quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Gotika: arquivos Dezembro 2003

dezembro 23, 2003

«O olhar de um gato é sempre um universo de pensamentos puros»


"Flower Cats", Louis Wain

Publicado por _gotika_ em 01:37 AM | Comentários: (0)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Gotika: arquivos Dezembro 2003

dezembro 22, 2003

Imensidão




Uma canção

Ray Of Light
Madonna "Ray of Light" 1998


Zephyr in the sky at night I wonder
Do my tears of mourning sink beneath the sun
She's got herself a universe gone quickly
For the call of thunder threatens everyone


And I feel like I just got home
And I feel
And I feel like I just got home
And I feel

Faster than the speeding light she's flying
Trying to remember where it all began
She's got herself a little piece of heaven
Waiting for the time when Earth shall be as one


Quicker than a ray of light
Quicker than a ray of light
Quicker than a ray of light


And I feel
Quicker than a ray of light
Then gone for
Someone else shall be there
Through the endless years

She's got herself a universe
She's got herself a universe
She's got herself a universe

And I feel
And I feel
And I feel like I just got home
And I feel

Quicker than a ray of light she's flying
Quicker than a ray of light I'm flying

*********************

Sim, eu sei que não ando a publicar canções muito góticas, e que um gótico dificilmente se descreverá como um "ray of light". Será mais um raio de escuridão. Mas ultimamente tenho-me sentido muito identificada com a letra desta canção, principalmente a parte "she's got herself a universe".
Madonna é uma mulher que conseguiu fazer as pazes com a vida e encontrar paz de espírito, talvez não onde o esperasse. Todo este álbum é uma declaração de amor à primeira filha. Nas palavras dos Cult, "peace of mind is so hard to find, I wonder..."
Quando descobri o gótico, ou talvez quando o gótico me chamou, já lá vão uns aninhos valentes, senti que tinha chegado a casa. Onde quer que eu vá, basta-me entrar num buraco gótico para me sentir em casa. Mas não era deste mundo no meu universo que eu estava a falar há pouco. É de facto um universo, demasiado extenso para descrever aqui. O que importa é que consegui criar harmonia no meu universo interior.
Ainda não consegui fazer as pazes com a vida, mas já as fiz comigo própria.

Publicado por _gotika_ em 05:59 AM | Comentários: (0)


"No-people mood"

Foi como lhe chamou uma amiga de outras paragens.
O que me apetecia mesmo era isolar-me, ir para o alto de uma montanha onde não pudesse comunicar com absolutamente ninguém. Só eu, os meus animais, uma televisão, alguns livros, e de preferência muitas garrafas de vodka. Ou de vinho. Não importa.
Poderia passar as noites a ver televisão, ou a ler, podia apanhar grandes bebedeiras e ninguém tinha nada a ver com isso, podia dar-me ao luxo de não tomar banho durante uma semana, podia até dar-me ao luxo de ouvir música em altos berros. À minha volta só bicharada, pássaros incomodados e curiosos, ervas, árvores, pedras.
O que eu sinto é exactamente o contrário da solidão mas é curioso que não haja uma palavra para descrever este estado de ter companhia a mais.

Publicado por _gotika_ em 05:31 AM | Comentários: (2)


~~§~~

Comentário:
Hoje já começo a saber o que é esta solidão mas ainda não decidi quanto ao melhor nome para lhe chamar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Gotika: arquivos Dezembro 2003

dezembro 20, 2003

Filmes

"Monster's Ball" é o filme mais intenso que vi nos últimos tempos. O fim, por outro lado, e à primeira vista, parece não estar à altura, parece inverosímel e decepcionante. Salva o final Halle Berry. Talvez por isso tenha ganho o óscar. Quando ela olha para as campas e depois sorri, quase se pode ouvir o seu pensamento: "Não adianta ficar agarrada ao passado. É preciso viver o presente".
Se virem o filme perceberão que no caso da personagem não é assim tão simples esquecer o que se passou... Não é mesmo assim tão simples! É por isso que a mensagem é tão forte. E Halle Berry passa a mensagem sem dizer uma palavra.

Publicado por _gotika_ em 10:01 AM | Comentários: (0)


Prazer da solidão

O que eu gosto mais nos weblogs é a possibilidade de falar sem que alguém responda. Ao contrário de trocar mails, conversar com os amigos ou participar em fórums, no blog podemos expressar a nossa opinião sem entrar em diálogo. Sabemos que eventualmente alguém vai ler. Eventualmente alguém vai comentar. Mas não é um diálogo. É também por isso que gosto de ler os blogs dos outros. É como ler um bom livro. Nem sempre te apetece conversar com o escritor.

Publicado por _gotika_ em 09:51 AM | Comentários: (1) 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Gotika: arquivos Dezembro 2003

dezembro 19, 2003

Materialismo

Quando chegam a uma certa idade, geralmente depois dos 25 anos, certas pessoas estão tão desiludidas com os seus sonhos e com elas próprias que começam a tentar mostrar que são alguém porque têm dinheiro. Não têm mais nada para mostrar. Casamentos de merda, empregos que odeiam... De tão vazias, enchem-se de dinheiro para mostrar aos outros que não são ocas. Mas são. Ocas e feias.

Publicado por _gotika_ em 03:59 AM | Comentários: (4)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Histórias da minha avó

Conto popular do Alentejo como me foi contado pela minha avó. Estava enterrado nos arquivos mas achei que fazia mais sentido publicar em separado.

História de Maria Garcia

Maria Garcia era uma mulher muito bonita a quem o padre, o seminarista e o sacristão andavam a fazer olhinhos. Todos os dias lhe perguntavam, os três:
- Maria Garcia, posso lá ir a casa esta noite?
Ao que ela respondia logo:
- Não, não pode! Está lá o meu marido!
Um dia a mulher chateou-se com o assédio e contou tudo ao marido. Este resolveu:
- Manda-os cá vir, manda! E diz-lhes que tragam dinheiro.
Assim fez Maria Garcia.
Há noite lá apareceram os três. O padre foi buscar o dinheiro à caixa de esmolas. O seminarista, que era novito, não tinha dinheiro mas levou um chouriço. O sacristão, que era um pobretanas, foi de mãos à abanar.
Quando o marido de Maria Garcia aparece, apanha os três em flagrante. Não só lhes confiscou os presentes como pôs o padre e o seminarista a andar à roda da mó do moinho da farinha. Ao sacristão, pô-lo de rabo para o ar, com uma vela enfiada no rego, a servir de iluminação.
No outro dia entra Maria Garcia na missa, com um vestido novo, e canta o padre:
- Lá vem Maria Garcia toda composta!
E canta o seminarista:
- À minha custa mais à vossa!...
E o sacristão:
- E eu como não tinha dinheiro, fizeram-me do cu candeeiro!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Gotika: arquivos Dezembro 2003

dezembro 18, 2003

Under reconstruction

Nunca pensei que um diário online, pessoal e intimista, tivesse algum interesse para os outros. Sempre pensei que fosse a curiosidade, e não o interesse, que levava as pessoas a ler sobre a vida dos outros. Com certeza que também existe a curiosidade mórbida mas existe igualmente a escolha dos diários que lemos, os diários das pessoas que nos interessam.
Pergunto-me o que quero escrever aqui, e para quem. Não sei se escrevo para os amigos. Nem tenho a certeza se quero que os amigos saibam. Afinal, aqueles que merecem já sabem. Os outros, nao importa.

Ultimamente tenho sentido uma grande necessidade de solidão. Ao contrário de muitas pessoas, para mim é difícil estar sozinha. São muitas as solicitações. Parece que sou uma companhia agradável e tenho sempre assunto de conversa. Multiplicam-se os amigos e os conhecimentos. Torna-se difícil passar umas semanas sem os ver. Já para não falar nos amigos online. A única forma de os evitar é não abrir a caixa de correio.

Solidão, esse bicho temido, é aquilo que mais preciso. Sou um ser under reconstruction.
Veremos o que sai da metamorfose.

Publicado por _gotika_ em 06:14 PM | Comentários: (1)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Gotika, no princípio...


A propósito de um comentário recente, descobri que o meu blog no Sapo, entre 2003 e 2004, foi apagado. Não sei se fui avisada porque com quase toda a certeza me esqueci de actualizar o endereço de email no perfil de utilizador e os emails que usava para efectuar o login foram também todos apagados por falta de uso.
Não fiquei surpreendida. Aquele blog não tornaria ser actualizado.
Para quem não sabe, este blog estava inicialmente alojado no Sapo, onde os períodos de indisponibilidade e bugs vários eram de fazer perder a paciência a um santo. Passados poucos meses assentei arraiais nesta morada do Blogger, que nesse sentido, apesar de alguns soluços aqui e ali, parece ser uma plataforma mais estável.


THANK YOU BLOGGER!!!



Mas não estou de facto surpreendida.  Prevendo essa eventualidade, fiz questão de guardar todas as páginas, todos os posts. (E os deste blog também, aliás, porque já não é o primeiro susto que apanho ao chegar aqui e não conseguir aceder!)  O que é de todo irrecuperável são os comentários, as discussões que os posts suscitavam, principalmente quando o tema era controverso, e muito especialmente quando se discutia o que é e não é o gótico. Tudo isso se perdeu, e é pena. (Podem verificar o número de comentários no final de cada post.)
Quanto aos posts originais, decidi voltar a publicá-los, aqui, nem que seja um por dia, pela reacção que causaram e as memórias que evocam e o muito que esclareceram e agradaram. Encontro citações minhas, por aí, sem saber que existiam. Já chamaram a esse blog “mítico”. Não mereço tamanho elogio, mas na altura o blog teve um certo impacto porque era o único a abordar o assunto abertamente. Havia, na altura, a ideia prevalente de que “o gótico nunca admite que é gótico”. Não sei se continua a haver mas, como devem calcular, se pouco me ralava na altura menos me rala agora.

Comecei esse blog, no Sapo, no dia 18 de Dezembro de 2003. Quando vi que estava apagado fui visitar os arquivos e comecei a ler. O que imediatamente me saltou à vista foi o quanto eu me estava a divertir a fazer aquilo. E como me apetecia partilhar, a melancolia, o bom humor, a ironia, os posts sérios, o humor dos testes “que personagem de Anne Rice és tu”… Por muitas razões, nem sei qual delas a maior, isso já não acontece. Já não me divirto, já não me apetece partilhar. Consequentemente, comecei escrever a menos. Porque é mesmo assim, os posts dão trabalho. E adivinho que já não devo concordar com muitas das coisas que pensava nessa altura. Adivinho que cada post necessite de um comentário actual.
Um blog tem necessariamente uma natureza efémera. Muitos posts não farão sentido e não serão publicados. Tentarei cingir-me ao que foi importante. Ao que é importante. Com ou sem motivo para um comentário actual.
Para os que leram desde o princípio, se ainda há por aqui alguém, espero que se divirtam como se divertiram naquele tempo. Eu tentarei apenas recordar, se tal é possível. Foi há muitos anos.
Naquela altura, o blog vestia-se assim:


Quando decidi voltar a publicar os posts do blog apagado tinha a impressão de que o blog tinha existido no Sapo durante muito menos tempo. Ao começar o trabalho apercebi-me de que ainda lá esteve de Dezembro de 2003 a Agosto de 2004. São muitos meses, muitos posts. Escrevi muito naquela altura. Muitos posts são curtos e publicados no mesmo dia, no estilo daquilo a que se chama hoje tweets (não havia Twitter): uma canção, um pensamento, uma frase. Podia publicar tudo? Podia, e demoraria meses. Tive de escolher. Tentei preservar os posts sobre a cultura gótica, as críticas de literatura e cinema, os posts sobre o estado do país. Mas este blog sempre teve acima de tudo o intuito de ser um diário pessoal (sempre teve por subtítulo Diário pessoal do terror quotidiano), e mantive alguns posts que ajudam a perceber como isto começou, mas a maioria de posts intimistas foram sacrificados. Quem me conhecia não altura leu, quem não conhecia não vai ler. Alguns posts, do ponto de vista do enquadramento psicológico em que foram escritos já não fazem sentido se não forem apresentados na sequência inicial. Esses foram cortados. Muitos diálogos também. O que passou, passou.