Estou aqui sentada, quase a ter um ataque de pânico, e na impossibilidade de conseguir fazer outra coisa levanto as mãos para o teclado e lembro-me de vir aqui. É difícil. Mal me consigo mexer.
É isto que acontece às moscas, paralisadas pelo veneno, enquanto são sugadas vivas pela aranha.
Mal me consigo mexer. Debato-me ainda.
Aqui sempre foi o meu sítio de dizer "estou aqui" e estou viva ainda.
Menos e menos energia. As palavras, por não serem ditas, enferrujam também. Mas estou aqui, e estou viva. Ainda.
Deixo mais estas linhas na garrafa do náufrago que prova que um dia estive aqui. Um dia. Estive aqui.
Hoje é dia 13 de Fevereiro de 2011 e estou aqui. Estou viva.
Tremo demais. Não consigo escrever.
Para dizer a verdade não consigo pensar. Ou ser. Estava completamente errado o outro porque, apesar de não ser, e de mal pensar, existo. Os filósofos nunca gostaram muito de pensar no irracional. Preferem fingir que não existe. Muita gente gosta de fingir muitas coisas, e também de fingir que muitas coisas não existem.
Divago. Já me sinto melhor.
Não, nem por isso. Não sei. Mas é esta a natureza do medo. Sim, é o "não saber" a natureza do medo. Alguma dia passou, na minha vida, sem saber o que é acordar com medo? Ah é verdade, pois não. E depois, o medo é como a febre. Só muda de grau.
Será mesmo possível morrer de medo? Começo a acreditar que sim. De dentro para fora. Ou melhor, ainda mais subtil que isso, como o veneno, injectado de fora para dentro e paralisante de dentro para fora. A ponto de uma pessoa acreditar que o que veio de fora sempre esteve dentro! Nunca tinha pensado nisto.
Ou talvez tenha, mas não tão claramente.
Bem, parece que afinal sempre estou viva, e penso, e sou. Ainda vou sendo. Às vezes.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
6ª edição da revista "Abismo Humano" já online
Já pode ser lida aqui a sexta edição da revista Abismo Humano.
Segundo email recebido e site Abismo Humano, a revista em formato papel estará à venda na próxima Graveyard Session, a acontecer na Caixa Económica Operária já no próximo sábado.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
É um círculo
Eu quero acreditar que tudo acontece por uma razão e que, um dia, ainda hei-de ver o círculo a fechar-se. O que quero dizer com esta expressão é que às vezes parece que somos levados numa grande roda (como aquelas das feiras) que sobe tão longe em relação ao ponto de partida que pensamos que nunca mais vamos sair lá de cima e voltar ao chão. E parece que aquilo nunca mais acaba e já estamos fartos de andar naquilo e pensamos "mas porque raio me meti nisto?"...
Por isso digo, ainda quero ver o círculo a fechar-se, e nesse dia talvez tudo faça sentido.
Por isso digo, ainda quero ver o círculo a fechar-se, e nesse dia talvez tudo faça sentido.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Estava tudo pré-destinado.
O meu controlo sobre o meu destino é o mesmo de uma lata de coca-cola a vogar no oceano. Se encher vai ao fundo. Se alguém, porventura, de um barco, a apanhar, para a largar mais à frente, depressa volta a vogar ao sabor da maré.
E voga, voga, voga...
E voga, voga, voga...
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