sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Gotika: arquivos Fevereiro 2004

fevereiro 24, 2004

A minha última paixão

Procurei refúgio nas últimas páginas de “The Tale of the Body Thief”. Oh, que decepção, Lestat! Estou tão danada também contigo, agora que já te amava tanto! Se o soubesses, também me transformavas num dos teus, contra a minha vontade? É essa a tua gratidão? Saberás o significado da palavra respeito? Egoísta infantil! Sabes que vais arder no inferno do teu arrependimento, não sabes? Pobre estúpido! Não negues! Negas agora por orgulho. Ainda me vais dar razão.
Tu não és Mau! A tua “maldade demoníaca” não passa de capricho de menino mimado! “Old demon” my ass! Spoiled, idiot, stupid, poor little idiot you!
Ainda tens muito que aprender. Que os teus amigos tenham paciência para te aturar. É difícil não te amar, Lestat. Sim, eu sei que te custa a crer. Debaixo de um grande complexo de superioridade está sempre o reverso da medalha. Tens medo da solidão e da morte. Por essa ordem. Mas o que mais temes é o vazio que encontras dentro da tua alma egoísta quando te vês sozinho e a morte te tenta. A morte que não consegues aceitar e tanto temes, torna-se sedutora. Sem amor não vale a pena, pois não, Lestat?
Talvez Anne Rice ponha no teu caminho a pessoa certa no momento certo para perceberes que não deves temer a solidão. Talvez assim não temas tanto a morte. E já to disseram tantas vezes, Lestat, e tu não ouves!

Oh! Todos os outros me devem condenar pelo meu temperamento, pela minha impetuosidade, pela minha determinação! Eles gostam de ver. Mas quando eu mostro a minha própria fraqueza, eles afastam-me. É isso? Sou deveras forte?
Respondeu-te o Body Thief: Oh, sim, nunca te faltou a força! E é por isso que eles te invejam e desprezam e se zangam contigo.

Mas tu não acreditas. Quando viste o teu corpo passar, com alma de outro dentro dele, quais foram os teus pensamentos? Mesmo no meu medo, pensei subitamente que [a figura dele] era de partir o coração de tão trágico. E questionei-me se não teria parecido aos outros o mesmo fracasso maçador quando estava naquele corpo. Não teria parecido o mesmo triste?

Achas mesmo que sim?
E quando dizes: Claro que os fiéis e zelosos leitores dos meus livros viram-me aqui de vez em quando. Os leitores das memórias de Louis, se tivessem encontrado o apartamento em que morávamos, seguramente reconheceriam a casa.
Não interessa. Eles acreditaram nisso, o que é diferente de acreditar. E não podia ser outro jovem de faces louras, a sorrir-lhes da alta varanda, com os braços apoiados no corrimão? Eu nunca me alimentaria destes ternos inocentes - mesmo quando eles mostram as suas gargantas e me dizem “Lestat, aqui!” (Isto aconteceu, leitor, em Jackson Square, e mais do que uma vez.)


Como podes dizer que não és amado? A tua sorte é que ainda tens muito, muito tempo para aprender. Ainda bem, porque precisas de aprender muito.
Por enquanto, tenta este pequeno passo: não descarregar nos teus amigos o mal que outros te fizeram. Não só estás a ser injusto como também os estás a perder.
Oh, Lestat, que lição tão básica, Lestat!

Publicado por _gotika_ em 10:22 AM | Comentários: (3)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Gotika: arquivos Fevereiro 2004

fevereiro 18, 2004

No Top 25 do Blogómetro



Finalmente!
E sem falar de sexo!
Agora já posso começar a falar de política.

Publicado por _gotika_ em 06:53 AM | Comentários: (5)


Os vampiros também não prestam

Lestat é o vampiro protagonista dos livros de Anne Rice. Em “The Tale of The Body Thief”, Lestat entra no corpo de um jovem mortal falecido, perdendo os seus poderes vampíricos mas ganhando, em contrapartida, a possibilidade de se aproximar mais dos humanos que conhece ou já conhecia. E desenrola-se uma história verdadeiramente humana.
Volta a sentir na pele todas as nossas limitações, relata-nos o que sente, e como se arrepende amargamente da experiência. Nos seus dois séculos de vida, já não se lembrava da sua juventude na forma humana.
A forma como Lestat descreve as suas paixões por Gretchen, mulher, e David, homem, não implica nenhum problema de consciência. Simplesmente sente. Não há nada a explicar. Quando se tenta aproximar de David, este recusa a aproximação com muita mágoa. Diz Lestat:

I knew I was to blame for this. I knew it, and that it was useless to say apologetic words. I also sensed something else. I was an evil being, and even when I was in this body, David could sense that evil. He could sense the powerful vampiric greed. It was an old evil, brooding and terrible. Gretchen hadn’t sense it. I had deceived her with this warm and smiling body. But when David looked at me, he saw that blond blue-eyed devil demon whom he knew very well.

E depois um maravilhoso momento gótico que não resisto a transcrever:

I said nothing. I merely looked out over the sea. Give me back my body. Let me be that devil, I thought. Take me away from this paltry brand of desire and this weakness. Take me back into the dark heavens where I belong. And it seemed suddenly that my loneliness and my misery were as terrible as they had been before this experiment (…)

Em resposta a estes pensamentos, David responde que o ama, e que tem medo desse amor. É que David é um velho de 74 anos e sente-se esse velho. É-lhe inconcebível tocar num corpo mais jovem, mesmo habitado por um vampiro de 200 anos, porque o recorda da sua juventude perdida e nada poderá ser mais doloroso do que voltar a uma vida passada e recordar o vigor, a alegria desses dias. David prefere viver com dignidade os dias que lhe restam, assumindo completamente a sua condição de mortal no fim do seu tempo (David tem uma doença fatal).

Lestat, no fundo não passa de um ser infeliz que passa a vida a meter-se em confusões para se distrair do tédio da existência. Esta troca de corpo, por exemplo, é precedida por uma tentativa falhada de suicídio. Mas Lestat não quer de facto morrer. Simplesmente está farto da vida. Mal amado por Louis e Claudia, que dizem amá-lo mas mostram absolutamente o contrário, encontra no seu amigo mortal, David, a verdadeira amizade. Claudia já morreu mas ainda o atormenta. Louis (o mesmo de “Entrevista com o Vampiro”) não lhe perdoa as extravagâncias, condena-o por gostar demasiado de si próprio e não quer assumir que o ama e que precisa dele. Na hora de desespero, todos os outros vampiros lhe voltam as costas. Menos David. E o cão.

Do cão, diz Lestat:

After all, the old cliché was true. This great hunk of dog flesh was my only friend! Did Satan have a dog when they hurled him down into hell? Well, the dog would probably have gone with him, that much I knew.

Uma lição para Lestat?

Publicado por _gotika_ em 04:52 AM | Comentários: (0)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Gotika: arquivos Fevereiro 2004

fevereiro 15, 2004

Mês de Nick Cave - Song of Joy
Bem, já que não posso ir ao Nick Cave que venha ele aqui.
Como todas as canções no álbum "Murder Ballads" (tirando a última), esta é uma canção sobre um crime. Neste caso, uma série de homicídios. E eu tenho uma teoria sobre esta canção que é mais ambígua do que parece:


Have mercy on me, Sir
Allow me to impose on you
I have no place to stay
And my bones are cold right through

I will tell you a story
Of a man and his family
And I swear that it is true

Ten years ago I met a girl named Joy
She was a sweet and happy thing
Her eyes were bright blue jewels
And we were married in the spring
I had no idea what happiness a little love could bring
Or what life had in store

But all things move toward their end
All things move toward their end
On that you can be sure

Then one morning I awoke to find her weeping
And for many days to follow
She grew so sad and lonely
Became Joy in name only
Within her breast there launched an unnamed sorrow
And a dark and grim force set sail

Farewell happy fields
Where joy forever dwells
Hail horrors hail

Was it an act of contrition or some awful premonition
As if she saw into the heart of her final blood-soaked night
Those lunatic eyes, the hungry kitchen knife
Ah, I see, sir, that I have your attention!
Well, could it be?
How often I've asked that question

Well, Then in quick succession
We had babies, one, two, three.
We called them Hilda, Hattie and Holly
They were their mother's children
Their eyes were bright blue jewels
And they were quiet as a mouse
There was no laughter in the house
No, not from Hilda, Hattie or Holly
"No wonder", people said, "poor mother Joy's so melancholy"

Well, one night there came a visitor to our little home
I was visiting a sick friend
I was a doctor then
Joy and the girls were on their own

Joy Had been bound with electrical tape
In her mouth a gag
She'd been stabbed repeatedly
And stuffed into a sleeping bag
In their very cots my girls were robbed of their lives
Method of murder much the same as my wife's
Method of murder much the same as my wife's

It was midnight when I arrived home
Said to police on the telephone
Someone's taken four innocent lives

They never caught the man
He's still on the loose
It seems he has done many many more
Quotes John Milton on the walls in the victim's blood
The police are investigating at tremendous cost
In my house he wrote, "red right hand"
That, I'm told is from Paradise Lost

The wind round here gets wicked cold
But my story is nearly told
I fear the morning will bring quite a frost

And so I've left my home
I drift from land to land
I am upon your step and you are a family man
Outside the vultures wheel
The wolves howl, the serpents hiss
And to extend this small favour, friend
Would be the sum of earthly bliss
Do you reckon me a friend?

The sun to me is dark
And silent as the moon

Do you, sir, have a room?
Are you beckoning me in?

Song Of Joy
Nick Cave, "Murder Ballads" (1996)


O que a canção parece à primeira vista: um pai de família, desgostoso, que vai pedir abrigo a casa de um outro pai de família, e que conta a história do homicídio brutal que lhe roubou a mulher e as três filhas. Talvez. Talvez não.
Segunda análise: é o próprio assassino que está a bater à porta - "Well, one night there came a visitor to our little home" - e a contar a história das suas vítimas como se fosse a dele para apelar à piedade do dono da casa: “I will tell you a story - Of a man and his family”. Se ouvirem a interpretação do Nick Cave, a última frase “Are you beckoning me in?” é rosnada baixinho, dando a entender que o assassino está excitado e triunfante por lhe ser permitida a entrada, e a hipótese de matar de novo.
A minha teoria é bastante mais sinistra. Se calhar porque nós projectamos na poesia a nossa própria visão do mundo.
Para mim, este homem que conta a sua história de pai destroçado é de facto o pai de família e o assassino.
Porquê? Primeiro, a quantidade de pormenores: “Ten years ago I met a girl named Joy - She was a sweet and happy thing - Her eyes were bright blue jewels - And we were married in the spring”.
A tendência natural para a melancolia e para a contemplação da morte quando ainda não havia razão para isso, o que mostra que já era uma pessoa perturbada: “I had no idea what happiness a little love could bring - Or what life had in store - But all things move toward their end - All things move toward their end - On that you can be sure”.
E depois, após o casamento, Joy torna-se triste. “She grew so sad and lonely - Became Joy in name only”. Porquê? Se calhar porque o marido era bera como as cobras?... “Was it an act of contrition or some awful premonition” De novo, porque é que ela tinha de fazer algum acto de contrição? Talvez na mente do seu marido sim, ela fosse culpada de tudo e mais alguma coisa. E as crianças? “And they were quiet as a mouse - There was no laughter in the house - No, not from Hilda, Hattie or Holly - "No wonder", people said, "poor mother Joy's so melancholy" Melhor retrato de violência familiar? As crianças que calam, a mãe que cala, os vizinhos que mal se apercebem ou não se querem aperceber? Porque é que não havia alegria naquela casa desde o casamento? O que podia fazer infeliz a mãe e as três filhas?...
Chegamos portanto ao dia do homicídio. Convenientemente, o marido era médico e estava a visitar um amigo doente. Um amigo que podia corroborar o alibi. E quem é que descobriu os corpos e chamou a polícia? O próprio. E quem percebe mais de anatomia do que um médico, evocando Jack the Ripper?
E porque é que este médico ficou louco, largando a profissão, a casa, o resto da família, e se pôs a vaguear, dizendo que o assassino ainda está à solta... Não duvido. “They never caught the man - He's still on the loose - It seems he has done many many more”. E explicando na terceira pessoa as ideias obssessivas do assassino: “Quotes John Milton on the walls in the victim's blood - The police are investigating at tremendous cost - In my house he wrote, "red right hand" - That, I'm told is from Paradise Lost”
E se esta for a confissão desesperada do psicopata que quer ser apanhado, que quer que o façam parar, e não consegue parar sozinho? “Someone's taken four innocent lives” “Alguém”, diz ele. Alguém.
Na minha interpretação, o médico sempre foi violento mas naquela noite passou-se. Sem provas, a polícia não o prendeu (ou talvez tenha fugido, é irrelevante) e continua a fazer “many many more” inspirando piedade naqueles com quem fala. Possivelmente sem querer acreditar no que ele próprio fez.
Outros indícios poéticos desta interpretação sinistra: “Method of murder much the same as my wife's - Method of murder much the same as my wife's”, a repetição obssessiva; “The wind round here gets wicked cold”, à medida que vai conquistando a simpatia do dono da casa o vento torna-se mais frio, aumenta a atmosfera de maldade; “But my story is nearly told - I fear the morning will bring quite a frost”, assim que completar a sua história (novo homicídio) a manhã ficará gelada; “Outside the vultures wheel - The wolves howl, the serpents hiss”, as alusões aos animais malignos (abutres, lobos, serpentes) que estão fora da casa como maneira de convencer a ser deixado entrar, quando ele pode ser também um dos assassinos que (ainda) está fora da casa, e um assassino muito pior que os animais que invoca; “And to extend this small favour, friend - Would be the sum of earthly bliss - Do you reckon me a friend? - The sun to me is dark - And silent as the moon - Do you, sir, have a room? - Are you beckoning me in?”, a confiança conquistada, o inconsciente do assassino tenta ainda demonstrar-se com “The sun to me is dark - And silent as the moon” mas tarde demais, o dono da casa, condoído, já o estava a mandar entrar. Incrédulo, e numa última tentativa de evitar o crime, o assassino ainda pergunta: “Are you beckoning me in?”

Se não fosse a interpretação ambígua de Nick Cave, ter-me-ia ficado pela hipótese do pai choroso.

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Devido a alguém que assina com o meu nick, a partir de 15 de Fevereiro as respostas aos comentários aparecerão no blog. Qualquer comentário assinado por "mim" é falso e não deve ser considerado. Obrigada e peço desculpa pelo incómodo.

Publicado por _gotika_ em 06:40 AM | Comentários: (0)


Comentários 15.02.04 +/- 5h30

Um breve elogio! ;) o que interessa é o conteudo da tua escrita e não a qualidade ou a beleza das palavras (embora isso tenha alguma influência) Enviado por RIP em fevereiro 14, 2004 01:14 PM

Mais ou menos. A forma também ajuda à expressão do conteúdo. Acabar uma frase com um ponto final ou com reticências é completamente diferente. Mas em geral concordo, o conteúdo é de facto mais importante.

Tenho gostado de por aqui passar, pois para além do prazer de te ler, também tenho aprendido sobre variados assuntos, nomeadamente acerca do conceito de "gótico", de que já tinha ouvido falar, ainda que superficialmente. parabéns! Enviado por Miss Kafka em fevereiro 15, 2004 02:55 AM

Falarei mais sobre o movimento gótico. Confesso que gostava de escrever um livro sobre o assunto. Mesmo sem saber se há editores interessados. :) Um coisa é certa, só um gótico pode escrever um livro sobre o gótico que seja minimamente "reconhecido" por outras pessoas, não vou dizer góticas, mas ligadas ao movimento. Há demasiados sinais imperceptíveis que uma pessoa de fora simplesmente não apanha. É como escrever sobre uma sociedade secreta. Uma coisa é fazer investigação e entrevistas, outra é conhecer a sociedade a fundo. Talvez destes pequenos apontamentos que aqui vou deixando sobre o gótico ainda nasça um livro. Tenho muito tempo.

Minha amiga Gotika, qual das gotikas acima é que é mesmo você, estou ficando confusa. Eu adorei o que você falou, achei tão interessante e sutil que vou ficar decepcionada de saber que não foi você mesmo. Mas você você diz que é você e que não é você. Em qual? Enviado por Drika em fevereiro 15, 2004 01:32 AM

Pois. Por causa destas coisas, vou passar a comentar AQUI. Por isso, os comentários assinados por "mim", a partir de hoje, são FALSOS. Assim não há dúvidas. Vou colocar também uma assinatura permanente a explicar a situação para que nenhum distraído caia no conto do vigário.

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Devido a alguém que assina com o meu nick, a partir de 15 de Fevereiro as respostas aos comentários aparecerão no blog. Qualquer comentário assinado por "mim" é falso e não deve ser considerado. Obrigada e peço desculpa pelo incómodo.

Publicado por _gotika_ em 05:43 AM | Comentários: (1)


5000 visitas!

Muito obrigado a todos que se deram ao trabalho de clicar para este blog.

Aproveito para fazer um anúncio. Anda aí um brincalhão (ou brincalhões) a pôr comentários com o meu nick e link para o email ou para o blog, confundindo e fazendo perder tempo às pessoas que de facto gostam de uma discussão saudável. Congratulo-me com a inteligência deste brincalhão (ou brincalhões) - é bom saber que temos leitores geniais - mas não quero que haja a mais pequena dúvida de que as minhas palavras são de facto minhas.
Culpada de SOBERBA, como dizia ao Mangas, não posso conceber que outrém use meu nick, Gotika, nome que não deve ser pronunciado em vão sob pena de fortes escaldões no azeite fervente do inferno.
Deste modo... a partir de agora vou responder AQUI e apenas AQUI, no blog, aos vossos comentários. Por mim tanto faz. Como diria uma amiga espanhola de quem gosto muito, ao cão dela, "a mi me da igual". Ou coisa semelhante.
Por isso, qualquer comentário assinado por Gotika não será meu. Chamarei a atenção para isso, AQUI, as vezes que forem necessárias, para terem a certeza de que as minhas palavras são mesmo minhas. É que nós, os taurinos, somos muito possessivos em relação às nossas coisinhas.

Quanto ao brincalhão (ou brincalhões), peço imensa desculpa por te (vos) estragar a brincadeira. Podem sempre continuar. Querem ideias? Façam uma cópia deste blog e publiquem merdas como se fosse eu a dizê-las. Querem mais ideias? Ah, mas também já estão a pedir demais, não vos parece? Amiguinhos, há tantas maneiras de matar pulgas!!! O chico-espertismo é uma selva de desafios! Puxem pela cabeça, vá, vocês conseguem!

Eu também gosto de brincar.

Publicado por _gotika_ em 04:14 AM | Comentários: (1)


~~§~~


Comentário:
É é por este motivo (porque alguém se divertia a assinar com o meu nick) que ainda hoje não permito comentários anónimos no blog, e não por ter alguma coisa contra o anonimato. Nesse aspecto, as funcionalidades dos blogs em geral melhoraram. Naquela altura, para se comentar sem ser sob anonimato era preciso estar registado na plataforma onde o blog estava alojado e muito pouca gente estava registada, isto é, as pessoas não tinham qualquer espécie de perfil online. Era tudo muito novo. (Para terem uma perspectiva, não havia Facebook, ou se havia ninguém conhecia, o que vai dar ao mesmo.) Eu preferi permitir os comentários anónimos durante mais algum tempo, para dar oportunidade às pessoas de comentar, mas eventualmente acabei por me fartar. Houve protestos, porque as pessoas não queriam registar-se. Actualmente o anonimato é possível, e a usurpação de identidade também, mas dá trabalho. Um bom sociopata gosta de causar o caos sem ter muito trabalho. Claro que houve protestos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Afinal os góticos é só rir!

Ainda não percebi quantos posts posso publicar por mês mas não quero deixar passar esta sem partilhar. "Whitby Gothic Style" é uma paródia ao um tal de Psy-qualquer-coisa que eu nunca vi nem ouvi nem quero!
Se fosse a vocês eu via porque loucuras destas, imperdíveis, desaparecem da internet tão depressa quanto o diabo esfrega um olho!



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Gotika: arquivos Fevereiro 2004

fevereiro 13, 2004

Canção do dia: Xutos e Pontapés, "Um jogador"

Entrei naquele salão
Tão confiante
Que tinha tudo na mão

Olhei, encontrei-a ali
Tão atraente
E olhava para mim

Avancei sem pensar
Tão decidido
A com ela jogar

Quando fiquei frente a frente
Meu coração bateu forte
Talvez não estivesse crente
Que era o meu dia de sorte

Acendi um cigarro
Deixei o fumo entrar
Sem saber no que iria dar
Bebi e arrisquei

Estava eu com sorte
Ou estaria em dia não
Estava eu errado
Ou afinal tinha eu razão

Então peguei na ficha
Da sorte ou do azar
Fui metê-la na máquina
Que começou a girar

Um jogador
Xutos & Pontapés , "Dados Viciados" (1997)

Publicado por _gotika_ em 08:00 AM | Comentários: (11)


Dia de folga




Gosto deste dia. Gosto que o azar também toque aos outros. Gosto, sinceramente gosto. Deve ser o meu dia de sorte. Acredito no azar. Basta pensar na minha vida para, definitivamente, acreditar no azar. Mas hoje não. Porque também tenho direito a folga.
As pessoas que acreditam em dias de azar deviam consolar-se com este pensamento: podia ser pior; podia ser todos os dias.
E agora vou cruzar-me com os meus gatos pretos, e asseguro-vos que a cor do gato nada tem a ver com a pouca sorte.

Publicado por _gotika_ em 07:50 AM | Comentários: (4)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Gotika: arquivos Fevereiro 2004

fevereiro 12, 2004

"Embriagai-vos!"

"Embriagai-vos!"

É necessário estar sempre bêbedo.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo,
que vos abate e vos faz pender para a terra,
é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas - de quê?
De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.
Contanto que vos embriagueis.

E, se algumas vezes,
nos degraus de um palácio,
na verde relva de um fosso,
na desolada solidão do vosso quarto,
despertardes,
com a embriaguez já atenuada ou desaparecida,
perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola,
a tudo o que canta, a tudo o que fala,
perguntai-lhes que horas são;
e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio,
hão de vos responder:

- É a hora da embriaguez!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo,
embriagai-vos sem tréguas!
De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.

Charles Baudelaire

Publicado por _gotika_ em 01:55 AM | Comentários: (15)


"Minha Terra"

"Minha Terra"

Ó minha terra na planície rasa,
Branca de sol e cal e de luar,
Minha terra que nunca viste o mar,
Onde tenho o meu pão e a minha casa.

Minha terra de tardes sem uma asa,
Sem um bater de folhas...a dormitar...
Meu anel de rubis a flamejar,
Minha terra moirisca a arder em brasa!

Minha terra onde meu irmão nasceu
Aonde a mãe que eu tive e que morreu
Foi moça e loira, amou e foi amada!

Truz... Truz... Truz...-Eu não tenho onde me acoite,
Sou um pobre de longe, é quase noite,
Terra, quero dormir, dá-me pousada!...

Florbela Espanca


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Reparem no último verso. Raro é o soneto em que Florbela não aproveita para falar na morte.

Publicado por _gotika_ em 01:22 AM | Comentários: (1)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

[Update 3:Mistério resolvido] Problemas com o arquivo dos posts

Graças a um comentário recente reparei que desde Outubro a página de arquivo mensal (ex, "Outubro") só estava a mostrar a segunda metade do mês. Isto é, todos os posts da primeira metade do mês ficam escondidos e inacessíveis. Mas só a partir de Outubro. O arquivo mensal estava funcionar até ao mês de Setembro inclusive. Não sei como isto aconteceu porque eu não alterei nenhuns settings (logo, culpa do Blogger!) mas é uma grande chatice porque gosto de arquivar mensalmente. Vou ter de fazer alguns testes. Não acredito que começar a publicar um post por dia tenha sido a causa mas nunca se sabe. No Pórtico isto não está a acontecer.
Provisoriamente, mudei os settings para arquivo semanal. Algumas coisas no Blogger acabam por se corrigir "sozinhas". Se não, vou ter de pensar a sério no que vou fazer porque detesto o arquivamento semanal e é ainda mais horrível para o leitor procurar o que quer.


UPDATE
Continuo sem saber como solucionar a situação dos arquivos. Por agora vou manter o arquivo semanal. Para o mês que vem talvez tenha de fazer testes.
É possível que o Blogger tenha definido uma "quantidade" de caracteres disponível para armazenamento mensal e nestes últimos três meses eu tenha estado a ultrapassá-la?... É só uma teoria.


UPDATE 2
E não é que eu tinha razão?
Depois de expor esta situação num fórum de ajuda do Blogger, recebo esta resposta:

No caso dos arquivos, quando o visitante clicar em um mês pode acontecer de ele não visualizar todas as postagens daquele mês, mas ele pode acessar essas postagens através dos links Postagens mais antigas e Postagens mais recentes ao final de cada página do seu blog.

Ora, como o meu template é antigo não tenho essa opção. Nem a quero. O que eu quero é uma página com todos os artigos do mês. Se o Blogger tem um limite de caracteres devia dizê-lo abertamente (o que não dava boa publicidade ao Blogger, certo? mas o efeito é o mesmo). Justificam isto com uma maior rapidez de carregamento, o que é um disparate autêntico. As páginas são pesadas não por causa de palavras e imagens mas vídeos, música embedida, gadgets e porcarias que muita gente põe nos blogs só porque acha que é giro. Mas cada um devia ter a rapidez de carregamento de página que merece.



UPDATE 3: MISTÉRIO RESOLVIDO
Vim a descobrir que desde 2010 o Blogger efectivamente limitou o número de posts que podem aparecer numa única página, incluindo a página de arquivo mensal. O objectivo é espalhar os posts por mais páginas, originando mais pageviews. Ora, a quem é que isto interessa? Às pessoas que permitem anúncios e são pagas por visita, bem como aos anunciantes do Blogger.
Na prática, isto significa que para arquivar mensalmente só se pode publicar um determinado número de posts por mês, senão os mais antigos não aparecem no arquivo.
Só me apercebi disto agora ao publicar os posts do blog Gotika apagado no Sapo, publicando um post por dia. Por esta experiência, concluiu-se que só se pode publicar 12 a 15 posts por mês. Tenciono fazer testes num blog de teste e se não houver maneira de contornar isto vou ter de publicar tudo de novo, espaçando mais os posts. Por isso, aviso que os posts podem subitamente "desaparecer", mas não estão desaparecidos. Estão agendados. Bem como os vossos comentários, que não serão perdidos.
Muito obrigada pela vossa paciência.