quinta-feira, 18 de março de 2010
"Control" (2007)
Assistir a este filme perturbou-me tanto que não o consegui ver todo de seguida. Há muito tempo que o ando a fazer aos pedaços. Finalmente hoje terminei, em lágrimas. Tinha vontade de fazer a crítica habitual, mas não há nada que possa dizer que seja objectivo, imparcial e, se calhar, minimamente relevante.
Na falta das palavras, que fale a eloquência das lágrimas.
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domingo, 14 de março de 2010
"Disseste a verdade, Maximilian; de acordo com a forma como a encaramos, a morte pode ser uma amiga que nos embala como uma ama, ou um inimigo que violentamente arranca a alma do corpo. Um dia, quando o mundo for muito mais velho, e quando o homem for senhor de todos os poderes destrutivos da natureza, para servir o bem geral da humanidade; quando o homem, como estavas a dizer, tiver descoberto os segredos da morte, então a morte tornar-se-à tão doce e voluptuosa como um sono nos braços de uma amada."
Alexandre Dumas, "The Count of Monte Cristo" (tradução minha, do inglês)
Mais sobre esta obra, em breve.
Alexandre Dumas, "The Count of Monte Cristo" (tradução minha, do inglês)
Mais sobre esta obra, em breve.
One Death
One Try
Are your sure ?
Do you really want to Die ?
Suicide Commando, "Cause of Death: Suicide"
Provavelmente não estaria a pensar em tudo isto se esta não fosse uma das músicas que uso para fazer ginástica. Mas é. E foste tu quem primeiro me chamou a atenção para ela. Sabes que sempre fui muito dura de ouvido em relação à música electrónica. Agora não consigo ouvi-la sem me lembrar de ti. E depois, está a tornar-se um problema cada vez maior ficar sozinha com os meus pensamentos, o que acontece também quando faço ginástica. Sempre te disse, lembras-te?, que jamais poderia fazer ioga para "relaxar", tão concentrada e imóvel com os meus pensamentos? Não, eu preciso de distracção. Preciso de uma televisão, de um filme, de um livro. Nem que seja necessário fazê-lo e vê-lo na minha cabeça, desde que esta esteja bem longe daqui.
Mas agora já não sabes, já não sabes nada de mim, porque te foste embora, e eu não tive culpa nenhuma. Não me conformo. Eu preciso de ti. E pior um pouco, acho que tu precisas de mim também.
Este post poderia chamar-se "De como as pessoas arruínam as suas vidas".
Se porventura estiveres a ler isto (mas duvido muito que estejas) não te preocupes que ninguém sabe que estou a falar de ti. Mas como estou a falar para ti e não me estás a ouvir, faz de conta que estou a falar sozinha. Afinal, foi o conselho dado por um profissional. Mas tu não sabes, porque não estás aqui. E eu estou farta de ficar sozinha com os meus pensamentos.
One Try
Are your sure ?
Do you really want to Die ?
Suicide Commando, "Cause of Death: Suicide"
Provavelmente não estaria a pensar em tudo isto se esta não fosse uma das músicas que uso para fazer ginástica. Mas é. E foste tu quem primeiro me chamou a atenção para ela. Sabes que sempre fui muito dura de ouvido em relação à música electrónica. Agora não consigo ouvi-la sem me lembrar de ti. E depois, está a tornar-se um problema cada vez maior ficar sozinha com os meus pensamentos, o que acontece também quando faço ginástica. Sempre te disse, lembras-te?, que jamais poderia fazer ioga para "relaxar", tão concentrada e imóvel com os meus pensamentos? Não, eu preciso de distracção. Preciso de uma televisão, de um filme, de um livro. Nem que seja necessário fazê-lo e vê-lo na minha cabeça, desde que esta esteja bem longe daqui.
Mas agora já não sabes, já não sabes nada de mim, porque te foste embora, e eu não tive culpa nenhuma. Não me conformo. Eu preciso de ti. E pior um pouco, acho que tu precisas de mim também.
Este post poderia chamar-se "De como as pessoas arruínam as suas vidas".
Se porventura estiveres a ler isto (mas duvido muito que estejas) não te preocupes que ninguém sabe que estou a falar de ti. Mas como estou a falar para ti e não me estás a ouvir, faz de conta que estou a falar sozinha. Afinal, foi o conselho dado por um profissional. Mas tu não sabes, porque não estás aqui. E eu estou farta de ficar sozinha com os meus pensamentos.
sábado, 13 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Ajuda Urgente para os Animais de Loures!
Do site da associação Animais de Rua:
Mais informação e fotos dos cães resgatados
Ajuda Urgente para os Animais de Loures!
Todos estes animais viviam num terreno ocupado ilegitimamente por uma pessoa que os criava com intuitos dúbios. São 80 cães e estavam alojados em cima de várias toneladas de ossadas de vaca (que era a única alimentação que lhes era fornecida) e de cães mortos. Nasciam, viviam, alimentavam-se, defecavam e urinavam em cima dos ossos que eram ao mesmo tempo a sua única fonte de alimentação. Neste cenário, só os mais fortes sobreviviam. Os que morriam eram também comidos pelos seus companheiros de cativeiro - fenómenos de canibalismo na espécie canina só acontecem em situações extremas como esta. Há imagens da situação em que estes animais se encontravam na secção de Comunicação Social, do nosso website.
Todos estes cães só conheceram sofrimento desde o dia em que nasceram. Cabe-nos a nós dar um final feliz às suas histórias. São quase todos animais muito medrosos, mas que facilmente recuperarão a confiança no ser humano se lhes for dada essa oportunidade. Nenhum deles é agressivo e todos eles se dão muito bem com outros animais. Na curta sessão fotográfica que lhes fizemos (e aproveitamos desde já para agradecer à Wiseguys, que mais uma vez pôs a sua técnica ao serviço dos animais e capturou estas excelentes imagens), todos eles se mostraram meigos e reagiram com agrado à aproximação da voluntária que lhes fez festas.
Como podem ver, são dezenas de animais. Não será possível todos eles conseguirem um lar a não ser que sejam divulgados de forma massiva através de todos os meios disponíveis e que contem com a cooperação de todas as associações de protecção animal e de todas as pessoas que se preocupam com o seu bem estar.
Agradecemos desde já às associações Pé Ante Pata, que já se ofereceu para ajudar na divulgação e encaminhamento para adopção destes animais, e Abrigo da Bicharada, que irá acolher 3 fêmeas.
Pedimos a todas as pessoas e associações que possam acolher algum/alguns destes animais, mesmo que apenas temporariamente, que nos contactem para o geral@animaisderua.org.
Podem também dirigir-se directamente ao canil municipal de Loures.
Contacto do Gabinete Médico Veterinário Municipal - 219 848 210
Relembramos que foram encaminhados 15 cães (5 para cada um) para os canis municipais de Lisboa, Amadora e Vila Franca de Xira. A situação destes animais é ainda mais grave e urgente do que a dos animais que ficaram no canil de Loures, uma vez que não estão a ser alvo de qualquer divulgação já que, inacreditavelmente, estes municípios não permitem a captura de imagens dos animais que albergam..
Seguem abaixo fotografias e descrição de todos os animais que se encontram no canil de Loures.
Recomendamos vivamente a todas as pessoas e associações que decidam acolher algum/alguns destes animais a colocação imediata de uma coleira com alguma forma de identificação visível. Ver aqui, algumas dicas sobre identificação de animais de companhia.
A associação Animais de Rua compromete-se a esterilizar todos os animais que forem retirados do canil de Loures, para o que precisará muito de padrinhos de esterilização que ajudem a fazer face às despesas das cirurgias.
Agradecemos toda a ajuda possível na divulgação deste apelo.
A equipa da Animais de Rua
Mais informação e fotos dos cães resgatados
quinta-feira, 4 de março de 2010
Agarrei-me ao vampiro
Não é todos os dias que me apetece escrever mas hoje deu-me para isto.
Dantes, havia em Lisboa a Feira Popular. Podia ser muito bimbo mas eu gostava de ir beber sangria e ver as caras das pessoas quando andavam naquelas maluquices perigosas. Eu nunca andava. Só gostava de me sentar a beber sangria a observar as suas expressões de terror, a ouvir os seus gritos, a escutar os comentários. Digam o que disserem, era impagável. Gostava muito da Feira Popular e lamento que tenha desaparecido (em mais um negócio da China que ninguém percebe).
Mas avançando. Como disse, não gostava de andar em coisa nenhuma, nem sequer no Comboio Fantasma. Minto. Gostava de uma coisa em que se praticava a pontaria. Antes de beber sangria, claro, hahaha!
Tirando esse divertimento bélico (ah, que saudades de dar uns tirinhos!), só me atrevi a ir a outra coisa. Nos últimos anos da Feira montaram um espectáculo chamado A Casa do Terror, ou algo assim. Era de facto uma casa, com actores vestidos a preceito, cuja missão era meter medo aos visitantes. A ideia era espanhola. Desafiada por um amigo, lá me atrevi a experimentar, certa de que com a minha experiência em filmes de terror não me ia acagaçar. Afinal, tinha 26 anos, e já umas sangrias a acompanhar! Podia lá ter medo daquilo, certo?!... À porta estava um vampiro, vestido à conde Drácula, muito a rigor, que era o cicerone. Era quase tão sinistro como um gótico. Quase. O que estragava tudo era o colete vermelho e a camisa branca. (Vampiros amadores!)
Enfim, entrei, com um grupo de pagantes, e depois disseram-me que ao subir umas escadas não reparei na miúda do Exorcista que se retorcia algures a um canto sombrio. Estava a olhar para onde, pergunto-me eu? Possivelmente para o vampiro.
Em grande escuridão, penetrámos num cemitério. Do silêncio, começámos a ouvir sussurros, e depois algo nos tocou. Eram zombies. E bem caracterizados que eles estavam! Aquela gente era mesmo do teatro e fazia o seu papel! Sentíamo-nos no teledisco "Thriller" do Michael Jackson. Fiquei um bocado nervosa mas não tive medo. Faltava algo de essencial para me meter medo. Faltava o cheiro. Sem o cheiro da putrefacção e da morte, o meu cérebro distinguiu claramente que nada daquilo era real. Lá sorri e continuei.
Então o vampiro voltou a aparecer, naquele que devia ser o momento da metade da expedição, e avisou-nos: "A partir daqui ainda se pode voltar para trás! Quem não sair agora, já não sai!"
Isto também era para meter medo, mas quanto mais olhava para ele mais contente eu ficava. (Acho que o actor não estava a achar graça nenhuma ao meu carinho pela sua pessoa, mas lá deve ter percebido "esta é gótica, tou lixado, nem vale a pena insistir!")
Passámos a um corredor, e foi aí que se deu o mais estranho. Se os zombies não me convenceram, por falta do cheiro, algo mudou quando comecei a ouvir, nitidamente, um rosnar. Um rosnar ALTO e ameaçador, e percebi que do outro lado da porta estava um lobisomem. Reparem, eu não o vi sequer. Senti-me tomada de tal terror, só por ouvir o som, que me voltei para trás, e pedi desculpa ao meu amigo, e disse ao vampiro: "Eu quero sair! Eu quero sair! Por onde é, por onde é?!"
Acho que o vampiro se desiludiu comigo. Mas foi assim, agarrei-me ao vampiro, para longe do barulho, e ele guiou-me pela "passagem secreta" para a rua. "Cuidado com as aranhas!", dizia, sempre no seu papel, mas eu não largava era o vampiro.
Nunca me arrependi de voltar para trás. Queria ter medo, e tive medo. Missão cumprida.
O meu amigo ainda passou por alguns sustos, o último dos quais foi ser recebido pelo homem louco com a motoserra de "Texas Chainsaw Massacre", mas até a isso assisti em segunda mão. Quando a porta se abriu, ouvi a serra, e ouvi os gritos, e senti medo também. E nem sequer já lá estava.
Reparem como é curiosa esta coisa do medo, que vem dos sentidos todos, do cheiro, da audição, dos sentimentos, e principalmente da imaginação. Quanto menos se vê, mais se imagina. Quanto mais se imagina, mais assustador se torna. Eu não vi lobisomem nenhum. Eu imaginei-o. Naquele momento, "acreditei" tanto nele que tive medo e voltei para trás, com medo do que ia ver. Com medo de ver o meu pior pesadelo. Esse, o meu pior pesadelo, jamais o veria, porque apenas existia na minha cabeça. Mas naquele momento existiu, e dei por bem gasto o dinheiro do bilhete.
E depois, podia lá perder a oportunidade de ser guiada à "segurança" pelo braço de um "vampiro"?... Só se fosse muito louca!
Todos pagavam o mesmo, mas nem todos usufruíam os mesmos prazeres.
Dantes, havia em Lisboa a Feira Popular. Podia ser muito bimbo mas eu gostava de ir beber sangria e ver as caras das pessoas quando andavam naquelas maluquices perigosas. Eu nunca andava. Só gostava de me sentar a beber sangria a observar as suas expressões de terror, a ouvir os seus gritos, a escutar os comentários. Digam o que disserem, era impagável. Gostava muito da Feira Popular e lamento que tenha desaparecido (em mais um negócio da China que ninguém percebe).
Mas avançando. Como disse, não gostava de andar em coisa nenhuma, nem sequer no Comboio Fantasma. Minto. Gostava de uma coisa em que se praticava a pontaria. Antes de beber sangria, claro, hahaha!
Tirando esse divertimento bélico (ah, que saudades de dar uns tirinhos!), só me atrevi a ir a outra coisa. Nos últimos anos da Feira montaram um espectáculo chamado A Casa do Terror, ou algo assim. Era de facto uma casa, com actores vestidos a preceito, cuja missão era meter medo aos visitantes. A ideia era espanhola. Desafiada por um amigo, lá me atrevi a experimentar, certa de que com a minha experiência em filmes de terror não me ia acagaçar. Afinal, tinha 26 anos, e já umas sangrias a acompanhar! Podia lá ter medo daquilo, certo?!... À porta estava um vampiro, vestido à conde Drácula, muito a rigor, que era o cicerone. Era quase tão sinistro como um gótico. Quase. O que estragava tudo era o colete vermelho e a camisa branca. (Vampiros amadores!)
Enfim, entrei, com um grupo de pagantes, e depois disseram-me que ao subir umas escadas não reparei na miúda do Exorcista que se retorcia algures a um canto sombrio. Estava a olhar para onde, pergunto-me eu? Possivelmente para o vampiro.
Em grande escuridão, penetrámos num cemitério. Do silêncio, começámos a ouvir sussurros, e depois algo nos tocou. Eram zombies. E bem caracterizados que eles estavam! Aquela gente era mesmo do teatro e fazia o seu papel! Sentíamo-nos no teledisco "Thriller" do Michael Jackson. Fiquei um bocado nervosa mas não tive medo. Faltava algo de essencial para me meter medo. Faltava o cheiro. Sem o cheiro da putrefacção e da morte, o meu cérebro distinguiu claramente que nada daquilo era real. Lá sorri e continuei.
Então o vampiro voltou a aparecer, naquele que devia ser o momento da metade da expedição, e avisou-nos: "A partir daqui ainda se pode voltar para trás! Quem não sair agora, já não sai!"
Isto também era para meter medo, mas quanto mais olhava para ele mais contente eu ficava. (Acho que o actor não estava a achar graça nenhuma ao meu carinho pela sua pessoa, mas lá deve ter percebido "esta é gótica, tou lixado, nem vale a pena insistir!")
Passámos a um corredor, e foi aí que se deu o mais estranho. Se os zombies não me convenceram, por falta do cheiro, algo mudou quando comecei a ouvir, nitidamente, um rosnar. Um rosnar ALTO e ameaçador, e percebi que do outro lado da porta estava um lobisomem. Reparem, eu não o vi sequer. Senti-me tomada de tal terror, só por ouvir o som, que me voltei para trás, e pedi desculpa ao meu amigo, e disse ao vampiro: "Eu quero sair! Eu quero sair! Por onde é, por onde é?!"
Acho que o vampiro se desiludiu comigo. Mas foi assim, agarrei-me ao vampiro, para longe do barulho, e ele guiou-me pela "passagem secreta" para a rua. "Cuidado com as aranhas!", dizia, sempre no seu papel, mas eu não largava era o vampiro.
Nunca me arrependi de voltar para trás. Queria ter medo, e tive medo. Missão cumprida.
O meu amigo ainda passou por alguns sustos, o último dos quais foi ser recebido pelo homem louco com a motoserra de "Texas Chainsaw Massacre", mas até a isso assisti em segunda mão. Quando a porta se abriu, ouvi a serra, e ouvi os gritos, e senti medo também. E nem sequer já lá estava.
Reparem como é curiosa esta coisa do medo, que vem dos sentidos todos, do cheiro, da audição, dos sentimentos, e principalmente da imaginação. Quanto menos se vê, mais se imagina. Quanto mais se imagina, mais assustador se torna. Eu não vi lobisomem nenhum. Eu imaginei-o. Naquele momento, "acreditei" tanto nele que tive medo e voltei para trás, com medo do que ia ver. Com medo de ver o meu pior pesadelo. Esse, o meu pior pesadelo, jamais o veria, porque apenas existia na minha cabeça. Mas naquele momento existiu, e dei por bem gasto o dinheiro do bilhete.
E depois, podia lá perder a oportunidade de ser guiada à "segurança" pelo braço de um "vampiro"?... Só se fosse muito louca!
Todos pagavam o mesmo, mas nem todos usufruíam os mesmos prazeres.
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