quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Guerra dos Tronos (primeira parte)


Sei que já cheguei tarde a esta série, só depois de terminar a quinta temporada, mas é como se diz, às vezes mais vale tarde do que nunca. Quando estreou, não tive disposição mental para uma imitação do “Senhor dos Anéis”. O poster promocional com o actor que interpretou Boromir (em cima) foi contraproducente e transmitiu-me a ideia de “imitação” que a série até não é, mas foi o que passou. Devo dizer que não sou fã de fantasia. Também não sou fã de dragões “só porque sim”, e quando tomei conhecimento de que havia dragões à mistura ainda tive menos vontade de ver. Os leitores mais “idosos” lembrar-se-ão do filme infanto-juvenil (mais infantil do que juvenil) “The Never Ending Story”. (Lembram-se? O dragão branquinho, felpudo, fofinho? O príncipe e a princesa? A música do Limahl?) Pois, estas coisas pesam para toda a vida e aventuras com dragões lembram-me toda essa fase da puberdade com o Limahl e os Duran Duran e aquilo a que tínhamos acesso nos telediscos da altura (incluindo o teledisco do Limahl com a princesa e o dragão, porque não me lembro de alguma vez ter conseguido ver o filme todo). Hoje temos nostalgia, mas garanto que a vida antes do gótico não é nada de que tenha saudades.
Já me dispersei. Falava de quê? Pois, a Guerra dos Tronos. Nunca, como este, um título em português deve ter sido mais feliz do que o título original. Porque também o título me dissuadiu de ver. “Game of Thrones” lembrou-se de outros divertimentos de que também não sou fã, Dungeons & Dragons, Magic the Gathering (?) e jogos que tais, coisas de que nunca gostei e de que nunca senti o apelo. A minha ideia da série era uma fantasia bastante adolescente e vazia, e nunca ninguém me disse o contrário.
Está explicado porque deixei passar cinco temporadas sem uma única espreitadela. Só muito recentemente comecei a ouvir rumores que me despertaram a curiosidade a ponto de dar uma hipótese à história. Comecei a reparar no guarda roupa, que é um espanto, e a ponderar a longevidade da série, que não podia ter durado tanto sem motivo, e… Oh, quem é que eu quero enganar?! Foram os white walkers, claro que foram! Um artigo por aí na net, uma imagem, e eu que tinha de saber quem eles eram! Desde o primeiro episódio, desde a primeira cena, fiquei logo agarrada por causa dos white walkers! Bastavam os white walkers e os gajos da Muralha, nem era preciso mais história nenhuma, e já bastava para me viciar!
Mas já lá vamos aos pormenores.

O sadismo está na moda?
A série não me desiludiu. Esperava uma guerra dos tronos e é uma guerra dos tronos. Longa, sangrenta e implacável. Nesse aspecto, não fui ao engano. Mas, por outro lado, considerando o sucesso da série, e que é baseada em livros e não somente num argumento televisivo, esperava mais complexidade do enredo. Não li os livros, e do que vejo da série também não tenciono ler (se os livros são melhores a série já os estragou para mim), pelo que não posso comparar diferenças e este comentário vai ser só sobre a série. (O que não importa, porque uma adaptação deve ser uma obra completa em si própria, e se não o for não é uma boa adaptação, e até me irrita um bocadinho quando leio comentários de pessoas que teimam em cruzar as histórias dos livros e dos filmes/séries como se fossem o mesmo enredo. Não é!)
Tenho ouvido dizer que a história é complicada. Não, a história é muito simples: há um trono e todos o querem, ponto final. Dizer que a história é complicada é uma crítica à má gestão dos personagens, (propositada, eu sei, mas não a torna boa por ser propositada), alguns que caem ali de pára-quedas nem sabemos de onde, outros que são mal apresentados ou caracterizados, outros que morrem ou desaparecem tão cedo que nem percebemos o que é andaram lá a fazer. Posso dizer que cheguei ao fim da primeira temporada, a mais confusa de todas, sem perceber muito bem que Theon Greyjoy não era um dos filhos do Stark, e, se não era, porque é que parecia que era. E ainda hoje, após cinco temporadas, se me perguntarem assim de repente quantos filhos tem/teve o patriarca Stark, não consigo responder sem pensar um bocadinho e se calhar esqueço-me de um ou outro. Muitos filhos, muitas personagens, muitas referências a outras personagens, presentes e passadas, todas despejadas no primeiro episódio. Coitada desta espectadora, quem é julgou que eu (alguém?) era capaz de associar tantas caras a tantos nomes? A primeira temporada foi toda assim e só na segunda comecei a perceber quem era quem.
O maior problema desta série, efectivamente, são as personagens. Quase em todos os episódios morre uma personagem principal. Aqueles espectadores que gostam de se agarrar a uma personagem preferida (ou odiada) não vão ser nada felizes a ver esta série. Eu não sou desses espectadores. Podiam morrer todos, mesmo todos, e eu ainda ia querer saber quem é que vai ficar no Trono de Ferro. É claro que com o desenrolar da acção vão aparecendo favoritos e menos favoritos, mas para mim é sempre a história que importa. O que me aborrece, na maneira como os personagens principais vão morrendo (o que até se percebe, numa série que retrata uma guerra, desde que as mortes não sejam completamente descabidas), é que cada vez que morre uma personagem fundamental à acção a história leva uma guinada súbita, o espectador é atingido por um camião na auto-estrada, anda ali às aranhas e já não sabe onde é que está a história e para onde é que deve olhar agora que chegou a um beco sem saída. Convém, para o espectador não se perder, que algumas personagens chave sirvam de coluna dorsal à acção e não desapareçam! Até se pode contar uma história desta maneira, até podem morrer todos na sexta temporada e isto acabar na décima temporada com um elenco completamente novo! Mas é uma boa maneira de contar uma história? Na minha opinião, não é. Na minha opinião, é uma péssima maneira de contar uma história. Felizmente, não me afecta muito. Nunca fui de perder o interesse numa história porque Fulano ou Fulana morreu. Que seja o Rei dos Mortos Vivos a sentar-se no Trono de Ferro, eu quero saber o FIM!
Agora vou falar do que realmente detesto nesta série. Nesta e noutras semelhantes porque tem sido uma tendência que só serve para me estragar o prazer televisivo. O sadismo desta série, como o sadismo dos Tudors, como o sadismo de Spartacus, como o sadismo de Hannibal, atinge limites insuportáveis. Tem sido uma tendência, e talvez uma tendência que atraia algum público (quem, pergunto-me?, e estremeço) mas afasta outro. A mim, estraga-me completamente a série. Gostava de poder ver outra vez, como faço em casos semelhantes de séries com muitos personagens, mas não posso porque os níveis de violência gratuita e sadismo já fizeram com que me custasse ver uma vez, quanto mais duas! É a minha experiência como espectadora que está a ser prejudicada. De onde é que vem esta ideia de que os espectadores querem ver tortura e violência injustificada (porn torture, como lhe chamam)? Não sei, porque sem dúvida a série seria tão ou mais apreciada se as horrendas perversidades não fossem acentuadas como se a série tivesse sido feita para psicopatas. Desde quando é que o sadismo está na moda?
Houve um pouco de tudo. O que me costuma indignar mais é a violência gratuita para com animais (quem é que quer ver alguém a decapitar um cavalo sem razão nenhuma, pergunto-me?!), mas desta vez conseguiram ultrapassar todos os níveis do horrível quando queimaram viva uma menina na fogueira, por ordem do próprio pai, enquanto ele assistia impávido. Que monstro quer ver isto, e com tantos pormenores e com tanto requinte? Até onde vai o mau gosto? Estamos a fazer televisão para psicopatas porquê? Não nos bastam os reais, os que existem e têm prazer em divulgar os horrores que praticam?
Não era minha intenção dar um tom tão sério a este artigo, mas acho que é algo para pensar a sério e sem brincadeiras. Será mesmo o sadismo que aumenta as audiências? Ou a audiência submete-se ao sadismo porque gosta da história mas preferia não ver meninas queimadas vivas na fogueira? O que é que tudo isto diz das audiências? Deixo as perguntas.

A partir daqui, vai haver spoilers. Quem ainda não viu até à quinta temporada devia parar e voltar mais tarde. Este artigo ainda cá vai estar, se Blogger quiser!


*** CONTÉM SPOILERS, REVELA O FIM DA TEMPORADA***


Os white walkers e a Muralha
Por onde hei-de começar? Que tal pelo princípio? Não era o que esperava ver de uma série conotada com “fantasia” que a primeira cena do primeiro episódio fosse uma cena de zombies.


Era mesmo a última coisa que esperava ver. Obviamente, fiquei viciada. Como referi acima, bastava este enredo para fazer a história e está tudo dito! Afinal, o terror é que o meu género. Assim que este elemento entra numa história, francamente, tudo passa para segundo plano. Qualquer personagem que apareça é secundário porque numa história de terror o personagem principal é sempre o monstro.
Tem sido um prazer assistir, temporada após temporada, ao aproximar do exército dos mortos. Da maneira que as coisas vão em Westeros, já há muito boa gente a torcer para que os white walkers desçam por ali abaixo e comam aqueles psicopatas todos. Há ali alguém que se aproveite? É verdade que ainda não se percebeu exactamente o que é que eles querem, mas tendo em conta que não comem bebés e que ressuscitam os mortos, não são eles a mostrar mais misericórdia naquele mundo impiedoso?
E depois, há os cavalos. Desde a primeira vez que vi os cavalos zombie até me estremece o coração de ternura e antecipação quando sei que vão aparecer. Por todos os outros que são atingidos por lanças e decapitados e queimados, (e pelos dois cavalinhos devorados por walkers no Walking Dead), já era altura de ver isto:


Isto é que eu nunca tinha visto, e desculpem lá, enternece-me o coração. Quem é que são os monstros, afinal?
Mas esta não é uma história de terror e (infelizmente) temos de falar das pessoas. Desde o primeiro episódio, nunca me entrou na cabeça o conceito da Muralha. Que sentido é que faz que os guardiões da Muralha sejam compostos, na sua maioria, por criminosos arrastados para lá contra a sua vontade e obrigados a fazer um voto de castidade? É um motim à espera de acontecer. Perguntem ao Capitão Flint de "Velas Negras". E como é que tão poucos se tentam escapar para lá da Muralha? Morte por morte, que morram livres. Passou-me logo pela cabeça assim que percebi o sistema de recrutamento. Obviamente, passou pela cabeça do Mance Rayder também, e talvez de muitos outros. Só faria sentido se entretanto os reis de Westeros tivessem deixado de acreditar na ameaça dos walkers (parece que o Inverno deles não chega todos os anos) e negligenciassem a guarda da Muralha, como me parece que fazem, mas a série não o explica convenientemente logo na primeira temporada e o espectador tem que adivinhar. Ora, era muito mais proveitoso não gastarem tantos minutos a decapitar cavalos e aproveitarem para os dedicar, em vez disso, a explicar a mentalidade de Westeros, de que o espectador nada sabe. Enquanto o espectador adivinha e não adivinha, vai-se considerando que aquela gente toda é muito estúpida por entregar a derradeira defesa dos Reinos a um bando de condenados! Motim à espera de acontecer, como acontece mesmo no Craster, e como acontece quando matam uma das personagens mais amadas da série, e talvez o único homem entre eles com os neurónios suficientes para fazer a diferença.


Ah, mas está Jon Snow mesmo morto? E permanecerá morto? Desta vez os fãs não estão a aceitar de ânimo leve e já existem várias teorias. Melisandre, a Red Witch, que acaba de chegar à Muralha, pode ressuscitá-lo (já outro antes dele foi ressuscitado pela mesma Fé no Senhor da Luz, várias vezes) e depois o próprio Jon Snow pode matar a puta de merda que merece uma morte bem lenta e dolorosa, se o Davos não a apanhar primeiro quando descobrir o que ela fez à princesa Shireen.
Outra teoria, os walkers estavam muito interessados nele da última vez que o observaram...
Eu tenho a minha teoria, de que o destino de cada uma das crianças Stark está interligado ao dos direwolves que adoptaram (seis lobos, seis crianças), e o que acontece aos lobos prenuncia o que vai acontecer ao seu dono. Não se viu que tivessem matado o Ghost!


Muitos espectadores estão muito preocupados com o Ghost. Eu também estou mais preocupada com o Ghost do que com outro personagem qualquer, sinceramente, mas seria muito bom que o Jon Snow não tivesse morrido mesmo e que o esperasse um destino muito maior do que aquela Muralha idiota e inútil que não vai servir para nada sem ele.


Antes de encerrar a Muralha, mais alguém reparou que o Samwell Tarly é uma homenagem descarada ao Samwise Gamgee do "Senhor dos Anéis"? A devoção do escritor manifesta-se. Este Sam é exactamente o contrário do outro. Quando o outro era inculto, este é erudito. Quando o outro era valente, este declara-se cobarde. Mas não é, e sabemos que não é. As únicas semelhanças entre eles não são o nome e a abundância de carnes. Samwell Tarly é o Sam que decide "abandonar" o seu "Frodo" porque sabe que não o pode carregar e não o consegue defender, mas é também o Sam que reconhece que deve partir para servir o bem maior, porque este Sam, desde pequeno, queria ser um Gandalf.
O Sam da Guerra dos Tronos conquistou-me mais respeito, pelas suas limitações e inteligência, do que o Sam do Senhor dos Anéis. Respeito e simpatia. Não queria que este morresse, mas o futuro não parece risonho.

Os Starks
Inteligência é coisa que não abunda na família Stark. A ideia com que fiquei deles, na primeira temporada, é de que eram uns nobres feudais e provincianos, contentes lá na terrinha deles e ignorantes de tudo o que se passava no mundo lá fora. Ned Stark não fazia ideia no que se ia meter ao aceitar ser Hand of the King do Rei Robert. Típica história do camarada de armas que não vê o amigo há 17 anos, quando andaram na tropa, e entretanto o amigo transformou-se num homem execrável mas o camarada continua a ver o amigo de que se lembrava de outrora. Até aqui, tudo desculpado, mas o que se passou na viagem devia ter-lhe aberto os olhos. Uma briga entre a sua filha Arya, um miúdo camponês e Joffrey, o príncipe herdeiro, faz com que o lobo de Arya ataque o filho de Robert. Sem consequências, mas Cersei, a víbora, exige que Ned Stark mate o lobo. Arya já tinha libertado o lobo, mas Cersei não se importa. Ainda havia o lobo de Sansa, irmã de Arya, que matasse esse. Ora, foi neste momento, precisamente neste momento, que Ned Stark devia ter percebido que estava a lidar com gente cruel e tirânica. Mais um neurónio naquele cérebro e teria ficado tão "doente" que não podia, de maneira nenhuma, aceitar o convite do Rei, ou qualquer desculpa que servisse. Em vez disso, matou o lobo da filha, ainda uma cria. E logo aqui, para mim, ficou "marcado". Não foi só a injustiça de tudo isto, não foi só o Rei (ou a rainha) ter mandado matar o miúdo camponês que não fez nada, foi a cegueira, a falta de inteligência de Stark na sua aceitação de que era assim que devia ser e que matar o lobo de Sansa era uma prova de lealdade.
Não lhe serviu de lição, e já em King's Landing continuou a meter o nariz no que não devia, e quando finalmente contribuiu involuntariamente para apressar a morte do Rei Robert ainda não tinha percebido como as coisas funcionavam e apareceu com um papel assinado pelo rei para depor a rainha da sua posição de regente. Teimosia, orgulho, ingenuidade. Não lhe correu bem.


Mas aqui, no final da primeira temporada, percebeu-se que as personagens não eram tão bidimensionais como pareciam. Sempre pensei que Ned Stark ia ser orgulhoso e teimoso até ao fim, e não retiraria as acusações, e não pediria misericórdia. No último momento, despontou-lhe mais um neurónio e pediu desculpa. Não lhe adiantou de nada, mas serviu para se perceber que os personagens podiam evoluir e que a história ia demorar tempo a desenvolver-se.
Entretanto, em mais uma pérola da estupidez Stark, Catelyn Stark decide prender o primeiro Lannister que encontra para o acusar de tentar matar o seu filho Bran. Nunca passou por aquela cabeça tentar descobrir primeiro qual dos Lannisters o tinha feito. Estava ali à mão o anão, vamos acusar o anão! Com esta medida, consegue começar uma guerra, não vinga o que fizeram ao Bran porque prendeu um inocente, e felizmente Tyrion consegue escapar. Serviu isto tudo para nos mostrar o material genético dos herdeiros dos Stark. (E Catelyn ainda conseguiu fazer coisas mais estúpidas do que o papel dela em "Resurrection".)
Começada a guerra para vingar Ned Stark, o princípio até é auspicioso para o seu filho Robb, aclamado Rei no Norte. Robb reúne um exército e avança para Sul sem nunca perder uma batalha. A série não é muito eficaz a mostrar a passagem do tempo mas é-nos dito que a campanha militar já durava há um ano quando Robb comete os erros fatais que não podia cometer. As tropas já não estavam tão motivadas como de início e os senhores vassalos estão desejosos de voltar para casa. Robb sabe disto, mas insiste. Numa disputa com um dos nobres acerca do refém Jaime Lannister, comete um erro ainda maior e acaba por perder uma parte importante do seu exército. Não contente com isso, ainda quebra um acordo com o nobre que lhe permitiria passagem para Sul, quando já não tem condições de continuar e vencer. O que Robb devia ter feito, para mitigar os erros, seria recuar e aquartelar-se no norte, onde os inimigos teriam dificuldade em atacá-lo, e daí pensar numa estratégia diferente enquanto ainda tinha vantagem. Mas os Stark não sabem quando desistir!


Entre o excesso de confiança, o sentido de dever, e a noção equivocada de que venceriam porque lutavam por uma causa justa, perderam aliados, perderam a vantagem, meteram-se na boca do lobo e perderam o norte. Certo que sofreram uma traição vil, mas, por causa deles, os Greyjoy, primeiro, e os Bolton, depois, ficaram à solta para aterrorizar as pessoas humildes que os Stark deviam ter protegido. Se tivessem pensado nas pessoas. Se tivessem pensado. Mas os Stark nunca pensam muito e quando pensam raramente acertam.
Mesmo assim, eu simpatizava com eles, e quando lhes aconteceu o que aconteceu na casa do velho Walder Frey (quase tão velho como o Setrakian de "The Strain", mas não tanto, porque Walder Frey, embora igualmente sinistro, não tem gotas de elixir vampírico para os olhos), fiquei sem saber por quem torcer. Muitos espectadores devem ter odiado a série neste momento.

Then Greyjoy e os outros da terra dele
De Theon Greyjoy não se sabia quase nada até decidir que era uma boa ideia trair o amigo Robb para tentar ganhar as boas graças de um pai que o despreza e a quem não via desde infância. Afinal, Theon Greyjoy era um refém na casa dos Stark desde a última guerra. Ah! Então era isso que ele era! Porque nunca se percebeu da parte dos Stark que o tratassem como menos do que um filho, o que torna a traição ainda mais grave e imperdoável.
O homem vem de uma terra onde adoram o Deus Afogado (Kthuhlu?) e tem a espinha dorsal de uma alforreca. O pai diz-lhe que tem de mudar de roupa, ele muda. O marinheiro diz-lhe que tem de mandar, ele manda. Alguém lhe sugere tomar Winterfell nas costas de Robb, ele segue o conselho. Um dos seus homens diz que ele tem de matar, ele mata. Quando as coisas lhe correm mal e o psicopata Ramsey lhe diz que agora tem que ser Reek, ele é Reek.


Mas quando Sansa pediu ajuda à alforreca, a alforreca não ajudou. Não há redenção que o salve. Este gajo precisa de morrer. Não matou os dois miúdos Stark porque não os apanhou. Em vez disso, matou dois órfãos. Nada o redime, nada. Com alguma sorte, Sansa Stark podia usá-lo como saco de treino para apunhalar alguém no pescoço e talvez o que resta desta carcaça ainda servisse para alguma coisa. As vítimas costumam causar-me compaixão mas este gajo só me causa asco. Merece tudo o que lhe aconteceu, já pagou o karma do que fez, pode bem ser despachado. E quanto àquela gente da ilha dele, os Greyjoy e os Iron Men, também não trouxeram nada de interessante à história. Que se afoguem todos e desapareçam da Guerra dos Tronos.


(continua na segunda parte deste artigo)


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Drácula (série TV)

*** contém spoilers, mas não revela o final ***

Primeiro que tudo, estou muito agradecida a esta série! Tão agradecida, para que conste, que a minha apreciação é assumidamente parcial. Antes desta série, sempre que pensava no Jonathan Rhys Meyers só me vinha à cabeça, como se gravada por um ferro em brasa, a imagem de Henrique VIII (“The Tudors”). Obviamente, Jonathan Rhys Meyers foi escolhido para o papel para facilitar a vida aos espectadores que de outro modo não apenas teriam de assistir aos caprichos de um monarca abjecto com uma predilecção por cortar cabeças (especialmente cabeças de rainhas), como também teriam de olhar para a carantonha de um monarca abjecto e feio (como era a criatura na realidade), o que seria duplamente penoso. O casting de Jonathan Rhys Meyers tornou a experiência menos dolorosa. (Mas um monarca abjecto e feio não merecia que Jonathan Rhys Meyers lhe vestisse a pele!)
Desde os “Tudors”, portanto, não conseguia pensar em Jonathan Rhys Meyers sem horror e asco, o que era a todos os níveis uma pena!
Nem tenho palavras para agradecer que essa imagem tenha sido substituída, e com o tempo, oxalá, completamente desvanecida, e me lembre antes desta:


Embora, para dizer a verdade, Jonathan Rhys Meyers interprete os dois papéis da mesma maneira, resultando de modo elogioso para Henrique VIII que não podia ter metade do charme deste Drácula. Meyers lá tem a sua razão, um monstro é um monstro, a diferença é apenas ficcional. Mas basta de reminiscências dos “Tudors”, série que já bastou ver uma vez e não é agradável de recordar. Falemos de “Drácula”, 2013-14, série de TV.



Conde de Monte-Drácula
A minha reacção ao saber deste “Drácula” não foi famosa: “Oh não! Mais uma adaptação de Bram Stoker e ‘atravessei oceanos de tempo para te encontrar!’...”
(Por falar em *ainda* mais uma adaptação. Parece que existe um novo Drácula, filme, do qual vi algumas cenas pavorosas em que o nosso Vlad lutava usando artes marciais! Sim! Artes marciais! Drácula Kung Fu! Este arrisca-se a ser o único filme de Drácula que eu não vou ver jamais. Nem a minha compulsão obsessiva de ver tudo o que é vampiros resiste na presença de artes marciais. Não, obrigada, não.)
A série surpreendeu-me. Trata-se, sim, de uma adaptação do clássico de Bram Stoker, passada na Inglaterra vitoriana e elencando todas as personagens que já conhecemos (Drácula, Mina, Jonathan, Lucy, Renfield e Van Helsing). Mas o espectador vai ser confrontado com alguns choques, e alguns espectadores, creio, não vão conseguir ultrapassar o primeiro episódio. O que seria uma pena, na minha opinião, porque a série começa de forma esquisita mas torna-se bastante interessante.
O primeiro grande choque... Bem, antes terei de explicar porque é que Drácula está em Londres. (Não é um spoiler “grave” porque tudo o que vou dizer é esclarecido nos dois primeiros episódios.) Drácula, o verdadeiro, o único, o Impalador, Vlad Drakul, princípe da Valáquia, está em Londres sob a identidade de Alexander Grayson, empreendedor americano de grande mas recente fortuna de origem obscura (como não seria de estranhar de um americano arrivista), para se vingar da Ordem do Dragão. No seu tempo, a Ordem do Dragão queimou na fogueira a esposa adorada de Vlad (a série nunca explica exactamente porquê) e foi também a Ordem do Dragão que como castigo por heresia, e usando rituais ocultos, transformou Vlad no primeiro caminhante das Trevas, para sempre amaldiçoado. (O que foi uma péssima ideia que a Ordem do Dragão teve, mas avançando.) A Ordem do Dragão existe ainda na Inglaterra vitoriana, na forma de uma sociedade oculta, corrupta e fanática, composta apenas dos mais ricos e poderosos que não olham a meios para atingir os fins. Drácula também não olha a meios para atingir os fins. E começa a vingança. Drácula não pretende simplesmente matar os líderes; quer destruir, para sempre e de uma vez por todas, a Ordem do Dragão, e vai usar tudo ao seu dispor para o conseguir: compra, suborno, chantagem, embuste, difamação, homicídio. Tirando a parte do homicídio, a vingança de Alexander Grayson recorda o maravilhoso enredo do Conde de Monte Cristo e vai deliciar quem gosta de uma boa história de vingança.
Os ricos e poderosos da Ordem do Dragão acabam de descobrir a importância que o petróleo vai ter na economia mundial do futuro. (Como nós tão bem sabemos.) Estão dispostos a começar uma guerra com o Império Otomano para ter acesso ao petróleo do Médio Oriente. (Nós também sabemos que sim, e como!, e ainda!) Drácula pretende cortar o mal pela raiz. E aqui vem o grande choque: Drácula apresenta-se como um empresário que quer implementar uma fonte de electricidade limpa, sem fios, barata, não poluente, não dependente do petróleo!!! Electricidade gerada a partir do campo magnético da Terra!!! (Era bom, não era?) E com isto pretende destruir as grandes fortunas dos membros da Ordem da Dragão, impossibilitando a dependência petrolífera, e acabar com esta para sempre!
Quanto à Ordem do Dragão, bastará mencionar que são uma cambada de capitalistas ricos, exploradores, poluidores, os donos do mundo, os donos dos mercados, os donos dos homens, e também a mim me apetecia arrancar-lhes à dentada algumas cabeças, mesmo não sendo vampira, e daqui exorto, inequivocamente:
Drácula, amigo, o povo está contigo!


É o grande choque do primeiro episódio. Drácula, empresário?! Electricidade verde e sem fios?! No século XIX?! E internet também, não? E já agora, televisão a cores, para vermos estas séries de ficção científica?
Aconselho todos os espectadores a fecharem os olhos a esta tolice, uma tamanha tolice que pode afastar muita gente da série logo no primeiro episódio. É daquelas coisas que podem ofender irreparavelmente os intelectos mais apegados às ciências, o que compreendo, mas, como em tantas outras séries do género, às vezes temos mesmo de fingir que acreditamos se queremos apreciar o que interessa. Na minha opinião, vale a pena fechar os olhos porque há muito a apreciar. Até porque todo este ambiente laboratorial de experimentação com electricidade nos vai proporcionar cenas que evocam outro grande clássico da época, Frankenstein! E agora vou falar do segundo choque:

Van Helsing está a trabalhar com Drácula!!!
Sim, o caçador de vampiros mais famoso do mundo está de conluio com aquele que é o seu arqui-rival, o seu arqui-inimigo, o seu nemesis! E porquê? Porque a Ordem do Dragão também lhe matou a família. (Com quem eles se foram meter!) Isto não quer dizer que Drácula e Van Helsing sejam amigos. Longe disso. Mas Van Helsing é um homem racional e frio, e sabe a quem recorrer. Logo na primeira cena do primeiro episódio, vemos dois exploradores a penetrar no túmulo onde Drácula repousa há séculos. (Muito Indiana Jones.) Algo me fez logo adivinhar que um deles era Van Helsing (quem mais poderia ser?), mas pensei, mais logicamente, que Van Helsing procurava o túmulo para matar Drácula, como é costume, no que podia ser a última cena de uma história contada a partir do fim. Foi um choque perceber o quanto estava enganada. Mas um choque refrescante, admito.

Tão amigos que eles não são.

A verdade é que o personagem Van Helsing se tornou um herói por mérito próprio na cultura popular mais recente. O velho professor, fanático e algo excêntrico, do livro de Stoker, já não cai bem como caía na época. Entretanto, tivemos Van Helsing, o sex symbol, e penso que tudo mudou desde aí. Este Van Helsing (Thomas Kretschmann, que por sua vez já encarnou Drácula em “Dracula 3D”, que eu ainda não vi) é um professor de meia idade, entre o génio científico e o homem de acção. É dele a ideia da electricidade magnética, é dele a invenção do soro que permite a Alexander Grayson caminhar ao Sol durante o dia. Van Helsing também se quer vingar e também não olha a meios para atingir os fins. Enquanto Van Helsing fornece a inteligência, Drácula fornece o músculo. O maniqueísmo na ficção é algo do passado. Neste novo universo de personagens “cinzentos” já não existem muitas personagens completamente boas ou completamente más. Gosto desta adaptação que apresenta os personagens à luz da modernidade. Quem contava com outra adaptação de Stoker “à letra” pode esperar ainda outros choques:

Renfield. Adorei o que fizeram com este personagem! Não é o louco babado do hospício que come moscas e clama “Mestre! Mestre!”. Este Renfield (Nonso Anozie) é um ex-escravo norte-americano que conseguiu tirar um curso de Direito graças a um mecenas abolicionista, mas viu fechadas todas as portas de emprego devido à sua cor. Também Renfield tem muitas razões para estar zangado com os donos do mundo. Renfield, à sua maneira, também se quer vingar.

Imaginam o meu choque ao perceber que Renfield é o senhor grande e negro e, acima de tudo, são da cabeça?!

Lucy Westenra (Katie McGrath). Esta não é a Lucy namoradeira e vitoriana que só pensa em arranjar um marido. Esta é a Lucy inexperiente que ainda não sabe em que equipa joga, mas acaba por descobrir, e é na equipa da Mina. Infelizmente, não é correspondida. Infelizmente, tendo em conta as alternativas, muitos espectadores torceram para que ficassem juntas. Faziam um par bonito. Mas o que não tem de ser não tem de ser.

Como é que se podia não torcer por isto?

Jonathan Harker (Oliver Jackson-Cohen). Este também não é o Jonathan virtuoso e debilitado e merecedor de simpatia que Stoker nos apresenta. Este Jonathan é um homem frio e ambicioso, ávido de subir na vida, que chega a sugerir deixar para trás os amigos antigos (e pobres) quando começa a relacionar-se com a alta sociedade. Tem que ser Mina a intervir para que Jonathan “veja o seu erro”. No fundo, percebe-se disto que Jonathan não muda de ideias nem vê erro nenhum, só quer agradar à futura mulher (nesta versão, Mina e Jonathan ainda não são casados). Jonathan é o tipo de homem que descarta quem já não lhe é útil, e também não olha a meios para atingir os fins. Sem Mina, onde estaria a sua consciência? Aparentemente, em lado nenhum.

Não é o Jonathan Harker querido e fofinho da história de Stoker.

Por fim, Mina Murray (Jessica De Gouw), ainda o nome de solteira. Talvez seja um dos maiores choques que a Mina “doméstica” e bem comportada, do livro, se transforme, nesta série, numa mulher independente e progressista e estudante de medicina. Jonathan revela que não a merece quando é apanhado em flagrante a dizer que depois do casamento Mina se vai deixar dessas “coisas”. Mina ouve, mas perdoa-o, porque o amor é cego. E porque o amor é cego, Mina acaba por ser magneticamente atraída pelo americano recém-chegado que a adora e admira, na mesma medida em que o carácter de Jonathan progressivamente a repele. É científico. Grayson nem precisa de sex appeal sobrenatural, e não o usa. Mas esta Mina é mais racional do que emotiva e luta contra a paixão... enquanto consegue.
Afinal, Drácula sempre cruzou oceanos de tempo para a encontrar, porque (aproveitando a mitologia já existente em torno dos dois, que vem dos filmes e não do livro original de Stoker) Mina é, de facto, a reencarnação de Ilona, mulher de Vlad. Este encontro do amor, inesperado, perturba Grayson e quase o distrai da sua missão de vingança. Drácula tem aqui uma crise de consciência como também já faz parte da mitologia do vampiro moderno (o que temos de agradecer aos vampiros da senhora Rice) e por causa de Mina sente a ânsia de viver novamente, como homem, à luz do Sol. O soro, contudo, não é suficiente...

Sempre cruzaram oceanos de tempo para se encontrarem...

Todos estes novos elementos se tornam bastante interessantes à medida que a história se desenrola e são motivo para levar a sério a adaptação que recomendo vivamente.
O final é muito bom e surpreendente e abre portas para uma segunda temporada que não vai existir (a série foi mesmo cancelada). Sendo assim, a série merecia pelo menos mais um ou dois episódios para fechar a história. Talvez os autores tenham planeado uma segunda temporada mas as audiências não foram suficientes para a justificar? É uma pena. Como digo, o fim prometia, no mínimo, um último episódio para o grande e épico confronto que já ninguém esperava. E mais não posso revelar.
Posso apenas recomendar, e quando a série for repetida tenciono ver de novo. Não imagino porque é que esta adaptação tenha passado tão despercebida. Desconfio que foi a tal energia magnética, limpa e sem fios que estragou a série para muitos espectadores do primeiro episódio que não lhe deram a hipótese de um segundo. Manias de meter ficção científica em tudo às vezes dão nisto. Afinal, a tal energia magnética até não era importante para a história e podiam ter arranjado um esquema que envolvesse bancos, especulação, escândalos e política. Atingia os mesmos fins, e talvez a série tivesse mais hipóteses. Se é verdade que os fins justificam os meios, também há meios tão incompetentes que nem os fins servem. Acho que este foi um desses casos.



domingo, 20 de setembro de 2015

The Strain

 

Os vampiros atacam e é o fim!... da nossa paciência
Confesso. Nunca gostei desta série. Desde o primeiro episódio, o avião misterioso cheio de passageiros infectados, torci logo o nariz. Misturar ficção científica e sobrenatural não é uma boa ideia! E antes que alguém diga que é só um vírus, recordo aquelas primeiras cenas do Mestre a deslocar-se pelo ar, desafiando as leis da gravidade. Lá se foi a ficção científica pela janela. É como digo sempre: ficção científica e sobrenatural não funciona! Em “Lost”, uma das melhores séries de todos os tempos, também tentaram, e não se enterraram muito na tentativa, mas não os levou muito longe.
“The Strain” não é sequer uma boa série. Tudo se tornou mais claro quando li numa crítica que “The Strain” foi pensada para ser o “The Walking Dead” lá do canal deles. O que faz sentido, comercialmente. Se os zombies estão na moda, vamos arranjar uns vampiros zombiescos e fazer o mesmo. Aliás, até não é ideia original que o vampiro mais pareça um morto-vivo (do velhinho “Nosferatu” ao moderno “30 Dias de Noite”) e não é por isso que as coisas não funcionam.
“The Strain” até podia resultar. Durante os dois ou três primeiros episódios, até foi resultando. Os cientistas caídos em desgraça, o exterminador, a hacker arrependida, o velho lobo solitário Setrakian, todos juntos na luta contra a grande conspiração vampírica. Faltava só juntar-lhes o ex-delinquente e a equipa estaria completa. (Ainda estamos à espera! Talvez lá para a quinta temporada!)
Ora bem, inacreditavelmente, com todos os ingredientes do que podia ser uma boa série de terror/acção (e nem estou a falar no Quinlan!), de repente as coisas começam a arrastar-se. Não acontecem. Os episódios começam a ser uma seca. Nem me estou a queixar da vida sentimental dos personagens. Há quem não goste de “telenovelas”, mas a mim não me chateiam nada se contribuírem para o desenvolver da acção.
A grande verdade é que a série começou a encher chouriços. E começou a enchê-los logo na primeira temporada. Cheira-me, de outros casos semelhantes, que a série foi renovada para uma segunda temporada e os autores não tinham material relevante para tantos episódios. Pior ainda, já temos a confirmação de que a série foi renovada para uma terceira temporada (!!!), o que é absolutamente espantoso! A segunda já se arrasta a passo de caracol, como será uma terceira? Até a pouca acção que vai aparecendo é um sucessivo adiamento do confronto, que quase acontece mas não acontece, e entretanto Nova York está cheia de vampiros mas pouca gente parece importar-se, e os vampiros também não têm muita pressa... É inacreditável que uma série com todos estes elementos consiga causar bocejos.
Eu vejo, continuo a ver e continuarei a ver até ao fim, mas só devido a uma compulsão obsessiva e patológica que me impele a ver tudo o que tenha vampiros, mesmo que seja muito mau, mesmo que seja só para dizer mal. (É uma doença. Incurável.) Estamos quase no final da segunda temporada e não nutro esperanças de que a série melhore. Não prevejo que se torne mais interessante. Não recomendo a ninguém senão fanáticos de vampiros.


Góticos maltratados, pior do que nos clichés
“The Strain” é afronta que chegue à paciência de qualquer mortal, mas não posso terminar sem referir a grande afronta que é o rockstar pseudo-gótico Bolivar da primeira temporada (quando ainda é humano) que afinal até nem tem o cabelo comprido e usa peruca! Peruca?! A sério? É esta a ideia que circula dos góticos? É que nem faz sentido. O homem nem sequer era careca. Usava a peruca por cima do cabelo curto (o que é uma óptima maneira de ficar careca mais cedo). Diz o poseur, a certa altura, que só anda na cena para engatar miúdas. Até podia ser verosímil se o fulano demonstrasse alguma simpatia pela cena gótica mas, não sendo careca, usando uma peruca para fingir que tem cabelo comprido, que simpatia poderá ter pela cena gótica e pelas miúdas góticas? Não lhe seria muito mais vantajoso dedicar-se a outro tipo de música onde a oferta de gajas não é só mais abundante como mais do agrado do fulano? Justin Bieber, por aí? Não papava logo muito mais gajas?! Não faz sentido nenhum.
E góticos de peruca metaleira, nunca vi tal! Já vi extensões, já vi perucas setecentistas à Lestat, mas peruca metaleira?! Ainda é menos verosímil do que o vírus vampírico! Palavra de honra, de onde é que esta gente tira estas ideias?

 O mais ridículo é que Bolivar continua a usar a peruca depois de ser vampiro, depois de perder a personalidade, depois de lhe ter caído o cabelo, depois de lhe terem caído... outras coisas.


Góticos muito maltratados, nesta série, muito maltratados! Por ignorância dos autores? Para gozar com os góticos? Ou, pelo contrário, para tentar interessar uma audiência gótica? Bem, não goza com os góticos porque Bolivar é um poseur! Não interessa a audiências góticas porque nenhum gótico ou gótica poderia respeitar um gajo que usa peruca metaleira por cima do cabelo normal. É muito lame. Os góticos não mereciam isto.
E os amantes de vampiros não mereciam esta série.


Ah, quase me esquecia! O Mestre é um boneco de plástico!
Sinceramente, não há paciência.



sábado, 15 de agosto de 2015

The Road (2009)




No mundo pós-apocalíptico de “A Estrada” (título português), um pai tenta sobreviver com o seu filho pequeno enquanto viajam para a segurança imaginada de um lugar ao Sul. Do desastre que aconteceu ao planeta só sabemos que destruiu toda a vida animal e impossibilitou a agricultura. Não é um filme de ficção científica e não é o que interessa. A civilização acabou. A existência dos sobreviventes limita-se à procura dos alimentos ainda disponíveis. Na falta destes, certos grupos organizados recorrem ao canibalismo. Muitas outras pessoas preferem o suicídio. Neste mundo deserto e perigoso, cinzento e árido e muito frio, pai e filho agarram-se à esperança de chegar à costa e ao Sul. Nada nos leva a crer que as coisas sejam melhores para onde se dirigem. Tudo indica que é uma esperança vaga, uma desculpa para continuar em frente em busca de um inverno menos rigoroso. Entretanto, o pai está doente e preocupa-o se o filho conseguirá sobreviver sozinho ao inevitável.
Este é um filme deprimente e perturbador, que eu não recomendaria a quem não suporta olhar a face mais feia da humanidade. E, mesmo a quem suporta, não o recomendo num dia triste ou pessimista.
Baseado no romance homónimo de Cormac McCarthy, é difícil não estabelecer paralelos entre este filme e a série “The Walking Dead”, mas não é pela ausência de zombies que o filme se torna menos assustador. Pelo contrário, é mais difícil assistir ao que a humanidade faz a si própria. Não existe esperança nem solidariedade para os sobreviventes de “The Road”. Tudo é negro, tudo é desespero, nada se espera do futuro, nem uma possibilidade longínqua. E talvez esta perspectiva não seja irrealista. A humanidade evoluiu, desde tempos primitivos, num sentido de solidariedade egoísta. O homem reuniu-se em grupos por necessidade, para caçar, para se proteger, para recolher alimentos. Na falta dos motivos básicos de união de esforços, numa situação de recursos limitados sem qualquer previsão de que o planeta se volte a regenerar, porque não haveria de tornar-se cada um por si? Uma boca custa menos a alimentar do que duas ou três.
O único problema deste filme é o fim (pelo que pesquisei, igual ao do livro). O fim não é realista nem coerente com as premissas do filme. Não é um fim “feliz”, mas é quase, e “bom demais para ser verdade”, o que deixa o espectador com a nítida sensação de que alguém não teve coragem de escrever o fim que se adivinhava. A melhor interpretação que encontrei sobre este final é de que é uma alucinação. Não vou explicar porquê, para não revelar demais, mas os argumentos em que se baseia a tese da alucinação fazem todo o sentido. E seria a única maneira de este fim ser bom, sem ser feliz.
Deixo uma última nota sobre o comportamento do miúdo que já nasceu depois do desastre e nunca conheceu outro mundo senão este (mais uma vez, impossível não estabelecer comparações com o Carl de “The Walking Dead”). Parece que o personagem do livro tem 6 ou 7 anos, mas o actor que o interpreta no filme deve ter 9 ou 10. Resultou, para mim, porque passei o filme a pensar que o puto devia ter qualquer atraso de desenvolvimento ou uma ingenuidade excessiva, o que tornou ainda mais aflitivo o desespero daquele pai preocupado com o que aconteceria àquele filho se ele lhe faltasse. Afinal, o puto não é atrasado, nem mariquinhas, nem parvinho. É apenas um miúdo mais velho a fazer o papel de um miúdo mais novo. Seria pena que esse pormenor estragasse o filme a alguém e por isso decidi comentar.

18 em 20

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hannibal


Mas que raio, quem é este Will Graham?! De onde saiu este fulano?! Onde está o Hannibal? Porque é que desde a primeira temporada temos de levar com este Will Graham como personagem principal quando a **** da série se chama Hannibal?
Bem, parece que este tal de Will Graham foi o tipo que prendeu (?) Hannibal Lecter, nos livros, de que supostamente a série é uma adaptação passada nos nossos dias, com um Hannibal Lecter muito mais novo. Por esta altura, com tantas modificações à história original, até os fans que leram os livros se estão a sentir um bocado perdidos.

Custou-me, a sério, custou-me muito, aceitar este novo actor como Hannibal. A interpretação mítica de Anthony Hopkins não é algo que se esqueça. Mas chegando à terceira temporada da série já estou habituada, e até fascinada com este novo Hannibal, um Hannibal em liberdade e no activo como nunca o tinha visto. Muitos parabéns ao Mads Mikkelsen: não tinha um trabalho fácil pela frente tendo que competir com o fantasma de Anthony Hopkins mas conseguiu brilhantemente encarnar o canibal (se não o mesmo um outro, tão convincente, tão intimidante, tão real como o dos filmes).
Infelizmente, a participação de Hannibal, nas três temporadas, têm sido subaproveitada. É disso que me queixo.
Quem me diria que ao assistir à primeira temporada de uma série sobre Hannibal Canibal eu haveria de bocejar e quase adormecer à mesa? A série tem conquistado prémios merecidíssimos (a beleza com que se filma o horror é arrepiante), mas a primeira temporada fez-me sono. Demasiado uso de sonhos, imaginações, e mais tarde até de alucinações (quando Will tem uma meningite ou algo semelhante), e convenhamos, uma pessoa chega do trabalho, cansada, e a certa altura já não percebe se o que está a ver é mesmo real ou um sonho ou o raio que o parta! Começo-me a perder na narrativa, a bocejar incontrolavelmente, a desinteressar-me do que o tal Will anda a fazer. Mas quem são aqueles serials killers, afinal?! Então e o Hannibal está ali para quê, só para dar nome à série?
E a primeira temporada lá vai indo assim, as cenas repugnantes a única coisa a conseguir abrir-me os olhos quase a fechar-se. Na segunda série, porém, abri os olhos.
Finalmente, quando eu já perdia a esperança, Hannibal entra em cena. E quando Hannibal entra em cena, Hannibal “devora” a cena. Todos os outros personagens desaparecem e finalmente temos Hannibal Show!

 Convincente, intimidante, aterrador, e bom como o milho. (Mas se alguém perguntar eu não disse isto.)

No final da segunda temporada, Hannibal foge para a Europa com a psiquiatra dele, Bedelia Du Maurier, a nossa grande Gillian Anderson. [É interessante, e gratificante, assistir a como a Gillian cresce como actriz de papel em papel desde a Scully dos X-Files. O carisma da grande senhora que actualmente enche o écran nem se adivinhava nesses dias, apesar do poder da personagem, e da série, e do mito.]
Todo o período passado em Itália é o meu preferido. Nem percebo porque é que alguns fans se queixam de falta de acção. Falta de acção?! O que mais houve foi acção. Bedelia demasiado aterrorizada para tentar fugir, Bedelia que não se atreve a comer nada que tenha carne, mas alimentada a ostras (segundo alguém diz, na série, as ostras dão melhor sabor à carne), Bedelia que se livra de dar a Hannibal o confesso gosto de a provar. Comportam-se, ambos, como marido e mulher num casamento de conveniência da alta sociedade. Um par de tios! Conveniente para ele, que não gosta de solidão, aterrador para ela, que sabe que vai acabar na mesma travessa onde Hannibal vai servindo os convidados que aceitam o jantar. Se calhar vejo ali o que outros não vêem, e gostei particularmente da cena em que Hannibal mata um comensal durante a sobremesa. A expressão de tia incomodada na cara de Bedelia, impagável!
“Aníbal, que aborrecido, estragar-me a refeição desta maneira!”
“Desculpe, Bedelia, fui impulsivo, admito!”
“Ora, Aníbal, seja honesto que já é crescidinho!... Estava a pensar em matar o homem assim que trouxe o picador de gelo para a mesa!”
“É verdade. Peço desculpa, Bedelia, não torna a acontecer. Que tal a sobremesa?”
“Estragada, o que é que espera?... Sinceramente, Aníbal, começo a ficar farta desta situação. Se ao menos o Aníbal ficasse farto também, mas o Aníbal nunca fica farto… E poupe-me a graçola que de que pondera fartar-se de mim, porque estou farta das suas ironias também. Olhe, coma-me de uma vez ou deixe-me comer descansada, é o farta que eu já estou!”
Mas Hannibal não quer estar sozinho, deve ser a sua maior fraqueza, e acaba por não comer a companhia.

 Aníbal, caríssimo, quer comer-me de que maneira, exactamente?

De regresso à América, Hannibal entrega-se. Pensei que era o fim da temporada, e talvez até da série, visto que existe a perspectiva de que ninguém a quer continuar, apesar dos prémios. (!!!)
Não, subitamente, voltamos ao tal fulano, ao tal Will Graham, super-profiler, a investigar serial killers medíocres. Bem diz o Chilton, a Hannibal, mais ou menos que “você vai ter sempre o seu nicho, mas tem que ver, a sua sofisticação, a sua erudição, não é apelativa a um público tão vasto”. O público identifica-se mais com a brutalidade de um serial killer que massacra famílias. Não alcança o requinte artístico de Lecter. E talvez seja por isto que a série não vai ser continuada...
Mais dois episódios e já estou a bocejar e a adormecer. Porque é que não deixam o Graham ficar lá com a família e os cães? Qual é o interesse em mostrar serial killers medíocres, ao nível de “Mentes Criminosas”, quando a série tem ali uma diamante, e nem sequer em bruto, um diamante polido e cintilante na coroa de um dos maiores monstros de sempre? A quem é que interessa ver o tipo bronco que mata famílias, quando lá está o Lecter, atrás do vidro? Os livros? Já inventaram tanta coisa que não está nos livros que os livros não são desculpa. Porque é que o Hannibal tenta comer o cérebro de Will, o que é que aconteceu ao célebre: “O mundo é um lugar menos interessante sem si, Clarice”? Não devia ser um lugar mais interessante com o Will, também, se o Hannibal gosta tanto dele que se entrega para que Will o visite?... Ou, pelo contrário, o Hannibal está tão farto do Will como eu estou? Está tudo doido?... Will diz que sente falta dos cães, mas não vai sentir falta de Hannibal. É curioso, porque quando o maluco foi para a Europa atrás de Hannibal, a única coisa de que senti falta neste personagem foi precisamente dos cães. (Já somos dois, Will.) Não sei quem é que pensou que este personagem ia ser interessante. Numa outra série de profilers, onde não houvesse um Hannibal, talvez. E por falar em Europa, quem era aquela senhora japonesa que aparece durante alguns episódios e desaparece outra vez sem ser explicada? Sei, vagamente, dos fóruns da série, que é alguém relacionado com alguém da criadagem da família Lecter. Quem é que pensou que não era preciso explicar quem ela era? Por falar em família, o que é que aconteceu a Misha, irmã do Hannibal, que ele não matou mas comeu? Quem era o prisioneiro na casa dos Lecter?...
Em vez disto tudo, andamos a ver um serial killer que mata famílias. Não compreendo estas opções, não compreendo. Compreendo uma tentativa de criar cenas perturbadoras, do mais perturbador que já vi na vida, e se calhar este enredo psicológico não se presta tanto ao torture porn que é o resto da série? O mesmo torture porn que vai matar a série, ao que parece? Como é que diz o ditado? Dar pérolas a porcos, em vez de bolotas? Tinham tudo para fazer uma grande série! Tudo! Mas não fazem, não porque não podem, não porque não sabem, mas porque não querem, e não se percebe as opções.
A melhor opinião que já ouvi foi a do fan que sugere que Thomas Harris devia escrever outro livro. Afinal, esta série já é outro livro que só de longe se aproxima dos originais. Não acredito que venhamos a ver a Clarice aqui. Nesta versão, o Hannibal era capaz de a comer também. E lá ficava o mundo um lugar menos interessante. Como o Hannibal atrás das grades. Bocejo.


domingo, 2 de agosto de 2015

Wayward Pines

***** spoiler alert! spoiler alert! spoiler alert! *****

Atenção, muita atenção! A série de 10 episódios já foi exibida na Fox e vou comentar a sua totalidade, revelando também o fim. A quem ainda não viu, mas pretende ver, aconselho que pare de ler agora e volte mais tarde. O post ainda cá vai estar, se Blogger quiser. :)



‘Wayward Pines’ foi anunciado envolto em mistério. Da sinopse, e da gritante semelhança de títulos, foi imediatamente comparado a ‘Twin Peaks’ (para quem ainda se lembra), mas indevidamente, afinal. Um agente governamental (CIA ou similar) vai investigar o desaparecimento de dois outros agentes na recôndita cidadezinha de Twin... desculpem, Wayward Pines. É neste enredo inicial, e nos títulos parecidos, que as semelhanças começam e acabam. Direi apenas, para quem não sabe mesmo do que está à espera, que o início é mais ‘Under the Dome’ e menos ‘Twin Peaks’.

E agora é mesmo a sério. Quem não quiser perder a experiência de suspense deve parar de ler AQUI.
Porque cá vêm os spoilers!

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É o futuro e os fascistas ganharam!

Muita polémica andou à volta de um dos realizadores/produtores da série, o sr. M. Night Shyamalan. É o mesmo senhor de ‘O Sexto Sentido’, e de ‘Lady in the Water’, e ‘The Happening’, e segundo alguns não fez nada de jeito desde ‘The Village’ (por acaso, concordo). Mas ‘Wayward Pines’ é também uma trilogia de romances de ficção científica do autor Blake Crouch, pelo que as culpas têm muito por onde se espraiar. Não li os livros (não aprecio ficção científica), e depois disto não vou mesmo ler.
Não gosto da maneira como a história se desenvolve. Até ao último episódio, fica sempre em aberto a hipótese de que a cidade de Wayward Pines é uma experiência governamental (e ainda não estou convencida de que não seja!). Enquanto o agente Ethan Burke se dirige a Wayward Pines, e por lá fica aprisionado, o espectador assiste aos esforços da família e da agência para o encontrar, em 2014 (embora a “agência” esteja feita com Wayward Pines, mas nós não sabemos). Ora, não se percebe, de modo algum, no decurso da narrativa, que estas cenas são flashbacks. Eu descobri, sem querer, nos fóruns sobre a série. Malditos spoilers, porque agora não consigo dizer se o episódio em que se explica esta aparente ubiquidade de pessoas em 2014 e 4014 é eficiente. Muita gente ficou confusa, e não é para menos. De propósito? Para manter em aberto a tal hipótese da experiência governamental, uma vez que o chefe do agente Burke sabia de certeza para onde o mandava? O tempo e os episódios que se perderam neste é/não é, a meu ver, introduziram a dúvida e roubaram à série o efeito de choque que se pretendia.
Entretanto, a família do agente Burke vai à procura dele e é raptada também, com a conivência da agência. Passados 5 ou 6 episódios a viverem numa cidade totalitária em que são obrigados a assumir novas identidades e onde quem fala do passado é degolado em praça pública (literalmente), rebenta então a “bomba”. Ou bombinha, para quem não acredita numa palavra do que está a ser dito. O ano é 4014 (por aí). Wayward Pines é o que resta da humanidade. Os seres humanos, não percebi exactamente porquê, transformaram-se em aberrações animalescas (e nuas) com grandes dentes e garras, que ameaçam comer qualquer incauto que se arrisque a ultrapassar a vedação electrificada. Mas é curioso, porque o Ethan faz exactamente isso, passa por lá a noite, e sobrevive para contar a história, logo, não há assim tantos abis (aberrações) à volta da vedação como mais tarde a série nos quer convencer.
Em suma, Under the Dome encontra The Village: não vão lá para fora porque há monstros, mas mesmo que queiram ir nós não deixamos. Este “nós” é o “eles” que vigia Wayward Pines. Alguém que decidiu que os adultos não eram capazes de lidar com a verdade e que apenas os adolescentes de 14 anos ou menos podiam ser informados e preparados (moldados, endoutrinados e submetidos à lavagem cerebral totalitária) para chefiarem o último reduto da Humanidade. Heil!

 Como endoutrinar criancinhas em Wayward Pines.


Este alguém é o dr. Pilcher, cientista visionário que nas suas boas intenções (?) decide raptar gente à fartazana, congelá-los todos e descongelá-los mais tarde (ele próprio incluído, e um grupo de “eles”, voluntários, que de bom grado vigiam tudo o que as cobaias de Wayward Pines dizem e fazem). E é só isto que o visionário visiona, aparentemente. Uma cidadezinha suburbana, uma vedação electrificada à volta, um recreio onde colocar os bonequinhos e brincar com eles, nada mais.
E os monstros, as aberrações? E acabar com eles? E conquistar mais território para o que resta da raça humana? Até não seria muito difícil, porque os abis são feios, e maus, e comilões, mas não parecem nada inteligentes. Involuíram. Um cientista capaz de arranjar os fundos para criogenar tanta gente também tratava de arranjar armas para os combater, certo? Errado. Não está nos planos. Talvez o cientista não soubesse que seriam tantos, talvez esperasse que já estivessem extintos passados 2000 anos, mas isto tudo sou eu a especular. A série não diz. E para quê, na verdade, acabar com eles?, se estamos aqui tão bem, na nossa cidadezinha de faz-de-conta onde eu sou o único ditador, o visionário, o salvador? É verdade, de vez em quando aparecem por aí uns terroristas a criar ondas porque não percebem as minhas boas intenções mas a gente dá-lhes o sumiço.

 Um espécime das aberrações (abis) de Wayward Pines. Medo, disto?! Conheço gajos muito mais feios.


É tudo tão inverosímil que a hipótese de experiência governamental em controlo mental parece cada vez mais apetecível. Mas não. Chegando ao último episódio estamos mesmo no futuro e os fascistas ganharam!
Voltamos a um tema recorrente no sr. M. Night Shyamalan: como endoutrinar crianças. Em ‘Wayward Pines’, na versão de receita para criar fascistas: rega-se com ideologia desde pequeninos, adiciona-se medo e muita noção de uma casta superior, e voilà!, a Primeira Geração de Nazis do Quinto Milénio! (Podiam limpar as mãozinhas à parede pela grande merda que faziam.)
O problema, aqui, são muitos problemas. As pessoas não são plantas. Não se regam, não se criam. Não adianta o que se lhes ensina na escola, nem em casa. Não são vasos vazios onde se despeja doutrina. Muito jovens, muito fanáticos, mas os jovens crescem, e toda a teoria do dr. Pilcher, que afinal não é assim tão inteligente, cai por terra. Como cairá a sua estátua, como caíram já muitas estátuas.
O maior mérito da série será, talvez, o de agarrar gente que nunca pensa nestas coisas e obrigá-los a ver a ascensão de um regime fascista. Criogená-los, através do suspense, e endoutriná-los sem que dêem por isso. Mas estes são os vasos vazios. Aos outros, aos que já leram isto tudo nos livros da História (com enredos bem mais interessantes, na minha opinião), resta o entretenimento e pouco mais. Nem os abis se aproveitam.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Music is your only friend

Já era tempo de reorganizar o meu perfil em termos de gostos musicais. Necessário incluir o que descobri entretanto. Remover o que entretanto perdeu relevância.
O Winamp dá muito jeito. Pela primeira vez tenho toda a música que ouço digitalizada e nada fica de fora por esquecimento.
É sempre uma reflexão fazer estas listas. Algumas coisas, de que costumava gostar muito em tempos da adolescência, tornaram-se “obsoletas”, para não dizer pior, e sairiam do top  de preferidos. Outras, passaram sem dó nem piedade para um sub-top (uma espécie de classe B). Outras, que há 20 anos estavam no top das minhas preferências, desapareceram da lista e qualquer dia arriscam-se a desaparecer do Winamp também. Não gosto de guardar música que já não ouço e que já não me diz nada. Nem por nostalgia nem por qualquer outra razão.
Posto isto,

Os preferidos, novos e antigos e de sempre:
Adrian Alexis, Arcana, Bauhaus, Christian Death, Dead Can Dance, Joy Division, Lisa Gerrard, Mão Morta, Marilyn Manson, Merciful Nuns, Nick Cave & the Bad Seeds, Peter Murphy, Rammstein, Red Lorry Yellow Lorry, Rosa Crux, Siouxsie & the Banshees, The Creatures, The Cult, The Death Cult, The Fields of the Nephilim, The Garden of Delight, The Mission, The Nefilim, The Sisterhood, The Sisters of Mercy, The Southern Death Cult, Woven Hand.

O que também se ouve com muito prazer no meu Winamp:

Alice In Chains, All About Eve, Frank the Baptist, Ghost Dance, Grinderman, Hamza El Din, Irfan, Le Mystère Des Voix Bulgares, Miranda Sex Garden, Moonspell, Nirvana, Paradise Lost, PJ Harvey, Rubicon, Ruby Blue, Soundgarden, SSV, The Golden Palominos, The Merry Thoughts, The Offspring, Throwing Muses, Type O Negative, Violent Femmes.

All About Eve, Moonspell e Violent Femmes, curiosamente, todos por razões diferentes, passaram do top para a “2ª divisão”. The Mission está quase a passar.
Amar música é como amar alguém. Ama-se, ama-se muito, mas os anos passam e mudam-nos, e mudam o outro, e de repente já não se ama. Às vezes não é culpa de ninguém.