quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Morre não morre

Nos últimos dias, tem vindo sobre mim uma melancolia inexplicável que faz dor estar viva. Coisas de gótico, sem dúvida. Apanhei-me meia dúzia de vezes a pensar que a minha vida acabou e que devia acabar. Razões? Nenhumas em particular. Está frio. Tenho um gato doente desde o Verão, morre não morre. O empregozinho de merda onde se tem de pedir licença para ir fazer chichi. Ter 35 anos (muito cedo mais que isso) e ficar fora do mercado de trabalho enquanto nos obrigam por decreto a fumar menos e viver mais. Para quê, se as pensões não chegam? Não se pode dar milho aos pombos. Nojentas pessoas não gostam de animais e gostariam de os exterminar a todos. E às lareiras. E ao incenso, provavelmente. Pessoas sem pinga de sensualidade. Ter de comer carne porque a comida vegetariana é muito cara. Podia ser pior, podia ser obrigada a comer o meu semelhante, como no empregozinho de merda onde não lhes posso dizer as verdades que deviam ouvir. Que não querem ouvir, nem ler, nem ali nem aqui. Supermercados cheios de imigrantes pobres que vieram enganados. Cada vez mais sem abrigos nas ruas.
E no Quénia, o que será dos animais? Há muito tempo deixei me preocupar com limpezas étnicas. Tenho pena é dos animais, apanhados neste mundo da última Criação Divina, Adão e Eva, natural born killers, o flagelo de Deus.
Nada de novo, portanto. Não poderia dizer porque pensei na morte hoje e não ontem ou amanhã. Não há explicação racional.
Tenho dois artigos das minhas memórias para acrescentar aos outros dois mas apesar de alinhavados a vontade não aparece. E o gato morre não morre.
E eu hesito. Ser ou não ser? Viver ou renunciar? Mais um passo numa ou noutra direcção e terei feito a escolha. Hesito. Irrita-me. Não gosto de viver no meio termo. Ou tudo ou nada. Morre-se ou não morre-se. Vive-se ou não vive-se. Isto de viver por uma causa não é vida, é uma missão. Uma missão involuntária, tem esta algum mérito? Duvido. Parece mais um pedido de desculpas. Que fazer com esta vida que abomino? Tentar transformá-la numa coisa que sirva de alguma coisa? Isso é viver? Não, isso não é viver. Not in my book.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Estado das coisas

Farta já de roer o osso, que quanto mais se mastiga mais enjoa, este argumento "no meu corpo mando eu", que utilizo no último post relativo ao mesmo assunto, também foi usado vezes sem conta para defender o direito ao aborto, como o Goldmundo não podia deixar de reparar. Com a diferença óbvia de que no meu argumento não se coloca em causa a vida por nascer dentro do corpo materno.
Mas não é por acaso que os pensamentos se cruzam. Se votei sim à liberalização do aborto foi tão só para acabar com a hipocrisia. Fim de conversa.
Mas o gene humano da hipocrisia ainda não foi totalmente isolado e estudado. Quase um ano depois, a mesma sociedade que legaliza a morte de nascituros a pedido das mães (e paga pelo Estado) é a mesma sociedade que quer ostracizar o tabaco em nome da vida. Não me admirava nada que amanhã o Estado preferisse pagar abortos do que xaropes para o catarro do fumador. Não me entra na cabeça mas não me espanta.
A pior forma de hipocrisia é aquela que é cega. Como a hipocrisia americana, de onde todo o fanatismo foi importado, e a estupidez também.

Mas nem só de miséria humana se fizeram os últimos dias. É com grande alívio que retiro este banner do fundo da página.

Do Portugal Profundo


"Do Portugal Profundo" já não é arguido. O processo movido contra o autor do blog por José Sócrates enquanto cidadão e primeiro-ministro foi arquivado. Dir-me-ia mais reconciliada com a Justiça se não tivesse demorado meses. Segundo António B. Caldeira: «O motivo da "queixa do cidadão José Sócrates e primeiro-ministro enquanto tal", que finalmente posso revelar, foi a minha referência ao "centro governamental de comando e controlo dos media"». Sabemos todos que não foi por isso que o autor do blog foi processado mas sim por ter insistido nas nebulosas qualificações de um primeiro-ministro que não tem vergonha de querer parecer mais do que é. E durante tempo a mais foi calado pela Justiça, que não funciona. Que não se mexe. Que arquiva. Que não tem meios para investigar.
Tirar à Justiça os meios de investigação, eis a melhor arma até hoje descoberta contra a democracia moderna.

Apesar de tudo isto, congratulo-me com o tardio arquivamento deste triste processo pela parte que toca ao autor do blog. Não fico, todavia, mais descansada quanto à nossa liberdade de expressão.
A liberdade é uma coisa que se perde mais um pouco todos os dias.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Heath Ledger



Sin eater encontrado morto em casa no dia 22 de Janeiro, aos 28 anos.
Nada dá mais imortalidade do que a morte.

Eu Sou Deus




"O espírito da lei é proibir", dizia este nazi a quem só falta uma luneta em vez de óculos, no "Prós e Contras" da última segunda feira. Proibir, pois, diz esta sinistra criatura que eu desconhecia completamente, mas que como Director Geral de Saúde se deve mover nos interstícios mais tenebrosos do poder, aqueles em que não se vota nem a quem se vê a verdadeira cara excepto em raras ocasiões como estas. Francisco George, de seu nome, quer proibir. Se não houver espaço para fumadores está tudo bem para ele e não é preciso fiscalizar. Não sou eu que digo, é ele. Logo, não há espaço na cabeça desta criatura monstruosa para gente como eu. Como não lhe chamar nazi?
Alguma coisa já conseguiu, pelo menos lembro-me do seu nome o suficiente para o procurar na net. Lembro-me também como fugiu à argumentação de José Sá Fernandes e do presidente do Casino Estoril. Pois, sim, mas não, mas sim, mas não... Dava o dito por não dito, contorcia-se, retorcia-se, um perfeito réptil do diz que não disse sem dizer nada. Intelecto zero, manha tudo.
A certa altura, e foi isso que me chocou mais, começou a convocar todos os argumentistas do contrário a irem ao seu gabinete "debater mais", e lá se falava em estabelecer protocolos de excepção, a Associação Nacional de Discotecas de bolinha bem baixa não fosse Von Smallerhausen mudar de ideias, mas tudo nestes gabinetes à porta fechada, os arranjinhos, as cunhas para os obedientes e os poderosos, à maneira portuguesa, "se não falares muito arranjo-te qualquer coisa", um nojo em directo.
Em directo, continuava-se a debater o sexo dos anjos, se o tabaco mata ou não mata, porque há quem goste de virar o disco e tocar o mesmo porque não sabe outra canção. Uma das pessoas mais inteligentes presentes na sala, quer se concorde ou não, o tal presidente do casino cujo nome não recordo nem o conhecia de lado nenhum (surpreendeu-me) a certa altura faz a proposta "irreverente", disse ele, de deixar os donos dos estabelecimentos mais pequenos decidirem se é um local para fumadores ou não fumadores. "Não! Não! Não!", gritou um dos fundamentalistas da plateia, porque isso de deixar as pessoas decidirem é perigoso, veja-se o que aconteceu em Espanha, onde toda a gente permitiu o fumo.
Mas afinal a lei não está a ser tão bem aceite pela população? Do que têm medo, estes senhores? Da ganância dos donos dos restaurantes que até comiam um cancro se isso lhes rendesse 15 euros?
Dar liberdade aos fumadores e não fumadores de organizarem espaços só para eles? Claro que não. Qualquer dia, se as pessoas tiverem de pensar na escolha, até começam a pensar noutras coisas, e pensar é perigoso.

Este senhor, o da fotografia, o que convidava toda a gente para o gabinete dele, é perigoso. Foi com gente assim que se teceu o Terceiro Reich. Não gostam da comparação? Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Não sei que mais este osso dá para roer, mas que tem exposto toda a podridão de uma sociedade, isso tem. Desde os nazis aos bufos, desde os fumadores amochados aos não fumadores gozões. Uma sociedade incapaz de reagir. Em coma. Qual cancro? Aqui está tudo morto.

Lembro-me de um filme sobre os últimos dias de Hitler, não sei se o recente "Der Untergang / A Queda, Hitler e o Fim do Terceiro Reich" se outro mais antigo, ou ambos, em que Eva Braun e a secretária do Fuhrer saíam do bunker às escondidas para ir fumar e tinham de fugir à pressa para dentro quando caíam as bombas sobre Berlim. Toda uma corte a fingir que não fumava. Hitler era vegetariano e não tolerava o fumo. E não tolerava muito mais coisas, como todos sabemos, nomeadamente a existência de certas outras pessoas. No momento em que souberam que estava morto, todos estes lacaios se juntaram numa sala, puxaram dos cigarros e desataram a fumar. É histórico.

Acho que se não fumasse começava hoje só para mostrar que em mim mando eu. O meu corpo é o meu templo, dizem alguns fundamentalistas anti tabaco. Eu acrescento: o meu templo, o meu reino, o meu universo. Aqui dentro, Eu Sou Deus.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Má vida

Sou fumadora. Quando não estou a fumar estou a roer as unhas, ou o osso. E este tem dado para roer, roer, e parece-me que ainda falta muito para chegar ao tutano.

Como sou utilizadora de transportes públicos, passo (perco) horas e horas da minha vida a observar os outros na sua vidinha, mas disso não me queixo porque me dá um especial prazer (podia dar-me para pior). Estava eu à espera de um daqueles autocarros que só passam duas vezes por dia, à frente de um cafézinho/taberna que já conheço muito bem, a fumar o meu cigarrinho, quando reparo num velhote que saiu do café de propósito para fumar o dele, duas vezes. Deve ter sido a primeira vez na vida que o proibem de fumar, pensei, mas com todo o civismo lá vinha para a rua quando lhe dava para o vício entre os copos e o jogo de futebol. Depois vi outra cena muito triste, mesmo muito triste. Um dos frequentadores do café, também velhote, gordo, vermelho e tão cheio de vinho que até cambaleava, saiu e gozou, mas muito a sério, numa autêntica perseguição: "Merda de tabaco! Eu quero saúde!" Diz o roto ao nu. Diz a cirrose ao cancro. Pois aquela grande besta está convencida que fumar faz mais mal do que ser obeso e alcoólico. Se querem que vos diga, o fumador parecia mais saudável, mas as aparências iludem e é provável que estejam ambos igualmente de pés para a cova.
O que me fez impressão foi a atitude "eu agora sou melhor do que tu". Já aqui disse que o fanatismo me faz mal aos nervos. Quando morrer, quero ter na minha lápide: "Aqui jaz, vítima de ira".

Mas queriam fanatismo à americana, na Europa? Pois cá vai.

Despedidos por não fumar
2008/01/10 | 22:11
Patrão disse que empregados interferiam com «tranquilidade» do grupo

O proprietário de uma pequena empresa de tecnologia na cidade de Buesum, na Alemanha, foi processado por ter demitido três funcionários não-fumadores para os substituir por fumadores.

Segundo noticia o jornal alemão Hamburger Morgenpost, os funcionários, que já trabalhavam na empresa há cerca de dois anos e meio, foram despedidos depois de terem solicitado a criação de uma zona específica para não fumadores na empresa.

O dono não gostou do pedido, considerou que os três funcionários estavam a «interferir com a tranquilidade» do grupo e decidiu substituí-los por três fumadores, com a justificação de que estes «se adaptariam melhor». Está agora a responder em tribunal por despedimento sem justa causa.

Em declaração ao mesmo jornal alemão, o dono da empresa, que tem dez funcionários, considera que a proibição de fumar um ataque à liberdade individual. «Não posso preocupar-me com os problemáticos. Estamos sempre ao telefone e é mais fácil trabalhar enquanto fumamos», disse.


Aqui está o outro extremo do fanatismo. Eu ainda sou do tempo em que se fumava no trabalho e agora percebo que não era uma boa prática, nem para fumadores nem para não fumadores. Demasiada gente a fumar em pouco espaço muitas horas por dia. O trabalho já é um castigo, não há necessidade de o tornar ainda mais penoso. (Digo o mesmo dos ares condicionados que também hão-de ir à vida quando se provar que estão na base de alergias como a minha. Por enquanto não, que o negócio prospera e ainda não inventaram pior.)
Quanto à situação dos empregados de bares e discotecas e a sua exposição ao fumo, o caso é mais delicado. Há uma etiqueta da noite que distingue um barman de um empregado de café. Trabalhar na noite dá prestígio no meio. Nem sequer é só para quem gosta; é para quem dá "estilo" à casa. Não é por acaso que os empregados de bar são jovens. Há vantagens bastante cobiçadas naquela idade em que toda a gente quer ser visto. Não penso que seja profissão para se ter toda a vida. A exposição aos altos decibéis de alguns locais de diversão também pode provocar danos permanentes. Eu, melómana, que não concebo uma vida de surdez, fujo do barulho excessivo como os não fumadores fogem do fumo. Mas profissões de risco há muitas e as suas compensações são várias. É tudo uma questão de prioridades.

Há que ser muito claros numa coisa. A má vida não se chama assim por acaso. Quando a má vida for saudável inventam-se outras formas de má vida. Acabar com a má vida, como querem os puritanos, nunca vai acontecer. Que o diga Jeová que destruiu Sodoma e Gomorra. Louco é o homem que tenta o que Deus não conseguiu.




A propósito, eu assinei a petição online pelo direito de escolha. Não sei se servirá para alguma coisa mas como foi difícil encontrá-la aqui fica o link:

http://www.bardali.com/adn/adn.html

Se for preciso assinar em papel, também o faço.

30 Days of Night / 30 Dias de Noite



Às primeiras cenas de "30 Dias de Noite" sente-se na solidão da gélida paisagem que algo terrível está para acontecer. Burrow, Alasca, segundo o filme a cidade mais a norte do território americano, vive o último dia de sol antes de um mês de invernia noite ártica.
Ainda nem se tinha posto o sol, estranhos actos de vandalismo já levavam o xerife a desconfiar que alguém estaria a tentar cortar as comunicações entre o resto do mundo e a povoação já de si isolada pelas estradas intransitáveis. Todos os cães de trenó aparecem mortos numa poça de sangue. Pouco mais tarde, um forasteiro é preso por causar desacatos. É um louco "renfield" que anuncia a chegada dos seus mestres que o vão tornar um deles. Na cidade em que não nasce o sol, os vampiros fazem um banquete.
O que distingue os grandes filmes de terror dos filmes para entreter é que os primeiros não precisam de grandes efeitos especiais nem sustos pindéricos. E este foi feito à moda antiga: poucos meios, quase a fazer lembrar a série B, sem querer fugir aos clássicos como John Carpenter ou Stephen King, mas com uma originalidade refrescante que nos faz ficar presos à cadeira até ao último minuto. Um excelente filme de vampiros que mete medo sem se esforçar muito, o que é uma agradável surpresa no panorama tantas vezes estéril e repetitivo da falta de ideias de Hollywood. Só por isso:

16 em 20

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Romance com a morte

Aqui começa a mais bela história sobre o tabaco jamais contada.
Havia nicotina nos espermatozóides que me conceberam. A minha mãe, felizmente para mim, não fumava. Não porque não tivesse tentado mas não conseguiu porque não gostava. Isto de fumar não é para quem quer, é para quem gosta. Ela só queria ter estilo e ser aceite. Ficou-se pelo caminho. E nunca foi aceite nem nunca teve estilo (mas essa história não merece ser contada por ser demasiado banal).
Nasci. Nasci numa casa de fumador, num tempo em que as crianças andavam sozinhas na rua e descalças, e nenhum mal lhes vinha por isso.
Tempo de liberdade.
Desde que conheci o meu pai, conheci-o com um cigarro na boca. Naquela altura não gostava do cheiro. Há odores e paladares subtis que escapam aos sentidos mal desenvolvidos de uma criança, como o sabor suave de uma cenoura cozida.
Aquele cheiro era agressivo mas cresci com ele e habituei-me a ele. Aquele era o cheiro de que o pai estava em casa, à mesa, a fumar SG Filtro. E quando o pai estava em casa, à mesa, a fumar SG Filtro, nada me podia fazer mal.
Mais tarde, o pai começou também a beber. Aguardente, era o que ele bebia. E começou a beber muito, e também o cheiro da aguardente se tornou repulsivo. Ainda hoje a aguardente me cheira a morte.
O meu pai chegava a casa, de um clube privado onde se jogava à sueca até altas horas da noite, sentava-se à mesa a ler livros científicos e tomava um Rophinol para dormir. Esses eram os bons tempos.
Quando tinha sono ia para a cama e dormia como um anjo.
Não foi o cigarro que o matou, mas a aguardente. Cancro no pâncreas. Bem, cientificamente, pode-se dizer que foram as duas coisas, mais o Rophinol. Mais uma vida de prazeres até ao fim dos seus dias.
O meu pai teve tuberculose e foi mandado para o Caramulo curar-se, uns vinte anos antes de eu nascer, e a tuberculose não o matou. Irmão de sete ou oito irmãos, fora os que morreram em crianças, nem mais tarde uma operação que lhe tirou parte do estômago lhe deu sumiço.
Aos 75 anos, finalmente, chegou-lhe o cancro. Demorou uns seis meses. Ninguém sabia quanto tempo tinha de vida. Não houve quimioterapia nem radiações nem hospitais. Mas nesse tempo havia tempo para cuidar dos moribundos. O meu pai morreu na cama dele, no mesmo quarto em que eu durmo agora, com um enfermeiro que lhe vinha dar cada vez mais injecções de morfina. Dois ou três dias antes de morrer, sem dores mas em plena posse das suas faculdades, o meu pai deixou de fumar. Foi também nessa altura que entrou no pré-coma em que passou as últimas horas de vida. Morreu na cama, na cama dele, junto dos familiares, como deve ser, depois de uma vida bem vivida.
Ò morte, qual é o teu triunfo?

Invejo o meu pai por ter vivido num tempo em que se fumava, em que se tomava Rophinol, em que se bebia aguardente até cair, em que se morria fisicamente antes de se perder a razão, em que nos deixavam partir no tempo devido. Só queria da vida ter a sorte que ele teve e morrer suavemente na minha cama, com alguém que eu amo a segurar-me a mão e um enfermeiro a dar-me injecções de morfina. Morrer antes de me esquecer de quem sou, lúcida e consciente, uma jovem de 75 anos.

O meu pai nem sabe a sorte que teve. Mas eu sei. E não estou disposta a deixar de fumar senão dois ou três dias antes de morrer, na minha cama, com os meus amigos de volta. Nesse dia não me vai apetecer fumar, nem comer, nem beber, mas simplesmente partir, para Deus, onde pertenço. Assim seja.