Esta é a primeira frase de uma coisa que ando a escrever. A princípio pareceu-me muito bem mas cada vez que a leio surgem-me dúvidas. Preciso de uma opinião sincera.
Era uma daquelas tardes de verão serenas e mornas em que o próprio sol parece adormecer dentro da água das fontes, e a suave brisa sopra as pétalas de mansinho, como se todos os elementos se tivessem esquecido de que há bem poucos meses, ainda mal começada a primavera, se costumavam digladiar como inimigos.
Está demasiado... nem sei o que lhe chamar... cliché? Bucólica? Romântica?
A ideia era expressar que a natureza, os quatro elementos (fogo, ar, água, terra), se encontravam "reconciliados" após terem sido "inimigos". Mas agora não sei se a ideia passa ou se a frase é demasiado... a tal "coisa" que não consigo definir.
Opiniões são muito bem vindas. Obrigada. :)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quinta-feira, 24 de março de 2011
Club Noir
Antes de mais, o meu contrito mea culpa por não ter escrito sobre o Club Noir mais cedo quando já o podia ter feito. (A preguiça é um pecado tão feio...)
Depois de tantos anos sem alternativas, em Lisboa, a coisa começa a compor-se. Foi com muito agrado que conheci o Club Noir, inaugurado na rua da Madalena (baixa) em Fevereiro. Aqui está um espaço com tudo para agradar e todas as potencialidades que se possam imaginar.
À entrada, junto ao bar, existe uma sala onde se facto se pode conversar em grupo. A música é audível e a pista de dança é visível mas não atrapalha o convívio.
A mencionada pista de dança, por sua vez, ocupa exactamente o espaço suficiente para ser ao mesmo tempo intimista e convidativa (em suma, uma pista de dança "a sério", ao contrário de pista de dança improvisada como acontece em tantos bares). De facto, se estivéssemos nos anos 80 chamaria ao espaço nada mais nada menos do que bar/discoteca, porque é precisamente o que o espaço oferece. Mais nas "profundezas" há uma terceira sala, a que chamo a sala dos sofás, que oferece oportunidade para conversas mais... "aconchegadas". Aqui a minha opinião não é muito favorável (mas sou suspeita à partida porque detesto sofás): a música na "sala dos sofás" é tão elevada como na pista de dança e os sofás, se houvesse mais luz, dariam ao espaço um aspecto de "sala de espera". Talvez uma sala a melhorar, na minha opinião.
Tirando os sofás (que segundo me disseram já lá estavam quando o bar foi adquirido) nada a apontar à decoração e à iluminação. Podia ter um toque mais "pessoal" mas acredito que com o tempo, e os cartazes, e as recordações, chega-se lá.
Quanto à música, pelos dois eventos a que assisti fiquei com a impressão que depende do DJ ou da temática da noite, o que também é bom sinal. Respeitam-se os gostos das pessoas e não se engana ninguém caindo nos mesmos êxitos do costume, batidos e "rebatidos" por todo o lado. (Uma das coisas de que gostava na antiga Juke Box -- a do Bairro Alto -- era entrar lá e não conhecer nada do que estava a passar. A mim nunca ouvirão criticar música obscura.)
Por último, mas não menos importante, gostava de realçar a localização. O facto de se situar na baixa, numa rua afastada do mainstream dos bares (Cais do Sodré, Bairro Alto, etecetras e tais que não vou referir) é um ponto muito positivo. Quem frequentava a Juke Box, à tarde e a noite, na rua da Fé, sabe bem do que falo. O Club Noir, tal como a Juke da r. da Fé, tem a vantagem de ser apenas frequentado por gente que sabe para onde vai e para o que vai. Gente da cena, gente que não cai lá de pára-quedas. Talvez, com o tempo, surja a mística que o ambiente pede e encoraja. Logo, toca ir ao Club Noir e a espalhar a palavra pelos amigos. Das vezes que fui não me pareceu que estivesse suficientemente "povoado", certamente por ser um sítio ainda novo. Por isso insisto, toca a ir! Toca a recriar a mística! E já agora, toca a recriar a "dança em círculo". Isso, infelizmente, tem-se perdido, e cá por mim tenho saudades da cumplicidade que se criava. (Sabem do que falo, não sabem?...)
Um ponto negativo apenas: Já estou mal habituada desde que os bares começaram a fechar mais tarde em Lisboa. O Club Noir fecha mesmo às 4 da manhã. Enfim, tudo o que é bom parece que acaba sempre cedo demais, não é?
domingo, 20 de março de 2011
"2012" (2009) / "Apocalypto" (2006)
Existe a noção errónea de que um filme de terror tem que incluir necessariamente o sobrenatural. Tal não é verdade, como provam os filmes-catástrofe (como "2012") que se tornaram quase um sub-género (um outro exemplo recente: "O Dia Depois de Amanhã"). Mas existe um outro tipo de filmes, também eles com cenas eventualmente chocantes (e assustadoras), que se situam numa área bem mais cinzenta. "A Escolha de Sofia", é ou não um filme de terror? Mas foi filmado com a intenção de ser um drama. "Titanic", é ou não um filme de terror? E, no entanto, foi feito com a intenção de ser romântico (mas não é verdade que se não fosse o horror do naufrágio era apenas mais uma história de namorados)?
"2012", filme de terror/catástrofe que retrata a extinção da humanidade devido à inversão dos pólos terrestres tal como predita pelo povo Maia na data de 21 de 12 de 2012, podia ter causado mais medo, muito mais medo, mas algo falhou. Tenho para mim que os protagonistas permaneceram sempre demasiado seguros (enquanto o mundo literalmente desabava e a terra era engolida pelo mar) para causar aquela empatia necessária que leva a que se tenha medo "na pele deles". Não há efeito especial capaz de suprir esta falha mas até neste ponto a catástrofe não foi muito "catastrófica". Esperava-se mais do fim do mundo em efeitos visuais, digo eu. Os que vi não me pareceram muito convincentes (por comparação, por exemplo, ao já citado "O Dia Depois de Amanhã", esse sim, pela maestria da realização, verdadeiramente arrepiante).
Às vezes estes filmes têm efeitos surpreendentes. Provocou-me lágrimas de desespero ver aquele metro ser cuspido de uma montanha que acabava de se partir ao meio. Mas, pensando bem, nada mais natural do que estas lágrimas, afinal... egoístas. Foi a única situação em todo o filme em que pensei "podia ser eu", porque ando todos os dias de metro e a zona de Lisboa... "POSSO SER EU!" E chorei, obviamente. Senti-me naquela pele. De resto, não. Passei o filme todo a temer pelo cãozinho, e foi só isso.
De "2012" esperava um filme capaz de provocar pesadelos. De onde não o esperava era de "Apocalypto".
15 em 20
"Apocalypto", de Mel Gibson, está na minha opinião na área cinzenta e subjectiva. Feito na intenção de retratar ficcionalmente o período histórico do declínio do povo Maia, aterrorizou-me do princípio ao fim. A realidade (mesmo a realidade do passado) mete mais medo do que a ficção. Para mim, sem dúvida, este é um filme de terror. Assusta-me ainda mais pensar que pode haver quem não considere tal. Há mais a temer do homem do que de qualquer sobrenatural.
17 em 20
Duas notas curiosas
1. Sem ter consciência do facto, juntei dois filmes que falam da cultura Maia. (E foi mesmo inconsciente, visto que ainda há pouco tive de ir verificar se os índios de "Apocalypto" não eram antes Incas ou Aztecas - tendo a confundi-los.)
2. É curioso que gostei muito mais de "O Dia Depois de Amanhã" mas passada meia dúzia de anos acabo a atribuir a mesma nota a "2012", um filme de que sem dúvida gostei menos. O que prova o seguinte: muita quantidade do "mesmo" acaba por tornar o espectador indiferente e com a perda de originalidade desce necessariamente a fasquia.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Estou aqui sentada, quase a ter um ataque de pânico, e na impossibilidade de conseguir fazer outra coisa levanto as mãos para o teclado e lembro-me de vir aqui. É difícil. Mal me consigo mexer.
É isto que acontece às moscas, paralisadas pelo veneno, enquanto são sugadas vivas pela aranha.
Mal me consigo mexer. Debato-me ainda.
Aqui sempre foi o meu sítio de dizer "estou aqui" e estou viva ainda.
Menos e menos energia. As palavras, por não serem ditas, enferrujam também. Mas estou aqui, e estou viva. Ainda.
Deixo mais estas linhas na garrafa do náufrago que prova que um dia estive aqui. Um dia. Estive aqui.
Hoje é dia 13 de Fevereiro de 2011 e estou aqui. Estou viva.
Tremo demais. Não consigo escrever.
Para dizer a verdade não consigo pensar. Ou ser. Estava completamente errado o outro porque, apesar de não ser, e de mal pensar, existo. Os filósofos nunca gostaram muito de pensar no irracional. Preferem fingir que não existe. Muita gente gosta de fingir muitas coisas, e também de fingir que muitas coisas não existem.
Divago. Já me sinto melhor.
Não, nem por isso. Não sei. Mas é esta a natureza do medo. Sim, é o "não saber" a natureza do medo. Alguma dia passou, na minha vida, sem saber o que é acordar com medo? Ah é verdade, pois não. E depois, o medo é como a febre. Só muda de grau.
Será mesmo possível morrer de medo? Começo a acreditar que sim. De dentro para fora. Ou melhor, ainda mais subtil que isso, como o veneno, injectado de fora para dentro e paralisante de dentro para fora. A ponto de uma pessoa acreditar que o que veio de fora sempre esteve dentro! Nunca tinha pensado nisto.
Ou talvez tenha, mas não tão claramente.
Bem, parece que afinal sempre estou viva, e penso, e sou. Ainda vou sendo. Às vezes.
É isto que acontece às moscas, paralisadas pelo veneno, enquanto são sugadas vivas pela aranha.
Mal me consigo mexer. Debato-me ainda.
Aqui sempre foi o meu sítio de dizer "estou aqui" e estou viva ainda.
Menos e menos energia. As palavras, por não serem ditas, enferrujam também. Mas estou aqui, e estou viva. Ainda.
Deixo mais estas linhas na garrafa do náufrago que prova que um dia estive aqui. Um dia. Estive aqui.
Hoje é dia 13 de Fevereiro de 2011 e estou aqui. Estou viva.
Tremo demais. Não consigo escrever.
Para dizer a verdade não consigo pensar. Ou ser. Estava completamente errado o outro porque, apesar de não ser, e de mal pensar, existo. Os filósofos nunca gostaram muito de pensar no irracional. Preferem fingir que não existe. Muita gente gosta de fingir muitas coisas, e também de fingir que muitas coisas não existem.
Divago. Já me sinto melhor.
Não, nem por isso. Não sei. Mas é esta a natureza do medo. Sim, é o "não saber" a natureza do medo. Alguma dia passou, na minha vida, sem saber o que é acordar com medo? Ah é verdade, pois não. E depois, o medo é como a febre. Só muda de grau.
Será mesmo possível morrer de medo? Começo a acreditar que sim. De dentro para fora. Ou melhor, ainda mais subtil que isso, como o veneno, injectado de fora para dentro e paralisante de dentro para fora. A ponto de uma pessoa acreditar que o que veio de fora sempre esteve dentro! Nunca tinha pensado nisto.
Ou talvez tenha, mas não tão claramente.
Bem, parece que afinal sempre estou viva, e penso, e sou. Ainda vou sendo. Às vezes.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
6ª edição da revista "Abismo Humano" já online
Já pode ser lida aqui a sexta edição da revista Abismo Humano.
Segundo email recebido e site Abismo Humano, a revista em formato papel estará à venda na próxima Graveyard Session, a acontecer na Caixa Económica Operária já no próximo sábado.
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