria ela, tão longe? Sim, ela agora tinha uma família. Sim, ele agora tinha uma família. Por quanto tempo, não sabiam. Não era essa a família que lhes faltava, que sempre lhes faltaria. A primeira família. Aquela que nem sabiam o que era. Reena também não sabia, como ele não sabia. Mas dois órfãos não são dois irmãos.

in "Solstício", por d. d. maio


Dedico esta história a todos os que compreendem esta citação, a todos os que conhecem intimamente esta primeira família que lhes falta, pela sua ausência. Dois órfãos não são dois irmãos, mas não precisamos de andar sempre a fingir que somos como os outros.

Um bom Solstício para todos!





quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Blood

(Dean) Why you letting mommy dearest tie you into knots?

(Crowley) Because we're family. We’re blood.

(Dean) That's not the same thing. A wise man once told me, “family don't end in blood”. But it doesn't start there, either. Family cares about you, not what you can do for them. Family's there, through the good, bad... all of it. They got your back, even when it hurts. That's family. That sound like your mother?

In Supernatural, Season 10, Episode 7, “Inside Man”



domingo, 13 de novembro de 2016

The Garden of Delight / Merciful Nuns: jardim de delícias

Merciful Nuns

Este é um post há muito devido. Há demasiado tempo que The Garden of Delight e a sua posterior encarnação Merciful Nuns me têm feito as delícias sem que deles tenha falado. Mas não vou contornar a batata quente. O profícuo trabalho de ambos os projectos é "derivativo", como se diz agora quando queremos ser simpáticos. Quem não quer ser simpático poderá chamar-lhe "imitação" de Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy, mas vamos lá mais devagarinho. Há imitação e há homenagem.
Antes de prosseguir vou relatar uma conversa que tive sobre o assunto, aqui há uns anos, com um daqueles ultra fãs de Sisters of Mercy. Conheci-o porque, eu também, era uma ultra fã de Sisters of Mercy. (Entretanto deixei de ser, mas não vem agora ao caso.) Penso que a conversa até não era sobre os Garden of Delight, salvo erro era sobre os Merry Thoughts, mas a questão é exactamente a mesma. Perguntava-lhe:
"Então, o que pensas destas bandas em que o vocalista faz uma voz tão igual ao Andrew Eldritch que quase não se percebe que não é o próprio?"
Ele: "Imitações. Rip-offs. Não interessam."
Eu: "Não sei... Têm boas canções. O estilo pode não ser original mas as canções não são cópias. E pelo menos assumem que são góticos e não fingem que não são. Porque é que não hei-de gostar de bandas que fazem a música que eu gosto de ouvir?"
Ele: "Estilo gótico!... Mas era só isso, no início, o estilo gótico?"
Aqui fiquei sem palavras porque ele já se referia a toda uma envolvente pós-punk que disse muito às pessoas que a viveram. Já não estávamos a falar de música, estávamos a falar de atitudes, rebeldias, tomadas de consciência, posições políticas e filosóficas. Os anos pós-punk, a adolescência. Não quis entrar nesse debate.

Não sou dada a nostalgias, percebo agora que sou mais velha, e nunca consegui ficar agarrada a meia dúzia de bandas preferidas dos anos 80. Nem me bastava! Musicalmente, sou um vampiro. Preciso sempre de mais, e mais, e mais. E devo dizer, depois de mais de metade da minha vida a ouvir música como um vampiro insaciável, que original nem sempre é bom, e certamente não é tudo. Mais vale não original e bom do que original e mau. Nunca assinei um pacto a prometer que sempre ouviria música original, da mesma forma que também não assinei um pacto com as bandas antigas a prometer que não ouviria bandas novas (originais ou não). Tudo isto para dizer que na minha opinião o original, apesar de sempre promissor e bem vindo, está sobrestimado.
Já não tenho preconceitos com bandas derivativas. Sei do que gosto, musicalmente, e não vejo nenhuma razão para não ouvir o que gosto. Também não vejo nenhuma razão para que as bandas não dêem aos ouvintes exactamente a experiência que estes lhes pedem, a musical e a outra. A experiência gótica. E nisso, tanto os Garden of Delight como os Merciful Nuns, ambos projectos alemães da autoria do mesmo mentor Artaud Seth, não decepcionam. Isto é rock gótico, isto continua o estilo que Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy iniciaram, isto é o que eu quero ouvir! O conteúdo lírico, inspirado no oculto e no ritualismo, invocando anjos, deuses e demónios, inspirado em Crowley e Lovecraft, e ao mesmo tempo espiritualista, entre a contemplação e a sublimação da morte, também me delicia. (Ouça-se a solução sobrenatural de "In Between Worlds", Merciful Nuns, "she found a way to wander forever in between worlds" e compare-se com "Emma", The Sisters of Mercy*, "to find her lying still and cold and upon my bed", em que a tragédia se esgota na crueza da realidade.) 
Os amantes do sobrenatural vão gostar muito destes prazeres proibidos, tabus, que apenas apelam à alma gótica.

Garden of Delight "The Darkest Hour" 2007

Fica o alerta, quem viu relata que os Merciful Nuns são uma força da natureza ao vivo. Acredito plenamente. Assim me seja dada a oportunidade de testemunhar.



*Pequena adenda: Depois de escrever este post ocorreu-me acrescentar que "Emma" não é um original dos Sisters of Mercy, mas sim dos Hot Chocolate, uma banda soul britânica. Mesmo assim, achei interessante fazer a comparação porque a escolha de uma versão também fala pelo seu intérprete.
(A reboque desta curiosidade, ouvi pela primeira vez o original dos Hot Chocolate, um êxito de 1974. Vale a pena ver o vídeo.)




terça-feira, 1 de novembro de 2016

Devil / O Demónio (2010)


Ando tão decepcionada com os filmes de terror dos últimos anos que quando apanho uma coisinha assim bem feita até dou pulinhos de contente.
O Demónio é um filme exactamente assim: bem feito, simples, competente e poderoso. Cinco estranhos ficam presos num elevador e um deles é o diabo. Sabemos isto logo a princípio e todo o suspense do filme revolve em torno de adivinhar quem ele é. (Eu pensava que sabia, e enganei-me. Ou melhor, algo que o diabo faz leva-me em erro. Mas andei lá perto, apesar de tudo.) Segundo a lenda que nos é contada, por vezes o diabo reúne algumas das almas que já são dele, ainda em vida, para começar a atormentá-las antes de as reclamar para o Inferno. Como as almas já são dele, segundo a premissa, o diabo pode dar-se ao luxo de fazer o que bem lhe apetece a estes "escolhidos", e que eu não vou relatar aqui para não estragar o filme.
Mas parece-me que o diabo tinha em mente, ao dar aquele espectáculo, tomar posse de pelo menos mais uma alma. Falarei dela no final.

Devo confessar que quando o vi o nome M. Night Shyamalan no genérico (escritor e produtor) temi o que se ia seguir. M. Night Shyamalan já nos deu excelentes filmes (O Sexto Sentido, The Village) e outros muito fraquinhos (Lady in the Water, Signs, e o horrível, na minha opinião, que foi Unbreakable / O Protegido). É daqueles casos em que nunca se sabe o que vai sair dali. Se é mérito de Shyamalan (história) ou do realizador John Erick Dowdle, não sei, mas para um filme quase completamente passado num arranha-céus e na maior parte do tempo dentro de um elevador (e de que já conhecemos a premissa) a acção nunca se torna aborrecida. Eu, definitivamente, fiquei presa à cadeira!
Nunca houve um momento lento, um diálogo desnecessário. Esta é uma história simples e bem contada, dentro do género e, mais importante ainda, dentro do tema. Não deve ser fácil conseguir histórias novas e interessantes quando o tema é o diabo, e aqui não se pretendia nada de muito ambicioso, mas ainda assim o resultado é extremamente bem conseguido. (Parabéns a quem pensou no título português de "O Demónio" em vez da tradução à letra "diabo", porque não é de crer que ali estivesse o Diabo mas um mero subalterno, logo, um demónio. Melhor o título português do que o original.) Nunca achei o enredo previsível e no final até tive uma surpresa que não esperava, passe o pleonasmo, porque é dado a entender que o enredo já acabou.


Mas será que acabou? Porque na minha opinião todo o enredo nos conduz a esta outra cena, já quase pós-filme, em que o diabo podia ter conquistado outra alma para si. Uma das personagens, fora do elevador, tem de fazer uma escolha. Dessa escolha, entre o Bem e o Mal, dependeria se mais uma alma ficava marcada. Tudo indica que a personagem vai mesmo fazer a escolha errada, apesar daquilo a que assistiu, e o diabo vai sair mais vitorioso do que no momento em que entrou no elevador.
Não vou revelar a escolha, mas relembro a passagem bíblica que é citada no início: "Sede sensatos e vigilantes. O Diabo, vosso inimigo, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem devorar." (1 Pedro 5:8) Não é por se estar fora do elevador que se está livre de tentações. A tentação de fazer a escolha errada anda sempre em redor, como leão que ruge, quer se acredite ou não no diabo. Os piores demónios são os que nos habitam, e aqueles a que abrimos as portas e que nos ficam a pesar na consciência.
Não sei se o filme queria ser tão profundo ou chegar tão longe, mas foi onde eu cheguei. Por isso,


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